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História Ônix - Capítulo 47


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Capítulo 47 - Capitulo 47


Fechei a porta, meu coração batendo acelerado. E se contar a ela fosse um erro? E se o Christopher estivesse morto? Eu estaria complicando a vida dela ainda mais. Talvez devesse ter dado ouvidos a Serena.

— Camila — chamou, impaciente.

— Desculpa. — passei por ela, tomando cuidado para não tocar nem num pedacinho daquela pele exposta, e segui para a sala. Ela surgiu subitamente na minha frente e plantou as mãos em meus quadris. Inspirei fundo. — Eu vi a Bethany hoje.

Ela inclinou a cabeça de lado e piscou uma, e então, duas vezes.

— O quê?

— A namorada do Christopher...

— Eu escutei o que você falou — interrompeu-me ela, correndo ambas as mãos pelos cabelos bagunçados. Fiquei momentaneamente distraída pelo modo como seus peito subia e descia conforme ela respirava . Concentre-se. — Como pode ter certeza de que era ela, Camila? Você nunca a viu.

— Vi o folheto de pessoa desaparecida com a foto dela. Jamais esqueceria aquele rosto. — sentei no sofá e esfreguei as mãos sobre os joelhos. — Era ela.

— Puta merda... — ela se sentou ao meu lado e deixou as mãos caírem entre as pernas. — Onde foi que você a viu?

Vendo sua expressão confusa, desejei poder confortá-la de alguma maneira.

— No correio, depois da aula.

— E esperou até agora para me contar? — antes que eu pudesse responder, Lauren soltou uma risada por entre os dentes. — Ah, claro, você estava treinando com a Sara Saggins e precisava esperar até ela ir embora, acertei?

Apertei os joelhos e projetei o queixo. Eu devia ter ido direto até ela. O choque pelo que eu tinha visto e o treino não eram importantes nem serviam como desculpa.

— Sinto muito, mas estou te contando agora.

Ela anuiu com um breve menear de cabeça e voltou a olhar para a árvore de Natal. Tinha a impressão de que haviam passado anos desde que a tínhamos armado.

— Droga, não sei... não sei o que dizer. Beth está viva?

Fiz que sim, e apertei os lábios.

— Lauren, eu a vi com o Brian Vaughn. Ela está com o DOD. Eles pararam na beira da estrada e a porta do carro se abriu. Foi assim que vi os dois. Ele tentava fechar a porta, e parecia zangado.

Lauren virou a cabeça lentamente para mim, e nossos olhos se encontraram. Vários minutos se passaram. Um misto de emoções cruzou os olhos dela, e o verde brilhante adquiriu um tom mais escuro e tempestuoso. Vi o momento exato em que a ficha caiu o segundo em que seu mundo foi abaixo, apenas para ser imediatamente reconstruído.

Deduzir que o Christopher havia curado a Bethany e chegar à conclusão de que o desaparecimento dos dois era obra do DOD e não de um Arum não era tão absurdo assim. Não depois de ela ter descoberto que, ao me curar, tinha também me transformado. Faltava só jogar Serena na mistura e tudo o que a surfista tinha dito sobre o DOD e o interesse deles por humanos híbridos.

E Lauren era esperta.

Ela se levantou num pulo e, em questão de segundos, estava em sua forma verdadeira e ofuscante. Sua luz cintilava num tom de vermelho-esbranquiçado enquanto ela andava de um lado para outro da sala. Uma rajada de vento chacoalhou os enfeites da árvore de Natal.

-"Ela estava com o DOD?" -sussurrou ela, a voz transbordando ódio. -"O governo é responsável pelo desaparecimento deles?"

Eu sempre levava alguns segundos para me acostumar com a voz dela em meu cérebro e, por força do hábito, respondi verbalmente:

— Não sei, Lauren. Mas essa não é a pior parte. Como o DOD poderia saber o que aconteceu entre eles, a menos que...?

-"A menos que alguém tenha contado?" -a luz pulsou e uma onda de calor invadiu a sala. –"Mas se o Christopher não contou que a curou nem pra mim, como alguém mais poderia saber? A menos que a pessoa os tenha visto e desconfiado de alguma coisa, e então nos traído..."

Assenti, sem saber ao certo se ela estava olhando para mim ou não. Tudo o que eu podia ver era sua forma, sem traços nem olhos.

— É nisso que andei pensando. Só pode ter sido alguém que sabia, o que provavelmente reduz o número de suspeitos.

Vários minutos se passaram, e a temperatura na sala continuava subindo.

- "Preciso descobrir quem nos traiu. Seja lá quem for, farei com que se arrependa de ter pousado neste planeta."

Com os olhos arregalados, levantei do sofá e arregacei as mangas do pulôver. Engolindo em seco, resolvi verificar.

- "Lauren?"

A luz piscou.

- "Estou te ouvindo."

Outra prova de que nossa conexão não enfraquecera nem um pouco.

- "Sei que você está louca pra se vingar, porém o mais importante é: e se o Christopher ainda estiver vivo?"

Ela se aproximou de mim, fazendo com que pequenas gotas de suor brotassem em minha testa.

- "Então não sei se devo ficar feliz ou triste. Se ele estiver vivo, onde está? Digamos que o DOD esteja com ele, nesse caso, que tipo de vida meu irmão está levando? Há dois anos?" -as palavras seguintes soaram entrecortadas mesmo em minha mente. – "O que eles fizeram com ele?"

Meus olhos se encheram de lágrimas, tornando sua silhueta de luz um borrão.

- "Sinto muito, Lauren. De verdade. Mas, se ele estiver vivo... então ele está vivo !!!" -estendi o braço e, através da luz, toquei o peito dela. A luz pulsou freneticamente por alguns instantes e, então, se acalmou. Meus dedos vibravam. – "Isso deve significar alguma coisa, certo?"

- "Deve, deve sim."

Ela recuou um passo e, um segundo depois, estava de volta à forma humana.

— Preciso descobrir se meu irmão está vivo. Se não estiver... — desviou os olhos, o maxilar tremendo. — Preciso saber como e por que ele morreu. O motivo de eles quererem a Beth é óbvio, mas o meu irmão?

Sentei-me de novo no sofá e sequei a testa com a palma da mão.

— Não sei... — ela agarrou minha mão tão rápido que soltei um ofego. — O que você tá fazendo?

Lauren a virou, franzindo as sobrancelhas.

— O que é isso?

— Ahn? — baixei os olhos, e senti meu coração pular uma batida. Havia uma forte mancha arroxeada em torno do pulso, bem no lugar onde Serena havia me segurado. — Não é nada — respondi, rápido demais. — Bati o braço na bancada da cozinha hoje à tarde.

Seus olhos buscaram os meus, inquisitivos.

— Tem certeza de que foi isso que aconteceu? Porque, se não for, é só me falar e eu juro que esse problema está resolvido.

Forcei uma risada e um revirar de olhos. Não tinha dúvidas de que a Lauren faria algo terrível com a Serena, mesmo que tivesse sido acidental. Com ela, era tudo preto ou branco.

— Tenho, Lauren, foi só isso. Credo!

Ainda me analisando, ela recuou e se sentou no sofá. Vários momentos se passaram.

— Não fale nada com a Taylor sobre isso, ok? Não até descobrirmos algo de concreto. Não quero que ela saiba de nada até termos certeza.

Ótimo. Mais uma mentira, embora pudesse entender o motivo.

— Como você vai descobrir algo de concreto?

— Você disse que viu a Bethany com o Vaughn, certo?

Fiz que sim.

— Bom, por acaso sei onde ele mora. E ele provavelmente sabe onde a Beth está e o que aconteceu com o Christopher.

— Como você sabe onde ele mora?

Ela abriu um sorrisinho diabólico.

— Tenho meus meios.

Uma nova onda de pânico me invadiu como gelo.

— Espera um pouco. Ah, não, você não pode ir atrás dele. Além de ser loucura, é perigoso!

Lauren arqueou uma sobrancelha negra como carvão.

— Como se você se importasse com o que acontece comigo, gatinha.

Meu queixo caiu.

— Eu me importo, sua cretina! Promete que não vai fazer nenhuma estupidez.

Ela me observou por alguns segundos, e o sorriso tornou-se triste.

— Não vou fazer promessas que sei que irei quebrar.

— Merda! Você é frustrante, sabia? Não te contei isso pra você sair correndo e fazer algo idiota.

— Não vou fazer nada idiota. E mesmo que meu plano seja louco e arriscado, é uma loucura bem calculada.

Revirei os olhos.

— Muito tranquilizador. De qualquer forma, como você sabe onde ele mora?

— Já que estou cercada por pessoas com potencial para fazer mal à minha família, tendo a ficar de olho nelas da mesma forma que elas ficam de olho em mim. — ela se recostou e ergueu os braços até as costas se curvarem. Bom Deus, precisei desviar os olhos. Mas não antes de captar o brilho de satisfação nos dela. — Ele alugou uma casa em Moorefield, só não sei exatamente qual.

Mudei de posição e bocejei.

— O que vai fazer? Vigiar o bairro inteiro?

— Exatamente.

— O quê? Você tem complexo de James Bond, é?

— Mais ou menos — retrucou Lauren. — Só preciso de um carro que não seja facilmente reconhecível. Sua mãe vai trabalhar amanhã?

Levantei as sobrancelhas.

— Não, ela tem a noite de folga. Provavelmente vai aproveitar pra dormir, mas...

— O carro dela seria perfeito. — ela se ajeitou no sofá, ficando tão perto que seu braço pressionou o meu. — Mesmo que Vaughn já tenha visto o carro dela, não irá desconfiar de nada.

Afastei-me um pouco.

— Não vou deixar você pegar o carro da minha mãe.

— Por que não? — ela se aproximou de novo, sorrindo. Um sorriso cheio de charme... o mesmo que usara com a mamãe quando a conhecera. — Eu dirijo bem.

— Essa não é a questão. — colei no braço do sofá. — Não posso te emprestar o carro dela sem que eu vá junto.

Ela franziu o cenho.

— Não vou deixar você se meter nisso.

Mas eu queria me meter, porque a situação dizia respeito a mim também. Fiz que não.

— O carro da minha mãe vai comigo dentro. Promoção: dois pelo preço de um.

Lauren bateu com a ponta do dedo no queixo, observando-me através das pestanas grossas.

— Você, de presente? Esse é um acordo bem interessante.

Minhas bochechas coraram. Ela já me tinha, só não sabia.

— Estou falando de parceria, Lauren.

— Hum. — num piscar de olhos, ela estava na porta. — Esteja pronta depois da aula. Dê um jeito de dispensar a Samantha. E não diga nada pra ela. Você e eu vamos brincar de espiãs sozinhas.



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