1. Spirit Fanfics >
  2. Ônix >
  3. Capitulo 66

História Ônix - Capítulo 66


Escrita por:


Capítulo 66 - Capitulo 66


Estremeci. Agora eu entendia sua obsessão em querer que eu controlasse a Fonte, as atitudes cada vez mais arriscadas.

— Fui mandada para verificar se você conseguiria controlar a Fonte. Se poderia vir a ser útil para o DOD ou uma ameaça. Mas eles já sabiam sobre você há tempos, vinham te vigiando, seguindo de perto sua relação com as Jaureguis. Escutei dizer que até planejaram os ataques dos Arum, na esperança de que uma delas te salvasse e te curasse.

Arquejei. Tudo o que acontecera comigo fora uma espécie de experimento? E se eu tivesse morrido?

— E se nenhuma delas tivesse sobrevivido ao ataque dos Arum para me curar?

Serena riu.

— O que é menos um Luxen neste mundo para esse pessoal? Mas, quando eles desconfiaram de que você tinha sido curada, mexeram os pauzinhos e eu entrei em cena. — abaixou a cabeça e murmurou: — Eles querem saber qual delas foi a responsável pela cura. Sem joguinhos. Nem subterfúgios. Você vai ter que contar.

Meu coração apertou.

— Jamais vou dizer.

Um sorriso triste se desenhou em seus lábios.

— Ah, vai, sim. Eles têm meios de te fazer falar. Já suspeitam de alguém. Eu diria que foi a Lauren. É bastante óbvio, mas eles querem provas. E se você se recusar a cooperar, encontrarão uma maneira de te obrigar. — o sorriso desapareceu e os olhos se tornaram mais escuros e assombrados. — Assim como encontraram uma maneira de me obrigar a ajudar.

Engoli em seco, incomodada pela dor que podia ver nos olhos dela.

— Foi o que aconteceu com a Bethany e o Christopher?

Ela baixou as pestanas e assentiu.

— E tem mais, Camila. Você... você não faz ideia... mas não importa. Você provavelmente irá encontrá-lo em pouco tempo. Tudo o que eu preciso é dar um telefonema para avisar a Nancy e o tio Brian. Ela vai ficar felicíssima. — ela soltou uma risada amargurada. — Tio Brian estava mantendo a querida Nancy no escuro. Ela não faz ideia de como você evoluiu. Eles vão te levar embora. Mas você será bem cuidada... desde que se comporte. Você só precisa se comportar.

Por um momento, meu cérebro esvaziou e o pânico substituiu toda e qualquer calma que eu conseguira reunir. Debati-me feito uma desesperada, mas ela me manteve presa com facilidade. 

— Sinto muito — murmurou numa voz rouca, e Deus do céu, realmente acreditei. — Mas, se eu não fizer isso, eles irão machucar o Chris e não posso... — engoliu em seco dolorosamente.

A essa altura, meu medo já não conhecia mais limites. Serena não tinha escolha. Era a vida dela e a do amigo ou a minha. Não, não, isso não era verdade. Ela tinha escolha, porque eu jamais entregaria outra pessoa em prol da minha própria sobrevivência. Mas, e pela da Lauren? Senti o coração pesar e soube a resposta para essa pergunta. Nem tudo era preto ou branco... estava diante de uma gigantesca área cinzenta sobre a qual não queria pensar no momento.

— Não. Você tem escolha — insisti. — Pode lutar contra eles. Escapar! Nós podemos encontrar um meio de libertar...

— Nós? — ela riu de novo. — Nós quem, Camila? Lauren? Taylor? Você e eu? Diabos, mesmo que todos tentássemos ir contra o DOD, seria um desastre. E você acha que elas iriam querer me ajudar? Sabendo que eu trabalho para as pessoas que capturaram o irmão delas?

Meu estômago revirou.

— Ainda assim, você tem escolha. Não precisa fazer isso. Por favor, Serena, você não precisa fazer isso.

Ela desviou os olhos, trincando o maxilar.

— Preciso, sim. E, um dia, você vai se ver na mesma posição. Nesse dia irá entender.

— Não. — neguei com um sacudir de cabeça. — Eu nunca faria isso com ninguém. Descobriria outro jeito.

Seus olhos se fixaram nos meus. Estavam vazios, sem expressão.

— Você vai ver.

— Serena...

Uma batida à porta interrompeu minhas palavras. Meu coração triplicou o ritmo das batidas, e Serena congelou em cima de mim, os olhos estreitados, a respiração pesada.

Tapou minha boca com uma das mãos.

— Camila? — chamou Taylor. — Está na hora da Festa. Anda logo! Adam está esperando a gente no carro.

— O que ela está fazendo aqui? — perguntou ela numa voz sussurrada.

Tremi, fitando-a com os olhos arregalados. Como eu poderia responder com a mão dela em minha boca?

Taylor bateu de novo.

— Camila, sei que você está aí. Abre a porta!

— Diga que você mudou de ideia. — sua mão pressionou minha boca com mais força ainda. — Diga ou eu juro por Deus que vou botar sua amiga em órbita na Via Láctea. Não quero fazer isso, mas farei se for preciso.

Assenti e, com cuidado, ela tirou a mão e me colocou de pé. Empurrou-me para fora da sala, em direção à porta.

— Anda logo — choramingou Taylor. — Você sequer atendeu o telefone. Diz pra Serena que a gente tem que ir. Sei que ela está aí. O carro dela está parado na frente da sua casa. — deu uma risadinha.

— Oi, Serena.

Pisquei para conter as lágrimas.

— Mudei de ideia.

— O quê?

— Mudei de ideia — repeti através da porta fechada. — Não quero sair hoje. Quero ficar em casa.

Por favor, implorei em silêncio. Por favor, vá embora. Não quero te arrastar para essa confusão. Por favor.

Fez-se uma longa pausa e, então, Taylor bateu com mais força.

— Não seja chata, Camila. Você vai à festa comigo. Abre logo essa maldita porta!

Serena me fitou com irritação. Eu sabia que Taylor arrombaria a porta se fosse preciso. Inspirei fundo e abafei um soluço rouco, arranhado.

— Não quero ir à festa com você! Na verdade, não quero mais sair com você, Taylor! Vai embora e me deixa em paz.

— Maldição — murmurou Serena.

— Camila...? — retrucou Taylor numa voz rouca. — O que está acontecendo? Essa... essa não parece você.

Pressionei a testa na porta. Lágrimas rolavam por minhas bochechas.

— Mas sou eu, sim. É por isso que tenho te evitado, sacou? Não quero mais ser sua amiga. Então, por favor, vai embora e me deixa em paz. Vai encher o saco de outra pessoa. Não tenho tempo pra isso.

Escutamos o som dos saltos da Taylor descendo os degraus da varanda. Serena foi até a janela e a observou entrar no carro do Adam. Ao escutar o guincho dos pneus, marchou de volta até onde eu estava e me agarrou pelo braço. Ela me puxou até a sala e me forçou a sentar no sofá.

— Ela vai superar — disse, tirando o celular do bolso.

— Não — murmurei, observando-a digitar alguma coisa. — Não vai.

Ao ver Serena distraída com o telefone, percebi que essa seria minha única chance. Acessei a Fonte, sem a menor dúvida do que pretendia fazer a seguir, nem por um segundo. Meu senso de moral fora subjugado pelo ódio. Tudo se misturara agora. Não havia mais certo ou errado.

Um vento raivoso começou a soprar pela casa. Os quadros pendurados no corredor tremeram e caíram, espatifando-se no chão. Armários chacoalharam; portas se abriram e pilhas de livros desmoronaram.

Serena se virou para mim e abaixou o telefone, os olhos extasiados.

— Você é realmente fantástica.

Meu cabelo flutuava à minha volta e meus dedos doíam com a energia que crepitava por todo o meu ser. Senti as pontas dos pés levitarem do chão. Ela fechou o telefone e estendeu a mão. O vento que eu conjurara se voltou contra mim, lançando-me contra a parede. Chocada, lutei contra a força que me prendia, mas tal como acontecera com a Bethany, não consegui rompê-la. 

— Você não foi completamente treinada. — Serena se aproximou, sorrindo maliciosamente. — Seu potencial é enorme, não me entenda mal, mas você não pode me derrotar.

— Foda-se! — rosnei.

— Até que não seria má ideia. — ela puxou a mão de volta, e tive a sensação de que tinha sido amarrada com uma corda invisível. Contra a minha vontade, meu corpo flutuou em direção a ela, e fiquei suspensa ali, brandindo pés e mãos no ar. — Pode se cansar. Não vai fazer diferença.

— Eu vou te matar — prometi, dando boas-vindas à fúria que crescia dentro de mim.

— Você não tem esse instinto dentro de você. — fez uma pausa e inclinou a cabeça ligeiramente de lado. — Pelo menos, não ainda.

O telefone vibrou, e ela o abriu com um sorriso.

— Tio Brian está a caminho. Já estamos quase acabando aqui.

Gritei, a energia pulsando ao meu redor. Minha visão nublou mais uma vez, e pude sentir cada célula do meu corpo se aquecendo. A raiva alimentava a parte alienígena que havia em mim, dando-lhe forças. Foquei-a na Serena. Ela recuou, erguendo as sobrancelhas.

— Dê o melhor de si. Vou devolver qualquer coisa que você me mandar.

Uma janela explodiu no segundo andar, um som reverberante e inesperado. Levantei a cabeça ao mesmo tempo que Serena se virava. Dois feixes de luz desceram zunindo pela escada, se dividiram e investiram contra a surfista. O menor e menos ofuscante parou antes de alcançá-la.

A luz piscou e, em seu lugar, surgiu Taylor, me fitando de boca aberta.

— Você... você está brilhando!

O outro feixe de luz se chocou contra a Serena, lançando-a alguns metros para trás. Virei e me agachei. Com um rugido, Serena empurrou a luz para longe e começou a brilhar também, tal como acontecera com a Bethany. Uma luz azul intensa o envolveu à medida que ela recuava e liberava sua própria explosão de energia.

Taylor se lançou à frente, assumindo novamente sua forma alienígena ao tentar agarrar Adam pelo braço. A explosão de energia acertou os dois, fazendo-os congelar. Ambos reassumiram a forma humana por um segundo. Um fio iridescente de luz escorria do nariz e do canto da boca da Taylor.

Dei alguns passos cambaleantes, gritando o nome dela. Serena me agarrou por trás e me jogou no chão.

Ela foi a primeira a cair. Piscava sem parar, o corpo inerte e os olhos fechados.

 Lutando para me desvencilhar da Serena, consegui me erguer nos cotovelos. Gritei mais uma vez, mas a voz não pareceu a minha. Adam... ele estava muito pior. Um rio de luz escorria de sua boca, dos olhos e dos ouvidos. Sua forma humana tremulou. Gotas de um líquido ofuscante pingavam no chão. Ele parecia envolvido pela luz, mas ela piscava de maneira errática. Adam deu um passo à frente e ergueu uma das mãos.

— Não! — gritei.

Serena se afastou de mim ligeiramente e o acertou com outra explosão de energia. Ele despencou no chão. A surfista me pegou pela nuca e pressionou meu rosto contra o piso de madeira, o joelho no meio das minhas costas.

— Merda — xingou numa voz rouca. — Merda!

Eu não conseguia respirar.

— Eu não... eu não queria que isso acontecesse — disse, debruçada sobre mim. Apoiou a cabeça em meu ombro e estremeceu. — Ó céus, eu não queria machucar ninguém. — ergueu novamente a cabeça, trêmula, e soltou uma risada engasgada. — Bom, pelo menos agora sei que nenhum dos dois te curou. Tenho certeza de que ambos estão mortos.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...