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História Only Fools Are Scared - McLennon - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi oi gente. Então, voltei cedo mas voltei com outra história. Hoje uma pessoa do Twitter me lembrou desse plot que eu criei ano passado mas nunca cheguei a desenvolver, pois bem, aqui está. Só tenho mais uma coisa a dizer antes de vocês começarem a leitura: LEIAM ATRÁVES DOS OLHOS DE MARTHA. Sério, leiam, é o meu chuchu lindo e complexo e longo. Essa fic aqui é para eu tentar desenvolver uma técnica de escrita diferente da Através dos Olhos de Martha, essa é mais ágil, mais juvenil, menos complexa, vamos ver no que vai dar. Mas se vocês lerem essa e gostarem, leiam a outra também pq ela dá um trabalhão mas é um chuchu mesmo. Agora sim, sem mais delongas, boa leitura e me contem o que acharam ♡♡♡♡ bjsss

Capítulo 1 - Treze


Paul bateu o pé uma, duas, três vezes. Parecia um bebê chorão, uma criança mimada, ao mesmo tempo que parecia uma criança que os pais tinham perdido no parque e era por isso mesmo que o segurança do brinquedo olhava para o menino com as sobrancelhas franzida e cara de desconfiança.

- Por favor, eu não fui nenhuma vez. Por favor. - Seus cílios batiam freneticamente, mesclando sua expressão de cão abandonado com a de menino agitado que só teria mais uma oportunidade na vida e não podia perdê-la.

O segurança ainda com a cara fechada bufou.

- Olha aqui, menino. - Ergueu um dedo no ar. - Vou repetir pela milésima vez, não tem como eu deixar você entrar. O Parque está fechando. E para piorar um temporal está vindo. - E como se o tempo estivesse concordando com o que o homem dizia, um estrondo de trovão foi ouvido ao longe.

- E quanto tempo leva para eu poder me divertir nesse brinquedo? - Paul cruzou os braços diante do peito, quase como que em desafio, como se soubesse que conseguia achar uma brecha.

- De quinze até vinte minutos.

- E em quanto tempo você realmente tem que fechar o brinquedo, desligar tudo e ir embora? - E bem, lá estava a sua brecha.

Outra vez o homem fechou a cara, respirou fundo e bateu um pé no chão, completamente resignado. Contrariado, olhou para o próprio relógio e o que viu ali não foi nada agradável. Não era a primeira vez que um pentelho chato vinha incomodar seu fim de turno, querendo bajulá-lo, querendo com que ele permitisse algo proibido.

- Eu que não vou me responsabilizar por qualquer coisa que aconteça com você lá dentro. - Seu corpo pendeu para frente, olhando bem nos olhos de Paul, com a clara intenção de assustar.

- Eu me responsabilizo. Juro. - Disse sorrindo. Não era um sorriso maroto, era apenas um satisfatório e contente por estar no caminho de conseguir o que ele queria. Só precisava tentar mais um pouquinho.

- Menino, você não tem nem idade para saber cozinhar um ovo. - Okay, essa doeu. - E você tem certeza que quer ir lá dentro sozinho? - Paul apertou os olhos com raiva. Não queria ouvir aquela merda de discurso de novo. Estava farto de gente duvidando de sua coragem. Quando já estava a ponto de sair daqui ainda mais bravo do que chegou, o segurança voltou a falar. - Mas tudo bem, vou avisar aos técnicos que mais alguém vai entrar no brinquedo. - Paul arregalou os olhos, por uns segundos ficou desconfiado, quase perguntou se era uma pegadinha, mas então viu o homem mexer na corrente que ficava na frente da entrada e a abriu para que ele passasse. - Mas só dessa vez! - Disse, com um tom alto, novamente apontando o dedo para o rosto do garoto.

- Se ele pode, eu também quero! 

E como se já não bastasse Paul estar assustado o suficiente com tudo em volta, com a perspectiva de entrar no brinquedo, o vento que batia no seu topete desarrumando-o, os raios e trovões que castigavam o parque e os respingos de chuva recentes que começavam a cair com força contra a cobertura, ele ainda teve que pular de susto quando aquela voz anasalada chegou até seu ouvido do nada.

- Se ele pode, eu também! - A voz voltou a falar, agora mais próximo.

- Era só o que me faltava. - O segurança bateu na própria testa com força.

Quando escutou o barulho de passos molhados parando, Paul olhou para trás. E bem, desejou, lá no fundo, ter feito isso antes. A visão que teve o deixou confuso por alguns segundos, talvez tenha sido porque, de primeiro instante, a voz que tinha ouvido não parecia encaixar com a aparência do menino que se encontrava a sua frente. Ele tinha um topete alto também, parecido com o seu, mas enquanto o seu era escuro e volumoso, o do outro era de um tom quase avermelhado e era como se os fios se esforçassem para ficarem penteados daquele jeito. O rosto era fino, pálido, muito bem condizente com o nariz fino e pontudo que apaziguava seus traços. Ele tinha costeletas também, o que para qualquer outra pessoa poderia ser muito feio, mas que para ele, mais uma vez, se encaixava perfeitamente bem. Definitivamente ele era bonito. Muito bonito.

Mas assim como ele era bonito, ele parecia ser misterioso e isso não era só por causa das roupas pretas ou da forma como passava a mão pelo rosto tentando secar os pingos de chuva. Existia quase como uma aura de outra pessoa em volta dele, uma proteção, algo que talvez poderia ser mais assustador do que o próprio brinquedo no qual Paul estava prestes a entrar. Só que toda essa impressão se esvaiu quando o menino olhou em sua direção e sorriu docemente. 

Paul sorriu de lado, tímido, relutante, porém perdeu isso logo quando o corpo do outro se postou mais perto, quase como que dizendo "estou com ele". Para deixar claro, eles não se conheciam, Paul realmente não sabia se o outro garoto estava com ele ou se apenas aproveitava a oportunidade.

Sem verdadeiramente ligar para isso - contanto que ele tivesse companhia estava tudo ótimo, ninguém saberia mesmo quando ele fosse contar a história - Paul ergueu o queixo e disse: 

- Ainda melhor, iremos juntos!

- Pode ir primeiro se você quiser ir sozinho. - Poderia ter sido apenas uma fala educada, mas Paul pôde sentir um tom de malícia provinda do outro, o que o fez fazer uma cara de deboche. O garoto devia ter estado ali ouvindo toda a conversa que teve com o homem mais velho, e talvez também pudesse ler seu medo. Sua careta fez o menino com cabelos avermelhados rir, o que claramente irritou o segurança.

- Andem logo, então, ou eu vou deixar vocês dois presos lá dentro! 
Paul soltou uma risada mas foi andando pelo lugar indicado, sendo esse tão escuro quantos as nuvens que tinham fechado o céu. Passos o seguiam. Logo, virou-se para trás e ficou esperando o outro o alcançar. 

- Paul. - Estendeu a mão que foi brevemente acolhida e apertada pelo outro.

- John. - O menino então chamado John, ficou olhando para o rosto de Paul por alguns momentos, talvez tentando acostumar as vistas na escuridão. Não muito depois, desviou o olhar e se inclinando um pouco para frente e estendendo o braço direito, disse: - As damas na frente. - Paul engoliu em seco, mas assentiu, passando por mais uma das portas que os levaria para o que parecia ser um corredor completamente no breu a não ser pela pequena luz de um elevador, indicando o andar, estava no treze. Sentiu um arrepio correr por seu corpo e tremeu inteiro, sabia qual era a fama dos estadunidenses com o número treze, o que piorou seu estado. - Você tem certeza que quer ir nesse brinquedo? - Sua respiração falhou quando John voltou a falar do nada. Colocou a mão sobre o peito e tentou controlar o que estava sentindo. - Você não parece muito confortável.

- Eu tenho coragem de ir. - Estreitou o corpo e se aproximou mais do outro como uma forma de provar que não era uma pessoa que dava para trás. Mas talvez fosse mesmo apenas para enxergá-lo. - Tenho coragem até mesmo de ir sozinho se você não quiser ir junto.

- Eita, calma. - Deu um passo para trás e pelos seus movimentos, era como se suas mãos se tivessem erguido no ar. - Eu não disse que te falta coragem, não. Só quis dizer que isso aqui não parece ser muito o tipo de coisa que você curte. - Parou por uns segundos medindo suas palavras. - Mas agora estou achando que te falta coragem sim.

- Vai se ferrar! - Paul gritou. 

- Ai, Paul, pelo amor de Deus, vamos logo. - John jogou a própria mão para frente e segurou o pulso do outro, sem pensar duas vezes, começou a arrastá-lo pelo caminho até o elevador. 

Foi quando chegaram lá e a porta se abriu automaticamente que Paul percebeu que John continuava o segurando. Quase não sentiu sua passagem pelo corredor escuro, tinha sido tão rápido que não tinha dado tempo de sentir medo. Ou foi porque... Tirou o pulso do aperto, já tinha chegado até ali, não precisava que uma pessoa que mal tinha acabado de conhecer ficasse tentando o proteger ou segurar. Fingindo uma postura séria e estreita, deu um passo e entrou no elevador prateado e sem nenhuma janela. Sua sorte era que era apenas um medroso e não claustrofóbico. Assim que John passou para dentro a porta fechou e o elevador começou a se mexer. No canto superior direito havia um painel que mostrava os andares. Pelo o que Paul tinha entendido da dinâmica do brinquedo, eles iriam parando em andares estratégicos e coisas aconteceriam. Voltou a tremer em antecipação. Por que ele não poderia ser um medroso que não tenta provar nada para os outros? Pelo amor de Deus, ele estava tentando provar para o Mike, o que ele poderia ganhar com aquilo? Era só mandar o irmão mais novo calar a boca e colocado ele em um castigo e tudo estaria resolvido.

Já sentia que estava indo direto para um inferno particular, mas sentiu isso cedo demais, pois nada o preparou para o estrondo que ouviu. Algo o dizia que aquilo não fazia parte do percurso do brinquedo. Olhou para o lado, ainda era escuro dentro do elevador, mas a luz que vinda do número do andar clareava um tanto, possibilitando que ele visse o rosto de John banhado por uma luz vermelha.

- Mas o que foi isso? - Seus braços já se espalmavam pelas paredes prateadas, tentando se segurar em qualquer coisa que existisse por ali, apavorado com a perspectiva de que aquilo fosse sim parte da dinâmica da brincadeira e que a qualquer momento um bicho horrendo poderia pular em seus colos. Ele trabalhava com possibilidades.

- Eu não sei, deve ter sido um trovão. - John deu de ombros, mas já a partir dessa fala Paul pôde entender que o outro também achava que aquilo não era típico do brinquedo.

- Ah, nossa. - Tentou genuinamente se acalmar, sorrindo um pouco, pensando em quão besta era por ter ficado apavorado por causa de um trovão de nada. É verdade, estava trovejando. - Mas logo a sua preocupação voltou. - Será que é seguro entrarmos nesse elevador durante um temporal?

- Se você quer voltar, volte sozinho. - Disse em um tom amargo, claramente irritado e sem paciência. Ele não gostava muito de pessoas medrosas a esse ponto.

- Certo. Tudo bem. - Paul respirou fundo, não querendo se afetar pela irritação do outro, já tinha problemas demais na sua cabeça agora, tipo o barulho forte de chuva que ouvia ao longa. E não era como se tivesse muita coisa para se fazer, não era como se ele pudesse dar para trás, aquilo era um inferno no qual ele escolheu entrar e que só sairia quando outros seres caridosos o deixassem. - Vai ser legal, não é? - Tornou a falar, desesperadamente procurando por um conforto. - Você já veio nesse brinquedo antes? Acha que dá muito medo? - O pobre coitado nem notava que bombeava o rapaz já sem paciência que agora sentia que tinha sido um grande infortúnio entrar naquela brinquedo juntamente de Paul. Mas ainda que bufando, John tentou responder uma por uma das perguntas:

- Eu acho que... 

Pena que foi interrompido por um estrondo ainda maior e um solavanco forte que fez seus joelhos desestabilizarem. Paul soltou o que deveria ter sido o grito mais agudo de toda a história do universo. 

- O que foi isso? - O menino gritava com a voz gélida de medo. - John, o que foi isso? - Demandava como se John fosse seu marido o qual ele tinha acabado de pegar o traindo.

- Eu não sei. - Mas agora a expressão de John já o delatava, olhava para os lados assustado, olhos arregalados e mãos se torcendo uma na outra.

Outro estrondo e outro solavanco foram suficientes para que John entendesse o que tinha acontecido. E então o elevador parou de se mexer e uma luz de emergência acendeu. Paul soltou mais uns três gritos consecutivos e desesperados, também entendendo o que tinha acontecido e como ele queria não ter entendido.

- Ah, puta que pariu! - O punho de John bateu com força na porta do elevador, sua testa logo depois se encostando no material. Aquela seria uma longa e, pela respiração pesada vinda de um Paul que estava apertado na parede do elevador no escuro, aterrorizante noite.
 


Notas Finais


Bem, eu vou focar primeiro em terminar a Através dos Olhos de Martha, mas não vou esquecer dessa fic aqui de jeito nenhum, pode ser que eu pegue vocês de surpresa um dia ou outro com atualização, mas também pode ser que demore. Não me matem, vai dar tudo certo no tempo certo. Espero que tenham gostado ♡♡♡♡ até mais


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