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História Only one king - Livro I - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Quase amigos



O reino de Goldenwood respirava o clima festivo. Chegara o dia do aniversário de oito anos do príncipe e na semana seguinte a cidade ficaria repleta de enfeites e flores para o Festival das Rosas. O Festival era considerado por grande parte da população o maior evento do reino. Alguns diriam que era mais importante que a Noite de Ano Novo, em que todos trocavam presentes e faziam preces e oferendas por um ano de paz e felicidade.

A ideia do Festival das Rosas pertencia a um dos reis mais antigos de Goldenwood, o ainda reverenciado, Rei Ryu. O feroz rei, que nunca perdera uma batalha, caíra de amores pela sobrinha de um rei europeu durante uma visita diplomática ao seu reino e ofereceu seus tesouros mais valiosos para conseguir sua amada, mas a delicada e romântica nobre chamada Anne Rose só concordaria em se casar com ele se Ryu, famoso por seu temperamento explosivo, plantasse e cuidasse pessoalmente de uma roseira. Ela ficaria hospedada junto com duas damas de companhia em Goldenwood para acompanhar o crescimento da planta. A ideia a princípio deixou o rei confuso, mas sua irmã e conselheira real lhe convenceu que o pedido nada mais era que um teste e se Ryu realmente quisesse conquistar sua bela dama teria que passar por ele com louvor.

O rei não pensou duas vezes e concordou prontamente. Ainda que muitos da corte achassem o pedido da jovem uma grave ofensa ao rei, ele se dedicou com grande empenho a tarefa recorrendo aos conselhos dos jardineiros reais, mas lidando com a planta com suas próprias mãos. Anne Rose costumava sentar num banco observando seu trabalho e ele sentava-se depois ao lado dela durantes horas contando histórias de sua infância e seus desejos para o reino. A roseira cresceu forte e deu lindas rosas assim como o amor por aquele intenso rei floresceu no peito de Anne Rose, que ao fim da primavera daquele ano, casou-se com o rei de Goldenwood. Para demonstrar sua alegria com o enlace, o rei Ryu criou o Festival das Rosas para comemorar o aniversário de Anne Rose e até hoje ele era comemorado deixando o reino enfeitado e perfumado com rosas de lindas cores e lembrando a todos a amorosa união dos dois.

Seungri estava na sala de estudos contemplando as enormes nuvens acinzentadas que deixavam claro que logo mais choveria. Seu preceptor continuava a recitar dados históricos importantes que Daesung e Seunghyun anotavam apressadamente. O cheiro de rosas estava no ar e o pequeno príncipe podia imaginar como todos estavam atarefados deixando as principais ruas do reino preparadas para a festança que se seguiria. Seungri estava contando com a permissão do pai para aproveitar o Festival das Rosas este ano.

Ele não lhe negaria já que o príncipe faria uso dos seus três desejos. Seungri mal podia esperar para se divertir e fazer novos amigos. E por falar em novos amigos... A imagem do empertigado Jiyong formou-se em sua mente. Eles não haviam voltado a se falar, mas Seungri o andara observando.

O violinista metido parecia apreciar o jardim real e todo fim de tarde passeava por lá com sua irmã mais velha, uma menina também muito bonita, porém Seungri não estava muito interessado nela! Meninas ás vezes eram tão chatas! Ele preferia brincar com os meninos, além do mais, elas sempre queriam lhe sapecar beijos molhados na sua bochecha e ele achava esse gesto muito nojento! Sua mãe era a única que tinha permissão para lhe beijar desta maneira e Seungri lhe concedia isto por desejar lhe agradar. Na opinião de Seungri, as mães mereciam o mundo e a sua principalmente. Ele perdera a conta do número de vezes que a mãe lhe salvara das repreensões do pai sempre que o flagravam aprontando.

- Ah! Você chegou! Entre e sente-se onde preferir. Seja bem vindo Jiyong.

O príncipe virou-se tão depressa que ouviu um leve “crac!” por conta da má torção que o pescoço deu, mas reprimiu o gemido de dor enquanto observava Jiyong, formalmente vestido e com seu andar empertigado, andar até a cadeira ao lado de Seunghyun e sentar-se oferecendo um belo sorriso ao menino. Um sorriso que mudou completamente suas feições o fazendo parecer de fato a criança que era e se possível, o deixando ainda mais bonito. Seunghyun sorriu de volta parecendo curioso.

“Espere até ele perceber o quão arrogante Jiyong é!”, pensou Seungri sem conseguir tirar os olhos dos dois e perdendo novamente as explicações que o preceptor voltou a dar. E qual não foi sua surpresa quando viu Jiyong escrever num pequeno pedaço de papel e passá-lo discretamente para Seunghyun, com cuidado para que o preceptor não o pegasse. E o príncipe ficou ainda mais chocado quando Seunghyun leu o papel e sorriu novamente para Jiyong!

- Que diabos! – exclamou ele chateado e alto o suficiente para interromper a fala do preceptor e atrair atenção dos outros meninos.

- Alteza, pensei que tínhamos concordado com o não uso deste linguajar vulgar. Não é de bom tom.

- Hum... Eu sinto muito. Fiquei chocado com algo e...

- E o que deixou Vossa Alteza tão chocado?

- Bom, é que eu vi...

E Seungri estava pronto para delatar o violinista metido, mas Jiyong lhe lançou um olhar suplicante acompanhando por um sorriso torto como um pedido silencioso para que o príncipe não dissesse nada. Seungri, como o bom menino que era e sempre leal aos seus amigos, (mesmo que o Jiyong ainda não o considerasse assim) decidiu ficar calado, pois assim protegeria o violinista e Seunghyun das reprimendas do professor.

- Nada importante Mestre. Eu sinto muito.

- E deveria sentir mesmo! Como príncipe, é seu dever dar exemplo aos demais. Continuando... Durante a Guerra dos Trinta Anos...

Ao final da aula, quando o preceptor saiu, Seungri correu para perto de Jiyong e Seunghyun ansioso para ouvir seus agradecimentos, mas os dois pareciam muito entretidos numa conversa sobre as Velhas Ruínas, a antiga construção de um forte que sobrevivera á Guerra dos Trinta Anos. Algumas crianças mais velhas gostavam de ir brincar por lá, mas é claro que Seungri jamais pusera os pés próximos do lugar.

- Meu pai autorizou que você recebesse aulas conosco? – perguntou o pequeno príncipe querendo atenção.

- Na verdade a rainha achou necessário que eu obtivesse instrução sobre a história e geografia do reino.

- Hum... Entendi! Eu decidi não ficar mais zangado por você ter me ofendido. Podemos ser amigos agora já que passaremos muito tempo juntos. – disse Seungri sorrindo animado. – Você quer conhecer meu quarto de brinquedos? Tenho brinquedos de todas as partes do mundo. Dae ama brincar com blocos de montar e Seunghyun de jogos de estratégia. Já eu...

- Tenho ensaio agora e depois Seunghyun vai me levar até as Velhas Ruínas. Não é verdade?- Jiyong exigiu a confirmação de Seunghyun, que acenou afirmativamente e afastou-se para ajudar Daesung com sua costumaz pilha de livros, deixando Seungri e Jiyong sozinhos.

- Eu posso ir com vocês?- pediu o príncipe com seus imensos olhos castanhos refletindo todo o desejo do seu ser.

- Ah acho que não será possível. Com certeza você estará ocupado com todas essas coisas reais envolvendo o seu aniversário. Além do mais duvido muito que eles permitam que você vá tão longe do palácio.

Jiyong começou a se afastar, mas Seungri o segurou pelo pulso.

- Então posso brincar com você no jardim amanhã? Eu não contei para o Mestre que vocês estavam trocando bilhetes.

- Você quer uma recompensa então? Tome.

Jiyong retirou um lenço branco do bolso interno do seu casaco e deu a Seungri que o recebeu como se fosse uma jóia real.

-Abra. - ordenou Jiyong rindo da expressão séria do menino.

Com toda a delicadeza de seus pequenos dedinhos gorduchos o príncipe desdobrou o lenço encontrando uma pequena margarida já seca.

- É minha flor favorita. Esta eu trouxe de Paris. Fique como sua recompensa. Para olhos materialistas não tem qualquer valor, mas a mim encanta profundamente.

-Significa que agora somos amigos?

-Ainda não principezinho, mas você pode tentar me conquistar.

-E como eu faço isso?

-Prove-me o quanto realmente aprecia minha companhia e se eu sentir sua sinceridade poderemos ser bons amigos.

- Acho que posso fazer isso!

- Eu estou ansioso para ver se você consegue. - Jiyong bagunçou os cabelos dourados do príncipe que feliz com o gesto de carinho enrubesceu fazendo o violinista sorrir. Seungri não sabia explicar, mas aquele garoto tinha algo de diferente. Mesmo com a atitude fria e as palavras rudes de antes, o pequeno príncipe sentia que eles seriam grandes amigos um dia.

- Não vai me felicitar? A minha festa vai será muito linda. Mas não como o Festival das Rosas, é claro. Meu pai sempre solta fogos de artifício no meu aniversário. Você gosta? Há lanternas coloridas também e...

Jiyong não ficou para terminar de ouvir e tratou de esconder o sorriso quando percebeu que o príncipe lhe seguia contando cada pequeno detalhe da sua esperada festa de aniversário. Era uma criança realmente muito fofa e Jiyong divertira-se muito ao perceber que durante a semana o príncipe lhe observara escondido. Na verdade quem notara primeiro fora sua irmã, Dami, enquanto lhe fazia uma coroa de flores no jardim real.

- Oh! Aquele não é o príncipe Seungri? Por que o pobrezinho está escondido?

- Deve estar nos vigiando Dami.

- E por que ele faria isso?

- Para que você não roube as belas rosas deste jardim.

- Você é tão bobo Ji! Sempre com suas brincadeiras sem graça! Diga... Ele não é a criança mais linda que você já viu? Como eu queria apertar aquelas bochechas rechonchudas!

- Pensei que eu fosse a criança mais adorável que você já viu!

- E era, mas... Você mudou muito Ji. Todos mudados muito desde que nossa mãe...

- Sim. Já não me sinto como uma criança.

- Ora vamos! Você tem apenas onze anos. Talvez a vida não tenha sido fácil, mas agora podemos ter um novo começo neste lindo reino! E as pessoas realmente amam a música de papai e amarão a sua também.

- Ele parece tão inocente.

- O príncipe?

- Sim. Como se nada ousasse tocar nele. - respondeu Jiyong.

- Com aquele cabelo dourado e os imensos olhos castanhos ele não parece um anjo?

Jiyong não admitiu para a irmã e também jamais admitiria para o próprio Seungri, mas ele de fato parecia um lindo anjinho.

E o anjinho continuou a lhe seguir até que chegaram à sala de música onde Seungri teria permanecido se não tivesse sido encontrado pela babá real e levado embora para cumprir seus deveres. 



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