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História Only the Lonely - Capítulo 15


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Notas do Autor


Ai gente, tô amando a interação nos comentários com vocês ♥ fico muuuito feliz!

Essa capa provavelmente é a minha favorita até agora e esse capítulo é bem importante pro decorrer dela daqui pra frente, então se atentem bem aos detalhes...

Enfim, é isso. BEIJOS ♥

Capítulo 15 - Suspeita


Fanfic / Fanfiction Only the Lonely - Capítulo 15 - Suspeita

 

 

suspeita

substantivo feminino

ideia imprecisa; pressentimento.

Minha cabeça latejava e um “pi” chato era audível perto demais. Abri os olhos com dificuldade e os arregalei logo em seguida ao perceber o lugar aterrorizante que eu estava: o hospital.

Resmunguei baixo me mexendo na cama e por ver o soro conectado ao meu braço. Mas o que tinha acontecido mesmo?

- Ei, ei, devagar – a voz da minha melhor amiga soou como melodia para mim e Derek segurou minha mão com força. – Fica aí deitadinha, não faz força.

- Eu tô bem – praguejei ao movimentar a cabeça e senti meus olhos arderem por conta da dor chata que me assombrava o crânio.

- Não, você não tá bem – aumentou o tom da sua voz e me olhou com seriedade. – Você desmaiou Lia, do nada, precisa descansar.

Um bico se formou em minha boca e eu cruzei os braços com um pouco de dificuldade por conta do soro, mas sabia que ele tinha razão.

- Há quanto tempo estou aqui? – Perguntei trincando o maxilar e tentando não me recordar os acontecimentos antes de... Bem, tudo isso acontecer.

- Desde ontem no fim da tarde – me respondeu ainda segurando minha mão. – Sergio disse que você desmaiou e ele precisou te socorrer. Aconteceu alguma coisa que você não me falou?

Encarei-o com o cenho franzido, não entendo a sua expressão de acusação e medo ao mesmo tempo. Não era possível que ele estava pensando nisso.

- Eu não tô grávida, Derek! – Respondi com convicção e revirando os olhos, um tanto quanto indignada.

- Tá bem – ergueu as mãos em rendição. – Era só pra ter certeza.

- Humpf! – Resmunguei ainda irritada. – E o que médico disse sobre isso?

- Nada ainda – suspirou pesadamente e encostou-se na poltrona onde estava sentado. – Disse que queria fazer mais exames quando você acordasse, inclusive, acho que vou chamá-lo.

- Não vai me deixar aqui sozinha, vai? – Aterrorizei-me por um segundo e meu melhor amigo segurou o riso. Cretino.

- Tem o botão que chama as enfermeiras, sabia? – Apontou para o dispositivo do lado da minha cama. – E tem mais gente lá fora esperando pra te ver. Eles ainda não entraram porque não está no horário de visitas e só podia um acompanhante.

- Não sei como Clarice deixou você entrar ao invés dela – falei sorrindo de lado e Derek deu de ombros, mas também riu.

- Chegamos em um consenso... – Jogou no ar e eu fiquei muito curiosa em saber o que realmente tinha acontecido, afinal, os meus dois melhores amigos não eram lá muito chegados.

Derek se levantou e deixou bem claro que em menos de dois minutos eu já teria outra pessoa ali dentro comigo, mas que não foi o suficiente para não sentir o meu coração acelerar de pavor. Depositou um beijinho em minha testa e garantiu que logo voltava para me ver e para que, se deus quisesse, me levar para casa.

Soltei um suspiro incrivelmente pesado ao ver suas costas largas saírem pela porta e tamborilei os dedos em meu colo, tentando não deixar o pânico tomar conta de mim.

Varri o local com os olhos e só então percebi que cerrava os dentes com tanta força que minha mandíbula começava a doer. Eu precisava relaxar. Inspirei e respirei algumas vezes, numa tentativa falha de controlar minha respiração descompassada.

Então pude ouvir passos que se aproximavam da porta e de longe, pela alta silhueta, ansiei pela entrada de Sergio que aconteceria a qualquer momento.

Mas quem passou pelo batente foi um sorridente James Rodriguez e eu sequer consegui disfarçar a minha frustração em não ser quem eu esperava.

- Você não parece muito contente em me ver – disse ele percebendo minha expressão e eu me senti mal ao vê-lo murchar tão rapidamente.

- Não, imagina – neguei com a cabeça. – Só impressão sua. Eu só tô bem cansada, até queria que fosse o médico.

Ele pareceu não acreditar em mim, mas nada falou, apenas se sentou ao meu lado e procurou por minhas mãos, me olhando agora de forma séria e preocupada.

- Você nos deu um susto e tanto, sabia? – Mordiscou o lábio e eu molhei os meus com a ponta da língua instintivamente, James nunca deixava de ser bonito.

- Desculpa – encolhi os ombros e desviei de seus olhos penetrantes.

- Tem haver com suas dores, não tem? – Ele hesitou no primeiro momento em questionar, mas eu sabia que ele se preocupava.

- Eu... Não sei. – Admiti soltando o ar de dentro de meus pulmões. – Derek me disse que o médico ainda não falou nada e até quer fazer mais exames. Eu tô rezando pra que não seja nada.

- Você sabe que é – falou tão sério que eu me senti mal naquele momento. – E eu sei que é duro ouvir isso, mas Liana, é óbvio que é sério, ou você não teria todas aquelas dores suspeitas. Ramos me contou sobre o episódio da casa dele.

- Vocês dois agora ficam falando da minha vida por aí? – Questionei ácida, começando a me sentir incomodada com o tom de sua voz. – Eu sei o que eu faço da minha vida, não preciso de ninguém que fique mandando em mim como se eu fosse uma criança.

- Não é isso, Lia – suavizou sua testa, mas já era tarde demais. – Eu me importo com você, todos nos importamos. É a sua saúde!

- Só que é minha vida – trinquei o maxilar.

 - Tudo bem então – suspirou e soltou minhas mãos. – Já entendi que não é uma boa hora e um bom lugar pra conversar.

- Tem razão. – Respondi de forma seca e fria, querendo cortar qualquer coisa relacionada a isso naquele exato momento.

Cruzei os braços e fixei meu olhar no lençol branco que me cobria, James também fez o mesmo, encostando-se na poltrona atrás de si e deixando que o silêncio reinasse entre nós dois.

Um clima pesado pairou entre nós e eu me senti frustrada em ter tido essa discussão tão fútil com ele naquele momento, mas esse era um assunto que me tirava do sério e nossas teimosias juntas não eram lá muito saudáveis.

Suspirei de forma pesada e não tive tempo de abrir a boca para me desculpar com James por ter sido rude daquela maneira, pois o corpo definido e alto de Sergio apareceu na porta e por um segundo eu me esqueci de tudo o que tinha acabado de acontecer.

- Como conseguiu entrar? Achei que só pudesse um acompanhante por vez – Rodriguez se pronunciou antes de mim, mas não parecia lá tão incomodado com a presença do capitão.

- A secretária não resistiu aos meus charmes – piscou um dos olhos e eu ri pelo nariz, tentando imaginar a cena.

- Marcelo não tentou o mesmo? – Arqueei uma das sobrancelhas ao perguntar e ele sorriu olhando para baixo enquanto se sentava do outro lado.

- Ele não viu – justificou. – Ou acha que eu estaria aqui se ele percebesse meus planos?

- Espero que Clarice também não – disse. – Não quero ter que ficar ouvindo ela reclamando nos meus ouvidos depois.

- Eu dou meu jeito – forçou os músculos, como se fosse um super herói e James revirou os olhos, mas riu junto comigo. – Como está se sentindo, Lia?

Mudou completamente a expressão que agora se tornara séria e preocupada, lembranças do dia anterior me acertaram em flashes e eu precisei me segurar para não agarrá-lo ali mesmo.

- Agora estou um pouco melhor – admiti e dei uma olhada em James para não monopolizar a conversa, eu ainda tinha consideração pelo colombiano. – Esperando o médico, na verdade.

- Você quase me matou do coração! – Franziu o cenho, desfazendo de todas as minhas esperanças para que ele não assumisse tal postura que me fazia derreter todinha.

- Ele me ligou desesperado – confidenciou James. – Achou que tinha matado você.

Não evitei uma gargalhada tentando imaginar a cena e vendo a cara de tacho que Ramos tinha feito ao ter sido explanado pelo seu amigo.

- Vocês vão demorar pra se livrarem de mim – sorri galanteadora. – Mas é sério, foi só um susto.

- Eu não teria tanta certeza – disse Sergio se inclinando um pouco para frente. – Foi depois daquela ligação que você passou mal. O que era?

- Ligação? – A voz de James pareceu um pouco distante enquanto eu me recordava da ligação indesejada de minha mãe e minha garganta se fechou instintivamente após isso. Eu odiava o poder que Carmen tinha sobre mim.

- Era... – Minha voz saiu completamente embargada e eu sabia que não devia nem tentar segurar o choro, pois era inevitável. - ... Era a minha mãe.

Um silêncio mortal se instalou no local e os dois jogadores me olhavam e me escutavam com máxima atenção, parecendo até mesmo hipnotizados por minha história.

- Ela me ligou para me contar que minha avó paterna faleceu – funguei e sequei uma lágrima teimosa que escorreu por uma de minhas bochechas. – Disse que o velório é daqui a dois dias e que o meu pai vai precisar de todo o apoio.

- Eu sinto muito, Lia – James foi o primeiro a dizer qualquer coisa e apertou minha perna em forma de condolência. Neguei com a cabeça.

- Não foi por isso que eu fiquei mal – prontifiquei-me em dizer. – Quero dizer, é a minha avó, eu sei, mas a vi poucas vezes em minha vida, não pude criar muitas raízes.

- E qual foi à razão então? – Perguntou Sergio segurando minha outra perna e eu olhei para cima por alguns segundos antes de finalmente respondê-lo. Era uma parte de minha história que poucos sabiam e que eu tentava esconder.

- Minha mãe e eu sempre tivemos uma relação muito complicada, pra dizer no mínimo – comecei e junto de minha explicação as lágrimas vieram com força. – Com toda minha família, na verdade, mas com ela sempre foi muito mais difícil. Ela nunca me amou de verdade... Nunca me tratou como filha. Sempre me desprezou.

- Desde criança me colocou em escolas de turno integrais pra que eu passasse mais tempo fora de casa e ela sempre estava envolvida com o seu seleto grupos de amigas. Então eu sempre cresci com esse déficit de atenção e carinho, meu pai trabalhava muito na universidade onde é professor e o restante da família nunca foi muito chegado.

- Mas as coisas pioraram quando eu tinha uns quatro anos, eu acho. Meus pais queriam ter mais um filho, um filho homem para dar continuidade ao nosso sobrenome, mas minha mãe, depois de muitas tentativas falhas, descobriu que tinha um problema em seu útero por conta de sua última gravidez que tinha sido de risco... Sua última e única gravidez havia sido minha, então toda a sua frustração por não poder dar um menininho ao meu pai recaiu sobre mim.

- Ela culpava de tudo, mas esse foi o estopim para as coisas caírem em um abismo sem fim. E eu fui crescendo com essa mágoa dentro de mim e quando tinha idade o suficiente para entender as coisas, comecei a cobrar e a tentar esclarecer, mas seu desprezo era tão grande que começamos a brigar... Brigas intermináveis, gritos e tudo mais.

- Até que Derek e eu nos aproximamos e viramos melhores amigos, ele também tinha muitos problemas com a sua família, então encontramos apoio um no outro e o restante da história vocês já sabem.

Finalizei minha narrativa com a cara maior que uma melancia de tanto chorar e os dois jogadores me observaram em completo silêncio, provavelmente digerindo tudo o que eu tinha acabado de dizer.

- Eu nem podia imaginar – Sergio foi o primeiro a se pronunciar e eu me senti completamente acolhida pelo seu olhar, mesmo que eu não pudesse me afundar em seus braços. – Sinto muitíssimo que você tenha que ter passado por tudo isso.

Sua mão procurou pela minha e ele entrelaçou nossos dedos num gesto de conforto.

James pigarreou quando Sergio e eu nos encaramos por tempo demais e eu encolhi os ombros em vergonha por estar flertando com seu colega de time na cara dura.

- E você vai ir ao velório? – Questionou o colombiano com o cenho franzido, pressionando os dedos em minha perna e eu neguei com a cabeça.

- Eu sinceramente não sei – suspirei pesadamente. – Não sei se tô pronta pra rever todo mundo e fingir que está tudo bem.

- E você tá mais do que certa – concordou James comigo e eu sorri sem mostrar os dentes, também sendo incrivelmente confortada por ele. Meu deus, minha vida estava se encaminhando para um buraco que eu não sabia se conseguiria sair.

E como minha vida era cercada por interrupções, nem sempre só nos melhores momentos, mais uma vez naquele dia outra pessoa adentrou no quarto e a julgar pelo jaleco branco e o estetoscópio no pescoço, eu diria que aquele era o médico.

- Liana Balday? – Certificou-se ao pegar minha ficha no pé da cama e eu assenti balançando o queixo para cima e para baixo. – Sou Andreos Palermo, muito prazer. Foi um susto e tanto, não é?

Sorri sem mostrar os dentes ao profissional de saúde da terceira idade e me senti bem ao reparar em seus olhos azuis, ele me lembrava aqueles vovozinhos queridos e amados pelos seus netos.

- Vejo que está bem acompanhada, hein – piscou um dos olhos e cumprimentou a Sergio e James com um aceno de cabeça. – Mas vamos ao que interessa o real motivo da sua vinda até aqui. Me diga, senhorita, têm passado bem nos últimos dias?

Meus dois acompanhantes viraram o rosto imediatamente em minha direção, deixando mais do que cristalino que me desmentiriam se fosse necessário. Encolhi os ombros.

            - Tenho sentido algumas dores abdominais – falei por fim e o médico me olhou por alguns segundos sem dizer nada.

- Pode me mostrar exatamente onde está sentindo dor – pediu e se aproximou.

Ergui minha camisola e apontei para onde as dores se concentravam. Os dedos longos e finos de Andreos tocaram a minha pele com cuidado no início, mas foram afundando aos poucos, formando uma expressão dolorida em meu rosto.

- Quando eu aperto aqui dói? – Perguntou um pouco preocupado e eu concordei. – Certo. Há quanto tempo não vai a um ginecologista?

- Hã, fui no último ano – respondi sem entender muito bem sua pergunta. – Faço consultas mensais para ver se está tudo em ordem. Algum problema?

- E faz muito tempo que vêm tendo essas dores? – Ignorou minha última pergunta e eu engoli o seco.

- Na verdade faz um pouco – admiti me sentindo envergonhada e recebi uma encarada séria dele.

- Pelo o que posso sentir, sua dor principal vem de direção de seus ovários – a ruga em sua testa sinalizava que não era tão simples assim meu problema. – Não quero assustá-la, senhorita Liana, mas sempre temo pelo pior.

- E o que o senhor acha que é? – Questionou Sergio antes que eu pudesse fazê-lo e seus olhos foram tão gélidos que um arrepio percorreu pela minha espinha.

- Não quero levantar falsas suspeitas nem criar pavor – virou o rosto para mim e sorriu minimamente. – Vou te deixar de molho aqui por mais uma noite para que possamos fazer mais exames, pode ser.

- Pode né – balancei os ombros. – Já que não tenho muita escolha mesmo.

- Ótimo – suspirou satisfeito. – Vou prescrever alguns remédios para dor e já vou solicitar os exames. E vocês dois, cuidem bem dessa garota.

 

 


Notas Finais


Me segue lá no Instagram pra gente ficar mais pertinho ♥ @___leonhardt___


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