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História Opala - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Capitulo 13


Como previsto, as aulas recomeçaram na segunda. Não havia nada pior do que retornar após um "feriado" inesperado e ter que encarar todos os professores enlouquecidos para recuperar o tempo perdido. Somando a isso o fato de que eu e a Lauren ainda não tínhamos feito as pazes após nossa acalorada discussão e... bom, segunda-feira era sempre uma droga.

Despenquei na cadeira e peguei o gigantesco livro de trigonometria. Carissa me olhou por cima da borda dos óculos de armação laranja. Um novo par. Mais outro.

— Você parece animadíssima em voltar às aulas.

— Pois é — respondi sem o menor entusiasmo.

Sua expressão tornou-se solidária.

— Como... como vai a Taylor? Tentei ligar pra ela umas duas vezes, mas ela não me retornou.

— Eu também — falou Lesa, sentando-se diante da Carissa.

As duas não faziam ideia de que o Adam não havia morrido num acidente de carro, e precisávamos mantê-las assim, no escuro.

— Ela não está falando com ninguém no momento. — bom, ninguém além do Andrew, o que era tão bizarro que eu não conseguia sequer pensar a respeito.

Carissa suspirou.

— Gostaria que o enterro tivesse sido aqui. Queria ter tido a chance de me despedir, entende?

Aparentemente, os Luxen não enterravam os seus. Tínhamos, portanto, inventado uma desculpa qualquer sobre um funeral fora da cidade, ao qual apenas a família havia comparecido.

— A vida às vezes é um saco — disse ela, olhando de relance para a Lesa. — Achei que a gente podia ir ao cinema um dia desses depois da aula. Tentar ajudá-la a pensar em outra coisa.

Concordei com um menear de cabeça. A ideia era boa, mas duvidava de que a Taylor fosse aceitar.

Agora, porém, estava na hora de colocar o plano A em ação reintroduzir o Christopher na sociedade. Mesmo que eu estivesse na lista negra das irmãs, Christopher tinha passado lá em casa na véspera e dito que o Matthew havia topado. Isso provavelmente só aconteceria dali a uns dois dias, mas já era um passo.

— Ela talvez não possa essa semana — comentei.

— Por que não? — Um brilho de curiosidade cintilou nos olhos da Lesa. Eu adorava minha amiga, mas ela era uma tremenda fofoqueira. Exatamente o que eu precisava no momento. Se as pessoas estivessem esperando o retorno do Christopher, não seria uma surpresa tão grande assim quando isso acontecesse. Lesa se certificaria de espalhar a notícia.

— Vocês não vão acreditar, mas... o Christopher reapareceu.

Carissa empalideceu visivelmente e Lesa gritou algo que me soou como puta merda. Eu tinha falado baixo, mas a reação delas atraiu a atenção de um monte de gente.

— Pois é, aparentemente ele estava vivo. Decidiu fugir e, por fim, voltou pra casa.

— Fala sério — ofegou Carissa, os olhos arregalados por trás das lentes dos óculos. — Não posso acreditar. Quero dizer, é uma ótima notícia, mas todo mundo achava... bem, você sabe.

Lesa estava tão chocada quanto a amiga.

— Todo mundo achava que ele estava morto.

Forcei um dar de ombros distraído.

— Bom, não está.

— Uau. — Lesa afastou alguns cachos do rosto. — Não consigo processar isso assim, tão rápido. Acho que meu cérebro entrou em curto pela primeira vez.

Carissa expressou a pergunta que provavelmente todo mundo iria fazer.

— A Beth voltou também?

Fiz que não, tentando manter uma cara de paisagem.

— Até onde eu sei, eles fugiram juntos, mas o Christopher quis voltar e ela não. Ele não sabe onde ela está.

Carissa me fitou, enquanto Lesa continuava a brincar com o cabelo.

— Isso é tão... estranho. — ela fez uma pausa e voltou a atenção para o próprio caderno, fitando-o com uma expressão que não consegui identificar. Mas, também, a notícia era realmente bombástica.

— Talvez ela tenha ido para Nevada. Beth era de lá, certo? Se não me engano, os pais dela se mudaram pra lá.

— Talvez — murmurei, imaginando o que diabos iríamos fazer se conseguíssemos libertar a Beth.

Não poderíamos mantê-la na cidade. Tudo bem que ela já estava com dezoito anos e era legalmente uma adulta, mas sua família não pensaria assim.

Senti um arrepio quente se espalhar por minha nuca e olhei para a porta da sala. Alguns segundos depois, Lauren entrou. Meu estômago se contorceu, mas me forcei a não desviar os olhos. Se eu pretendia convencê-la de que era capaz de lidar com situações complicadas, não podia me esconder da minha namorada só porque havíamos tido uma briga.

Lauren arqueou uma sobrancelha ao passar e se sentou atrás de mim. Antes que minhas amigas pudessem dar início a um ataque verbal a respeito do Christopher, me virei na cadeira.

— Ei — falei, sentindo as bochechas corarem. Não havia nada mais sem imaginação do que começar uma conversa com ei.

Ela pareceu pensar a mesma coisa e demonstrou isso com um ligeiro repuxar de um dos cantos dos lábios, seu típico sorrisinho presunçoso. Sexy? Sem dúvida. Irritante? Definitivamente. Imaginei o que ela iria dizer. Será que pretendia gritar comigo por ter conversado com o Christopher na véspera? Ou será que ia pedir desculpas? Se pedisse, eu provavelmente pularia em seu colo ali mesmo, no meio da sala.

Ou será que ia recorrer ao bom e velho "precisamos conversar em particular"? Embora a Lauren adorasse uma plateia, eu sabia que ela não mostrava sua verdadeira cara para o mundo, e se quisesse se abrir, deixando transparecer sua vulnerabilidade, jamais faria isso na frente das pessoas.

— Gostei do seu cabelo assim — comentou ela.

Ergui as sobrancelhas. Certo. Não era o que eu estava esperando, definitivamente. Levantei os braços e corri as mãos pelas têmporas. A única coisa que eu tinha feito de diferente fora repartir meu cabelo ao meio. Nada especial.

— Hum, obrigada...?

Ficamos ali, nos encarando, Lauren com o sorrisinho presunçoso ainda pregado na cara. À medida que os segundos foram passando, minha irritação aumentou. Inacreditável.

— Você não tem mais nada pra me dizer? — perguntei.

Ela se inclinou ligeiramente para a frente, os cotovelos deslizando sobre o tampo da mesa. Nossos rostos ficaram a milímetros uma da outra.

— O que você quer que eu diga?

Inspirei fundo.

— Um monte de coisas...

Lauren baixou as pestanas grossas e falou num tom suave como seda:

— Aposto que sim.

Será que ela achava que eu estava flertando? Mas, então, acrescentou:

— Eu quero que você diga uma coisa. Que tal "desculpa por sábado"?

Senti vontade de esbofeteá-la. Acabar com aquela arrogância no tapa, juro. Em vez de dar uma resposta sarcástica, lancei-lhe um olhar irritado e me virei de volta para o quadro-negro. Ignorei-a pelo resto da aula e saí de sala sem falar com ela.

Claro que ela me seguiu, mantendo-se dois passos atrás de mim no corredor. Minhas costas formigavam sob seu intenso escrutínio e, se eu não a conhecesse muito bem, diria que estava se divertindo com toda essa situação.

As aulas do período da manhã se arrastaram. Com o lugar ao meu lado agora vazio, a de biologia foi estranha. Lesa reparou e franziu o cenho.

— Não vejo a Serena desde o feriado de Natal.

Dei de ombros, mantendo a atenção cuidadosamente fixa nos slides que Matthew estava mostrando.

— Não faço ideia de onde ela está.

— Vocês eram, tipo, amigas inseparáveis de uma vida inteira, e agora está me dizendo que não sabe pra onde ela foi? — seu tom transbordava dúvida.

A desconfiança dela era totalmente compreensível. Petersburg era como o Triângulo das Bermudas dos adolescentes. Muitos vinham para cá. Vários desapareciam para nunca mais serem vistos, enquanto outros ressurgiam do nada. Naquele momento, como volta e meia acontecia, senti vontade de colocar tudo para fora. Guardar tantos segredos era de matar.

— Não sei. Ela mencionou algo sobre visitar a família na Califórnia. Talvez tenha decidido ficar por lá. — deus do céu, eu estava me tornando uma exímia mentirosa. — Petersburg é meio chato.

— Com certeza. — ela fez uma pausa. — Mas ela não te falou se pretendia voltar ou não?

Mordi o lábio.

— Não falei mais com a Serena desde que a Lauren e eu meio que assumimos um relacionamento.

— A-há. — a expressão dela se acendeu com um sorriso de quem sabe das coisas. — Lauren faz o tipo possessiva. Ela não ia gostar nem um pouco de ver outra garota sendo toda atenciosa com você.

Minhas bochechas coraram.

— Ah, ela não tem problemas com isso... — desde que elas não tentassem matar seus amigos. Esfreguei a testa e soltei um suspiro. — De qualquer forma, como vai o Chad?

— Meu brinquedinho em forma de garoto? — ela deu uma risadinha. — Ele é perfeito.

Consegui manter a conversa em torno do Chad e do quão perto eles tinham chegado de transar. Claro que a Lesa queria saber os detalhes do meu relacionamento com a Lauren, mas me recusei a entrar nesse assunto, para sua grande decepção. Ela acabou admitindo querer viver a experiência através de mim.

Como sempre, depois da aula de biologia, fui até meu armário e troquei os livros com toda a calma do mundo. Duvidava de que a Taylor fosse querer ver minha cara. Nosso tradicional arranjo de mesa e lugares no refeitório ia ser super estranho, e eu continuava irritada com a Lauren. Quando finalmente terminei de pegar os livros, o corredor já estava deserto e o burburinho de conversas soava distante.

Bati a porta do armário e me virei, fechando a bolsa a tiracolo que minha mãe me dera de Natal.

Captei um movimento na outra extremidade do corredor; alguém parecia ter se materializado do nada.

Uma figura alta e esguia e, a julgar pela rápida olhada, do sexo feminino. Estava usando um boné de beisebol, o que era estranho, pois as regras da escola proibiam acessórios desse tipo. Um daqueles tenebrosos bonés de pala alta usado por caminhoneiros que alguns adolescentes achavam bacanas.

Na frente estava escrito DRIFTER em letra preta e grossa sobre uma forma oval... muito semelhante a uma prancha de surfe.

Pisquei, sentindo o pulso disparar, e recuei um passo. A sujeita tinha sumido, porém a porta à esquerda de onde eu a vira se fechava lentamente.

Não... não podia ser. Ela seria louca de voltar para cá, mas... Segurando a bolsa de encontro ao corpo, comecei a atravessar o corredor e, antes que desse por mim, estava correndo. Alcancei a porta, tornei a abri-la e corri para dar uma espiada por cima do corrimão. A Sujeita Misteriosa estava no térreo, como se me aguardasse junto à saída.

Pude ver o boné de caminhoneiro com mais clareza. Definitivamente era uma prancha de surfe.

Serena costumava surfar quando vivia na Califórnia.

Nesse instante, a figura estendeu uma das mãos bronzeadas, como as de alguém que vive debaixo do sol, e a fechou em volta da maçaneta. Uma sensação de familiaridade eriçou os pelos dos meus braços.

Ah, merda.

Parte do meu cérebro se desligou. Desci os degraus de três em três, a respiração presa no peito. O corredor do térreo estava mais movimentado, repleto de alunos que seguiam para o refeitório. Escutei Carissa me chamar, mas estava com a atenção fixa na figura de boné, que rumava em direção ao ginásio e à saída que dava para o estacionamento.

Contornei um casal atracado numa ardente demonstração pública de carinho no meio do corredor, passei por um grupo de amigos batendo papo e, por um segundo, perdi de vista o boné. Merda. A escola inteira parecia ter decidido bloquear meu caminho. Esbarrei em alguém, murmurei uma desculpa e continuei avançando. Ao alcançar o fim do corredor, deduzi que ela havia saído, visto que era a única opção. Sem pensar duas vezes, abri as pesadas portas duplas e saí também. O céu carregado dava um ar frio e melancólico a todo o entorno. Vasculhei a área ao meu redor e o estacionamento além, e percebi que a sujeita havia sumido.

Somente duas coisas no mundo podiam se mover tão rápido assim: alienígenas e humanos transformados por eles.

Não tive dúvidas de que havia visto a Serena, e de que ela queria que eu a visse.



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