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História Opala - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Capitulo 20


Lauren beijava maravilhosamente bem. Com os lábios inchados, observei-a sorrir, as pálpebras pesadas, mas, por trás delas, seus olhos eram da cor da grama úmida da primavera. Seu cabelo espalhado pelo travesseiro. Eu adorava correr os dedos pelas mechas. E ela gostava quando eu fazia isso. Lauren fechou os olhos e inclinou a cabeça de lado para que eu tivesse um melhor acesso, tal como um gato se espreguiçando para ser acariciado.

Ah, as pequenas coisas da vida!

Ela pegou minha mão quando a deslizei de volta, acariciando seu pescoço, e levou a palma aos lábios. Meu coração deu uma pequena cambalhota e, então, ela me beijou de novo... e de novo. Sua mão escorregou para o meu quadril, os dedos se fechando em volta do cós do jeans antes de deslizarem por baixo da bainha da camiseta, fazendo minha pulsação ir a mil. Em seguida, me virou e se deitou por cima de mim, e seu peso provocou reações ensandecidas em minhas entranhas.

Ao sentir suas mãos subirem ainda mais, arqueei as costas.

— Lauren...

Sua boca silenciou o que quer que eu fosse dizer, esvaziando meu cérebro. Por um momento, foi como se só houvesse nós duas no mundo. A preocupação pelo que teríamos que fazer mais tarde simplesmente sumiu do meu radar. Enganchei uma perna na dela e...

Escutei o som de passos atravessando o corredor. Lauren desapareceu de cima de mim e ressurgiu ao lado da cadeira da escrivaninha. Com um sorrisinho desavergonhado, pegou um livro enquanto eu me recompunha.

— O livro está de cabeça pra baixo — alfinetei, passando a mão pelo cabelo para ajeitá-lo.

Com uma risadinha por entre os dentes, ela virou o livro e o abriu. Segundos depois, mamãe bateu à porta e entrou. Seus olhos recaíram sobre a cama e, em seguida, se voltaram para a cadeira.

— Olá, sra. Cabello— cumprimentou ela. — A senhora parece bem descansada.

Fuzilei-a com os olhos e cobri a boca com a mão para abafar o riso. Ela havia escolhido uma daquelas histórias românticas cuja capa mostra um mocinho seminu de peito largo prestes a devorar a mocinha peituda. Minha mãe arqueou uma sobrancelha. Sua expressão dizia basicamente:

"Que porra é essa?"

Quase caí na gargalhada.

— Boa noite, Lauren. — ela se virou para mim e estreitou os olhos.

-Um cara de tanguinha? -perguntou ela, movendo apenas os lábios e revirando os olhos.

— Quarto aberto, Camila. — ela voltou para junto da porta. — Você conhece as regras.

— Desculpa, não queríamos te acordar.

— Muita consideração, mas mantenha a porta aberta.

Assim que ela saiu, Lauren jogou o livro em cima de mim. Ergui a mão, fazendo-o parar em pleno ar, e o peguei.

— Excelente escolha.

Ela estreitou os olhos.

— Cala a boca.

Eu ri.

Ninguém estava rindo quando entramos no estacionamento do Smoke Hole Diner's um pouco antes das seis. Com um olhar por cima do ombro, reconheci o carro do Matthew estacionado nos fundos. Esperava sinceramente que ele e o Andrew ficassem de olhos bem abertos.

— O DOD não vai invadir o restaurante atrás da gente — falou Lauren, desligando o carro. — Não num lugar público.

— Mas a Serena pode congelar o lugar inteiro.

— Eu também.

— Ah! Nunca te vi fazer isso.

Ela revirou os olhos.

— Já viu, sim. Eu congelei o caminhão, lembra? Quando salvei a sua vida?

— Ah, é. — lutei para conter um sorriso. — Verdade.

Lauren estendeu a mão e ergueu meu queixo gentilmente.

— É bom se lembrar mesmo. De mais a mais, não sou exibida.

Abri a porta do carro, rindo.

— Você? Não é exibida? Tá bom!

— Como assim? — uma expressão falsamente ofendida cruzou-lhe o rosto enquanto fechava a porta e dava a volta pela frente do carro. — Sou muito modesta.

— Se não estou enganada, você disse que modéstia é para os santos e fracassados. — a brincadeira ajudou a acalmar meus nervos. — Modéstia não é uma palavra que eu usaria para te descrever.

Ela apoiou o braço em meu ombro.

— Eu nunca disse isso.

— Mentirosa.

Lauren me lançou um sorrisinho sacana ao entrarmos. Corri os olhos pelo restaurante em busca da Serena, observando os revestimentos de pedras naturais que cobriam as pernas das mesas e as divisórias, mas ela ainda não havia chegado. O maitre nos conduziu até uma aconchegante mesa nos fundos, próxima à lareira. Enquanto esperávamos, tentei me manter ocupada rasgando o guardanapo em pequeninos pedaços.

— Você pretende comer isso ou está preparando uma cama para seu hamster?

Eu ri.

— Na verdade, sanitário orgânico para gatos.

— Legal.

Uma garçonete ruiva surgiu com um sorriso de orelha a orelha.

— Como vai, Lauren? Faz tempo que não te vejo.

— Bem. E você, Jocelyn?

Ao escutá-las se tratarem pelo primeiro nome, tive que dar uma conferida na mulher. Não por ciúmes ou algo assim. Sei, até parece. Jocelyn era mais velha do que a gente, mas não muito. Ela devia ter uns vinte e poucos, e era realmente bonita com aqueles cabelos vermelhos presos no alto da cabeça, os cachos grossos emoldurando um rosto de porcelana. Certo, ela era linda... tipo, luxeanamente linda!

Empertiguei-me no banco.

— Estou ótima — respondeu ela. — Larguei a gerência desde que tive os bebês. Eles tomam muito tempo, de modo que resolvi trabalhar só meio período. Mas você e sua família deviam vir nos visitar, principalmente agora que... — ela me olhou pela primeira vez, e o sorriso desapareceu. — O Christopher retornou. Roland adoraria ver vocês.

Totalmente alienígena, pensei.

— Será um prazer. — Lauren me lançou um olhar de relance e deu uma piscadinha matreira. — A propósito, Jocelyn, esta é a Camila, minha namorada.

Senti uma ridícula onda de felicidade ao estender a mão para cumprimentá-la.

— Oi.

Ela piscou, e pude jurar que seu rosto ficou ainda mais branco.

— Namorada?

— Namorada — repetiu ela.

Jocelyn se recobrou rapidamente e apertou minha mão. Uma leve descarga elétrica brotou do contato, mas fingi não perceber.

— É um prazer te conhecer — disse, soltando minha mão imediatamente. — Ahn, o que vocês vão querer?

— Duas Cocas — pediu ela.

Ao vê-la se afastar como quem viu uma assombração, ergui as sobrancelhas.

— Jocelyn...?

Ela me entregou outro guardanapo.

— Tá com ciúmes, gatinha?

— Até parece! — parei de rasgar o papel. — Certo, um pouquinho, mas só até perceber que ela faz parte do PRA.

— PRA? — ela se levantou, veio para o meu lado e disse: — Chega pra lá.

Cheguei.

— Programa de Realocação Alienígena.

— Ah. — Lauren apoiou o braço no encosto do banco e esticou as pernas. — Ela é gente boa.

Jocelyn retornou com nossos refrigerantes e perguntou se queríamos esperar nossa amiga chegar para pedirmos a comida. De jeito nenhum. Lauren pediu um sanduíche de carne e eu resolvi que comeria metade do dela. Não tinha certeza se conseguiria engolir muito mais do que isso.

Ela virou o corpo para mim ao terminar de escolher o acompanhamento: batatas fritas ou purê, as fritas ganharam.

— Vai dar tudo certo — disse em voz baixa. — Okay?

Fingindo coragem, assenti com um menear de cabeça e corri os olhos de novo pelo restaurante.

— Só quero terminar logo com isso.

Menos de um minuto depois, o sininho da porta tilintou e, antes que eu pudesse erguer os olhos, Lauren enrijeceu ao meu lado. Nem precisei olhar soube imediatamente. Meu estômago veio parar na garganta.

Uma garota bronzeada surgiu à vista, acompanhada por um par de olhos amendoados que se fixou instantaneamente na nossa mesa. Serena havia chegado.



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