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História Opala - Capítulo 34


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Capítulo 34 - Capitulo 34


Meu coração martelava em minha garganta. Ergui a cabeça, esperando me deparar com um pelotão de oficiais do DOD se fechando em volta da gente. Não vi ninguém.

— Do que você está falando? — perguntei num sussurro. — Não estou vendo...

— Quieta.

Embora irritada, me calei. No entanto, passados alguns segundos, cheguei à conclusão de que Serena estava apenas usando uma desculpa qualquer para botar as mãos em mim ou coisa parecida.

— Se não sair de cima de mim, vou te machucar de verdade...

Foi então que vi o que ela estava dizendo. Um sujeito de terno preto se aproximava sorrateiramente pela lateral da minha casa. Algo na aparência do cara me pareceu familiar e, de repente, lembrei onde o vira antes.

Ele estava com a Nancy Husher no dia em que o DOD surpreendeu Lauren e a mim no campo onde havíamos matado Baruck.

O oficial Lane.

Em seguida, vi a Expedition parada próximo ao fim da rua.

Engoli em seco.

— O que ele tá fazendo aqui?

— Não sei. — a respiração da Serena era quente em contato com minha bochecha. Trinquei os dentes. — Mas com certeza está procurando alguma coisa.

Um segundo depois, um movimento na casa da Lauren atraiu minha atenção. A porta da frente se abriu e ela veio para fora. Lauren, então, desapareceu da varanda e reapareceu diante da entrada de garagem da minha casa, a mais ou menos um metro do oficial Lane. Ela se movia tão rápido que o olho humano não conseguia acompanhar.

— Posso te ajudar com alguma coisa, Lane? — sua voz chegou até onde eu estava, baixa e sem entonação.

Surpreso pela súbita aparição, Lane recuou um passo e levou a mão ao peito.

— Lauren, Deus do céu, odeio quando você faz isso!

Minha namorada sequer sorriu, e o que quer que o oficial tenha visto nos olhos dela fez com que fosse direto ao ponto.

— Estou investigando.

— Certo.

Lane meteu a mão no bolso da camisa, puxou um pequeno notebook e o abriu. O paletó ficou preso no coldre da arma. Não tive certeza se isso havia sido de propósito ou não.

— O oficial Brian Vaughn está desaparecido desde antes do Ano--Novo. Estou verificando todas as pistas.

— Merda — murmurei.

Lauren cruzou os braços.

— Por que eu saberia ou me importaria com o que aconteceu com ele?

— Quando foi a última vez que você o viu?

— No dia que vocês apareceram no campo para sua inspeção de praxe e quiseram comer naquele tenebroso restaurante chinês — respondeu Lauren numa voz tão convincente que eu quase acreditei. — Meu estômago ainda não se recuperou.

Lane sorriu de modo relutante.

— Verdade, a comida era pavorosa. — anotou alguma coisa no notebook e o meteu de volta no bolso. — Depois disso você não viu mais o Vaughn?

— Não.

O oficial assentiu com um menear de cabeça.

— Sei que vocês dois não são grandes fãs um do outro. Não acho que ele ousaria te fazer uma visita sem autorização, mas precisamos checar todas as possibilidades.

— Compreensível. — o olhar da Lauren recaiu sobre as árvores em meio às quais estávamos escondidas. — Por que você estava verificando a casa da minha vizinha?

— Estou verificando todas as casas — retrucou ele. — Você ainda é amiga daquela garota?

Ah, não!

Lauren não disse nada, mas mesmo deitada de bruços pude perceber o modo como seus olhos estreitaram ao se fixarem no oficial. Lane riu.

— Lauren, quando você vai aprender a relaxar? — deu um tapinha no ombro da minha namorada ao passar por ela. — Não quero saber com quem você... passa seu tempo livre. Só estou fazendo o meu trabalho.

Lauren girou o corpo, acompanhando os movimentos do Lane.

— Quer dizer que, se eu resolvesse sair só com humanas e acabasse decidindo morar com uma, você não me entregaria?

— Desde que eu não encontre nenhuma prova irrefutável, não dou a mínima. Este é apenas um emprego com uma boa aposentadoria, e espero continuar vivo para aproveitá-la. — começou a se afastar em direção ao carro, mas parou e se virou para a Lauren. — Existe uma diferença entre intuição e prova. Por exemplo, minha intuição me diz que seu irmão estava num relacionamento sério com a humana que desapareceu junto com ele, mas não havia nenhuma prova.

É claro. Nós sabíamos como o DOD havia descoberto sobre ele e a Beth: através do Will. Será que esse cara estava insinuando que não sabia nada sobre o Christopher?

Lauren se recostou na Expedition do Lane.

— Você viu o corpo do meu irmão quando o DOD o encontrou?

Seguiu-se um momento de tensão, e Lane abaixou o queixo.

— Eu não estava presente quando o corpo dele e da garota foram encontrados. Apenas fui informado sobre o que havia acontecido. Sou só um oficial. — ergueu a cabeça. — E ninguém jamais desmentiu a história. Sei que não sou ninguém no grande esquema das coisas, mas não sou cego.

Prendi a respiração. Senti Serena fazer o mesmo.

— O que você tá querendo dizer com isso? — perguntou Lauren.

Lane ofereceu um sorriso tenso.

— Sei quem está na sua casa, Lauren, e sei que mentiram para mim. Eles mentiram para muitos de nós, de modo que não fazemos ideia do que está realmente acontecendo. Esse é apenas um trabalho. A gente simplesmente o executa de cabeça baixa.

Lauren assentiu.

— É isso o que você está fazendo agora, mantendo a cabeça abaixada?

— Me mandaram verificar todos os lugares onde o Vaughn poderia estar, só isso. — ele estendeu a mão para a porta do carro e Lauren se afastou. — A menos que me obriguem, não vou meter o nariz onde não sou chamado. Quero muito aproveitar minha aposentadoria. — entrou no carro e fechou a porta. — Cuide-se.

Lauren recuou alguns passos.

— A gente se vê por aí, Lane.

Com um guinchar de pneus e levantar de cascalho, a Expedition se afastou, deixando para trás um rastro de fumaça liberada pelo cano de descarga.

O que diabos acabara de acontecer? Melhor ainda, por que a Serena continuava em cima de mim?

Ela soltou um grunhido ao sentir a cotovelada que lhe acertou o estômago.

— Sai de cima de mim.

Serena se levantou, os olhos faiscando.

— Você gosta de bater.

Levantei também e a fitei com irritação.

— É melhor dar o fora daqui. Não precisamos lidar com você agora.

— Bem colocado. — ela recuou alguns passos e o sorriso esmoreceu. — A gente se vê mais tarde.

— Vá pro inferno — murmurei, virando-me de volta para a Lauren, que atravessava a rua. Sai trotando da mata e parei ao alcançá-la.

— Tudo bem?

Ela fez que sim.

— Você escutou o papo?

— Escutei. Estava voltando quando o vi. — imaginei que seria melhor ela não saber que a Serena tinha dado uma de sr. Voyeur Assustador antes de invadirmos Mount Weather. — Você acreditou nele?

— Não sei. — Lauren apoiou um braço em meus ombros e me guiou em direção à casa dela. —Lane sempre foi um cara decente, mas isso foi meio estranho.

Passei um braço em volta da sua cintura e me aconcheguei a ela.

— Qual parte?

— A coisa toda — respondeu, se sentando no degrau de cima da varanda. Em seguida, me puxou para o colo e passou os braços em volta de mim. — O fato de o DOD, inclusive o Lane, saber que o Christopher está de volta. Eles têm que saber que a gente descobriu a mentira, e não estão fazendo nada. — fechou os olhos quando pressionei meu rosto no dela. — Além disso, o que a gente vai fazer hoje mais tarde... pode até funcionar, mas é loucura. Parte de mim se pergunta se eles já não sabem que estamos a caminho.

Corri o polegar pelo maxilar da Lauren e dei-lhe um beijo no rosto, desejando que houvesse algo que eu pudesse fazer.

— Você acha que vamos cair numa armadilha?

— Acho que já estamos numa e só está faltando ela se fechar em volta da gente. — capturou minha mão suja entre as dela e a manteve ali.

Soltei um suspiro trêmulo.

— Vamos continuar com o plano mesmo assim?

Lauren empertigou os ombros. Resposta suficiente.

— Você não tem que fazer isso.

— Nem você — retruquei baixinho. — Mas estamos nisso juntas.

Ela inclinou a cabeça para trás e seus olhos encontraram os meus.

— Tem razão.

Não estávamos fazendo isso por termos um desejo secreto de morrer ou sermos estúpidas, mas porque havia duas vidas em jogo, talvez mais, que valiam tanto quanto a nossa. Talvez a coisa toda acabasse sendo um sacrifício, mas se não tentássemos perderíamos a Beth, o Chris e o Christopher. Serena seria uma perda aceitável.

De qualquer forma, senti uma fisgada de pânico apertar meu peito. Eu estava assustada... na verdade, morrendo de medo. Quem não estaria? Mas era a responsável por estarmos naquela situação, e agora a coisa toda se tornará maior do que eu, do que meu medo.

Inspirei o ar de maneira superficial, abaixei a cabeça e beijei-lhe os lábios.

— Acho que vou ficar um pouco com a minha mãe antes de irmos. — senti a garganta fechada. — Ela já deve estar acordando.

Ela me beijou de volta, os lábios demorando-se sobre os meus. O contato transmitiu desejo, mas com um quê de desespero e aceitação. Se as coisas terminassem mal, o tempo passado com ela não teria sido suficiente. Talvez jamais viesse a ser. Por fim, Lauren falou numa voz áspera e rouca.

— Boa ideia, gatinha.

Quando enfim chegou a hora de entrar no carro da Lauren e seguir para as Montanhas Blue Ridge, estávamos todos tensos. E, para variar, isso não tinha nada a ver com a presença da Serena.

Embora de vez em quando alguém risse ou soltasse um palavrão, todo mundo estava pisando em ovos. Ash se acomodou no banco do carona do carro do Matthew. Estava vestida de preto da cabeça aos pés, calças pretas, tênis preto e uma blusa justa de gola alta preta. Parecia uma ninja. Taylor, por sua vez, estava toda de rosa. Pelo visto aceitara o fato de que teria que ficar dentro do carro. A menos que a Ash planejasse se misturar com o assento de couro, não sabia muito bem por que ela se vestira daquele jeito.

Exceto pelo fato de que estava absolutamente fabulosa.

Já eu estava com uma calça de moletom escura e uma camiseta preta de mangas compridas que não cabia mais na Lauren. A impressão era de que eu estava pronta para ir para a academia.

Ao lado da Ash, eu parecia uma verdadeira pobre coitada. Lauren, porém, disse algo ao me ver vestida com a roupa dela que fez meu sangue ferver e, depois disso, deixei de ligar se eu parecia ou não uma corcunda em comparação com sua ex-namorada.

Christopher e Serena iriam com a gente e o resto com o Matthew. Enquanto tirávamos o carro da garagem, mantive os olhos pregados na minha casa até perdê-la de vista. As poucas horas que havia passado com minha mãe tinham sido ótimas... realmente incríveis.

Os primeiros trinta minutos do trajeto transcorreram sem maiores incidentes. Serena permaneceu quieta, mas quando resolveu começar a falar as coisas foram imediatamente por água abaixo. Por diversas vezes imaginei que a Lauren ia parar o carro e estrangulá-la.

Acho que nem o Christopher nem eu a teríamos impedido. O gêmeo da minha namorada mudou de posição e apoiou a cabeça entre as mãos.

— Você não se cala nunca, não?

— Só quando estou dormindo — retrucou Serena.

— Ou se estiver morta — revidou Lauren. — Ela vai parar de falar quando estiver morta.

A surfista apertou os lábios numa linha fina.

— Captei o recado.

— Excelente. — Lauren voltou a focar a atenção na estrada. — Tente ficar quieta por um tempo.

Controlei a vontade de rir e me virei para trás.

— O que você vai fazer quando encontrar a Beth?

Um ar sonhador iluminou o rosto do Christopher, e ele balançou a cabeça lentamente como que para acordar do transe.

— Ah, cara, não sei. Respirar... finalmente vou ser capaz de respirar.

Com os olhos marejados de emoção, ofereci a ele um sorriso aguado.

— Tenho certeza de que ela vai se sentir da mesma forma. — pelo menos, esperava que sim. A última vez que eu vira a Beth, ela me parecera meio pancada das ideias. Mas se eu sabia algo a respeito do Christopher era que o amor que ele sentia por ela faria com que fosse capaz de lidar com isso... eles compartilhavam o mesmo tipo de amor que minha mãe e meu pai.

Pelo canto do olho, vi os lábios da Lauren se curvarem ligeiramente nos cantos. O gesto provocou um farfalhar engraçado no fundo do peito.

Inspirei devagarinho e foquei minha atenção na surfista. Ela estava com a cabeça apoiada na janela, olhando para a escuridão da noite.

— E você?

Seu olhar se fixou em mim. Serena não disse nada por vários segundos.

— Vamos sair daqui e seguir para oeste. A primeira coisa a fazer é surfar. Chris sempre adorou o mar.

Virei de volta para a frente e baixei os olhos para minhas mãos. Às vezes era difícil odiar alguém sem se sentir mal por isso. E eu me sentia mal pelo amigo dela. Me sentia mal até pela Serena.

— Ah... legal.

Depois disso, ninguém falou mais nada. A princípio, o humor se manteve sombrio e carregado de lembranças, além de provavelmente milhares de e se e uma dúzia de cenários de como a noite seria para o Christopher e a Serena. No entanto, assim que passamos por Winchester, cruzamos o rio e a silhueta escura das Montanhas Blue Ridge surgiu à frente, o humor mudou.

Eles ficaram tensos. Olhei de relance para a Lauren, inquieta e impaciente para resolver logo aquilo. Faltavam vinte para às nove.

— Falta muito? — perguntou Christopher.

— Temos tempo.

Lauren diminuiu a marcha ao começarmos a subir a montanha. Matthew nos seguia bem de perto.

Ela conhecia o caminho. A estrada de emergência ficava a cerca de uns oitocentos metros da entrada principal. Lauren havia inserido o endereço no GPS, mas o aparelho aparentemente não encontrará nada.

Um celular tocou e Serena atendeu.

— É o Luc. Ele quer saber se vamos conseguir cumprir o horário.

— Vamos — respondeu Lauren.

Christopher se meteu entre os dois assentos dianteiros.

— Tem certeza?

A irmã revirou os olhos.

— Tenho.

— Só verificando — grunhiu Christopher, recostando-se novamente.

Foi a vez da Serena se meter entre os bancos.

— Certo. Luc está pronto. Ele pediu para lembrar a todos que teremos apenas quinze minutos. Se algo der errado, a gente sai e tenta de novo depois.

— Não quero tentar de novo depois — protestou Christopher. — Assim que entrarmos, temos que ir até o fim.

Serena franziu o cenho.

— Quero tirá-los de lá tanto quanto você, meu chapa, mas nosso tempo é limitado. Só isso.

— Vamos nos ater ao plano. — Lauren olhou para o irmão através do retrovisor. — Está decidido, Christopher. Não vou arriscar te perder de novo.

— Nada vai dar errado — intervi, antes que a discussão se tornasse um bate-boca de proporções épicas. — Tudo sairá como planejado. 



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