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História Opala - Capítulo 42


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Capítulo 42 - Capitulo 42


Fanfic / Fanfiction Opala - Capítulo 42 - Capitulo 42

Fingi estar doente na terça e fiquei em casa, vegetando no sofá. Não podia ir para a escola, encontrar a Lesa, sabendo que sua melhor amiga estava morta, e fingir não saber de nada. Simplesmente não podia fazer isso ainda.

Volta e meia via o rosto da Carissa. Havia duas versões, até antes de ontem e depois que a encontrara em meu quarto. Ao pensar nela usando seus típicos óculos fashion, meu peito doía, mas quando a visualizava com aqueles olhos profundamente vazios, sentia vontade de recomeçar a chorar.

E foi o que fiz.

Minha mãe não criou caso. Em primeiro lugar porque eu raramente matava aula. E, em segundo, eu estava com uma cara péssima. Fingir estar doente não foi um exagero tão grande assim. Mamãe passou a maior parte da manhã me paparicando, algo que aproveitei ao máximo, pois precisava dela mais do que ela jamais poderia imaginar. Tempos depois, após ela subir para dormir um pouco, Lauren apareceu inesperadamente. Ela entrou com um boné preto enterrado na cabeça e fechou a porta.

- O que você está fazendo aqui? - era cedo, mal passava dá uma da tarde.

Ela me pegou pela mão e me puxou para a sala.

- Belo pijama.

Ignorei o comentário.

- Você não devia estar na aula?

- Não acho bom você ficar sozinha agora

- Estou bem.

Ela me lançou um olhar que dizia que eu não estava enganando ninguém. E, precisava admitir, estava feliz por ela ter aparecido, porque eu realmente precisava de alguém que soubesse o que estava acontecendo. Tinha passado a manhã inteira arrasada, presa entre a culpa e a incredulidade, entregue a uma dor que não conseguia sequer mensurar.

Sem dizer nada, Lauren me conduziu até o sofá, deitou e me ajeitou ao lado dela. O peso de seu braço envolvendo minha cintura produziu um efeito tranquilizador. Mantendo a voz baixa, conversamos sobre coisas normais assuntos que não pudessem machucar nenhuma das duas.

Passado um tempo, virei nos braços dela e nossos narizes se roçaram. Não nos beijamos. Não era o momento para amassos ou coisas do tipo. Ficamos apenas abraçadas, o que me trouxe uma sensação de intimidade muito maior do que qualquer outra coisa que pudéssemos fazer. A presença dela me acalmava.

Acabamos pegando no sono, respirando uma sobre a outra.

Minha mãe deve ter descido em algum momento e nos vistos juntas no sofá, pois estávamos exatamente do mesmo jeito quando acordei. Lauren com a cabeça apoiada sobre a minha, e eu com uma das mãos fechada em volta da camiseta dela. Foi o aroma do café que me despertou pouco depois das cinco.

Com relutância, me desvencilhei dos braços dela e passei as mãos pelo cabelo para ajeitá-lo. Minha mãe estava parada na soleira da porta, recostada contra o umbral, as pernas cruzadas na altura dos tornozelos. Segurava uma caneca fumegante de café entre as mãos.

E ela estava usando um pijama com estampa de amuletos da sorte.

Ah, santo Houdini.

- Onde você arrumou isso?

- Isso o quê? - Ela tomou um gole do café.

- Esse... pijama horroroso.

Mamãe deu de ombros.

- Eu gosto.

- É bonitinho - comentou Lauren, correndo os dedos pelo cabelo bagunçado.

Dei-lhe uma cotovelada, que ela retribuiu com um sorrisinho atrevido.

- Sinto muito, sra. Cabello, não tive a intenção de pegar no sono com...

- Não tem problema. - Ela brandiu a mão como que descartando o assunto. - A Camila não estava se sentindo bem, e estou feliz que você tenha aparecido para fazer companhia a ela. Só espero que não pegue o que quer que ela tenha.

Ela me lançou um olhar de esguelha.

- Espero que você não tenha me passado herpes.

Bufei. Se alguém estava espalhando herpes alienígena, esse alguém era ela.

O celular da minha mãe tocou e ela o pescou no bolso do pijama, derramando café no chão. Seu rosto se iluminou, do modo como sempre acontecia quando Will ligava. Meu coração apertou ao vê-la se virar e seguir para a cozinha.

- É o Will - murmurei, levantando antes que me desse conta.

Lauren veio atrás de mim.

- Você não tem como saber com certeza.

- Tenho sim. Dá pra ver nos olhos dela... o modo como eles brilham. - senti vontade de vomitar, sério. De repente, vi minha mãe estirada no chão do quarto, o corpo inerte, morta como a Carissa. O pânico aflorou em meu peito e fincou raízes.

- Preciso contar a ela por que o Will se aproximou da gente.

- Contar o quê? - Lauren se colocou em meu caminho. - Que ele quis sair com ela para ficar perto de você? Que a usou? Não acho que isso irá abrandar o golpe.

Abri a boca para retrucar, mas ela tinha razão.

Lauren apoiou as mãos em meus ombros.

- Não sabemos se foi o Will quem ligou nem o que aconteceu com ele. Veja o exemplo da Carissa - disse, mantendo a voz baixa. - A mutação dela não estabilizou. Não levou muito para que... acontecesse o que aconteceu.

- Então isso significa que a dele funcionou. - Lauren não ia conseguir me fazer sentir melhor agora.

- Ou que retrocedeu. - ela me lembrou de novo. - Não podemos fazer nada até sabermos com o que estamos lidando.

Mudei o peso de um pé para o outro, olhando por cima do ombro dela. O estresse que eu estava sentindo era como uma bola de sete toneladas em meus ombros. Havia tanta coisa com as quais precisávamos lidar.

- Uma coisa de cada vez - falou Lauren, como que lendo meu pensamento. - Vamos lidar com as coisas uma de cada vez. Isso é tudo o que podemos fazer.

Assenti com um menear de cabeça, inspirei fundo e soltei o ar lentamente. Meu coração continuava martelando como um louco.

- Vou ver se era ele.

Ela me soltou e deu um passo para o lado. Corri para a porta.

- Mas gosto mais do seu pijama - declarou, me fazendo virar.

Abriu um sorrisinho, aquele meio de lado que insinuava a vontade de cair na gargalhada.

O meu não era muito melhor do que o da minha mãe. Ele tinha estampa de bolinhas, tipo, milhares de bolinhas roxas e rosa.

- Ah, cala a boca - repliquei.

Minha namorada voltou para o sofá.

- Vou esperar aqui.

Entrei na cozinha no momento em que minha mãe desligava o telefone com uma expressão contrariada. O peso em meus ombros ficou ainda maior.

- Qual é o problema?

Ela piscou e forçou um sorriso.

- Ah, não é nada, querida.

Peguei uma toalha e limpei o açúcar que ela havia derramado.

- Não é o que parece. - na verdade, parecia que a coisa era séria.

Mamãe fez uma careta.

- Era o Will. Ele ainda está na costa oeste. Disse que acha que pegou alguma coisa durante a viagem. Vai ter que continuar lá até melhorar.

Congelei. Mentiroso, quis gritar.

Ela despejou o restante do café na pia e passou uma água na caneca.

- Eu não te contei nada, querida, porque não queria desenterrar lembranças ruins, mas o Will... bem, ele já esteve doente antes, que nem o seu pai.

Meu queixo caiu.

Interpretando mal minha surpresa, ela continuou:

- Eu sei. É cosmicamente injusto, não é? Mas a doença retrocedeu. O câncer foi completamente curado.

Eu não tinha nada a dizer.

Nada. Will havia contado a ela que estivera doente.

- Mas é claro que eu me preocupo. - ela colocou a caneca na lava-louças, mas não fechou a porta direito. Por hábito, fui lá e fechei. - Não adianta a gente se preocupar com coisas desse tipo, eu sei. - parou diante de mim e encostou a mão em minha testa. - Você não me parece estar com febre. Está se sentindo melhor?

A mudança de assunto me deixou sem reação.

- Tô, tô bem.

- Ótimo. - Mamãe sorriu, e dessa vez o sorriso não foi forçado. - Não se preocupe com isso, querida. Will vai ficar bem e vai estar de volta antes que a gente perceba. Vai dar tudo certo.

Meu coração falhou uma batida.

- Mãe?

- Que foi?

Cheguei perto de contar tudo a ela, mas congelei. Lauren tinha razão. O que eu poderia dizer?

Sacudi a cabeça, frustrada.

- Tenho certeza... de que o Will está bem.

Ela se curvou rapidamente e depositou um beijo em meu rosto.

- Ele ficará feliz em saber que você está preocupada.

Uma risada histérica se formou em minha garganta. Tinha certeza que sim.

Horas depois, após minha mãe ter ido para o plantão, parei ao lado do lago, olhando para uma pilha reluzente de ônix.

Matthew e Lauren não tinham falado muito desde que chegáramos, e até mesmo Serena estava extraordinariamente quieta. Todos sabiam o que havia acontecido com a Carissa na véspera. Lauren tinha contado a Serena um pouco mais cedo; a conversa inteira transcorrera sem socos nem farpas e eu não havia testemunhado?!

Aparentemente, Serena jamais vira um híbrido instável com os próprios olhos.

Só ouvira falar deles.

Mas o Christopher já.

O gêmeo da Lauren tinha visto pessoas levadas até ele que antes da mutação eram normais, mas que poucos dias depois tinham surtado. Explosões violentas eram comuns instantes antes de elas entrarem em modo de autodestruição. Todas elas tinham recebido o mesmo soro que eu. Segundo a Serena, sem ele a mutação até poderia acontecer, mas era ainda mais raro e, na maioria dos casos, ela regredia.

Desde que eu chegara ao lago, Christopher se mantivera do meu lado enquanto a Lauren e o Matthew cuidavam cautelosamente da pilha de ônix.

- Tive que fazer isso uma vez - falou Christopher baixinho, os olhos focados no céu carregado.

- Fazer o quê?

- Ver um híbrido morrer assim. - inspirou fundo e apertou os olhos. - O cara enlouqueceu, e ninguém conseguiu detê-lo. Ele derrubou um dos oficiais e, em seguida, houve uma explosão de luz. Algo como uma combustão espontânea, porque assim que a luz diminuiu, ele havia desaparecido. Não restava nada do cara. Foi tão rápido que ele não pode ter sofrido.

Lembrei de como Carissa havia tremido e cheguei à conclusão de que ela devia ter sentido aquilo.

Enjoada, concentrei minha atenção na Lauren. Ela havia colocado o ônix num buraco e estava ajoelhada diante dele, falando baixinho com o Matthew. Fiquei feliz pelo resto do grupo não estar ali.

- As pessoas que foram levadas até você sabia o que seria feito? - perguntei.

- Algumas sim, como se tivessem se voluntariado. Outras estavam sedadas. Essas não tinham a menor ideia. Acho que eram mendigos ou indigentes.

Isso era revoltante. Incapaz de continuar parada, fui até a beira do lago. A água já não estava mais congelada, e sim tranquila, como um espelho. O oposto de como eu me sentia por dentro.

Christopher me seguiu.

- Carissa era uma garota bacana. Não merecia isso. Por que será que eles a escolheram?

Fiz que não, não fazia ideia. Havia passado boa parte do dia pensando sobre isso. Mesmo que Carissa soubesse sobre os Luxen e tivesse sido curada por um, o Daedalus estava envolvido. Eu tinha certeza. Mas como e por que eram um mistério. Assim como a pedra que eu a vi usando em torno do pulso.

- Você alguma vez viu os híbridos de lá usando algo estranho? Tipo uma pedra preta diferente que parece ter fogo no meio?

Ele arqueou as sobrancelhas.

- Nenhuma das pessoas que eu curei foi devidamente transformada, exceto a Beth. Elas não estavam usando nada. Os outros, eu nunca vi.

Terrível... isso era simplesmente terrível.

Fiz força para engolir, mas minha garganta parecia fechada. Uma brisa suave sacudiu a água do lago, que ondulou de uma margem à outra. Como uma onda de choque...

-Pessoal? - chamou Lauren, e nós viramos. - Estão prontos? 

Se estávamos prontos para encarar uma sessão de tortura? Ahn, não. De qualquer forma, fomos até eles.



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