1. Spirit Fanfics >
  2. Opala >
  3. Capitulo 50

História Opala - Capítulo 50


Escrita por:


Capítulo 50 - Capitulo 50


Ficamos nos encarando como duas panacas por alguns instantes, até que ambas entramos em ação. Descemos para a sala com a pedra, que por sinal era pouco maior do que uma moeda de cinquenta centavos. Nossos corações martelavam feito loucos.

Entreguei-a a Lauren.

— Tenta alguma coisa... tipo aquele negócio de reflexão.

Lauren, que vinha sonhando com um pedaço de opala desde que descobrira o que ela podia fazer, não pensou duas vezes. Ela a fechou em sua mão e se concentrou, apertando os lábios.

A princípio, nada aconteceu, até que de repente o corpo dela foi envolvido por um brilho suave. Tipo como quando a Taylor ficava toda animada e seu braço piscava, desaparecendo por um breve instante. Mas, então, o brilho intensificou e ela desapareceu.

Desapareceu completamente.

— Lauren? — escutei uma risada baixa perto do sofá e estreitei os olhos.

— Não consigo te ver.

— Nem meu contorno?

Fiz que não. Estranho. Ela estava ali, mas eu não conseguia vê-la. Recuei alguns passos e foquei os olhos no sofá. Foi então que percebi a diferença. O espaço entre a mesinha de centro e o meio do sofá parecia distorcido. Meio ondulado, como quando a gente olha para um objeto que está dentro d'água. Ela devia estar parada ali, camuflada contra o fundo que nem um camaleão.

— Ai, meu Deus. Você está parecendo aquele alienígena de O Predador.

Seguiu-se uma pausa, e então:

— Isso é demais! — um segundo depois, ela ressurgiu, rindo como uma criança que acabou de ganhar seu primeiro videogame. — Vou aproveitar para dar uma de mulher Invisível e entrar no seu banheiro.

Revirei os olhos.

— Dá a opala aqui.

Rindo, Lauren me entregou a pedra. Ela parecia ter a mesma temperatura que meu corpo, o que achei estranho.

— Quer saber qual é a parte mais louca de ter ficado completamente invisível? Quase não gastei energia. Estou ótima.

— Uau! — virei a pedra de cabeça para baixo. — Precisamos testar de novo.

Ela a pegou novamente e seguimos para o lago. Tínhamos cerca de quinze minutos antes que os outros aparecessem.

— Tenta você — disse ela.

Segurei a opala em minha palma, sem saber ao certo o que fazer. A coisa mais difícil e que demandava mais energia era usar a Fonte como arma. Assim sendo, decidi experimentar isso. Concentrei-me na liberação de energia e senti que dessa vez foi diferente urgente e possante. Invocar a Fonte foi mais rápido, mais fácil e, em questão de segundos, uma bola de luz vermelho-esbranquiçada surgiu em minha outra mão.

— Uau! — exclamei, sorrindo. — Isso é... diferente.

Lauren assentiu com um menear de cabeça.

— Está se sentindo cansada ou algo parecido?

— Não. — e, em geral, aquilo me exauria rapidamente, o que significava que a opala de fato causava um impacto. De repente, tive outra ideia. Deixando a Fonte se apagar, esquadrinhei o chão até encontrar um pequeno galho.

Com a pedra ainda em minha mão, levei o galho até a beira do lago.

— Nunca consegui controlar o lance de calor e fogo. Arrumei uma bela queimadura nos dedos na última vez que tentei.

— Você acha que devia experimentar isso agora?

Hum, bom argumento.

— Qualquer problema, você está aqui para me curar.

Ela franziu o cenho.

— Lógica terrível, gatinha.

Dei uma risadinha e me concentrei no galho. A Fonte se manifestou novamente, descendo pela madeira fina e retorcida até envolvê-la por inteiro. Um segundo depois, o galho se tornou uma réplica exata do que era antes, só que feito de cinzas, e, quando a luz vermelho-esbranquiçada retrocedeu, ele se desfez por completo.

— Ahn — comentei.

— Isso não foi exatamente fogo, mas chegou bem perto.

Nunca tinha feito nada assim antes. Só podia ser o efeito intensificador dos poderes alienígenas provocado pela opala, porque eu acabara de fazer com um galho a mesma coisa que o vulcão fizera com Pompeia.

— Me deixa tentar de novo — pediu Lauren. — Quero ver se ela tem algum efeito sobre o ônix.

Entreguei a pedra a ela e a segui até a pilha de ônix, limpando as cinzas dos dedos. Segurando a opala em uma das mãos, Lauren descobriu a pilha e, trincando o maxilar, pegou um dos pedaços.

Nada aconteceu. Todos nós já tínhamos desenvolvido uma pequena tolerância, mas em geral tocar no ônix provocava um rápido ofego ou uma leve contração de dor.

— O que você está sentindo? — perguntei.

Lauren ergueu o queixo.

— Nada... Não estou sentindo nada.

— Minha vez. — trocamos de posição. Ela estava certa. Não senti nem mesmo um resquício da dor provocada pelo ônix. Olhamos uma para a outra.

— Puta merda!

Um som de passos e vozes invadiu a clareira. Num movimento rápido, Lauren escondeu a opala no bolso.

— Acho que não devemos deixar a Serena ver isso.

— Tem razão — concordei.

A gente se virou assim que o Matthew, o Christopher e o Serena saíram de dentro da mata. Seria interessante verificar se a opala teria algum efeito dentro do bolso ou se era preciso tocar nela fisicamente.

— Falei com o Luc — anunciou Serena enquanto nos reuníamos em torno do ônix. — Ele disse que pode ser este domingo, e acho que estaremos prontos.

— Você acha? — perguntou Christopher.

A surfista fez que sim.

— É tudo ou nada.

Fracassar não era uma opção.

— Então no domingo depois do baile de formatura?

— Vocês estão pretendendo ir ao baile? — perguntou Serena, franzindo o cenho.

— Por que não? — rebati de maneira defensiva.

Seus olhos escureceram.

— É só que me parece algo idiota de fazer um dia antes. Devíamos passar o sábado treinando.

— Ninguém pediu sua opinião — retrucou Lauren, crispando as mãos.

Christopher se colocou ao lado da irmã.

— Uma noite não vai mudar nada.

— E eu tenho que comparecer — declarou Matthew, parecendo totalmente revoltado com a ideia.

Sem ninguém para apoiá-lo, Serena balbuciou de maneira irritada:

— Certo. Vocês que sabem.

Começamos, então, o treino. Mantive os olhos pregados na Lauren quando chegou a vez dela.

Assim que minha namorada tocou o ônix, seus músculos se contraíram ligeiramente, mas ela se manteve firme. A menos que estivesse fingindo, era preciso tocar a opala para que ela fizesse efeito. Bom saber.

Passamos as duas horas seguintes nos revezando com o ônix. Estava começando a pensar seriamente que o controle dos meus dedos e músculos jamais seria o mesmo. Serena manteve os dez passos de distância que eu exigira dela, e não tentou conversar comigo. Gostava de pensar que a chamada na chincha que dera nela tinha surtido algum resultado. Caso contrário... bem, duvidava de que fosse conseguir me segurar.

Assim que o treino terminou e todos foram embora, continuei ali mais um pouco com a Lauren.

— Não foi a mesma coisa com a opala no bolso, foi?

— Não. — ela a pescou de novo. — Vou escondê-la em algum lugar. Por ora, acho que não precisamos de ninguém brigando por causa dela, nem arriscar que ela caia nas mãos erradas.

Concordei com um menear de cabeça.

— Você acha que estaremos prontos para o próximo domingo? — fiquei enjoada só de pensar, por mais que soubesse que esse dia estava chegando.

Lauren meteu a opala de volta no bolso e me tomou nos braços. Sempre que ela me segurava, tinha a sensação de estar exatamente onde devia, o que me fazia imaginar por que eu havia negado isso por tanto tempo.

— Acho que estaremos tão prontos quanto jamais conseguiremos estar. — roçou o rosto no meu, fazendo-me estremecer. Fechei os olhos. — E não acho que conseguiremos segurar o Christopher por muito mais tempo.

Assenti e passei os braços em volta do pescoço dela. Era agora ou nunca. Por mais estranho que pudesse parecer, naquele momento senti como se não tivéssemos tido tempo suficiente, ainda que viéssemos treinando há meses. Mas talvez não fosse isso.

Talvez apenas estivesse sentindo que não havíamos tido tempo suficiente juntas.

No sábado, Lesa e eu nos acomodamos no banco de trás do Jetta da Taylor, e nós quatro partimos com as janelas abaixadas, apreciando a temperatura amena. Lauren não irá com a gente pois já tinha um vestido.

Taylor parecia diferente. Não por causa do leve vestidinho rosa de verão que estava usando com um cardigã preto e sandálias de tiras. O cabelo preso num rabo de cavalo frouxo cascateava pelo meio das costas, deixando à mostra um rosto perfeitamente simétrico que ostentava um sorriso fácil não o mesmo com o qual eu estava tão familiarizada e que sentia tanta falta, mas quase. De alguma forma, ela estava mais descontraída, os ombros menos tensos.

Por ora Taylor acompanhava assobiando um rock que tocava no rádio, cortando os carros como um piloto da Nascar.

Hoje era um dia superimportante.

Lesa seguia agarrada ao banco da Ash, o rosto pálido.

— Ahn, Taylor, você sabe que aqui é proibida a ultrapassagem, certo?

Taylor riu pelo espelho retrovisor.

— Eu diria que é uma sugestão, e não uma regra.

— Eu diria que é uma regra — rebateu Lesa.

Ash bufou.

— Taylor acha que as placas de parar também são apenas sugestivas.

Eu ri, imaginando como podia ter esquecido o jeito apavorante de dirigir da Taylor. Normalmente, também estaria agarrada ao banco ou à maçaneta da porta, mas no momento não dava a mínima, desde que ela fizesse com que chegássemos inteiras à loja.

E chegamos.

Tudo bem que por pouco não atropelamos uma família de quatro e batemos num ônibus que conduzia um grupo de religiosos.

A loja ficava no centro, numa antiga casa geminada. Ash franziu o nariz ao saltarmos do carro.

— Sei que não parece grande coisa olhando de fora, mas a loja é razoável. Eles têm vestidos bem legais.

Lesa analisou a velha construção de tijolos, não muito convencida.

— Tem certeza?

Ash passou por ela, lançando um sorrisinho diabólico por cima do ombro.

— No que diz respeito a roupas, jamais vou sugerir algo de mau gosto. — em seguida, franziu o cenho, estendeu o braço e correu as unhas pintadas de verde pela camiseta da Lesa. — Precisamos sair para fazer compras um dia desses.

De queixo caído, Lesa observou-a se virar de novo e seguir para a porta dos fundos, que ostentava uma plaquinha de ABERTO escrito numa caligrafia elegante.

— Vou dar uma porrada nela — comentou minha amiga por entre os dentes. — Esperem só, vou quebrar aquele belo narizinho empinado.

— Eu tentaria me conter se fosse você.

Ela deu uma risadinha presunçosa.

— Eu dou conta da desgraçada.

Ah, mas não dava mesmo.

Não demoramos muito a encontrar os vestidos. Ash escolheu um que mal cobria sua bunda, e eu encontrei um belo modelo vermelho que faria a Lauren babar. Depois de pagarmos, seguimos para o Smoke Hole Diner.

Era superlegal sair para comer com a Lesa, e a presença da Taylor foi como a proverbial cereja no bolo. Já a Ash? Não tinha certeza se poderia dizer o mesmo a respeito dela.

Optei por um hambúrguer enquanto as duas alienígenas pediam praticamente o cardápio inteiro. Lesa escolheu um queijo quente e algo que eu achava absolutamente nojento.

— Não sei por que alguém bebe café gelado. É melhor pedir um café normal e deixá-lo esfriar.

— Não é a mesma coisa — observou Taylor enquanto a garçonete servia nossos refrigerantes. — Não é verdade, Ash?

A Luxen loura nos fitou por baixo das pestanas ridiculamente longas.

— Café gelado é mais sofisticado.

Fiz uma careta.

— Prefiro não ser nada sofisticada e continuar com meu café normal.

— Por que será que isso não me surpreende? — Ash arqueou uma sobrancelha e voltou a atenção novamente para seu celular.

Mostrei-lhe a língua e abafei uma risadinha ao sentir a Lesa me dar uma cotovelada.

— Ainda acho que devia ter comprado as asas transparentes para acompanhar meu vestido.

Taylor sorriu.

— Elas eram bonitinhas.

Concordei com um menear de cabeça, imaginando que Lauren teria adorado.

Lesa afastou os cachos do rosto.

— Vocês têm sorte de terem encontrado um vestido tão em cima da hora.

Lesa e Chad tinham combinado de ir ao baile havia meses, como duas pessoas normais, de modo que ela já comprara o vestido em outra loja da Virgínia. Lesa só tinha ido com a gente pelo passeio.

Enquanto escutava o desenrolar da conversa, com Taylor falando sobre seu próprio vestido, recostei- me no banco, tomada por uma súbita tristeza, que logo deu lugar a lembranças amargamente doces.

Achava que sabia quem era Carissa, mas não sabia. Será que ela conhecia algum Luxen? Ou será que tinha sido capturada e usada pelo Daedalus? Meses haviam se passado sem que encontrássemos nenhuma resposta. A única lembrança que restara dela era um pedaço de opala que eu tinha achado debaixo da cama.

Havia dias em que tudo o que conseguia sentir era raiva. Hoje, porém, resolvi deixá-la se esvair com um profundo suspiro. A morte da Carissa não podia continuar maculando sua memória para sempre.

Ash sorriu.

— Acho que meu vestido vai dar o que falar.

Lesa suspirou.

— Não sei por que você simplesmente não vai nua. Esse vestidinho preto que você escolheu não esconde quase nada.

— Não dá ideia — comentou Taylor com um sorriso enquanto a garçonete servia nossos pratos.

— Nua? — Ash bufou. — Não mostro meus atributos de graça.

— Até parece! — murmurou Lesa por entre os dentes.

Foi a minha vez de lhe dar uma cotovelada.

— Então, você tem companhia pro baile? — perguntou ela, me ignorando e brandindo o queijo quente diante da Taylor. — Ou vai sozinha?

Taylor simulou um dar de ombros, mas com um ombro só.

— Eu não estava pretendendo ir, vocês sabem, por causa do... Adam, mas é meu último ano, de modo que... eu quero ir. — fez uma pausa enquanto empurrava um pedaço de frango de um lado para outro do prato. — Vou com o Andrew.

Quase engasguei com o pão. Lesa soltou um ofego. Nós duas a encaramos.

Ela ergueu as sobrancelhas.

— Que foi?

— Você não está... hum, saindo com ele, está? — as bochechas da Lesa ficaram vermelhas feito um pimentão... as bochechas da Lesa. — Quero dizer, se está, então tudo bem.

Taylor riu.

— Não... Deus do céu, não! Isso seria estranho demais, tanto pra mim quanto pra ele. Somos apenas amigos.

— Andrew é um idiota — falou Lesa, expressando exatamente o que eu estava pensando.

Ash bufou.

— Andrew tem bom gosto. Claro que vocês diriam que ele é um idiota.

— Ele mudou muito. Andrew tem me apoiado e vice-versa. — Taylor estava certa. Andrew tinha realmente baixado um pouco a bola. Todos nós havíamos mudado. — Nós vamos como amigos.

Graças a Deus! Por mais que eu não quisesse julgar, ver a Taylor saindo com o irmão do Adam seria estranho demais. E, então, enquanto mastigava uma batata frita, Ash soltou a bomba de todas as bombas:

— Tenho um encontro.

Eu devia estar com problemas de audição.

— Com quem?

Ela arqueou uma delicada sobrancelha.

— Ninguém que você conheça.

— Ele é... — me contive a tempo. — Ele mora por aqui?

Taylor mordeu o lábio inferior.

— Ele é calouro em Frostburg. Ash o conheceu num shopping em Cumberland algumas semanas atrás.

Isso, porém, não respondia a pergunta que não queria calar. Seria ele humano? Taylor deve ter visto em meus olhos o que eu estava morrendo de curiosidade em saber, pois assentiu com um sorriso.

Quase derramei meu refrigerante.

Santas estradinhas de terra, me levem para casa! Devíamos estar numa dimensão alternativa. Ash ia ao baile com um humano? Um ser tão inferior quanto um humano normal?

Ela revirou os olhos extremamente azuis.

— Não sei por que vocês estão me olhando com essa cara. — meteu outra batata na boca. — Eu jamais iria ao baile sozinha. Por exemplo...

— Ash — interrompeu Taylor, estreitando os olhos.

— No ano passado, fui com a Lauren — continuou ela, fazendo meu estômago se retorcer, o que só piorou com o sorrisinho misterioso que lhe repuxou os lábios. — Foi uma noite inesquecível.

Senti vontade de esbofeteá-la.

Em vez disso, inspirei fundo e forcei um sorriso.

— Engraçado, ela nunca mencionou nada sobre essa noite.

Um brilho de alerta cintilou nos olhos dela.

— Ela não é do tipo que conta vantagem, querida.

Meu sorriso falhou.

— Isso eu sei.

Ela captou a mensagem, e a conversa mudou para outros temas, felizmente. Taylor começou a falar sobre um programa de TV que vinha assistindo, o que desencadeou outra discussão entre a Ash e a Lesa sobre qual dos caras do programa era o mais gato. Aquelas duas eram capazes de discutir até sobre a cor do céu.

Tomei o partido da Lesa.

No trajeto de volta para casa, Lesa se virou para mim.

— Então, você e a Lauren vão reservar um quarto num hotel?

— Ahn, não. As pessoas realmente fazem isso?

Lesa se recostou no banco, rindo.

— Claro. Chad e eu reservamos um no Fort Hill.

Sentada no banco do carona, Ash soltou uma risadinha.

— E você, Ash, vai fazer o quê? — perguntou Lesa com um olhar penetrante. — Ficar no baile até o final e dar uma surra na rainha?

Ash riu, mas não disse nada.

— De qualquer forma — prosseguiu Lesa de maneira arrastada. — Você e a Lauren ainda não transaram, certo? O baile...

— Ei! — guinchou Taylor, dando um susto em nós duas. — Eu estou aqui, lembram? Não quero ouvir nada disso.

— Nem eu — murmurou Ash.

Alheia às duas, Lesa me fitou, esperando. De jeito nenhum eu ia responder aquela pergunta. Se mentisse e dissesse que sim, Taylor ficaria traumatizada pelo resto da vida, e se contasse a verdade, tinha certeza de que a Ash começaria um resumo detalhado de todas as suas experiências sexuais passadas.

Por fim, Lesa deixou a pergunta de lado, e quase lhe agradeci por isso. Com um suspiro, foquei os olhos na janela. Não era como se não estivéssemos prontas. Pelo menos, eu achava que sim. Mas como alguém sabia quando realmente estava pronto? Acho que, no fundo, ninguém sabia com certeza. Sexo não era algo que você pudesse planejar. Ou a coisa acontecia ou não.

Reservar um quarto de hotel com a expectativa de transar? Hotéis eram tão... tão repugnantes!

Parte de mim ponderou se eu vinha vivendo numa caverna ou algo do gênero, mas sabia que não. Na escola, entre uma aula e outra, escutava as garotas conversando sobre o que esperavam ou planejavam que acontecesse depois do baile. Escutava os garotos falarem também. Talvez eu apenas estivesse com a cabeça em outras coisas.

De mais a mais, quem era eu para julgar? Alguns dias antes havia acreditado piamente que a Lauren queria ir para minha casa depois da aula para... transar. Mas, que inferno, do jeito como as coisas estavam indo entre a gente, estaríamos com cinquenta anos antes que alguma coisa acontecesse.

Tentei não pensar mais nisso assim que chegamos em casa e me despedi da Lesa e até mesmo da Ash. Mal podia esperar para ver o tal garoto humano que ela levaria ao baile.

Taylor e eu ficamos sozinhas. Ela tomou o caminho de casa, e eu fiquei parada ali feito uma idiota, sem saber ao certo o que dizer.

Antes de entrar, porém, Taylor parou e se virou. Com as pestanas abaixadas, começou a brincar com as pontas do cabelo.

— Foi divertido. Fico feliz que você tenha ido com a gente.

— Eu também.

Taylor mudou o peso de uma perna para outra.

— Lauren vai amar o vestido e você também irá amar o dela.

— Você acha? — ergui a sacola da loja.

— Ele é vermelho. — sorriu e recuou um passo. — Talvez a gente possa se encontrar antes do baile e nos arrumarmos juntas... que nem no Homecoming. O que você acha?

— Eu adoraria. — abri um sorriso tão radiante que podia apostar ter ficado com cara de louca.

Ela assentiu. Tive vontade de sair correndo e abraçá-la, mas não tinha certeza se já estávamos nesse ponto. Com um ligeiro aceno de despedida, Taylor se virou e subiu os degraus da varanda. Fiquei ali por mais alguns instantes e, com a sacola do vestido ainda em minha mão, soltei um suspiro de felicidade.

Enfim, um progresso. Talvez as coisas jamais voltassem a ser como eram antes, mas isso já estava bom demais.

Entrei em casa com a sacola apertada de encontro ao peito e fechei a porta com o pé. Minha mãe já havia saído para o plantão, de modo que subi para o quarto com o vestido e o pendurei na porta do armário. Imaginei o que poderia preparar para o jantar.

Eu peguei o celular e enviei uma rápida mensagem para a Lauren.

"O q vc tá fazendo?"

Instantes depois, ela me respondeu.

"Indo comprar algo para jantar com o Andrew e o Matthew. Quer alguma coisa?"

Olhei para a sacola, pensando no modelito sedutor que acabara de comprar. Sentindo-me poderosa, enviei outra mensagem.

"Você."

A resposta veio rápida como um raio, o que me fez rir.

"Jura?" e, em seguida: "Já sabia, é claro."

Mas antes que eu pudesse replicar, o telefone tocou. Era ela.

Atendi, sorrindo feito uma retardada.

— Oi.

— Gostaria de estar em casa agora — disse ela. Uma buzina tocou ao fundo. — Posso chegar aí em questão de segundos.

Comecei a descer a escada, mas parei no meio dela e me recostei na parede.

— Não. Você raramente passa um tempo com seus amigos. Fica com eles.

— Não preciso passar um tempo com eles. Preciso passar um tempo com a minha gatinha.

Corei.

— Bem, você pode passar um tempo com a sua gatinha quando chegar em casa.

Ela soltou um grunhido e, em seguida, perguntou:

— Você comprou o vestido?

— Comprei.

— Eu vou gostar?

Sorri e revirei os olhos ao perceber que estava enroscando o cabelo.

— Acho que sim. Ele é vermelho.

— Que delícia! — alguém gritou o nome dela. Tive a impressão de ter sido o Andrew. Lauren suspirou. — Certo, preciso voltar para lá. Quer que eu leve alguma coisa pra você? Andrew, Christopher e eu vamos dar uma passada no Smoke Hole.

Pensei no hambúrguer que tinha acabado de comer. De qualquer forma, eu ia sentir fome mais tarde.

— Eles têm peito de frango grelhado?

— Têm.

— Com molho caseiro? — perguntei, terminando de descer os degraus. A risada dela soou rouca. — O melhor molho da cidade.

— Ótimo. Então é isso o que eu quero.

Ela prometeu me trazer uma generosa porção e, então, desligou. Passei primeiro na sala e deixei o celular sobre a mesinha de centro. Em seguida, peguei um dos livros que tinha recebido na semana anterior para resenhar e segui para a cozinha em busca de algo para beber.

Enquanto andava, abri o livro e comecei a ler a orelha, mas parei quando quase bati de cara na parede. Rindo comigo mesma, acertei o curso e entrei na cozinha.

Will estava sentado à mesa. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...