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História Opala - Capítulo 52


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Capítulo 52 - Capitulo 52


Não me lembro de ter caído, mas me peguei olhando para o teto, tentando manter as mãos pressionadas contra o ferimento, tal como já vira as pessoas fazerem na TV. No entanto, não conseguia senti-las, de modo que não sabia ao certo se elas estavam onde imaginava ou estendidas ao lado do corpo.

Meu rosto estava molhado.

Eu ia morrer em poucos minutos, talvez antes, e havia falhado com a Lauren e com a minha mãe. Com as duas, porque Lauren morreria também e minha mãe... ó céus, ela se depararia com uma cena macabra ao chegar em casa. Mamãe não sobreviveria a isso, não depois do que acontecera com o papai.

Enquanto meu peito se esforçava para respirar, um estremecimento sacudiu meu corpo. Não queria morrer sozinha no chão frio e duro. Na verdade, não queria morrer, ponto. Pisquei e, ao reabrir os olhos, o teto pareceu fora de foco.

Mas não sentia dor alguma. Os livros estavam certos quanto a isso. Chegava um ponto em que a dor era tamanha que você não conseguia processá-la. Ou talvez você simplesmente ultrapassasse a barreira da dor. Provavelmente a segunda opção...

A porta da frente se abriu e uma voz familiar me chamou.

— Camila? Cadê você?

Tem algo errado com a Lauren...

Mexi os lábios, mas não consegui emitir som algum. Tentei de novo.

— Taylor?

Escutei o som de passos se aproximando e, então:

— Ai, meu Deus... Ai, meu Deus.

De repente, Taylor estava em meu campo de visão, o rosto desfocado nos cantos.

— Cami... ah, merda, Camila... aguenta firme. — ela afastou minhas mãos ensanguentadas e posicionou as próprias sobre o ferimento. Ao erguer os olhos, viu Will caído ao lado da geladeira. — Pai do céu...

Consegui proferir uma única palavra.

— Lauren...

Taylor piscou algumas vezes. Sua forma desapareceu por um instante e, então, seu rosto surgiu diante do meu, os olhos brilhando feito diamantes. Não consegui desviar os meus. Seus olhos, suas palavras, pareciam me consumir.

— Andrew está trazendo a Lauren para cá. Ela está bem. Ela vai ficar bem, porque você vai ficar bem. Entendeu?

Tossi em resposta e algo quente e molhado brotou em meus lábios. Não devia ser um bom sinal provavelmente sangue, porque o rosto da Taylor empalideceu ainda mais. Ela apertou as mãos sobre o ferimento e fechou os olhos.

Minhas pálpebras estavam pesadas demais. Senti um súbito calor irradiar da Taylor e se espalhar por mim. Ela desapareceu e ressurgiu em sua forma verdadeira brilhante e pura como um anjo, e pensei que se fosse para morrer, pelo menos a última coisa que eu veria seria algo absurdamente lindo.

Mas precisava aguentar firme; não era apenas a minha vida que estava na balança. A da Lauren também. Assim sendo, forcei meus olhos a permanecerem abertos e foquei-os na Taylor, observando sua luz dançar nas paredes, iluminando todo o aposento. Se ela me curasse, será que nós três ficaríamos conectadas? Não conseguia pensar nisso. Não seria justo com ela.

De repente, escutei outras vozes. Reconheci a do Andrew e a do Christopher. Em seguida, senti um baque ao lado da cabeça e dei-me conta de que ela estava ali, seu lindo rosto pálido e contraído de preocupação. Nunca a vira tão lívida e, se me concentrasse, podia sentir seu coração se esforçando para continuar batendo, assim como o meu. Suas mãos tremiam ao tocarem meu rosto e roçarem meus lábios entreabertos.

— Lauren...

— Shhh — disse ela, sorrindo. — Não fale. Está tudo bem. Vai dar tudo certo.

Ela se virou para a irmã e, de forma gentil, afastou suas mãos ensanguentadas.

— Pode parar agora.

Ela deve ter respondido alguma coisa diretamente para ela, porque Lauren fez que não.

— Não podemos arriscar. Você precisa parar agora.

Alguém, acho que o Andrew, disse:

— Lauren, você está fraca demais para fazer isso. — percebi, então, que era ela sim, ajoelhada da meu outro lado.

Acho que segurava a minha mão. Mas talvez eu estivesse alucinando, porque estava vendo duas Laurens.

Espera um pouco. O segundo era o Christopher. Ele segurava a irmã, impedindo-a de cair. Lauren nunca precisava de ajuda. Minha namorada costumava ser a mais forte era a mais forte. Fui tomada por um súbito pânico.

— Deixa a Taylor fazer isso — pediu Andrew.

Lauren fez que não e, após o que me pareceu uma eternidade, Taylor se afastou e retomou a forma humana. Ela se levantou para sair do caminho, os braços trêmulos.

— Ela é louca — disse ela. — Absolutamente louca.

Quando Lauren assumiu sua forma verdadeira e posicionou as mãos sobre o ferimento, todo o resto desapareceu. Era como se estivéssemos apenas nós duas na cozinha. Eu não queria que ela me curasse, sabia que estava fraca demais, mas podia entender por que ela não desejava que a irmã fizesse isso. Era muito arriscado. Não sabíamos se isso deixaria nós três conectadas.

Um calor se espalhou por meu corpo, e não consegui pensar em mais nada. Escutei sua voz em minha mente, murmurando palavras tranquilizadoras sem parar. Senti-me leve, aérea, completa.

Lauren... fiquei repetindo o nome dela. Não sei bem por que, mas era como se isso me mantivesse conectada à realidade.

Até que fechei os olhos e não os abri mais. O renovado calor estava em cada célula, espalhando-se por minhas veias, impregnando-se nos músculos e ossos. Fui arrebatada por esse calor e pela sensação de segurança, e a última coisa que escutei foi Lauren dizendo:

Pode descansar agora.

Foi o que eu fiz.

Quando abri os olhos novamente, a chama de uma vela crepitava em algum lugar em meio às sombras. Não conseguia mexer os braços e, por um segundo, não soube dizer onde estava, mas assim que respirei fundo, fui envolvida por um perfume de natureza.

— Lauren? — minha voz soou rouca, áspera de pânico.

O colchão eu estava numa cama afundou e da escuridão surgiu a Lauren. Metade do rosto estava imerso em sombras, porém os olhos brilhavam feito diamantes.

— Estou aqui — respondeu ela. — Bem do seu lado.

Engoli em seco, fitando-a fixamente.

— Não consigo mexer os braços.

Escutei uma risadinha baixa e grave e achei terrível que ela estivesse rindo da minha desgraça.

— Aqui, me deixa dar um jeito nisso pra você.

Suas mãos apalparam o espaço à minha volta até encontrarem as pontas do cobertor. Lauren, então, o soltou.

— Pronto.

— Ah! — Movi os dedos e, em seguida, puxei os braços para fora. Um segundo depois, me dei conta de que estava nua... totalmente pelada debaixo do cobertor. Senti o rosto e o pescoço pegando fogo. Será que a gente...? Inferno, o que eu não estava conseguindo lembrar?

Fechei os dedos em volta do cobertor, me contraindo ao sentir a pele do peito repuxar.

— Por que eu estou pelada?

Lauren me fitou em silêncio por um, dois, três segundos.

— Não se lembra?

Levei alguns instantes para que meu cérebro processasse tudo e, quando isso finalmente aconteceu, me sentei e fiz menção de afastar o cobertor. Lauren me impediu.

— Você está bem. Ficou só uma marquinha, uma cicatriz que mal dá pra ver — disse ela, a mão grande envolvendo a minha. — Honestamente, acho que ninguém vai perceber, a menos que esteja olhando bem de perto, e eu ficaria bastante perturbada se alguém olhasse tão de perto assim.

Movi a boca, mas não emiti som algum. À nossa volta, a vela projetava sombras nas paredes.

Estávamos no quarto dela, constatei, porque minha cama não era nem de perto tão grande e confortável.

Will tinha voltado. E atirado em mim acertado uma bala no meio do meu peito, quase me... não consegui terminar o pensamento.

— Taylor e Ash limparam você. — seus olhos perscrutaram meu rosto. — Elas a colocaram na cama. Eu não... ajudei.

Ash tinha me visto pelada? Por mais estúpido que isso pudesse soar, levando em consideração tudo o que havia acontecido, senti vontade de me esconder debaixo das cobertas. Cara, eu precisava colocar minhas prioridades em ordem.

— Tem certeza de que está bem? — ela estendeu a mão para me tocar, mas parou a um centímetro do meu rosto.

Fiz que sim. Eu tinha levado um tiro no meio do peito. Não conseguia parar de pensar nisso. Já chegara perto de morrer antes, quando lutamos contra o Baruck, mas levar um tiro era uma história completamente diferente. Precisaria de um tempo para digerir isso, especialmente porque parecia tão surreal.

— Eu não devia estar aqui sentada falando com você — comentei, atordoada, observando-a através das pestanas semicerradas. — Isso é...

— Eu sei. É muito para digerir. — ela, então, me tocou, roçando as pontas dos dedos por minha bochecha de maneira reverente. Em seguida, soltou um suspiro trêmulo. — Realmente demais.

Fechei os olhos por um momento, apreciando o zumbido baixo e o calor de seu toque.

— Como você soube?

— Senti uma súbita falta de ar — respondeu ela, deixando a mão cair e se aproximando um pouco mais. — Seguida por uma sensação de queimação no peito. Quando meus músculos pararam de funcionar direito, soube que algo havia acontecido. Por sorte, Andrew e Christopher conseguiram me tirar do restaurante sem provocar uma cena. Desculpa, mas acabei esquecendo seu peito de frango grelhado.

Acho que jamais conseguiria comer de novo.

Um sorriso repuxou-lhe os lábios.

— Nunca senti tanto medo em toda a minha vida. Mandei o Christopher ligar pra Taylor e pedir a ela que checasse você. Eu estava... fraca demais para chegar aqui por conta própria.

Lembrei da tremenda palidez de seu rosto e do Christopher a ajudando a se manter ereta.

— Como está se sentindo agora?

— Ótima. — ela inclinou a cabeça ligeiramente de lado. — E você?

— Tô bem. — tudo o que ainda sentia era uma espécie de dor embotada, quase imperceptível. — Você salvou minha vida... nossas vidas.

— Não foi nada.

Meu queixo caiu. Só mesmo a Lauren para achar que isso não era nada. De repente, outra preocupação brotou em minha mente. Virei de lado e estendi a mão para o relógio sobre a mesinha de cabeceira. O mostrador digital dizia que passava um pouco da uma da manhã. Eu havia dormido por mais ou menos umas seis horas.

— Preciso ir — falei, fechando o cobertor em volta do corpo. — Não quero que minha mãe chegue em casa de manhã e veja todo aquele sangue na cozinha...

— Não se preocupe com isso. — Lauren me deteve. — Eles cuidaram do Will e limparam sua casa. Quando sua mãe voltar, não vai perceber nada de diferente.

O alívio foi tão forte que relaxei, mas não durou muito. Estremeci ao pensar em mim mesma parada na cozinha, sorrindo e provocando o Will. Um silêncio recaiu entre nós enquanto eu observava o quarto escuro, revivendo os eventos da noite repetidas vezes. Ficava relembrando a calma e a frieza que sentira quando parte de mim chegara à conclusão de que eu teria que... matar o Will.

E eu o havia matado.

Senti um gosto de fel no fundo da garganta. Já havia matado antes, ainda que fossem Arum. Mas uma vida era uma vida, dissera Lauren. Então, quantos eu havia matado? Três? Pelas contas, Will era o quarto.

Tentei soltar o ar, mas ele ficou preso no bolo que se formara em minha garganta. Pior do que saber que havia tirado algumas vidas era a facilidade com que aceitara isso. Não sentira o menor remorso na hora, e essa não era eu não podia ser.

— Cami — chamou Lauren baixinho. — Gatinha, no que você está pensando?

— Eu o matei. — lágrimas começaram a escorrer por minhas bochechas antes que conseguisse impedi-las. — Eu o matei, sem o menor remorso.

Ela pousou as mãos sobre meus ombros nus.

— Você fez o que tinha que fazer.

— Não. Você não entende. — minha garganta apertou e eu lutei para respirar. — Não senti nenhum remorso. E sei que devia ter sentido. — soltei uma risada rouca. — Ó Pai...

Um lampejo de dor cruzou aqueles olhos cintilantes.

— Cami...

— Qual é o meu problema? Tem que haver algo errado comigo. Eu podia simplesmente tê-lo desarmado e o detido. Não precisava...

— Cami, ele tentou te matar. Atirou em você. Foi legítima defesa.

Lauren soava como se matar o médico fosse algo aceitável. Mas será que era? O homem estava fraco e doente. Em vez de provocá-lo, eu podia tê-lo desarmado e pronto. No entanto, eu o havia matado...

Perdi o controle e desmoronei. Senti-me retorcer por dentro, me fechar em tantos nós que achei que jamais conseguiria voltar ao normal. Tinha passado tanto tempo me convencendo de que seria capaz de fazer o que fosse necessário, de que conseguiria matar com facilidade, que quando chegara o momento eu havia matado mesmo. Lauren, porém, estava certa. Matar não era a parte mais difícil, o problema era o que vinha depois a culpa. Era forte demais. Todos os fantasmas daqueles que haviam morrido pelas minhas próprias mãos e daqueles cuja morte eu tinha sido indiretamente responsável surgiram subitamente, me cercando e me sufocando até que o único som que consegui emitir foi um soluço entrecortado.

Lauren fez um ruído no fundo da garganta e me tomou nos braços, com cobertor e tudo. As lágrimas escorriam sem parar, enquanto ela me ninava, me apertando de encontro ao peito. Não parecia certo ou justo que ela me confortasse. Lauren não fazia ideia da facilidade com que eu acionara o interruptor, com que me tornara outra pessoa. Já não era mais a mesma garota. A Camila que a havia feito mudar e a inspirado a ser alguém melhor.

Eu não era mais ela.

Lutei para me desvencilhar dos braços dela, mas Lauren não me soltou. Odiava o fato de ela não conseguir enxergar o mesmo que eu.

— Sou um monstro. Sou igualzinha a Serena.

— O quê? — a incredulidade deixou sua voz mais grave. — Você não é nada parecida com a Serena, Camila. Como pode dizer uma coisa dessas?

As lágrimas continuavam escorrendo.

— Sou, sim. Serena matou porque estava desesperada. Você acha que o que eu fiz foi diferente? Não foi!

Ela fez que não.

— Não é a mesma coisa.

Inspirei fundo, tentando me acalmar.

— E faria de novo. Juro que faria. Se alguém ameaçasse você ou minha mãe, eu não hesitaria.

Percebi isso depois de tudo o que aconteceu com a Serena e o Adam. Não é assim que as pessoas normais reagem... isso não é certo.

— Não tem nada de errado em proteger aqueles que você ama — argumentou ela. — Você acha que eu gostei de ter matado todos os que matei? Não. Mas mesmo que pudesse voltar no tempo não mudaria nada.

Sequei as bochechas, os ombros tremendo.

— É diferente, Lauren.

— Diferente como? — ela envolveu meu rosto, me forçando a encará-la através das pestanas molhadas. — Lembra quando matei aqueles dois oficiais do DOD naquele armazém? Odiei ter feito isso, mas não tive escolha. Se eles contassem a seus superiores que tinham nos vistos, estaria tudo acabado, e eu jamais permitiria que você fosse capturada.

Enquanto os dedos percorriam o caminho deixado pelas lágrimas, Lauren abaixou ligeiramente a cabeça, capturando meu olhar quando tentei desviar os olhos.

— Odeio ter sido obrigada a fazer isso... odeio tirar uma vida, Arum ou humana. Mas, às vezes, não temos escolha. Você não tem que aprender a aceitar. A achar que isso é certo, mas chega uma hora que acaba entendendo.

Agarrei-lhe os pulsos.

— Mas e se... e se eu achar que é certo?

— Sei que você não acha. — a crença na declaração, em mim, era evidente em sua voz. Eu não conseguia entender aquela fé cega. — Sei que não.

— Como pode ter tanta certeza? — murmurei.

Lauren abriu um ligeiro sorriso, não um daqueles de tirar o fôlego, mas que mesmo assim calou fundo em mim, insinuando-se em meu coração. — Você é uma pessoa boa. É calor e luz, tudo o que eu não mereço. Mas, de alguma forma, você acredita que sim. Mesmo sabendo de tudo o que eu fiz no passado, tanto com outros quanto com você mesma, você ainda acredita que eu te mereço.

— Eu...

— E isso é porque você é boa... sempre foi e sempre será. — suas mãos desceram pela minha garganta, acompanhando a curva dos ombros. — Nada do que você possa dizer ou fazer irá mudar isso. Então, chore o quanto tiver que chorar. Sofra se for preciso, mas nunca, jamais se culpe por coisas que estão fora do seu controle.

Não sabia o que dizer.

O sorriso assumiu aquele ar presunçoso que ao mesmo tempo me enfurecia e excitava.

— Agora, tire essa merda da cabeça, porque você é muito melhor do que isso; você é mais do que isso.

Aquelas palavras, bem, elas talvez não tivessem lavado a minha alma, por assim dizer, nem mudado aquela parte em mim que não se sentia tão perfeita quanto ela dizia, mas elas me envolveram como um cobertor macio e aconchegante. E isso era o suficiente no momento... entender o que eu havia feito era importante, era o bastante. Não tinha palavras para dizer o quanto apreciava o que ela tinha feito e dito.

Um obrigada definitivamente não seria o suficiente. Ainda tremendo, crispei as mãos e, me apoiando nelas, pressionei os lábios contra os dela. Os dedos da Lauren apertaram meus ombros e seu peito começou a subir e descer rapidamente. Senti o gosto salgado de minhas próprias lágrimas em seus lábios e, quando ela aprofundou o beijo, saboreei também meu próprio medo.

Só que havia mais.

Havia o nosso amor nossa esperança de que sairíamos dessa com a possibilidade de um futuro.

Havia também nossa aceitação mútua de tudo o que era bom, ruim e feio. E um desejo acumulado há tempos. A emoção era tanta que foi como um soco em minha alma. Na dela também, eu sabia, pois podia sentir seu coração acelerando. O meu batia no mesmo compasso, como que feito especialmente para ela.

Tudo isso estava presente num único beijo, ao mesmo tempo demais e não o bastante, simplesmente perfeito.

Recuei e inspirei fundo. Nossos olhos estavam pregados um no outro. Uma forte emoção faiscava naquelas cintilantes írises verdes. Ela envolveu meu rosto carinhosamente com uma das mãos e disse algo em sua adorável língua alienígena. Três líricas palavrinhas um lindo e breve verso.

— O que foi que você disse? — perguntei, afrouxando os dedos que seguravam o cobertor.

Lauren abriu um sorrisinho misterioso e me beijou de novo. Fechei os olhos e soltei o cobertor, deixando-o escorregar para os quadris. Por um momento, ela parou de respirar.

Em seguida, Lauren me forçou a deitar novamente, e eu passei os braços em volta do seu pescoço.

Nós nos beijamos pelo que me pareceu uma eternidade e, ao mesmo tempo, não o suficiente. Podia beijá-la indefinidamente, sem jamais parar, porque, naquele momento, criamos um mundo onde não havia nada além de nós duas Perdidas uma na outra, o tempo pareceu acelerar e se arrastar concomitantemente.

Continuamos nos beijando até ficarmos ofegantes, pausando apenas para dar início a uma exploração mútua. Estávamos ambas quentes e excitadas, esfregando nossos corpos um no outro. Quando arqueei o meu sob o dela e soltei um gemido, Lauren congelou.

Ela ergueu a cabeça, mas não disse nada. Apenas me fitou com um olhar tão penetrante que cada pedacinho do meu corpo pareceu se retesar ainda mais. Meu peito apertou. Estendi o braço e, com a mão trêmula, acariciei seu rosto.

Ele abaixou novamente a cabeça e sua voz soou áspera contra minha bochecha.

— Se quiser que eu pare, é só pedir.

De jeito nenhum. Agora não. Não depois de tudo o que acontecera. Não havia motivo para continuar negando o que eu queria. Em vez de responder, a beijei, e ela entendeu.

Lauren se ajeitou sobre mim, o corpo apenas roçando o meu. A descarga de eletricidade entre nós foi imediata. Fui tomada por uma sensação de selvageria.

Levantei as mãos e as enterrei em seus cabelos, puxando-a mais para perto. Ela tremeu quando corri os lábios sobre os dela, e os olhos penetrantes se fecharam ao sentir meu polegar traçar a linha de seu lábio inferior. Minhas mãos pareciam ter vida própria, deslizando sobre seu pescoço e costas, explorando sua barriga definida para, em seguida, subirem em direção aos seus seios. Ela inspirou fundo.

Seu corpo começou a brilhar, irradiando calor e banhando o quarto numa luz suave. Lauren, então, abriu os olhos e se sentou, me puxando para o colo. Eles já não eram mais verdes, e sim órbitas de pura luz. Meu coração pulou uma batida. Um fogo ardente se acendeu em minhas entranhas, espalhando-se por mim como um rio de lava.

As mãos dela tremiam em meus quadris. A súbita manifestação incontrolada de poder me envolveu por completo. Era como tocar uma chama ou receber uma descarga elétrica de mil volts. Absurdamente estimulante.

Eu jamais me sentira tão excitada, tão pronta. Quando seus lábios encontraram os meus novamente, milhares de emoções eclodiram ao mesmo tempo. Lauren tinha um gosto delicioso, viciante.

Pressionei o corpo contra o dela, aprofundando o beijo até sentir como se estivesse mergulhando numa piscina de emoções à flor da pele. Qualquer ponto que ela tocasse me deixava arrepiada. Sua boca abandonou a minha para traçar um caminho ardente até a base da garganta. Enquanto isso, a luz que irradiava dela pulsava à nossa volta como milhares de estrelas piscando ao longo das paredes.

Nossas mãos não paravam de explorar. Lauren roçou os dedos pelo meu estômago e começou a subir pelo meio das costelas. Havia algo preguiçosamente sensual naquele roçar. Como se cada toque fosse estudado e preciso. Nossas explorações foram se tornando gradativamente mais ousadas, até que ficou difícil respirar. Essa sem dúvida não era a primeira vez dela, mas Lauren parecia não ter pressa, e tremia tanto quanto eu.

Seus jeans foram parar em algum lugar do chão e, enfim, nos colamos, pele com pele. Nossas mãos continuavam explorando, mergulhando cada vez mais baixo. Lauren se recusou a acelerar o ritmo, mesmo quando tentei forçá-la. Em vez disso, diminuiu ainda mais, fazendo com que cada toque parecesse levar uma eternidade... até que ficou impossível aguentar a espera. Lembrei o que a Taylor tinha dito sobre sua primeira vez. Não houve nenhum constrangimento entre nós. A maior parte já era esperada. Lauren usou camisinha e eu senti um pequeno... desconforto a princípio. Certo, doeu, mas ela rapidamente me fez... esquecer a dor. E, então, começamos a nos mover uma contra a outra.

Aquele encontro de corpos com ela foi como uma manifestação da Fonte, só que mais poderosa. A sensação de estar numa montanha-russa ainda estava lá, porém mais profunda, de alguma forma diferente, e ela estava comigo. Um encontro lindo, perfeito.

Depois do que me pareceram horas e, honestamente, talvez tivessem sido, Lauren me beijou de maneira suave e carinhosa.

— Você está bem?

Meus ossos pareciam geleia, mas de um jeito gostoso.

— Perfeita. — e, então, bocejei na cara dela. Que romântico!

Lauren caiu na gargalhada. Enfiei a cara no travesseiro, tentando me esconder. Ela, porém, não deixou. Como se eu esperasse qualquer outra coisa. Rolou de lado e me puxou de encontro a si, virando minha cabeça para encará-la.

Seus olhos perscrutaram os meus.

— Obrigada.

— Pelo quê? — adorava a sensação dos braços dela me envolvendo, o modo como nossos corpos se encaixavam, maciez contra maciez.

Ela roçou os dedos pelo meu braço, maravilhando-me com a facilidade com que me fazia estremecer.

— Por tudo — respondeu ela.

Meu peito inflou em profundo êxtase. Estávamos ali deitadas nos braços uma da outra, com a respiração ofegante e os corpos entrelaçados e, ainda assim, não conseguíamos nos sentir saciados. Continuamos nos beijando. Conversando. Vivendo.



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