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História Operação: BLACKJACK 21 - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Capítulo 15


Fanfic / Fanfiction Operação: BLACKJACK 21 - Capítulo 15 - Capítulo 15

Ele levantou sua arma, mas não fora rápido o suficiente. Antes que pudesse atirar, um vaso pequeno porém relativamente pesado de barro voou pela porta da sala, atingindo o vice diretor diretamente na cabeça. O homem voltou a cair, desmaiado, e Renjun correu até seu corpo certificando-se de pisar nele e murmurar um "Opa" como se não tivesse feito isso de propósito.

- Poxa, Renjun! Essa era a minha melhor planta de cosmos! - Mark reclamou, batendo o pé contra o chão.

- Os perdedores sempre buscam um meio de vingança, disso eu sei melhor do que ninguém - disse e olhou para Donghyuck, que ainda estava com a arma na mão e os olhos cheios de desconfiança - Tudo está em ordem e entregue, Mark, temos que sair. Ele está usando fone de intercomunicação no ouvido. Esta casa estará cheia de agentes em menos de uma foda de coelho.

Mark não se moveu de onde estava e também foi incapaz de deixar de encarar Donghyuck. Eram um livro aberto, e Donghyuck sabia que eram os olhos de um assassino como também sabia que eram os olhos de alguém que ele amava. 

- Eu não vou - disse com firmeza, e o rosto de Renjun se encheu de desespero, como se esse fosse um tópico que já havia sido discutido muitas vezes antes.

- Não. Não faça isso, Mark - implorou. - Vamos, por favor, agora que ainda há tempo...

- Não vai servir de nada - respondeu - Donghyuck é o melhor agente da Coréia. Embora no começo demorasse um pouco, ele acabaria me encontrando. Ou talvez eu não poderia evitar deixá-lo me encontrar. Fuja você.

- Vou entrar - a voz de Jeno sussurrou de repente no fone de ouvido, e Donghyuck inconscientemente levantou uma mão protetora em direção a Mark. Se virou para ficar entre ele e a porta, e não sabia se queria deixá-lo fugir ou segurá-lo e convencê-lo a se render sem resistência porque, de forma egoísta, não suportava o pensamento de nunca mais o ver.

Mas Mark acariciou seu braço, tranquilizadoramente; e Renjun suspirou, derrotado.

- E por acaso alguma vez eu já te deixei sozinho? Essa não é a única decisão idiota que você já tomou durante todo esse tempo, e eu segui em todas as anteriores de qualquer forma. Mas você vai me pagar. Vai me dar metade de todas as suas penas de prisão - disse, levantando os braços atrás da cabeça quando Jeno entrou pela porta e apontou a arma para eles. - Não, espera, nada de metade. Três quartos.

Jeno viu o vice diretor, inconsciente, e o vizinho de seu líder junto ao seu amigo se rendendo com os braços levantados. Ele desviou o rosto confuso da mira para olhar Donghyuck, que ainda estava na frente de Mark enquanto sua mente tentava encontrar uma solução a toda velocidade.

- Por que...eles estão se entregando? - Jeno lhe perguntou. Ele deve saber as merdas envolvidas com o vice diretor, mas não todo o resto.

Mark levantou a mão um pouco mais como se pedisse para falar, e apontou um dedo para si e para Renjun.

- Nós somos o Blackjack.

- Não, não, com licença, mas isso é inexato - Renjun o corrigiu e apontou para Mark. - Ele é o Blackjack. Eu sou apenas o apoio informático. Seu secretário.

- Quem dá o orçamento por matar é igualmente culpado, idiota - disse Mark.

- Bem, isso seria se você realmente aceitasse o dinheiro uma única vez, não pense que não sei que devolve tudo aos clientes! - Renjun respondeu, nunca iria conseguir superar esse fato. - Não tem como manter um negócio dessa maneira. Se dependesse de você ainda estaria com dívida até as sobrancelhas.

Jeno não abaixou completamente a arma, mas estava intrigado. Olhou para Donghyuck como se ele tivesse todas as respostas. Claramente era ele quem deveria saber o que fazer, mas para sua surpresa nem ele mesmo sabia. Mark, no entanto, abaixou os braços para estendê-los diante dele e olhou para Donghyuck em busca de confiança.

- Não há nada errado, hyuck - disse e acenou com a cabeça em direção aos seus pulsos. Percebeu então o que ele insinuava.

- Não...não será necessário...

- Eu insisto - e aquele sorriso apareceu novamente em seu rosto. 

- Jeno...tire as algemas e coloque-as no vice... nele. Temos que avisar a unidade médica, o Yuta, que tragam uma maca. Ele está inconsciente há algum tempo e tem um bom ferimento na cabeça.

Donghyuck engoliu em seco e se convenceu de que esse era seu dever e deveria cumpri-lo como sempre fazia, até que chegou Mark.

- Desculpe - disse Renjun - Eu não consegui controlar minha força com o vaso de flor.

- Entendido. Eles estão a caminho. Venha imediatamente para a sede - disse a voz de Jaemin em seu ouvido, e Donghyuck que por um segundo havia esquecido que estava usando o intercomunicador, deu um pequeno sobressalto. Sentiu como se tivesse todas as terminações dormentes, como se com um simples golpe alguém pudesse derrubá-lo.

Jeno fez questão de algemar o vice diretor para que ele não pudesse fugir se recuperasse a consciência, e estava hesitante em ver Renjun e Mark com as mãos para cima. Donghyuck respirou fundo, pegou um par de algemas e parou em sua frente. Se forçou a olhá-lo nos olhos e queria desesperadamente dizer que tentaria fazer o que fosse necessário para tudo correr bem, mas não conseguiu.

- Tenho certeza que você estava querendo isso né seu porco fetichista - Renjun murmurou, enquanto Jeno colocava as algemas nele.

- Não posso dizer que realmente não pensei nisso - Mark respondeu, dando de ombros.

- Meu deus, isso é sério? - disse Jeno ainda perplexo com toda aquela situação.

Mark sorriu, novamente o sorriso felino que Donghyuck adorava tanto contornou seus lábios. Sentiria uma vontade irreprimível de chorar se tivesse espaço para sentir algo agora.

Enquanto caminhava até a van e observava como o vice diretor Cho era posto dentro dela, algemado e amarrado à maca, notou que suas ações estavam todas sendo cordenadas no piloto automático. Seu cérebro não conseguia processar tudo o que acabara de acontecer. 

Se encontrava sentado no banco do passageiro no momento em que suas pernas falharam, mas viu pelo espelho retrovisor que Mark o encarava do banco de trás sorrindo da mesma maneira. Não conseguia reprimir a vontade de desviar o olhar, era hora de cair na realidade. Mark estava algemado pronto para ser levado até a sede acusado de assassinato depois de confessar ser o Blackjack, e por mais que quisesse prometer, não via como isso tudo poderia terminar bem.

Chegaram à Agência e entraram diretamente no estacionamento para evitar mais agitações do que o necessário. Yuta e dois oficiais da unidade médica imediatamente carregaram o Sr. Cho (Donghyuck ainda tinha problemas em não pensar nele como "vice diretor"), ainda inconsciente e algemado à maca, entrando com ele pelo elevador para levá-lo a seu departamento até que ele acordasse e pudessem interrogá-lo. Yukhei correu pelas portas do elevador assim que elas se abriram e observou consternado quando a maca foi removida do carro.

- O que está ocorrendo? - perguntou - Quando voltamos aqui para procurá-lo, Jaemin enviou Jisung para um lugar e Jeno para outro e não quis me dizer nada. 

Donghyuck começou a pensar em como contar, mas Jisung, que acabara de sair do elevador ao lado, se adiantou.

- O vice diretor Cho encarregou o Donghyuck de encontrar um assassino que queria foder com o diretor. No final aquele assassino mora na casa ao lado e ele acabou se apaixonando pelo cara. E o assassino que queria foder de fato com o diretor era na verdade o vice diretor.

Yukhei o encarou com os olhos arregalados e depois olhou duvidosamente para Donghyuck.

- Por acaso você andou perto do laboratório de drogas apreendidas novamente? - perguntou, e uma risada fraca escapou de Jeno. Todos eles se sentiam tão chocados com tantas coisas que sequer sabiam como lidar com esse turbilhão de emoções.

- O problema é que não é um resumo ruim - respondeu Donghyuck.

- O vice diretor é um assassino? E você está apaixonado por ele? - perguntou de novo, atordoado.

- Te explico mais tarde - disse Jisung, puxando o braço de Yukhei para afastá-lo. Os policiais empurraram a maca para dentro do elevador, e Donghyuck viu Jeno parado visivelmente desconfortável junto às portas abertas da van, esperando para prender os outros dois. - Donghyuck você tem algo para se encarregar agora.

Ele respirou fundo e se aproximou até a porta.

- Venha comigo, por favor - Mark abaixou a cabeça para esconder um sorriso enquanto Renjun não escondia uma risada contida.

- Hyuck, não olhe para nós como se estivesse nos dando uma última chance de fugir - murmurou enquanto ele o ajudava a descer da traseira da van, segurando-o pelo braço como faria com qualquer outro detento que levasse para interrogar. - Renjun vai acabar tirando vantagem disso.

- Renjun? Huang Renjun? - uma voz confusa soou pelo ambiente atrás deles quando estavam prestes a entrar no elevador. Era Yukhei, quem olhava para o garoto de cabelos quase platinado ​​com total espanto. - Meu deus, é você! - exclamou e correu até eles com Jisung atrás, levantando a mão para Renjun bater nela. - Como tem sido sua vida?

- Bem, aqui estamos nós - disse sarcasticamente. - Desculpe por não ter batido na sua mão, mas estou um pouco algemado -acrescentou, e se virou um pouco para Yukhei poder ver seus pulsos.

- Que? - disse totalmente estupefato. - Mas o que você fez?

- Não posso dizer nada, exceto na presença do meu advogado! - virou-se para Jeno. - Ou quando o Serviço Secreto te interroga, não funciona assim?

- Uh - Jeno respondeu, olhando para Donghyuck - Você poderia ligar para ele se...

- Eles não são acusados ​​de nada por enquanto - interrompeu Jaemin, que os esperava na porta do elevador quando chegaram ao andar da unidade médica. - Portanto não há necessidade de defendê-los contra nada.

Olhou para Donghyuck atentamente, e por um segundo se sentiu como naquele tempo no ginásio da sede, quando levantou um peso por tantas vezes que seus braços acabaram exaustos e foi incapaz de tirá-lo de cima até que Jeno e Jisung o ajudassem. Mas apesar do alívio, não sabia por que eles não seriam acusados ​​de nada. Não entendeu o que esse movimento por parte de Jaemin significava.

- Devemos manter as algemas? - perguntou, tentando fazer sua voz parecer firme e autoritária. Estava na sede. Trabalhando. Mas olhando Mark com as algemas, mesmo que ele não parecesse desconfortável, sentia como se fosse sua própria pele sendo arranhada por aquele metal.

- Eu só quero ter uma conversa com ambos, então acredito que podemos sim retirar. A menos que você julgue necessário. Mas imagino que eles saberão como se comportar.

- Se for para ficar com você e quiser que eu mantenha minhas algemas, eu deixo - disse Renjun, olhando para Jaemin com um sorriso que pretendia ser sedutor. A rosto de Jaemin continuou neutro e indiferente, mas Jeno claramente não conseguiu controlar sua expressão de nojo.

- Mudei de idéia. Ele será interrogado com a Dra. Sojin. Agente 88, leve-o até o quarto 3. - ordenou - Blac...Mark Lee? - acrescentou, e os dedos de Donghyuck se apertaram em seu braço. - Venha comigo. Agente 01, tire as algemas.

Donghyuck obedeceu, e Mark deu um pequeno sorriso antes de seguir Jaemin pelo corredor em direção à porta que dava para a primeira sala. Após um momento de hesitação, Yukhei correu atrás de Jeno e Renjun, enquanto Jisung entrou atrás de Donghyuck na sala ao lado onde Mark havia sido levado para observar o interrogatório por trás do vidro. Mark esperou Jaemin entrar com as duas mãos na mesa, como se quisesse demonstrar que não tinha intenção de fazer nada de estranho apesar de ter recebido o voto de confiança para remover as algemas.

- Você está bem, hyung? - Jisung perguntou, enquanto ele observava Mark.

- Eu não sei - admitiu. - Sequer entendi o que aconteceu.

- Depois de falar com Jaemin, o diretor Lee deu a ordem de prender o segundo líder do partido conservador e o vice diretor Cho. O Serviço recebeu uma informação esta tarde que confirmou as suspeitas que Jaemin já tinha depois de falar com você - explicou.

- Jaemin tinha suspeitas?

- Sabia que estava agindo de forma incomum. Ele não sabia o porquê, mas depois da informação que recebeu viu tudo claramente. Cho e esse político se uniram para realizar o plano de assassinar o presidente e o diretor. Uma vez que o senhor Cho fosse colocado como diretor do SNI, ele manipularia a opinião popular a seu favor, que emergiria como um novo candidato conservador em vez do atual presidente nas próximas eleições, a fim de promover sua campanha. - Tudo coincidia com o que Donghyuck ouvira da própria boca do vice diretor. Jeno o viu se encontrar com esse mesmo homem...e não era para proteger o diretor e o presidente como assumira, mas sim para planejar a morte de ambos. Sentiu vontade de vomitar. - O tempo estava sobre eles. Então começaram a ficar nervosos.

- Você sabe de onde veio essa informação? - perguntou, embora tivesse certeza de que sabia a resposta.

Jisung olhou para Mark, que encarava o teto da sala como se estivesse inconscientemente procurando os cantos com câmera.

- Bem, ainda não foi confirmado, mas...você não consegue adivinhar, hyung?

Minutos depois, Yukhei entrou na sala.

- O interrogatório de Renjun já acabou - Yukhei os informou - Felizmente a Sojin tem a paciência de uma santa. Jaemin teria costurado sua boca.

- Como você conhece o Renjun? - Jisung perguntou. - É a única coisa que ainda não entendi.

- Ah - exclamou, como se nunca lhe tivesse ocorrido explicar isso até agora. - Não é de se admirar que você tenha sido descoberto tão rápido, Donghyuck. Aquele colega de faculdade que desenvolveu comigo o mesmo software que nos ajudou a encontrá-los...é o Renjun.

- Ele ainda manteve o programa? - Donghyuck queria saber.

- Ele não só o manteve, como também o atualizou. Agora está muito mais poderoso! Ele desenvolveu outras ferramentas que são impressionantes...é um cientista da computação de primeira classe, na verdade não esperava menos.

Donghyuck não entendia como Yukhei parecia simplesmente empolgado por se reencontrar com ele, não confuso, nem traído.

- Ele é um mercenário - murmurou. 

"Assim como Mark"

- É. Eu já sei disso - respondeu, e os cantos de seus lábios se curvaram um pouco. - Ele sempre me disse que pretendia ser "autônomo", mas nunca pensei que fosse...dessa maneira. Eu não conheço seu vizinho, mas Renjun sempre foi tão bom...ele ama animais, era voluntário em dois orfanatos quando estudavamos e...apesar do que eu sei agora, não consigo pensar nele de outra forma que não seja o mesmo garoto de anos atrás.

- Pessoas boas podem fazer coisas ruins - disse Jisung. - Mas não sei se diria que as coisas que esses dois fizeram são 'ruins'.

Donghyuck engoliu em seco. Jaemin havia entrado na sala e estava sentado em frente a Mark, que o olhava com calma, preparado para responder suas perguntas.

- Você pode confirmar qual dessas mortes foram de sua autoria? - Mark se endireitou para ver melhor as fichas que Jaemin lhe mostrava.

- Não. Não. Esse muito menos. Esse aqui sim - indicou - Não, não. Ah esse também.

Jaemin tomava nota de tudo.

- Vejo que apesar de ter cometido execuções, isso não é o usual. Qual era seu verdadeiro objetivo?

- Cumprir as ordens que eu recebia. É..era o meu trabalho.

Jaemin estreitou os olhos.

- Você cumpria com todas e cada uma das ordens? 

- Rejeitei o triplo de ordens do que já executei. Embora seja mais preciso dizer que nós os... reciclamos. Você ficaria surpreso ao saber quantas pessoas querem ver outras mortas pelas razões mais egoístas.

- Não. A verdade é que isso não me surpreenderia.

Mark sorriu brevemente.

- Todos estão dispostos a oferecer dinheiro para acabar com a vida de uma pessoa, mas oferecem muito mais para que ninguém descubra esse egoísmo deles. A melhor arma existente é saber o que eles não querem que os outros saibam.

- Como você acabou adotando a identidade de Blackjack?

- Eu me destaquei no treinamento básico do serviço militar e eles me treinaram para operações especiais, e quando saí do serviço...tive que presenciar meu pai sendo assassinado. Não só ninguém deu importância, como também encheram seus bolsos a custo de ignorar sua morte. - Mark engoliu em seco. - Me foi apresentado uma oportunidade de fazer algo sobre isso. E eu aceitei.

- Como surgiu a oportunidade?

- Renjun, quem conheço a vida toda, sugeriu que eu colaborasse com ele para ser um "garoto dos recados" pago. Um mercenário, para obter informações, proteger alguns, incutir medo em outros. Eu precisava de dinheiro para pagar a dívida da minha família no hospital, e se eu também pudesse impedir que outros passassem pela mesma situação...Talvez tenha sido estupidez da minha parte. Mas há muitas pessoas que ainda estão vivas graças a mim.

- Há também muitas pessoas que agora estão mortas por sua culpa - disse Jaemin com sua voz neutra.

- Eu não gosto de matar pessoas. Não é algo que eu particularmente desfrute. - seu cenho se franziu. - Mas eu também não gosto de bandidos, e os bandidos não gostam de mim. Às vezes, a única opção que me resta para não terminar a noite em um saco plástico é me defender. E isso não significa que eu consiga dormir em paz à noite, mas se vier á tona a oportunidade de impedir que alguns inocentes acabem no necrotério com a cabeça aberta ou um tiro nas costas, tampouco faz com que eu me arrependa.

- Não é com isso que estamos lidando agora - Jaemin interrompeu, encarando-o fixamente. Donghyuck sabia que ele estava procurando por mentiras, uma rachadura na fachada de Mark. - Esta noite, por volta das onze e meia, recebemos esses documentos - pegou um maço de páginas impressas. - Como você os conseguiu?

- Cho Junghoon foi quem entrou em contato com Blackjack para ordenar o assassinato do presidente e do diretor do SNI, de modo que um se assemelhasse a um ato terrorista e o outro a um acidente, para minimizar suspeitas. Magnicídio não faz meu estilo - comentou batendo com as unhas na mesa. - E homens pretensiosos com ambições assassinas são o oposto completo do meu.

- Você sabe como ele te encontrou?

- Seu amiguinho na Presidência passaria o contato para você. Não somos totalmente desconhecidos pelo governo.

- O governo...já contratou seus serviços alguma vez? - perguntou, franzindo as sobrancelhas.

- Eles pagam bem - respondeu com um encolher de ombros. - E esses homens pareciam pensar que eu concordaria em fazer qualquer coisa por dinheiro. Má ideia.

- Então você fez com ele o mesmo que com os outros pedidos que não aceita..."reciclar", certo? Torná-los contra quem os contrata? 

- Em alguns dias descriptografamos toda a sua lista de e-mails, controlamos suas chamadas e movimentos e descobrimos o que ele estava planejando. Nós o avisamos que estávamos o observando e pedimos uma certa quantia em dinheiro por transferência bancária, ou o denunciaríamos. Pagou, e suponho que dessa forma ele pensou que pararíamos de observa-lo. - Mark sorriu, deslizando os dedos pelas folhas de informação impressa que provavam os planos do vice diretor. - Espero que tenha ajudado a chegar a tempo de evitar uma catástrofe.

- Já íamos chegar nessa parte. - disse, e Donghyuck não sabia se estava imaginando a ligeira curva de interesse no canto de seus lábios. - Como fizeram isso?

- Renjun, apesar da boca suja que ele tem, é literalmente um gênio em seu trabalho. Além disso, ele foi bobo o bastante para achar que redirecionar seu IP era suficientemente seguro para enviar os e-mails de casa. É incrível o pouco cuidado apresentado com a segurança informática. - olhou para o vidro por um segundo, como se soubesse que Donghyuck estava ali, olhando para ele. - Não lhes cairia mal um Renjun por aqui.

- Eu sempre digo a vocês - Yukhei falou resignado, ao lado de Donghyuck. - Me consulte antes de entrar em contato com um possível assassino...

Jaemin sustentou o olhar de Mark, com aqueles olhos nos quais não precisavam de um polígrafo, e Mark o aguentou como se fosse nada.

- Vou pedir que ele deixe seu currículo - agora Donghyuck tinha certeza de que não era sua imaginação. Jaemin estava sorrindo com uma expressão divertida. Mas seu rosto rapidamente se endureceu novamente e falou muito mais seriamente. - Quando você ficou sabendo que seu vizinho Lee Donghyuck era um agente?

- Renjun rastreou o e-mail que ele usava para entrar em contato conosco. Suspeitava que ele poderia ser um enviado do Cho Junghoon para me encontrar, por isso pediu que eu fugisse dali.

- Mas você não o fez.

- Mas eu não fiz - repetiu.

- Por que?

- Uma decisão instintiva - olhou para o vidro. - Eu disse a Renjun que queria o investigar, talvez pudéssemos tirar algo dele também. Acho que, no final das contas, o que aconteceu foi que eu não queria me separar dele.

Donghyuck se encolheu ouvindo essas mesmas palavras novamente. Yukhei colocou a mão em seu ombro, sussurrando que não precisava ouvir nada disso, mas voltou a se endireitar. Sequer conseguia olhar para o outro lado.

- Quanto ao quê - Jaemin murmurou. - Você sabia onde essa decisão terminaria, certo?

- Eu sabia que isso o ajudaria a me denunciar ou que o traidor da Agência me encontrasse, mas assumi o risco para passar mais um dia com ele - respondeu - Eu sei me defender. Mas não esperava que Cho Junghoon fosse tão idiota mesmo sendo o vice diretor de um serviço como este. Ele sequer imaginava que eu era o Blackjack, só fiquei indignado que o Donghyuck estivesse me beijando em vez de realizar sua operação falsa.

Jaemin se inclinou e apoiou os cotovelos na mesa.

- Você usou sua privacidade com o Agente 01 para extrair dele informações classificadas?

Mark franziu o cenho novamente. 

- Não insulte o Donghyuck. Ele passou um mês em estado de colapso nervoso com o simples pensamento de falar comigo quando havia a possibilidade de eu ser um assassino. Talvez tenha decidido me dar um voto de confiança contra seu dever, mas você sabe tão bem quanto eu que seu melhor agente não revelaria informações classificadas a ninguém.

- Eu vou ser totalmente honesto com você - disse abandonando a linguagem formal. - Todos nós aqui nos preocupamos com o Agente 01 como um recurso da Agência, mas me preocupo acima de tudo como pessoa. Se você brincou com ele eu pessoalmente irei lhe fazer se arrepender de não ter fugido do país quando teve a oportunidade durante todos os dias de sua vida.

Donghyuck sentiu seu rosto inteiro queimar de vergonha e constrangimento, e Yukhei passou as mãos pelos braços como sentisse calafrios. Jisung apenas soltou uma risada.

- Não esperava menos de Jaemin - murmurou para si mesmo.

- Pode ficar calmo - Mark respondeu tranquilamente. - Donghyuck também é importante para mim como pessoa desde o início. Estou interessado em...outras coisas sobre ele, não suas informações classificadas.

- Muito bem - disse retomando o discurso formal. - Você pretende continuar suas atividades como Blackjack?

Mark arqueou uma sobrancelha, confuso.

- Acho que agora que me entreguei, não tenho muitas opções, certo?

- Você quer continuar vendo o agente 01?

Mark apertou os lábios. Olhou de relance em direção ao vidro, hesitando antes de responder.

- Eu desejo continuar o vendo mais do que desejo minha liberdade. Por isso estou aqui - respondeu, com tom desconfiado. - Sabia que algo parecido com o que eu fazia não poderia durar para sempre. Não posso forçá-lo a querer me ver, é claro, mas não consigo pensar em um motivo melhor para deixá-lo.

Jaemin manteve o olhar por um longo tempo. Mark, destemido, não parou de devolvê-lo. Quase conseguia sentir a tensão no ar durante aqueles segundos que mais pareceram horas, e no final, o que Jaemin viu deve tê-lo satisfeito, porque sua expressão mudou de repente.

- Talvez você tenha opções que não estavam em seus planos, se o agente 01 quiser vê-lo novamente - disse e se levantou. - Por enquanto, Mark Lee, espere aqui - instruiu e saiu pela porta que ligava as duas divisões, onde Donghyuck observava.

Donghyuck se tensionou, esperando Jaemin dizer algo para explicar a última frase, mas ele se limitou em continuar olhando Mark através do vidro.

- Ele não carece de empatia e não tem verdadeiros impulsos reais de matar pelo simples fato de fazê-lo - murmurou depois de um momento. - Parece sofrer de uma importante síndrome do justiceiro, certamente associada ao trauma que sofreu quando viu o pai morrer, mas por outro lado...É até agradável.

Parecia estar falando consigo mesmo, algo que às vezes fazia ao debater uma ideia. Donghyuck não se atreveu a interrompê-lo, até este se dirigir a ele diretamente.

- Tudo bem, hyung? Deseja continuar o vendo?

- Isso... - o coração de Donghyuck trovejou em seu peito - Isso é uma pegadinha?

- Você acha que é hora para pegadinha? - respondeu. - Agora você sabe quem ele é, sabe o que ele fez e por quê. Se quiser parar de vê-lo imediatamente, será compreensível.

Donghyuck também pensava que seria lógico, que ele deixaria automaticamente de sentir tudo o que uma vez sentiu até agora, porque seus modos de pensar eram por definição totalmente opostos. Acreditava no bem e Mark acreditava que o fim justificava os meios. Confiava na bondade que havia nas pessoas, enquanto Mark tinha certeza de que sempre irá existir algo ruim para encontrar e se voltar contra ela, trazendo à tona o pior deles.

Talvez fosse a mesma coisa que aconteceu com Yukhei e Renjun: não conseguia parar de ver a bondade que havia em Mark apesar das coisas ruins que ele havia feito. Talvez fosse por isso que, apesar de tudo, não parava de pensar nele como alguém que o tornara mais feliz como pessoa do que todos esses sete anos de trabalho incansável e perfeitamente realizado. 

- Se quiser continuar o vendo, será compreensível também - continuou, e sua voz se suavizou.

- Não...não deveria, Jaemin...as coisas que você fez, e meu trabalho é...

- Eu não perguntei sobre o seu trabalho ou o que você deveria, eu perguntei o que você quer. Pense nisso como parte de sua terapia - se aproximou e colocou uma mão em seu braço. - Quero acreditar que depois de tudo o que você viu hoje, aprenda que é um erro classificar as coisas como brancas ou pretas sem pensar que há muitos tons de cinza envolvidos.

O vice diretor Cho, assim como todos que trabalhavam no Serviço com ele, tinha a cor branca pura como lírios na mente de Donghyuck, até aquela noite. Até mesmo ele próprio, mas talvez tenha começado a mostrar seus tons de cinza quando ignorou ordens para obedecer partes de seu interior que não eram o cérebro ou o senso de dever. E Mark...era cruel limita-lo apenas em branco ou apenas em preto quando ele possuía a cor rosa pálida como uma flor de cosmos, o vermelho vibrante de uma rosa, o amarelo de suas camisas ou o verde neon de seu gorro favorito, tudo de uma vez. Era uma explosão de cores, e uma mentalidade tão simples quanto a que Donghyuck havia tido até agora nunca poderia ter compreendido, e muito menos fazer justiça.

- Eu quero - respondeu reunindo toda sua coragem. - Não sei como lidar com isso a partir de agora, mas não pude evitar me apaixonar mesmo sabendo onde isso poderia dar, e por mais que eu tentasse, não conseguiria parar de amá-lo agora. Sei que não deveria ser assim, e não sei se é a resposta correta. Mas é a verdade.

Jaemin sorriu.

- Não existem respostas corretas para essas coisas. Mas é a resposta que eu esperava de você. Você é incapaz de incapaz de não ver a bondade no coração das pessoas.

- O que eu vejo agora também não importa muito. Ele vai para a cadeia, não é? - perguntou. Mark parecia resignado quando se entregou. 


- Tanto ele quanto Renjun cometeram atividades ilegais. E mesmo que fosse para impedir a própria morte e essas pessoas fossem criminosas, eles acabaram com vidas, literal e figurativamente - disse Jaemin, abrindo um breve sorriso - Mas eles também os salvaram. E eu sei que você nunca gostou de pensar nisso, mas é um fato que para este Serviço alguns delitos sejam piores que outros, e algumas vidas sempre valham mais do que outras. Venha comigo, temos que conversar com o diretor - acrescentou, saindo da sala - A cadeia não é a única maneira de conseguir que alguém cumpra uma punição. Talvez haja outra alternativa.



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