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História Ophelia - Capítulo 1


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Notas do Autor


Uma one shot especialíssima de aniversário para o nosso querido J-hope, nossa esperança, nossa estrelinha, nosso nenê, nosso tudo iti S2

Essa one se baseia em um meme do gacha life que vocês podem achar aos montes pelo Youtube, vou deixar o link de um aleatório no final ;)

Boa leitura anjos, espero que gostem.Uma one shot especialíssima de aniversário para o nosso querido J-hope, nossa esperança, nossa estrelinha, nosso nenê, nosso tudo iti S2

Essa one se baseia em um meme do gacha life que vocês podem achar aos montes pelo Youtube, vou deixar o link de um aleatório no final ;)

Boa leitura anjos, espero que gostem.

Capítulo 1 - Oh Ophelia


Música.

A arte era uma grande influência na humanidade inteira, isso é fato, isso entrou tanto na cabeça das pessoas que não demorou para que eles descobrissem um fato curioso: os casamento mais duradouros aconteciam entre pessoas que se encontravam pela primeira vez por reconhecerem a música que a outra estava ouvindo, a qual seria a favorita das duas.

Não demorou muito para que desvendassem esse segredo, alguns anos depois ficou cientificamente provado: se você encontrar uma pessoa que ame de coração a mesma música que você define por sua favorita, essa é a sua alma gêmea.

Um monte de baboseiras, era isso que Hoseok achava.

A primeira vez que ouvira sobre a teoria das almas gêmeas a primeira coisa que sua mente infantil pensara foi "por que eu vou querer encontrar uma menina que goste da mesma música que eu?".

Quando fez dez anos ele fez questão de se livrar de todos os CDs de música e aplicativos que podia, não ai a festa e nem a nenhum lugar que tivesse músicas, a única coisa musical que ele aceitava em sua vida eram as trilhas sonoras de filmes, porque essas ele não prestava atenção, afinal o filme estava tocando logo ao fundo, ele não tinha motivo para fazê-lo, fora isso havia aquela música que ele não tinha escolhas a não ser ouvir: a música de seus pais.

Bem, eram situações diferentes, óbvio, para seus pais aquela besteira estava certa, e dava certo afinal, pois estavam juntos até então e praticamente nunca brigavam, mas desde quando a porra de uma música deveria ter o direito de escolher com quem ele iria ficar? Não ia se deixar levar por uma besteira daquelas.

- Cara, eu não entendo porque você ao pode ouvir música – resmungou Namjoon, seu melhor amigo.

- Eu não quero que essa besteira de "música de almas gêmeas" defina com quem eu vou ficar – respondeu irritado por ter que explicar novamente a situação – Se eu não tiver uma música favorita então eu não vou ter alguém que seja minha "alma gêmea", pois eu não terei uma música que nos ligue.

- E você não pensou que isso possa fazer com que a sua alma gêmea fique triste? – perguntou indignado – Isso é muito egoísta da sua parte!

- Ah, faça-me um favor – estalou a língua – e você não acha que qualquer pessoa aqui pode gostar da mesma música que você? Qualquer uma dessas pessoas pode ter como sua música favorita a mesma que você tem, Namjoon, como saberá quem é a certa?

- Você vai entender quando encontrar a sua – deu de ombros.

- Eu não vou entender nada – resmungou, entrando para sua sala de aula acompanhado do amigo – porque eu não vou ter uma alma gêmea.

- Não importa o quanto você diga isso, Hobi, querer não é poder – Namjoon sorriu maldoso – ainda tem uma música que você sempre houve e que pode ser a sua favorita, você só não sabe.

- A música dos meus pais? – olhou para o outro com sarcasmo – faz-me rir, aquela música tem uma vibe muito antiga para qualquer qualquer pessoa daépoca atual querer ouvir.

Namjoon ergueu as mãos enquanto sentava em seu lugar ao lado do amigo.

- Tem louco pra tudo.

Hoseok somente revirou os olhos e se sentou, vendo o professor entrar junto de mais dois alunos.

- Silêncio – ele bateu com a régua no quadro, costume que já deixava todos atentos a suas próximas ações – Como podem ver, temos alunos novos, por favor, se apresentem – indicou o senhor de idade, sentando em sua cadeira e deixando os dois jovens por si.

O primeiro rapaz parecia radiante, usava um suéter cor de rosa e sorria de forma enorme, deixando a vista dentinhos levemente tortos que o davam um ar infantil e de gentileza, sua pele era amorenada, nada muito exagerado, mas bem belo em contraste com seus fios de tom platinado, quase brancos, ele segurava a mochila com as duas mãos, uma em cada alça e balançava-se em seus próprios pés, como uma criança ansiosa, a única coisa que mostrava que ele estava longe de ser uma criança eram os ombros largos, que lhe davam uma postura mais "de homem", como diria a mãe do Jung.

Hoseok suspirou entediado, o rapaz o lembrava muito aquele bando de entusiastas fantasiosos das tais almas gêmeas, com certeza ele e Namjoon se dariam muito bem aparentemente. Já o segundo rapaz... aquele garoto parecia estranho.

O outro rapaz tinha feições belas, mas não tinha nenhuma expressão que indicasse o que estava sentindo, diferente do outro rapaz, mas seus olhos diziam muita coisa, isso Hoseok percebera, o garoto parecia alguém expressivo demais para quem sabia decifrá-lo, em uma de suas orelhas estava um fone preto quase escondido pelos fios de um ruivo quase laranja do garoto, tocando uma melodia só para si, diferente do comum, já que praticamente ninguém ouvia música de fone, a graça era encontrar sua alma gêmea afinal, além disso ele usava roupas pretas e largas que cobriam quase toda a pele dourada do rapaz, um pouco mais escura do que a do outro menino, mas tão bela quanto, isso se não mais.

- Olá, eu sou Kim Seokjin, e esse é meu irmão, Kim Taehyung – o de suéter rosa indicou o rapaz de fios ruivos – Nós viemos de Gwangju e esperamos poder nos dar muito bem com vocês – finalizou se curvando e sendo seguido pelo irmão, que não proferiu nenhuma palavra.

- Muito bem – assentiu o professor – alguma pergunta aos alunos novos?

- Qual a música favorita de vocês? – perguntou uma menina aleatória, completamente animada.

Seokjin corou, provavelmente por nunca ter visto alguém tão animada para um assunto tão fútil.

Não, espera, esse era o pensamento de Hoseok, talvez Seokjin só tenha sido surpreendido mesmo.

- Nossa, que direta – riu baixinho – minha música favorita é Make Me Wanna Die – disse baixinho com um sorriso.

Hoseok olhou de canto para Namjoon, que não parecia prestar nem um pouco atenção no assunto.

- Do Vinnie Montana? – perguntou animadamente outra garota.

Seokjin fez uma careta.

- Não, desculpe.

Ele gosta da mesma música que você – Sussurrou para o amigo, erguendo uma sobrancelha para Namjoon, esse que finalmente prestou atenção a conversa.

O que?

Ele curte Make Me Wanna Die – ergueu uma sobrancelha para o amigo, que corou.

Pode ser a do Vinnie Montana.

Ele acabou de dizer que não é.

-­ Pode ser de uma infinidade de grupos Hoseok – Bufou Namjoon – O que você quer com isso, hein?

- Com licença – Hoseok ergueu a mão e os olhares de todos voltaram-se para o rapaz – Por acaso é Make Me Wanna Die do The Pretty Rockelles?

Seokjin arregalou os olhos.

- É sim.

- Por acaso é a sua favorita também, Jung? – perguntou um dos alunos zombando da cara dele.

- Não – sorriu para o outro – mas achei bom especificar – Deu uma olhada de canto para Namjoon, que engoliu em seco, nervoso.

- Ele por acaso é mudo? – perguntou um outro aluno, apontando o irmão do Kim, que revirou os olhos.

- Não, Taehyung só não é muito sociável – respondeu Seokjin sorrindo amigável.

- Certo, já chega de perguntas – o professor se ergueu – Eu tenho que dar aula. Tem dois lugares livre, um na frente do Hoseok e outro lá no fundo, Hoseok erga a mão para eles saberem que é você, se virem para achar um lugar, se eu me virar e estiverem de pé já levam a primeira suspensão.

Taehyung revirou os olhos mais uma vez e Hoseok ergueu a mão para se identificar.

Seokjin fez menção de ir para o fundo da sala, onde quase ninguém estava mais, pois todos arrastavam as cadeiras para frente de forma a conseguir ficar próximo dos outros alunos, mas Taehyung segurou o pulso do Irmão, lhe dando um olhar que indicava para ele sentar a frente do Jung, que somente observava tudo atentamente.

Foi impossível para si, durante o resto da aula, não lançar olhares para o garoto estranho no fundo da sala que copiava no caderno com os fones tocando alguma melodia em sua cabeça.

 

 

- Você sabe que é impossível – disse novamente Namjoon, revirando os olhos – Ele é um homem.

- E homossexualidade existe por quê? – perguntou debochado.

- Cara, você mesmo disse, várias pessoas podem ter a mesma música como favorita, eu vou saber quem é a pessoa certa.

- Está certo – o Jung assentiu – então descubra se ele não é o certo, oras.

- O que? – perguntou o Kim confuso – Hoseok, não é assim que funciona, ele é um homem!

- Eu já entendi essa parte – revirou os olhos – caguei se ele é um homem, se você acredita mesmo nessa baboseira de "almas gêmeas" deveria pelo menos falar com ele, visto que tem a mesma música como a favorita.

- Você é tão contra esse método, por que diabos de repente quer se utilizar dele? – perguntou o Kim indignado.

- Porque eu quero provar pra muita gente o quão não errado é gostar de homens – deu de ombros – e qual a melhor forma do que mostrar que o "sistema perfeito" deles juntou dois homens?

- Você não vale nada – suspirou Namjoon – como eu vou me aproximar dele?

- Faça com ele o trabalho de inglês – deu de ombros – você é bom em inglês.

- Mas ele tem o irmão – disse como se fosse óbvio – porque ele faria o trabalho comigo se pode simplesmente fazer com o irmão?

Hoseok revirou os olhos.

- Quer parar de colocar empecilho onde não tem?

- Não dá! Só a menção de fazer isso me deixa nervoso – explicou, quase roendo as unhas.

Cansado daquela ladainha o Jung foi em direção aos dois irmãos sentados sob a sombra de uma árvore.

- Hey, Seokjin, não é mesmo? – perguntou com seu melhor sorriso para o rapaz do suéter rosa, que sorriu pequeno assentindo – Então, meu amigo ali – apontou para trás – ele é o Namjoon, ele queria falar com você, mas estava com vergonha, por você ser novo e tudo, quer conversar com ele?

- Eu... – o mais velho olhou timidamente para o irmão, que somente deu de ombros, então ele sorriu grande – Quero sim, obrigado por me dizer.

- Vai lá – sorriu de volta, observando o Kim se aproximar de seu amigo, quando eles começaram a conversar seus olhos se voltaram para o garoto sentado ali, ainda com os fones tocando uma música que ele não fazia a mínima idéia de qual era, e nem queria, enquanto seu lápis corria por uma folha de papel, o que o garoto desenhava ele já não sabia, para aquilo dar certo ele teria de falar com o rapaz também – Posso sentar aqui?

Taehyung ergueu o olhar para o seu, os olhos cor de avelã lhe fitando com estranhamento antes de assentir, permitindo sua presença antes de voltar a seja lá o que fazia naquela folha.

- Certo, eu vou direto ao ponto – o Kim o fixou novamente o olhar em si, agora sentado no chão a sua frente – Meu amigo – apontou os dois que conversavam – Kim Namjoon, ele gosta da mesma música que o seu irmão, como ele mencionou, provavelmente seu irmão prefere fazer o trabalho de inglês com você, por já se conhecerem, mas eu queria saber se você não gostaria de fazer o trabalho comigo, deixando assim que os dois ali façam juntos.

Taehyung riu nasal, antes de voltar a rabiscar e falar, pela primeira vez desde que chegara naquela escola.

- Você quer que eu deixe o meu irmão sozinho com um estranho só porque eles gostam da mesma música? É sério?

Hoseok ignorou o arrepio que sentiu só de ouvir a voz grossa do garoto.

- Não, definitivamente não – os olhos brilhantes o fixaram mais uma vez, agora com curiosidade estampada neles – Tem duas coisas que podem acontecer: Um – ele ergueu um dedo – eu provo para o Namjoon que essa merda de Soulmates não existe, ou dois – ergueu outro dedo – eu provo para esses babacas todos duas coisas, a primeira que não é errado amar alguém do mesmo gênero e a segunda que se esse mecanismo é tão "perfeito" como dizem, eles que estão errados ao julgar casais diferentes.

- Você não acredita em almas gêmeas? – perguntou curioso.

- Pff, você acredita? – perguntou sorrindo de canto.

- Acredito – disse sinceramente, retomando a pintura sob o olhar questionador do Jung.

- Então porque não disse para eles qual era sua música favorita? – perguntou confuso.

Taehyung suspirou.

- Primeiro – começou o Kim, arrumando suas coisas para guardá-las – se alguém tem que saber qual a minha música favorita, essa pessoa é minha alma gêmea, segundo, eu te garanto que não é nenhum deles – o rapaz sorriu triste e se ergueu, lhe estendendo a mão para o erguer – Fazemos o trabalho na sexta-feira na minha casa – disse simplesmente, puxando a mão do Jung para pero e escrevendo uma sequência de números com uma caneta azul – me mande uma mensagem e nós marcamos – sorriu pequeno – tomara que dê certo essa sua ideia.

Antes que Hoseok pudesse falar qualquer outra coisa, Taehyung simplesmente saiu, deixando para trás um garoto curioso e com um número registrado em sua mão.

- Curioso... – murmurou, antes de virar para onde estavam Namjoon e Seokjin, vendo o de suéter cor de rosa acenar para seu amigo antes de se afastar no mesmo instante em que batia o sinal.

 

 

O tempo foi passando quase dolorosamente lento, cada dia que passava até a sexta-feira onde os dois amigos marcaram de fazer o trabalho com os irmãos Kim parecia demorar séculos para correr, com esse tempo Hoseok e Namjoon se aproximaram bastante dos outros dois, principalmente de Seokjin, que entre os irmãos era o mais extrovertidos. Eles sempre sentavam juntos no intervalo, debaixo da mesma árvore onde Hoseok fora falar com Seokjin da última vez, os três mais velhos conversavam de assuntos aleatórios, ás vezes se ajudavam a respeito de matérias que não entendiam, já Taehyung ficava ouvindo músicas e, como recentemente o Jung descobrira, desenhando em seus cadernos.

Agora ambos amigos estavam parados frente a porta de uma bela casa de tons claros, algo entre um bege, misturando também tons de amarelo e branco, era bonita e apesar de evidentemente ser de pessoas com uma ótima renda era de certa forma humilde, ao menos em comparação as outras casas de gente rica que eles conheciam.

- Eu acho que vou embora – Namjoon deu meia volta, fazendo sinal que sairia pelo portãozinho branco onde entraram, Hoseok revirou os olhos e puxou o de volta antes de tocar a campainha – Hobi-ah...

- Nada disso – negou o Jung – pode parar de besteira, eu já disse, vai dar tudo certo, se for pra ser vai ser, não é o que você sempre prega?

- Mas...

A porta se abriu, interrompendo a fala do Kim.

- Oi meninos – cumprimentou uma mulher jovem de cabelos dourados e sorriso brilhante, bem parecido com o de Seokjin – Vocês devem ser o Hoseok – apontou para Namjoon – e você o Namjoon – apontou para o Jung, fazendo a dupla rir.

- Quase isso senhor – repondeu Namjoon sorrindo pequeno – eu sou o Namjoon, e esse é meu melhor amigo Hoseok.

- Oh, quase acertei – sorriu cúmplice – Eu sou Jisoo, a mãe dos garotos, inclusive podem me chamar de Jisoo mesmo, nada de senhora, okay?

- Claro, Jisoo – sorriu Hoseok, animado pela mulher evidentemente gente boa.

- Por favor, entrem, vou chamar o Jin – ela indicou para dentro e a dupla se curvou em agradecimento, tirando os sapatos antes de adentrar a casa como de costume – Se quiserem algo podem buscar na cozinha. Sintam-se a vontade – Ela sorriu novamente indo em direção ás escadas.

- Sua sogra é maneira – disse Hoseok, sorrindo contente ao ver o rosto do outro avermelhar.

- Aish, cala boca – retrucou irritadiço.

- Olá – disse outra mulher, essa de cabelos negros que entrava na sala, vinda da cozinha, sorrindo bonito – vocês devem ser os amigos do meu filho, Seokjin?

- Sim senhora – sorriu Hoseok, se curvando junto de Namjoon – Jung Hoseok, prazer em conhecê-la.

- E eu sou Kim Namjoon – adicionou o outro – é um grande prazer.

- O prazer é todo meu – ela sorriu, suas feições lembravam de forma bem distante Taehyung, de certa forma, mas ainda sim era bem diferente do garoto – Por favor, me chamem só de Jennie.

- Como quiser – assentiu Namjoon animado.

- Meninos! – cumprimentou Seokjin sorrindo animado – Que bom que chegaram, já tomaram café?

- Não, não tive muito tempo – disse Namjoon, coçando a nuca de forma nervosa.

- Então vamos tomar café antes de vocês subirem para fazer o trabalho – Disse Jisoo carinhosamente.

- Ah, por mim não é necessário – Hoseok balançou as mãos a frente de seu corpo.

- Não tem essa – disse Jennie sorrindo e puxando Jisoo para seus braços com um sorriso carinhoso – Vamos todos tomar café juntos, certo?

- Está bem – concordaram os amigos rindo baixinho.

- Hobi, você pode chamar o Taehyung? – pediu o Kim mais velho quando as mulheres foram para a cozinha – Ele está no estúdio dele, a última vez que eu fui lá ele me ameaçou, não me arrisco de novo não.

- O que te garante que ele não vai me expulsar também? – perguntou erguendo uma sobrancelha.

- Intuição de irmão – o mais velho piscou um olho, puxando Namjoon pelo braço, esse que ficou vermelho no mesmo instante – Estamos esperando vocês na sala de jantar, vai logo!

Hoseok somente riu e timidamente subiu as escadas, observando as pinturas nas paredes, uma mais bela que a outra, mesmo que se recusasse a ouvir músicas era fato que a pintura era uma grande arte que ele realmente admirava.

Ele finalmente parou em frente a uma porta que provavelmente devia ser o tal estúdio, pois a porta estava inteira pintada com tinta, as cores formando algo que, depois de um tempo olhando, Hoseok conseguiu identificar como o céu noturno, era realmente lindo.

O Jung bateu na porta de forma leve, três vezes, depois de alguns segundos sem resposta ele repetiu o feito. Depois de três tentativas sem resposta ele tentou a maçaneta, que girou de forma suave, a porta se abrindo para permitir sua passagem.

Hoseok correu os olhos pelo lugar, como esperado de um estúdio ele estava cheio de quadros, todos cobertos por panos brancos que o impediam de ver qual era a pintura escondida sobre eles, o que somente atiçava sua curiosidade, o sol da tarde adentrava pela janela pequena no topo de uma das paredes, batendo exatamente no lugar onde estava Taehyung.

Quando os olhos de Hoseok bateram no garoto ele só quis se encostar no batente e ficar ali, observando atentamente cada movimento do mais novo sentado em frente a uma tela, a pele dourada brilhando sob o sol, os cabelos bagunçados como se ele mal tivesse acordado e se enfiara no estúdio, mesmo que ele soubesse que não era verdade, pois durante a manhã o Kim havia ido para a escola, suas roupas eram parecidas com as de sempre, mas envelhecidas, como se fossem usadas com muito mais frequência, decoradas pelos respingos de tinta. Os olhos cor de avelã corriam de um lado a outro, seguindo o caminho que o pincel fazia sob o toque suave de suas mãos, ás vezes indo até a paleta com tintas que ele segurava com a outra mão.

Taehyung estava tão distraído em seu mudinho de cores, como sempre com os fones lhe adornando os ouvidos, que Hoseok teve de soltar um pigarro alto para chamar sua atenção.

Hoseok esperava seriamente tapas e reclamações por ter interrompido a atividade do outro, mas o que recebeu fora um sorriso, um dos mais belos que já havia visto, quadradinho e animado, como se a presença dele ali interferisse no humor do mais jovem.

- Hoseok Hyung – ele se ergueu da cadeira, soltando a paleta de tintas no banco onde antes se sentava e puxou um pano branco, idêntico aos que escondiam os outros quadros da sala, para que escondesse também aquela pintura – Veio para fazermos o trabalho.

- Mais ou menos – riu timidamente – Jin hyung me pediu para te chamar.

- Oh – concordou o outro, se aproximando do mais velho que lhe sorriu – Café?

- Exato – concordou, dando mais uma olhada pelos arredores, o que não passou despercebido pelo Kim.

- Gosta do lugar? – questionou o meia jovem, se virando para fazer o mesmo que Hoseok.

- Sim – assentiu sorrindo pequeno – ele é calmo...

- Também acho.

- Por que estão escondidas? – perguntou, em seguida apontou para uma das telas mais próximas escondida sob os panos claros, não conseguindo conter a curiosidade e observando as bochechas do Kim avermelharem, mesmo que sua face permanecesse impassível.

- Eu tenho muitas cosias que prefiro guardar para mim – disse simples – Coisas que eu prefiro só compartilhar, talvez, com a minha alma gêmea.

- Sua música é uma delas – comentou o Jung, recebendo um assentir.

- E grande parte das minhas pinturas são outra – sorriu e fixou os olhos do mais velho – Sabe Hyung, eu quero poder compartilhar com a pessoa que eu mais gostar esse tipo de coisa, coisas que eu não tinha coragem de expor, seja por vergonha ou outros motivos, eu tenho um belo exemplo de amor real na minha casa, sabe? Eu tenho esperanças de encontrar algo semelhante.

Hoseok observou atentamente o rosto do Kim, os olhos brilhantes, os lábios grossos e as bochechas coradas, uma harmonia tão bela que quase o levava ao caos.

- O que você ouve nos fones – disse de repente – é sua música favorita?

Taehyung desviou o olhar.

- É – concordou – se um dia eu tiver que mostrar essa música para alguém, eu quero tê-la por perto, quando isso acontecer, será um segredo nosso.

- Isso é bonito – comentou o Jung, sem conseguir deixar de fitar o Kim, esse que, sentindo o peso do olhar alheio, recusava-se a olhar de volta.

- Se você diz – deu de ombros – melhor a gente descer, minhas mães devem estar querendo vir nos buscar já.

Hoseok assentiu, saindo do estúdio do mais novo para que ele pudesse fechar a porta com a chave que ele guardava no bolso.

- Elas são casadas? As suas mães?

- São sim – concordou Taehyung, enfiando as mãos nos bolsos antes de começar a descer as escadas com um sorrisinho – Se quer provar que amar alguém do mesmo sexo é algo certo e possível por meio do método perfeito, como você chama, pode usá-las de exemplo, se conhecerem em um show do Girls Generation há alguns anos.

- Que incrível – se animou Hoseok – meus pais se conheceram em um baile de formatura – fez careta – não é um história muito impressionante.

Taehyung riu nasal quando chegaram no andar inferior, já indo para a sala de jantar.

- Pra mim parece romântico – deu de ombros.

- Se eu te disser que se conheceram porque foram escolhidos como rei e rainha do baile e que descobriram isso por terem escolhido a mesma música você vai achar mais românico ainda?

Taehyung riu abertamente, quase gargalhando.

- Com certeza!

- Olha quem apareceu – Disse Jin debochado – Já estávamos quase tirando no par ou impar quem ia ver se vocês não tinham morrido.

Taehyung somente deu língua para o irmão, sentando a frente dele enquanto Hoseok se sentava ao seu lado, de frente para Namjoon, já Jisoo e Jennie ficaram uma em cada ponta.

- Vocês são tão infantis – murmurou Jennie cortando um pão para comer.

- Olha quem fala – brincou Jisoo – aquela que sempre que a gente começa a brigar faz bico.

- Ya! – exclamou a mais nova, fazendo bico.

- É mãe, temos á quem puxar – concordou Taehyung, arrancando risos da família e, de quebra, dos outros dois garotos, que só sabiam rir e absorver aquele clima familiar cheio de amor.

 

 

- Hyung – Taehyung chamou de repente, fazendo Hoseok levar seu olhar para o mais novo – Você... por que não acredita em almas gêmeas?

Hoseok suspirou, soltando os cadernos para o lado e saindo da cadeira de rodinhas que havia no quarto do outro para então sentar-se ao lado do mais jovem no chão encostado na cama.

- Sabe, não é que eu não acredite – Taehyung deitou a cabeça para o lado, de forma a conseguir fitar o rosto de seu Hyung – Eu só... não gosto da ideia de que, por uma pessoa ter o mesmo gosto musical que eu, obrigatoriamente eu precisar ficar com ela, sabe?

- Acho que... consigo entender? – respondeu o mais jovem, ainda um pouco confuso.

- Certo, vamos do início – falou o Jung – A primeira vez que eu soube o que eram as tais almas gêmeas eu tinha dez anos, como era uma criança, se tinha uma coisa que eu não queria era ter de ficar com uma menina destinada a mim desde antes de eu nascer, eu não era o tipo de garoto que gostava muito de pensar que futuramente eu teria alguém como os meus pais tinham um ao outro – simplificou – foi nessa época que eu praticamente bani a música da minha vida – Taehyung arregalou os olhos – eu me recusava a ouvir qualquer música a não ser que ela fizesse parte de uma trilha sonora de filme, porque eu não conseguiria decorá-la, ou se fosse a música dos meus pais, porque essa eu não tinha escolha mesmo – ele riu pequeno – Sabe Tae, chegou um momento que eu percebi que isso não ia adiantar nada, mas eu permaneci dessa mesma forma, me recusando a ouvir música porque, até onde eu sabia, se eu não ouvisse músicas eu não teria uma favorita.

Taehyung assentiu lentamente.

- Mas se você percebeu que não adianta nada, porque ainda não acredita? – perguntou Taehyung confuso.

- Foi nessa época que eu descobri gostar de homens – simplificou – tudo que eu ouvia era que minha alma gêmea seria uma mulher, e que eu teria uma bela mulher assim que eu descobrisse quem era a pessoa, era muito você via ficar com uma mulher, quer queira quer não, então isso me fez desacreditar de vez, porque se almas gêmeas realmente fosse um mecanismo perfeito, então teria que saber que amor é amor, não importa a cor, o gênero ou qualquer coisa do tipo.

- Então... agora que você conhece minha família... acredita? – perguntou Taehyung com um sorrisinho pequeno.

- De certa forma – admitiu.

Taehyung suspirou, descendo, sem querer, o olhar até a boca de seu Hyung.

Hoseok observava os olhinhos curiosos do mais novo.

Ele sabia.

Claro que ele sabia.

Estava implícito desde o momento em que se conheceram,tinha algo acontecendo ali que não estava no roteiro, algo que se despertou no momento em que Taehyung ouviu do rapaz que ele não acreditava em almas gêmeas, no momento em que o mais jovem o deixou curioso a respeito do fato dele acreditar em almas gêmeas mas ser tão desapegado daquele fator.

- É agora que você me pergunta se eu quero ouvir a sua música favorita? – perguntou Hoseok brincando.

Taehyung riu fraco, ele sabia que Hoseok perceberia a sua pequena paixão.

- Seria se fossemos uma dupla normal – admitiu – mas não somos pessoas comuns, somos alguém que não acredita em almas gêmeas e alguém que não acredita que vai achar a sua.

Hoseok o fitou curioso.

- E por que não?

Taehyung somente sorriu triste.

- Como pessoas tão diferentes, acho que nada melhor do que começarmos diferente também – comentou se ajeitando – então Hyung, ao invés de pedir para você ouvir minha música, eu vou perguntar se você não quer sair comigo.

O rosto de Taehyung avermelhou, os olhos descendo para suas mãos que brincavam uma com a outra.

Hoseok sorriu pequeno, quando chegaram naquele ponto?

Taehyung estava certo, não eram nada convencionais.

- E ao invés de aceitar ouvir sua música – Hoseok levou a mão até o queixo do rapaz, erguendo a cabeça do mesmo para fitar seus olhos – Eu vou aceitar sair com você.

Taehyung sorriu timidamente e Hoseok se aproximou.

Dane-se que se conheciam somente há uma semana, dane-se que talvez a música favorita de Taehyung não fosse a mesma que a sua, dane-se que talvez não desse certo.

Quando ele finalmente encostou seus lábios nos do menor, ele teve a certeza, nenhuma pessoa, nenhuma mesmo, poderia fazer o seu coração bater tão forte como naquele momento, porque não havia ninguém como Kim Taehyung, o estranho aluno novo de lábios doces.

Os lábios de Taehyung se separaram sozinhos, ele nem sabia o que estava fazendo, somente se deixou levar, então abriu os lábios e permitiu que a língua quente do mais velho rastejasse para dentro da sua enquanto seu instinto o fazia erguer os braços até o pescoço do Jung e enrolar os fios da nuca do mais velho com os dedos.

Hoseok sentia-se além do céu, nem o paraíso deveria se comparar a estar com Kim Taehyung, sentir o gosto de Kim Taehyung, beijar os lábios de Kim Taehyung, tocar o corpo de Kim Taehyung.

Gentilmente ele envolveu com um braço a cintura do mais novo enquanto sua mão se erguia para acariciar a bochecha vermelhinha do mais jovem.

Depois de alguns segundos o ar começou a faltar e eles se separaram ofegantes.

Hoseok foi o primeiro a abrir os olhos, não conseguindo conter o sorriso ao ver o rostinho adoravelmente vermelho do mais jovem.

Quando menos perceberam estavam rindo juntos.

- Como isso aconteceu? – perguntou Taehyung risonho.

- Eu não sei – Hoseok deu de ombros, enlaçando a cintura do menor para puxá-lo para o seu colo – mas eu gostei.

 

 

Dois meses.

Dois meses em que Hoseok teve a certeza de algo que sempre soubera: saber ou não a música favorita de outra pessoa não faz com que você se apaixone por ela.

Desde aquela tarde na casa dos Kim, Taehyung e Hoseok entraram em um "rolo", por assim dizer, eles saíram, foram a parques de diversão, também tomaram sorvete juntos e sempre que tinham a chance gostavam de andar por aí, não interessava se teriam ou não um motivo, se estivessem juntos isso já era o suficiente.

O assunto "Música favorita" virara praticamente uma piada interna dos dois. Taehyung dava pistas sobre a música favorita dele, mas é claro que Hoseok nunca adivinhava, afinal não ouvia músicas.

O primeiro a perceber algo diferente entre os dois fora Namjoon, em uma tarde onde tinha ido estudar com o melhor amigo para uma prova importante e pegou ele trocando mensagens com o Kim mais jovem com aquele sorriso bobo de quem está apaixonado.

Não demorou para que Seokjin estranhasse o comportamento do irmão também, que agora vivia cantarolando pela casa e não passava mais tanto tempo socado naquele estúdio, a primeira coisa que ele fez ao descobrir em que pé andava a relação dos dois garotos foi gritar, e logo depois esmagar o irmão mais novo entre seus braços e dizer que estava feliz.

No entanto, nenhum dos dois Kim's entendiam como eles estavam tão calmos com não saber qual era a música favorita do outro.

Bem, na verdade, Taehyung sabia que a música favorita de Hoseok era a única que ele ouvia: a música favorita de seus pais, e Hoseok tinha todas as dicas possíveis e imagináveis a respeito de qual era a música favorita de Taehyung, mas a coisa era que eles não ligavam, porque gastariam tempo e saliva falando sobre sua música favorita se podiam usar esse tempo para trocar beijos e carícias e conversar sobre besteiras que quando juntos soavam tão interessantes.

Taehyung estava decidido de uma coisa, fosse ou não Jung Hoseok a sua alma gêmea, era com ele que queria dividir cada detalhe interessante da sua vida, desde sua música favorita até suas pinturas mais profundas.

Hoseok sentia o coração acelerado naquela noite de sábado, Taehyung havia lhe chamado para dormir consigo, visto que suas mães haviam tirado um tempo de folga para viajarem até Jeju e aproveitarem um pouco mais seu tempo juntas e Seokjin as convencera a permiti-lo dormir na casa de Namjoon.

Quando ele chegou e tocou a campainha Taehyung não lhe atendeu como de costume, na verdade, Taehyung nem lhe atendeu, ele tocou exatas quatro vezes a campainha e nada, até que ele enfim percebeu um pequeno papel colado com fita adesiva logo abaixo da campainha.

 

Abra a porta e encontre o papel em cima da mesa de centro.

 

Hoseok sorriu de canto, aquilo era tão... Taehyung.

Então ele obedeceu, abriu a porta, que aparentemente não estava chaveada, e entrou, indo direto a folhinha que era segurada por um peso de papel em formato de raposinha, o que só fez o sorriso do Jung se alargar, afinal era aquele o apelido que havia dado ao Kim.

 

No nosso primeiro beijo eu já me entreguei, minha alma, meu coração e tudo que eu tenho, é seu desde então, vá atrás de mim.

 

Hoseok titubeou.

Quando se beijaram pela primeira vez haviam feito o trabalho de inglês... no quarto do mais novo!

Com carinho ele devolveu o papel para baixo da raposinha e subiu afobadamente as escadas, o sorriso nunca deixando seus lábios.

Ele abriu a porta de supetão, mas Taehyung não estava lá.

Um bico se formou em seus lábios, até que ele avistou.

De baixo da cama uma pelúcia de raposa o observava, aquela mesma que em um passeio ao parque ele conseguira ganhar para o Kim no tiro ao alvo.

Delicadamente ele puxou a pelúcia com um sorriso terno, entre suas patinhas havia outro bilhete.

 

Aqui começou a maior das minhas experiências, o dia em que eu conheci melhor sua forma de pensar, onde descobri que a vida, não depende de um som, que o amor é uma música por si só.

Eu te disse naquele dia que quando encontrasse alguém, dividiria tudo que pudesse, uma dessas coisas era minha música favorita, a outra...

 

Hoseok se levou até aquele dia, o dia onde aceitara que, mesmo em tão pouco tempo, já gostava daquele garoto quieto que quase não falava e vivia com os fones no ouvido.

Lembrava de ir chamá-lo e de perguntar...

Por que os quadros dele estavam escondidos?

Ele deixou a pelúcia no centro da cama do mais jovem e saiu do quarto, fixando a porta bem pintada no fim do corredor.

O estúdio de Taehyung.

Quando ele abriu a porta sua boca abriu junto.

Diferente do que se lembrava, o lugar estava muito bem organizado, a mesa de madeira que lembrava ter visto e nem dado importância da última vez estava lá, bem ajeitada e com algumas guloseimas, também havia um rádio, esse que sabia que já estava ali antes.

Mas não fora isso que lhe surpreendera.

Várias e várias das telas estavam penduradas pelas paredes, todas belamente desenhadas com momentos e momentos, algumas mostravam lembranças de momentos da infância do Kim, o dia que ele e Seokjin foram adotados pelas duas mulheres, o primeiro dia de aulas, alguns quadros eram, quase totalmente, compostos de letras, talvez parte de sua música favorita, ou quem sabe não, outras eram somente desenhos aleatórios, como pássaros ou montanhas.

Naquele mesmo lugar onde antes um feixe de sol iluminava a pele dourada do Kim mais novo, agora a lua fazia o mesmo, deixando os olhinhos pequenos e animados do seu garoto ainda mais brilhantes do que já eram.

- Olá, Hoseok Hyung – ele sorriu timidamente.

- Taetae – disse simplesmente o Jung, se aproximando do garoto e finalmente avistando três telas em específico, logo atrás do garoto – Isso é... Isso é lindo.

O Kim se levantou, se aproximando para abraçar o mais velho, que na mesma hora envolveu-o em seus braços, sem parar de fitar os três quadros.

O primeiro era uma pintura sua, era ele mesmo, desenhado em tons de cinza e sépia, logo ao lado estava o próprio Taehyung, desenhado na mesma paleta que anterior, e logo no fim havia uma última, onde estavam eles dois, abraçados da mesma forma que agora, só que, completamente diferente das outras duas, as cores explodiam, parecia que Taehyung nem fizera questão de colorir realmente, ele só desenhara os traços e pincelara aleatoriamente pelo desenho.

- Venha, Hyung – Taehyung puxou o mais velho pela mão, parando em frente ao quadro central onde estava ele próprio – Quando você veio aqui pela primeira vez eu te disse que um dia, talvez, eu iria compartilhar muita coisa com a minha alma gêmea, uma dessas coisas eram as minhas pinturas mais profundas – o garoto suspirou, abrindo um sorriso – cada pintura dessas tem um significado enorme pra mim, mas essas três... essas são as mais significativas. – ele passou os dedos por cima das linhas do desenho onde ele estava – Essa daqui foi a primeira das três, foi quando eu finalmente percebi qual era a minha música favorita, tudo que eu pude pensar foi "Ninguém da minha idade ouve essas músicas mais", eu de certa forma perdi a esperança de ter minha alma gêmea – admitiu, passando para a primeira pintura, onde Hoseok estava retratado – Essa daqui foi no dia em que a gente se falou pela primeira vez, quando me disse que não acreditava em almas gêmeas eu pensei que estávamos no mesmo barco, de certa forma – Taehyung riu – Então eu te pintei igual a mim, eu estava finalizando ela no dia que você veio aqui – Hoseok lembrou vagamente que Taehyung estava pintando quando fora buscar-lhe para o café naquele dia – Essa última é a minha representação do agora – simplificou, finalmente virando-se para encontrar seu Hyung com um sorriso enorme e lágrimas nos olhos – Porque quando estou com você, Hyung, é assim que eu me sinto, colorido.

Hoseok riu.

- Eu te entendo – concordou, puxando o menor para seus braços – juntos somos um arco-íris, Tata.

Então eles se beijaram.

Como toda vez, os lábios se encontravam como se fosse a primeira e última vez, era necessário, era certo, era amor.

Quando eles se separaram Taehyung inspirou fundo.

- Namora comigo?

Hoseok abriu os olhos na mesma hora, surpreso, vendo o Kim lhe olhando aflito, como se tivesse medo da resposta.

O Jung lentamente abriu um sorriso, prensando levemente Taehyung contra a mesa de madeira.

- Você ainda precisa de uma resposta? – riu, levando o Kim a se juntar a risada – É óbvio que eu quero te namorar, Kim Taehyung.

Os dois riram antes de se enroscarem novamente.

Os braços de Hoseok envolveram o corpo de Taehyung e os do Kim foram para os cabelos do Jung, bagunçando-os carinhosamente.

As mãos do mais velho escorriam para qualquer parte do corpo do mais jovem que alcançasse.

Taehyung esticou uma mão para trás, ainda beijando seu Hyung, tateando até encontrar o rádio velho, mas que funcionava muito bem, apertando o play assim que o encontrou.

 

Ah, ah, when I was younger.

I, I should've known better.

 

Hoseok sorriu pequeno, separando o beijo para levar a boca até o ouvido do parceiro.

Essa é sua música favorita.

Taehyung riu soprado.

- E se for?

- Tem uma batida legal – disse simplesmente ainda sorrindo enquanto começava a descer os beijos pela bochecha e a seguir para o pescoço do outro, que sentiu sua respiração desregular com algo que nunca sentira antes.

 

Oh, Ophelia.

You've been on my mind, girl, since the flood.

Oh, Ophelia.

Heaven help the fool who falls in Love.

 

Assim Hoseok e Taehyung se amaram da forma mais profunda que conseguiram, Ophelia embalando aquele momento junto dos gemidos manhosos de Taehyung, também haviam os arquejos e elogios do Jung, que não conseguia esconder o amor pelo corpo alheio, mimando seu dongsaeng o quanto podia.

Horas depois eles ainda estavam ali, comendo daquilo que Taehyung separara para eles dois ao som da música favorita de Taehyung, o Kim somente usava a camiseta larga de antes, já Hoseok tomara a liberdade de pegar emprestada a calça de moletom do mais jovem e desfilava com ela por todo o estúdio.

- Sabe Taetae, acho que isso de almas gêmeas pode não ser tão furada quanto eu achava – soltou o Jung apoiado na mão observando o menor cantarolar a música.

- Sério? – perguntou Taehyung sorrindo para o nada enquanto balançava as perninhas e mastigava uma coxinha – Por que isso tão de repente?

- Porque de todas as músicas que você podia gostar no mundo – disse o Jung, se enfiando entre as pernas do seu, agora, namorado com um sorrisinho de quem aprontou – Você gostou justamente da única que eu sempre ouvi, que por sinal é também a favorita dos meus pais – Taehyung ergueu o olhar surpreso para o mais velho – Oh, Ophelia – cantarolou - You've been on my mind, girl, since the flood.

O sorriso de Taehyung se expandiu.

- É – deu de ombros – talvez eu tenha um bom gosto pra músicas.

Os dois gargalharam antes de se beijarem mais uma vez.

 

As almas gêmeas existem.

E se elas existem, não importa elas se identificam pela música, pela cor, ou pelo que seja, o que importa é que elas vão se encontrar, de uma maneira ou de outra, porque uma sem a outra não é nada além de um tela cinza, mas quando elas se encontram a explosão de cores é tão grande que para muitas pessoas pode ser insano, mas é o amor, e quando se trata de amor tudo é uma loucura.


Notas Finais




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