História Ópio - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Tags Depressão, Drama, Pecado, Romance, Suspense, Vicio
Visualizações 3
Palavras 1.047
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Causa e efeito


Fanfic / Fanfiction Ópio - Capítulo 3 - Causa e efeito

Ao acordar, Marco se sentiu como se um objeto de peso incalculável tivesse sido deixado em cima de seu peito. Levou a mão à cabeça tentando se orientar em meio à tontura que sentia, e sem motivação alguma, levantou. Já estava acostumado com a indisposição, mas o fato de não se importar com ela, era novo, pois antes, a indisposição predominante era uma das coisas que mais odiava em si mesmo.

Estava preparado para seguir mais um dia de rotina. A prática constante dos afazeres diários fez com que tudo aquilo caminhasse de forma automática.

Após o banho, pegou o celular que se encontrava na cabeceira de sua cama, e olhou as notificações. Ao notar as mensagens dela, Marco se deu conta de que havia deixado de respondê-la na noite anterior. Se fosse em outra época, jamais teria feito isso, e se por ventura o houvesse feito, seria a primeira coisa de que se lembraria ao acordar. Mas ela havia fracassado com ele. Naquele momento tão crucial da sua vida, ela têm sido a única pessoa que ficava ao seu lado, e por isso não podia se afastar dela. A raiva e o rancor não o deixava pedoa-la, mas ao mesmo tempo, a ideia de ficar sozinho com os próprios sentimentos, o deixava apavorado.

Ele mal conseguia compreender os cordéis nos quais os seus sentimentos o havia amarrado. Era tarde demais para se sentir apavorado. No fim das contas, seu medo era uma esperança de que sua alma não tivesse sido mergulhada numa poça de caos de depreciação.

Mas isso não importava mais. Não eram reflexões das quais ele fosse perder tempo em criar. Havia encontrado algo para preencher o vazio em seu peito (acreditava que com o tempo esse vazio seria preenchido). Seus sentimentos estavam embaralhados da forma mais desastrosa possível, mas a morbidez da sua vida não o deixava lidar com esse fato. Se sentia satisfeito com o prazer que encontrara, e tudo o que sentia ademais, aos poucos, inclusive o amor que outrora queimava em teu peito, havia se tornado obsoleto.

Era manhã de sábado, e ele não tinha a mínima ideia do que iria fazer no restante do dia. Esperava que o tempo passasse rápido, a manhã estava quase chegando ao fim, mas já sentia o peso do tédio e da angústia batendo na porta. Olhou ao redor e parou pra observar a bagunça que tomava conta do seu apartamento. Sua cama coberta de roupas, já não sabia se estavam sujas ou limpas, a mochila aberta e jogada no chão, pratos sujos espalhados pela casa... Tudo aquilo o fez sentir-se sufocado. Sabia que tinha que dar um jeito naquilo, mas simplesmente prefiriu ignorar a bagunça. Ninguém entraria ali, ele tinha o dia todo pra arrumar, havia acabado de acordar e decidiu que o melhor pra si era sentar e fazer qualquer coisa de lazer para despertar. E desse jeito, as horas se passaram.

A tortura de passar tanto tempo sozinho e sem fazer nada, o faziar pensar. Pensar demais. Pensava na dor que sentia por conta do seu relacionamento quebrado, pensava na sua procrastinação para com seus deveres, pensava em como a itensidade de seus estudos estavam caindo, pensava no que teria que fazer no restante do dia, e no próximo, e de lá há um mês adiante... Pensava na sua vida desesperançosa e em como ele vivia se arrastando. Tudo isso fluia em sua mente de forma embaralhada. Um caos completo. O desejo que tinha era de rasgar a pele com as próprias unhas, para evitar isso ele levantava, circulava e voltava a sentar onde estava até que os pensamentos voltassem para ele levantar e evitá-los novamente. Era um ciclo. Um ciclo de tentativas falhas de procrastinar até para com seu próprio emocional. “Deixe os sentimentos de lado. Ignore-os. Apenas faça algo que supra teus desejos.”

E então, lembrou de algo que poderia fazer a agonia do sábado ir embora. Pelo menos sua mente iria se acalmar por alguns instantes. Se lembrou da imagem sombria que dias atrás surgiu para ele apresentando aquela proposta irrecusável. Se lembrou de como a aceitação dessa proposta estava ajudando ele a se afastar dessa corrente massacrante de pensamentos.

E então, desligou a televisão. O apartamento ficou em completo silêncio e por isso ele hesitou por uns instantes. Seu peito estava calmo. Não escutava-se um barulho sequer e toda a agonia havia ido embora.

Mas ele se lembrou do porque de ter desligado a TV. Se lembrou do que estava prestes a fazer. Então sentiu sua pele esquentar e seu coração bater mais rápido. Era como se ele tivesse sido submerso em uma piscina borbulhante de água morna. E, repassando em sua mente tudo o que aquela figura o havia dito, se lembrando da sensação que sentiu nos dias anteriores quando fazia o que estava para fazer, sem pensar duas vezes correu para o seu quarto, fechou as cortinas e deixou a casa completamente escura e imersa no total silêncio, era mais confortável fazer qualquer coisa que o acalmasse neste ambiente... Sendo assim, após os preparativos, seguiu adiante com o seu ato.

O prazer tomou conta de si e ele sabia que iria apagar logo depois que tudo terminasse. Era incrível a calma que sentia. Passou o dia inteiro esperando por essa sensação, e quando ela chegou, foi como uma brisa morna num dia ensolarado.

Mas o dia ainda não havia acabado. Seu extase não foi duradouro o suficiente.

Quando todo o prazer foi embora, percebeu que estava no mesmo local onde estava antes, na mesma tarde do mesmo dia, com a mesma casa bagunçada, com os mesmos pensamentos dolorosos de antes. Seu relacionamento não havia melhorado, e sua vida continuava o mesmo lixo que estava minutos atrás. Ele percebeu que nada havia mudado. E agora que o prazer havia ido embora, o que ele faria para acalmar essa dor que estava sentindo?

Pela primeira vez desde que o Emissor apareceu para ele, Marco sentiu uma dor se sobressair por todas as outras, exatamente naquele momento. Um sentimento do qual o Emissor não havia levado em pauta surgiu, atropelando e massacrando o jovem rapaz. Sua respiração ficou profunda e ele se engasgava com a própria garganta seca.

Se engasgou com o gole estonteante e avassalador do arrependimento.


Notas Finais


*Imagem de capa por Jerry Cordeiro.


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