História Opostos - Capítulo 87


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Categorias Histórias Originais
Tags Amizade, Drama, Linguagem Imprópria, Nudez, Romance, Suspense, Trama
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Palavras 2.170
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Famí­lia, Ficção, Lemon, LGBT, Misticismo, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 87 - Esse parasita não é da nossa alcateia


Fanfic / Fanfiction Opostos - Capítulo 87 - Esse parasita não é da nossa alcateia

Capítulo 87 - Esse parasita não é da nossa alcateia

- Não posso ajudar vocês.

- Como não pode nos ajudar? – perguntou, arregalando os olhos descrente. - Você é a única pessoa que sabe tudo sobre os lobos ancestrais, nossa linhagem, tudo. Só você pode nos ajudar. O lobo o está dominando. Ele tomou o corpo do rapaz e agrediu outra pessoa. Quase a matou. Isso não é comum. Não é normal. Precisamos saber porque está acontecendo.

- Já disse, não posso ajudá-los.

Ethan rosnou e se ergueu, irritado. Água Negra estava sentado no chão com as pernas cruzadas diante do corpo, na tenda, e sequer se moveu quando ele saiu de lá. Se o velho índio não podia ajudar, quem poderia?

Ele respirou fundo algumas vezes e voltou para dentro, encontrando o avô ainda sentado, de olhos fechados, como se meditasse. Se sentou em posição semelhante, diante do velho, e tentou mais uma vez.

- Águia Negra, algo está errado com o companheiro de Lilly. Seu lobo o domina e tomou seu corpo algumas vezes. Ele quase matou uma pessoa. O que eu posso fazer para resolver isso?

- Nada – foi a resposta do velho, que fez Ethan fechar os olhos sem paciência. Sabia que, enquanto não fizesse a pergunta certa, não receberia a resposta que esperava. Com Águia Negra era assim que as coisas funcionavam.

- O companheiro de Lilly é um lobo supremo e ele o está dominando. Tomou seu corpo e quase matou uma pessoa ao tomar seu corpo. Isso é normal?

- Não, isso não é normal. Deve haver algo errado com este animal

- Como ele pode saber e resolver este problema?

- Se ele estivesse interessado, ele estaria aqui, não você – o velho respondeu.

Ethan entendeu que Noah deveria ser levado a aldeia para que fosse analisada a sua situação, que parecia ser realmente atípica. – Ok, ele virá – disse, se erguendo.

- Eles se uniram? São companheiros? Não o sinto na alcateia – disse, de repente.

- Sim, ela tem a marca – Ethan deu de ombros.

- Mas ele a tem?

- Não, que eu tenha visto – franziu o cenho. – É necessário?

- Quem tem o encantamento que liberta o lobo? – o velho perguntou a Ethan, como se o testasse.

- Ela... mas...

- Se ela não o marcou, como o lobo dele despertou?

- Eu...eu... – Ethan ficou confuso. – Eu não sei.

- Diz que ele a marcou. Ele não era um lobo adormecido? Sinto que estão lidando com outra magia. Ele é um Master. Um animal forte e ardiloso. Um verdadeiro parasita perigoso e sanguinário. Surge um a cada dois mil anos e vocês o encontraram. Ele precisa ser subjugado, senão domina o seu hospedeiro e toma a sua vida.

- Como o subjugar?

- O marcando. Lilly não tomou esse rapaz como companheiro. Ela não tem nenhuma ligação com ele. Pode simplesmente o deixar ir. A marca que ela tem, de nada vale. É uma ilusão que o animal criou para que ela não despertasse o verdadeiro lobo. Ele é ardiloso e temerário. Engana e cria fatos para conseguir o que quer.

- Quer dizer que Noah não é o companheiro dela? Mas eles agem como se fossem – ele continuava confuso.

- Mas não são. Não estão ligados. Ela pode se livrar dele. Não é sua responsabilidade. Não precisa trazê-lo, basta ela se afastar dele - o velho fez um movimento com a mão, dispensando Ethan.

- Mas ele é filho de um grande amigo. Não podemos deixar o lobo possuí-lo e não fazer nada.

- Não há laços com a nossa linhagem, Lobo Negro. Não podemos interferir. Aquele lobo não despertou por causa de Lilly. Ele apenas já estava lá, como um parasita, e encontrou a oportunidade de se expor. Coincidentemente ele estava no rapaz de quem Lilly se aproximou.

- Ele vai tomar o corpo de Noah para sempre?

- Ele pode ficar tentando, mas não tem poder para isso. A sensibilidade e sentimentos do hospedeiro geralmente o atrapalham e impedem seu crescimento. Só se...

- Se?

- Se ele matar uma pessoa. Se ele dominar seu hospedeiro, matar uma pessoa e tomar o seu sangue. Ele passa a controlar aquele corpo e o hospedeiro some, para sempre. – explicou. - Mas isso não é nossa responsabilidade. Esse parasita não é da nossa alcateia. Se Lilly tivesse marcado o rapaz e ele fosse seu companheiro, seria, mas ela está livre disso. Diga que se afaste desse animal e procure um companheiro – Águia Negra ordenou.

- Eu acho que ela o ama – Ethan apontou.

- Se amasse já o teria marcado – o velho respondeu cético.

- Lilly é diferente. Todos fomos confundidos com a ilusão do Master. Ela pensa que não precisa marca-lo, que ele já é seu companheiro.

- Mas não é. Diga que se afaste antes que ele a perturbe e machuque – o velho vociferou. – Agora saia daqui e vá fazer o que mandei.

Lex estava sentada ao lado das mulheres da aldeia aprendendo a tecer, quando viu Ethan se aproximar com o cenho franzido e rosto preocupado.

- Problemas piores do que imaginávamos? – perguntou, se levantando.

- Você nem imagina – ele suspirou. – Vamos... precisamos conversar com Lilly.

***

Após a conversa com Lilly, o lobo sorriu exultante, voltou comportadamente para o quarto, deitou-se e fechou os olhos, sob o olhar atento dela, que até estranhou o comportamento. Em poucos minutos o ouviu ressonar baixinho, como Noah estava fazendo antes.

Ela voltou a se deitar ao lado dele e deitou a cabeça em seu peito, o abraçando, sentindo o braço pesado e morno cobrir seu corpo em seguida, a puxando mais para si. Sorriu. Ele sempre a apertava contra seu corpo, como se precisasse muito dela. Ela se ergueu, o beijando castamente e ele resmungou algo ininteligível, que  a fez rir. Poderiam se livrar do lobo. Ele havia proposto um acordo. Ela colocaria seu plano em ação, descartaria Justin da vida de Dom e... o daria ao lobo. Então, tudo estaria resolvido.

- Por que está com essa cara de quem está pensando alguma traquinagem? – a voz sonolenta de Noah a atraiu e ela o encarou, com olhos semicerrados e cara de sono, como se dormisse há horas.

Ela riu e o beijou mais uma vez. – Nada, bebê. Eu só estou feliz, porque logo tudo estará resolvido e Dom será nosso  de uma vez – disse.

Noah gostou quando ela disse ‘nosso’. Era tudo o que ele queria, que fossem uma família. A apertou contra seu corpo e a beijou com paixão. – Seremos uma família – ele disse e ela assentiu.

***

Sean ficou na sala desenhando com Dom por vários minutos, até o menino se sentir cansado e cochilar no sofá. Leo estava no quarto e ele não sabia se deveria ir lá ou não. Mais cedo havia sido carinhoso e o confortou. Depois foi seco e ele se trancou. Como ficariam afinal?

Tirou Dom do sofá e o acomodou em almofadas no tapete. Era mais seguro. Deixou o pequeno cochilando e, respirando fundo, foi até o quarto, pois tinha de conversar com Leo. Não queria que aquela situação persistisse e sabia que pressioná-lo poderia ser pior.

O rapaz estava quieto e encolhido na cama. Ele pode ouvir seus soluços baixinho e se sentiu mal por tê-lo deixado sozinho e sido duro com ele, já que sabia que havia algo de errado em seu íntimo. Aquele ataque havia sido o gatilho de lembranças que o machucavam.

Queria abraçá-lo, mas lembrou que não era uma boa ideia chegar de surpresa e fazer isso. Suas costas ainda doíam um pouco da queda da cama. Deu a volta e deitou de frente para ele. Seus rostos bem próximos. Os olhos de Leo estavam fechados e molhados, o rosto vermelho e inchado pelo choro e ele soluçava baixinho.

- Não quero vê-lo chorar, anjo – disse, com carinho, o puxando para si e abraçando, com força. Leo o agarrou como se precisasse muito daquele carinho e chorou mais.

- Me perdoe. Eu... eu... não consigo falar – admitiu entre soluços ansiosos.

- Shhh – ele o silenciou. – Tudo bem. Não precisa dizer nada. Eu estou aqui para você. Desculpe ter sido duro com você na cozinha. Eu... só estou preocupado. Mas não vou me afastar de você, Leo. Nada vai nos afastar – garantiu.

- Promete? – ele pediu.

- Sim, anjo, eu prometo.

- Eu amo tanto você - o rapaz murmurou.

- Eu também amo você, Leo. Não precisa se preocupar com nada. Seja o que for que lembrou, já passou e eu estou aqui com você. Não vou deixar nada, nem ninguém o machucar. Eu vou proteger você – afirmou, o apertando em seu corpo, sentindo o rapaz chorar mais, fragilizado.

Sean o segurou em seus braços por um longo tempo, até sentir que ele se acalmava, o choro cessou e seu corpo não tremia mais. Se afastando um pouco, ergueu o rosto do outro entre os dedos.

- Esses olhos tristes não combinam com você – murmurou e o beijou na boca. Primeiro, castamente. Depois, com carinho e proteção. O terceiro beijo foi mais impetuoso, forte, desejoso. No quarto beijo, as línguas se misturaram em uma conversa muda e ousada. Queria tirar Leo daquele torpor, afastá-lo das lembranças ruins, trazidas pelo pesadelo.

O rapaz se entregou a cada beijo, necessitado de mais contato, que Sean o quisesse, o desejasse. O amava com desespero. Era a única pessoa em toda a sua vida a quem amou. E seu maior medo era perdê-lo.

- Preciso de você – pediu. – Quero muito você.

- Sou seu – Sean sussurrou. – Todo seu.

As mãos se misturavam na retirada das roupas, com pressa. Os beijos eram ardentes e necessitados. As carícias ousadas e Leo penetrou Sean, afoito e desesperado. Foi um sexo diferente. Nervoso, necessário. Que dizia que não iriam se deixar nunca. Que mostrava que se amavam. Foi mais carnal que os outros, mas não menos intenso e cheio de desejo e prazer. Ele só precisava se sentir dentro do outro para ter sua sanidade de volta. E quando, juntos, atingiram o clímax, foi o que faltava para sentir em paz.

- Nunca me deixe, por favor – murmurou contra a boca do outro, em seu êxtase.

- Nunca...

Tomaram banho juntos e Sean fez o outro se sentir tranquilo, deixando de falar sobre o que havia acontecido, agindo como se nada tivesse ocorrido, contando sobre as coisas engraçadas que Dom havia falado naquela tarde e o tratando com carinho. Não podia deixar seu aborrecimento sobrepujar seu amor por Leo.

Era um profissional da mente humana e sabia como ela funcionava. Pressionar seria pior. Devia deixá-lo se sentir seguro se queria que realmente confiasse e falasse o que o perturbava.

Quando foram para a sala, Dom estava acordando e pediu para passearem. Sean quis negar, por causa das marcas no pescoço de Leo, mas ele disse que disfarçaria e também queria sair um pouco.

Colocou uma camisa de gola alta e o agasalho com capuz, além de deixar os cabelos soltos. Os três caminharam no calçadão da praia de mãos dadas e viram o sol se pôr, sentados em um banco. Dom, em pé entre eles, tagarelando e fazendo carinho nos dois.

Depois, o menino ficou brincando na areia, na frente do calçadão, pertinho deles e Leo passou o braço sobre os ombro de Sean, o puxando para si, sentados no banco, descansando o queixo sobre seus cabelos claros, e acariciando o braço dele. Sean colocou a mão em sua coxa e ficou quieto. Era assim que se entendiam. No silêncio, mas unidos. Só voltaram para casa no começo da noite. Leo levando Dom em seu colo, de mãos dadas com Sean.

***

“Lilly, Águia Negra disse que você e Noah não estão unidos e que ele não é seu companheiro. Mandou se afastar dele”, Ethan disse, assim que a filha atendeu o telefone, deitada sobre o peito de Noah.

Ela se sentou imediatamente. “Como assim?”

“Águia Negra disse que não pode fazer nada sobre o parasita que quer tomar o corpo de Noah, porque ele não é seu companheiro. Ele enganou a todos, quando a mordeu, porque sabia que se você marcasse Noah, ele teria de se submeter ao lobo verdadeiro. Vocês não têm vínculos, Lilly. Seu bisavô disse que deve se afastar dele, porque esse lobo é perigoso e ardiloso”, voltou a afirmar.

“Pai, não posso falar com você agora. A ligação... ela está muito ruim. Ligo assim que puder”, disse e desligou.

- O que aconteceu? Você está nervosa – Noah disse, segurando a mão, agora fria, de Lilly.

- Eu não consigo ouvir o que meu pai fala. Vou tentar falar com ele lá fora – falou, tentando parecer menos tensa do que estava, se vestindo e saindo rapidamente do quarto.

“Que diabos é isso? Como assim eu não tenho nenhuma ligação com Noah? Somos companheiros, eu sinto nosso vínculo”, foi logo dizendo, quando o pai atendeu, e ela se sentou nas escadas do prédio, porque não queria que Noah ouvisse aquela conversa.


Notas Finais


Para quem queria, Águia Negra chegou chegando! Botando moral e dizendo tudo!
E para quem não confiou no lobo. Perspicazes, vocês. Ele não é confiável. Está enganando Lilly para ocupar a vida de Noah...


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