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História Opostos - Capítulo 38


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Capítulo 38 - Capitulo 38


Fanfic / Fanfiction Opostos - Capítulo 38 - Capitulo 38

Lauren? — meu coração martelava de encontro às costelas, embora não de um jeito normal. Parecia cansado, lento demais. E minhas costas queimavam, mas eu sabia que não estava ferida. Ela é quem estava.

 Ai, meu Deus, Lauren estava ferida.

 Passei a mão pelo peito dela, gritando ao vê-la ficar coberta de um sangue azul-avermelhado.

— Ah, não…

 Alguém me chamou. E chamou a Lauren também, mas não olhei para ver o que era. Meus olhos estavam pregados nela. Seus lábios, totalmente brancos, se mexeram, mas não saiu nenhum som.

 Isso não estava acontecendo!

Não podia estar acontecendo!

Não tínhamos sobrevivido a tantas coisas, entre elas uma invasão alienígena, para ela morrer agora desse jeito.

— Não! Não! Não! — procurei pela origem do ferimento, mas ela tinha sido baleada nas costas.

E não por uma arma normal.

Lauren começou a piscar, e uma sensação de puro horror se instalou em meu peito. Envolvi seu rosto entre as mãos enquanto meus pulmões lutavam desesperadamente por um pouco de ar. Seus olhos estavam fechados.

— Abre os olhos! Que droga, Lauren, abre os olhos!

Minhas pernas começaram a tremer com o esforço de me manter de joelhos. De repente, Archer e Taylor estavam ao meu lado. Não consegui evitar pensar naquela noite terrível em minha casa, quando a situação fora invertida e era eu quem estava deitada no chão. Na época achávamos que estávamos profundamente conectadas, e que se um morresse, a outra morreria também. Agora, porém, conhecíamos a verdade.

— Não! — gritou Taylor, despencando ao lado da cabeça da Lauren. As mãos se fecharam nos ombros da irmã e ela imediatamente assumiu a forma verdadeira. Sua luz era brilhante, tal como a aura de um anjo.

 — Cura a Lauren, por favor. — minha visão escureceu e eu comecei a oscilar. — Por favor, por favor. Cura sua irmã.

 Archer fez menção de me afastar, mas me desvencilhei dele, agarrando-me a Lauren enquanto lágrimas escorriam por minhas faces.

— O que… o que a gente faz? — não conseguia desviar os olhos. Lauren continuava piscando sem parar, sua linda e brilhante luz cada vez mais fraca. Um frio gélido se espalhou por mim feito uma doença. — Não era uma… arma normal. Era uma daquelas… armas como as que o Lore deu pra gente. Por favor… faz alguma coisa.

— Foi uma das PEP modificadas. — Archer fechou as mãos sobre as minhas, o rosto contorcido em concentração. — Merda. Precisamos nos certificar de que a bala não ficou alojada no corpo. Se não…

Enquanto a ficha caía, tombei de lado, incapaz de me manter ereta por mais tempo. Uma das minhas mãos escorregou do rosto dela. Já não conseguia mais fazer a língua funcionar, e respirar estava se tornando muito difícil. Recorri a todas as minhas forças para me contatar com a Lauren. Não… me deixe. Ó céus… por favor, não… me deixe. Eu te amo, Lauren, eu te amo. Por favor, não desista. Por favor!

Archer soltou uma maldição por entre os dentes, seu olhar dardejando entre mim e a Taylor.

— Camila, eu…

Sequer percebi que estava caindo, mas de repente me vi de costas no chão, olhando para um céu azul sem uma única nuvem. Tão lindo! Um céu de brigadeiro! Mas meu coração doía. Meu peito apertou e meu corpo inteiro ficou rígido.

Não. Não. Não.

Era para a gente ter uma vida inteira pela frente. Hoje, amanhã, muitas semanas e meses, mas ao que parecia não teríamos nem mais um minuto. Meu rosto estava molhado, encharcado de lágrimas, e meu coração batia cada vez mais devagar. O mundo começou a perder nitidez.

Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.

Lauren e eu… não tínhamos mais nada. Não haveria mais nada para a gente.

 Meu corpo voltou à vida pouco a pouco, dormente e dolorido como se eu tivesse corrido uma maratona com um time de zumbis e servido de petisco no caminho. Escutei um bipe contínuo e estranho. Aquilo me irritou, pois tudo o que eu desejava era resvalar novamente para a inconsciência, onde nada podia me alcançar. Não queria sequer me lembrar da razão de não querer abrir os olhos.

A realidade tentava se insinuar nos recônditos da minha consciência, uma realidade fria e assustadora, de partir o coração. Não queria contemplá-la. Queria permanecer naquele lugar onde não havia nada.

O bipe contínuo, porém, não me deixou fugir para esse lugar. Era um som baixo e persistente, um atrás do outro, como se estivesse me perseguindo ou eu o perseguindo, de modo que fiquei escutando enquanto meus dedos se mexiam sem parar. Um tremor percorreu meu braço e, em seguida, se espalhou pelo corpo.

 — Camila?

 Reconheci a voz, o que me provocou uma fisgada de dor, pois ela me fazia lembrar…

Não.

Não podia sequer pensar nisso. De jeito nenhum.

Uma mão quente se fechou sobre a minha e apertou de leve.

— Camila?

O bipe tornou-se mais rápido, assim como o outro.

Outro?

Algo se acendeu em meu peito, como uma pequena fagulha que brota subitamente do nada. Meus sentidos começaram a vir à tona. Podia sentir uma coisa fria em contato com o peito, presa a ele. Os bipes ficaram ainda mais rápidos. E, então, me dei conta do que se tratava.

Um aparelho de monitoramento cardíaco.

E eram duas sequências de bipes distintas, uma acima da outra. Duas. Isso só podia significar… Ao sentir um familiar aroma de natureza, forcei meus olhos a se abrirem e inspirei fundo.

Taylor pairava acima de mim, seus olhos verdes cintilando, aliviados.

— Aí está você. Estava começando a me perguntar se você não ia acordar.

Olhei para ela, a boca seca de pânico. Taylor parecia bem, talvez um pouco estressada. Seu cabelo estava uma bagunça, e o rosto ligeiramente pálido, mas ela sorria. Sua mão apertou a minha novamente.

 Inspirei fundo mais uma vez e, lentamente, virei a cabeça para a esquerda. Meu coração pareceu explodir. Soltei um suspiro.

 Ela estava deitada ali, sua pele naturalmente branca apenas um pouquinho pálida. Só conseguia ver metade de seu rosto, mas era um perfil forte e belíssimo, o maxilar bem talhado, o nariz reto.

Eu olhei de volta para a Taylor, confusa, e, em seguida, arrisquei outro rápido olhar para a cama ao meu lado, sem querer sequer piscar por medo de que ela desaparecesse. Tremendo, ergui-me nos cotovelos.

— Eu… não estou sonhando?

 — Não.

Prendi a respiração, mas não por causa de algo ruim.

— Não entendo.

 Taylor se afastou, me dando espaço para sentar com as pernas para fora da cama.

— É melhor ir com calma.

 Ignorando-a, arranquei os fios de monitoramento grudados no peito e apoiei os pés descalços no chão frio. Só então me dei conta de que estava vestindo uma camisola hospitalar e que estávamos num quarto de hospital.

— Não entendo — repeti.

Taylor se posicionou aos pés da cama dela e abriu um sorriso cansado.

— Era uma bala normal, embora com uma espécie de corrente elétrica inserida nela. Se tivesse ficado alojada dentro dela por muito tempo, poderia tê-la matado… — ela fez uma pausa, balançando a cabeça como se não conseguisse acreditar. — Ela deveria tê-la matado, mas ela aguentou firme.

Ela aguentou firme.

Com as pernas bambas, aproximei-me da cama e fiquei olhando para o subir e descer ritmado de seu peito. Ela estava viva. Estava respirando. Meu coração quase saltou para fora do peito.

Sem conseguir dizer nada, estendi a mão e envolvi os dedos em seu braço. A pele parecia quente e seca. O ar ficou mais uma vez preso em minha garganta.

— Archer ligou para o general e contou a ele o que tinha acontecido. Ainda havia muitos militares na área, de modo que ele mandou um helicóptero para pegar vocês.

Com a mão trêmula, acariciei-lhe o braço.

 — Eles as trouxeram para cá. Estamos numa base militar em Maryland. Tem vários médicos aqui — explicou ela. — Eles conseguiram extrair a bala. E disseram… que ela vai ficar bem, Camila.

Encostei a cabeça no peito dela e fiquei escutando, o coração da Lauren batia tão rápido quanto o meu.

— Ai, meu Deus… — sentei na beirada da cama, meu ouvido ainda colado em seu peito. — Por favor… me diga que isso não é um sonho — murmurei, com os olhos marejados. — Que eu não vou acordar e descobrir que tudo não passou de um sonho cruel. Por favor.

— Não é um sonho. Juro. — Taylor se aproximou de mim e me abraçou com delicadeza. — É real, Camila. Ela vai ficar bem.

 — Obrigada — respondi, a voz grossa de emoção. — E agradeça ao Archer por mim.

Taylor falou alguma coisa, mas eu estava concentrada no som das batidas do coração da Lauren. Mal percebi quando ela deixou o quarto algum tempo depois. Permaneci onde estava, sem conseguir deter as lágrimas. Elas afloravam sem parar, escorrendo pelo meu rosto e pingando sobre o fino cobertor azul preso debaixo dos braços dela.

 Alguns minutos se passaram. Talvez horas. Não me mexi, não era capaz nem queria. Meu coração, enfim, desacelerou. Assim como o dela. E, então, dei um pulo quando um braço se acomodou sobre meu colo. Surpresa e cheia de esperança, ergui a cabeça.

Meus olhos se fixaram em outro par, de um verde brilhante.

— Lauren — murmurei. As lágrimas viraram uma enxurrada, e seu lindo rosto nublou.

Seus lábios se entreabriram lentamente.

— Não chora, gatinha. — como se lhe demandasse um tremendo esforço, Lauren ergueu o braço e secou minhas lágrimas com as costas da mão. — Vamos lá, para de chorar.

Meu peito apertou.

— Eu achei… que nunca mais ouviria você dizer isso novamente. Que tivesse te perdido e… — minha garganta fechou. Segurei a mão dela e a trouxe aos lábios. Em seguida, beijei-lhe os dedos.

Lauren emitiu um som no fundo da garganta.

— Achou que eu fosse te deixar?

Estremeci.

— Eu escutei — disse ela, tentando se sentar.

— Não faça isso — mandei, arregalando os olhos.

Ela fez outro ruído no fundo da garganta, dessa vez com um quê de frustração.

 — Escutei o que você disse lá no jardim. Eu jamais a deixaria, Camila. Jamais. Agora venha aqui e me dê um beijo.

— Mas você… você foi baleada por minha causa, Lauren. — o ar ficou novamente preso em minha garganta. — Ela ia atirar em mim, e você… podia ter morrido. Achei que tinha morrido mesmo.

Ela me fitou em silêncio por alguns instantes, como se de repente eu tivesse duas cabeças.

— O que mais eu poderia ter feito?

 Foi a minha vez de fitá-la sem dizer nada, uma nova leva de lágrimas escorrendo pelo rosto.

— Eu te amo — disse ela, os olhos brilhando de maneira inacreditável ao dizer isso. — Se a sua vida estiver em perigo, vou fazer tudo ao meu alcance para salvá-la. É isso o que o amor faz com a gente, certo?

— Certo — murmurei, ainda em choque. Ela falava como se isso não fosse grande coisa.

 — Eu faria tudo de novo.

Ó céus!

— Lauren, eu… obrigada.

Ela franziu o cenho.

— Não precisa me agradecer.

 — Preciso, sim.

 Seus lábios se curvaram ligeiramente nos cantos.

— Tudo bem. Então me agradeça vindo aqui e me beijando.

 Foi exatamente o que fiz. Abaixei a cabeça e a beijei com suavidade, me deleitando com o seu sabor e o calor de seus lábios.

— Eu amo você demais. E vou passar o resto da vida provando isso.

— Que bom. Gosto disso. — Ela deu um puxão no meu cabelo quando tentei erguer a cabeça. — Que… lugar é esse?

Dei a ela uma versão resumida do que a Taylor havia me contado.

— Eles não sabem muito bem como você conseguiu sobreviver. — funguei. Em seguida, usei meu ombro para secar as lágrimas. — É que não fazem ideia do quanto você é teimosa.

 Lauren soltou uma risada seca e apertou minha mão um pouco mais.

 — Você sabe como eu adoro um desafio.

Meu coração deu um salto ao me lembrar de suas palavras no dia em que havíamos descoberto que estávamos conectadas. Lauren sugerira que a gente ficasse junto, e eu recusara terminantemente. Agora, debrucei-me sobre ela e rocei os lábios em sua testa. De olhos fechados, agradeci a todos os deuses, divindades e profetas que eu conhecia.

— Eu também, Lauren. Eu também.



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