História Opostos, porém iguais - Capítulo 31


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Categorias Undertale
Personagens Alphys, Asgore Dreemurr, Asriel Dreemurr, Chara, Frisk, Mettaton, Muffet, Napstablook, Papyrus, Personagens Originais, Sans, Toriel, Undyne
Tags Alphyne, Charisk, Colegial, Romance, Shoujo, Shoujo-ai, Soriel, Yaoi, Yuri
Visualizações 27
Palavras 4.138
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, FemmeSlash, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, LGBT, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Slash, Suspense, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yaaaaaaaaaay, uma e meia da manhã e eu deveria estar dormindo há um bom tempo, mas eu precisava postar esse capítulo porque senão não dormiria em paz kkkk
Enfim, apreciem com moderação e boa leitura ;3

Capítulo 31 - Show


Frisk p.o.v

Passei as próximas horas conversando com os amigos de Allan remanescentes. A maioria havia saído para se preparar para o show, por isso haviam sobrado apenas cerca de quatro ou cinco pessoas contando comigo. De qualquer forma, a falta de pessoas não tornava o grupo menos agradável. O pessoal parecia bem à vontade mesmo comigo incluída, e por vezes acabamos conversando bastante. 

Convencer minha mãe a me deixar ir foi bem mais fácil do que pensei, já que bastou mencionar o nome do meu melhor amigo para que ela me liberasse sem pensar duas vezes, pedindo apenas para que a comunicasse caso algo acontecesse e para que tomasse cuidado.

Às sete horas em ponto, o céu já estava escuro já que era inverno, e eu, Allan, Alexander e Isabel pegamos um uber até o local do show. Todos já riam e conversavam, enquanto eu passava a me sentir um pouco mais desconfortável em estar naquele lugar. 

Estávamos de frente ao que parecia ser provavelmente uma espécie de boate, a fila para entrar já estava formidavelmente grande, e mesmo do lado de fora, já era bem possível reparar que aquele lugar não fazia meu estilo. Monstros e humanos vestindo roupas pretas, tatuados dos pés à cabeça constituíam a maioria dos presentes, com algumas exceção apenas à pessoas com um estilo tão estranho que sequer fui capaz de descrever. 

Quando olhei para o pessoal ao meu redor, percebi que todos estavam razoavelmente encaixados naquele estilo, menos eu, que vim com roupas simples e confortáveis, já que quando saí meu objetivo com certeza não era participar de um show de rock pesado em uma espécie de boate/bar.

Contudo em sequer entramos no local, apenas nos encontramos com Kitten e Isabel, que saíram da porta do local. Ambas, mas especialmente Kitten, cheiravam a cigarros e um pouco de café, mas decidi ignorar, já que Kitten continuava com aquela expressão estranha de antes. Foram cumprimentadas pelo grupo e logo pediram mais um uber, mas havia um problema naquele momento, e eu aparentemente fui a única a perceber. 

-Pessoal... ─ Chamei a atenção de todos e engoli em seco quando vi o olho vermelho de Kitten me encarar como se estivesse esperando um único erro para que pudesse me esfolar eternamente depois. ─ Nós estamos em seis. Só cabem quatro pessoas no carro. ─ Afirmei enquanto todos se entreolhavam, como se tivessem acabado de se tocar de nosso pequeno problema de matemática. 

-Na verdade, ─ Kitten começou a falar. Seu tom de voz ainda estava mais rouco do que o comum, provavelmente havia perdido a voz em algum dos "shows" que supostamente apresentava. ─ eu estou de moto, não vou com vocês. ─ Deu de ombros. ─ E a Isabel volta comigo, então... 

- Sobre isso, você acha que a Bel pode voltar com a gente? ─ Alice perguntou. ─ Eu precisava conversar com ela sobre algumas coisas.

Allan foi o primeiro a discordar, já que assim nossa conta continuaria com uma pessoa a menos. Todavia, antes que a discussão continuasse, Kitten limpou a garganta, chamando nossa atenção.

- Tudo bem. ─ Ela deu de ombros novamente, passando a mão por seus cabelos extremamente lisos. ─ Mas eu preciso de alguém para voltar comigo. ─ Um silêncio se estabeleceu durante algum tempo, até que ela passou a me encarar de maneira desconfortável. ─ Você. Ninguém se importa se for ela, certo? 

"Eu me importo. E muito", quis dizer, mas não tive coragem. Foi também o que aconteceu, ou ao menos o que eu acredito que aconteceu, para que Kitten recebesse o silêncio como resposta de todos os presentes.

-Galera, o Uber já chegou. ─ Alexander completou, checando a tela de seu aparelho celular e o guardando em seguida, quando o carro prateado parou em nossa frente. Nos despedimos e vi como se fosse em câmera lenta todos menos Kitten entrarem no veículo, me deixando a sós com a garota. 

Naquele momento eu estava tão tensa por estar sozinha com ela que sequer percebi que o meu plano inicial de fato era ficar sozinha com ela. Sim, é verdade que eu pretendia fazer perguntas a ela para descobrir o que foi que aconteceu, mas paralisei ao perceber que a garota me fitava sem o menor pudor, e no exato momento em que reparei, ela ainda por cima lambeu os lábios. 

-Onde você mora? ─ Espere, ela não podia estar me fazendo uma pergunta tão descarada daquela forma. 

- O quê? ─ Perguntei, incrédula. Meus olhos deveriam estar no mínimo arregalados, e não era para menos.

-Eu perguntei onde você mora. ─ Ela respondeu como se fosse óbvio.

-Eu entendi mas...

-Então por que diabos me perguntou de novo? ─ A forma ríspida com que ela falou quase soou como um soco no estômago, mas tentei ao máximo não demonstrar. ─ De qualquer forma, você tem que passar na sua casa.

-Por quê? ─ Perguntei, mas antes que eu pudesse responder, de qualquer forma, ela prosseguiu.

-Você não vai pra lá vestida assim. ─ Pontuou e me senti constrangida olhando para minhas roupas. Além de meu visual ser praticamente um monocromático cinza, embora eu não gostasse muito, precisava confessar que aquelas pessoas eram estilosas, enquanto eu era... Bem, eu. 

Mesmo relutante, dei meu endereço à garota, que rapidamente o levou ao Google e conseguiu um bom trajeto em menos de um minuto. Foi quando ela caminhou calmamente até sua moto. 

Espere, moto?!

"Céus, não me diga, que vamos andar nessa coisa, oh não.", dizia a mim mesma repetidas vezes. Sempre tive um enorme pavor de motos, tanto que eram raras as vezes em que andei na lambreta de Sans, mesmo com ele andando a menos de vinte quilômetros por hora todas as vezes.

-Fecha a boca pra não entrar mosca, princesa. ─ Kitten me mostrou um sorriso maldoso e debochado enquanto eu a encarava com incredulidade.

-N-nós não vamos andar nisso, certo? ─ Perguntei. Minha voz já estava trêmula por conta do medo, e Kitten pareceu perceber, pois não consegui pensar em quaisquer outras razões para ela estar segurando o riso.

-É claro que vamos, gata. ─ Seu sorriso aumentava cada vez mais, o que mesmo que inconscientemente me deu vontade de socar sua cara. Eu estava apavorada! Custava ter um mínimo de empatia? ─ Vamos, Frisk. Se você fizer eu me atrasar para o show... ─ Ameaçou e eu tive minha resposta. Sim. Custava. E muito, aparentemente. 

Porém, eu me mantive estática a encarando, sem um pingo de coragem para subir naquele troço. 

-Okay, olhe... Eu prometo que vou devagar, tá bem? ─ Ela suspirou e eu a encarei indignada. Seria possível que aquilo fosse verdade? Eu sinceramente não tinha certeza se gostaria de descobrir. ─ Palavra de honra. ─ Ela ergueu ambas as mãos, mostrando que não cruzava os dedos. 

-Tudo bem, ─ Afirmei me aproximando devagar da motocicleta. Sequer sabia como ela sabia dirigir, mas perguntar certamente não me deixaria mais calma. ─ mas... devagar com esse... Troço.  ─ Pedi, e ela me encarou quieta, mas claramente me xingando com aquele olho escarlate brilhante. 

Ela colocou um capacete em sua cabeça e me deu um. "Segurança em primeiro lugar, princesa", disse. Um riso sarcástico escapou de seus lábios depois disso, mas preferi não me focar nesta parte.

[...]

EU. NUNCA. MAIS. ANDAREI. NAQUILO. 

JAMAIS.

Meus braços estavam formigando por conta da força que apliquei na cintura de Kitten enquanto ela dirigia e não me lembrava de ter gritado tanto em toda a minha vida. 

-E eu achei que a cantora de heavy metal era eu. ─ Mais um comentário para a lista. Mais uma razão para matar Kitten. Ela tirou o capacete da cabeça e desceu tranquilamente, enquanto meu corpo ainda tremia. Naquele momento de fato era oficial, eu jamais sairia do lugar. E jamais deixaria Kitten dirigir qualquer coisa, nem que fosse um carrinho de supermercado.

Ela estendeu a mão para mim e percebi que ainda estava em cima daquela coisa. Desci rapidamente, mas não relei um dedo na psicopata em minha frente. 

- Isso foi por ter chamado a minha moto de troço. ─ Ela disse enquanto colocava o capacete dentro da pequena caixa no fundo da moto e sinalizou para que eu lhe desse o meu. ─ O que foi, a princesinha não estava acostumada com adrenalina? Admita, foi legal. ─ Ela sorriu, esbanjando aqueles malditos caninos reluzentes.

Queria matá-la Queria muito. 

Foi quando olhei ao redor e percebi que certamente não estávamos na minha casa. Ou em meu quarteirão. Ou em qualquer lugar que eu pudesse conhecer. Muito pelo contrário, estávamos no... Estacionamento de um condomínio...?! Oh meu Deus. Ela me raptou.

- Vamos, não temos todo o tempo do mundo, caso você não saiba. ─ Kitten começou a andar e instintivamente passei a segui-la, já que estava absolutamente perdida. 

-O...Onde estamos indo? ─ Precisei perguntar, vendo que ela parecia possuir um desdém enorme com meu conforto.

-Eu duvido que você tenha roupas decentes, então eu vou arrumar pra você. ─ Deu de ombros, talvez com um pouco da grosseria cotidiana, mas acho que estava acostumada demais para reparar. 

Não disse mais nada, apenas a segui. Fomos até um apartamento não muito grande, mas também não pequeno. Assim como o quarto dela com Ralsei, mas talvez um pouco mais. 

-Vem. ─ Kitten me levou até um quarto inicialmente escuro. Me perguntei qual a necessidade de ascender as luzes quando ela o fez, mas decidi não questionar quando vi as cortinas negras blackout, assim como decorações escuras com algumas referências a astronomia e coisas do gênero. ─ Eu tenho fotofobia, antes que me pergunte. ─ Deu de ombros, abrindo uma gaveta repleta de camisetas escuras, em sua maioria pretas. Me atirou uma delas, cinza escura com um logo de cabeças de cérbero ou algo do gênero. Pegou também uma calça apertada preta e a atirou em minha direção. ─ Deve caber em você, mas se não couber me avisa.

E foi embora, me deixando sozinha no quarto. Quando saí para procurá-la, no entanto, ouvi o som do chuveiro e decidi que talvez não fosse a melhor ideia. Coloquei as roupas, já que não sabia o que mais fazer para esperar. A camiseta ficou perfeita, mas era extremamente confortável, eu precisava admitir. A calça havia ficado apertada, mas nada que eu não conseguisse aturar.

Olhei ao redor e encontrei algumas folhas de papel próximas a escrivaninha. Vi que haviam alguns rascunhos e olhei de canto, logo em seguida os analisando melhor. A marca usada pela intensidade do grafite era evidente, havia uma espécie de "áurea" preta em torno dos desenhos, e não consegui dizer se era proposital ou não. A maioria dos desenhos eram desconexos, mas alguns eram pessoas, e precisava confessar que estavam muito bom. Todos estavam em preto e branco, mas o sombreamento os tornavam bem mais realistas. 

Todavia, decidi colocar os rascunhos exatamente onde estavam. Não queria bisbilhotar tanto o quarto depois do incidente com Chara, portanto estava um pouco traumatizada. 

Quando ouvi o som do chuveiro se desligando, contudo, acabei me assustando e deixando os papéis caírem, e me abaixei rapidamente para pegá-los antes que Kitten voltasse. Ela parecia querer me matar mesmo sem eu jamais ter feito nada para isso, e por isso, pensei que seria melhor não lhe dar razões para descobrir o que aconteceria.

Enquanto arrumava os papéis, acabei encontrando um rascunho um pouco amassado abaixo da escrivaninha, e decidi checar, para ver se ela não o havia perdido.

Era mais um de seus desenhos realistas, mas este se parecia mais com um autorretrato. Era claramente Kitten, mas sem as olheiras ou a expressão mal-humorada. Pelo contrário, ela parecia... Sorrir? Bem, não conseguia concluir muita coisa por conta da enorme quantidade de riscos e rasuras feitos com uma força tremenda no desenho, que acabaram deformando-no. Algo me dizia que Kitten esteve com raiva. 

Me levantei de supetão quando ouvi o som da porta se abrindo.

O lado bom da situação era que os papéis já estavam devidamente postos na escrivaninha.

O lado ruim foi que bati a cabeça na mesma enquanto me levantava.

Olhei para Kitten assustada, com medo de que ela me matasse, mas congelei quando a vi... Nua?!

-O que foi? ─ Ela me encarou confusa. ─ Vai me dizer que nunca tinha visto uma garota pelada na vida?

-Eu... Ah... S-se vista logo! ─ Exclamei inteiramente constrangida com a situação. Desviei o olhar, mas ainda assim pude ouvir os passos ela vindos em minha direção.

-Ah é? E desde quando você manda em mim, princesinha? ─ Ela me fitava com aquele olhar provocante e debochado de sempre. O olho vermelho que não estava coberto pela franja parecia ser capaz de me desequilibrar de maneira indescritível, e o sorriso que externava seus pequenos caninos. ─ E se eu não quiser, hm? 

Ela lambeu os lábios e fui para trás, tentando recuar de seus constantes avanços. Era uma pena que eu estivesse logo atrás da cama do quarto, fazendo com que eu me desequilibrasse e caísse. Ao menos a cama era confortável, mas ainda assim não foi lá a experiência mais confortável da minha vida. Para minha sorte, quando olhei para Kitten novamente ela  já tinha um top cobrindo seu busto, e após isso ela finalmente começou a se vestir. Me virei de costas na intenção de lhe dar um pouco mais de privacidade. Alguns minutos depois, me virei e a vi pronta. Suas roupas eram maioritariamente pretas, combinando perfeitamente com seu estilo recente. Pude ser a corrente que passava por sua calça jeans e levava ao bolso da jaqueta que vestia, provavelmente onde estaria a carteira. Ela mexia em seu celular, aparentemente concentrada, e comecei a esperar que ela dissesse algo. 

Meus dedos começaram a batucar sobre minhas coxas. Não conseguia deixar de me perguntar o que poderia te acontecido com Kitten para que ela tivesse uma mudança tão drástica. Todos pareciam agir como se aquela situação fosse absolutamente natural, como se ela sempre tivesse sido daquela forma, mas não era. Era praticamente como se ela fosse outra pessoa, uma versão completamente alternativa da Kitten que conheci. A Kitten que conheci era gentil, educada, extrovertida, totalmente diferente de uma garota mal-educada, debochada e relativamente quieta como aquela que estava em minha frente. Se não fosse uma teoria maluca, com certeza apostaria que ela era uma irmã gêmea de Kitten ou algo do gênero, mas até mesmo o corte de cabelo era igual, e aqueles olhos heterocromáticos eram simplesmente inconfundíveis!

-Eu sei que eu sou linda, mas precisamos ir, tudo bem? ─ Seu olhar se desviou do celular e foi de encontro ao meu, me constrangendo um pouco. 

Me levantei da cama e fomos silenciosamente em direção ao estacionamento, quando me dei conta de que teria que andar mais uma vez naquela máquina infernal.

[...]

Era oficial, Kitten não era uma pessoa, era um demônio cruel e sem coração. Desta vez, ela havia me prometido que iria devagar, e de fato foi, o que me tranquilizou. Até ela dobrar a esquina e decidir empinar a maldita motocicleta! Como eu queria matá-la, não me importava se eu poderia ser presa por conta daquilo.

Quando por fim a querida psicopata decidiu estacionar a moto, consegui escutar a música barulhenta que vinha do estabelecimento a nossa frente. Havia um monstro alto e robusto tomando conta da porta, que somente olhou para nós com o canto do olho e disse com sua voz grossa e entediada:

-Identidade.

E naquele momento, percebi que estava com alguns problemas. Em primeiro lugar, eu não estava com minha identidade. Em segundo, eu não era maior de idade e nem seria tão cedo. Engoli em seco, já me virando em direção a Kitten e pedindo desculpas por não poder ir. Contudo, ela foi mais rápida.

- Qual é, ela tá comigo. Me quebra esse galho, vai? ─ Pediu, recebendo um olhar frio do segurança em resposta. ─ Por favor? 

O monstro nos olhou friamente de cima a baixo algumas vezes.

- Não vou cair nesse papo. E o rapaz, uh? ─ A pergunta do segurança pareceu pegar Kitten desprevenida.

- Ele é um grandissíssimo filho da puta. Se eu fosse você eu não contaria mais com a presença dele. ─ Sua expressão se fechou, e pude ver um aspecto desconfortável na atitude da garota.

- Tenho certeza de que atirar uma faca nele não ajudou muito. ─ O segurança riu baixo, acompanhado por Kitten. Espere, ela estava rindo?

- De fato. ─ Ela sorriu e o segurança fez o mesmo. Se encararam brevemente, como se conseguissem se comunicar sem a necessidade das palavras. E então ele nos abriu passagem.

- Mande o Ryan me trazer um coquetel por isso. E dá um oi pro Eric. Ele é legal. ─ Kitten ergue o polegar a ele e segura minha mão, me levando a adentrar o local.

-Ei! O que você está fazendo? ─ Perguntei, me referindo a sua mão na minha e as separando.

-O que foi? Você não parecia do tipo de não querer contato quando estávamos no quarto. ─ Mais uma vez a feição repleta de malícia me irritou. ─ Bem, de qualquer forma. ─ Disse, retomando ao principal antes que eu me estressasse. ─ O bar tá lotado, então a menos que você queira se perder...

E seguiu em frente, adentrando na multidão de pessoas e me deixando sozinha. Não se passaram cinco segundos e ela desapareceu de meu campo de vista. "Ferrou", foi a única coisa que se passou em minha mente.

A música do ambiente era alta e haviam pessoas em todo o lugar, mas nenhum rosto minimamente conhecido por mim. Corri onde a vi ir e fui o mais rápido que pude, torcendo para que não fosse tarde demais. Quando a encontrei, me agarrei a manga de seu casaco com força, até que percebi que não era Kitten quando o rapaz se virou até mim com um odor de álcool nada atrativo. Foi quando, atrás de mim, senti algo me puxar.

- Ei, badboy. Ela é minha, foi mal. ─ Estava quase gritando de desespero quando percebi que aquela voz rouca e mal humorada pertencia a ninguém mais, ninguém menos do que Kitten. ─ Ou melhor, não tão mal assim. ─ Deu de ombros.

- Ei, qual é, eu achei ela primeiro e... ─ Foi interrompido pelo brilho do metal saindo de um dos bolsos da jaqueta de Kitten. Ela estava mesmo sacando um canivete naquele lugar.

- Tem certeza disso? ─ Perguntou, o sorriso amarelo nos lábios. Sem dar tempo para uma resposta, ela guardou o canivete e seguiu seu caminho. Desta vez, eu a segui sem pensar duas vezes, e como o local estava lotado, segurei em sua mão com força. ─ Parece que alguém mudou de ideia, huh? ─ Sorriu mais uma vez e seguimos o caminho.

Depois de esbarrarmos em alguns estranhos, sermos xingados e termos algumas visões um pouco estranhas e perturbadoras, nos aproximamos de um espaço que eu sequer sabia que existia, guardado por dois seguranças. 

- Nome. ─ Um deles pediu, ambos apresentavam uma postura ainda mais impassível do que a do anterior. Após alguns murmúrios do que me pareciam ser codinomes não aceitos pelos guardas, Kitten revirou os olhos:

- Vampira. ─ Os seguranças então abriram a porta e nos deram espaço para entrar.

A porta se fechou logo atrás de nós, e senti um mal pressentimento na hora. A nossa frente estava um corredor escuro iluminado por luzes consideravelmente mais fracas do que as do lado de fora. Seguimos em frente até encontrarmos uma cortina escura, e quando adentramos, fiquei quase que nauseada por conta da fumaça malcheirosa que tomava conta do local. 

- Ora ora, parece que as princesinhas finalmente chegaram. ─ No final do cubículo, Isabel disse sentada no que parecia ser um banquinho. Apoiados ao lado dela estavam Alice e Allan, ambos exalaram fumaça quando tiraram seus cigarros da boca simultaneamente.

- Cala a boca antes que eu corte sua língua fora. ─ Kitten ameaçou em um rosnado enquanto se escorava em uma das paredes.

- Ui, que meda. ─ Isabel revirou os olhos enquanto tragava um pouco mais de... Seja lá o que estava fumando. O grupo todo estava presente e assistia quieto enquanto Kitten estava prestes a avançar na direção dela quando Eric, que estava despercebido sentado em um canto da sala, se manifestou:

-Relaxem, meninas. Pelo amor da Rihanna não se matem justamente hoje, certo? ─ Até ele parecia um pouco ranzinza, ou talvez fosse apenas o efeito da maconha, não tive certeza. 

Depois disso, Kitten bufou e um clima pesado se instaurou no local, e parte dele não se devia apenas a fumaça altamente prejudicial aos nossos pulmões. Alguns minutos depois, foi Susie, por outro lado, quem quebrou o silêncio:

- Pessoal, o cheiro desse lugar tá muito forte pro Lancer, vou levar ele pra fora, tudo bem? ─ Ela avisou, vendo o pequeno e alvo garoto em seu colo rindo sem razão alguma para aquilo.

- Claro, não faço nem ideia do porque diabos você decidiu trazer esse maricas pra cá.  ─ Isabel resmungou mais uma vez, acompanhada por murmúrios em concordância de Allan e Alice. 

- Ei, retire o que você disse sobre o Lancer. ─ Susie rosnou. ─ A sorte é dele de não ser um drogado como vocês! ─ Esbravejou, começando a se levantar. Não tive muita certeza se aquilo era para sair do cômodo ou ameaçar alguém.

- Ei. ─ Allan chamou a atenção dela. ─ Eu sei que você terminou com a sua namorada mas isso não quer dizer que nós vamos aturar as suas briguinhas só porque perdeu sua parceira de D.R. ─ Disse em tom monótono. 

- Cala a boca, loiro de merda!

- Credo pessoal, dessa forma vocês até me fazem sentir falta da Chara aqui. ─Foi a vez de Ryan passar a mão em suas guelras e se manifestar. ─ Ela com certeza já teria resolvido essa briguinha de vocês. ─ Ele revirou os olhos enquanto fazia cachinhos com seus dedos em seus cabelos.

- Pelo menos ela parecia ter razão agora. ─ Kris disse baixo, chamando a atenção de todos já que ele costumava ser o mais quieto.

- Calem a boca todos vocês! ─ Kitten vociferou. ─ A Chara que vá para o inferno, assim como todos vocês. 

Era possível ver a raiva em seu olhar, tornando o clima ainda mais tenso no cubículo em que estávamos. Até Isabel soltar uma risada escandalosa, que só não foi mais adiante por conta do segurança que entrou no local. 

-Vocês vão entrar em cinco minutos. ─ Avisou e se retirou logo em seguida. Todos se observaram em silêncio e mais nenhuma palavra foi dita até o momento da apresentação. 

Saíram todos mais uma vez até o local lotado de pessoas, indo em direção ao pequeno palco que tinham. Cada um dos integrantes preparava seu instrumento, e em alguns minutos já estavam prontos: baixo, bateria, guitarras e microfones prontos.

Subitamente, as luzes se apagaram. A melodia começou lenta com Kitten cantando baixo no microfone, seguida por alguns assovios e comentários do público, que estava um pouco mais silencioso. Ao meu lado estavam Eric e o pequeno Lancer, que observavam quietos, entretanto este último com uma empolgação e admiração silenciosas extremamente adoráveis de se ver. E um pouco mais a frente estava Ryan, que preparava as bebidas ao lado do palco para as pessoas presentes.

As luzes se ascenderam mais uma vez exatamente no mesmo instante em que a voz de Kitten se elevou e atingiu um ritmo frenético, juntamente com os instrumentos de fundo. 

Naquele momento, Kitten parecia diferente de qualquer outra situação em que eu já a havia visto. Não era a Kitten gentil e simpática, mas tampouco a ameaçadora e hostil. Era apenas a garota de coturnos e roupas negras como a noite, que contrastavam completamente com a pele branca e olho vermelho exaltado pela iluminação. Suas pregas vocais eram forçadas de forma surreal conforme sua voz saía, e vez ou outra seus dedos corriam pela corda da guitarra de forma menos apressada, e sua voz voltava a um tom um pouco menos agressivo, mas ainda ácido, assim como ela. 

A música era estranhamente boa, e quando foi finalizada pelo solo de Allan, foi respondida por uma série de assovios e palmas, quando todos saíam do palco.

- Somos Underfell, porra! ─ Allan e Kitten gritaram simultaneamente em seus microfones quando desceram do palco, sorrindo um para o outro enquanto cumprimentavam a equipe pelo trabalho.

- Eu disse que eles eram bons! ─ Eric quase gritou ao meu lado para conseguir ser ouvido por conta dos sons de berros ao meu redor, e eu concordei com um meneio de cabeça.



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