História Orange - Capítulo 11


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kris Wu, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho
Tags Angs, Chanbaek, Drama, Exo, Hunhan, Longfic, Romance, Tragedia
Visualizações 167
Palavras 3.510
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi mores

Chegamos no final de orange eeeee

To mt triste kkk odeio terminar fics, mas vamo la né

Já vou avisando q tem umas coisinhas nas notas finais, tipo o link da musica na qual orange foi inspirada e tal..

Enfim, boa leitura e não me matem <3
Amo vocês <33

Capítulo 11 - Capítulo 10 (Final): A world without you.


Fanfic / Fanfiction Orange - Capítulo 11 - Capítulo 10 (Final): A world without you.

Sehun estava dormindo graças a anestesia.

Junmyeon respirou fundo, ajeitou sua máscara no rosto e começou o procedimento.

 

Estava completamente focado na cirurgia. Tudo que passava em sua mente era que precisava curar Sehun.

Ele iria curar Sehun. Custe o que custasse.

A primeira incisão foi feita. As gazes foram tomadas pelo escarlate do sangue do paciente.

Junmyeon começara a suar.

Vez ou outra uma enfermeira passava um lencinho pela testa do médico cirurgião.

Junmyeon pedia os instrumentos, os enfermeiros entregavam.

 

– Ele tá perdendo muito sangue! – um dos enfermeiros anunciou.

– Transfusão! Agora!

 

Uma bolsa de sangue foi ligada a veia de Sehun.

 

 

Junmyeon chegou ao tumor.

 

A remoção começou.

 

– Batimentos diminuindo.

 

Vai dar certo.

 

Vai dar certo.

 

Tem que dar certo.

 

Junmyeon repetia como um mantra em sua cabeça.

 

As luvas sujas com o sangue de Sehun.

 

A testa orvalhada de suor.

 

 

Um minuto.

 

Dois minutos.

 

Dez minutos.

 

Meia hora.

 

 

Metade do tumor já tinha sido retirada.

 

– Chegamos na parte sensível. Luz!

 

A lâmpada que iluminava o corpo de Sehun foi trazida para mais perto.

 

 

Dez minutos.

 

Vinte minutos.

 

Uma hora.

 

 

Noventa por cento do tumor tinha sido removido.

 

Os batimentos diminuíram outra vez.

 

Sehun perdera a cor.

 

 

– Estamos perdendo ele!

 

 

Não.

Não.

Não.

Só mais um pouco, Sehun.

Vamos.

 

 

Dez minutos.

 

Os batimentos estavam cada vez mais fracos.

 

Aguenta, Sehunnie.

 

Vai dar certo.

 

Tem que dar certo.

 

 

Dez minutos.

 

Tumor removido.

 

Batimentos ainda mais fracos.

 

 

Por favor, Sehun. Só falta os pontos.

 

 

Dez minutos.

 

Vinte pontos.

 

Sem batimentos.

 

– Não! Desfibrilador, agora!

 

O objeto foi entregue em suas mãos. O gel condutor foi passado no peito do paciente. O aparelho foi ligado.

 

– Duzentos joules! Afasta!

 

O corpo de Sehun subiu por conta do choque e voltou a cair inerte na maca.

 

Nada.

 

Uma massagem cardíaca foi feita em Sehun para que uma nova descarga elétrica fosse aplicada.

 

– Trezentos joules! Afasta!

 

Mais uma vez.

 

Batimentos voltando.

 

– Isso!

 

Últimos pontos.

 

Cirurgia finalizada.

 

– Deu certo! DEU CERTO!

 

Lágrimas de felicidade.

 

Junmyeon conseguira.

 

Sehun estava curado.

 

Tirou as luvas, a touca e a máscara.

Saiu do quarto e encontrou Baekhyun ao lado de Chanyeol e Sra. Oh.

 

– Por que você tá chorando? – O menor foi até ele com um semblante desesperado.

– Baekhyun...

– O que foi, Jun?

– Deu certo!

– O Hunnie...

– Tá curado!

 

Baekhyun perdeu a fala. Lágrimas tomaram seus olhos. Abraçou Chanyeol e sua mãe. O maior também chorava e a mulher gritava de alegria.

Finalmente.

 

Sehun acordou no dia seguinte, ainda muito grogue para raciocinar direito. Permaneceu deitado até que seus sentidos voltassem.

Junmyeon apareceu.

– Parece que o campeão acordou!

– Jun – a voz saíra fraca.

– Alguma dor?

Negou com a cabeça.

– Eu tô...

– Curado!

– Jura? – Abriu um sorriso fraco.

– Sim! Agora vamos focar na sua recuperação.

– E o Lu?

– Dormindo.

– Ainda doente?

– Infelizmente – desviou os olhos e suspirou pesadamente.

– Quanto tempo até eu poder sair pra ver ele?

– Uma semana. Hoje você vai ficar deitadinho aí. Seu irmão, sua mãe e seu melhor amigo querem te ver, vou deixar eles entrarem e mais tarde vamos te levantar pra você tomar banho. Semana que vem já vai poder andar, mas nada de correr ou fazer muito esforço por um mês.

– Ok – sorriu.

 

Junmyeon saiu e, segundos depois, três pessoas com sorrisos enormes passaram pela porta.

– Hunnie! – Baekhyun o abraçou com todo o cuidado do mundo. – Você tá curado! Curado! Isso é tão maravilhoso!

– Sim! – Sehun queria se levantar e dar pulinhos junto com seu irmão, mas não podia.

– Agora você vai poder fazer tudo! Vamos poder entrar na faculdade juntos e abrir o um restaurante juntos!

– Vocês vão ter a vida toda pra isso, deixa eu comemorar com meu melhor amigo, por favor, Baekkie – Chanyeol pediu fazendo seu famoso bico, coisa que sempre desarmava seu namorado.

– Tudo bem – Baekhyun abriu espaço para que o namorado abraçasse Sehun da mesma forma cuidadosa.

– Você tá curadasso, viado!

– Agora vou viver mais uns anos pra te encher o saco, seu babaca.

– Vou poder te dar uns chutes nessa raba seca sem me importar com a porra do teu pulmão porque agora ele tá mais limpo que o meu – riu.

– Vamos ver quem vai chutar quem, cuzão. E seca é a sua avó, tenho mais bunda que muitas.

– Verdade, a raba grande é de família – deu um olhar sugestivo para Baekhyun, que retribuiu com um tapa na nuca.

– Depravado!

– Para de tarar meu irmão, seu traste de merda!

– Você vai ver quem é o traste quando tiver melhor e eu te jogar da escada, demônio.

– A amizade de vocês é tão linda! – Sra. Oh falou irônica, com os braços cruzados e os olhos semicerrados.

– Desculpa tia – Chanyeol deu um sorrisinho de lado.

– Não vou pedir desculpa porque foi ele que começou – Sehun empinou o nariz.

– Babaca.

– Mãe tira ele de perto de mim, ele tá piorando meu estado!

 

A mulher andou até Chanyeol e deu um tapa em sua cabeça.

– Ai! Que vacilo, sogrinha – acariciava o local dolorido. – Sua mão é pesada igual a do Baek, a força e o tamanho reduzido com certeza vem do seu lado da família – mais um tapa. De Baekhyun dessa vez. – Ai amor! Não faz isso!

– E você, Oh Sehun, quando melhorar ganha o seu – a mãe o olhou séria.

– Mal saio da cirurgia e já tenho um tapa agendado. Eu te odeio, Park.

 

Os presentes riram e a mulher acariciou os cabelos do filho mais velho, dando-lhe um beijo na testa em seguida.

– Tentei ligar pro seu pai pra contar da cirurgia – a mulher começou cautelosa – mas, como sempre, ele não atendeu.

– Nem sei porque você ainda tenta ligar pra’quele lixo – Baekhyun cruzou os braços. – Depois dele ter abandonado a gente por um motivo tão merda eu parei de considerar aquilo como pai.

– Eu nunca considerei, na verdade – Sehun disse. – Ele vivia trabalhando, nem dava atenção pra gente. Só aparecia em casa pra transar e olhe lá.

– Sehun! – Sua mãe o repreendeu.

– É mentira? – Viu a matriarca ficar em silêncio. – Todo mundo sabe que ele já queria meter o pé. Depois que o Bae começou a crescer ele se afastou ainda mais. Quase nunca falava com a gente e quando falava era pra brigar com o Baek por ele ser afeminado demais – revirou os olhos com as lembranças.

– Ah se ele soubesse da minha coleção de delineador importado – Baekhyun falou com falso pesar e todos riram.

– Ele nunca gostou muito de mim – Chanyeol sorriu. – Principalmente por eu ter enfrentado ele.

– Você só tava defendendo seu preciosinho – Sehun debochou. – Eu lembro que o babaca ficou vermelho de raiva quando você disse que o doente daquele lugar era ele e puxou o Baekhyun pra longe. Ficou xingando o universo o resto do dia – riu – e depois daquilo a rainha da casa botou ele pra fora da melhor forma possível.

– Foi a primeira e última vez que ele levantou a mão pros meus meninos – Sra. Oh falou, pensativa. – Mereceu cada vassourada que levou – os outros riram. – Confesso que achei que ele pudesse mudar quando visse o quão feliz o Baek era perto do Chan, mas agredir um menino de dez anos só por ele gostar do amiguinho foi demais. Se ele não gosta de homossexuais que não namore um!

– Eu amo tanto minha sogra! – Chanyeol abraçou a mulher. – Depois que ela botou o babaca pra correr minha mãe teve coragem de fazer a mesma coisa com o embuste do meu pai.

– Eles sempre diziam que não aceitavam gays... me pergunto até hoje quando foi que um gay pediu aqueles idiotas em namoro pra eles terem que aceitar ou não... – Os presentes gargalharam. – Realmente eram babacas, mas ainda assim achei que seu pai precisava saber sobre a cirurgia. De qualquer forma, se ele não quer, então que vá se foder!

– Mãe! – Baekhyun e Sehun exclamaram ao mesmo tempo.

– Aprendi com o Chanyeol – recebeu uma piscadela do maior.

 

 

 

Depois de muitas histórias e risadas, os visitantes foram embora e Sehun voltou a dormir.

De noite, naquele mesmo dia, Junmyeon voltou com uma enfermeira e o ajudou a levantar, assim como ajudou no banho.

Pôs Sehun de volta na cama, regulando para que ficasse inclinada e trouxe a comida do menor.

Duas vezes por dia o curativo era trocado e Sehun tomava alguns remédios para dor e para cicatrização.

 

Isso se seguiu durante toda a semana.

O paciente recebera mais visitas, tanto de sua família, como da família Lu.

 

Chegou o dia que Sehun podia se levantar. Oito dias após a cirurgia.

– Os pontos já tão bem sequinhos. Mais uns dias e já vamos tirar – Junmyeon sorriu. – Você tá se recuperando bem rápido.

– Isso é bom, certo?

– É ótimo.

– Jun... eu posso ver o Lu? – Viu o médico retesar.

– Sobre isso...

– O que?

– Tudo bem – suspirou –, pode sim. Pega a máscara.

Junmyeon respirou fundo várias vezes e pensou bastante antes de decidir, mas resolveu deixar que Sehun visse o namorado.

– Máscara?

– É.

– O que o Luhan tem?

– Sehunnie, é melhor-

– O que o Luhan tem? – Repetiu a pergunta.

– Ele tá doente.

– Sim, mas o que é?

– Sehun, eu acho melhor voc-

– Jun, fala logo!

– Tuberculose.

 

O mundo de Sehun parou naquele instante.

 

Luhan. Seu Luhan.

 

– Foi culpa minha – as primeiras lágrimas já desciam. – Foi culpa minha!

– Não foi culpa sua.

– Claro que foi!

– Sehun, se acalma, você não pode forçar o seu pulmão.

– Jun, é culpa minha!

– Para! – Segurou o rosto do menor. – Para e me escuta! Não foi culpa sua. Esse tipo de coisa acontece. Você não era o único que tinha tuberculose e Luhan veio aqui várias vezes. Ele pode ter contraído de qualquer um.

– Mas-

– Para de se culpar por isso. Você ficar chorando e se culpando vai mudar alguma coisa?

– Não...

– Então para, ok? Você tem que dar forças pro Luhan agora.

– O quão mal ele tá? – Não conseguia impedir as lágrimas de continuarem seu caminho.

– Quer ir lá ver ele?

– Quero.

– Bota a máscara.

Sehun obedeceu e foi andando ao lado de Junmyeon até o quarto onde seu pequeno estava.

 

Seu coração pareceu pesar dez quilos quando entrou e viu seu Luhan naquele estado.

O menor usava uma máscara de oxigênio para auxiliar na respiração. Estava pálido e não conseguia passar mais de dez minutos sem ter uma crise de tosse.

– Hannie... – voltou a chorar e se sentou ao lado do menor, segurando a mãozinha, que agora estava gelada.

– Não chora.

– Hannie, você...

– Tá tudo bem.

– Foi culpa minha!

– Não foi.

– Mas Han-

– Sehun... eu te amo.

– Não fala isso desse jeito!

– Desculpa.

– Não pede desculpa.

– Hunnie, a cirurgia deu certo, né?!

– Sim...

– Eu disse que ia dar – apertou a mão de Sehun. – E disse que você ia voltar e eu ia estar aqui te esperando – acariciou o rosto do maior com a mão livre.

– Você cumpriu sua promessa – sorriu.

– Promessas são promessas. Agora você tem que cumprir mais uma coisinha.

– O que?

– As duas últimas páginas.

– Cadê o livro?

– Na minha mochila.

Sehun se levantou e pegou o livro na mochila do menor, voltando a se sentar na cama.

– Eu vou ler, então presta bastante atenção – pediu e o menor assentiu.

Segurou o livro com uma mão e a outra entrelaçou com a de Luhan.

Sehun leu as duas últimas páginas, como prometido. Mesmo com a voz embargada e o choro silencioso, ele conseguiu finalizar a leitura.

– Obrigado – Luhan falou com a voz fraca.

 

Uma crise de tosse.

 

– O que vamos fazer agora?

– Nada – riu, voltando a tossir.

– Vamos tentar conquistar o mundo?

Luhan pensou um pouco antes de responder.

– Eu... conquistei você?

– Cada célula do meu ser.

– Então não preciso mais tentar – sorriu.

– Não faz isso comigo.

– Ei, Hunnie – pegou o coelho de pelúcia ao seu lado e entregou para o maior. – Eu quero que você fique com o Luoh, ok?

– Por que? Não é seu amuleto da sorte?

– Agora é seu.

– Por que Luoh?

– Nossos sobrenomes – deu de ombros. – Cuida dele pra mim, tá bom?

– Não, nós vamos cuidar dele juntos. E-e vamos adotar nosso filho no futuro. Você já até escolheu o nome, lembra?!

– Sehunnie.

– O que?

– Eu te amo – apertou mais a mão do maior. – Muito. Você salvou minha vida.

– Não, você que salvou a minha. Eu não seria nada sem você. Luhan você é o meu anjo. Eu te amo tanto...

 

E ali, enquanto segurava firme a mão do outro e o olhava nos olhos, demonstrando todo o amor que sentia, Luhan deu seu último sorriso por trás da máscara transparente antes de fechar os olhinhos.

– Luhannie? – Chamou ao sentir o aperto em sua mão afrouxar. – Luhan! – A máquina ao seu lado fazia um barulho ensurdecedor, indicando o fim dos batimentos cardíacos do menor. – NÃO! – Chorava compulsivamente. – LUHAN! NÃO! POR FAVOR HANNIE! – Apertava a mãozinha menor que a sua. Com uma delicadeza que contrastava com seu desespero, Sehun segurou o rostinho do menor com a mão livre. – Fala comigo!

 

Junmyeon entrou no quarto e abraçou Sehun, o tirando de perto do outro.

– Sehun! – O menor se debatia, tentando voltar para perto de seu pequeno e acordá-lo.

– JUN! FAZ ALGUMA COISA!

– Não dá, Sehunnie. Me desculpa.

– DÁ SIM! POR FAVOR, SALVA O MEU LUHAN!

 

O médico puxou Sehun, que ainda se debatia e gritava pelo namorado, para fora do quarto.

– Sehun, você precisa se acalmar! – Junmyeon pediu, chorando tanto quando o menor.

– NÃO! O MEU LUHAN! ME SOLTA!

 

Os enfermeiros ajudaram a segurar Sehun, que se debatia, chorava compulsivamente e gritava por Luhan.

O menor começou a tossir sangue, mas não parou de chamar pelo namorado nem por um segundo sequer, até sua visão escurecer e ele cair nos braços de Junmyeon.

 

 

Acordou com uma agulha na veia e a cabeça pesando uma tonelada.

Como num flash, se lembrou de tudo que tinha acontecido e voltou a chorar. Tentou se levantar, mas não tinha forças.

 

– Você forçou demais seu pulmão – a voz quebradiça de Junmyeon vinha de algum lugar ao lado da cama. – Não foi tão grave, mas vai ter que ficar uns dias aqui.

– O meu... Lu... Han... – a voz quase não saía.

– Ele tá num lugar melhor, eu prometo.

– Sem... dor?

– Sem dor – Junmyeon sorriu, mesmo que as lágrimas rolassem por sua face.

Sehun se permitiu sorrir antes de apagar outra vez.

 

Acordou no dia seguinte e conseguiu se sentar na cama. Estava um pouco mais calmo e conformado, mas ainda assim a dor em seu peito era avassaladora.

Sentia um vazio enorme. As lágrimas desciam em silêncio.

– Alguma dor? – Junmyeon perguntou. Havia passado a noite ao lado de Sehun.

Negou com a cabeça.

– Quero ver ele.

– Olha, eu não sei se-

– Por favor...

– Tudo bem – respirou fundo e se levantou da cadeira, pegando o soro do suporte e ajudando o menor a se levantar.

Foram até onde Luhan se encontrava.

Sehun ficou parado diante do vidro, vendo o corpinho que tanto amava coberto por um lençol branco. Pôs a mão contra a superfície gelada.

 

– Aids – Junmyeon quebrou o silêncio.

– O que?

– Era o que ele tinha.

Sehun arregalou os olhos.

– Por que ninguém nunca me contou?

– Ele queria ser tratado como uma pessoa normal.

– Eu nunca trataria ele de forma diferente.

– Eu sei e, acredite, ele também sabia disso, mas não quis preocupar você. Ele te amava, e muito.

– Eu também. Amo até agora, até hoje.

– Sabe, pelos meus cálculos ele não aguentaria até a cirurgia.

– Que?

– A doença tava muito forte, eu não achei que ele chegaria até onde chegou.

– Então como...

– Ele me disse que ia te esperar. Eu já tinha conversado com Yifan e com a mãe deles. Luhan fez vários exames e todos indicavam que ele não sobreviveria nem até o dia da sua cirurgia. Mas ele sobreviveu – acariciou os cabelos do menor. – Eu lembro que um dia, um pouco antes da cirurgia, eu entrei no quarto dele, mas não fui visto. Percebi que ele tava falando sozinho, então parei na porta e prestei atenção. Ele olhava pela janela enquanto dizia: “Só mais um pouquinho, mais uns dias, eu preciso ver o Hunnie bem. Preciso cumprir minha última promessa.”

– E-ele... – Sehun chorava, assim como Junmyeon.

– Ele aguentou cada segundo, cada hora, cada dia, só pra cumprir a promessa. Seu Luhan realmente te esperou. Sinceramente eu nunca vi nenhum amor tão puro quanto o que vocês tinham.

– Luhan era um anjo. Sempre foi. Desde a primeira vez que a gente se encontrou aqui no hospital, eu já sabia que ele era especial de alguma forma. Ele foi muito forte, né?

– Bastante. Tão forte quanto você.

– Eu sinto falta dele.

– Eu também.

– Logo agora que eu tô curado...

– Sinto muito.

– Não sinta. Ele foi em paz – abriu um sorriso fraco ao se lembrar do último sorriso de seu pequeno, que fora direcionado para si. – Mas Jun, se ele tinha aids, então...

– A mãe dele também tem, se é isso que quer saber. O Yifan deve te contar isso direito depois. Agora, vamos voltar pro quarto, ok?

– Tudo bem – deu uma última olhada pelo vidro e acompanhou Junmyeon.

 

 

No dia seguinte, durante o horário de visitas, Yifan entrou no quarto de Sehun e o abraçou. Acabaram chorando juntos, antes de o mais velho tomar fôlego para falar algo.

– Junmyeon já te contou o que ele tinha, né?

– Contou.

– Minha mãe tem também e meu pai tinha.

– Você não tem?

– Não. Quando eu nasci meus pais eram saudáveis. Na época que eu tinha um ano, mais ou menos, eles brigaram e se separaram. Não lembro de nada, minha mãe que me contou – deu de ombros. – Um ano depois meus pais voltaram, mas durante o tempo em que ficaram separados meu pai se envolveu com uma mulher que tinha aids, aí acabou pegando dela e passando pra minha mãe. O Lu já nasceu com isso, então tinha a imunidade baixa desde pequeno, por isso era bem mais frágil que a nossa mãe, já que ela sempre teve a imunidade alta antes da doença.

– Eu não sabia...

– Agora tudo faz sentido, não é?

– Sim.

– Mas o Lu foi bem forte. Os médicos viviam dizendo que ele não ia chegar aos quinze anos. Mas ele chegou – sorriu para o mais novo.

– E continuaria vivendo se eu não-

– Sehun – interrompeu o outro –, para com isso. Não foi culpa sua. Você nem sabia que ele tinha aids.

– Mesmo assim, Fan!

– Sehunnie – Yifan acariciou os cabelos do menor. – Você foi a melhor coisa na vida do Lu, ok? E isso não vai mudar nunca. Ele te amou durante esse tempo todo e eu acredito que continua te amando até agora. Então força, menino Oh. Você tá curado, vai fazer sua faculdade, vai abrir seu restaurante e me chamar pra ser administrador – riu junto com o outro. – E vai ser muito feliz, como o Lu quer que você seja, tudo bem?

– Obrigado – abraçou o maior. – Eu vou tentar. Por ele.

 

 

 

 

O enterro de Luhan ocorreu três dias depois.

Sehun segurava o pequeno coelho branco, que Luhan dera o nome de Luoh, em uma mão, enquanto carregava um saquinho pardo na outra.

Assim que o caixão foi soterrado as pessoas começaram a ir embora devagar.

Sehun viu todos os rostos tristes darem uma última olhada para o local onde estava o corpinho de Luhan.

Sra. Lu, kris, Baekhyun, Chanyeol, Junmyeon, Kyungsoo, Minseok, todos estavam lá, derramando lágrimas e mais lágrimas pela perda do pequeno Luhan.

 

Todos saíram. Sehun foi o único que permaneceu no lugar.

 

– Filho? – Sra. Oh chamou.

– Eu vou ficar aqui mais um pouquinho, podem ir na frente. Me esperem no carro.

Assim que se viu sozinho ajoelhou ao lado do túmulo do namorado.

– Ei, Hannie, sou eu. Seu Sehunnie. Você já encontrou seu pai aí em cima? Espero que sim. Espero também que você me espere, porque daqui uns anos eu vou aí te encontrar, ok? E na próxima vida nós vamos fazer tudinho que planejamos. Vamos casar, ter filhos, conquistar o mundo e mais o que você quiser fazer – tentava, sem sucesso secar as lágrimas – eu te amo – respirou fundo e olhou para cima antes de voltar a falar: – Eu trouxe nosso Luoh pra se despedir de você também. Ele vai sentir sua falta, sabe? Só não mais do que eu vou.

A chuva começara a cair.

– Viu Luhannie? céu tá chorando – lembrou-se do que o namorado costumava falar quando chovia – e eu também tô – passou as costas da mão pela bochecha. – Ah! – Pegou o saquinho que jazia a seu lado. – Eu lembrei do que você me disse naquele dia, sobre não querer flores – tirou duas laranjas do saquinho. – Aqui – depositou as frutas ao lado das flores que outras pessoas haviam deixado ali. – Eu demorei pra escolher elas, então espero que você goste.

Respirou fundo e se levantou, dando uma última olhada para o lugar onde o corpinho que tanto amou estava.

Com muito pesar, se virou e andou em direção a saída do cemitério, abraçado ao pequeno coelho, que agora se tornara tão inseparável para si quanto era para o pequeno Luhan.

Parou no meio do caminho e tomou coragem para se virar e proferir as últimas palavras daquele dia, com um sorriso mínimo no rosto todo manchado por lágrimas:

 

– Eu te amo. Pra sempre.


Notas Finais


Primeiro de tudo, eu sei q vocês esperavam um milagre como em 99% das fanfics desse site, com todo mundo bem, final feliz e os caralho, mas é aquilo, pessoas morrem todos os dias, por motivos muito mais leves do q hiv, então tentem entender q mesmo o casal mais bonito do planeta pode ser separado do dia pra noite dessa forma.

Em segundo lugar, Orange foi inspirada numa musica, q tem o mesmo nome da fanfic, tá aqui o link: https://www.youtube.com/watch?v=uLO5QUE3KFU

Enfim né, eu mudei bastante coisa da musica, acrescentei muita coisa, tive q transformar 4 minutos em 10 capitulos, mas não tinha como mudar esse final, então me perdoem <3

E em terceiro e ultimo lugar, vai ter um epilogo, então não me matem antes dele, beleza? Beleza

Até o epílogo bebês <3


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