História Orange Juice - Capítulo 1


Escrita por: e DodaOz

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Palavras 1.383
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, LGBT, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Suicídio, Tortura
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeira vez realmente finalizando algo de Sycaro e QMN, espero que gostem <3
Boa leitura!

Capítulo 1 - First day of hell


E pensar na ascensão de um qualquer como eu… 

 

Seria uma grande comédia. 

 

    Mas, caso você seja acredite mais na capacidade dos outros, acharia algum potencial em mim. Afinal, será que há critérios para esse grupo tão seleto de pessoas especiais?


 

Não! Eu não tenho atrasos mentais nem nada do tipo. Por que diabos tiveram que estragar o sentido da palavra “especial”? Pois, no meu caso poderes sobrenaturais diferenciam-me.

 

Pois é, não é coisa de filme, muito menos imaginação fértil de criança (ou de adolescentes especiais dos comerciais da Teleton), é simples: aceite sua loucura, e podes fazer tudo o que quiser. Seus olhos ficam negros, e em um instante o mundo vira de ponta cabeça e curva-se aos seus pés! Na teoria, pelo menos.


 

Mas bem que essa poderia ser a prática. É tão simples, qualquer um poderia ser como nós, se não fossem as amarras da sociedade que nos prendem na melancolia de seus dias fúteis e monótonos, com pensamentos reprimidos e comportamento padronizado.


 

E é em meio a esses dias fúteis e monótonos que me encontro pela décima primeira vez acordando para enfrentar os demônios no inferno. Não é uma missão divina pelo bem da humanidade, nem uma aventura para salvar a minha amada, é apenas a escola.


 

Pela primeira vez eu estaria experimentando a DLC hardcore sem checkpoint deste desafio, ao enfrentar um internato. Coitado e desacostumado eu, não sei como irei conseguir ficar tanto tempo sem ver meus pais, sem descansar fora de toda aquela pressão, e sem minha paz. Mas, tudo é uma provação nesta vida, e devo superá-las com a cabeça erguida para que a coroa não caia! Bem... era o que estava pensando até passar 2 segundos dentro do ônibus escolar. Nem Hitler merecia tal tortura, mas infelizmente a placa que dizia “K-12 Sleepaway School” sinalizava que não havia mais como voltar ou se arrepender. Crianças, adolescentes e adultos (repetentes) gritavam, riam alto, se pegavam sem nenhum pudor, faziam brincadeiras esdrúxulas como colocar a bunda no vidro. Alguns meninos azuis e loiras oxigenadas zombavam de uma garota chorona do banco mais a frente.


 

Já eu, sempre invisível, sentava ao fundo, junto com meu único amigo, Tawan Anci. Observávamos quietos, diferente do motorista, cego pela bebida, mal sabíamos como ainda conseguia segurar o volante.


 

— Maldita hora que tua mãe foi metê' essa ideia na cabeça do meu pai! — Tawan disse baixo. — olha esses bando de animais. A gente vai praticamente morar com eles, Saiko!


 

— Calma, DaLua. — revirei os olhos. — Mãe disse que é só por um semestre, se não gostarmos, podemos voltar.


 

— Tu ainda cai, ô bixo réi besta? Foi pra te convencer a vir quieto. — esfregou as mãos no rosto, olhando pra cima com a típica expressão de "o que que eu fiz para merecer isso, Jesus?" — Vê se entende, Rodrigo, essa escola é de rico, esse povo que tá em volta de nós é tudo um bando de burguês safado, e você e só mais uma marionete do sistema.

 

— Não precisamos ser! Lembra que podemos fazer tudo o que quisermos? — me concentrei, e expus meus olhos de demônio por alguns segundos.


 

— A gente não pode sair por aí transformando os ricos em fumaça!


 

— ... na verdade podemos sim.


 

— Rodrigo!


 

Apenas ri, e voltei a olhar pela janela.


 

Por alguns momentos, todos no ônibus pararam pra olhar um menino entrar. Branco, cabelos claros e lisos lambidos para o lado, o padrão Ken para as Barbies.


 

Patético.


 

Ignorei, apesar do chilique de uma loira qualquer por causa dele. O que me chamou foi um dos garotos que veio em seguida. Estava com o uniforme arrumado fora dos padrões exigidos pela escola, com a blusa fora da calça, larga demais para ele, e ainda amassada. Tinha os cabelos longos e loiros despenteados e parecia cansado. Era pálido, baixo e assustadoramente magro. Diferente do escândalo que foi a entrada de Brendan, a maioria pareceu sequer notar a presença deste menino, que se sentou em um dos lugares mais a frente, sozinho.


 

— Pra que rabo de saia tu tá olhando, doido? — o peruano apoiou-se no banco, tentando localizar alguma menina minimamente interessante ali.


 

— Larga mão de ser besta! — o fiz voltar ao lugar.


 

— Tá com uma cara de ratazana morta olhando pra frente é por que deve ter motivo. — soltou um riso baixo.


 

Me calei, evitando que começasse um falatório. Olhando para as árvores passarem na janela, acabei pregando os olhos alguns minutos, que foram suficientes para o ônibus simplesmente despencar dentro de um rio.


 

Para aqueles que não entenderam bem, eu repetirei as palavras que acabei de proferir: dentro de um rio.


 

Isso é sério?


 

Já dizia um grande filósofo Chileno: "Eu tenho azar no jogo, azar na sorte, e azar no azar", por que não é possível...


 

Era uma vista agradável, até. Só não sei até quando os vidros aguentariam.


 

Tawan se agarrou no meu braço.


 

    — Saiko do céu! A gente vai morrer! — gritou o menino ao meu lado.

 

— Sai pra lá! — afastei ele.


 

O ônibus começou a se inclinar pra frente e subir numa velocidade inacreditável, voando para fora do rio, e quando vimos, estávamos nas nuvens.


 

— Mas o que... — Tawan olhou o vidro mais de perto, esfregando os olhos, visivelmente confuso. — A gente já morreu?


 

— Ninguém morreu, Anci. Sai de perto!


 

— Isso não é real! — algum idiota no banco em frente ao nosso desesperou-se. — Eu vou pular pela janela!


 

— Vá com Deus. — comentei baixo, rindo.


 

— Rodrigo! — Tawan advertiu.


 

Antes que o consagrado conseguisse realizar seu desejo suicida, o ônibus começou a descer levemente, como se possuísse um paraquedas, e caiu exatamente em frente a escola.


 

Estranhamente, todos desceram e seguiram seus dias como se nada tivesse acontecido, mas eu não tirei a cabeça das nuvens, literalmente.


 

— Será que há mais de nós nessa escola? — indaguei. 


 

— Só sei que nada sei. E que o ônibus fez a gente atrasar logo no primeiro dia. — Tawan respondeu. — que artes bonitas nas parede...


 

— Bonitas mesmo, parece um templo. E foi uma pergunta retórica! Que... não deveria ter sido feita em voz alta. É óbvio que há. É o único jeito de ter rolado aquela parada no ônibus. A gente teria morrido!


 

— Nem. Não é o único jeito.


 

— Explica aí então, Freud.


 

— Deus.


 

— Am I a joke to you?


 

— Ué, só tem três formas de explicar fenômenos que não conhecemos: Deus, aliens e ameaça comunista. — disse em tom sério. Idiota.


 

Chegamos a sala de número 13, do segundo ano do ensino médio. Ao entrar, todos nos olharam, só faltava nós, mas o professor ainda não havia chegado, então não fez diferença. Sentei próximo a Tawan, eu na terceira carteira da fila da janela, e ele logo ao lado.


 

O professor só chegou dez minutos depois. Se apresentou para a classe como Sr. Harper, tinha um cabelo azul água, vestia roupas extravagantes estranhas, mas parecia simpático, sua matéria era história, então logo fui com a cara, até o momento onde pediu que um por um se levantasse e, de seu lugar, apresentasse-se para a classe.


 

Mudei de ideia. Odeio isso.


 

— Meu nome é Rodrigo Ximenes, mas me chamam de Saiko. Nasci em Fortaleza, no Brasil, mas vivo em Filadélfia desde os nove anos. — foi tudo que consegui dizer na minha vez. Odeio falar com tantas pessoas me olhando.


 

Não prestei atenção na apresentação de ninguém, nem mesmo na de Tawan, até por que nos conhecemos desde que cheguei nos Estados Unidos, ele também era de Fortaleza, mas veio bem mais novo, estudamos na mesma escola por anos e ele me ajudou muito a me adaptar ao novo país.


 

Mas, reconheci o último menino a se apresentar, era o primeiro da fileira da parede, o mesmo loirinho que vi no ônibus.


 

— Meu nome é Carlos Ycaro, tenho 16 anos e sou do Brasil. — foi breve, poucos ainda ouviam.


 

Como todos haviam se apresentado, Sr. Harper começou a aula.


 

“Ycaro”... Me impressionou ele ser brasileiro, realmente não parecia nada. Mas pelo sotaque de seu inglês, claramente era nordestino.


 

Ele não demorou a perceber que eu o olhava, rapidamente desviei o olhar para a lousa. A aula era sobre feudalismo, mas não era isso que me interessava ali.

 

— Me acorda pro intervalo. — pedi a Tawan e me encostei em cima dos cadernos.


 

— Mas tu não presta… — disse Tawan, pouco antes de eu cair no sono.

 


Notas Finais


Obrigado à todos que leram, e à @Biscuitdoce pela betagem impecável <3


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