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História Ordinária - Kim Taehyung - Capítulo 2


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Capítulo 2 - 01. Egocentrismo


egocentrismo

 substantivo masculino

[1] qualidade condição ou caráter de egocêntrico; egoísmo.

[2] conjunto de atitudes ou comportamentos indicando que um indivíduo se refere essencialmente a si mesmo.


Eu sou perfeita, ok? Embora isso seja óbvio para qualquer pessoa que olhe para mim, eu gosto de frisar isso. Minha perfeição é algo unanimemente reconhecido por todo mundo. Se, por um acaso, você acha o contrário, é bom mudar sua opinião, também não costumo ser piedosa.


Oh, não! Eu lhe pus medo? Desculpe, não foi minha intenção, de verdade (ou nem tanto.) Apenas quero lhe deixar ciente da minha perfeição, e lhe dizer que você não vai achá-la em mais ninguém. Eu sou única, huh? Única.


Digo isso não só pela minha beleza extraordinária, não só pelo meu corpo desejável. Embora eu seja uma puta vadia linda, eu tenho coisas que muitos por aí não tem: inteligência, sagacidade, esperteza e confiança. Eu tenho o mundo nas minhas mãos quando eu tenho essas armas no bolso.


E são essas armas que eu vou usar para conseguir tudo que eu quero.


O que eu quero? Bem, é simples: eu quero conquistar Park Jimin.


Filho de um dos maiores empresários do mundo com uma atriz coreana famosa, Park Jimin tem dinheiro saindo até da bunda. Possui 17 anos e estuda no 3° ano do Seoul Nation High School, a escola mais prestigiada de toda a Coréia Do Sul. Onde eu vou estudar a partir desse ano. Onde ele vai ceder à todos os meus desejos.


Ele é o meu alvo.


Eu sei que posso tê-lo aos meus pés. Eu quero tê-lo aos meus pés. E quero, principalmente, tudo que ele puder me oferecer.


Foi por isso que foi bom voltar para Seoul, minha (nada) amada cidade natal.


Meus pais são sul-coreanos e eu também, mas essa nacionalidade fica só no meu registro de nascimento, já que eu me mudei quando tinha menos de 1 ano de vida. Meus pais fingiam toda a ladainha de preocupação em viajar com uma criança pequena, mas no primeiro vôo de volta para a Holanda eles meteram o pé de Seoul.


Morei na Holanda desde sempre, embora já tenha viajado para vários lugares. Por mais que meus pais fossem sul-coreanos e patriotas, moravam lá por questões de trabalho. Meu pai é CEO de uma empresa de jóias, tem a boa fama de ser um homem bondoso. E é. Tão bondoso que se ocupa tanto fazendo caridade e nem percebe os chifres gigantescos que tem na cabeça. Minha mãe? Minha querida mãe é uma sanguessuga que se casou com meu pai por dinheiro, se faz de recatada e do lar, mas o trai com o primeiro que vê em sua frente.


Isso me remete a um episódio, de quando ainda era criança. Eu havia terminado de fazer um desenho qualquer e fui mostrar para minha mãe, na época em que ela era presente e amorosa. Lembro que procurei-lhe por todos os cantos da mansão e já estava quase que desesperada por encontrá-la logo. Até que decidi procurar num lugar que, com certeza, foi a pior das opções de escolha: o escritório de meu pai.


Era uma tarde de sábado, e ele aos sábados ia sempre a sede da empresa para fazer uma reunião com sócios e afins, para discutir sobre o rendimento semanal. Ficávamos sozinhas eu, minha mãe, minha irmã e as empregadas da casa. Hye, minha insuportável irmã mais velha, tivera ido a aulas de karatê do outro lado da cidade. Apenas eu e minha mãe em casa, praticamente.


Meu pai nunca me deixou entrar em seu escritório por que, segundo ele, era um local restrito de trabalho. Mas naquele dia eu entrei. E lá estava minha mãe: apenas de sutiã e uma saia completamente amassada, aos beijos (não só aos beijos, na verdade) com o jardineiro da mansão. Ele estava de costas para mim, mas ela me viu. Seus olhos não se arregalaram, nem ela teve alguma qualquer expressão. Atordoada, sai do lugar.


No dia seguinte, depois do típico almoço de domingo em família, ela me procurou em meu quarto, enquanto eu estava fazendo um dever escolar. Com um embrulho nas mãos, apenas me deu um beijo no topo da testa, me deu o pacote e sussurrou em meu ouvido: "Você não viu nada. Você não pode ver nada, da mesma maneira que ela não pode ver nada."


Minha amada mãe estava falando da boneca que tivera acabado de me dar. Uma boneca que eu havia pedido a muito tempo. Enfim, o tal jardineiro fora demitido e o episódio, apagado assim como ela queria.

Mas até hoje eu guardo a boneca.

 


Na verdade, seja na Holanda ou não, o lugar onde eu vou morar sequer importa, já que eu vou ser a melhor por onde eu ir, mesmo. Não me importei quandos minha família decidiu mudar de país, devido aos negócios. Com pais sul-coreanos em casa e sendo uma maldita vadia inteligente, eu já tinha a fluência no idioma coreano. Além de que tenho um sotaque coreano forte e sexy, como disse o copiloto do avião que embarquei para vir para Seoul, antes de nós fodermos na cabine do banheiro do avião.


Mesmo não estando em meus planos, a vinda para a Coréia seria vantajosa. Conquistar o amor e a confiança de Park Jimin era o primeiro passo de uma longa caminhada. Não sei da sua personalidade, mas não deve ser diferente do que penso que é. Talvez seja metido, popular, galanteador e usufrua bem da fortuna que tem. Sendo isso ou não, eu sei que vou tê-lo aos meus pés.


A Seoul Nation High School é uma escola bastante grandiosa. Usa tecnologias de ponta, professores qualificados, clubes famosos, boas notas e uma mensalidade de valor incalculável, onde para ser bolsista numa escola de tamanho porte apenas basta ser uma versão contemporânea de Einstein, no mínimo.

Tive sorte por ter chegado até aqui. Até semana passada, não haviam mais vagas. Mas minha mãe conhece o diretor dessa escola, e apenas trocou alguns serviços em troca da minha matrícula. O que você acha, huh? Eu tenho um vadia mestra dentro de casa. Embora os alunos tendam a superar seus mestres, obviamente.


Eu ficava uma puta gostosa até usando burca, mas o uniforme do colégio realmente realça toda minha beleza. Meus cabelos longos e ondulados iam até em cima do meu quadril. A saia preta e curta ficavam na metade das minhas coxas. A blusa e a gravata perfeitamente arrumadas. Eu estava linda. Como eu sempre sou, na verdade.


Quando eu passo, em qualquer lugar, todos olham para mim. Seria um crime não olhar. Eu me acostumei com tudo isso: essa atenção e essa aclamação é o mínimo que eu mereço, nada a menos que isso. Por isso, assim que meu motorista abre a porta da limousine (sim, uma limousine para ir a escola, vadia.) e eu ponho meus primeiros pés para fora, sorrio com os olhares que são direcionados para mim. Sei que os olhos de todos cegam; não pelo brilho lustroso do carro de luxo, mas sim pelo meu brilho natural. Eles olham para mim, quase se ajoelhando e cultuando a minha beleza e eu não os julgo: sou a reencarnação da própria Afrodite.


Meus cabelos voando contra a direção do vento, dou passos lentos até a entrada da SNHS*. Eles fazem caminho para eu passar e me sinto em algum filme clichê americano. Me chame de Regina George*, mas saiba que eu sou muito pior que ela. Eles vêem, olham, analisam e depois se perguntam sobre quem eu sou. Em breve vocês todos saberão. Eles olham para meu rosto, meus quadris, minhas coxas e até para o midinho do pé. Não esboço nenhuma reação, mas estou satisfeita. O mínimo que eu mereço, huh? Apenas o mínimo. O que eles me dão não chega nem perto do que eu mereço.


Ando calmamente, aproveitando todos os olhares, até a sala da diretoria, para pegar meus horários. Tem uma fila (5 ou 6 alunos, provavelmente novatos como eu) que pegam seus respectivos horários. Entro na ampla sala, aproveitando para respirar o ar frio que vem do aparelho do ar-condicionado. Fico na fila, aguardando calmamente minha vez. A fila, antes tão rápida, agora começa a aumentar e atrasar, devido a uma demora para o atendimento de um dos alunos. Inquieta, olho para os lados, como se isso fosse sanar alguma coisa.


Um par de olhos castanhos me encarava de cima abaixo, e eu percebo isso ao olhar por cima dos ombros para trás de mim. Eram discretos, mas eu podia ver que me devoravam apenas pelos olhos. Cabelos azulados e longos, a dona do olhar, percebendo que eu lhe notara, encarou-me em meus olhos e arqueou uma sobrancelha, dando um sorriso ladino. A sobrancelha arqueada e o sorriso só podem significar duas coisas: deboche ou desejo, provocação. Eu aposto arduamente na última opção.


Devolvo o sorriso e me viro. Apenas para deixar claro que eu sou uma vadia, deixo um dos cadernos em minhas mãos caírem e me agacho para pegar, demorando um pouco mais do que o apropriado para pegá-lo. Ela solta um risinho baixo, mas percebo a excitação e a tensão apenas pela o fiasco de  sua voz. Umedeço os lábios e sorrio para mim mesma, aguardando uns 2 ou 3 minutos para pegar meus respectivos horários.


Saio da fila e analiso o papel em minhas mãos, apenas como um pretexto para esperar a garota. E ela vem, como o esperado.


— Wheein. — Fala, assim que chega em meu lado. Cabeça erguida e ombros para trás: ela está confiante. Sorrio. — E você, huh? Será que você tem nome de vadia?


— O que você define como nome de vadia? — Rio minimamente e olho em seus olhos. — Algum nome como o seu?


Ela estala os lábios e sorri, devolvendo o olhar. — Você está me chamando de vadia? Não foi eu que estava provocando outra pessoa em pública, até onde eu sei.


Estávamos em algum canto do pátio da escola, onde o movimento havia reduzido devido ao primeiro toque. Aproveito a pouca movimentação e me aproximo mais do seu corpo, sussurrando em seu ouvido: — E o que você pensou quando me viu assim, huh? Te faz menos filha da puta do que eu? — Minha voz era rouca, e eu sabia que isso lhe excitava. — Matemática Avançada, e você?


— O quê? — Ela parece atordoada, então estendo meu horário na altura de seus olhos. "Ah!" ela exclama, olhando por fim o papel. — História Coreana. É uma pena.


Ela bufa levemente, mas logo sorri ladina. O segundo toque ressoa e os poucos alunos se dirigem às suas respectivas salas. Aproveito e me inclino para lhe dar uma mordida seguida de um leve beijo no canto de sua boca. — Nos vemos depois?


— Claro. — Ela sorri e morde o lábio inferior, assim que saímos desse maior contato. — Afinal, qual seu nome? Você ainda não me disse.


Vic Lee. Isso lhe soa como um nome de vadia? — Pergunto, me afastando, enquanto andamos em direções opostas.


— Sim, soa. Assim como a dona.


(...)


Eram 08:00 e eu não havia entrado em sala de aula, mesmo as aulas já tendo começado há 30 minutos. Fiquei andando um pouco pelo grandioso colégio para, enfim, me dirigir até a minha sala.

O motivo? Obviamente, quero entrar quando todos já estiverem lá. Quero toda a atenção possível. Eu não sou como a maioria dessas garotas tímidas e bobas que querem passar desapercebidas. Quanto mais olhares voltados para mim, melhor.


Ando calmamente, sem um pingo de pressa, até a minha sala. Confiro no horário se era, realmente, aquela sala. Na porta, uma placa com "3° ANO — TURMA D" em negrito. Ponho a mão na maçaneta, e ela estava fria. Tão fria quanto eu poderia ser.


O ano só está começando, filhos da puta.



Notas Finais


*SNHS: abreviação para Seoul Nation High School.
*Regina George: personagem do filme americano Meninas Malvadas, que é conhecida por ser uma "abelha-rainha".

[⛈️] Oi, meus anjos! Como vão?

Sim, eu estava extremamente ansiosa pelo capítulo. Espero que tenha ficado bom:)

Nesse primeiro capítulo, já podemos conhecer um pouco mais da Vic Lee. Notem, por exemplo, que ela sempre costuma falar palavras como: eu, meu, minha..., e isso denota o comportamento de uma pessoa egocêntrica. A Wheein vai ser uma peça muito importante nessa história, então foquem nela.

E assim, só um spoiler: esse rolo para conquistar o Jimin vai render muito mais do que vocês imaginam. 🤠

Em breve o Tae aparece, ansiosos? Eu estou, muitooo.

Meus agradecimentos a: @flutteredeyes pela betagem e a @jeonjenni, por tudo 💜

Música do capítulo: Bad Bitch, Bebe Rexha: https://youtu.be/puzkfSxZ0Lk

— Ninna;


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