História Orgulho e paixão - Capítulo 10


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Categorias MasterChef Brasil
Personagens Ana Paula Padrão, Henrique Fogaça, Paola Carosella
Tags Farosella
Visualizações 192
Palavras 4.563
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Discussões



Um mês depois de terem ficados juntos pela primeira vez no Rio de Janeiro, Raquel e Ricardo continuavam se vendo constantemente. Ela está continuava insegura com a relação e por isso decidiram apenas seguir curtindo o momento, sem rótulos ou cobranças. Raquel ainda não havia apresentado Ricardo oficialmente, mas era nítida sua felicidade a cada mensagem que chegava no celular ou no simples brilho do olhar. Fogaça fingia que nada estava acontecendo e sempre evitava o assunto quando Paola tentava conversar. Naquela noite, os três haviam ficado no Sal depois do expediente tomando vinho e jogando conversa fora.
-Lindos, a noite está ótima, mas eu tenho que ir. -Raquel disse colocando a sua taça sobre a mesa.
-Huuum, tem compromisso una hora dessas? -Paola brincou.
-Para de ser ridícula, Paola. -Raquel respondeu sorrindo.
-Amor, você no acha que já está mais que na hora de conhecermos o motivo da Raquel andar cantarolando pelos cantos? -Paola chamou atenção de Fogaça que fingia não estar prestando atenção.
-Não sei de nada. -Ele disse levantando-se da mesa. -Preciso colocar meu celular para carregar. 
-Podíamos marcar um jantarzinho. Yo cozinho! -Paola disse animada.
-Você não desiste não é? -Raquel disse olhando para a argentina. -Não sei se é uma boa ideia. -Disse olhando para o irmão.
-Claro que é! Nós adoraríamos, no é Fogaça? 
Ele não respondeu nada.
-Amor, por favor, pode me ajudar aqui? -Paola chamou sua atenção.
-Pode ser, o que vocês quiserem. Tanto faz! -Ele respondeu. 
-Amanhã, 20:00 na minha casa! Eu ofereço o jantar. Está decidido. -Paola bateu na mesa.
-E o Sal? -Raquel perguntou.
-Vocês são os donos do restaurante, meu. No me venha com a desculpa de que precisam vir trabalhar. A equipe da cozinha aguenta passar una noche sem o chef Fogaça. Só confirma se o gajo pode.
-Paola, Paola...Quando você mete uma coisa na cabeça. -Ela disse antes do celular tocar.
-Acho que sua felicidade já está te esperando. -Paola brincou.
-Ok, amanhã então. Mas nada demais, só um jantarzinho simples hein?! -Raquel disse às pressas enquanto saía. -Boa noite para vocês dois! 
-"Podexá" -Respondeu Paola. -Divirta-se. Boa noite! 
Fogaça continuava quieto em seu canto e Paola tentava animá-lo com a ideia do jantar.
-Yo pensé en un salmão assado. O que acha, amor? -Ela perguntou apertando os ombros de Fogaça que estava sentado em sua frente.
-Bom. -Ele se restringiu em responder. -Vamos para casa? O dia foi cansativo, eu preciso da minha cama.
-Só da sua cama? -Paola sussurrou no ouvido dele.
-Hoje não, argentina. -Ele disse distanciando-se dela.
-Uau! -Paola disse quase sorrindo irônica. -Sério que você vai ficar así porque sua irmã seguiu a vida como você sempre quis e está namorando? 
-Paola, por favor, eu não tô afim de discutir. Minha cabeça está doendo, hoje o restaurante estava lotado. Podemos ir para casa em paz? 
-Mas yo tambíen no quero discutir. Só quero entender porque você está tão resistente em conhecer o Ricardo. 
-Eu já não disse que vou à droga desse jantar? -Ele respondeu.
-Muito contente, pelo que percebo. -Ela disse irônica.
Fogaça apenas deu uma risada sem graça, pareceu querer dizer algo, mas desistiu.
-O que você quer dizer? -Paola perguntou.
-Paola, qual é a sua hoje? Hã?  Pelo amor de Deus, eu só quero ir para casa. 
-Amor, se você estiver assim por causa do Ga... -A argentina ia dizendo quando foi interrompida.
-Sabe qual o problema? O problema é que você se mete numa questão que não é sua! Fica forçando as coisas, fuçando uma história e tirando conclusões de algo que você não viveu. Para de querer entender tudo e fazer com que tudo saia perfeito sempre, caramba! -Fogaça respondeu alterando um pouco o tom da voz. 
Paola apenas o encarou em silêncio por alguns segundos.
-Te espero no carro. -Foi a única coisa que ela disse antes de alcançar a chave da caminhonete dele que estava em cima da mesa e sair do salão.
Fogaça havia se arrependido de cada palavra assim que terminou de falar, mas já era tarde demais. Como alguns dizem: às vezes as palavras machucam mais que um tapa. E ele sabia que havia machucado Paola. 
O tatuado entrou em silêncio no carro enquanto Paola mirava o próprio reflexo na janela evitando o olhar dele. 
-Paola, eu... -Ele tentou dizer.
-Henrique, acho que yo já ouvi o suficiente, sí. Podemos ir para casa como você tanto queria? 
-Eu não queria te magoar, é só que...É complicado. -Ele disse procurando a mão dela que recusou o toque dele.
-Vamos para casa, por favor.
O silêncio dentro do carro era ensurdecedor e para tentar amenizar o clima Fogaça ligou a rádio numa estação que eles sempre ouviam voltando para casa. Cortou seu coração quando num movimento rápido ele viu Paola limpar uma lágrima que escorria em seu rosto. Sua vontade era parar o carro e pedir desculpas até tudo ficar bem, mas ele não fez. Não demorou muito eles estavam no rancho.
-Me deixa em casa, por favor. -Paola pediu.
-Amor, não faz assim. Eu sei que falei merda para você, mas você também hein  meu...?! 
-Yo também meu?! -Paola perguntou.
-Olha, eu não quero brigar, Paola. 
-Se você soubesse escutar e conversar como adulto no brigaríamos.
-Se tem uma coisa que eu tenho feito é te escutar. Mas você não muda o disco pô, pelo amor de Deus. 
-Ok, ahora yo no estou falando mais nada. 
-O problema é que eu amo sua voz. -Ele disse olhando nos olhos dela que agora já o encarava.
-Será mesmo? 
-Qual é amor?! Você sabe que eu não queria dizer aquelas coisas. 
-Me deixa esquecer então. -Ela disse soltando o cinto de segurança. -Boa noite, Henrique. 
Paola não deu tempo para que Fogaça respondesse ou tentasse mais nada, apenas saiu do carro. Ele ficou em silêncio assistindo ela subir as escadas de casa e fechar a porta sem olhar para trás.
-Caralho, que argentina cabeça dura! -Ele disse em voz alta dando um tapa no volante do carro.
Paola entrou em casa e apenas respirou fundo. Pensou em voltar atrás e correr para os braços de Fogaça, mas ela estava com raiva das palavras dele e por isso desistiu rápido da ideia. Já estava quase entrando no banho quando o celular vibrou com uma mensagem. Era Raquel.
"Confirmado mesmo amanhã? O Rick está disponível."
"Claro!" -Paola respondeu.
No mesmo instante Raquel ligou.
-Você ainda está acordada, mandei mensagem pensando que só me responderia amanhã. 
-Pois é, cheguei ahora en casa. Escuta, talvez amanhã sejamos só nós três. O Henrique disse que essa semana o restaurante está com um grande movimento então no sé se ele vai. -Paola disse sem conseguir disfarçar a voz triste.
-Restaurante cheio né?! Sei...Paola está acontecendo alguma coisa? Vocês brigaram por minha causa? 
-Claro que no. -Paola respondeu rápido.
-Então ele está dormindo aí na sua casa? Posso falar com ele? 
-No. Ele estava cansado, yo tambíen. -Paola suspirou.
-Paolinha, Paolinha...Você não engana ninguém. 
-Deixa isso pra lá, vamos ficar bem. Foi só una discussão boba. Mas amanhã quero vocês dois aqui em casa. Por favor, sí? -Ela fez uma voz dengosa.
-Nós vamos sim, Paola. -Ricardo falou alto do outro lado da linha e Raquel sorriu no fundo.
-Escutou né?! Tem alguém animado aqui! -Raquel falou ainda sorrindo.
-Que bom. -Paola resondeu. -Vai ser legal, yo prometo.
-Ok, mas fica bem com o turrão tá? Por favor, vocês ficam muito chatos quando brigam. -Ela disse tentando animar a amiga.
-Às vezes yo queria bater em seu irmão. -Ela respondeu sorrindo.
-Eu sei, eu também. Mas ele até que é legalzinho vai?! 
-É...un pouco. 
-Eu estou aqui para o que precisar. Você sabe né?! -Raquel perguntou.
-Sei sim. Obrigada por isso, minha amiga. -Paola agradeceu.
-Não é nada. Até amanhã então? 
-Até amanhã. Boa noite. -Paola disse desligando o telefone.
A cozinheira tomou um banho rápido, colocou um pijama confortável e deu risada sozinha por lembrar das piadas que Fogaça fazia quando ainda eram só amigos ao vê-la usando aquele tipo de roupa.


Flashback 


"Agora eu tô entendendo porque você está encalhada, Paola. Os caras broxam com esse seu pijama de avó, caralho." -Ele disse.
"Yo estou sozinha e não encalhada. E isso é uma opção, Fogaça. No sou igual a você que é desesperado por afeto."
"Opção dos outros, né? -Ele disse gargalhando da própria piada. -E se afeto você quis dizer sexo...Sim, eu adoro."
"Idiota." -Ela respondeu sorrindo.
"Mas é sério, pô. Você tem que usar umas camisolas decotadas, umas lingeries dá hora..."
"E quem disse que yo no uso? Só no vou usar com você aqui em minha casa." 
"Ah, que isso, mano. Vacilo seu. -Ele disse brincando. -Com esses pijamas deve estar há um tempão sem transar. Caso precise, eu posso te ajudar." 
"Cala a boca, Fogaça." -Ela respondeu jogando um travesseiro nele.


Paola deitou sozinha e a cama nunca pareceu tão grande. Checou alguns e-mail para aguardar o sono e acabou na última mensagem que Fogaça havia lhe enviado.
"Vem jantar comigo? O fim da noite ainda está muito longe e eu não vou aguentar de saudade. Te amo, minha argentina." 
Ela desligou a tela do celular e afundou o rosto no travesseiro. Queria Fogaça ao lado dela, mas ele estava errado e ela não daria o braço à torcer.
Na casa ao lado, o tatuado bebia uma cerveja enquanto no som tocava um rock pesado que ele não saberia dizer o nome da banda pois não prestava a mínima atenção. Havia se jogado na cama assim que entrou em casa, mas a imagem de Paola secando a lágrima que descia em seu rosto o perturbava e não deixava o sono chegar. Ele odiava a ideia de ter magoado a mulher que amava, mas também detestava a maneira como ela insistia na ideia de receber em casa "o cara" com quem Raquel vinha saindo. 
Fogaça acabou cochilando no sofá e despertou quando os primeiros raios de sol invadiram a casa pela janela da sala. Eram 5:30 da manhã. 
Por um segundo ele procurou Paola, mas então lembrou da discussão dos dois no dia anterior. Ele sabia que não havia sido nada demais, e que um simples pedido de desculpas depois que os dois já haviam esfriado a cabeça resolveria, mas o orgulho ainda gritava dentro dele. 
Tomou um banho demorado e quando terminou percebeu que tinha uma nova mensagem de Raquel.
 
"Não seja um idiota (você sabe do que eu estou falando). Te amo!"
Ele desligou a tela do celular sem responder nada a irmã. Sentia mais raiva por estar errado do que por qualquer coisa. 
-Ok, Granola...Vamos resolver as coisas com a patroa. -Ele disse fazendo carinho na cadela.
Fogaça sabia que talvez Paola não respondesse suas mensagens, então achou melhor ir até à casa da argentina. Ele checou pela janela e não percebeu nenhum sinal de que ela já tivesse acordado. Como ainda eram 6:00 horas da manhã de sábado e Paola detestava ser acordada antes do seu despertador tocar, ele achou melhor aguardar. 
Eram 8:00 quando Paola abriu a porta e levou um susto ao encontrar Fogaça sentado em sua varanda e Granola deitada em seu colo. 
-Díos Santo! -Ela gritou acordando-o.  -Filho da mãe, que susto.
-Desculpa, eu não quis te assustar. -Ele respondeu ainda sentado no chão.
-Parabéns, você no conseguiu. -Ela disse irônica. -Vocês dormiram a noite toda aqui? -Ela perguntou fazendo carinho em Granola que pulava com toda sua energia de filhote fazendo festa.
-Não. Cheguei aqui quando o dia amanheceu...-Fogaça disse olhando o relógio. Mas também não consegui dormir direito, se isso contar. -Ele falou com um sorriso sem graça.
-Porque no voltou para casa ou mandou una mensagem? -Ela perguntou.
-Fiquei com medo de que saísse para algum lugar ou não respondesse...
-Hum... 
-Queria conversar direito com você. Será que pode me ouvir? 
-Fala. 
-Você pode sentar aqui do meu lado?
-Isso é ridículo, Fogaça. Porque você não entra? -Ela perguntou.
Ele não respondeu nada, apenas a olhou com aqueles olhos de criança pidona que só ele tinha. 
-Ok, ok. -Ela repetiu sentando-se. Você é mesmo louco de ficar aqui me esperando... -Ela comentou.
-Te esperaria uma vida, Paola. 
-Una vida é mesmo muito tempo. -Ela respondeu sem ligar muito chamando Granola para seu colo. 
-Você sabe o que eu vim fazer aqui, então não vou ficar fazendo rodeios. Eu não sou o cara estúpido que te tratou daquele jeito ontem e você sabe disso. Mas eu fiquei chateado com você, e não estou justificando minha atitude, não é isso...Mas, caralho, eu fiquei irritado e acabei explodindo. Eu poderia ter conversado como um adulto como você falou, poderia não ter sido um idiota, mas eu não consegui. E eu sinto muito, muito mesmo por isso, amor. -Ele disse olhando nos olhos dela.
-Você foi um grande idiota, Fogaça. -Paola disse respondendo ao olhar dele. -Yo estou certa no estou,Granolita? -Ela disse brincando com a cadela. - Mas acontece que yo também venho errando com você, tatuado. No deveria mesmo mexer numa história que no é minha. 
-Esquece essa besteira que eu te falei ontem, argentina. Toda minha história te pertence e você sempre terá propriedade sobre ela. Eu só...
-No precisamos falar disso se no quiseres. -Ela disse.
-Eu quero. Eu preciso compartilhar isso com você, Paola. Isso e toda minha vida.
-Me diz então...
-Ok. -Ele respirou fundo. -Eu não consigo reconhecer bem o que sinto e dar nomes como você faz tão bem com seus sentimentos, mas conhecer esse cara agora, ver a Raquel namorando de novo...Sei lá, é como se eu estivesse traindo meu melhor amigo sabe? -Ele disse enquanto seus olhos ficavam marejados. 
-Ô meu amor, vem aqui. -Ela o puxou para um abraço. -Ele não iria querer que você se sentisse assim.
-Eu sei. -Ele respondeu. 
-Você sabe que mesmo dizendo que no ela precisa da sua aprovação, sí? -Paola referiu-se à Raquel.
-Uhum. 
-E então...? -Paola perguntou.
-Eu vou à esse jantar hoje. Vai dar tudo certo. -Fogaça respondeu. -Se você aceitar me receber na sua casa,  claro.
-Eu posso pensar no seu caso. -Paola respondeu sorrindo para ele. -Mas você terá que me ajudar na cozinha.
-Amor, eu não quero mais brigas. Você sabe que nossas ideias na cozinha são sempre muito diferentes. 
-Claro, yo estou sempre certa e você errado.
-Ah é, metida? Agora que não ajudo mesmo! -Ele disse inclinando-se sobre o corpo dela roubando um selinho. 
-Me desculpa, amor. Sério, yo também errei com você. Passei a noite revirando na cama por ser orgulhosa e não querer ir até você para reconhecer isso.-Ela disse dando outro selinho nele.
-Somos dois bobos. -Ele respondeu.
-Somos! 
-Senti tanto sua falta . Não quero nunca mais ir dormir sem acertar as coisas. Promete? - Ele disse.
-Prometo. -Ela respondeu. -E yo no quero ser sua mãe, então conversa comigo, por fabor. Tá bom? -Ela perguntou enquanto fazia carinho na cabeça dele.
-Pode deixar. -Ele disse beijando o pescoço dela. -Eu te amo tanto, minha argentina. 
-Yo também te amo, meu tatuado. Pero só un poquito. -Ela disse sorrindo.
-Ah é? Tem certeza? -Ele disse fazendo cócegas fazendo-a deitar no chão enquanto ele ficava sobre o corpo dela para beijá-la.
-Fogaça...-Ela disse entre as risadas.
-Oi.
-Yo no romantizo discussões, você sabe. Estar aqui com você agora é muito bom, mas o que falei é sério...Você precisa se abrir mais, deixar yo entrar mais aqui...-Ela disse colocando a mão no coração dele. -E a aqui...-Colocou a outra mão na cabeça dele. -Ou como yo já disse vou virar uma espécie de mãe chata e no vai dar certo.
-Tudo bem. -Ele respondeu beijando a mão de Paola. -Ainda restou um pouquinho da sua paciência? 
-Sí. -Ela respondeu sorrindo.
-Sí? -Ele a imitou. -Que bom! 
-Podemos entrar e tomar café ou você gostou de ficar aqui no chão? -Paola disse rindo.
-Pelo amor de Deus...Vamos que eu estou morrendo de fome! -Ele respondeu levantando-se de cima dela. 
Os dois passaram a manhã juntos e depois do almoço Fogaça deixou Paola para organizar algumas coisas no Sal. O combinado foi que ele chegaria por volta das 21:00 quando Raquel e Ricardo também já estariam na casa de Paola. A argentina passou a tarde toda cozinhando algumas entradas, o prato principal e uma sobremesa bem fresca e já tinha tudo pronto quando o casal chegou. Ricardo era um homem alto, com um porte atlético, a pele um pouco queimada do sol, uma barba escura e olhos que ficavam pequenininhos quando ele sorria. Sua voz possuía um tom sempre gentil e assim como Paola ele tinha mania de conversar gesticulando. Raquel ainda estava nervosa com toda aquela situação e a todo momento olhava com uma cara assustada para amiga.
-Escuta, Paola...Será que a Raquel acha que eu vou pedir a mão dela em casamento hoje? Olha a cara de assustada dela. -Ricardo brincou.
-Sabe que yo também reparei, Rick. Posso te chamar así? -Paola respondeu rindo.
-Claro. Acho que ela não tem ciúmes. Tem, mocinha? 
-Dois palhaços. É só o que eu digo. E Paola, você é minha amiga e não dele, só para lembrar. -Raquel respondeu brincando.
-Desculpa se sou una ótima anfitriã. E falando nisso, o anfitrião acabou de chegar! -Ela disse indo em direção à porta para receber Fogaça com um abraço. 
-Seja gentil, ele é um cara legal e a Raquel está feliz. No esquece disso! -Ela sussurrou no ouvido dele enquanto o abraçava.
-Fica sussa, argentina. -Ele respondeu. -Prazer, sou Henrique Fogaça. -Estendeu a mão para Ricardo.
-O prazer é todo meu, chef. Ricardo Zatinne. 
-Sem o chef aqui, por favor. -Fogaça disse com um sorriso sem graça. Você curte vinho? Trouxe alguns do restaurante.
-Claro, claro...-Ricardo respondeu um pouco travado.
-Amor, coloquei algumas cervejas que você ganhou na geladeira. Se quiser levar o Ricardo para escolher alguma... -Paola disse percebendo que os dois estavam sem graça.
-Pode ser. -Fogaça concordou.
Raquel e Paola trocaram olhares quando os dois saíram da sala conversando alguma coisa sobre tipos de cervejas e logo estavam juntas conversando sobre as primeiras impressões.
-E então, o que está achando dele? -Raquel perguntou.
-Um gato! -Paola disse rindo. 
-É sério, Paola.
-Yo no tenho que achar nada, mi amore. Você está feliz, é o que importa.
-Será que o meu irmão foi com a cara dele. 
-"Você gosta de vinho". -Paola fez uma voz rouca imitando Fogaça. -Ele está se esforçando pelo menos...Temos que reconhecer.
-Obrigada por isso. 
-No fiz nada. -A argentina respondeu sorrindo.
-Sei...
Os dois voltaram da cozinha e naturalmente continuaram conversando. Paola aproveitou a deixa para servir as entradas e Raquel hora ou outra entrava na conversa também. 
-Nossa, Paola. Isso aqui está de comer rezando! -Ricardo disse referindo-se ao salmão.
-Que isso, obrigada. -Paola agradeceu.
-Metida. -Fogaça brincou.
-Filho, se você está com inveja pode marcar um jantar by Henrique Fogaça, tá bom? 
-Eu aceito! -Ricardo respondeu sorrindo.
-Meu amor, eu tenho vários pratos no meu restaurante. Sal, conhece? -Fogaça respondeu irônico para Paola.
-Vocês dois parem com essa briga de Egos. Ricardo, não liga não...Esse mundo da gastronomia é assim mesmo. -Raquel falou.
-Eu tô achando um máximo seu irmão e sua cunhada serem cozinheiros. Graças a Deus alguém sabe cozinhar nessa família. -Ricardo comentou.
-Você por um acaso está dizendo que eu não sei cozinhar, senhor Ricardo? -Ela perguntou fingindo estar brava.
-Que isso, ô Ricardo...Minha irmã cozinha muito bem. Você nunca comeu o bife à moda sola de sapato dela não? Bom pra caralho! -Fogaça disse rindo.
-Rárárá, muito engraçado Henrique. -Raquel respondeu.
-Olha, esse bife ainda não provei...Mas o macarrão estilo massa corrida eu tive o imenso prazer. -Ricardo falou brincando.
-Que safado, disse que meu macarrão era o melhor do mundo! -Ela disse dando um tapa em Ricardo. -Vai na onda do meu irmão vai, mocinho...
Paola assistia toda aquela farra e apenas sorria. Tudo daria certo. Ou melhor...Tudo estava dando certo até a hora da sobremesa.
Paola havia feito pequenos bolos gelados com calda de frutas vermelhas, mas na massa havia colocado um pouco de farinha de abacaxi, presente que havia ganhado dos seus alunos da cooperativa aquela semana. O único detalhe que ela não sabia era que Ricardo tinha alergia a abacaxi.
-É impressão minha ou está ficando quente aqui? -Ricardo disse abrindo um botão da camisa.
-Sério? Para mim está fresco. -Raquel respondeu.
-Nossa, e o calor está me fazendo coçar... 
-Ricardo, você está vermelho. -Paola reparou.
-Estou? 
-E seu lábio....Rick, seu lábio está inchando! -Raquel falou preocupada.
-Isso está parecendo uma reação alérgica. -Fogaça disse. 
-Mas eu não tenho alergia a nada. -Ricardo disse coçando os braços. -Aliás, só a abacaxi, mas não senti o gosto de abacaxi em nada...
-A farinha de abacaxi no bolo! -Paola falou preocupada.
-Mano, a sua boca tá parecendo que recebeu uma ferroada de uma abelha. -Fogaça disse rindo.
-Fogaça! -Paola bateu no braço dele.
-Pior que é verdade. -Ricardo concordou sorrindo olhando o próprio reflexo no espelho. -Será que alguém tem um anti alérgico? 
-Díos! Você já teve isso antes? Sente falta de ar? -Paola disse agitada e sentindo-se culpada. -Perdão, yo nunca poderia imaginar...
-Não se preocupe, Paola. Se eu soubesse que sua comida era gostosa daquele jeito e que isso me aconteceria depois, eu comeria mais uma vez. Mas traria um antialérgico! -Ele disse rindo. -É só a coceira e o inchaço mesmo. 
-Acho que é melhor irmos para casa e no caminho passamos em uma farmácia. -Raquel sugeriu.
-Mas eu ainda nem fiz o pedido para seu irmão, mocinha. -Ele falou e piscou para ela que sorriu de volta.
Fogaça entendeu que os dois estavam falando da sua benção para o namoro dos dois.
-Acho que você não ia querer fazer algo tão importante assim nesse estado, mano. Podemos marcar outro jantar lá no Sal ainda essa semana. Prometo que lá a Paola não vai tentar te matar. -Fogaça disse rindo. 
-Fogaça! -Paola o repreendeu. -Ricardo, por díos, me perdoa.
-Paola, não pilha. -Ele disse rindo. -Acho que o Henrique tem razão. Podemos marcar um segundo jantar. 
Paola não parou de pedir desculpas até os dois entrarem no carro e saírem em direção a cidade enquanto Fogaça  não parava de sorrir e provocá-la.
-Nossa amor, pensei que você tivesse ido com a cara do Ricardo. Tentou matar o pobre...
-Rárá, muito engraçado, Fogaça. -Ela respondeu brava.
-É mesmo! Você viu a boca dele? -Ele a puxou pela cintura. -Vem cá...Você não teve culpa, minha argentina marrenta. Ele vai ficar bem assim que tomar o anti alérgico. 
-Eu poderia ter matado ele, amor.
-Ainda bem que não matou né? Ele é uma cara legal.
-Ele é o que? Oi? -Paola fingiu não ter ouvido.
-Ah, agora vai começar a palhaçada. -Ele respondeu sorrindo. -Só disse que ele é legal. Nada demais! 
-Oraora...-Ela disse dando um beijo na bochecha dele.
-Ter sido legal vai me trazer recompensas? -Ele perguntou envolvendo sua mão nos cabelos dela num nó.
-Foi fofo da sua parte sugerir um segundo jantar. 
-Eu não sou fofo, Paola. -Ele disse puxando o cabelo dela e beijando seu pescoço agora mais exposto.
-Ai, Fogaça... -Ela reclamou manhosa do puxão.
-Eu adoro seu cheiro, sabia? -Ele disse passando a barba pela lateral do rosto dela.
-Yo sei bem o que você adora, tatuado. -Ela disse roçando os lábios nos lábios dele. -Mas yo tenho que arrumar a cocina ahora. -Paola disse sorrindo enquanto empurrava o peito de Fogaça separando os dois corpos. -No vai rolar! 
-Ô loco meu! É sério isso? 
-Seríssimo! -Ela disse enquanto saía rebolando até a cozinha. 
-Você não vai me deixar assim não, argentina. -Ele disse abraçando-a por trás fazendo com que ela sentisse o volume em suas calças.
-Você pode se divertir sozinho, amor. -Ela provocou jogando mais a bunda para trás.
-Para de fazer doce, Paola. -Ele disse descendo as mãos para debaixo do vestido dela procurando sua calcinha.
-Você no tem sido um bom menino. -Ela disse virando-se para ele.
-Deixa eu ser agora! -Ele disse enquanto deixava a calcinha dela no calcanhar. 
"Nós temos discutido mais do que deveríamos. Sobre coisas com que nenhum dos dois se importa ou lembra, porque assim evitamos as perguntas maiores, em vez de perguntar por que nós não nos falamos eu te amo tanto quanto antes. Nós brigamos por coisas como: quem deveria se levantar primeiro e apagar a luz, ou quem deveria colocar a pizza congelada no forno depois do trabalho.  Atacando as partes mais vulneráveis um do outro. Somos como um espinho espetado no dedo meu amor. Sabemos exatamente onde dói. E hoje as cartas estão na mesa. Como aquela voz que você falou dormindo, um nome que não era nada parecido com o meu. Ou semana passada quando disse que ia chegar tarde do trabalho. Liguei e disseram que você tinha ido embora fazia umas horas. Onde é que você estava por umas horas? Eu sei. Eu sei. Suas desculpas fazem todo o sentido do mundo. E eu fico meio nervosa por qualquer coisa e no fim começo a chorar. Mas o que você esperava querido? Te amo tanto. Me desculpa por pensar que está mentindo. E aí que você fica frustado e coloca as mãos na cabeça, meio me suplicando para parar. Meio farto e de saco cheio. A toxina de nossas bocas queimou nossas bochechas. Estamos menos vivos que antes, com menos cor no rosto. Mas não se engane. Não importa onde isso vai chegar, nós dois sabemos que você ainda quer me jogar no chão. Especialmente quando grito tão alto que nossa briga acorda os vizinhos e eles vêm correndo até a porta para salvar a gente. Baby não abra a porta. Em vez disso, me engana que eu gosto, me abre como mapa e com o dedo vá rastreando os lugares que ainda quer foder em mim. Beije como se eu fosse o centro de gravidade e você caísse em mim como se minha alma fosse o ponto focal da sua. E quando sua boca estiver beijando não minha boca, mas outros lugares, minhas pernas se abrirão por hábito e aí que te puxo para dentro, te trago de volta pra casa. 
Quando a rua inteira estiver olhando pela janela perguntando porque tanto barulho, os carros de bombeiro que chegaram para nos salvar não conseguem saber se as chamas começaram com nossa raiva ou nossa paixão. Vou sorrir, jogar a cabeça para trás, arquear meu corpo como montanha que você quer partir ao meio. Pode lamber, amor! 
Como se sua boca tivesse o dom da leitura e eu fosse seu livro favorito. Ache a pagina favorita no ponto macio entre minhas pernas e leia devagar. Fluente. Com vontade. Não ouse deixar nem uma palavra intocada. E eu juro que o final vai ser tão bom. As palavras finais vêm vindo. Deslizando para sua boca. E quando você terminar, sente-se, porque é minha vez de fazer música com os joelhos no chão. 
Meu bem, é assim que arrancamos linguagem um do outro, com a ponta da língua. É assim que discutimos. É assim, que fazemos as pazes."
Como fazemos as pazes -Rupi Kaur


Duas semanas depois...


-Amor, quem era no telefone? Você está pálida, aconteceu alguma coisa?-Fogaça perguntou.
-Era o Francis...Ele no está bem de saúde. Precisa de mim em Paris. -Paola respondeu ainda sem ar. 













 


Notas Finais


E aí?


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