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História Orgulho e Vergonha - Capítulo 2


Escrita por: beajak

Capítulo 2 - Novos truques


Depois de todo o caos causado pelo anúncio das duplas, a maioria delas me fazendo duvidar das faculdades mentais do diretor Nezu, Aizawa-sensei disse:

— Vocês têm até segunda-feira que vem para me entregarem um fichamento da peculiaridade de sua dupla com a descrição detalhada dela, os pontos fortes e fracos na sua opinião. — ele ressaltou as últimas palavras — Como é o primeiro dia e vocês precisam se instalarem nos dormitórios, estão liberados por hoje. Boa tarde.

Ele entrou no seu saco de dormir e saiu rastejando por aí. Isso é tão estranho! Nunca vou me acostumar.

Comecei a guardar meu material enquanto arrumava coragem para ir falar com Bakugou. Todos já tinham saído dos lugares e ido falar com suas duplas, que inveja. Por que não era fácil assim comigo também?

Decidi parar de reclamar, respirei fundo e me virei para ir até a mesa dele. Mas acabei batendo em algo duro e voltei para trás.

— Que porra?! — exclamou Bakugou

Isso mesmo que você entendeu: eu, que estava morrendo de medo de falar com minha dupla, acabei batendo de cara nele! Quis me enviar num buraco na terra e sumir, garanto que meu rosto deve ter ficado mais vermelho que um tomate.

— De-desculpa, Bakugou. — se eu conseguisse não gaguejar já seria um ponto positivo

— Tsc. Que seja. — ele estava bem mais alto e com a voz mais grave do que eu me lembrava, acho que a puberdade realmente afeta muito os rapazes — Quando vai querer fazer isso? — ele inclinou a cabeça em direção à lousa

— É só o fichamento, acho que podemos fazer sozinhos, certo? — sorri, tentando evitar passar tempo com ele, algo que nós dois apreciaríamos

— Quê?

— Quero dizer... você sabe minha individualidade, eu sei a sua. É só colocar no papel.

— Eu não quero fazer um trabalho meia boca, eu quero fazer o melhor. Se vamos trabalhar juntos, você tem que se adequar a isso.

Me senti humilhada pelo que ele falou. Confesso que não sou a aluna mais brilhante, mas eu não sou preguiçosa. Eu me esforço! E não vou deixar ninguém dizer o contrário.

— Ei! Eu me esforço sim, ouviu?

— Não sou eu que estou duvidando. — Bakugou revirou os olhos, cruzando os braços como se estivesse acima de discussões — Quantas vezes lutamos juntos? Uma. Mais de um ano atrás. Eu espancaria o Bakugou dessa época sem nem suar e não duvidaria que você fizesse o mesmo. Nossas peculiaridades evoluíram. — ele respirou fundo e disse pausadamente — Quando. Você. Pode.

É impressão minha ou ele me elogiou? Não, não, claramente estou vendo coisa.

— Certo... hoje às 18h?

— Encontre-me na sala comum. — ele respondeu, saindo com a mesma velocidade que chegou.

As coisas mal começaram e já passei por vergonha, medo e insegurança. Será que vou sobreviver até o final do semestre? Suspirei.

Bom, pelo menos em um ponto Bakugou tem razão. Nós tomos evoluímos muito e quero ver quais os novos truques que ele tem na manga, sua peculiaridade é sensacional.

 

—- —- —-

 

Voltei para os dormitórios na companhia de Izuku e Tsuyu:

— Não estou nem um pouco ansiosa para trabalhar com o Ojiro — disse ela

— Bom, sua dupla com certeza é melhor que a minha — suspirei — O único de nós que deu sorte foi o Izuku.

— É verdade... — ele corou — Estou preocupado com você, Ochako-san. Acha que vai conseguir lidar com Kacchan?

— Como assim?

— Ele tem razão, ribbit. Bakugou é uma pessoa muito temperamental, não vejo como vocês combinam.

— Talvez eles aceitem que você mude de dupla. — o garoto sugeriu — Ou até mesmo fazer um trio.

— Gente, tudo bem. Eu consigo lidar com ele. Vou acreditar na estratégia do diretor e do sensei.

— Bom, você que sabe, ribbit.

— Só não queremos que você se machuque.

— Obrigada. — sorri sem mostrar os dentes — Aviso se tiver problemas.

Eu sei que eles se preocupavam comigo, mas me chateou um pouco que duvidassem das minhas capacidades. Quero dizer, eu vou ser uma heroína profissional um dia e seria horrível se meus próprios colegas duvidassem da minha capacidade de vencer um vilão. E Bakugou pode ser tudo, menos um vilão, como ele já mostrou em sua experiência com a Liga dos Vilões.

Assim que chegamos nos dormitórios eu subi para arrumar meu quarto que estava, para dizer o mínimo, caótico. Eu tinha chegado na noite anterior, mas estava tão cansada que simplesmente joguei minha mala em um canto do quarto e dormir. Hoje quando acordei fiz uma zona procurando meu uniforme e para piorar acabei derrubando base na colcha.

Comecei a limpeza enquanto ouvia minha banda favorita, Nirvana, cantando enquanto faxinava. Parece bobo mas isso me motiva bem mais.

— Acho que vou dar uma cochilada. — falei sozinha, após terminar tudo.

Ainda eram 16 h.

Foi um cochilo maravilhoso, acordei com o rosto todo babado (eca). Peguei meu celular para conferir a hora e JÁ ERAM 17 E 59!!!

— AH MEU DEUS! O BAKUGOU VAI ME MATAR!

Troquei de roupa o mais rápido possível. Peguei o primeiro caderno que vi pela frente e saí correndo. Quando cheguei no elevador o relógio indicava que já eram 18h07.

— Você está atrasada. — ele disse, assim que cheguei

Bakugou estava no sofá, camiseta e calças pretas, coturnos e, algo que não reparei hoje cedo, piercings pretos nas duas orelhas e um na boca. Estiloso eu achei.

— Desculpa, eu acabei dormindo além da conta.

— É. Dá para ver mesmo, Bochechas. — ele deu um risinho e apontou em círculos para o próprio rosto

Eu coloquei a mão na minha bochecha e adivinha? Eu não tinha limpado o rosto! Argh! Esse dia só piora. Saí correndo até o banheiro para me limpar direito e quando voltei ele já estava em pé.

— Vamos lá fora. Melhor para explosões.

Concordei e o acompanhei até o gramado externo, uma área que estava bem vazia nesse horário. Acho que isso é uma boa coisa, assim ninguém vai acabar explodido sem querer. Exceto eu, claro.

— Então... por onde começamos? — perguntei

— A gente vai ter que fazer esse trabalho o semestre todo então pára de me olhar com cara de bunda.

— Quê?!

— Você me olha como se eu fosse de explodir a qualquer momento, isso em irrita.

— Bom, você poderia...

Ele apenas revirou os olhos, mas entendi o ponto dele. Além disso, Bakugou não era mais o garoto irritado com os hormônios (e nitroglicerina) a flor da pele de quando chegou na UA.

— Desculpe. — murmurei, ao passo que ele me olhou estranho

— Que seja, me mostre seus truques. O que você tem que eu já não vi.

Ele se sentou com as costas apoiadas em uma árvore e ficou me olhando com a mesma expressão do Aizawa-sensei durante as provas práticas.

— Ah... eu não tenho nada novo, eu acho.

— Como assim, Bochechas? Três anos aqui!

— Bom, eu aguento flutuar por mais tempo agora.

Seus olhos escarlates me observaram por algum tempo com uma expressão que não consegui ler muito bem. Se Bakugou fosse um livro ele seria escrito em russo. E eu não leio russo.

— Tá. Eu tenho algo que só o Kirishima viu, mas você é minha dupla então vou mostrar. Boca fechada, hein!

Ele se levantou e eu fui ocupar seu lugar apoiada na árvore, mas ele segurou meu braço com uma de suas mãos, que era mais suave do que imaginei.

— Se afasta, Cara de Lua.

Voltei para onde estava e observei quando ele passou a mão pela árvore, quase como um carinho. Depois ele estralou o dedo e BOOM! pequenas explosões surgiram em todo o caminho. Foi incrível!

— UAU! Nossa, você desenvolveu isso nas férias?

— É.

— Sozinho?

— Claro, eu não preciso de nenhum extra para me ajudar.

Não consegui segurar a risada quando esse lado do antigo-Bakugou veio a tona.

— Bom, agora não posso mais colocar no fichamento que você não tem ataques a distância.

— Um metro não qualifica ataque a distância. — ele revirou os olhos

— É melhor do que 3 centímetros.

— É pior do que 3 metros.

— Touchê. — dei-me por vencida — Ah, tem algo que eu estou aprendendo, na verdade. Estica as mãos para mim.

Ele levantou as sobrancelhas, mas esticou. Peguei meu celular e coloquei na mão dele. O olhar de confusão que recebi foi hilário, mas fechei os olhos e foquei em imaginar um campo de gravida zero e ampliar. Quando abri, o celular flutuava em suas mãos e Bakugou estava... impressionado? Me desconcentrei quando o encarei e perdi o controle do campo, derrubando o aparelho.

— É bem iniciante ainda... — comparado ao avanço dele em alguns meses de férias, o meu não foi nada.

— É bom. Como funciona?

Fiquei muito orgulhosa de ver um dos alunos mais talentosos da minha turma falar que meu paupérrimo campo gravítico era bom. Comecei a explicar minha individualidade e como funciona essa mudança para mim, deixando de ver a gravidade zero como um interruptor (ligada ou desligada) e enxergando como um manto que eu jogo ou não nos outros.

Uma coisa levou a outra e em algum momento estávamos falando normalmente, até me fez esquecer o medo que eu costumava ter dele. Acho que no primeiro ano Bakugou era realmente alguém para ficar de olho, mas talvez ele tenha sido um dos que mais evoluiu por aqui. Claro que não era exatamente um poço de gentileza e paciência, mas ele sempre estava atento ao que eu falava e me senti tão importante. Isso até meu estômago roncar no meio de uma fala dele.

 

Dois segundos de silêncio se seguram a esse som brutal que mais parecia um dinossauro esfomeado na minha barriga.

— Isso foi você?

Bakugou perguntou e caiu na risada no mesmo instante, rindo de um modo tão contagiante e lindo... quer dizer, fofo. Não! Enfim... acabei rindo junto com ele, e virou uma crise que saímos ofegantes.

— Não almocei hoje — respondi, secando minhas lágrimas de risada — Vou comer umas bolachas quando voltarmos.

— Espera ser uma heroína comento bolachas? — zombou — Vem, eu quero jantar também. Já está tarde, aqueles extras devem ter liberado lá. — ele se levantou e esticou a mão para mim

— Na verdade eu ainda nem fui no mercado. — aceitei sua ajuda para levantar

— Bom, eu ia fazer a janta para o Cabelo de Merda, mas ele foi num encontro com a Rosinha. Podemos comer junto se quiser.

Bakugou já estava andando em direção aos dormitórios quando disse isso, então não me viu congelar no lugar. Isso era real? GroudZero oferecendo cozinhar para mim?

— Se não quiser, eu como por dois.

— Não, não. — corri para alcançá-lo — Estou indo.

Eu é que não ia recusar a comida do melhor cozinheiro da 3A.

 



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