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História ORIGEM - Taekook - Capítulo 1


Escrita por: e Livkooktae29


Notas do Autor


Se você está lendo essa fanfic agradeça a @Livkooktae29, ela me ajudou a desenvolver o plot, inicialmente ela seria bem diferente do que é hoje, ela estava em planejamento há mais de dez meses e finalmente conseguimos deixá-la agradável. Aconteceu uns problemas de criatividade ao decorrer mas tudo se resolveu.

Então, agradeça-a por essa fanfic ter saído, ela me deu total permissão para fazer o que quiser com o plot e cá estou, depois de tanto trabalho e cabeça quente, voltando com tudo. Dêem amor a @Livkooktae29 , foi com ela que criei esse mundo fantástico que você vai desbravar.

Desculpa qualquer errinho, esse capítulo não foi devidamente betado.

Link do trailer que estava morando no meu canal hahahaha

Capítulo 1 - Luminus Alpha


Abril; D.G.S. ano de 451

As luzes piscavam a cada novo passo que dava naquele corredor destruído, com marcas de sangue pelo chão de mármore branco. Segurava meu pulso esquerdo, tentando inutilmente parar o sangramento da mordida enquanto ouvia os ruídos e pancadas atrás de mim. Meus passos eram lentos por causa do corte profundo em minha panturrilha, assim como a dor aguda em minhas costas.

Suspiro, buscando não lembrar de como fui ferido para não pensar na terrível morte dos meus amigos agora a pouco. Eu odiava ser o único sobrevivente a sair. Era como estar com o peso de suas mortes nos meus ombros, me deixando mais angustiado.

Não limpo as lágrimas que continuam a cair desde que atravessei a porta no final daquele corredor sombrio. Eu queria sentar, abraçar meus joelhos e chorar por todos eles, mas tinha que continuar, foi o que combinamos. Aquele que pudesse sair não deveria olhar para trás, mesmo que fosse preciso deixar os amigos para morrer.

Arrastando-me pelo extenso caminho a frente, penso em todas as promessas que fizemos, todos os sonhos e desejos que queríamos realizar ao sair desse lugar. Agora só restava eu, seguindo para a saída desse inferno.

Ousei olhar uma última vez para trás, como uma despedida essencial. Eu era um covarde! A porta de vidro fosco estava se trincando aos poucos, a horda de mortos-vivos desejando a minha morte continuavam a bater e rugir através dele. Expiro. Essa é a hora de ser forte e não desistir, não quando todos fariam qualquer coisa para estar aqui. Desvio meu olhar para a porta de ferro a frente, dou mais uns passos vacilantes, até aquele lugar que Jeongguk acreditava ser a saída. Entro, conferindo o local vagamente, não me importando com o cheiro ruim que habitava ali.

Vejo não muito longe o painel de controle que tanto buscávamos há sete meses. Deixo um gemido escapar dos meus lábios com a dor aguda da mordida infeccionada. Fecho a porta com dificuldade a trancando em seguida. Vou até o painel, encarando a grande janela de vidro atrás dele. E lá estava ele, com a perna ferida ainda atirando nos zumbis que continuavam a aparecer.

Cambaleio, tocando a divisa entre nós dois e tento chamar sua atenção, batendo algumas vezes na superfície transparente.

— Jeongguk!! — Grito seu nome, mas ele não me olha, eram mortos demais para ele lidar sozinho. — Jeongguk, eu consegui! — Bato mais no vidro. Encaro a porta que dava ao seu lado trancada por dentro. — Ei, olhe para cá, vou abrir a porta.

Com um pouco mais de esforços, vou até a porta de ferro que nos impedia de chegar a sala anteriormente, apertando o botão para autorizar a abertura, contudo uma senha foi pedida.

— Inferno! — Soco a parede, encostando minha testa na superfície fria. — Jeongguk...— Chamo em um sussurro. Meus olhos logo caem na mordida, notando as veias negras começarem a aparecer como uma sentença de morte.

— Taehyung. — Escuto sua voz, mesmo que baixa e distante, mas ainda a ouço. Viro na direção do vidro e sorrio ao vê-lo. — Você conseguiu! Aperte o botão roxo, ele vai te tirar daqui. — Ele diz, sorrindo para mim.

— O quê? Não! — Toco sua mão sobre o vidro e nego várias vezes. — Não vou apertar até você atravessar essa porta. — Aponto para a mesma e ele sorrir mais. — Jeongguk?

— Volte para sua e mãe e irmão, Tae. Eles estão te esperando, vá. — Ele encosta a testa no vidro e faço o mesmo, sentindo um aperto no peito. — Pressione o botão e saia do jogo! Volte para casa.

— Não me peça isso, Ggukie! Não me peça para lhe abandonar aqui, você sabe que se eu apertar, tudo vai acabar. — Levanto a cabeça para o encarar melhor, ele tombou a cabeça para a direita, suspirando.

— Você tentou sair do jogo todos os dias, não desista agora que pode conseguir isso.

— Sim, eu desejei sair todos os dias, mas foi você que me manteve firme aqui dentro. Não posso simplesmente deixar você aqui, Jeongguk.

— Só vá, não se prenda a um final infeliz. Seu irmão precisa de você, Taehyung. Eu vou me cuidar aqui. Voltarei para a base, tentarei um plano melhor. Quem sabe daqui a um mês eu consiga sair e te encontrar.

— Você não pode ficar sozinho aqui! Por favor, Jeongguk… Eu vou dar a volta então! Ficarei com você.  — Digo firme.

— Não, você não vai! Você vai sair daqui, Taehyung. Adeus! — Ele se afasta da divisa. Não olhando para trás. Ele estava me dando adeus sem realmente querer dar, eu sabia que ele não queria ficar aqui, assim como os outros, mas estava desistindo de sair e se afastando da nossa única chance de viver.

— Jeongguk, não faça isso! Jeongguk! — Grito, bato no vidro, só que ele caminha para a horda como se fosse um deles, mas sei que os mortos-vivos sabiam que ele não é. — Jeongguk, não me deixe! Jeongguk, por favor, volta!

Era tarde demais.

Setembro; D.G.S. ano de 450

Eu realmente amo a tecnologia. Sem dúvidas foi a melhor evolução em séculos após a Grande Guerra Sombria.

No colégio, os hologramas e algumas vezes os mestres, falam sobre essa época. Explicando que a ganância e a intolerância dos homens levaram nosso mundo a desgraça. Políticos corruptos e países em conflitos foram o fim da geração passada. A guerra durou anos até que não sobrou nada. Aqueles que sobreviveram tiveram que enfrentar a falta de condições para viver no mundo caótico.

Então eles aprenderam a viver em união, os que sobraram formaram uma aliança, a Nova Ordem. Uma nova era. Uma nova geração. Uma nova sociedade e um novo começo.

Sim, foi desta aliança que se deu origem ao mundo ao qual vivemos hoje. Cerca de quatro países ainda existiam e um deles era a Ásia, ou a Nova Ásia para a nova geração. Os quatro países desenvolveram com o conhecimento dos antepassados, uma civilização moderna, conectada ao que chamamos de rede. A rede nos mantém próximos dos aparelhos tecnológicos e suas inovações.

De toda forma, nossos líderes fizeram de tudo para consertar os erros do passado e nos levar a um futuro ainda melhor, mesmo que ainda estejamos longe disso. Apesar de tantos anos após a guerra, existem lugares inabitáveis por causa da radiação, mas ainda nos mantemos unidos e determinados a mudar.

Por isso a medicina foi o foco principal quando formaram a aliança, eles precisavam sobreviver e para isso a saúde era importante. Neste tempo o avanço ocorreu rápido e eficiente, nos ajudando a viver mais, o que foi um milagre até. Nosso ar não é tão puro como antes, máquinas produzem o oxigênio artificial, contudo não é o suficiente, por esse motivo usamos o filtro respiratório, um pequeno cilindro colocado em nossos vias respiratórias para filtrar o ar poluído e o transformar em um ar respirável.

Consequentemente foi necessário criar o relógio ultra-rede, uma pequena inteligência programada para calcular a quantidade de O (oxigênio) que temos no corpo, se estamos saudáveis e lembrando das vacinas regulares. Tudo isso por causa das bombas usadas naquele tempo que trouxeram mais doenças e radiações.

Claro, nem toda essa evolução e mudanças foram o suficiente para transformar nossa sociedade em perfeita. Ouvia algumas das conversas do meu pai em seu escritório, sobre grupos de terroristas e rebeldes que viviam nas sombras, roubando, matando e incitando ódio por aí. Comentou também que eles são o mais próximo dos nossos antepassados do que qualquer outro, trazendo mais curiosidade a essa alma aventureira que vive em mim.

Lembro-me de pesquisar, ler e até tentar encontrar os responsáveis por tirar meu pai dos trilhos. Não era fã do meu genitor, então saber que existe alguém vivendo nas sombras capaz de fazer algo contra ele, eu buscaria entender mais. Entretanto, minha curiosidade teve um preço. Uma briga foi iniciada no jantar e terminou com meus pais discutindo no escritório e coisas quebrando.

Kim Jaehoon, primeiro ministro da Nova Ásia, braço direito do nosso líder, não gostava de quebrassem as regras e eu as quebrei. Ignorei totalmente sua repreensão e proibição de saber sobre os rebeldes, mas fugindo dos seus olhos sempre que possível, para evitar uma nova briga com ele e minha mãe.

Não importava o quanto ele quisesse me manter longe dos protestantes, eu os acharia e faria isso sozinho.

Só que por enquanto, eu focaria minha atenção no novo lançamento da Hobinirum; os óculos Luminus Alpha. Em razão disso, não me importei em pular o grande muro do colégio com Jimin, meu melhor amigo, para ter os óculos.

— Não acredito que deixei você me convencer de fazer isso! — Reclamou mais uma vez, desde que saímos do banheiro. Ele continua carrancudo, com as madeixas loiras uma bagunça, batendo o pé no chão impaciente. — Eu nem jogo, Taehyung!

— É claro que joga. Você me conheceu através de um jogo, lembra? — Digo, entregando o capacete portátil a ele. — Deixe de reclamar e suba logo, não quero ficar sem essa preciosidade.

Jimin murmura vários palavrões, colocando o capacete e sentando atrás de mim, na tron três mil preta que reformei.

— Se essa lata velha me fazer cair, Taehyung, vou chutar suas bolas. — Sentenciou Park.

— Não diga isso da minha amada, Minnie!

— Cala a boca! Só vai logo ou desisto de vez. — Abraçou minha cintura, deitando a cabeça nas minhas costas, relaxado.

— Tudo bem, ranzinza! — Ligo a moto e sigo pela rua um pouco deserta naquele horário.

O

— Olha o tamanho da fila, Taehyung! — Reclamou ele.

A fila estava imensa de fato. Fiquei com preguiça de olhar até a onde ela ia, sabendo que dobraria o edifício. Sorrio para Jimin, não me importando com o tamanho.

— Nem fodendo que ficarei nesse sol e em pé, Taehyung! — Ele se aproximou da moto novamente, cruzando os braços. — Vamos embora.

— Jiminnie, quem disse que ficaremos nesse sol? — Dou um sorriso maroto, ajeitando minha jaqueta turquesa, sabendo que ele captou a mensagem nas entrelinhas.

Largo ele para trás, caminhando com as mãos no bolso até a entrada do prédio. Aproveitando o vento frio daquela manhã, que balançava minhas mechas azuis.

— Quem você obrigou a ficar na fila? — Interpelou Jimin, me seguindo e segurando meu braço. — Quem você convenceu a ficar aqui, Taehyung?

— Eu não obriguei ninguém. Hyunjin só comentou comigo ontem sobre madrugar na fila e meio que perguntei se ele poderia guardar meu lugar.

— Como é? Taehyung! Você fez um garoto de quinze anos para madrugar na fila cuidando do seu lugar? Porra Taehyung!

— Não é bem assim, Minnie. — Me defendo, soltando sua mão do meu braço. — Ele madrugaria aqui mesmo que eu não pedisse esse favor.

Ignoro seu sermão sem motivos, seguindo meu caminho tranquilamente, procurando o meu vizinho no meio daquele amontoado de compradores. Desvio o olhar rapidamente para Jimin, conferindo se ele ainda está resmungando, porém ele só carregava um bico imenso e os braços cruzados. Volto a procurar o Hyunjin na fila, o encontrando próximo às portas de vidro, seu cabelo grande e platinado dava-lhe um charme singular no meio de tantas pessoas.

Mordo o lábio inferior contendo a vontade de rir, por conta da careta que ele fazia mexendo em seu relógio digital.

— Hey Hyunjin!! — Falo no seu ouvido, passando o braço sobre seus ombros. Ele dá um pulinho e sorrir largo ao me ver. Retribuo e bagunço seu cabelo.

— Você quase se atrasou, Taehyung. Eles vão abrir em dez minutos. — Conta, sorrindo mais ao ver Jimin atrás de mim. — Minnie! Quanto tempo não te vejo! Você vai comprar um também? — Questiona eufórico, de alguma forma Hyunjin é um super fã do Park, só por ele ser o melhor aluno do nosso colégio. Chegava a ser estranha nossa amizade para os de fora, ele um garoto dedicado e estudioso e eu, um preguiçoso viciado em jogos. Única é a palavra que define nossa união, nada se compara a nós. Ele é minha outra metade e sei disso desde que o conheci no jogo de caça aos monstros que contávamos a jogar quando crianças.

Fecho os olhos, inspirando profundamente o ar artificial, sorrindo com as lembranças da nossa infância. Sinto meu relógio vibra, atraindo minha atenção para a mensagem no visor.

"Tae querido, seu pai chegou da viagem dele, caso o encontre em casa apenas o ignore, ele não parece bom humorado."

Busco acalmar as batidas do meu coração com a notícia, minha mãe sempre avisava quando Jaehoon chegava de suas aventuras pelos países ajudando a fortalecer a Nova Ordem, mas algumas vezes chegava de mau humor por causa de alguma coisa que não saiu como ele planejava. E saber que ele voltou, me dava mais motivos para querer esse óculos logo, assim eu poderia fugir da realidade que aquela casa vivia.

— Taehyung! — Pisco rapidamente, procurando quem me chamava. — Estou de chamando faz um tempinho. Você está bem? Você ficou pálido de repente. Aconteceu algo? — Jimin questiona, segurando meu rosto com as duas mãos, olhando em meus olhos atrás de alguma coisa.

— Que isso, Jimin. Foi só um pensamento pessimista, está tudo bem. Veja! — Indico as portas do edifício se abrindo aos poucos. Expiro, aliviado por fugir da sua análise ocular, ele sempre tirava tudo de mim ao olhar em meus olhos como antes.

Encaro os dois humanoides do lado de cada porta, sorrindo para os indivíduos no aguarde.

— Até hoje eu penso que eles são humanos. — Hyunjin murmura para nós, com uma expressão de medo. — Eles são meio assustadores.

— Concordo. Teve uma vez que aquele lá, de branco — falou do humanoide do lado direito. — Ele surgiu do nada, do nada mesmo sabe? Ele só apareceu do meu lado perguntando se não precisa de baterias novas. Foi uma experiência apavorante. — Jimin gesticula seu encontro aterrorizante com as máquinas da Hobinirum. Solto um riso baixo, imaginando o mais baixo pulando de susto ao ver o andróide ao seu lado.

— Hey vocês dois! Parem de falar e andem, não quero ficar aqui conversando com vocês não. — Digo brincalhão, agarrando a mão de cada um e os puxando para o interior do prédio que era uma das sedes da Hobinirum. Sentia toda a tensão deixando meu corpo ao entrar naquele lugar, era óbvio que eu amava a tecnologia, eu sonhava em ser programador de jogos como o Jung Hoseok, o dono das empresas Hobinirum. Ele começou com apenas dez anos a criar uma inteligência artificial que hoje era conhecida por Hope. Eu desejo trabalhar com ele, nada mais que isso.

Meu sorriso não deixava meus lábios, olhando para cada detalhe surpreendente no centro do imóvel. As prateleiras flutuando e andróides deslizando pelos corredores, trazendo e levando invenções fascinantes. Meus olhos se perdem no grande lustre de luzes dançantes no teto de vidro circular, que trazia luz natural para o interior, mesmo com luzes abaixo dele.

Cada pedaço no prédio mostrava o quanto avanço Hoseok estava dos outros. Ele tinha idéias geniais, diria que até malucas, mas funcionais e valiosas. Pisco algumas vezes voltando ao foco principal; os óculos. Passo os olhos rapidamente pelos lados, localizando, não muito longe, a nova causa da minha insônia.

— Lá, vamos! — Começou a puxar eles mais uma vez, ao ouvir gritos e passos de uma manada de elefantes logo atrás de mim. — Corre! — Berro, acelerando meus passos e indo em uma velocidade surpreendente, desviando das prateleiras voadoras que passavam.

Solto a mão dos garotos próximo às caixas, pegando uma, vou para o lado contrário dos outros, me protegendo atrás de outra sessão de caixas de um possível roubo. Era algo que de fato aconteceria se acabasse todos de uma vez. Solto o ar que sequer notei prender, sorrindo comigo mesmo. Eu consegui! Eu realmente consegui um dos óculos.

Com o sorriso ainda em minha face, procuro os garotos naquela multidão ao redor das caixas, não os avistando. Levando com o intuito de sair logo daqui, mas alguma coisa sobre minha cabeça me faz voltar ao chão. Passo a mão no local da batida, tentando achar o objeto que bateu em mim, só encontrando um rapaz com rosto coberto pelo capuz do casaco vermelho, parado me olhando. E ao invés de ajudar, ele se afastou, seguindo para a esteira contadora. Murmurei vários palavrões mentalmente, buscando manter a calma, era só um acidente nada demais.

Desta vez observo os lados e levanto, ignorando a leve dor de cabeça. Sigo o rapaz até a esteira também, aguardando o mesmo pagar pelos luminus alpha com um cartão magnético. Solto uma risada descontraída, pensando no quanto aquele garoto é estranho. Fazia anos que ninguém usava cartão, pelos motivos de roubo constante de dinheiro digital e ver alguém utilizando um é quase raro, mas não comento, fico em meu lugar observando ele sair com pressa.

A máquina pede para que eu mostre o visor do relógio para descontar o preço, estendo o pulso, ouvindo um "A Hobinirum agradece sua preferência". Pego a caixa pela alça e saio do prédio, desviando das pessoas que ainda tentavam entrar para comprar o novo lançamento tecnológico. Caminho pela trilha novamente, parando na calçada cinza ao lado da tron, esperando os garotos. Quando os vejo saindo com as caixas dos óculos, sorrio, mas ele se transforma em uma carranca com mais uma mensagem que recebo.

Z

Respiro fundo, quando paro minha tron três mil na frente da grande casa cinza, com imensas janelas de vidro. Minha casa era assim como as outras, com apenas uma diferença, nossa casa tinha um pequeno terceiro andar, mais especificamente, meu quarto. Parecia que era só uma elevação do telhado, todavia a minúscula janela para a frente da casa mostrava ser algum cômodo extra e apesar de ser no último andar, ele era estreito e formava um hexágono não tão perfeito. Após expirar e inspirar várias vezes, desço da moto, concluindo que meu pai não está em casa, já que o carro não estava na garagem como de costume neste horário. Encaro a porta e caminho até ela agarrado na caixa com firmeza, com medo de a perder no caminho. Giro a maçaneta e entro, passo pelo corredor com algumas fotos em movimentos nas telas digitais pela parede opaca. Tiro minha bota preta e sigo o restante do corredor.

Paro no meio do hall de entrada de frente a escada que leva ao segundo andar, olhando para a porta cinza do escritório no meu lado esquerdo. Expiro. Não havia sinal de ninguém, nenhum barulho, só o silêncio. Possivelmente minha mãe não estava também. Deixo o alívio me consumir, quando subo os degraus mais leve. Depois de chegar ao topo vou direto a terceira porta do corredor a direita, avistando a escada caracol. Salto de dois em dois, até o quarto que se encontrava organizado demais.

— Siyeon — agradeço mentalmente a governanta da casa por ser a única a ter outra chave do meu quarto. Ela era como minha avó, cuidava de mim antes mesmo de nascer.

Solto a caixa perto da minha mesa com meu computador e outras tranqueiras. Começo a tirar os fios e cabos do caixote, alargando meu sorriso ao ver os óculos. É sem dúvida alguma a coisa mais bela e bem trabalhada que a Hobinirum já fez. Os detalhes transparente com linhas finas ao redor, traçando os detalhes da lente, dava um ar extraordinariamente único.

Deixo tudo conectado e pronto próximo a cama, já que deveríamos estar deitado e só nossa mente ficará ligada. Olho o relógio na parede, notando que já passava das onze da manhã. Depois de tudo pronto, pego meu pijama caramelo, listrado de preto, seguindo para o banheiro apertado do quarto. Tomo uma ducha rápida, me concentrando em não perder tempo pensando demais ao lavar o cabelo. Termino o banho, visto a roupa e dou uma leve secada nas madeixas azuis, antes de retornar ao quarto. Meu coração quase sai pela boca ao ver a senhora grisalha, parada perto da cama, com uma bandeja farta.

— Harmeoni! — Coloco a mão no peito assustado, ela tinha mania de entrar assim e ficar lá parada, sorrindo.

— Taehyung, achou que eu não saberia que havia chegado? — Põe a bandeja na escrivaninha e cruza os braços, fazendo uma expressão engraçada entre brava e triste. — Eu sei tudo o que acontece nesta casa, pequeno. Não seria agora que falharia, não é? Me diga, criança, qual foi o jogo desta vez?

— Como sabe que foi um jogo, harmeoni? — Indago, sentando na cama, observando o que ela tinha trazido para o almoço.

— Eu te conheço melhor que seus pais. E sei que foi daquela empresa lá Hobi alguma coisa. Estou errada, criança?

— Uau, harmeoni! Você seria uma ótima espiã! E sim, é um novo lançamento da Hobinirum. Aah harmeoni!!!! Este jogo é o que espero desde o ano passado. Eu estava tão ansioso para o lançamento oficial. — Digo com um tom sonhador. Pego a bandeja, dando uma mordida no sanduíche bem recheado que Siyeon fez. — Está uma delícia!

— Você só sabia falar desses óculos aí, seu pai odeia sua paixão por jogos. Ele diz que essa sua infantilidade não trazer resultados permanentes a você. Olha, criança, deixa esse chato rabugento para lá e se diverte. Você é novo, precisa aproveitar essa fase.

— Por isso eu amo a senhora, harmeoni! — Sorrio para ela, saboreando mais e mais da refeição divina.

A Siyeon era como minha avó, não por ter me cuidado ou ajudado na criação do Taewoo, ela é minha confidente. Siyeon é a única que sabe meus maiores segredos, como fato de eu gostar de garoto. Lembro do dia que disse a ela, Siyeon falou sobre um neto que tinha minha idade que também era e estava solteiro. Recordo de rir a noite toda com ela contando do único neto. Sobre ele ser um péssimo jogador de cartas e um desastre na cozinha, mas que era ótimo em computadores e muito inteligente.

— Eu sei que ama! — Bateu na minha cabeça sem força. Vejo ela levantar e parar próximo da escada. — Meu neto comprou o jogo também. Ele me ligou faz uns dez minutos dizendo que quase foi agredido na estação de trem. Espero que esse jogo seja bom e que faça vocês dois se encontram neste mundo virtual.

— A senhora não cansa de me jogar para seu neto, querida Siyeon? — Questiono sorridente.

— Não. Vocês ainda vão se gostar, confie em mim, vocês dois tem os mesmos objetivos só que de pensam forma distinta.

— Então temos mais uma coisas em comum… Estou começando a achar que esse neto não existe, harmeoni.

— Existe sim, criança, ele tem belas coxas e músculos de dar inveja. E sem que você gosta de uma bunda redonda, seu pervertido. — Gargalho alto, de sua descrição sem filtros. Ela realmente queria nós juntos.

— Siyeon, isso é jeito de uma senhora donzela como você falar? Você não pode dizer isso do seu neto para um pervertido como eu. — Levanto indo em sua direção, sorrindo maliciosamente. — Acho que vou ter que achar o seu netinho no jogo, para quem sabe dar uns pega nele?

— Viu, um pervertido! — Exclamou ela, rindo.

— Ya! A senhora que começou, harmeoni.

Ela nega ainda sorrindo, antes de sair do quarto ela deixa um beijo na minha testa.

— Eu só plantei a semente, pequeno, agora depende de você.

— Harmeoni, você não tem jeito mesmo. — Gargalho, vendo-a sair tranquilamente do meu quarto.

O

— Ji por favor! Jogue o tutorial comigo — imploro pela ligação. O tutorial geral começava em meia hora, não queria ficar sem meu melhor amigo.

—"Taehyung se você não percebeu, eles avisaram hoje que terá uma prova segunda. Já matamos aula hoje, tirar nota baixa na prova será horrível."

— Hoje é sexta feira, temos mais dois dias para estudar, vamos só o tutorial, Minnie! — Insisto mais. Não queria estudar, eu nunca estudava para testes mensais, não seria agora que estudaria para um. — Se você jogar comigo, prometo que compro o seu bombom favorito e levo segunda para você.

— "Promete?" — Confirmo várias vezes, ouvindo-o suspirar do outro lado. — Tudo bem, farei isso. Porém será só o tutorial. O jogo começa de verdade amanhã, não jogarei contigo."

— Talvez você goste do jogo e queira jogar comigo amanhã. Nunca se sabe, Ji!

— "Cala a boca, conecta logo aí, nos falamos lá." — Desligo a chamada, contente com a participação do menor. Seria ainda melhor se aceitasse jogar comigo amanhã, quando o 'Mordida Fatal' estivesse on-line de verdade.

Deitei-me na cama já pronto para me aprofundar neste mundo virtual que tanto amo. Seria uma experiência inesquecível. Seguro os óculos e os levo aos olhos. Uma luz vermelha brilhou com várias listras azuis e verdes. Suspiro ansiosamente. Estava começando.

Sem perder mais tempo, deixo as luzes me levarem a um sono profundo. A vibração passa por todo o meu corpo, junto com uma agradável música de fundo, talvez clássica ou um instrumental relaxante. Algo me puxa de uma vez e percebo que estou a cair, mas não sinto o impacto com o solo. Eu fico parado no ar, pouco antes de tocar o chão, vejo luzes voarem ao redor do meu corpo e formar um uniforme branco com listras amarela.

Volto meus olhos a frente, avistando um painel com opções; o menu. Sigo calmamente até ele, como se andasse sobre vácuo, observo as várias escolhas, indo para 'Avatar'. Queria personalizar meu uniforme padrão. Várias roupas surgem na minha frente como sugestões, uma calça preta justa porém flexível, uma camiseta branca e por fim, uma jaqueta turquesa. Não deixaria de usar o que mais combinava com meu cabelo. Aparece opções de cor de cabelo e pele, como de sapatos e acessórios, ou mudança de gênero. Visualizo meu visual no espelho, que surgiu com as roupas, notando que estou como eu mesmo, cabelo azul, pele de dourada e lábios grande. Não mudaria nada. Escolho alguns acessórios; como mochila, botas de cano alto, luvas e entre outras coisas inúteis que só ajudaria na aparência do Avatar.

Pressiono o voltar, querendo saber mais sobre o jogo, já que na caixa não tinha muita coisa. Claro. Algo bem novo e misterioso, não era normal a Hobinirum lançar um jogo sem fazer spoilers fantásticos. Mas dessa vez foi tudo sigiloso. Nada indicava qual seria a estória do jogo ou os gráficos de jogabilidade. Um mistério. Um suspense. Isso aumentava a loucura e expectativa dos jogadores.

"Mordida Fatal: Embarque no passado, conhecendo criações dos nossos antepassados e sobrevivendo. O passado não é tão incrível assim, após um erro dos cientistas, uma praga se espalha pelos países em busca de mais vítimas. Você deverá sobreviver a hordas de mortos-vivos e mostrar que é inteligente ao lutar por sua vida. Porém cuidado, durante a noite criaturas esqueléticas vagam a procura de corações batendo. Não se esqueça, mordedores infectados correm e saltam por todos os lados.

Faça amigos. Monte bases. Junte-se a sobrevivência e formem um grupo de elite. Suba no ranking. Ficando em primeiro lugar, você terá bônus e kits exclusivos. Afinal, você vai precisar de armas e suprimentos para não ser devorado cruelmente."

A descrição é boa, devo admitir. Faz a curiosidade crescer dentro do peito, ansiando para explorar todo esse mundo aberto. Isto era o mais interessante, não seguir um padrão, nós fazíamos as escolhas.

Deixo de lado a descrição, seguindo a opção 'Tutorial Inicial', não havia iniciar jogo ou algo parecido, só o tutorial. Clico nela, notando a escuridão tomar conta do lugar. Uma nova vibração passar pelo meu corpo, quando a luz volta, tem uma porta na minha frente.


Notas Finais


https://youtu.be/b9OeokUCoSo

Até o próximo capítulo 🎮💜


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