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História Originais - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Capitulo 20


Lauren

Horas haviam se passado desde que Camila e eu nos separamos e eles me trouxeram uma lamentável desculpa de comida para o jantar. Tentei assistir televisão e até dormir, mas saber que ela estava do outro lado da porta ou escutá-la se movendo pelo banheiro tornava qualquer coisa quase impossível. Uma vez, mais ou menos no meio da ­madrugada, escutei seus passos perto da porta, e soube que ela estava ali, lutando ­contra a mesma necessidade que eu. Tínhamos, porém, que ser cautelosas. Qualquer que fosse o motivo de eles terem nos colocado num espaço com acesso uma a outra não podia ser boa coisa, e eu não queria arriscar que uma de nós acabasse sendo transferida.

Mas estava preocupada com ela. Sabia que a Camila estava me escondendo algo, mantendo em segredo o que quer que tivesse acontecido antes da ­minha chegada. Assim sendo, tal como uma perfeita idiota que não consegue se controlar, levantei da cama e abri a porta do banheiro.

Estava escuro e quieto, mas eu não havia me enganado. Camila estava parada ali, os braços pendendo ao lado do corpo, inacreditavelmente imóvel. Vê-la daquele jeito abriu um buraco em meu peito. Em geral, ela não conseguia ficar parada ou sentada sem se mexer por mais do que vinte ­segundos, mas agora...

Dei-lhe um beijo com ternura e disse:

— Vai dormir, gatinha. Assim nós duas poderemos descansar.

Ela assentiu com um menear de cabeça e, em seguida, falou aquelas três palavrinhas que jamais deixavam de botar minha alma de joelhos.

— Eu te amo.

Dizendo isso, voltou para sua própria cela, e eu para a minha. Finalmente consegui dormir.

Nancy apareceu assim que o dia raiou. Nada como abrir os olhos e ver aquele rosto e sorriso plastificados para começar bem o dia.

Eu esperava reencontrar a Camila, mas fui levada até a ala médica para mais exames de sangue e, em seguida, me mostraram a sala hospitalar que ela havia mencionado.

— Onde está a garotinha? — perguntei, correndo os olhos pelas cadeiras em busca da menina sobre a qual a Camila havia falado, mas sem encontrá-la. — Acho que o nome dela é Lori, ou algo assim.

Nancy manteve uma expressão impassível.

— Infelizmente, ela não respondeu ao tratamento como a gente esperava. Lori morreu alguns dias atrás.

Merda. Rezei para que a Camila não descobrisse.

— Vocês estavam dando a ela o LH-11?

— Isso mesmo.

— E não funcionou?

Ela estreitou os olhos.

— Você está fazendo perguntas demais, Lauren.

— Ei, eu estou onde vocês queriam, e provavelmente meu DNA está sendo usado para esse negócio. Não acha que eu tenho o direito de me sentir um pouco curiosa a respeito disso?

Ela me fitou por um momento e, então, se virou para um dos pacientes cuja bolsa de fluido estava sendo trocada.

— Você pensa demais, e sabe muito bem o que as pessoas dizem sobre a curiosidade.

— Que é o provérbio mais clichê e idiota de todos os tempos?

Os lábios dela se curvaram num dos cantos.

— Eu gosto de você, Lauren. Você é irritante e metida a espertinha, mas eu gosto de você.

Abri um sorriso tenso.

— Ninguém resiste ao meu charme.

— Tenho certeza de que isso é verdade. — ela fez uma ligeira pausa ao ver o sargento entrar na sala conversando baixinho com um dos médicos. — Lori foi tratada com o LH-11, mas não teve uma resposta favorável.

— Como assim? — perguntei. — O câncer não foi curado?

Nancy não respondeu, o que foi o bastante. Imaginei que não ter tido uma resposta favorável envolvesse mais do que apenas o fato de o câncer não ter sido curado.

— Sabe o que eu acho? — indaguei.

Ela inclinou a cabeça ligeiramente de lado.

— Nem imagino.

— Brincar com DNA humano, híbrido e alienígena é um convite a problemas. Vocês realmente não fazem a mínima ideia do que têm nas mãos.

— Mas estamos aprendendo.

— E cometendo erros? — retruquei.

Ela sorriu.

— Erros não existem, Lauren.

Não tinha tanta certeza, mas, de repente, meu olhar foi atraído para a janela nos fundos da sala. Estreitei os olhos. Podia ver outros Luxen lá dentro. Muitos pareciam tão felizes quanto uma criança na Disneylândia.

— Ah! — Nancy sorriu, meneando a cabeça na direção da janela. — Vejo que você percebeu. Eles estão lá porque querem ajudar. Se ao menos você fosse tão solidária quanto eles.

Bufei. Não fazia ideia do motivo de aqueles Luxen estarem ali, ­parecendo felizes da vida, e não dava a mínima. Talvez alguma facção do Daedalus estivesse realmente tentando fazer algo pelo bem da humanidade, mas isso não justificava o que eles haviam feito com o meu irmão no processo.

À minha volta, médicos e técnicos de laboratório zanzavam de um lado para outro. Algumas das bolsas conectadas aos pacientes continham um líquido estranho e brilhante que se assemelhava vagamente ao sangue que vertíamos em nossa forma verdadeira.

— Aquilo é o LH-11? — perguntei, apontando para uma das bolsas.

Nancy fez que sim.

— Uma das versões. A mais nova. Mas isso não lhe diz respeito. Precisamos...

Suas palavras foram interrompidas pelo soar súbito de uma sirene, um som agudo e ensurdecedor. Luzes vermelhas piscaram no teto, fazendo com que médicos e pacientes se fitassem, alarmados. O sargento Dasher saiu da sala pisando duro.

Nancy soltou uma maldição por entre os dentes e se virou para a porta.

— Washington, acompanhe a srta. Jauregui de volta para o alojamento imediatamente. — em seguida, apontou para outro guarda. — Williamson, tranque a sala. Ninguém entra, ninguém sai. 

— O que está acontecendo? — perguntei.

Ela me lançou um olhar irritado e, sem dizer nada, saiu. Pro inferno com voltar para a cela quando as coisas estavam obviamente começando a ficar divertidas. Já no corredor, o pulsar das luzes vermelhas em contraste com a iluminação fraca criava um irritante efeito estroboscópico.

Meu Guarda-Costas do Momento deu um passo à frente e, de repente, um verdadeiro caos se instaurou por todo o corredor.

Soldados jorravam de dentro das salas, trancando-as e assumindo uma posição de guarda diante das portas. Outro surgiu no final do ­corredor, ­segurando um walkie-talkie com tanta força que as juntas dos dedos ­estavam brancas.

— Temos atividade no elevador dez, saindo do prédio B. Desliguem o elevador agora.

Ah, novamente o infame prédio B.

Um pouco mais adiante no corredor, outra porta se abriu. Vi primeiro o Archer e, em seguida, a Camila. Ela pressionava uma das mãos na parte ­interna do cotovelo oposto. Atrás dela surgiu o dr. Roth. Estreitei os olhos ao ver uma sinistra seringa em sua mão. Ele passou pela Camila e pelo Archer e seguiu direto para o sujeito com o walkie-talkie.

Ela se virou, e seus olhos encontraram os meus. Dei um passo em sua direção. De forma alguma iria deixá-la sozinha quando a merda atingisse o ventilador, o que pelo visto estava acontecendo agora.

— Aonde você pensa que vai? — vociferou Washington, fechando a mão na arma presa à coxa. — Tenho ordens de levá-la de volta para seu alojamento.

Virei-me para ele lentamente e, em seguida, para os três elevadores do outro lado do corredor. Todos estavam parados em andares diferentes, a luz vermelha acesa.

— Exatamente como você pretende me levar de volta para o meu andar?

Ele estreitou os olhos.

— Usando a escada?

Não é que o idiota conseguia pensar? Sem dar a mínima, virei de costas, mas ele rapidamente fechou a mão no meu ombro.

— Se tentar me impedir, vou acabar com você — avisei.

O que quer que Washington tivesse visto no meu rosto deve ter lhe assegurado que eu não estava brincando, pois não tentou mais me deter quando me desvencilhei de sua mão com um remexer do ombro e segui direto até a Camila, passando o braço em volta dos ombros dela. Seu corpo estava visivelmente tenso.

— Está tudo bem? — perguntei a ela, olhando para o Archer. Ele também mantinha a mão sobre a arma, mas sua atenção não estava na gente. Os olhos estavam fixos no elevador do meio. Escutava alguma coisa no comunicador auditivo e, pela sua expressão, não era coisa boa.

Camila assentiu, afastando do rosto uma mecha de cabelo que se soltara do rabo de cavalo.

— Você sabe o que está acontecendo?

— Alguma coisa com o prédio B. — de repente, meu instinto me disse que talvez fosse melhor voltarmos para nossas celas. — Isso nunca aconteceu antes?

Camila fez que não.

— Não. Talvez seja algum tipo de treinamento.

As portas duplas no final do corredor se abriram subitamente e um enxame de oficiais com uniforme da SWAT passou por elas, armados até os dentes e com os rostos encobertos por capacetes com viseiras.

Minha reação foi imediata. Passei um braço em volta da cintura da Camila e a apertei de encontro à parede, protegendo-a com meu corpo.

— Não acho que isso seja um treinamento.

— Não é — confirmou Archer, sacando a arma.

A luz do painel sobre o elevador do meio piscou, indicando que ele estava passando do sétimo para o sexto e, em seguida, para o quinto andar.

— Achei que os elevadores tivessem sido desligados — gritou alguém.

Os homens de preto se colocaram em posição, ajoelhando-se diante do elevador. Outra pessoa respondeu:

— Desligá-los não irá detê-lo. Você sabe muito bem.

— Não quero saber — gritou o homem para o rádio. — Deem um jeito de parar o maldito elevador antes que ele atinja o térreo. Joguem cimento sobre a cabina se for preciso. Mas detenham o maldito!

— Deter o quê? — olhei de relance para o Archer.

A luz vermelha indicou que o elevador agora estava no quarto andar.

— Um original — respondeu ele, trincando o maxilar. — Tem uma escada à direita, no fundo do corredor. Sugiro que vocês vão para lá agora.

Meu olhar recaiu de novo sobre o elevador. Parte de mim desejava ficar e ver o que diabos era um original e por que eles estavam agindo como se o monstro de Cloverfield estivesse prestes a irromper de dentro da máquina, mas a Camila estava ali e, pelo visto, o que quer que estivesse lá dentro não era amigável.

— O que diabos está acontecendo com eles ultimamente? — murmurou um dos homens de preto. — Eles têm se rebelado sem parar.

Fiz menção de me afastar, mas Camila me impediu.

— Não — disse ela, os olhos castanhos arregalados. — Quero ver isso.

Tencionei os músculos.

— De jeito nenhum.

Um ding ecoou por todo o andar, sinalizando que o elevador havia chegado. Estava prestes a jogar a Camila sobre o ombro e sair correndo. Ela, porém, adivinhou minha intenção e me fitou com uma expressão desafiadora.

Mas então seu olhar dardejou por cima do meu ombro. Virei a cabeça a tempo de ver as portas do elevador se abrindo lentamente. O ruído das travas de segurança das armas sendo liberadas ecoou pelo corredor.

— Não atirem! — ordenou o dr. Roth, brandindo a seringa como uma bandeira branca. — Deixem que eu cuido disso. O que quer que ­vocês façam, não atirem. Não...

Uma pequena sombra surgiu de dentro do elevador, seguida por uma perna de calça preta, um tronco e diminutos ombros.

Meu queixo caiu.

Era um menino uma criança. Com não mais do que uns cinco anos de idade. Ele parou diante de todos aqueles adultos com armas enormes apontadas para ele.

E sorriu.

Foi então que a tão famosa merda atingiu o ventilador.



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