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História Originais - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Capitulo 23


Fanfic / Fanfiction Originais - Capítulo 23 - Capitulo 23

Lauren.

A gente tinha que escapar dali. E logo. Não conseguia pensar em outra coisa.

Enquanto éramos escoltadas de volta para ­nossas celas, olhei para o Archer com novos olhos, bem mais atentos. Ele sempre me parecera diferente, mas eu jamais teria imaginado que o cara era algo além de um reles ­humano. Não tinha sentido nada de especial em relação a ele, pelo menos, nada além de seu jeito um tanto arredio, mas havia reparado que a Camila parecia à vontade perto dele. Afora algumas respostas espertinhas, que eu mais do que ninguém não podia condenar, Archer me parecia um sujeito razoavelmente legal.

E, para ser honesta, não dava a mínima para o que ele era. Descobrir que o cara era mais do que um simples humano apenas significava que precisaria observá-lo com mais atenção. O que realmente importava era o fato de eles estarem gerando crianças ali.

Isso me deixava absurdamente incomoda, e zangada. Assim que eu escutei a porta ser trancada atrás de mim, fui para o ­banheiro. Camila teve a mesma ideia. Um segundo depois, a porta que dava para a cela dela se abriu. Camila entrou e, em seguida, a fechou silenciosamente.

Ela estava pálida.

— Quero vomitar.

— Me deixa sair da frente, então.

Camila franziu o cenho.

— Lauren, eles... — balançou a cabeça como se não conseguisse aceitar, os olhos arregalados. — Não sei nem o que dizer. Isso vai além de qualquer coisa que eu poderia imaginar.

— Concordo. — recostei na pia enquanto ela se sentava na beirinha da tampa da privada. — Christopher nunca falou nada sobre isso com você?

Ela fez que não. Christopher raramente falava sobre o período em que passara com o Daedalus, mas, quando falava, em geral era com a Camila.

— Não, mas ele disse que algumas coisas eram insanas. Provavelmente estava se referindo a isso.

Antes de continuar, assumi minha forma verdadeira.

"Desculpa, pedi ao vê-la se encolher. Luc me avisou que algumas coisas aqui me fariam surtar. Por falar nele, reparou que os olhos do Archer e do Micah são iguais aos dele? O Luc também tem a mesma linha estranha e irregular em torno das pupilas. Diabos, eu devia ter desconfiado que o garoto não era um híbrido normal. Ele é um original."

Camila esfregou as palmas das mãos nas coxas. Ela sempre ficava irrequieta quando estava nervosa. Normalmente, eu achava bonitinho, mas detestava saber o motivo que a deixara assim agora.

"Isso é muito mais sério que a nossa situação, disse ela. Quantas crianças você acha que eles têm aqui? E quantos estão aí fora, espalhados pelo mundo, fingindo serem pessoas normais?"

"Bem, isso não é muito diferente do que a gente faz."

"Nós não somos super-humanos capazes de derrubar uma pessoa com um simples crispar das mãos."

Esse poder me dava certa inveja.

"O que é uma pena. Não seria nada mal poder lançar mão de algo assim quando alguém te dá nos nervos."

Camila estendeu a mão e me deu um tapa na perna.

"E que merda foi aquela história? Ela, aquela louca maquiavélica de terno nunca mencionou nada sobre isso."

"Quase todas as mulheres que usam ternos são maquiavélicas."

Camila inclinou a cabeça ligeiramente de lado.

"Certo. Preciso concordar com isso. Mas será que podemos manter o foco?"

"Agora que você concordou, sim. Estendi o braço e apertei de leve o nariz dela, que me fitou com irritação. Precisamos dar o fora daqui, e rápido."

"Concordo. Camila deu um tapa na minha mão quando tentei apertar seu nariz de novo. Sem ofensa, mas não estou com a menor vontade de fazer bebezinhos esquisitos com você no momento."

Engasguei com a risada.

"Seria uma bênção ter um filho meu. Admita."

Ela revirou os olhos.

"Sério, seu ego não conhece limite, qualquer que seja a situação."

"Ei. Gosto de ser consistente."

"Isso você definitivamente é , disse ela, a voz soando seca em minha mente."

"Por mais que eu adore a ideia de fazer um bebê com você, não vai acontecer nessas circunstâncias."

Um belo rubor encobriu-lhe as bochechas.

"Fico feliz que estejamos de acordo."

Eu ri.

"Precisamos botar as mãos nesse LH-11 e dar um jeito de entrar em contato com o Luc. O que me parece impossível. Camila voltou os olhos para a porta fechada. Sequer sabemos onde esse negócio é mantido."

"Nada é impossível, lembrei-lhe. Mas acho que precisamos de um plano."

"Alguma ideia? Ela puxou o elástico que lhe prendia o cabelo e correu os dedos pelas ondas para desembaraçá-las. Talvez a gente possa soltar os originais. Aposto que isso causaria uma boa distração. Ou talvez você possa assumir a forma de um dos membros da equipe..."

Ambas eram boas ideias, mas havia alguns problemas: podia apostar que o Daedalus tinha algum mecanismo de defesa preparado para o caso de um Luxen tentar assumir a forma de um deles. Além disso, como conseguiríamos entrar no outro prédio para soltar um bando de mini super soldados?

Camila se virou para mim e, mordendo o lábio inferior, estendeu a mão. Seus dedos atravessaram o halo de luz e roçaram meu braço. Meu corpo inteiro se contraiu. Eu ficava hipersensível em minha forma verdadeira.

"Não são boas ideias, são?"

"São ótimas, mas..."

"Difíceis de serem levadas a cabo."

Ela deslizou a mão pelo meu braço, ­inclinando a cabeça ao mesmo tempo que seu olhar percorria meu corpo. A luz que eu emitia se refletia em suas bochechas, conferindo a elas um leve brilho rosado. Camila era linda, e eu estava total e desesperadamente apaixonada por ela.

Ela projetou o queixo ligeiramente para a frente e inspirou fundo, arregalando os olhos.

Certo, eu talvez tivesse pensado isso em "voz alta".

"E pensou mesmo." Um leve sorriso repuxou-lhe os lábios. "Adoro ouvir isso."

Ajoelhei-me para que nossos olhos ficassem nivelados e evolvi-lhe o rosto com uma das mãos.

"Prometo que esse não será nosso futuro, gatinha. Vou te proporcionar... uma vida normal."

Seus olhos cintilaram.

"Não espero uma vida normal. Só quero uma vida com você."

Certo, isso provocou uma sensação muito louca em meu peito. Como se meu coração tivesse parado de bater por um momento e eu fosse cair morto diante dela.

"De vez em quando, acho que não..."

"Que não o quê?

Balancei a cabeça. Não importava. Abaixei a mão e recuei, quebrando o contato.

"Luc disse que vai saber quando eu puser as mãos no LH-11. Sem dúvida o espião dele deve ser alguém próximo da gente. Tem alguma ideia de quem poderia ser?"

Não, nenhuma. Os únicos com quem lidei até agora foram o médico, o sargento e o Archer." Fez uma pausa, franzindo o nariz. Camila sempre fazia isso quando estava se concentrando. "Sempre achei que o Archer fizesse parte do Time Mentalmente Sadio, mas descobrir que ele é um deles... um original... Não sei mais o que pensar."

Pensei nisso por um momento.

"Ele tem sido bacana com você, não é?

Parte do colorido se esvaiu do rosto dela.

"Ã-hã."

Contei até dez antes de continuar.

"E os outros, não?"

Ela não respondeu de imediato.

"Falar sobre isso não vai nos ajudar a escapar daqui."

"Provavelmente não, mas..."

— Lauren — disse Camila em voz alta, estreitando os olhos. "Precisamos de um plano para fugir. É disso que eu preciso. Não de uma sessão de terapia."

Levantei.

"Não sei, não. A terapia pode te ajudar a controlar esse temperamento, gatinha."

"Deixa pra lá." Ela cruzou os braços e contraiu os lábios. "De volta ao que interessa... alguma outra opção? Pelo visto, vai ser um Deus nos acuda. Se alguma coisa der errado e formos pegas, estaremos totalmente ferradas."

Prendi a respiração e retornei à forma humana. Em seguida, dei de ombros.

— Tem razão — concordei. 



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