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História Originais - Capítulo 28


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Capítulo 28 - Capitulo 28


Fanfic / Fanfiction Originais - Capítulo 28 - Capitulo 28

Enquanto eu vivesse, jamais conseguiria apagar da mente a visão do soldado até então relativamente normal se transformando em algo que parecia ser o primeiro estágio de uma infecção zumbi, para em seguida se espatifar contra a porta.

Tivemos que esperar a equipe de limpeza chegar e abrir um caminho para que pudéssemos sair sem pisar em... ahn, na coisa. Enquanto esperávamos, eles não permitiram que a Lauren e eu nos aproximássemos um centímetro que fosse uma da outra. Como se aquela confusão tivesse, de alguma forma, sido culpa dela. Minha namorada tinha curado o sujeito feito a parte dela. O que quer que houvesse no Prometeu havia provocado aquilo. O sangue não estava nas mãos da Lauren.

Assim que saímos para o corredor, os soldados levaram a Lauren para um lado e Archer me conduziu para o outro. Nós estávamos a meio caminho dos elevadores quando a porta do da direita se abriu e dois outros soldados saíram, escoltando uma criança.

Parei de supetão.

Não era qualquer criança. Ela era um deles um original. Ao ­vê-lo, todos os meus pelos se arrepiaram. Não era o Micah, mas tinha o cabelo escuro cortado no mesmo estilo. Talvez um pouco mais jovem, mas eu nunca fora boa em dizer a idade.

— Continue andando — mandou Archer, pousando uma das mãos em minhas costas.

Forcei minhas pernas a se moverem. Não sei por quê, mas aqueles garotos me deixavam de cabelo em pé. Certo. Provavelmente havia mil razões para aquelas crianças me deixarem apavorada. Em especial o brilho surreal de inteligência em seus olhos estranhamente coloridos e o sorrisinho infantil que parecia zombar dos adultos em torno.

Deus do céu. Lauren e eu precisávamos escapar daquele lugar por um caminhão de razões.

Ao passarmos por eles, o garotinho ergueu a cabeça e olhou direto para mim. Assim que nossos olhos se cruzaram, um forte arrepio de apreensão subiu por minha espinha e explodiu em minha nuca. Fiquei imediatamente tonta e parei de novo, me sentindo estranha. Perguntei-me se o garoto não estaria fazendo algum tipo de truque mental Jedi comigo.

O menino arregalou os olhos.

Meus dedos ficaram dormentes.

"Ajude a gente, e a gente irá ajudar vocês."

Meu queixo caiu. Eu não... não era possível. Meu cérebro travou, as palavras se repetindo sem parar. O garoto, então, quebrou o contato e, de repente, eles estavam atrás de nós. Continuei parada onde estava, ­confusa, tremendo de adrenalina.

O rosto do Archer surgiu diante do meu, os olhos estreitados.

— Ele falou alguma coisa com você.

Forcei-me a sair do transe e imediatamente levantei a guarda.

— Por que você diz isso?

— Porque você está com cara de quem viu assombração. — pousando uma das mãos em meu ombro, me virou e me deu um leve empurrão em direção aos elevadores. Assim que as portas se fecharam, ele pressionou o botão de parar. — Os elevadores não possuem câmeras, Camila. Com exce­ção dos banheiros, é a única área do prédio livre de olhares vigilantes.

Sem a menor ideia de onde ele queria chegar com aquilo e ainda chocada com tudo o que acabara de acontecer, recuei um passo, batendo de costas na parede.

— Certo.

— Os originais conseguem pescar pensamentos. Isso a Nancy não contou a vocês. Eles podem ler a mente. Assim sendo, tome cuidado com o que pensa quando estiver perto de algum deles.

Meu queixo caiu.

— Eles podem ler a mente? Espera um pouco, isso significa que você também pode!

Ele deu de ombros com indiferença.

— Eu tento não fazer isso. Escutar o pensamento das pessoas é mais irritante do que qualquer outra coisa, mas quando você é jovem não pensa sobre isso. Apenas faz. E eles fazem o tempo todo.

— Eu... Isso é loucura. Quer dizer que eles podem ler nossas mentes? O que mais podem fazer? — sentia como se tivesse caído na toca de um coelho e acordado numa HQ dos X-Men. E quanto às coisas que eu havia pensado quando estava perto do Archer? Tinha certeza de que em algum momento havia pensado em como escapar dali...

— Nunca contei a ninguém o que eu pesquei de você — disse ele.

— Ai, meu Deus... você está fazendo isso nesse exato momento. — meu coração começou a martelar feito louco. — Por que eu deveria confiar em você?

— Provavelmente porque eu nunca te pedi para fazer isso.

Pisquei. Não era a mesma coisa que o Luc tinha dito?

— Por que você não contou nada a Nancy?

Ele deu de ombros novamente.

— Não vem ao caso.

— Vem, sim. É totalmente...

— Não. Não vem. Não no momento. Olhe só, não temos muito tempo. Tome cuidado quando estiver perto dos originais. Eu sei o que ele te falou. Já viu o filme Jurassic Park?

— Já. — que pergunta estranha!

Um sorrisinho manhoso se desenhou em seus lábios.

— Lembra dos velociraptors? Soltar os originais no mundo seria o mesmo que abrir as portas das jaulas desses dinossauros. Entende aonde quero chegar? A nova leva de originais é muito diferente da que o Daedalus produziu no passado. Eles estão evoluindo e se adaptando de maneira incontrolável. Podem fazer coisas que eu sequer imagino. O Daedalus já está tendo problemas em mantê-los na linha.

Lutei para processar tudo aquilo. De forma estranha, meu bom senso continuava se recusando a aceitar aquelas informações, embora eu soubesse que qualquer coisa era possível. Afinal, eu mesma era uma híbrida de humano com alienígena.

— Por que esses originais são diferentes?

— Eles administraram o Prometeu neles para ajudar a acelerar o processo de aprendizado e desenvolvimento dos poderes. — Archer bufou. — Como se precisassem disso. Mas, ao contrário do coitado do Largent, o Prometeu funcionou neles.

Encolhi-me ao lembrar do corpo disforme do Largent.

— O que tem nesse soro?

Ele me lançou um olhar cético.

— Você sabe quem foi Prometeu na mitologia grega. Não posso acreditar que não tenha deduzido ainda.

Credo, bela forma de me fazer sentir uma idiota.

Archer riu.

Fuzilei-o com os olhos.

— Você está lendo a minha mente, não está?

— Desculpa. — ele não parecia nem um pouco arrependido. — Você mesma disse. Acredita-se que Prometeu tenha criado a humanidade. Pense nisso um pouco. O que o Daedalus está fazendo?

— Tentando criar uma espécie perfeita, mas isso não me diz grande coisa.

Ele balançou a cabeça, frustrado, ao mesmo tempo que estendia a mão e batia com a ponta do dedo na parte interna do meu cotovelo.

— Você recebeu o soro pouco depois de ter sido transformada. Aquela foi a primeira versão criada pelo Daedalus, mas eles queriam algo mais rápido, mais eficaz. O Prometeu é a versão que está sendo testada agora, e não apenas em humanos curados pelos Luxen.

— Eu... — a princípio, não entendi, mas então me lembrei das bolsas de fluido na sala onde pessoas doentes recebiam a medicação produzida pelo Daedalus. — Eles estão administrando em pessoas doentes, certo?

Ele fez que sim.

— Então isso significa que o Prometeu é o LH-11? — ao vê-lo ­assentir novamente, tentei não refletir muito a respeito, com medo de que o Archer estivesse tentando se intrometer em minha mente. — Por que está me contando isso?

Ele virou meio de lado e religou o elevador. Com um longo olhar em minha direção, disse:

— Temos um amigo em comum, Camila.



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