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História Originais - Capítulo 30


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Capítulo 30 - Capitulo 30


Fanfic / Fanfiction Originais - Capítulo 30 - Capitulo 30

Você é um verdadeiro tesouro, Lauren.

Pai do céu, quase enfiei a agulha no olho da Nancy. Ainda bem que consegui me segurar, caso contrário meu esforço teria sido em vão.

Com a mão fechada em volta da seringa, ­cruzei os braços, mantendo-a escondida. Sem dizer nada, saí da sala atrás da Lauren e do Archer, meio que esperando um ataque por trás. Ninguém atacou. Em meio à animação gerada por uma mutação potencialmente bem-sucedida, ninguém havia prestado atenção em mim. Na verdade, durante aquelas sessões, ninguém prestava, com exceção da Lauren e do Archer, e se ele havia captado alguma coisa em minha mente, com certeza não dissera nada.

Eu tinha agarrado o soro sem pensar, e agora, em minha mão, sabia que se fosse pega ia me arrepender de ter feito isso. Assim como a Lauren. Se o Archer estivesse lendo meus pensamentos no momento e não fosse o espião do Luc, estaríamos ferradas.

Seguimos para os elevadores enquanto a Nancy e o recém-transformado híbrido prosseguiam na direção oposta. Quando as portas finalmente se fecharam, ficamos sozinhos somente nós três. Mal conseguia acreditar na nossa sorte. Meu coração martelava de medo e entusiasmo feito um baterista executando um solo.

Cutuquei o braço da Lauren a fim de atrair sua atenção. Quando ela me lançou um olhar de relance, baixei os olhos para minha mão e, com cuidado, abri os dedos. Só dava para ver a pontinha da seringa. Ela arregalou os olhos e ergueu a cabeça, me fitando de volta.

Ambas sabíamos o que isso significava. Não tínhamos muito tempo agora que havíamos pego o LH-11. Alguém poderia acabar dando pela falta da seringa ou vendo o que eu tinha feito nos vídeos de segurança. Não fazia diferença, agora era tudo ou nada.

Quando o elevador começou a se mover, Archer se virou para nós. Lauren deu um passo à frente e eu prendi a respiração, mas ele simplesmente estendeu a mão e apertou um botão no painel. O elevador parou imediatamente.

Archer baixou os olhos para a minha mão, inclinando a cabeça ligeiramente de lado.

— Você conseguiu pegar o LH-11? Jesus, vocês duas são... não achei que fossem fazer isso. Luc disse que fariam. — seus olhos se fixaram na Lauren. — Mas eu não acreditava que realmente levariam esse plano a cabo.

Meu coração martelava com tanta força que meus dedos pulsavam em volta da seringa.

— O que você vai fazer a respeito?

— Sei o que está pensando. — ele manteve a atenção na Lauren. — Por que eu não peguei o soro para o Luc, certo? Não é por esse motivo que estou aqui, mas não temos tempo para explicações. Eles vão dar pela falta da seringa logo, logo. — fez uma pequena pausa e fixou os olhos novamente em mim. — Seu plano é loucura.

Eu tinha pensado nos originais, mas no momento estava pensando na Rainbow Brite deslizando com seu cavalo por um arco-íris. Qualquer coisa para manter o Archer fora da minha mente.

Ele fez um muxoxo.

— Sério? — perguntou ele, tirando a boina e a guardando no bolso de trás da calça. — O que vocês esperam conseguir com isso? Esse plano tem cem por cento de chance de dar errado.

— Muito espertinho — retrucou Lauren, empertigando os ombros. — Não gosto de você.

— Não estou nem aí. — Archer se virou para mim. — Me entregue o LH-11.

Meus dedos se fecharam com força em volta da seringa.

— De jeito nenhum.

Ele estreitou os olhos.

— Tudo bem. Sei o que vocês pretendem fazer. Mesmo depois de terem escutado meu aviso, estão planejando soltar a trupe de aberrações. E depois? Vão tentar fugir correndo? Afora o fato de que não sabem como chegar ao outro prédio, vão precisar das duas mãos, e não querem correr o risco de se espetar com essa agulha. Confia em mim.

Fui tomada por uma profunda indecisão.

— Você não entende. Sempre que confiamos em alguém, acabamos nos queimando. Entregar essa...

— Luc nunca traiu vocês, traiu? — ao me ver negar com um balançar de cabeça, Archer fez uma careta. — E eu jamais trairia o Luc. Mesmo que eu tenha um pouco de medo daquele pestinha.

Olhei de relance para a Lauren.

— O que você acha?

Seguiu-se um momento de silêncio, até que ela disse:

— Se você nos trair, não vou pensar duas vezes antes de te matar, seja na frente de quem for, até mesmo Deus. Entendeu?

— Mas a gente precisa sair daqui com o LH-11 — comentei.

— Eu vou junto, quer vocês gostem ou não. — Archer deu uma piscadinha. — Ouvi dizer que o Olive Garden é um ótimo restaurante.

Lembrei da nossa conversa sobre ele ter uma vida normal e, por ­algum motivo, isso tornou mais fácil o que eu estava prestes a fazer. Ainda não entendia por que ele ou o Luc estavam nos ajudando, nem por que ele não havia arrumado o soro antes, mas, como o próprio Archer dissera, já estávamos afundadas até o pescoço.

Engoli em seco e entreguei a seringa a ele, sentindo como se estivesse entregando minha própria vida, o que de certa forma estava mesmo. Ele a pegou, tirou a boina do bolso e enrolou o soro nela. Em seguida, meteu o embrulho no bolso da frente da calça cargo.

— Vamos começar logo com o show — disse Lauren, olhando para o Archer e apertando minha mão de leve.

— Você está com o pedaço de opala? — perguntou o soldado.

— Estou. — Lauren abriu um sorrisinho orgulhoso. — A quedinha da Nancy por mim até que é útil, não? — brandiu o punho, e o centro avermelhado da opala pareceu cintilar. — Hora de mostrar o quanto eu sou incrível.

— Transforme-se na Nancy. — Archer fez menção de apertar o botão do térreo. — Rápido.

Lauren piscou e começou a se transformar, encolhendo vários centímetros. As mechas onduladas alisaram, tornando-se um cabelo fino e escuro preso num rabo de cavalo. Os traços perderam totalmente a definição. Seios maiores surgiram. Foi quando me dei conta do que ela estava fazendo. Assim que suas roupas foram substituídas por um terninho cinza, vi Nancy Husher parada ao meu lado.

Só que não era a Nancy.

— Isso é bizarro — murmurei, olhando para ela quem quer que fosse em busca de algum indício de que era realmente a Lauren.

Ela abriu um sorrisinho presunçoso.

Sim. Ainda era a Lauren.

— Você acha que isso vai funcionar? — perguntei.

— Eu diria que o copo está meio cheio.

Prendi algumas mechas soltas de cabelo atrás da orelha.

— Muito tranquilizador!

— Vamos soltar os garotos, voltar para o elevador e seguir para o térreo. — Lauren fitou o Archer com a mesma autoridade da Nancy. — Vou dar a opala para a Camila assim que sairmos. — olhou de relance para mim. — Não discuta. Vamos ter que correr mais rápido do que jamais corremos, e você vai precisar dela. Acha que consegue?

Aquele estava longe de ser um bom plano. Estávamos no meio de um deserto inóspito que provavelmente se estendia por centenas de quilômetros, mas assenti com um menear de cabeça mesmo assim.

— Bom, pelo menos sabemos que eles não vão te matar. Você é um verdadeiro tesouro.

— Pode apostar. Prontos?

Senti vontade de dizer que não, mas disse sim, e o Archer apertou o botão que levava ao nono andar. Ao sentir o elevador voltar a se mover, meu coração começou a martelar.

Ele parou no quinto. Merda. Não tínhamos previsto isso.

— Está tudo bem — disse o Archer. — Esse é o andar de acesso ao prédio B.

Com uma sensação de profundo pavor na boca do estômago, saímos para o amplo corredor. Podia ser uma armadilha ou algum outro tipo de armação, mas não havia como voltar atrás.

Archer pousou a mão em meu ombro como sempre fazia quando me conduzia a qualquer lugar. Se a Lauren ficou incomodada com isso, não deu nenhum sinal. Ela manteve uma expressão fria e desdenhosa, ­típica da Nancy.

Pessoas zanzavam de um lado para outro, mas ninguém ­parecia estar prestando atenção na gente. Seguimos até o final do corredor e ­entra­mos em outro elevador, um pouco maior. Archer apertou um botão com a ­letra B e a máquina colocou-se em movimento. Assim que ela parou, saímos em outro corredor e entramos em outro elevador, onde Archer apertou o nono andar.

Nove andares abaixo do solo. Ai.

Parecia um percurso longo demais para que os pequenos originais conseguissem dar um jeito de escapar, mas, por outro lado, eles eram como diminutos Einstein sob o efeito de crack.

Sentindo a boca seca, forcei meu coração a desacelerar antes que eu tivesse um ataque de pânico. Poucos segundos depois, o elevador parou e as portas se abriram. Archer deu um passo para o lado, permitindo que Lauren e eu saíssemos primeiro. Pelo canto do olho, vi quando ele apertou o botão que travava a máquina.

Saímos num saguão pequeno e sem janelas. Dois soldados vigiavam um par de portas duplas. Ambos se empertigaram imediatamente ao nos verem.

— Sra. Husher. Oficial Archer — cumprimentou o que estava à direita com um ligeiro curvar de cabeça. — Posso perguntar por que vocês a trouxeram até aqui?

Lauren deu um passo à frente e entrelaçou as mãos de um jeito tipicamente Nancy.

— Achei que seria uma boa ideia mostrar a ela nossos maiores troféus em seu próprio ambiente. Talvez assim ela compreenda melhor o que estamos fazendo aqui.

Lauren falou de um jeito tão idêntico ao da Nancy que precisei pressionar os lábios com força para não rir. De mais a mais, não seria uma risada normal, e sim uma daquelas risadinhas insanamente histéricas.

Os dois guardinhas trocaram um rápido olhar e o sr. Eloquente deu um passo à frente.

— Acho que não é uma boa ideia.

— Você ousa me questionar? — indagou Lauren, num tom de voz mais arrogante impossível.

Mordi o lábio inferior.

— Não, senhora. De jeito nenhum. Só que essa é uma área restrita a pessoas credenciadas e... e seus convidados. — O sr. Eloquente olhou de relance para mim e, em seguida, para o Archer. — Eu estou apenas seguindo suas ordens.

— O que significa que tenho o direito de trazer quem eu quiser até aqui, não é mesmo?

Nosso tempo estava se esgotando rápido. Ao sentir a mão do Archer apertar meu ombro ligeiramente, dei-me conta de que ele devia estar pensando a mesma coisa.

— T-tem razão. É só que isso contraria o protocolo — gaguejou o sr. Eloquente. — Não podemos...

— Quer saber? — Lauren deu um passo à frente e ergueu os olhos. Não vi nenhuma câmera, o que não significava que elas não estavam ali. — Que tal isso como protocolo?

Nossa Nancy/Lauren estendeu a mão e um raio de luz espocou de sua palma. O arco de luz dividiu-se em dois, atingindo ambos os guardinhas no meio do peito, tanto o sr. Eloquente quanto o sr. Silencioso. Eles despencaram no chão, colunas de fumaça emanavam de seus corpos. Um cheiro de tecido e carne queimada impregnou meu nariz.

— Bem, essa é uma forma de resolver as coisas — observou Archer secamente. — Agora não podemos mais voltar atrás.

Lauren/Nancy lançou-lhe um olhar irritado.

— Será que dá pra você abrir essas portas?

Archer se aproximou e se inclinou diante do painel. A luzinha vermelha ficou verde. Com um ligeiro estalo, as portas se abriram.

Prendi a respiração ao entrarmos no salão do nono andar, meio que esperando que alguém pulasse na nossa frente apontando uma arma para nossas cabeças. Isso não aconteceu, embora tenhamos recebido alguns olhares estranhos do pessoal que zanzava pela área.

O salão era um pouco diferente dos que eu vira antes, em formato circular e com várias portas e janelas compridas. Bem no centro havia algo que me lembrou uma daquelas ilhas onde ficam as enfermeiras.

Archer soltou meu ombro e senti algo frio ser pressionado contra minha mão. Baixei os olhos, surpresa ao perceber que estava segurando uma pistola.

— A arma está destravada, Camila. — em seguida, ele parou ao lado da Lauren. Em voz baixa, disse: — Temos que fazer isso rápido. Está vendo aquelas portas duplas ali? É onde eles devem estar a essa hora. — fez uma pausa. — Eles já sabem que estamos aqui.

Um calafrio desceu pela minha espinha. A pistola em minha mão parecia pesada demais.

— Isso não é nem um pouco assustador — ironizou Lauren, olhando de relance para mim. — Não se afaste.

Assenti com um menear de cabeça. Contornamos, então, a ilha e seguimos até as portas duplas com duas pequenas janelas embutidas. Archer estava logo atrás de mim.

Um homem se adiantou.

— Sra. Husher...

Lauren estendeu o braço, acertando o sujeito bem no meio do peito. Ele foi erguido no ar, as pontas brancas do jaleco farfalhando como as asas de uma pomba, e, em seguida, arremessado contra o vidro da ilha central. O vidro rachou, mas não estilhaçou enquanto o sujeito escorregava até o chão.

Alguém soltou um grito esganiçado. Outro sujeito de jaleco branco aproximou-se correndo da entrada da ilha. Archer se virou e o agarrou pelo pescoço. Um segundo depois, um vulto branco passou ao lado do meu rosto e colidiu contra a parede oposta.

O lugar inteiro sucumbiu ao caos.

Archer posicionou-se diante da entrada da ilha, que provavelmente continha coisas que não deveríamos deixá-los acessar, arremessando no ar uma pessoa atrás da outra até toda a equipe se ver amontoada diante da porta a porta pela qual precisávamos passar.

Lauren parou na frente deles, as pupilas brancas.

— Se eu fosse vocês, sairia do caminho.

A maioria se dispersou feito ratos. Dois permaneceram.

— Não podemos deixá-los fazer isso. Vocês não sabem o que eles são capazes de...

Ergui a arma.

— Saiam da frente.

Eles saíram. O que foi bom, porque eu jamais havia atirado antes. Não que eu não soubesse como fazer, só que apertar o gatilho me parecia mais difícil do que simplesmente mover um dedo.

— Obrigada — agradeci, sentindo-me imediatamente estúpida por dizer isso.

Lauren correu para a porta, ainda na forma da Nancy. Ao ver um painel, dei-me conta de que precisaríamos do Archer. Fiz menção de me virar para ele, porém o som das trancas sendo abertas ecoou pela sala como um trovão. Virei-me de volta, prendendo a respiração enquanto as portas deslizavam parede adentro.

Lauren recuou um passo. Eu também. Nenhum de nós estava preparado para a cena com a qual nos deparamos.



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