História Originals - Capítulo 10


Escrita por:

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Abandono, Ansiedade, Depressão, Descrição De Assassinato, Descrição De Cenas Fortes, Descrição De Estrupo, Descrição De Suicídio, Distúrbio Explosivo, Distúrbio Mental, Relacionamento Abusivo
Visualizações 44
Palavras 2.436
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


hey
ainda tem alguém ainda por aqui?

Capítulo 10 - Página 10: Haechan


Quando eu acordei tinha uma agulha no meu braço e ninguém ao meu lado.

Eu estava no hospital, naquela salinha de atendimento rápido, mas não fiquei nervoso nem nada disso. Minha cabeça doía um pouco, meus olhos não se acostumando de jeito nenhum com a luz e eu acabei fechando eles de novo. Lembrei do que tinha feito, andado da escola até aquela praça, as bebidas que tomei e como eu já fiquei bêbado com apenas duas garrafas. Não sabia o que era mais vergonhoso, isso ou eu ter caído no meio de um lugar público em que todos podiam me ver. Eu não cansava mesmo de passar vergonha. Se eu contasse aquilo para Krystal ela com certeza riria da minha cara e balançaria a cabeça em reprovação. Ela não gostava como eu tinha começado a beber, mas também não me pedia para parar. O que eu mais gostava em Krystal era aquilo, ela não se intrometia na minha vida e nem tentava me controlar. Nós falávamos de forma igual e ouvíamos um ao outro, sem nos prender ou esperar qualquer coisa além daquilo. Talvez fosse por isso que nossa amizade dava certo.

 

Fiquei remoendo as coisas por mais algum tempo, eu lembrava de tudo que tinha acontecido, mas não tinha certeza de alguns pontos. Eu estava ou não com a minha mãe? Foi meu pai quem me levou para o hospital? Quem chamou a ambulância? Quem estava comigo antes de eu desmaiar?

 

Ouvi um barulho ao meu lado, alguém sentando na cadeira ali perto, e eu não sabia se fingia estar dormindo ou se abria logo os olhos para a morte. Acabei fingindo estar dormindo mesmo, o quanto eu pudesse evitar estava ótimo. Fiquei o mais parado que conseguia e mantinha a respiração tranquila e o rosto relaxado. Senti uma mão segurar a minha levemente somente para soltá-la depois. Eu quis segurar aqueles dedos, prendê-los aos meus. Era meu pai, eu tinha certeza disso, ele sempre fazia aquilo quando eu era criança e estava prestes a dormir. Ele dizia que não era alguém muito carinhosa e eu não deveria me magoar se ele não me abraçasse ou tocasse muito, mas eu sempre sentia aqueles dedos rápidos em mim. Era o jeito que ele tinha para dizer que se importava, que ainda estava ali.

 

- ...não havia drogas no organismo, mas ele teve um coma álcoolico. Conseguimos estabilizar as coisas antes que o quadro se agravasse

 

A voz era muito diferente da do meu pai e, pelo jeito que falava, deveria ser o médico. Talvez fosse por isso que o toque durou tão pouco. Era estranho sentir aquela sensação de frustração. Eu não sabia que ainda estava tão necessitado assim de uma pessoa que jurava odiar agora.

 

- É melhor tomar mais cuidado com ele - ouvi passos se afastarem e senti minha mão ser apertada. Aquilo me surpreendeu tanto que eu fiquei completamente congelado.

 

Eu nunca fui tocado tantas vezes pelo meu pai em tão pouco tempo, talvez em toda a minha vida. E eu sentia a energia que emanava daquele toque, um carinho, afeto. Proteção. Era assustador, mas por um milésimo se segundo eu quase chorei.

E no outro eu voltei a odiá-lo com todas as forças.

 

- Sim, eu irei. Obrigado e me desculpe - meu acompanhante pediu e eu senti uma nova sensação sobre mim, mas agora era nojo.

 

Era Haechan ali comigo e eu não poderia ter desejado ficar mais tempo no coma.

Senti um celular vibrar perto da minha perna, mas rapidamente foi levado para longe, junto com o barulho da cadeira ao meu lado se arrastando

 

- Oi amor - Haechan disse com uma voz carinhosa. Se eu pudesse reviraria os olhos. Pelo menos aquilo o fez me soltar - Estou com ele - pausa - Já conversamos, estamos comendo agora. Ele passou muito tempo sentado, precisava comer algo... Não, Mark, Yixing não bebeu nada. Já disse que ele só está triste - Haechan respirou fundo e eu abri vagarosamente os olhos.

 

A luminosidade ainda me incomodava e eu queria fechá-los de novo, mas precisava dar um basta naquilo. Haechan parecia cansado e até mesmo nervoso, ouvindo o que eu sabia ser uma grande reclamação do meu pai.

 

- Não vamos demorar muito, não fique tão nervoso. Ele está bem e...

 

Quando ele afastou o telefone do rosto soube que meu pai tinha desligado na sua cara. Não tinha discussão que o convencesse de repensar seus pontos de vista. Com certeza ele iria fazer o que bem entendesse comigo assim que eu chegasse em casa, estivesse bem ou não.

Eu imaginava o quão irritado ele estaria, quantas vezes ele me ligou depois que desmaiei e se alguém teria atendido pelo menos uma.

Eu olhava diretamente para Haechan e assim que ele virou para mim eu despejei as coisas que tinha em minha mente, sem pensar.

 

- Por que mentiu? Como me encontrou? Por que é você aqui?

 

Tudo o que eu fazia era remoer e remoer, ficar pensando em como eu era feliz e como agora estava tudo uma merda. Era tão deprimente e eu queria aquele segundo pra mim, queria olhar nos olhos do meu pai e ver a preocupação, ver como ele estava tentando se aproximar apesar de fazer tudo errado. Mas só tinha Haechan ali, então eu não poderia evitar em ser a pior pessoa que eu conseguisse.

 

- Yixing! – ele correu para a cadeira ao meu lado e voltou a segurar minha mão, com força – Está se sentindo bem? O que aconteceu? Você...

 

- ME SOLTA – gritei tirando sua mão da minha, limpando-a no cobertor. Respirei um pouco antes de falar de novo, não poderia fazer muito barulho ou eles poderiam até mesmo me dopar. Voltei a olhar para Haechan e ele estava com a mesma aparência apática de sempre – Por que você? Tinha que ser você? – disse frustrado.

 

Eu não poderia pedir pela presença do meu pai, não imaginava ele vindo me socorrer após receber a ligação que seu filho adolescente teve um coma alcoólico. Mas mesmo assim eu ainda queria que fosse ele ali, mesmo que fosse para gritar e me bater, para nem sequer olhar no meu rosto.

 

- Quando ligaram para casa seu pai estava na rua, procurando você – Haechan disse com a voz baixa. Eu não conseguia encará-lo – Eu sai assim que recebi a ligação e fui direto para o hospital. Você estava desacordado e parecia ter sido atropelado. Eu fiquei tão desesperado, Yixing... – ele se cortou e engoliu a seco, continuando depois – Você tem que entender, você sumiu ontem e não sabíamos onde...

 

- Ontem? – eu olhei para ele completamente assustado – Que dia é hoje?

 

- Hoje é terça-feira, Yixing, e são 17h.

 

Eu não consegui dizer mais nada depois daquilo, só ouvir.

 

- Seu pai ficou a noite inteira acordado, mas se recusava a ir te procurar, mas quando amanheceu ele desistiu e passou por todos os lugares perto do colégio, o shopping e até nos limites da cidade. Ele não conseguia te encontrar, sabe – ele suspirou – Ele tem razão em estar nervoso. Mark fez de tudo para te ter perto e só conseguia imaginar o pior quando você não atendia mais as ligações e nem voltava para casa. Ele te ama demais, Yixing. Você não deveria sentir tanta raiva dele por...

 

- Não me diz o que eu tenho ou não que sentir. Isso não te interessa – disse rispidamente – Desde quando você sabe alguma coisa sobre mim? Até mesmo sobre ele? Foi você quem chegou depois, então não tenta me esclarecer das coisas que eu já sei.

 

Agora nós dois estávamos em silencio. Eu queria perguntar quem tinha ligado, quem tinha chamado a ambulância e quem estava comigo quando eu desmaiei, mas eu não aguentava ouvir mais nenhuma palavra do homem ao meu lado. Eu iria descobrir depois, de algum jeito, ou simplesmente esqueceria, mas não iria contar com Haechan para nada.

 

Passou-se mais algum tempo antes de eu finalmente receber alta. Como eu tinha faltado a última aula de revisão, amanhã já teria que começar as provas, mas eu daria um jeito, como sempre.

Eu me sentia extremamente cansado e esgotado,  mas já organizava mentalmente tudo o que eu deveria fazer assim que chegasse em casa, as matérias que poderia ver depois e as que precisava me concentrar. Seria uma longa noite e talvez eu não conseguisse dormir, mas era o preço por tudo o que eu tinha feito.

Não pensava em parar de beber nem nada. Krystal mesmo já tinha tido coma alcoólico e me disse como era, como se sentiu. Eu não tinha sido tão pego de surpresa assim e só iria tentar beber com alguém agora, ou beber menos quando estivesse sozinho, mas nunca largar a única coisa que fazia minha mente relaxar.

 

Quando o carro estacionou, Haechan ficou parado um tempo, sem abrir a porta. Ele olhou para mim e parecia querer dizer algo, mas desistiu e saiu do veículo. Eu sai também e fui para a porta de casa, abrindo-a e sentindo o cheiro da madeira e dos produtos de limpeza. Não despertaram nenhuma falta, mas parecia que eu não pisava ali há séculos. Andei um pouco mais pelo corredor e cai, de repente, sentindo minha cabeça girar.

Eu tropecei? Estava completamente desnorteado. Sentia meu corpo levantando e jogado no sofá. Agora sim, o homem a minha frente, era meu pai.

 

- Onde você estava, garoto? – a voz estava bem perto do meu ouvido. Meu pai não gritou, mas parecia que sim, por que meus ouvidos zuniam – Sabe há quanto tempo está fora de casa? Quantas vezes eu te liguei?

 

- Por que não foi me procurar assim que eu sumi, se estava tão preocupado? – respondi empurrando-o para longe de mim

 

Meu pai ergueu a mão, os olhos pegando fogo, e eu já me sentia machucado antes mesmo dele tentar desferir o tapa, que nunca chegou. Haechan segurava seu braço e o olhava incrédulo. Eu já não me surpreendia mais.

 

- Você está louco, Mark? Ia fazer o que? Bater em Yixing de novo? Isso resolveu na última vez? – ele disse de forma calma, apesar de parecer bastante agitado – Lembra do que eu te disse  no telefone?

 

- Haechan fique fora disso hoje – meu pai disse e tirou seu braço das mãos do outro devagar – É algo meu e do Yixing

 

- Se eu sair você vai bater nele de novo, Yixing não vai falar nada e tudo vai apenas piorar – o outro disse e eu vi quando segurou a mão do meu pai, mas agora em um gesto de carinho, como que para acalmá-lo – Por favor, pense um pouco, ele tem provas amanhã, está cansado. Podemos resolver depois quando estiver tudo mais calmo. Vai ser melhor resolvido assim

 

- Esse é o jeito que você resolve as coisas – eu disse, atraindo a atenção dos dois – Você não sabe como nós resolvemos. É como  eu disse, foi você quem chegou depois

 

Dessa vez Haechan não conseguiu segurar o tapa do meu pai, que me atingiu em cheio, mais uma vez, no rosto. Eu virei o rosto em sua direção, para os seus olhos cheios de raiva e impaciência , e sorri.

 

- Podemos nos apressar aqui? Eu realmente tenho muita coisa para estudar, então acaba logo com isso – cuspi as palavras, ameaçando-o a me bater mais uma vez. Eu queria que ele me batesse, que me deixasse inconsciente e ainda pior do que eu já estava. Queria que ele acabasse comigo de vez.

 

Mas Haechan o empurrou para trás e o tirou da sala. Eu ouvia a voz do meu pai, gritando como um louco, com pequenos intervalos que eu achava ser Haechan falando. Eu deixei os braços penderem para os lados e encostei a cabeça no sofá completamente, sentindo o lugar do tapa arder e latejar.

Quantos tapas a mais, quão mais agredido, de todas as formas, eu seria até que finalmente começasse a fazer as coisas da maneira certa? Ou ser entendido, ouvido. Amado

Era artístico, de certo ponto, enfrentar toda aquela dor dentro e fora de mim. Eu sabia que alguém deveria ceder quando se tratada de discussões entre eu e meu pai, mas, naquele momento, eu estava certo demais para ser a pessoa a fazer isso, e também percebi que nunca tinha sido ele ceder por mim.

Talvez fosse mais facil ele me matar do que eu conseguir fazê-lo me pedir desculpas, mas talvez não fosse uma morte tão ruim assim. Nada do que eu vivia agora me fazia querer lutar para manter minha existência. Eu não  queria morrer, mas ao mesmo tempo não queria continuar vivendo.

É um sentimento complicado demais para se explicar, até mesmo para se sentir, e acho que descrever o que eu senti nesse sofá nunca caberá em um livro ou até mesmo dois. É preciso ter uma vida inteira e, mesmo assim, as sensações não seriam as mesmas.

Meus sentimentos seriam perdidos para sempre, por mim mesmo, dali há alguns dias, quando o tapa não doesse mais, quando meu pai voltasse a falar normalmente e eu tivesse que cumprir os horários da escola.

Quando cansei de todos aqueles pensamentos, me levantei do sofá e fui, vagarosamente, para meu quarto. Passei pela porta do quarto do meu pai, encostando o ouvido na porta e consegui ouvir o barulho que ele fazia quando dormia. Voltei a andar antes que começasse a pensar demais e antes de entrar no quarto senti o cheiro forte de cigarro. Olhei ao redor e a única porta encostada era a do banheiro.

As vezes o vizinho acendia um cigarro embaixo da janela e tínhamos que fechar para o cheiro não entrar, então eu só conseguia pensar naquilo. Meu pai odiava cigarros e Haechan, como era o cachorrinho dele, seguiria a mesma coisa. Fui me aproximando do banheiro pra me livrar daquele cheiro e comecei a ouvir uma conversa baixinha, que só consegui entender quando já estava muito próximo da abertura da porta.

 

- ...ele. Eu poderia ir embora, sei que é o que preciso fazer, mas não posso fazer isso agora. Só pioraria as coisas – a pausa foi acompanhada de uma nova fumaça com cheiro de cigarro e eu não precisei abrir a porta para saber que o “vizinho” na verdade era Haechan – Yuta, mesmo se eu não ficar com Mark eu não irei voltar para casa. Você sabe que me tem, mas eu não posso voltar, meu amor. Ok?

 

Me afastei logo depois , indo tomar banho em meu próprio banheiro e me apoiando na escrivaninha.

Tinha muita coisa para estudar naquela noite. Isso que importava agora.


Notas Finais


eu to feliz em conseguir atualizar Originals antes de voltar às aulas
eu poderia ter me esforçado um pouquinho mais pra escrever mais capítulos e atualizar mais, mas não consegui
espero que tenham gostado


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...