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História Orion - Capítulo 2


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Notas do Autor


Sei que é uma história diferente, um tipo de fantasia que nunca tentei antes, mas espero que agrade. Mais um capítulo saindo.

Capítulo 2 - A Ordem do Caduceu


Fanfic / Fanfiction Orion - Capítulo 2 - A Ordem do Caduceu

Esfera Delos

Eunji seguiu pela corredeira tentando fazer o pequeno barco não virar e nem bater contra as pedras. Seus braços queimavam pelo esforço que fazia com os remos. Por duas vezes ela viu naves estranhas sobrevoando a floresta. Felizmente estavam restringindo sua busca às aldeias espalhadas pela região. Pela distância que elas se encontravam, ela calculou que daria o tempo necessário para alcançar a curva do rio que indicava o seu ponto de parada. Quando o alcançou, remou até a margem e saltou do barco com a sacola de víveres nas costas. Em seguida empurrou o barco com o pé para que ele seguisse até a próxima queda d’água e sumisse sem deixar pistas. Ela correu para dentro daquele setor da floresta que levava até a Cachoeira-Mãe. Era uma enorme queda d’água que descia com força do alto das montanhas e desaguava em um bonito lago escondido pela mata. Atrás da cachoeira havia uma caverna, mas para alcançá-la, ela teria que enfrentar a força das águas que caíam e que poderiam ser fatais, a menos que soubesse por onde seguir.

Ao atingir a floresta, ela escondeu-se rapidamente entre as folhagens ao ver pelo canto dos olhos a silhueta de uma nave que sobrevoava o rio. Estavam perto demais, ela teria que se apressar. Não precisou correr muito para alcançar o lago escondido. A visão dele a extasiou, assim como aconteceu na primeira vez que o viu. Parou e caiu de joelhos a fim de respirar um pouco. Olhou para cima, temendo que a sombra de outra nave aparecesse a qualquer momento. Abriu a sacola e pegou uma garrafa com água, que sorveu com vontade. Em seguida, estudou a cachoeira. Tentar atravessar o véu de águas seria suicídio. Ela resolveu tentar ir por baixo. Primeiro tinha que sondar. Escondeu a sacola no meio de duas pedras e pulou no lago. A água gelada foi um choque. Respirando fundo, ela submergiu. Nadou contra a força da cachoeira e encontrou o que buscava. Uma entrada. Um túnel cavado por mãos humanas e que levava diretamente para baixo da cachoeira. Ela tinha que tentar. Retornou para pegar a sacola, mas voltou a mergulhar na mesma hora ao ver a sombra da enorme nave que sobrevoava o local. Precisaria seguir em frente sem os víveres. Entrou pelo túnel e seguiu pela escuridão, prendendo a respiração o máximo que podia. Finalmente viu a abertura do outro lado e impulsionou o corpo para frente, os pulmões ardendo. Emergiu tossindo e buscando desesperadamente o ar. Forçou o corpo para fora da água e deitou-se no solo rochoso da caverna. Através da água que caía, ela pôde ver a sombra da nave se distanciando. Havia conseguido.

 

No palácio de Delos, a rainha tentava conter a ira do rei de Ofíuco. As naves haviam retornado sem nada encontrar.

- Sua filha é realmente uma pessoa difícil – ele disse. – Se eu não precisasse dela como esposa, ela teria uma punição à altura da humilhação que está me fazendo passar.

- Minha filha é uma criança imprudente, meu senhor.

- Essa imprudência poderá ter sérias conseqüências.

- É uma ameaça? – Perguntou a rainha.

- Não, majestade, é um fato.

 

Eunji, após descansar, seguiu o caminho para dentro da caverna. Felizmente ela havia pegado o mapa que estava na sacola de víveres e colocado na roupa junto com a carta de apresentação à frota. Foi tudo que lhe restou para levar na fuga. E era tudo do que precisava no momento. Ela subiu pelo caminho pedregoso e foi entrando pelas trilhas que se abriam como bifurcações, sempre seguindo a orientação do mapa. Pelo aclive, sabia que estava subindo a montanha. Em dado momento, suas pernas falharam e ela escorregou. Estava exausta. Forçou-se a continuar. Quando achou que fosse desmaiar de sede e cansaço, ela viu uma réstia de luz. Voltou a subir num último esforço, alcançando a saída das cavernas de quatro pés. Deixou-se cair de bruços assim que saiu pela abertura. Fechou os olhos e dormiu. Quando acordou já era noite. O descanso a fortaleceu um pouco e ela conseguiu ficar de pé. Ela podia ver a forma esférica e prateada do portal estelar no topo da montanha. Apenas mais uma pequena subida e chegaria lá. A visão a fez encontrar a motivação para prosseguir. Enfrentando a trilha estreita pela borda da montanha e o vento gelado, ela conseguiu chegar ao cume. O portal estelar não era guardado por ninguém. O seu guardião era o próprio caminho. A passagem para os outros mundos era uma liberdade concedida a todos os cidadãos de Orion, seja lá em que esfera habitasse. Eunji deu uma última olhada para Delos. Era um mundo belo e cheio de vida, mas não tinha mais lugar para ela. Subindo os degraus que levavam à plataforma onde estava o portal estelar, ela entrou na forma circular e pôs a mão sobre o painel em seu centro. Uma luz se acendeu tomando todo o recinto, quando apagou, ela havia sumido.

 

Beruto, capital do Cinturão de Asteróides

Bomi havia saído da Estação Kyoten com a autorização do pai. Ela alegou que queria testar novamente o vôo em um caça, já que passara tanto tempo sem fazer isso. Suas intenções, porém, eram outras. Ao entrar na nave, agora sabendo que não fora a responsável por nenhum acidente, sentiu a adrenalina que antecedia ao voo. Ela saiu da Estação na velocidade de dobra e logo teve a visão do Cinturão de Asteróides. Direcionou a nave para lá. Tinha uma pista a seguir e a seguiria. A culpa havia sido substituída por outro sentimento, o de fazer justiça. Tinha que apurar os fatos. Ela sobrevoou a órbita do asteróide Tsuro, onde estava localizada Beruto, a capital do Cinturão. Era um entreposto que servia de passagem para os portais estelares localizados em cada esfera de Orion. Lá estavam naves comerciais, mercadores, um comércio clandestino, além de todo o tipo de ilegalidade. Não era um bom lugar para morar, mas era o lugar ideal para encontrar o que procurava.

Ela pousou na pista reservada para naves de combate que iam ali fazer negócios ou comprar peças de reposição. Ela saiu e foi logo reconhecida pelos mecânicos responsáveis pelo lugar.

- Capitã Yoon, faz tempo que não a vejo aqui! – Falou o chefe dos mecânicos.

Bomi sorriu.

- Olá, Seibi! Pode abastecer minha nave enquanto dou uma volta pela cidade?

- Seu pai sabe que está aqui?

- Desde quando eu conto o que faço para o meu pai?

Seibi coçou a barba rala e deu de ombros.

- Bom, faça o que quiser, nunca consegui segurá-la mesmo.

- Valeu!

 

Ela saiu da pista e pegou a estrada rolante que levava até a rua central da cidade. Lá havia uma praça e a entrada para várias ruas que, por sua vez, possuíam entrada para vários becos. Beruta, em outras palavras, era um verdadeiro labirinto. Mas Bomi não ia se perder. Ela sabia exatamente para onde estava indo. Sem nenhum sinal de hesitação, ela penetrou em um beco escuro que cheirava a álcool e nicotina. Portas estreitas e janelas altas pareciam ter olhos. Finalmente ela chegou onde queria. Abriu a porta de madeira verde e entrou em um ambiente exótico por causa da variedade de seres que o freqüentavam, vindos de vários sistemas planetários. Ali funcionava um cassino clandestino. Nas mesas em volta, negócios do submundo eram tratados em segredo. Atrás do balcão, ela viu a pessoa que procurava. Era uma mulher grisalha que usava um tapa-olho. Bomi sentou no banco diante dela, chamando-lhe a atenção. A mulher a olhou com os olhos apertados e se aproximou.

- O que a capitã da frota estelar está fazendo em um lugar como esse? – Perguntou.

- O que mais eu estaria fazendo aqui, Jipu? Preciso de seus dotes.

- E o que eu vou ganhar lhe ajudando?

Bomi riu e passou para ela um pedaço de cristal rosa. O olho da mulher se arregalou.

- Isso é...

- Com esse cristal, você vai poder retomar suas leituras de mão na praça. Não vai mais precisar ficar presa nesse beco imundo. Não é o que quer?

A mulher pegou o cristal.

- O que você quer?

- Onde eu encontro a Ordem do Caduceu? Onde eles se escondem?

- Não vai encontrá-los em Beruta. São espertos. O esconderijo deles fica em um dos asteróides que seguem a nossa órbita. De vez em quando surge um grupo que vem comprar mercadorias. Pode procurar pela praça se quiser. Eles possuem uma tatuagem do caduceu no antebraço.

Antes que a mulher percebesse, Bomi puxou novamente a pedra para si. Jipu quis protestar.

- A informação não valeu o prêmio.

- Dois deles passaram por aqui hoje. Um homem e uma garota. Vieram negociar a compra de uma nave. Estão vestindo roupas de mercadores das areias.

Bomi sorriu e devolveu a pedra.

- Eu sabia que podia confiar em você, Jipu.

 

Após sair do beco, Bomi respirou aliviada ao chegar no ambiente mais aberto da praça. Ela sentou em um banco e começou a observar as pessoas. Foi aí que seus olhos caíram sobre a dupla de vestes cor de areia que parecia discutir acaloradamente entre si. O homem ergueu o braço e parecia querer bater na garota, mas esta se esquivou e quis se afastar. Ele a puxou pelo braço e ela lhe deu uma rasteira, depois saiu correndo em direção a uma das pistas rolantes. Bomi a seguiu. Ela desceu e entrou em uma rua onde havia muitos vendedores de comida e ervas medicinais. A garota parecia procurar por algo específico. Bomi a alcançou próximo a um beco e a empurrou para dentro dele antes que ela pudesse protestar.

- Mas o que está fazendo... – ela parou de falar ao ver o uniforme de Bomi.

- Você tem nome?

A garota riu da pergunta.

- Todos têm um nome, até mesmo pessoas como eu.

- E qual é?

- Namjoo. Kim Namjoo.

- Você não me parece uma terrorista.

- E não sou. Vim aqui comprar remédio.

- Vi você discutindo com seu amigo lá na praça.

- Ele é um idiota. Temos uma missão aqui. Nosso líder espiritual está doente e precisa do remédio, mas Kyo só pensa em quem vai liderar nosso povo agora. Ele queria ficar e comprar armas, mas eu tenho pressa em voltar com os remédios.

Bomi a observou com atenção.

- Acho que segui a pessoa errada.

Namjoo franziu a testa.

- E o que você procura?

- Alguém do seu grupo explodiu uma nave da Federação e matou meu amigo.

- O meu grupo não pensa de um único jeito. Há muitos que são capazes de atos assim, mas não é o meu caso.

- Como eu poderia confiar em você, Kim Namjoo? Não tenho escolha, vou ter que te levar comigo.

- Não vai conseguir fazer isso. Mas desejo que pegue o culpado, capitã.

Ao dizer isso, Namjoo jogou algo nos olhos de Bomi que a fez cobrir o rosto, em seguida, passou correndo por ela e sumindo no labirinto de ruas de Beruta.

 

Esfera Delphos – Galáxia Orakuru

Chorong acordou com uma sacudidela.

- Estamos pousando – disse uma das mulheres do grupo.

- Pousando onde?

- Delphos – foi a resposta simples que a mulher deu antes de se afastar.

Chorong forçou a memória. Pelas aulas que teve sobre o mundo de Orion, Delphos era o nome da esfera principal da Galáxia Orakuru. Era um lugar acessível apenas para aqueles que possuíam o dom da visão, fosse do passado ou do futuro. Uma esfera oracular.

- Por que me trouxeram para cá? – Ela perguntou falando em voz alta, mas sem se dirigir a ninguém.

Ela seguiu o grupo como igual, sem amarras ou qualquer outro tipo de contenção, a não ser aquele que a prendia naquele lugar e situação: a falta de conhecimento. Estavam em uma pista de pouso diante de uma incrível construção em forma piramidal. Do seu topo pulsava uma luz azul. Seria algum tipo de farol espacial. Eles entraram na estrutura. Lá dentro o espaço era amplo. No centro havia um jardim artificial de bom tamanho. Seguiram para lá. Os homens ficaram para trás e apenas as duas mulheres seguiram em frente, fazendo sinal para que ela as acompanhasse. As três entraram no jardim. Na mesma hora, Chorong foi atraída para um esquife de vidro de mais ou menos um metro de comprimento. As mulheres ficaram paradas enquanto ela seguia até o centro do jardim e parava diante do objeto. Olhando para dentro, ela viu uma forma comprida, uma espada de cristal negro. Ela ergueu os olhos e olhou para trás, fitando as mulheres.

- O que eu estou fazendo aqui?

- Não reconhece a espada? Ela é sua. Está protegida aqui aguardando a sua volta.

- Minha volta? Do que estão falando?

Uma das mulheres se aproximou e pôs as duas mãos sobre a cabeça dela. Chorong gritou por causa do fluxo de pensamentos. Tentou afastar as mãos da mulher e pediu que parasse, mas a força dos pensamentos a colocou de joelhos. Quando a mulher retirou as mãos, a outra falou gentilmente.

- Você lembra agora?

Ela respirou fundo e se concentrou no que tinha visto e sentido durante aquele toque. Foi como se algo partisse dentro dela, algo que a sufocava. Ficando de pé, ela se virou e pegou a espada na mão. O cristal negro era polido como um espelho. Com um movimento leve no pulso, ela a girou, dando-lhe liberdade de movimento, como se dançasse em sua mão. As mulheres a observavam ansiosas.

- Quem é você? – uma delas perguntou.

- Sou Park Chorong, da Esfera Europa, a última titânia. O meu povo habitava a Esfera Tithan e governava Orion, mantendo as forças primordiais em ordem, até que foi enganado com uma falsa aliança, e dizimado pela frota da Esfera Olimpus. Desde então, Orion vive o medo constante da guerra e da destruição. Com essa espada, eu posso reviver o meu povo e trazer de volta a ordem primordial que pode conter a Matéria escura.

Ela virou-se para as mulheres.

- Sei quem sou, mas não sei como farei isso.

A mulher que tocou sua cabeça sorriu.

- Terá que encontrar a maneira certa. Nós a ajudaremos.

- E quem são vocês?

- Somos os guardiões de Delphos. Aqui você encontrará todas as respostas que precisa.

- E o que eu faço agora?

Elas apontaram para cima.

- Deve subir ao topo e tocar a luz. Ela lhe mostrará o caminho.

 

 

 


Notas Finais


Hayoung vai aparecer no próximo capítulo, prometo. Espero que estejam gostando.


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