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História Orphan Shadows Camp - (interativa) - Capítulo 6


Escrita por: e QueDiabos


Notas do Autor


✖|Muito frio....dedos congelando >< Mas bora postar mais um capítulo, afinal eu prometi ontem, mas não rolou. Admito duas coisas: Não postei ontem porque estava com preguiça ksk e não postei quando cheguei do curso porque fui assistir Shazam com minha mãe.

✖|Mas, isso não importa, mas logo postar essa belezura! <3

✖|Aviso: Depois desse capítulo o próximo sairá só segunda da próxima semana, outra coisa é que eu não costumo ter pontualidade então aviso logo que talvez eu atrase para postar.

✖|Boa leitura, meus amores <3

Capítulo 6 - 0.2; Capítulo - O Acampamento


Fanfic / Fanfiction Orphan Shadows Camp - (interativa) - Capítulo 6 - 0.2; Capítulo - O Acampamento


Continuação do capítulo anterior...

Capítulo - O Acampamento

Rússia, São Petersburgo

O freio a ar chiou quando o veículo escolar parou lentamente no ponto, e um garoto com o cabelo molhado e bagunçado e uma marca de travesseiro no rosto, o que fez todos os seus futuros colegas rirem, ele agradeceu a Hermes que respondeu “De nada, querido” em russo e passou por Bethany, Isabel, Anton e Anne Marie que estavam sentados na frente.

Ivan achava que ia ser assim: ele ia entrar no ônibus, ninguém ia querer sentar ao seu lado, ia ficar sozinho no último banco. Chegando ao acampamento, ele ficaria sozinho e voltaria do mesmo jeito, isolado. 

Só que ele estava um pouco enganado. 

Ele entrou no ônibus e, como havia dois assentos em cada banco, um do lado do outro, quando um deles estava ocupado, Ivan pedia:

– Posso sentar aqui?

E a pessoa sempre respondia a mesma coisa, botando as mãos sobre o lugar vazio: 

– Tem gente aqui! Mais pra trás tem um lugar.

E Ivan foi assim até o meio do ônibus. Parando em frente ao assento de Charlie. 
– Posso sentar aqui? – perguntou novamente, com desânimo, já estava preparado para receber um não.

Charlie afirmou timidamente com a cabeça e deslocou-se ligeiramente para o lado. Os lábios de Ivan desenharam um sorriso de gratidão, talvez estivesse errado, talvez Charlie seria seu amigo. Ivan tinha cabelos tão escuros quanto piche, negros feito o véu noturno. Seus olhos percorreram o banco, antes de se sentar. 

– Você importa se eu..– Charlie mostrou seus fones de ouvido, e Ivan entendeu perfeitamente que ele preferia ficar em silêncio ouvindo suas músicas. 

– Claro – respondeu Ivan. – Fique a vontade. 

Misteriosamente, Charlie não se sentia bem em deixar Ivan de lado para ouvir música, ele se virou para o garoto e perguntou gentilmente:

– Gosta de música clássica? 

– Gosto – respondeu com um sorriso radiante. Posterior a oferta, ele pegou um lado do fone e encaixou no ouvido. Balançava a cabeça lentamente de um lado para o outro, curtindo a sinfonia que tocava. – Você tem um bom gosto, eu admiro. 

Suas bochechas mudam de cor e queimam com o elogio, Charlie aparentava ser sensível a logios, e era porque nunca recebia muitos, não de amigos ou de garotas. 

– O-obrigado – gagueja, e ergue o olhar para Ivan Stepanov, que sorri, um sorriso suave e cuidadoso, os olhos dele brilham conforme percorrem seu rosto. Seus olhos possuem o mesmo tom intenso de preto, de forma que a íris seja indistinguível da pupila. – Éh..olha! – Charlie aponta, buscando se distrair. – tem uma Pizza Planet na sua cidade.

– Ah, sim – afirmou, olhando para fora da janela, assim como o jovem bruxo. – A Rússia está lotada desses lugares. 

….

– Tudo bem? – perguntou Freya a sua companheira.

Wendy saiu do carro e observou tudo ao seu redor, com um certo desconforto com o calor de verão da cidade. 

– Fantástico – ela murmurou, deslizando seus óculos de sol do topo da minha cabeça. Graças à umidade, seu cabelo parecia ter triplicado de tamanho. Ela podia senti-lo tentando devorar seus óculos de sol como um tipo de planta carnívora selvagem. – Eu sempre imaginei como seria viver numa cidade tórrida como esta. 

Desta vez, Freya concordava completamente com sua namorada, no verão Salem ficava excessivamente quente e abafado. Entretanto aquela preocupação foi deixada de lado, ela focou na imagem a sua frente, um gigantesco portão entreaberto, o qual, de acordo com o panfleto que estava em suas mãos suadas, era — o primeiro acampamento para jovens prodígios. 

Prodígio. Apenas um sofisticado vocábulo para monstros. E era isso o que todo mundo no acampamento era. 

Era o que ela e Wendy eram. 

Ela já tinha lido o panfleto quatro vezes desde quando o recebeu anonimamente, e pelo que sabia o acampamento havia sido fundado naquele mesmo ano, 2019, o que era surpreendente pelo fato de que era um campo de 500 metros de comprimento e 450 metros de largura. 

– Vamos indo? – perguntou Freya, apanhando a mão de Wendy e a guiando para a entrada. 

….

Belle Lefevbre estava com os olhos grudados na janela do ônibus assim como Charlie dois bancos à frente do dela, esperando talvez ver alguma coisa nova. Via a paisagem encoberta parcialmente por uma confusão de placas e anúncios colados nas paredes dos prédios. Prédios esses, em sua grande maioria de construção antiga, já bem desgastados pelo tempo e pela má conservação. 

– Já estamos em Salém? – perguntou Belle, em dúvida, era impossível ler as placas rodoviárias da cidade, as letras estavam desfocadas ou vandalizadas. – Quando tivermos a permissão do chefe do acampamento para explorar a cidade, eu vou visitar primeiro as lojas – falou a morena, sem tirar os olhos das lojas que pareciam ser seu único interesse naquela cidade, além do acampamento. – E você? 

– Os museus ou lojas de antiguidades – respondeu Acônito, curiosa e interessada em visitar um dos museus da cidade. – Os museus daqui devem explicar muito sobre as histórias das bruxas, talvez as bibliotecas. 

– Sim! – Belle exclamou, tinha esquecido completamente. – Eu vou adicionar “biblioteca” a minha lista. 

O ônibus virou e entrou em uma estrada de terra. Era um caminho sinuoso e estreito, de curvas e contracurvas. Hermes endireitou o volante, equilibrando o ônibus depois da curva, e acelerou a fundo, levantando o veículo a saltar em frente ao mesmo tempo que o motor silvava com toda a potência dos seus 250 cavalos a agarrarem as rodas ao asfalto. Chegaram à cura seguinte num piscar de olhos. A aproximação vertiginosa de mais um muro – o muro que o separava de um precipício – fez com que o pé direito de Hermes saltasse instintivamente do acelerador para o pedal do travão. O ônibus reduziu a velocidade instantaneamente e Hermes, Pandora e as crianças quase perderam o fôlego, com o peito esmagado contra o cinto de segurança. 

– Hermes! – Pandora gritou seu nome, dando um soco leve em seu braço. – Quer nos matar, seu idiota?! 

– A estrada.. está caindo...– disse Hermes, esticando a cabeça para fora da janela e encarando o precipício que tinha levado parte da estrada de terra abaixo. 

– Vamos contornar – sugeriu Pan. – Todos vocês estão bem? – perguntou Pandora, olhando para todos e indo verificar se ninguém se machucou. 

– Não vamos contornar – retrucou Hermes, pela primeira vez contra a pessoa que ele amava. A má e o pé, trabalharam com uma precisão automática, engrenaram a segunda velocidade numa fração de segundo, no último segundo. A outra mão rodou o volante para a direita e Hermes acelerou aos poucos, passando pelo resto de terra que sobrou daquela estrada. Hermes sorriu, um sorriso de desafio, desafiando-se a si próprio, estava com todos os sentidos alertas e com a vontade de acelerar ao limite daquele ônibus.  

– Isso é suicídio, Hermes! – falou Pandora, irritada por estar com medo do carro cair naquele precipício imenso. – Hermeneus Kriophoros! Volte imediatamente! – ordenou Pan, encarando-o com um olhar flamejante. 

O barulho grosso do motor a cantar, a pedir mais adrenalina, o som poderoso das colunas a debitarem a música do Metallica que passava na rádio, o vento frio da montanha a bater-lhe na alma e gelar-lhe o sangue até voltar a travar contra as leis da física, todos aqueles sentimentos o ajudaram a atravessar aquele pouco pedaço de terra. O rosto de Hermes relaxa em um sorriso tão genuíno e puro, ele ergue o braço para o ar, inclina a cabeça para trás e grita vitorioso. O grito de alegria dele é a onda de choque que incita os jovens que gritam por estarem vivos.

Hermes olha Pandora sorrindo, mas o sorriso some quando ele vê seus lábios de contraídos, os olhos semicerrados e uma expressão de irritação contida.

– Seu imprudente – Pandora xinga o grego, cruza os braços e olha para o lado. – Sua atitude poderia ter nos matado!

– Mas não nos matou, docinho – ele focou na estrada e continuou a dirigir como fazia. Incomodado com a expressão da sua parceira, ele estendeu a mão e apertou uma das bochechas dela tirando um sorriso da morena. – Sua fofa.

– Seu idiota! –Pandora gritou, fechando os punhos no ar, enquanto corava inevitavelmente. 

– Certo, isso foi muito perigoso – comentou Anne Marie, ao lado de Brooke Chandler. 

– O nome do motorista é Hermes? Será que ele é o Deus grego Hermes? – indagou Brooke, curiosa. 

– Talvez a mãe dele ame mitologia grega – era a resposta mais simples que Marie podia dar a amiga, ela não queria ser breve com Brooke, mas outro homem merecia sua concentração. 

A boca de Brooke estava escancarada.

– Ah, não – a vampira disse.

– O quê? – Marie olhou para ela.

– Você está atraída por ele – ela acusou com um sorriso animado.

– Mas é claro que não! – Anne Marie rebateu. – É claro que não estou. Ora essa. Eu? Atraída por ele? – ela disse de maneira debochada. – Não, Brooke. Apenas achei a beleza dele muito diferente, da qual eu estou acostumada a ver. 

Brooke olhou para ela de maneira desconfiada, acusatória. Diablo soube o que ela estava pensando naquele momento apenas em olhar em seus olhos. Admita, ela pode ouvir a voz de Brooke na sua cabeça, você está caída por ele. Vamos lá, admita. Não é feio. Amar é bom, sabia?

– Eu não estou apaixonada – Anne sussurrou, envergonhada.

– Mas está atraída – Brooke soltou um risinho.

A loira se se encolheu no banco, desejando sumir daquele ônibus. 

 ....

Scarlett admirou o cenário florestal a fora, pinheiro alinhados pela natureza, abrindo espaço para a rua que se passa no meio deles.

– O acampamento ainda está muito longe? – perguntou Scarlett com a mão erguida, estava um pouco impaciente e com fome, embora não demonstrasse. 

– Não, Hermes vai pegar o caminho do rio – informou Pandora, digitando em seu aparelho uma mensagem avisando a Seth que já estavam chegando. 

–  Rio? –  repetiu a Isabel, no assento da frente, o mais perto de Pandora.

–  Sim, aqui perto há muitos rios..–  continuou vidrada no aparelho brilhante. 

Encontravam-se, agora, muito perto da costa; o capim alto balançava à beira do caminho enquanto serpeavam por fazendas e vilarejos. Placas desbotadas anunciavam praias públicas, lagosta fresca e excursões para apanhar mariscos. Asterin Skadi, a híbrida de 200 anos olhou pela janela. A estrada atrás estava vazia havia alguns quilômetros. Era estranho não ver carros em movimento por ali, parecia que o terreno era só do acampamento e apenas os carros e ônibus permitidos podiam adentrar a região.

Sua companheira Alexandra Gonzalez ficou de joelhos no assento e abaixou o vidro. Logo entrou o ar quente de verão, uma fragrância pesada de sal, o cheiro de mar passou pelos narizes de todos dentro do ônibus. Que fez Isabel, a frente do banco de Alex e Asterin, perguntar:

– Tem uma praia aqui perto?

– É claro, às vezes gostamos de ir lá – respondeu, enfim tirando os olhos do celular para cutucar Hermes que concordou com ela. – Quem sabe vocês também não vão? Com a permissão do Seth, óbvio.

Liz olhou para além de Enya e apontou para algo do lado de fora da janela. Enya se virou a tempo de avistar uma antiga tabuleta de aço:

BEM-VINDOS AO ACAMPAMENTO ORPHAN SHADOWS 

Passaram por algumas árvores bem cuidadas. Cortadas, redondinhas, algumas tinham formatos de animais, outras curiosa e estranhamente tinham forma de comidas. Através das árvores dava para ver a água da praia cintilando ao fundo, as crianças absorviam o cheiro do gramado aparado e da tinta fresca das placas. As árvores altas por onde passavam eram antigas, mas belamente preservadas. Mais uma placa apareceu, ela indicava que o Acampamento Orphan Shadows ficava logo mais, à frente.  O ônibus acelerou, dirigindo-se a um portão alto de ferro preto. O portão se abriu à medida que se aproximaram. Anton quis ver melhor o chamativo cume do portão de prata quando o ônibus atravessou o portão, que tornou a se fechar atrás deles. 

A estrada se transformara numa alameda de cascalho, e o ônibus agora a seguia à direita, mergulhando num bosque espesso de freixos, carvalhos e faia. Do bosque denso o ônibus emergiu numa enorme clareira ensolarada, com gramados suaves, campos de atletismo, jardins coloridos e antigas construções de pedra próximas do mar. Charlie e Ivan colocaram a cabeça para fora da janela e escutaram os cantar dos pássaros. Charlie respirou fundo e encheu os pulmões do ar da maresia. Por um instante, lembrou já ter sido um menino que percorria a costa e os penhascos da cidade de Salém. 

– Você está bem? – perguntou o garoto de cabelos pretos, preocupado com o silêncio do colega. 

– Estou sim – mentiu, libertado dos devaneios. A verdade era que Charlie estava tomado por uma única questão; aquela lembrança era da sua infância com sua verdadeira mãe?

…...

Megan terminou sua sopa de legumes. A sopa havia sido muito bem preparada, os legumes estavam suculentos e deliciosos, mas ela demorou bastante para tomar. Ela agradeceu a Lara sentada na cadeira de madeira ao lado da cama. Quase imediatamente depois, houve um completo silêncio. Havia uma razão para o silêncio das duas, Megan e Lara não tinham muito para conversar e se compartilhassem histórias ou paixões poderiam entrar em uma discussão feia, da qual seria melhor evitar. Megan desceu da cama e pousou os pés nus na madeira, mas parou assim que uma bola de pelos negros saindo debaixo da cama lhe chamou a atenção. 

– Salém? Você estava debaixo da cama esse tempo todo? – Megan olhou-o com seriedade por uma fração de segundo, mas logo sorriu, feliz por ver o bichano.

Salém parou de caminhar assim que foi descoberto, ele se virou e se aproximou na direção de Megan, com a cauda empinada e curvada na extremidade como um ponto de interrogação. 

– Ora ora, se não é minha ruiva preferida – manifestou-se o gato, não se sabia quanto tempo estava lá ou quais conversas ouviu. – Eu fiquei levemente preocupado, só isso.

Era a primeira vez que via o gato em tanto tempo. Salém na cama e em frente a Megan rolou sobre as costas em movimentos extáticos.

Megan esfregou-lhe o pelo macio da barriga, fazendo-lhe cócegas e o gato ronronou de contentamento. Uma vez satisfeito, rolou de frente novamente e caminhou até a saída do cômodo. 

– Vejo você mais tarde, garota má – Salém se despediu, "garota má" era um apelido que tinha dado a Megan há muito tempo, sempre quando ele arranhava sua perna ela o jogava da janela ou o arremessava na lata de lixo como uma bola de basquete. 

– Esse gato é esquisito – disse Lara, vendo o bichano sair com um rebolado. 

– Isso porque ele é o irmão mais velho do Seth – explicou Megan, enquanto calçava seus sapatos. Lara franziu as sobrancelhas, confusa e reflexiva. Antes de perguntar como aquilo era possível, Megan disse mais: – Quando Salém ainda era um homem ele tentava insistentemente matar o Seth e a irmã gêmea dele e, um dia muito perto de alcançar seu objetivo, Salém foi interrompido por sua mãe e transformado em um gato por Seth. 

– Seth foi capaz de fazer iso com seu próprio irmão? – Lara indagou cética do que acabara de escutar. 

– Salém tinha duas escolhas; ser um gato ou morrer – respondeu Megan, tendo uma visão diferente do bruxo-nobre. – Se o Seth fosse como sua mãe, ele teria matado o Salém sem dar uma segunda chance a ele. Foi um ato generoso da parte dele.

Megan se levantou da cama e olhou pela janela. Lá fora, a vista era nostálgica: árvores, campos e, para além deles, no horizonte, longínquas colinas brancas. Uma luz repentina ofusca a visão de Pandora por um instante, Endrew e Seth carregavam juntos um baú de madeira. 

– Ele chegou – falou Megan antes de sair do quarto em passos ligeiros. 

….

Quando Seth e Endrew colocaram o pesado baú na mesa, ambos secaram o suor e abriram o baú, em cima da mesa da cozinha, ansiosamente, eles contemplaram alguns papéis e um pequeno embrulho de pano. Quando Seth desenrolou, um pequeno cartão caiu. 

Escritas com uma letra familiar, comprida e fina — ainda mais torta do que o normal —, estavam as palavras:

Querido Seth,

algo para e se lembrar de mim.

Viaje em segurança!

Sua maior paixão,

Delaila Pierce.

 

O coração de Seth batia acelerado quando ele pegou o cartão. A simples visão da assinatura rabiscada de Delaila bastou para comovê-lo. Mas, dobrado dentro do pano, havia um choque ainda maior. Ali estava o anel de sangue de Delaila. Ele se lembrou de como havia criado e porquê, foi 1900, próximo a um píer, enquanto ele afastava alguns fios de cabelo de sua testa molhada, depois de resgatar seu corpo dela do mar, Delaila não respirava e, graças a magia Seth pôde criar um anel com seu sangue e presenteá-la com uma segunda chance, uma segunda vida.

Olhou o anel — a estranha imagem das mãos segurando um crânio, uma pequena coroa na cabeça do crânio. Pegou-o. Era um presente grande demais, pensou. Era quase uma parte dele. Mas talvez fosse esse o objetivo, pensou com um arrepio. Ele queria que ela ficasse com uma parte sua. E ela queria o mesmo, mas não teve tempo de lhe devolver o presente. Algumas vezes, quando o tocava, fechava os olhos e tinha uma visão claríssima do píer em Bahamas, era como se pudesse vê-lo realmente. Se ao menos fosse verdade...

O bruxo-nobre foi tirado dos seus devaneios pela voz aflita de Endrew.

– Você está bem?

– É uma ótima pergunta. Não tenho mais tanta certeza se estou bem ou não – respondeu Seth com um sorriso fraco, colocando a foto sobre a mesa de madeira e voltando a fuçar dentro do baú.

– Sr Gallard! – a voz de Megan foi escutada, estava raivosa e ele sabia muito bem o motivo. – Você acha que simplesmente me desmaiar e me obrigar a ficar aqui? – Megan estava encenando para ver como ele reagiria com seu surto.

– Éh..bom dia, Rosa – tentou acalmá-la não discutindo com ela, era um bom plano mas a fez pensar que estava sendo ignorada a deixando com mais raiva. – Quer comer alguma coisa? 

– Eu farei alguma coisa decente para comer! – Ela fechou os punhos e bateu o pé no chão, correndo para a cozinha. 

– Quem é a bravinha? – Endrew perguntou sorrindo despercebidamente.

 – É a Megan  – respondeu Seth concentrado em uma bússola de 1716 que encontrou dentro do baú.  – Tome cuidado com ela. Megan nunca foi muito gentil com homens  – ao dizer ele colocou o objeto de volta a caixa marrom, esticou o pescoço um pouco para a direita e exibiu as cicatrizes minúsculas feitas pelas presas de Megan ao elfo que arregalou parcialmente os olhos.  – Hoje mais cedo, ela matou drenou todo o sangue de um homem. Eu tentei salvá-lo mas era tarde. 

 – O que fez com o corpo? Talvez possamos trazer ele de volta a vida  – propôs Drew, as palavras dele expressaram mais coragem do que ele ele imaginava, pois ele sabia que ressureição estava ligada a magia negra, mais especificamente necromancia e que o feitiço traria consequências. 

Ele balançou negativamente a cabeça com tranquilidade, mas, em vez de responder diretamente, disse: 

 – O feitiço de reanimação viola a ordem natural da vida e da morte e muitas vezes exige um sacrifício como dar uma vida em troca de outra, além do feitiço ter....

– Consequências – Endrew terminou por ele. E olhou para o baú. – Viajamos até 1902. Você não vai me dizer o que estamos procurando? – perguntou Endrew içando uma das sobrancelhas perfeitamente delineadas, analisando algumas fotos e jornais do século 18 e 19.

– Respostas – disse simplesmente, o que fez Endrew parar de procurar e encará-lo com incerteza. Seth balançou a cabeça, riu e tranquilizou o loiro: – Não se preocupe, não é nada que refute a teoria de que a Lara é a Delaila. Eu acredito que a Lara é a Delai porém.. eu preciso saber mais sobre o passado da Delai, talvez ela tenha escrito alguma coisa que possa ajudar Lara com seus pesadelos.

– Compreensível – respondeu Endrew, continuando a busca. Ele olhou para baixo e viu um livro com capa de couro. – Achei um diário com cadeado – o elfo segurou o livro, cuja capa tinha uma estampa dourada com o nome Pierce e o contorno do que parecia um pequeno país ou uma ilha. Ele analisou o cadeado.

Seth passou o dedo indicador sobre as letras, e murmurou o feitiço Recensionem Illud revelando a combinação na capa do diário para abrir o cadeado. Rapidamente ele mexeu no cadeado colocando os números, era o dia e ano do seu nascimento. Ele já devia saber. Antes que Seth e Endrew pudessem ler, a voz do Kaulder lhes atraiu a atenção.

– Eles chegaram – o feiticeiro avisou, encontrava-se no pé da escada encarando Endrew com uma certa desconfiança. – Ele é amigo da moça que estava tendo um pesadelo ontem? – de uma coisa sabiam, Kaulder não era nada discreto. 

– Sim – assentiu Seth. E os apresentou devidamente. – Endrew esse é Kaulder, Kaulder esse é o Endrew.

O elfo sinalizou com a cabeça muito prazer e Kaulder apenas retribuiu antes de dizer; 

– É melhor guardar o baú e recebemos as crianças, não? – Kaulder não desejou ser rude com o bruxo, apenas cumprir o que foi dito por ele, "guiar os jovens por um caminho certo". Ele não queria que Seth esquecesse do que prometeu com questões passadas, ele sempre dizia que olharia para o futuro mas sempre voltava ao passado em busca de respostas para suas perguntas. 

– Você está completamente certo – Seth admitiu, embora odiasse. Kaulder não pode esconder seu orgulho diante daquela declaração. – Kaulder, chame o Garth e o Vlad – pediu, o jovem feiticeiro saiu da casa para fazer o que lhe foi pedido. O loiro guardou os papéis, envelopes e jornais dentro do baú, lacrou ele com um feitiço e o teletransportou para seu quarto. – Endrew, chame a Adhara e a Lara, por favor?

Endrew assentiu, passou por Kaulder e subiu as escadas para encontrar com suas duas amigas. 

….

 O ônibus seguiu a curva, saiu numa grande pista circular, com um grande campo com muitas casinhas de madeira e uma bem no topo do morro construída com toras de madeira, tinha um aspecto sólido e acolhedor. Alguns carros estavam estacionados à frente. O ônibus percorreu as vagas e estacionou em uma. Hermes puxou o freio de mão com os dedos magros, desligou a chave, engatou a marcha para travar bem as rodas e abriu a porta do ônibus, enquanto liberava o cinto de segurança. Hermes apanhou o rádio do ônibus que ele mesmo tinha instalado e comunicou com uma voz animada:

– Senhoritas e Senhores – Hermes sempre se referia aos homens com um certo desdém, deu para notar que ele não gostava muito dos garotos, e somente tolerava eles, por algum motivo desconhecido. Ele continuou a dar instruções formalmente, como deveria ser: – Chegamos ao acampamento Orphan Shadows, façam o favor de descer do ônibus e seguirem minha lindíssima companheira Pandora Gallard – Hermes desligou o rádio e desceu do veículo. 

Aos mesmo tempo que os adolescentes saiam Hermes fazia uma rápida contagem. Asterin caminhou até a encosta – uma ladeira íngreme e pedregosa. Subiu no meio-fio para assistir ao espetáculo dourado. Diante dos raios, sentiu revigorar-se.

– Que lindo! – Asterin elogiou, rodeando os excepcionalmente belos pelo campo. 

– Sim – concordou Anne Marie. Se aproximando da beirada. 

– Ok, ok, chega de admirar a vista – falou Pandora empurrando levemente as duas na lateral do ônibus onde se encontravam as bagagens de todos. – Peguem suas malas e vamos! – ela verificou as horas no relógio e bufou, estava atrasada, Hermes não era o culpado, ele tinha ido o mais rápido que pode, mas aquele buraco repentino na estrada mandou a pontualidade da Pan por água abaixo. 

– Vlad – Seth chamou o amigo e tocou em seu ombro, pedindo o seguinte favor: – Convenhamos que eu posso ser autoritário mas não dou medo em ninguém, não que você seja assustador e que..

– Consegue falar tudo em uma só frase? – ele interrompeu, com um sorriso achando engraçado como o bruxo se enrolava todo para pedir um favor. 

– Eu quero que você decore isso e leia – entregou um papel ao conde drácula, que aceitou sem reclamar. – Obrigado! – disse, mesmo que Vlad já tenha atravessado o corredor da casa. 

….

– Primeiramente, Bom dia a todos vocês, obrigado por aceitarem meu convite. Meu objetivo não é explorar seus poderes, e sim ensinar vocês a controlá-los. Não tenham medo de quem vocês são, pois aqui vocês não serão julgados, serão tratados como iguais – Seth não era tão bom em discursos, mas se esforçou nesse dia e todos seus amigos podiam ver, ele não segurava nenhum bloquinho de papel, faria o discurso de modo improvisado, mas de modo profissional. – Meu nome é Seth Gallard e vou ser o monitor chefe de vocês nesses próximos três meses – fez uma pausa e estendeu a mão para Megan, Hermes, Lara, Pandora, Adhara e Kaulder enfileirados a direita dele cada um deles com uma caixa preta na mão. – Meus companheiros irão passar por vocês com uma caixa, enfiem a mão dentro da caixa e pegue uma pulseira – Seth pousou o microfone na mesa e olhou para Garth, Alucard e Endrew a sua esquerda. 

Os cinco começaram a passar pelos jovens oferecendo a pulseira a eles. Charlie enfiou sua mão dentro da caixa e retirou sua pulseira, sem enrolação, cor azul, na opinião dele era a cor mais bela de todas as outras, olhou para Ivan ao seu lado e sorriu ao ver que ele tinha tirado uma pulseira da mesma cor. 

Bethany puxou sua pulseira e logo a colocou, gostou do estilo trançado, sua cor; laranja, igual a pulseira de Enya e Liz. Wendy e Freya, também estavam lá e, infelizmente puxaram da mesma caixa pulseiras de cores diferentes, se abraçando para lamentar. 

– A melhor cor, sem dúvidas – disse Belle, colocando sua pulseira roxa no pulso. 

– Parece que caímos na mesma equipe – Isabel se aproximou, mostrando a cor da sua pulseira com um sorriso.

– Amarelo – Brooke se manifestou com animação, procurando sua parceira, Acônito logo se aproximou com o braço estendido para o alto como uma espécie de radar. – Somos colegas – sorriu agradavelmente. 

– Aposto que você não dura um dia comigo – desafiou Acônito, sorrindo divertidamente. 

– Desafio aceito – Brooke piscou, permanecendo ao lado da morena.

– Grupo amarelo? – Asterin perguntou as duas outras garotas que assentiram. Ela então mostrou a pulseira que tirou da caixa. – Somos três então. 

– Agora que todos receberam suas pulseiras, quero avisar que é muito importante que usem essa pulseira o tempo inteiro no acampamento. Como vocês já sabem o acampamento fica num lugar distante e muito espaçoso, não há sinal de celular e, obviamente..

Megan sorrindo sarcasticamente, pegou o celular de uma garota que estava distraída navegando na internet, e completou a frase do bruxo: 

– Não há internet – devolveu o celular para a garota, que agora a encarava com uma expressão rancorosa.

– A pulseira garante a segurança de vocês. Alguns de vocês devem estar sentindo um certo formigamento na pele, esse é o efeito do feitiço se conectando ao seu braço, é magia de localização. Além disso, a pulseira também representa a cor da sua casa, são seis cores; roxo, amarelo, azul, laranja, vermelho e verde – dizia ele enquanto apontava para algumas casinhas ao redor dos adolescentes. – Irão ficar três ou quatro de vocês na mesma casa e cada casa terá um líder para supervisionar vocês, para segurar que não façam nenhuma besteira – explicou Seth, olhando para os jovens, mas principalmente para seu familiar, Charlie. – Vou divulgar os líderes; O líder da casa roxa é a Freya Archerond – olhou para a mulher que estava surpresa e informou: – Me desculpe, Freya, tivemos que improvisar, espero que não se importe – continuou: – A líder da casa amarela é minha minha pupila, Pandora Gallard. O líder da casa vermelha é o feiticeiro, Kaulder Kane. A líder da casa verde é nossa querida bruxa psíquica, Adhara Vega. A líder da casa laranja é a Vampira, Megan Bryer. E por último, mas não menos importante, o líder da casa azul é o olimpiano Hermeneus Kriophoros.  

Os alunos deram uma salva de palmas e aos poucos se silenciaram. 

 – Alguma pergunta? – perguntou Seth. 

Liz Hildegard, levantou a mão. Seth balançou a cabeça, levando seu queixo para cima, permitindo que ele perguntasse.

– O que pode acontecer se perdemos a pulseira? – ela falou devagar. – Quer dizer, não vamos aprender métodos de sobrevivência aqui, como qualquer acampamento de verão? 

– Qual é o seu nome? – Seth perguntou antes de responder a pergunta.

– Liz Hildegard. 

– Liz. Vamos aprender métodos de sobrevivência sim, mas não contra animais, porque no fim não são eles que desejam nos executar, não é mesmo? Antes de eu dizer qualquer coisa quero que fiquem cientes que em todos os lugares, inclusive Salem há pessoas boas e pessoas não tão boas, pessoas que querem exterminar minha espécie, fadas, feiticeiros, lobisomens, pessoas que não compreendem e nem tentam compreender que não queremos nada com eles. Nós colocamos uma espécie de cúpula ao redor do acampamento, somente seres sobrenaturais e místicos podem atravessá-la, lembrem-se; nossa defesa está aqui dentro, lá fora, na cidade vocês estarão completamente vulneráveis a qualquer caçador. Então, Liz, respondendo sua pergunta, se você perder a pulseira..– ele apenas elevou seus ombros e mãos, com as palmas para cima, sorrindo de boca fechada. Todos entenderam o que ele quis dizer. 

– Certo – Liz respondeu, um pouco pálida. 

– Com licença – uma garota levantou as mãos. – Meu nome é Eliza. Nós vamos ter que caçar algum animal? – ela colocou a mão no rosto, cobrindo a boca. – Isso não estava escrito no panfleto. Eu sou vegetariana, não posso fazer isso. 

– Ninguém vai caçar nada aqui, Eliza, somos completamente contra a crueldade aos animais – Endrew respondeu calmamente em seu microfone.

– Mais alguma dúvida? – perguntou o bruxo. Como ninguém se pronunciou, ele a palavra a Alucard.

– Regras do Orphan Shadows – Alucard jogou o papel fora um minuto depois que Seth lhe entregou. Foi muito fácil para ele decora aquele texto. Ele começou a anunciar; 

1. O dia começa às 7 da manhã e termina no máximo às 11 da noite. Em horários diferentes destes, você deve permanecer em seu dormitório.

2. A floresta que cerca o acampamento pode ser perigosa; todos são proibidos de entrar nela sozinhos após escurecer.

3. Nenhum jovem pode deixar o terreno da escola sem autorização.

4. O acesso a casa dos tutores é proibido, a menos se você for convocado.

5. Os Jovens que utilizarem seus poderes para ferir outros colegas será punido. 

6 Todas as atividades do Orphan Shadows são secretas. Qualquer integrante que for descoberto divulgando detalhes destas atividades será severamente punido.

– Garth e eu levaremos os cavalheiros até o alojamento, damas acompanham Adhara e a Megan. Charlie Goode e Freya Archerond encontrem Seth na residência logo atrás de mim – Vlad avisou, colocando o microfone sobre a mesa e saindo. 

Ao entrar no alojamento, Belle sentiu uma enorme sensação de nostalgia: tudo era parecidíssimo como os alojamentos dos acampamentos do programa que ela assistia quando era criança. Os beliches encostados nas paredes, os baús antigos – um para cada pessoa – para guardar objetos pessoais, um grande armário coletivo na lateral do quarto para roupas e uniformes, o banheiro comprido com vários dois chuveiros e cabines com divisórias para os vasos sanitários. 

– Cheiro de infância – Belle coçou o nariz e espirrou, talvez aquele lugar precisasse de uma faxina, uma que ela e suas amigas com certeza fariam.

– Esse lugar precisa de uma reforma – disse Scarlett.

– Foi a mesma coisa que eu pensei! – exclamou Belle, rindo. 

….

Ethan e Anton correram até um dos beliches e se penduraram nas escada, já subindo e gritando sincronicamente:

– Eu fico na cama de cima! 

– Tem certeza que vai ficar tudo bem? – Alucard perguntou vendo um grande problema para Kaulder resolver; dois jovens que não sabem dividir. 

– Vai ficar sim – respondeu convincente, olhando para eles com os braços cruzados e depois para o conde. – Não se preocupe. Eu já fui como eles.. ingênuos. Agora vai – abanou a mão para Vlad, pedindo que saísse. – Vamos, Drac – Alucard saiu o fitando com incerteza. 

….

Brooke, Acônito e Asterin saíram da área dos alojamentos, caminhando pelo campo aberto, um ia para a casa do Seth Gallard, e outro ia para os fundos, em direção a três outras casas de tamanhos diferentes. 

– Ali deve ser o refeitório, a enfermaria e a cozinha, de acordo com esse mapa – Brooke comentou, lendo o encarte do acampamento, todos tinham recebido um, mas talvez ela tenha sido a primeira a notar para que servia. – Esse acampamento é enorme! – disse, girando o papel várias vezes em 360º graus analisando-o bem próximo do rosto. 

– Onde você arranjou isso? – perguntou Acônito, se referindo ao encarte. – O que mais mostra? 

– Veio junto a carta que eu recebi. Diz quase tudo sobre o acampamento e sobre a história da cidade, também que a área de lazer tem um monte de coisas, e os horários que podemos ir aos lagos aqui perto. 

….

Continua no próximo capítulo...

 

 



 

 


Notas Finais


✖|Eu vou comprar uma coisa ali <3 Até mais.
✖|O link das casas agora que vocês entenderam melhor o que significa; https://docs.google.com/document/d/1nm85b6pup-AS_jbCfiFgu-aM1BQfciEkxl4PDOdFLBE/edit

✖|Não se preocupem, se o seu personagem não está na casa, como o Alucard, não se desespere, o Alucard por exemplo vai ajudar, os tutores estão ali para vigiar e garantir que os jovens não façam nenhuma besterinha.


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