História Os beijos roubados na biblioteca - Capítulo 1


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Categorias Girls' Generation
Personagens Jessica, Yuri
Tags Yulsic
Visualizações 221
Palavras 3.561
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, LGBT, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá ;)

Capítulo 1 - Capítulo Único


Yuri saía do bicicletário quando viu alunos correndo para o outro lado da universidade. Pelos potes de tinta, as fitas de papel e a cola aquilo só poderia ser o trote na recepção dos calouros. Apesar de já estar atrasada para a aula, foi conferir a situação. Não deu outra. Várias pessoas sujas ou sujando a entrada, gritos e balões estourando.

Passou por alguns estudantes segurando cartazes com dizeres pejorativos e até preconceituosos para encontrar as pessoas do seu curso. Viu alguns conhecidos em volta de uma garota que murmurava para que não a sujassem. Era óbvio que era uma caloura. Estava bem vestida e com uma mochila novinha. Tão perceptível.

Empurrou mais pessoas até estar dentro do círculo. Alguns rostos sujos eram desconhecidos e supôs que eram calouros que haviam aceitado participar. Mas aquela garota não. Ela parecia acuada.

― Ei, deixem a menina em paz ― disse posicionando-se ao seu lado.

― Sai, Yuri ― Myungsoo respondeu. Era um colega de turma. ― Ela já é grandinha pra se defender. Já está na faculdade, veja só.

Os integrantes do círculo riram e um se aproximou com as mãos sujas de tinta. Yuri escondeu a garota atrás do corpo.

― Eu nunca vi no estatuto do Centro Acadêmico que um dos deveres de vocês era constranger calouros.

― Ninguém está constrangido aqui ― Myungsoo argumentou com impaciência. ― Você está, querida?

Mas não houve resposta.

― Todo mundo já participou. Só ela vai ficar de fora? ― um desconhecido perguntou.

― Se ela quiser, é isso mesmo. Não são vocês que dizem que participa quem quer?

Sentiu a garota apertar seu braço e percebeu que um estudante pintara seu rosto com uma mistura de tinta e cola. Por mais que Yuri tenha tentado resolver a situação de forma razoável, viu que não havia escapatória. Agarrou firme na mão da caloura e a puxou para fora dali, correndo sem rumo definido.

Depois de alguns metros, soltou a mão da garota e apoiou-se nos joelhos para respirar. Notou que ninguém mais as seguia e deu-se por satisfeita por aquela pequena vitória pessoal. Pessoal porque se sentiria mal se visse algo do tipo e não fizesse nada. Fizera a boa ação do mês.

― Obrigada, eu acho...

Olhou a garota de baixo para cima e finalmente a encarou. Loira e mais baixa do que Yuri, ela tinha uma expressão ao mesmo tempo confiante e envergonhada. Talvez a confiança fosse seu estado normal e estivesse embaraçada apenas pelo contexto anterior. De traços delicados e simétricos, ficou horrorizada ao notar o quanto a caloura era bonita.

― Ow. Tudo bem ― disse com uma das mãos na nuca. ― Sou Kwon Yuri e você?

― Jessica Jung.

Yuri enrugou a testa quando ela estendeu a mão. Mesmo assim a apertou ― mais forte do que deveria.

― Quer ir ao banheiro? ― indagou apontando para a tinta vermelha no rosto da outra.

Pela primeira vez, Jessica mostrou-se irritada e concordou com a proposta. Caminharam em silêncio até os banheiros do prédio anexo, onde as turmas mais avançadas estavam. Ali ficariam a salvo, já que os formandos não queriam saber de trotes ou de calouros. Lutavam para conseguir um diploma.

― Nós somos do mesmo curso? ― Jessica questionou quando passaram pela porta.

― Acho que sim. Cinema?

― Isso.

Ficou encostada na pia de mármore enquanto observava Jessica ter dificuldade para se livrar daquela mistura. Pelo menos não sofreu como Yuri, que no seu primeiro dia teve os cabelos impregnados de cola e glitter. Foram semanas e diversos banhos até conseguir se ver sem brilhinhos pelo corpo.

― Sabe, eu acho melhor você ir embora ― aconselhou.

― Por quê? Eu tenho aula ― Jessica disse abrindo a mochila. Provavelmente olharia algum tipo de horário.

Yuri balançou a cabeça.

― Na primeira semana, os professores cedem as aulas ao Centro Acadêmico para que eles façam... ― Yuri não sabia direito como explicar. ― Bem, façam o que você viu. Serem retardados.

― Eu recebi um aviso no celular que nós teríamos aula e depois conheceríamos a universidade.

Negou novamente.

― É falso. Hoje eles devem leiloar vocês, eu acho.

― Leiloar? ― Jessica parecia incrédula, fazendo Yuri sorrir.

Ela realmente não conhece como as coisas funcionam.

― Sim. O CA vende os calouros para os veteranos.

Passou a explicar a dinâmica do leilão, onde os veteranos escolhiam seus afilhados ― na realidade, seus burros de carga ― por características que achassem mais convenientes. Beleza, personalidade, gostos em comum. Em sua época, era uma dinâmica ainda não aplicada então ficou sem aquela vergonha no currículo.

― Se quer uma dica, apareça por aqui só na próxima segunda. Você não vai perder nada.

Jessica a encarou, a marca de tinta desbotada em sua bochecha, avaliava se Yuri não estava mentindo para prejudicá-la. Costumava ser cautelosa com as pessoas. Contudo, algo lhe dizia que poderia confiar na garota. Ela tinha um jeito abobalhado e extrovertido que a agradava. Seguiu tentando limpar completamente o rosto, vez ou outra fintando a figura ao seu lado.

― Você está em qual semestre? ― questionou, tirando alguns lenços da mochila.

― No quinto.

Yuri até queria conversar mais com Jessica, mas precisava pegar pelo menos a última hora de aula para ter seu nome incluído na lista de presença.

― Se você precisar de alguma coisa, posso te dar meu número ― sugeriu com certa timidez.

Felizmente, Jessica aceitou a sugestão e passou seu número também, que Yuri logo percebeu se tratar de um número de fora do país. Resolveu perguntar depois. Naquele momento, precisava bolar uma boa desculpa para que a professora a deixasse entrar na sala.

xxx

― O que você acha de um curta de terror? ― HyoYeon perguntou, os pés apoiados na parede.

― A gente vai precisar de mais dinheiro se for essa ideia ― Yuri respondeu irritada. ― E tira os pés da parede, caralho.

HyoYeon revirou os olhos e empurrou a cadeira de rodinhas para perto da cama.

― Pode ser um curta de terror trash. Assim, a gente vai ter justificativa se ficar um lixo ― TaeYeon propôs.

― Nossa. Não é que a anã tem boas ideias às vezes?

TaeYeon deu de ombros, acostumada com a brincadeira. O trio precisava produzir um curta-metragem para uma disciplina. O tema aberto estava fazendo-as bater cabeça. Pensaram em exorcismo, mas isso seria clichê. Em zumbis, mas isso seria caro e elas não tinham tantos amigos assim.

― Que tal um filme em que uma família deve se proteger de monstros que tem uma audição avançada e por isso precisam ficar sempre em silêncio?

HyoYeon e Yuri se entreolharam, a última caindo de costas na cama.

― Tae, essa é quase a sinopse de Um Lugar Silencioso.

― Uma garota ocidental que tem um relacionamento com um coreano e ao levá-lo para conhecer sua família, ele descobre que são todos viciados em k-pop?

― Versão asiática e muito mais aterrorizante de Corra!. ― Yuri ria pensando em um filme como esse.

Pensaram e deram ideias até que estivessem fartas, anotando algumas para melhor desenvolvimento depois. Já tinham produzido um curta antes, porém no primeiro semestre, onde as expectativas dos professores eram baixas. Agora precisavam elaborar algo mais contundente se não quisessem reprovar.

― Vocês sabiam que tem uma caloura estrangeira no curso? ― HyoYeon perguntou ao mesmo tempo em que olhava o celular.

― Hm, não. Mas soube que a Yuri deu uma de heroína hoje.

HyoYeon a olhou por cima da tela, confrontando-a para que explicasse a história. Yuri bufou e resmungou contra os colegas fofoqueiros. Esclareceu que só tinha ficado ao lado de uma caloura que era constrangida por outros alunos.

― Myungsoo me disse que você correu com a garota ― TaeYeon argumentou.

― Myungsoo é um idiota. ― Tinha os dentes cerrados, ainda com raiva. ― Jessica estava envergonhada.

― Jessica?

― Jessica?

― É. Jung.

― Deve ser a nossa estrangeira então ― TaeYeon concluiu. ― Mas você é burra mesmo em?

Yuri jogou um travesseiro em TaeYeon pelo desaforo.

― Então... Como ela é? ― TaeYeon indagou com um sorriso malicioso.

― Não reparei ― mentiu.

― Deve ser bonita para querer esconder de nós ― HyoYeon ponderou.

Querendo encerrar o assunto, Yuri admitiu que ela era bonita. Suas amigas a envergonharam por alguns minutos, mas se esqueceram logo depois. Ainda conversaram mais tempo até irem embora, deixando Yuri mais leve. Não que desgostasse da companhia delas, porém queria ficar um pouco sozinha naquele dia. Antes de sair de casa tinha brigado com os pais e estava sem falar com eles desde então.

As brigas eram poucas. Estabeleceram um bom relacionamento com o passar dos anos. Quando aconteciam, contudo, costumavam ser difíceis. Tomou um banho para relaxar, deixando a água quente levar suas tensões. Saiu do banheiro enrolada no roupão felpudo e com uma toalha na cabeça. Ouviu batidas na porta e depois seu irmão colocando a cabeça para dentro perguntando-a se queria jantar. Diante da resposta negativa, foi embora.

Pegou o celular apenas para adiar de ter que secar o cabelo, deixou a maior parte das notificações para trás e parou ao encontrar uma mensagem de número não adicionado. Um número estrangeiro.

“Oi, Yuri.”

(18:55)

“Tudo bem?”

(18:55)

“Você sabe do que eu preciso para fazer o cadastro na biblioteca?”

(18:56)

Yuri pegou o celular e correu para sentar na escrivaninha, adicionando Jessica Jung logo em seguida. Pelo conteúdo formal das mensagens, ponderou por algum tempo para achar o tom das respostas. O ponto final na primeira a matando.

“Olá, Jessica. Tudo bem e com você?”

(Yuri, 20:40)

“Você só precisa do número da matrícula e de um documento com foto”

(Yuri, 20:41)

Releu as mensagens enviadas várias vezes em poucos segundos. Cada vez se achando mais estúpida pelo tom artificial e distante. Resolveu adicionar um emoji dois minutos depois. Uma carinha alegre sorrindo. Será que você consegue ser mais idiota, Kwon?

“Obrigada.”

(Jessica, 20:46)

Jogou o celular na cama e foi secar o cabelo pedindo para levar um choque elétrico. Um belo final, supôs. Talvez pudesse adicionar uma cena como essa em seu terror trash. Um escorregão no banheiro também parecia uma morte bizarra. Um engasgo com a água do chuveiro. Pensou em adicionar tudo aquilo a sua lista de ideias, mas antes seu celular apitou.

Normalmente, era uma pessoa controlada quando o assunto se tratava de notificações de redes sociais. Conseguia passar um longo tempo longe do smarthphone, imersa em outras atividades. Mas não naquele dia que estava interessada em alguém.

“Seria incômodo você me acompanhar?”

(Jessica, 20:57)

“Claro”

(Yuri, 20:58)

Bateu no rosto com a mão.

“Digo, não vai ser incômodo”

(Yuri, 20:58)

Estava empolgada com o plot twist, tendo uma primeira vitória no dia. Enfim um dia de glória depois dos dias de luta. Não que achasse que teria a menor chance com Jessica Jung. Todavia, pelo menos poderia ajudá-la e ganhar uma nova amiga. Era o plano: o objetivo era a amizade.

“Suas aulas começam às oito?”

(Jessica, 21:00)

“Amanhã sim, mas depende muito nos outros dias”

(Yuri, 21:00)

“Posso chegar mais cedo então.”

(Jessica, 21:01)

Foi naquele momento que Yuri teve uma ideia brilhante. Não para o trabalho. Ele podia esperar.

“Posso te mostrar o campus, se quiser”

(Yuri, 21:02)

“E a sua aula?”

(Jessica, 21:02)

“Bom, ela vai continuar lá, mas eu vou estar com você”

(Yuri, 21:03)

Yuri mordeu o lábio enquanto esperava a resposta. Relendo, achou que talvez tivesse soado agressiva demais. Começou a se desesperar. Jessica nunca mais falaria com ela. A universidade toda saberia que tinha dado em cima da caloura. Achariam que era assédio. Seria expulsa. Escorraçada. Jamais seria uma cineasta famosa. Morreria de hipotermia ao mendigar pelas ruas de Seul. Todo um futuro jogado no lixo por culpa de uma mensagem.

“Tudo bem, onde nos encontramos?”

(Jessica, 21:05)

xxx

Encostada em uma pilastra, Yuri bocejou novamente e tentou manter os olhos abertos. Não que fosse tão cedo, chegou na faculdade no horário de sempre, mas tinha dormido mal. Culpou a falta de exercícios físicos no dia anterior, costumava ter dificuldade para dormir quando não se cansava durante o dia.

Lutando contra seu próprio corpo, forçou a visão para enxergar melhor um carro branco parando perto dali. Uma garota loira saiu de dentro dele e caminhou em sua direção. Só percebeu se tratar de Jessica quando ela estava bem na sua frente.

― Tudo bem? ― Jessica questionou com olhos cerrados.

― Hm, sim. Só sono ― respondeu bocejando. ― Vamos?

Jessica ainda se vestia melhor do que deveria, Yuri notou. Demoraria um mês ou pouco menos para que se habituasse ao funcionamento daquele local com seus alunos cansados e desleixados demais para passarem mais de dois minutos na frente do guarda-roupa.

Viu HyoYeon e TaeYeon junto a outros colegas. Ao invés de falar com eles, no entanto, levantou o capuz do moletom cinza e pegou os óculos escuro da bolsa, imitando a famosa cena de Mean Girls. Passou por eles como se não os conhecesse.

― Você está se escondendo ou é impressão minha?

― Impressão sua ― disse abaixando o capuz e tirando os óculos quando já estavam longe.

― Eu estou estranha por acaso? ― Jessica perguntou mais para si do que outra pessoa, olhando sua roupa e depois seu reflexo no vidro.

― Não. Está ótima ― Yuri lhe deu um meio sorriso e levantou o polegar.

Jessica riu pela primeira vez. Discretamente, é claro. Mas o suficiente para despertar Yuri.

Elas caminharam até o prédio principal, local em que seriam suas aulas. Yuri mostrou algumas salas de aula e outras com equipamentos até chegarem a um de seus lugares favoritos: o refeitório. Era espaçoso e confortável, com mesas para quatro ou até oito lugares. Pouco movimentado pelo horário, mas geralmente estava cheio.

― Aquela cantina é a do senhor Park ou como costumamos chamar “o velho bruto”.

As duas se entreolharam e Yuri assentiu, confirmando o que tinha dito.

― É agora que você me explica o apelido?

― Ele costuma ser bem chato e grosseiro com quem compra lá ― explicou balançando a cabeça como se lembrasse de algo. ― Só não perde clientes porque a comida dele é melhor.

― Então eu devo ou não comprar lá? ― perguntou olhando para o velhinho aparentemente calmo à frente da lanchonete.

Yuri deu de ombros.

― Isso aí vai depender do que o seu coração mandar no dia.

Elas riram caminhando para fora do espaço, de novo no enorme corredor vazio.

― E a outra cantina?

― Bom, há lendas sobre a comida de lá não cair muito bem.

Jessica e Yuri caminhavam lado a lado rumo à sala de cinema usada pelos alunos para mostrar seus filmes ou para os festivais que esporadicamente passavam por ali. A veterana explicou que Jessica provavelmente precisaria apresentar algum curta naquele semestre, mas nada que desse medo, já que os professores eram pouco exigentes.

― O tema é livre?

― Hm? Não. Mas muda de turma para turma.

― Você prefere roteiro ou direção? ― questionou, deixando Yuri pensativa.

― Direção, eu acho. Eu gosto de pegar ideias e colocá-las em prática. Acho que a parte do roteiro é muito teórica.

Jessica estalou a boca discordando.

― Mas o roteiro é a parte principal do filme.

― Você está louca. Um filme com uma má direção fica impossível.

― Claro que não ― Jessica afirmou contrariada. ― Um filme com excelente roteiro ainda pode ser bom mesmo com uma direção ruim.

Orgulhosas, discutiram até chegarem à sala. Yuri correu para subir no pequeno palco à frente da tela enquanto Jessica ficou em uma das fileiras de cima. Comunicavam-se aos gritos. Era o lugar preferido de Yuri na faculdade, costumava animá-la nos dias tristes e difíceis da graduação.

― Quando meu primeiro curta passou aqui ― apontou para a tela ― eu me imaginei como se estivesse em Cannes disputando o Grande Prêmio do Júri.

A afirmação arrancou risadas de Jessica, que a indagou sobre o conteúdo. Yuri explicou que a intenção era fazer um romance noir contemporâneo, mas o resultado foi só um romance estranho com diferencial de ser preto e branco.

― Não foi aclamado pela crítica, mas meus amigos adoraram ― brincou.

― Talvez você possa me mostrar algum dia.

― Não sei se você tem capacidade de entender algo tão conceitual...

Se não estivesse tão longe e a pontaria fosse melhor, talvez tivesse conseguido acertar uma bolinha de papel em Yuri. Saíram da sala e passaram em lugares mais abertos e compartilhados com outros cursos, sempre com comentários engraçados sobre eles. Como os bancos em frente ao departamento de pós-graduação serem ótimos para um cochilo ou o fato de que atrás do prédio anexo era o local favorito dos casais. O problema é que todos sabiam disso.

― Como uma aluna de cinema, qual seu filme favorito? ― Jessica questionou enquanto andavam rumo à biblioteca.

― Não tenho um ― Yuri garantiu. ― Meu filme favorito é sempre o último que vi e gostei.

― Que seria?

― Your Name.

― Está na minha lista, mas não gosto muito de animações.

― Na minha religião, isso é um pecado grave.

Jessica explicou seu desgosto pelo que chamou de desenhos infantis, sendo escutada por uma Yuri insatisfeita. Nenhum argumento era o suficiente para amenizar a dor em seu coração. Kwon era uma grande apreciadora de animações.

― Se não gosta de animações, então do que você gosta? ― Yuri perguntou irônica. ― Bergman?

― Também. Mas meu favorito é Interestelar.

Yuri soltou calorosas risadas.

― Já entendi qual a sua.

― O quê então? ― Jessica questionou curiosa.

― É incrível você zombar de mim e ser fã do Nolan. Sinceramente, eu esperava mais.

― Esperava o quê?

Jessica parou de andar e posicionou-se a sua frente. A expressão inquisidora, os olhos semicerrados. Por mais que fosse mais baixa, assustava Yuri. E também a deixava constrangida. Estavam mais próximas do que já tinham ficado em qualquer momento anterior e ela a olhava com tanta intensidade, como se lesse sua mente.

Yuri balançou a cabeça e focou-se na máquina de salgadinhos.

― Eu já te mostrei a máquina de salgadinhos? ― Apontava para o aparelho. Não percebeu que Jessica riu discretamente do comportamento. ― Funciona assim: você coloca o dinheiro, escolhe o alimento e puft... é só pegar aqui.

― Você acha que eu vim do mato ou o quê? ― indagou divertida.

― De onde veio? Disseram que você é estrangeira, mas você fala coreano bem...

A loira se aproximou de Yuri, as mãos apoiadas em seu ombro e a boca próxima da orelha.

― Isso é um segredo.

Deu um sorriso amarelo em resposta, tentando assimilar se aquilo era uma tentativa de flerte ou não. Resolveu que chamaria Jessica para sair. Não naquele dia. Ainda precisavam fazer o cadastro na biblioteca.

Viram a bibliotecária atrás da porta de vidro e Yuri a cumprimentou pelo nome quando passaram. Uma mulher jovem, mesmo que mais velha do que elas.

― Jessica é aluna nova. Veio fazer o cadastro ― Yuri explicou para a mulher que sorriu largo.

Sob os olhos de Jessica, o gesto não foi bem visto. Não quando logo depois a mulher se referiu à Yuri como Yul. Seu estômago revirou e ela anexou um recado mental sobre jamais a chamar daquela forma.

A biblioteca era um lugar relativamente maior do que esperava, mas menor do que achava ser o correto. Enquanto apresentava seus documentos e era cadastrada, Yuri saiu de perto para ir até o fundo, procurando algo que a agradasse. Seguiu para junto dela quando a burocracia chegou ao fim. Estava parada em uma estante com títulos sobre Teoria Cinematográfica. Um livro aberto sendo folheado.

Pensou que Yuri ficava bonita enquanto lia. A luz do sol entrando pelas janelas de vidro e fazendo com que reluzisse. Kwon era definitivamente um alvo.

― Isso daria um bom frame.

― O quê? ― perguntou surpresa.

― Você lendo, a luz entrando pela janela...

Yuri não respondeu, voltou a se concentrar no livro, mas muito mais inquieta dessa vez. Um barulho fez com que se alertassem, mas as risadas depois foram o suficiente para que a veterana concluísse se tratar dos seus piores inimigos: os casais que maculavam a biblioteca.

― Sabe, eu odeio isso ― Yuri afirmou apontando para um lado aleatório, não sabia exatamente em qual lugar o casal estava. ― Eles têm vários lugares para namorarem, mas vêm fazer isso aqui.

― E você?

― Eu não faço isso ― assegurou. ― Sou uma mulher comprometida com os meus estudos.

― Mesmo?

― É claro.

― Então por que você faltou hoje?

Jessica a olhava com um sorriso travesso, sabendo que tinha a deixado sem resposta. Riu quando Yuri tentou deixar o espaço, tendo seu braço puxado logo em seguida. Achava engraçado como apesar de passar uma imagem extrovertida, ela era facilmente envergonhada.

Beijou levemente os lábios alheios, deixando a outra ainda mais constrangida e vermelha.

― O que foi isso? ― questionou atordoada.

― Um beijo.

Yuri respirou fundo criando coragem e olhou para os lados, certificando-se de que ninguém poderia vê-las dali. E então fez o que jurou jamais fazer: maculou o ambiente sagrado da biblioteca beijando Jessica Jung.


Notas Finais


Your Name >>>>>> abismo >>>>> Interestelar
Obrigada por ter lido e até mais ^^


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