História Os caminhos da Força. (Reylo) - Capítulo 33


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Categorias Star Wars
Personagens Kylo Ren, Rey
Tags Reylo
Visualizações 108
Palavras 8.861
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Saga, Sci-Fi

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Capítulo longo, mas é muita história para poder amarrar tudo.
Vou comunicar desde logo que mudarei a classificação da fic pois notei só agora que ela não poderia se classificar como livre, devido a cenas de violência que já foram e serão escritas. Além de algumas insinuações que planejo nos próximos capítulos. Mas não se preocupem que ela se manterá com o mesmo tom leve e fluffy até aqui. Qualquer coisa explícita será feita em um spin off.
P.S. amei a sessão de comentários de vocês nos outros capitulos. Chocada como acertaram algumas coisas dos próximos capitulos hahahahha

Capítulo 33 - Uma traição e uma promessa.



 Rey se virou devagar, afastando com um balançar de cabeça a ideia de voltar. Ele havia prometido que se veriam de novo, e se dessem sorte poderia ser ainda naquela noite, então não havia razão para correr de novo para ele. 
 Ela respirou fundo enquanto andava sem olhar para onde, através dos corredores escuros, virando aqui e ali, se guiando automaticamente para a fonte de luz que aparecia no final dos corredores. O coração ainda levemente apertado pela forma como ele se despediu. 
 Rey parou então em frente a uma parede, que tinha uma lampada laranja há três metros do chão. Ela apenas ergueu a mão direita e apontou para aquele ponto abaixo da lampada, sentindo a parede com a Força e identificando ali a passagem secreta. Não tinha tempo para tentar descobrir outro jeito de abri-la.
 Para a surpresa da Jedi, a passagem não dava para outro salão ou corredor, mas para o quarto da rainha. Claramente era um jeito mais seguro de entrar e sair sem ser percebida do castelo. Assim como de ter visitas secretas ali. 
 Alguém fungou em um canto do quarto, e Rey rapidamente se alertou, procurando a origem do som e dando um passo para trás, como se isso a encobrisse. 
 - Por favor. - uma voz grave, porém fraca se fez ouvir de uma banqueta estofada baixa, toda encoberta pelo tecido vermelho da roupa de Leia, sentada ali, as pernas na direção de Rey, mas o corpo virado para trás, curvado, para uma janela com cortinas de ceda branca esvoaçantes, montando uma luxuosa figura de dor - Me diz que você não deixou ele beijar a sua testa. 
 Leia por fim disse, se virando para Rey, que pestanejava tentando entender o que ela dizia, enquanto caminhava para aquela que era a figura mais forte que já conhecera, e agora parecia fraca e...eram lágrimas nos olhos da General Leia Organa?
 Ben ficou ali observando a passagem secreta agora totalmente invisível na grande parede vermelha. Ele sentiu Rey se afastando cada vez mais dele, e suspirou. Ele acabara de prometer para Rey que voltaria, mas até aquele momento ele não tinha certeza nenhuma do seu futuro. Agora, porém, ele sabia que não permitiria que ela tivesse outra decepção como a com a família dela. Assim sendo, ele ergueu o queixo e apertou os olhos determinado: ele não falharia. 
 Dando meia volta, Kylo Ren andou com passos firmes para fora do pátio interno, alcançando rapidamente os guardas na porta do palácio. 
 - Seus oficiais estavam a sua procura, Supremo Líder. 
 Um deles falou ao ver ele se aproximando. Kylo parou cerrando os dentes e olhando perscrutador e com uma fagulha de raiva para ambos os guardas, lembrando que Rey dissera que eles poderiam ser da Resistência.
 Mas eles não pareceram se amedrontar com o Supremo Líder da Primeira Ordem, o que denunciava que deviam estar na segurança de seus reais postos. O segundo deles, inclusive, apertara os olhos para Kylo o olhando de baixo a cima. 
 - Sua Excelencia está bem? - o guarda perguntou - Acaso andou topando com alguma estátua? 
 Kylo devolveu ao guarda o olhar apertado e a mirada de cima a baixo e se retirou sem dar respostas, se encaminhando para as suas naves. Tolerara subalternos demais naquele dia.
 Não havia mais nenhum oficial de alta patente de Naboo ali. O que mostrava a grande confiança de Narli de que Kylo tinha controle da situação. Os guardas ali, porém, ainda tinham as armas a mão, olhando com desconfiança para cada oficial da Primeira Ordem. 
 A frente da sua nave pessoal estavam Hux e um dos generais da Orla Exterior, parados um do lado do outro, ambos com expressão fria e descontente. Apenas o General sorriu ao ver Kylo. Hux por sua vez ergueu uma sobrancelha e só deu um meio sorriso quando Kylo alcançou eles. 
 - Enfim podemos partir! - disse o general, cuja a expressão se mostrava cada vez mais confusa a medida que observava o rosto do Supremo Líder. 
 - Sim, podemos! - Kylo respondeu impassível, erguendo uma sobrancelha em resposta a Hux, que agora parecia segurar um riso- Se adiante, general. 
 O General bateu continência e saiu para a sua nave. Kylo se encaminhou para a sua sem nem olhar na direção de Hux. Ele entrou na sua nave indo diretamente para a cabine, onde os pilotos estavam sentados de modo relaxado. 
 - Estamos liberados para decolar. Andem logo com isso! - ele disse mau humorado, fazendo os pilotos pularem em seus assentos apertando botões, fechando as portas da nave enquanto viam a frente a outra nave já se colocar no ar. Kylo então sentiu aquela irritante sensação de perigo atrás de si: Hux - O que você faz aqui?
 - Bom, até o momento ainda sou um oficial da Primeira Ordem, não?
 - Até o momento... Mas não me refiro à Primeira Ordem, mas na minha nave. Você deveria estar com os seus outros colegas encaminhados pela "cúpula", ou o que quer que seja o nome disso, na outra nave.
 - Ah, você me perdoe, Supremo Líder, mas como você me designou a tarefa de guardar as suas coisas, imaginei que preferisse a minha companhia aqui. - a resposta de Hux veio carregada de cinismo, o que deixou Kylo ainda mais irado.
 - Imaginação é algo que você nunca mostrou habilidade, sub-tenente. 
 - Ah, ótimo, outro rebaixamento de patente. Me sinto finalmente punido. - Hux completou mordaz, fazendo Kylo juntar as sobrancelhas e olha-lo de cima. 
 Eles sentiram quando a nave lançou vôo, enquanto Kylo abria a boca para dar uma resposta adequada, quando viu algo cintilante ao fundo, fora da cabine, mas muito brilhante para não ser notado. 
 - O que você faz aqui? - ele gritou, saindo da cabine e chamando a atenção dela e alguns troopers que estavam também ali - E não me diga que veio ajudar Hux a guardar meus pertences!
 Phasma se virara para ele, a arma sempre a mão. 
 - Não, Supremo Líder, eu vim por ordens de sua Excelencia. 
 - Eu nunca ordenei isso. - ele falou baixo e grave, num tom claramente ameaçador. 
 - Bom. O Supremo Líder disse no comunicador que eu deveria me apresentar para saber da minha nova função e regimento. 
 - E você, com anos de treinamento, pensou que isso significava imediatamente, e não quando chegássemos a base?
 - Desculpe, Supremo Líder, eu claramente me equivoquei. - Kylo balançou a cabeça lentamente para cima e para baixo, mas não que concordasse com o que ela dizia, mas porque ia percebendo algo, fazendo ele comprimir cada vez mais os lábios - Perdoe a indiscrição, mas acaso houve alguma briga corporal no encontro no palácio?
 Kylo abria a boca para responder que ele não perdoava nada, quando entendeu o que ela disse e franziu a testa confuso. Atrás dele, Hux finalmente soltou o baixo som de um riso preso havia algum tempo. 
 - A que você se refere? - Kylo disse olhando de Hux para Phasma, fazendo o primeiro baixar o olhar com um meio sorriso.
 - Ao seu rosto, Supremo Líder. Os lábios parecem inchados e com um corte. 
 Kylo se sobressaltou, indo imediatamente colocar as mãos sobre os lábios. Ele havia tomado o cuidado de sair do pátio quando já estava menos "abalado" com o encontro com Rey, mas não lembrara que talvez, assim como ela estava com os lábios, e no seu entorno, vermelhos, ele também estaria. 
 - Ah, bom. Isso? - ele se desmontou um instante, olhando para baixo, procurando resposta - Eu...topei com uma estátua enquanto...andava pelo pátio do palácio, conversando com algumas autoridades de Naboo. 
 Ninguém disse nada. Todos os troopers olhavam inertes o Supremo Líder, que fungou e olhou para frente, a mão ainda sobre a boca. Kylo voltou o rosto para trás apenas para notar que Hux lhe lançava um olhar divertido.  
 - Eu realmente lamento muito. Pela estátua. - ele disse baixo a ultima parte mais para si, mas Kylo escutou muito bem, levantando a mão livre e fazendo Hux voar e bater na lateral da nave. 
 Phasma e os outros prontamente se recompuseram, observando Kylo Ren voltar a cabine. 
 Ele sentiu o agito dos pilotos a sua frente. Eles provavelmente ouviram toda a conversa, pois ao verem o Supremo Líder se aproximar, olharam rapidamente para trás, procurando rapidamente os lábios dele, e apensa enxergando a mão de Kylo. 
 - Sub-tenente! Traga o meu capacete. 
 Hux gemeu enquanto era ajudado por Phasma a se levantar. Levou alguns minutos até que Hux aparecesse na cabine, ainda com algum gemido, erguendo a mascara para Kylo Ren, que prontamente o preparou e o colocou. Se sentindo mais confiante, ele se prostrou ali, com as mãos para trás e então notou que Hux se mantinha as suas costas, o olhar vidrado no que se passava lá fora. 
 - Você está dispensado, sub-tenente. Já pode ir alisar a capa para garantir que esteja sem qualquer amassado. 
 Os pilotos a frente soltaram um riso. Hux contorceu o rosto em desagrado e saiu da cabine, olhando ainda uma ultima vez para fora. 
 Kylo se perguntou o que seria, mas em um minuto ele soube. Enquanto a outra nave se preparava para sair da atmosfera de Naboo, uma grande explosão a destruiu, lançando bolas de fogo e pedaços da nave para todos os lados. 
 O Supremo Líder não mostrou qualquer abalo. Os pilotos tinham os queixos caídos. Lá atrás ele podia sentir a alegria e alívio vindos de Hux e Phasma enquanto ouviam as informações da explosão. 
 - Mas o que houve? - Hux voltou a entrar na cabine, passos firmes, braços para trás, sem nem disfarçar o tom de voz cínico. 
 - Ora, não é óbvio, sub-tenente? - Kylo respondeu de modo frio - Mais uma das naves que você encomendou e ajudou a desenhar, falhou causando a morte de homens nossos. Em outras palavras, mais prejuízo devido a mais uma falha sua. - ele disse a ultima parte virando a cabeça lentamente para Hux, em tom frio, matando o sorriso no olhar do sub-tenente. 
 Imediatamente os comunicadores começaram a apitar no painel. Naboo e a Primeira Ordem queriam respostas. 
 - Abra a transmissão simultânea a Naboo e à Primeira Ordem. - ele ordenou aos pilotos, vendo logo aparecerem a frente deles hologramas do alto comandante de Naboo e de um dos seus cavaleiros de Ren que ficara na Supremacia. 
 - Mas o que aconteceu? - o oficial de Naboo tomou a palavra de modo rígido - Aviso que não houve qualquer ordem de fogo por parte de Naboo, e n...
 - Não se preocupe, grande comandante, se trata apenas de uma falha do sistema de auto-destruição instalado na nave dos oficiais que vieram sem qualquer aviso a Naboo. Nos perdoe o transtorno dos restos da nave caídos no rio Solleu. 
 - Pois bem. - o oficial de Naboo respondeu demorado e cuidadoso, surpreso com a pronta e seca resposta de Kylo Ren - Posso comunicar à rainha que vossa Excelencia está a salvo?
 - Pode comunicar para a rainha que não sofri qualquer dano com a explosão, grande comandante. Até mais. 
 O holograma do oficial de Naboo concordou demoradamente e então Kylo o desligou. O cavaleiro de Ren escutara tudo e apenas assentiu quando Kylo olhou para ele, como se já soubesse o que fazer diante daquela informação. 
 Os pilotos ainda pareciam abalados com a imagem a frente deles, uma nave inteira com centenas de Stormtroopers e oficiais do alto escalão, pulverizados. E a explicação era a de que foi uma falha. Mas eles sabiam que não havia falhas quando o assunto era o sensor de auto-destruição. E assim, como Kylo, eles sentiam crescer neles a certeza de que também não foi uma falha de entendimento de Hux e Phasma  que os fez se apresentarem para retornar com aquela nave, e não na que desceram em Naboo. 
 - A minha capa, sub-tenente. - Kylo disse em tom calmo, mas severo, fazendo Hux se virar contrariado ao notar que não conseguira sequer abalar os ânimos do Supremo Líder. 
 Mas ele abalara. Só que Kylo não mostrara. 
 Porém, nada mais disse até retornarem para a Supremacia, localizada em um setor próximo a Mustafar, levando todas as naves que Hux e os outros haviam trazido para acuar Naboo, junto. 
 No fundo Kylo não estava surpreso com a explosão, mas sim de já saber que ela ocorreria no momento em que viu Phasma ali na sua nave. Ele sabia que não podia confiar mais na sua organização para proteger nem a si mesma, quando mais seu Supremo Líder. Afinal, se Hux elimina os próprios oficiais que lhe deram suporte, imagina o que não faria para conseguir eliminar o próprio Kylo Ren? 
 Lentamente, antes de descer na Supremacia, as imagens que R2D2 mostrara das ações da Primeira Ordem em planetas mineradores, flutuaram na sua mente, e toda a conversa de horas antes passou diante de si...
 Narli se mantivera em seu pedestal, a frente do trono, enquanto Kylo tentava processar todas aquelas informações. 
 - Se acalme, querido. - Leia disse tomando a frente e indo até ele - Ninguém aqui está te acusando de nada. Sabemos que você não tem nada a ver com isso. 
 Ele desceu o olhar para a mãe, comprimindo os lábios, contendo a emoção diante da declaração dela. Seria tão mais fácil para a mãe acreditar que ele participara, mas ela estava ali dizendo que sabia que ele não fez nada.
 - Mas deveria. - Narli completou, o olhar firme sobre Kylo, que olhou da mãe para a rainha, franzindo a testa. 
 - Isso tudo... - ele inspirou fundo e ergueu o queixo, tentando manter a compostura, para logo soltar o ar com a resposta - Não faz sentido. 
 - Não faz, ou você não consegue ver? - Leia disse com o máximo de tato, mas isso nunca era o suficiente com ele. 
 Kylo ficou lívido, cerrando os dentes ele se inclinou para a mãe e disse entre dentes. 
 - Por qual razão uma organização com todo o poder como a Primeira Ordem iria explorar planetas pobres e escravizar populações? Nós temos acordos com quase todos os planetas e recebemos investimentos de mundos que nem mesmo a sua República querida ouvira falar. - Kylo viu a expressão amável da mãe se transformar, e seu olhar frio o atingiu como um tapa, o fazendo jogar o corpo para trás e olhar para baixo, torcendo os lábios arrependido - Perdão. – ele praticamente sussurrou.
 - Muito bem. – ela disse dando um sorriso amável e então suspirando - Eu não achei mesmo que você conseguiria ver em um primeiro momento. 
 Atrás deles Narli se sentava enquanto via se aproximar pela entrada que vinha dos aposentos reais, a mecânica da Resistência, Rose Tico.
 Irli retirou as vendas dos olhos da mecanica apenas quando Rose estava de frente para o trono, sob a atenta observação de Leia, Narli e um Kylo confuso. 
 - Rainha? - Rose disse, franzindo a testa ao ter a sua venda retirada e perceber que a mulher em roupas de criadas era a rainha de Naboo, no respectivo trono. 
 - Rose? - Leia a chamou, fazendo a mecânica se virar para trás e dar um pulo, pegando do cinto a sua ferramenta elétrica de modo ameaçador para Kylo, que não esboçou qualquer reação.
 - O que está acontecendo? - Rose reconhecera a figura que vira descendo da nave do Supremo Líder, antes de ser chamada do seu posto de vigilância, mesmo ele não estando com a máscara agora.
 - Calma. Eu posso explicar. - Leia erguia as mãos para cima - Se aproxime. - Leia a chamou com as mãos, fazendo Rose olhar de Kylo para ela e balançar a cabeça de modo negativo - Não se preocupe, ele não vai te machucar. 
 - Não faça promessas pelos outros. - foi a resposta mal humorada de Ren, fazendo Leia fechar os olhos e balançar a cabeça contrariada. 
 Mas o efeito da resposta de Kylo se mostrara positivo para a General da Resistencia, pois Rose guardou a arma dela no cinto e se aproximou devagar e com o queixo erguido, parando a um passo de um Kylo Ren de sobrancelha esquerda erguida, e mãos cruzadas a frente do corpo. 
 - Eu não tenho medo de você - e ela se inclinou falando baixinho para a rainha não escutar - Ben. 
 Ele piscou duas vezes e jogou a cabeça para trás, surpreso, se virando então e olhando acusador para a mãe, que apenas balançou a cabeça em negativa, se eximindo de qualquer culpa, apesar de não parecer surpresa com o fato de a mecânica saber o nome dele. "Será que já é um fato de conhecimento geral que ele era Ben Solo? A mãe contara para todos? Mas teria razão para não ser? Ele era Ben Solo afinal de contas...Ou será que...?" Ele tentava encontrar explicação, quando lembrou de Rey. Seria a garota a sua frente uma amiga da Jedi? Ele então observou que ela vestia roupa suja e velha, mas nas cores da Republica Nova, e assim da Resistencia. 
 Kylo então apertou os olhos sobre a mecânica, que agora se mantinha ereta a frente dele, os braços cruzados e o queixo erguido. 
 - Por favor, sejam breves. Ainda tenho que me reportar ao conselho de Naboo. – Narli então interrompeu a guerra fria entre Kylo e Rose. 
 - Se eu ao menos soubesse a razão de estar aqui. 
 - Minha culpa, querida. – Leia disse, tentando ser o mais amável que podia com Rose, se adiantando e a trazendo para perto de R2D2, que ainda exibia as imagens capturadas em outros planetas – Eu preciso que você nos ajude a compreender algumas imagens - Kylo cerrou os dentes ao perceber que a mãe mostraria as imagens para Rose, um membro da Resistencia, que possivelmente já sabia de tudo - O que você vê? 
 - As imagens que Poe capturou... – ela começou se concentrando, para então olhar para trás ao perceber que tinha falado demais. 
 Kylo deu um meio sorriso e se aproximou das duas, recebendo um olhar desconfiado de Rose quando ele se colocou do lado da mãe, que ficara então entre os dois. 
 - Se você não contar a ninguém que eu me reuni com a líder da Resistencia e ... uma mecânica, presumo, eu não contarei a ninguém que o piloto da Resistencia tem capturando imagens em planetas que não tem nada a ver com a Resistencia. – ele disse com voz profunda, sem olhar para Rose, o queixo erguido e olhos fixos nas imagens a frente. 
 Rose se inclinou um pouco para frente e o olhou de cima a baixo. Ela ouvira tanta coisa de Kylo Ren que era difícil conceber que aquele ali, do lado de Leia, parecendo quase calmo, fosse ele. Ela então olhou para a general, que continha um sorriso orgulhoso e assentiu para que Tico continuasse. 
 - Se eu contasse ninguém acreditaria mesmo. – Rose constatou em um tom quase jocoso. 
 - Eu conheço um par de cabeças na Primeira Ordem que acreditariam, Rose. 
 Dessa vez Narli se juntou a conversa, enfim se aproximando deles, fazendo todos se virarem para ela. A rainha se prostrou do lado de Kylo Ren, lhe lançando um olhar sério, correspondido pelo Supremo Líder com um baixar de olhos. Leia olhou compreensiva para o filho, enquanto Rose tinha os olhos sobre a figura da rainha e Kylo. 
 Todos que viram o que Hux fizera mais cedo sabiam que a Primeira Ordem não perderia a chance de derrubar seu Supremo Líder, sem contar que depois do que acontecera naquele dia com certeza não teriam mesmo qualquer amor por Naboo. Logo, se soubessem que a Resistencia estava ali, era o fim de todos. 
 Mas Rose não vira o que acontecera mais cedo, assim ela ficou sem entender como a Primeira Ordem poderia acreditar na história de que o seu líder supremo tivera qualquer contato fora de um contexto de guerra com a Resistencia. 
 Porem a mecânica não pôde resistir de observar as duas figuras da outra ponta. Poe dizia com tanta certeza que eles tinham um romance, que Rose não conseguiu segurar o olhar perscrutador para ver se captava alguma intimidade. Até ali, não mais do que Leia com a própria rainha. Por sinal, só naquele momento ela conseguiu perceber que a general era quem se vestia como uma rainha ali. 
 - Rose, por favor, o que você vê dessas imagens trazidas por Poe. 
 Leia disse pegando no braço de Rose e a acordando. Kylo revirou os olhos muito discretamente ao som do nome do piloto da Resistencia,  e voltou a encarar as imagens, como as demais. 
 - Bom, o mesmo que eu já tinha visto antes. – Rose disse, apontando para a imagem congelada – Eles tem retirado metal dessas minas, e...R2D2, você pode mostrar aquela com as nave...essa mesmo, aqui dá para ver que são os modelos mais atuais da Primeira Ordem, na verdade, pelo que o Finn disse, esses parecem até mais atuais que os usados hoje pela Primeira Ordem. Talvez seja justamente para gerar alguma dúvida de que sejam mesmo da organização. – ela olhou de canto para Kylo, de um jeito acusador - E aqui...- ela apontou para um ponto bem pequeno, ao fundo de uma imagem de mercenários carregando pessoas em algemas – temos um dos generais da Orla Exterior...
 Kylo deu um passo a frente e olhou onde o ponto que ela mostrava. A imagem não estava das melhores. 
 - Artoo, amplie no rosto dele. – Kylo deu a ordem com naturalidade, a interrompendo e fazendo Rose olhar para o droide que prontamente obedeceu – Perfeito! Você reconhece, Narli?
 Narli se aproximou também da imagem, enquanto Kylo cerrava os dentes, o maxilar saltando enquanto comprimia os lábios até ficarem quase sem cor. Leia baixava o olhar apreensiva e Rose erguia a sobrancelha esquerda para todos eles. 
 - Um dos seus generais presentes aqui hoje. 
 - Sim. – Kylo soltou a resposta junto com o ar, furioso, se virando para Rose – Alguma dessas imagens capturaram Hux ou Phasma?
 Ele demandou a resposta como se reclamasse a um oficial da Primeira Ordem, e Rose prontamente respondeu. 
 - Não, senhor. – ela primeiro respondeu rapidamente balançando a cabeça, e então franziu a testa e olhou para os lados percebendo o que dissera – Digo...nós tentamos ...bom, Poe fez o melhor que podia com a ajuda dos locais, mas apenas um ou outro general apareceu. 
 - Você sabe a origem dessas imagens? Os planetas? Se são da Orla Exterior?
 Ele perguntou já sabendo que eram. 
 - Poe apenas nos mostrou as imagens, não nos revelou mais nenhum detalhe. Mas se tem generais da Orla Exterior... 
 - Hunf!  Ele não disse o local das imagens para os próprios colegas? Quanta confiança nos seus. – ele falou entre dentes. Rose apenas respondeu erguendo as sobrancelhas, olhando das imagens ali para ele, inclinando a seguir a cabeça para a direita e erguendo ainda mais as sobrancelhas – Certo. – contra fatos não haviam argumentos, Kylo também não tinha a confiança dos e nos seus – De todo modo, não preciso da informação, é plenamente possível reconhecer os planetas. Artoo, volte duas imagens. – o droide novamente respondeu, dessa vez dando zoon no fundo da tela – Está vendo aqui? – ele apontou para Rose um risco no céu do planeta em que tinham minas sendo exploradas – É um anel de asteroides, e nem todos os planetas na orla exterior tem um desses e minas de... 
 Rose ficou ali observando Kylo Ren detalhar em cada foto a localização dos planetas, apenas pelas formas geológicas destes, as suas cores de céu, as plantas, aves, até mesmo a existência ou não de vida. Sim, pois alguns planetas mineradores não tinham habitantes. 
 - Não entendo. Você diz que esse planeta aqui é inóspito, servindo apenas para exploração de cristais, mas há trabalhadores sendo levados por membros da Primeira Ordem. – depois do longo e detalhado discurso ele parara olhando para todos, sério e austero, esperando algum reconhecimento pela sua sagacidade em perceber a origem de cada imagem, mas apenas recebeu o descrédito de Rose.
 Kylo a olhou um tanto irado. Não só por ela praticamente ignorar tudo o que dissera antes, mas por ter de ouvir a mecânica da Resistencia imputar à Primeira Ordem como um todo, a culpa, e não à apenas alguns traidores.
 - Isso porque você não prestou atenção no essencial. Há repetidas figuras que se em todos os planetas. Escravos. Neste planeta sem povoação eles apenas se servem desses. Nos outros ainda devem utilizar nativos misturados.
 Rose parou um instante olhando para a imagem e então para Ben, e então pestanejou, mostrando que entendia o que ele queria dizer, e mais além... 
 - Mas então isso é muito pior do que imaginei. – Rose disse, olhando para baixo e calculando tudo de novo – Eles devem estar muito adiantados e pode ser que não tenhamos tempo de impedi-los. 
 Leia concordou com a cabeça, fechando os olhos, Narli e Kylo se entreolharam e então voltaram a olhar para Rose, que os mirou preocupada. 
 - Eles estão criando superarmas, e em grande escala, sem chance de ficarem desfalcados caso derrubem uma delas, como aconteceu com a Star Killer, e ao Império com as Estrelas da Morte. 
 Kylo piscou várias vezes enquanto a ideia entrava na mente dele. Era difícil admitir que a ideia fazia sentido, estrategicamente seria o que ele faria para conseguir dominar a galáxia: não repetir os erros do império e do passado recente da Primeira Ordem, a qual levou tempo para se recuperar da derrubada da Star Killer, e depois da primeira Supremacia. Mas ele não queria dominar a Galáxia, e como ele era o Supremo Líder da Primeira Ordem, não deveria ser essa a estratégia tomada. 
 - E acaso isto está exposto onde nessas imagens? – cético, ele perguntou para Rose. 
 - Em todas elas. – Rose o olhou firme, fazendo ele erguer o queixo – Mas não me surpreende você querer negar a realidade. – Kylo apertou os olhos para ela – Olha para tudo isso! – Rose se virou para as imagens e moveu as mãos no ar em um arco abrangendo todas as variações de imagens que R2D2 exibia – Isso não é exploração pura e simples e maldade com os outros. E nem é trabalho de quarteis do crime e contrabandistas fazendo o negócio deles render, isto é um grande plano. Os materiais que estão extraindo são uma combinação especifica. Uma combinação já explorada no meu planeta quando criavam a Star Killer, e que agora está se repetindo em muitos mundos ao mesmo tempo.
 Kylo inspirou o ar com dificuldade. A moça a frente dele era uma das muitas vitimas da Primeira Ordem, quando esta manejava criar suas superarmas. Não era simplesmente uma amante da causa da Resistencia, ela vinha diretamente de uma realidade que não a permitiu outro caminho, assim como ele não viu outro a não ser seguir com Snoke quando o tio decidiu que ele era muito perigoso para continuar vivo. 
 Ela era uma vítima de um mal que ele contribuiu, mesmo que não diretamente, por um longo tempo. Quando ele confiava cegamente que tudo o que era feito era pelo bem maior de parar a Resistencia.
 Isso imediatamente mudou a forma como ele olhava para ela. Não só pela empatia que Kylo passou a sentir pela mecânica, mas por que ninguém ali seria mais confiável que ela para falar sobre as ações criminosas da Primeira Ordem no passado. 
 Baixando o olhar e inspirando fundo, ele apertou os lábios enquanto abandonava o ceticismo quanto aos fatos ali expostos. Engolindo em seco ele ergueu o olhar novamente para as imagens. 
 - Há alguma ideia de quanto tempo eles estão em atividade? 
 Rose pestanejou diante do tom de voz baixo do outro, sem ordenar respostas, mas as pedindo. Leia observava o filho atentamente, e olhou para a mecânica acenando que respondesse. 
 - Bom...Poe tem mantido contato com alguns habitantes. Mas apenas Poe sabe os detalhes, que ele já tinha dito para a rainha, só passaria para Naboo quando tivesse certeza do apoio do planeta. 
 Dessa vez Rose olhou de um modo julgador para a rainha, que não se dignou a lhe retornar sequer o olhar, porém se manifestou. 
 - E as imagens que a Jedi capturou? Ela também não trouxe relatos de atividades da Primeira Ordem?
 A menção de Rey, Ben se virou para a rainha e então para frente, observando as imagens que Artoo começou a mostrar. Eram planetas diferentes, sem escravos, apenas pessoas comuns e simples, mas também infelizes. Se percebia nas imagens a presença de Stormtroopers acuando alguns cidadãos, e em outras ações de criminosos sem qualquer reação dos membros da Primeira Ordem, que, como ele havia negociado com alguns planetas, deveriam servir para manter a ordem e segurança. 
 Ele tinha o olhar atento, os lábios comprimidos e as sobrancelhas quase juntas, enquanto observava um dos holovidoes mostrando um ataque a uma fazenda por mercenários. E então Rey apareceu. Ele imediatamente lembrou da acusação dela em Chandrilla, de como a Primeira Ordem não parou com suas atividades imperialistas pela Galáxia e como ele acusara ela de estar repetindo mentiras de outros, e agora ali tinham imagens dela ajudando a proteger cidadãos da inércia e complacência da Primeira Ordem para com criminosos. Ben apertou os lábios com pesar, constatando que errara com ela.
 Rose observava atentamente a reação do Supremo Líder, notando como a expressão concentrada dele se transformou em puro deleite assim que o holovideo mostrou Rey em ação. Os olhos brilharam, a boca se abriu levemente e ele prendeu o ar. 
 Rey no holo conseguia, com a ajuda dos fazendeiros, capturar três de cinco mercenários que, ao que dava a entender, já os atormentavam há muito. Dois dos mercenários fugiram, depois de apanhar um bocado da Jedi. 
 Ben só conseguira identificar ela quando o primeiro mercenário voou no ar com o erguer de mão de um dos fazendeiros de chapéu, e então ele soube que era ela disfarçada. Segundos depois ela se esquivava de dois tiros de blaster, usando o truque Jedi de antever o evento. Pulando e rolando para frente, ela acertou com um chute no estomago um dos mercenário e pegou o blaster dele, para acertar o segundo mercenário que caiu ferido, Rey indo mirar então nos outros, acertando com um tiro outro tiro direcionado para ela. A precisão e eficiência dela com a Força fez Ben sorrir de boca aberta, enquanto colocava as mãos na cintura. 
 - E ela faz isso tudo sem um lightsaber. – ele concluiu admirado, quando o holo parou com os fazendeiros comemorando os mercenários derrubados, indo abraçar a Jedi. 
 - É, mas ela tem um bastão. – Rose disse, olhando para a frente depois de perceber o efeito do holo no Supremo Líder. 
 Ele se virou para Rose apertando os olhos sobre ela, desconfiado. 
 - Ah sim, o bendito bastão dela. – ele voltou a olhar a imagem na frente dele, respirando fundo - A não ser que este bastão tenha em seu centro um ou dois cristais para abrir lâminas de luz nas pontas, ele não serviria de nada em uma briga dessas. 
 Rose olhou para baixo um instante pensando no que ele disse sobre o bastão ter em seu centro cristais, achando a ideia muito boa, e ao mesmo tempo franzindo a testa diante do fato de que ele parecia saber da existência do bastão. Mas Kylo Ren e Rey nunca lutaram sem ser com lightsaber.
 Ben percebeu que revelara demais, ao ver Rose erguer um olhar intrigado para ele, e então olhou para os lados, notando a mãe com um falso olhar inocente, e Narli realmente sem entender nada. 
 - Nós temos vigiado os passos da Jedi por um bom tempo. Tivemos relatos de sua atividade e ...da maneira incomum de lidar com inimigos. 
 Rose balançou levemente a cabeça como quem acredita, mas apertando os olhos mostrando que realmente não acreditava. 
 - É, a Jedi tem mesmo sofrido com ataques de bounty hunters da Primeira Ordem. E se virou muito bem com o bastão dela. 
- Bounty Hunters da ...? – Ben se virou confuso e irritado para Rose – A Primeira Ordem não trabalha com criminosos, contrabandistas e mercenários. 
 Com exceção de Narli que se manteve impassível, as outras duas ergueram a sobrancelha esquerda para o que ele acabara de dizer. Afinal, depois das ultimas imagens, não havia muito o que defender da organização. 
 - Certo. – ele esbravejou, olhando para o chão – Mas que fique claro que não veio de mim a ordem de contratar criminosos para qualquer um desses atos. Contra os planetas, seus povos ou a Jedi.
 Ele terminou sua declaração olhando no fundo dos olhos de Rose, sincero, fazendo a mecânica franzir a testa. 
 - Mas também não partiu de você a ordem que parassem. – Rose respondeu rápida e certeira, o fazendo apertar os lábios sem resposta. 
 - Ainda. – foi Narli quem respondeu, de um modo grave, ainda sem olhar para os dois, que se viraram franzindo a testa para ela – Acho que ficou claro que as imagens da Jedi não tem qualquer relação com as das atividades claramente bélicas da Primeira Ordem nos outros planetas. – Ben inspirou fundo, contendo dentro dele o ódio de ter de ouvir calado a acusação contra a organização que representava – Não se podendo negar, é claro, o quão displicente a Primeira Ordem se mostra no cumprimento de seus compromissos de paz e ordem ... Isso quando não está quebrando os termos deles.
 Leia baixou o olhar, triste. Ela notou a consternação do filho diante da exposição da falha dele em conter a própria organização. Ela sabia que ele encarava aquilo como uma derrota. Uma derrota que ele sempre fora alertado que viria. Mas Leia não conseguia obter nenhuma alegria em poder dizer que estava certa. 
 - Imagino que esta reunião seja para selar o fim das relações entre Naboo e a Primeira Ordem, alteza. – Ben disse se virando para Narli, as mãos para trás, uma postura altiva que só um filho de Leia Organa poderia fingir num momento como aquele. 
 - A sua imaginação me decepciona, Supremo Líder. Pensei que nos últimos meses eu tivesse mostrado mais da minha capacidade de lidar com problemas diplomáticos. – ela respondeu, enfim se virando para ele, um olhar firme e misterioso, que fez Ben franzir a testa, e Rose apertar os olhos sobre os dois – Por favor, droide, mostre novamente as imagens das naves nos plantes da Orla Exterior. 
 Ben apertara os lábios quando ouvira a rainha chamar Artoo de droide, enquanto Leia fechava os olhos e colocava a mão no rosto já sabendo o que viria. 
 Artoo simplesmente apagou todo o sistema, parando de funcionar. Rose e Narli foram as únicas que olharam perdidas para o astromec e depois para os outros. 
 - O que aconteceu? – a rainha, pela primeira vez, alterou seu tom de voz seguro e autoritário, surpresa. 
 - Não sei. – Rose se dispôs a responder, indo até o astromec, tirando uma ferramenta do cinto – Mas vou descobrir. 
 Leia olhava entre os dedos da mão para a unidade R2, erguendo então o olhar levemente para encontrar os do filho, que como ela, apesar de contrariado com atitude birrenta do astomec, não podiam deixar de achar certa graça da situação. 
 Rose deu um grito e caiu para trás. De alguma forma ela recebeu um choque ao tentar mexer nele. 
 - O que você está fazendo? – Ben se virou surpreso, indo até Rose e olhando preocupado Artoo expelindo fumaça por uma das suas entradas.
 - Eu estava tentando religar ele com descarga de energia. Ele deve estar sobrecarregado e desl...
 - Você o que? Vai queimar os circuitos dele! 
 Rose ergueu o olhar furiosa para ele. Ben respondeu com um olhar ainda mais furioso. Ela se ergueu do chão, a ferramenta na mão apontada para ele. 
 - Acho que eu sei como cuidar de um droide. 
 Dessa vez Ben foi quem se irritou com o tratamento dado. Afinal, o “droide” era o astromec da família. E assim sendo, pertencia a ele. 
 - Dá isso aqui. – ele pegou da mão dela a ferramenta e se agachou em frente a Artoo, enquanto Rose abria a boca para brigar com ele e olhava para Leia, que com um movimento de mão fez a mecânica se calar, apontando para Ben – Como se desliga a ...achei. – ele olhava a ferramenta, desligando a transferência de energia ali, fazendo Rose se colocar do lado dele, os braços cruzados observando atenta o que ele fazia – Vamos lá amiguinho, elas não queriam ofender. 
 Ben disse baixo, fungando, tentando convencer o astromec a religar, enquanto, apertando um botão com a ferramenta, retirava com os dentes a luva da outra mão, e usava a unha do polegar para pressionar um outro botão escondido nas dobras metálicas de Artoo. Um beep alto se fez ouvir e o astromec se religou, fazendo Rose, que observava atentamente cada movimento de Kylo Ren, abrir a boca surpresa. 
 - Toma. – Ben disse entregando a ferramenta para Rose ao se erguer, com um meio sorriso no rosto, satisfeito – De nada. 
 Rose fechou a cara, olhando da ferramenta para o astromec, que voltava a mostrar imagens, enquanto Kylo Ren ia se posicionar ao lado de Leia, erguendo as sobrancelhas numa expressão de falsa humildade, antes de se virar de frente para Rose e Artoo. 
 - Certo! – ela disse irritada, dando um passo para trás, enquanto a rainha respirava fundo, voltando a se concentrar ali, nos dados. 
 - Você reconhece as naves, Supremo Líder?
 Ben suspirou. 
 - Não. Pelo menos não da frota atual da Primeira Ordem. 
 - O modelo é mesmo mais avançado do que o que a Primeira Ordem tem, então?
 - Sim. 
 - Pensei que eles fossem desenhados específicos para a sua organização. 
 - Eles são. – ele disse amargo – Hux pessoalmente desenha ou auxilia no desenho de alguns. 
 - Entendo. 
 - E dado o fato de que ele mantém um certo apego aos antigos modelos do império, como esse aí, provavelmente também auxiliou no desenhos destes. 
 - Certeza? Você não diria que pode muito bem ser...obra de outra organização tentando derrubar a Primeira Ordem? – Leia, Ben e Rose olharam surpresos para a rainha – Rose, você foi de grande ajuda. - a rainha então disse baixando o olhar sério par a mecânica e a princesa - Leia, por favor, a acompanhe com Irli até a saída. 
 Leia pela primeira vez mostrou não saber o que fazer, inspirando fundo e olhando surpresa para Narli. Rose tinha os olhos bem abertos de uma para outra, Ben olhava desconfiado para as duas rainhas. 
 - Alteza...
 - Eu agradeço a sua compreensão, princesa. – Narli interrompeu Leia e respirou fundo, a olhando cautelosa, mas firme – Se você nos der licença. – Narli  não conseguiu sustentar o olhar de Leia, e então se virou para Ben – Supremo Lider, me acompanhe. 
 Ben viu Narli se virar e seguir em direção ao trono, e então olhou para a mãe, que tinha a boca levemente aberta enquanto Irli se aproximava com uma venda até uma Rose que começava a se agitar. Artoo deu dois beeps, apagando as imagens e indo até o lado dele. 
 - Está bem. – Leia ergueu a mão e o silenciou antes que falasse algo, suspirando e se dirigindo até Rose – Eu vou cumprir minhas ordens. – por mais que Kylo soubesse que ali Narli era a verdadeira rainha, não podia deixar de sentir certa raiva de ver sua mãe ser tratada como criada – Artoo, eu conto com você. 
 Leia disse baixo para Artoo, que apenas virou o cabeçote como quem assentia,  e então ela olhou firme para o filho. 
 - O que está acontecendo? – Rose se alertou. 
 Ninguém a respondeu, Irli se aproximava com delicadeza, enquanto a mecânica ameaçava pegar a ferramenta. Leia se adiantou a acalma-la indicando com a mão para que o filho fosse até Narli. 
 Olhando para a mãe, então para a rainha de Naboo e depois para o astromec ao seu lado, Ben ergueu o queixo se dirigindo com passos firmes até a rainha. 
 Ele subiu os degraus, ficando em pé a frente da rainha, sentada no trono, tendo que erguer o rosto para vê-lo. 
 - Então, Supremo Líder?
 - Então, Narli? 
 Ele tinha o costume de não se referir a ela como rainha de Naboo, pois era mais fácil de não se confundir em conversas com a Primeira Ordem e acabar citando a mãe. Assim, o máximo que podia acontecer era talvez escapar algo que conversou com a verdadeira rainha a chamando por Narli, mas sempre se referindo a mãe como rainha. 
 - Como você pretende resolver o presente impasse que temos? - a verdadeira rainha voltou a conversa com outra pergunta.
 - Qual?
 Ela suspirou. Parecia estar brigando com o que tinha de fazer. 
 - A sua organização está se mostrando uma ameaça para a Galáxia, aquela que você jurou proteger. O que você vai fazer? 
 - O que você sugere?
 A rainha se ergueu. 
 - Bom. – ela falou em um tom calmo, olhando fundo nos olhos dele – Um verdadeiro líder primeiro busca saber todas as alternativas, e então decide o que é melhor para os seus. 
 - Devo crer então que você consultou outros antes de me oferecer a sugestão que pretende. – ele disse jogando a cabeça levemente para trás, indicando a própria mãe.
 - Eu não sou tão boa líder quanto você. 
 Kylo franziu a testa para ela, colocando as mãos cruzadas a frente do corpo, notando que não fora feita uma armadilha para ele naquele dia, mas para a mãe.
 A rainha notou o claro desagrado dele com a ideia, e suspirou, olhando para baixo e então voltando a se sentar. 
 - Me diga, Supremo Líder, o que devo saber acerca das naves sobre aqueles planetas? 
 Ben se debatia internamente. Ele tinha diante dele uma difícil decisão: seguir a lealdade a mãe e rejeitar qualquer proposta que a rainha lhe oferecesse, ou parar, escutar e decidir pela primeira vez por si mesmo o que fazer quanto a Galáxia, como um verdadeiro líder. Até ali ele sempre se orientara pela sabedoria da mãe, mesmo quando não queria admitir. 
 Ele fechou os olhos e baixou a cabeça, lançando rapidamente para trás um olhar aflito, observando a mãe conversar com Rose, a convencendo a ceder ao que Irli pedia. Ben então suspirou e mirou de modo severo a rainha. 
 - São cargueiros, com forte escudo contra ataques de naves leves, de salteadores, desenhados para transportes de materiais pesados. 
 - Eles tem uma boa defesa, além do escudo? 
 - Depende de quem vai tentar a sorte. Um simples piloto seria derrubado. 
 - E um Supremo Líder? - Kylo olhou para os lados confuso, entendendo de repente o que ela intentava ali – Você é um bom estrategista Ren, já deve saber que só a Primeira Ordem pode parar a Primeira Ordem...antes que ela se torne incontrolável. 
 - Eu não posso destruir a minha própria organização. 
 - Ninguém está pedindo que faça isso. Há outro jeito. 
 Piscando confuso, Ben inspirou fundo e se ajoelhou, mantendo o joelho direito alto de modo a poder apoiar o braço direito ali, baixando a cabeça. 
 - Estou ouvindo atentamente, alteza. 
 E esta foi a ultima imagem que Rose viu, antes de ser vendada e levada para fora dali, Kylo Ren de joelhos diante da rainha de Naboo.
 Kylo desceu da sua nave, depois de todos, sendo esperado, como sempre, por um número desnecessário de oficiais da Primeira Ordem. A ansiedade deles era palpável mesmo para alguém não sensitivo da Força. 
 - Supremo Líder. – Mitaka se adiantou – Os oficiais estão agitados, foi marcada reunião urgente após a destruição de uma nave com ...
 - Eu estou ciente do que aconteceu a minha frente horas atrás, comandante. Avise-os para se encaminharem ao salão do trono, os encontrarei lá. 
 - Sim Su...
 - Não, melhor. – Ben o interrompeu, lembrando como se sentia desconfortável naquele salão – Encaminhe todos a sala de reuniões. Me juntarei a eles assim que eu estiver disposto.
 - Mas eles tem urgência...
 - Eu também. – Ben disse em um tom baixo e ameaçador. 
 - Ce..cer..certo. Eu vou providenciar tudo. 
 Mitaka deu dois passos para trás e abriu caminho para o Supremo Líder, que se dirigiu até o elevador, não sem antes erguer lentamente a cabeça e encontrar em um dos andares superiores, três dos seus cavaleiros olhando para ele. Ele manteve contato visual o suficiente para deixa-los conscientes do que deveriam fazer a seguir. Reunir todos e esperar a ordem do seu mestre.
 Lá atrás, oficiais escutavam desagradados Mitaka dando as ordens deixadas por Kylo Ren, enquanto Hux se mantinha distante de todos, ao lado de Phasma pensando nos seus próximos movimentos.
 Rey desceu lentamente o corpo até se ajoelhar em frente àquela figura que era o símbolo vivo da esperança na Galáxia, agora com a feição cansada e sofrida. A general se ajeitara no assento, jogando o corpo para a frente a colocando a mão direita sobre o rosto, naquela sua posição de auto-piedade. 
 Sem saber o que fazer, a Jedi apenas suspirou, trazendo as mãos até a mão largada de Leia sobre o próprio colo. 
 Inspirando fundo, a outra sorriu e enfim revelou os olhos tristes para Rey. 
 - O que foi que eu disse sobre os olhos de um Solo? 
 Leia falou então com um certo senso de humor, passando a mão livre sobre o rosto de Rey, os olhos passando rapidamente pelos lábios dela até se fixar nos olhos confusos de Rey, que então entendeu. 
 Se erguendo rapidamente, a Jedi tampou a boca, sabendo que aquela estava vermelha. O que não deveria fazer diferença agora, pois Rey enrubescera de tal maneira que sequer os lábios se destacavam mais. 
 Mas antes que Leia tivesse a oportunidade de sorrir, a rainha entrou com as demais criadas, e a general mudou sua feição para o que Rey sabia, era um sinal de perigo a quem recebesse. E naquele momento a verdadeira rainha de Naboo corria grande perigo. 
 - Irli me comunicou que você não se sentia bem, princesa. 
 Narli tomou coragem, se aproximando das duas, com as mãos cruzadas a frente do corpo, enquanto Leia se erguia apoiada em Rey, que mantinha a cabeça baixa e a mão esquerda sobre os lábios o mais discreta que podia. 
 - Nada que o ar de Naboo não possa recompor, alteza. – Rey notou o brilho feroz no olhar de Leia ao dizer aquilo. Mesmo com a voz controlada e as palavras educadas, todos ali sabiam que aquela era uma conversa tensa – Imagino que o conselho já tenha deliberado. 
 - Sim. – Narli disse suspirando e fechando os olhos, assentindo com a cabeça – E concordaram com a concessão de prazo para o Supremo Líder cumprir com a parte dele do acordo. 
 Leia apertou os olhos para Narli e balançou a cabeça lentamente. Rey pestanejou, sentindo o ódio que emanava da general ao seu lado, atenta a menção de Ben. 
 - Você não consegue ver agora, princesa, mas quando tudo estiver acabado e a Galáxia a salvo, vai entender que alguns sacrifícios são necessários para o bem de todos. 
 - Você está realmente tentando me ensinar sobre sacrifícios pela Galáxia, criança? – foi a resposta amarga e entredentes de uma Leia com o olhar marejado.  
  - Este sacrifício não é seu para ser tomado, princesa. 
 - A partir do momento que você me usa para garanti-lo, é como eu...
 Um barulho estrondoso fez todas se sobressaltarem, algumas criadas se adiantando até a janela, colocando a mão sobre a boca. 
 - O que foi agora? – Narli disse enérgica. 
 Rey se adiantou até a janela, enquanto Leia deixava o corpo lentamente ceder se sentando novamente na banqueta, sentindo através da Força que seu filho estava bem, e lembrando da despedida de horas atrás. 
 
 Quando a princesa retornara ao salão, a conversa dos dois parecia já ter terminado, e Ben se colocava próximo de Artoo, observando cauteloso o astromec, na mão esquerda a sua máscara horrenda. 
 Leia tentou colocar um sorriso confiante no rosto, mas a expressão lúgubre do filho e a desculpa pouco convincente da rainha para se retirar imediatamente a buscar Irli, não lhe permitiram mante-lo por muito tempo. 
 - Mãe... – ele ergueu a mão direita para Leia, dando um passo na direção dela, tentando mostrar um sorriso acolhedor. Algo perigosamente incomum para ele.
 - Não! – Leia disse fechando os olhos e balançando a cabeça, firme – Não, Ben. 
 Ele parou a olhando com expectativa, sabia que a mãe não era tola. E quando Leia finalmente abriu os olhos agoniados para ele, Ben deu outro passo, pegou as mãos dela e beijou. 
 - Você vai fazer de qualquer jeito, não vai? – ela constatou quando viu ele erguer o olhar para ela, e então apertar os lábios, prendendo o ar enquanto se colocava do lado da mãe e cruzava o braço direito dele pelo braço esquerdo dela, começando a andar na direção da porta – Vocês Solo e Skywalkers precisam ao menos uma vez na vida me escutar!
 - Eu também sou um Organa!
 - Prove! – Leia parou o fazendo se virar para ela, segurando com as duas mãos firmes em cada braço dele – Desista desse plano e fique aqui. Nós dois podemos encontrar outro caminho. Outro que não seja pular em uma nave, e encarar sozinho um exército usando apenas um sabre de luz. Como o seu pai e seu tio fariam. 
 - Então agora eu pareço com meu tio também? 
 - Toda vez que você faz uma coisa estúpida, confiando apenas no poder da Força, você se parece com seu tio, Ben!  
 Ben soltou um riso, aproximando os lábios para beijar a mãe na testa. 
 - Não! – ela o afastou – Sem beijos e “Que a Força esteja com você, sempre”, Ben. Sem despedidas. Se você vai mesmo entrar naquela armadilha, pois bem, vá! Mas com a promessa, filho – ela pegou o rosto do filho entre as mãos, fazendo ele encarar ela –, de que você vai voltar inteiro. 
 Ben piscou com os dois olhos para ela, mantendo o seu sorriso sem dentes.
 - Você sabe que eu não posso, mãe. Afinal de contas, eu sou um Skywalker. A chance de eu voltar sem uma mão ou um braço são enormes. 
 Leia prendeu a respiração lançando um olhar de ira para o filho, as pálpebras dos olhos tremendo rapidamente enquanto os lábios de comprimiam até ficarem sem cor. Atrás deles Artoo, que os acompanhava apenas alguns passos atrás, soltara beeps divertidos com a piada de Ben, atraindo para si o olhar furioso de Leia. 
 O astromec se virou rapidamente saindo dali, enquanto Leia inspirava fundo e voltava a mirar o filho, apelando para uma expressão de desolação para convence-lo. 
 Ben apertou os lábios numa expressão de lamento, baixando o olhar logo em seguida. 
 - Você é a minha ultima esperança Ben. Minha ultima luz. 
 Ele ergueu um olhar de um falso risonho. Aquele mesmo que o pai dele costumava usar para tentar tampar sem sucesso a tristeza de uma decisão vinda daquele maldito coração herói. 
 - E você é Leia Organa! Você é a única que consegue passar pela noite até a luz voltar a brilhar. 
 Ela fechou os olhos e baixou a cabeça diante do que ele pensava ser um elogio bem vindo.
 - Não vai, filho. – ela pediu, fazendo o coração dele se apertar. 
 Ben inspirou fundo, deu um passo a frente e passou o braço direito pelas costas dela, a trazendo para um abraço, sentindo a mãe pousar a cabeça em seu peito. Ele conseguia sentir a agonia da mãe mesmo sem usar a Força. 
 - Você precisa confiar em mim. Eu consigo fazer isso. 
 - É claro que consegue. – ela disse erguendo o olhar para ele, enquanto Ben a afastava e a observava com um olhar preocupado.
 Suspirando ele a soltou, vendo a mãe colocar os braços em volta de si, se auto-confortando. 
 - Não vai desejar que a Força esteja comigo? - ele perguntou num tom que pretendia ser divertido, mas saiu triste.
 - Eu vou estar.  
 Ela respondeu fixando um olhar firme sobre ele, fazendo Ben apertar os olhos e lhe lançar um sorriso sem dentes, antes de descer os lábios e beijar a testa dela, fazendo Leia balançar a cabeça para os lados, vencida.
 - Eu te amo, mãe. – as palavras saíram doídas, no desespero de nunca mais ver ela sem antes deixar isso claro. 
 - Eu sei, filho.
 Rey se ajoelhou a frente de Leia, segurando a general pelos braços, apreensiva. A volta delas as criadas se agitavam. 
 - Ele está bem. Eu sinto isso. - Rey disse para acalma-la. 
 Ambas sabiam que lá fora uma nave da Primeira Ordem havia explodido. Leia olhou fundo nos olhos da Jedi, buscando conforto. 
 - Me diga, filha, qual foi a ultima coisa que ele te disse?
 Rey olhou para baixo. Achou melhor não comentar sobre os sentimentos declarados. 
 - Ele prometeu que voltaria. 
 A Jedi disse erguendo um olhar que brilhava com a lembrança do encontro deles, e com a ideia de que voltariam a se encontrar. 
 A resposta não poderia ser mais satisfatória. Leia suspirou, enfim mostrando um sorriso e algum conforto no olhar, pegando as mãos de Rey entre as suas.
 - Então ele volta. Um Solo sempre cumpre o que promete.
 



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