História Os Campeões de Izalith - Hiatus - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Tags Ação, Drama, Interativa, Luta, Magia, Revelaçoes, Romance
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Palavras 3.275
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Seinen, Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Aqui está o Capitulo. Boa leitura :D

Capítulo 5 - Capítulo II - A Paladina e O Arqueiro


Fanfic / Fanfiction Os Campeões de Izalith - Hiatus - Capítulo 5 - Capítulo II - A Paladina e O Arqueiro

Nas estradas que ligavam Ichenor, a segunda maior cidade de Izalith, até a capital havia uma caravana de comerciantes que a passos lentos faziam o longo percurso.

Eram duas carroças de médio porte, dois pobres cavalos conduziam cada uma delas. Suas costelas estavam aparentes e seus aspectos exaustos, estavam pouco antes do que seria a metade do caminho e apenas lá teriam um descanso decente após os doze dias de viagem. Muitos considerariam seus donos cruéis ou maldosos, mas isso não era verdade, pois os mesmos também tinham suas costelas saltadas na pele.  No ano anterior eles eram seis caravanas, mas as estradas sempre foram perigosas e a ganância de ter muitos suprimentos impediu-os de contratar um bom número de mercenários para a proteção.

Dessa vez era diferente, do lado de fora de cada carroça havia dois homens, um que guiava os cavalos e outro que viajava o entorno, dentro havia, além de quanta mercadoria foi possível comprar, seis pessoas. Dois guardas e quatro viajantes que se importavam mais com o preço do que com o conforto.

O Líder da caravana era Michael Dupain, de quarenta anos, um homem bem envelhecido e com o olhar cansado, enriquecera por meio do trabalho árduo e muita perseverança, sonhava em aposentar-se e passar o negócio para os dois filhos, no entanto, ambos abandonaram o negócio quando morreram defendendo o pai no ano anterior. Tinha cabelos castanho-escuros que cada vez mais davam lugar ao grisalho que surgia com a idade, sua barriga havia crescido bastante e seus braços agora eram mais gordura do que músculos. Estava completamente fora de forma e desmotivado. Sua esposa ainda vivia na capital e saber que em breve a visitaria era a única coisa alegrava seu dia, ela cuidava da loja física enquanto ele ia buscar os temperos, ervas, ingredientes e outros materiais que eram escassos em Izalith, mas abundantes em Ichenor.

Um negócio arriscado que desde sempre rendera muito bem.

Eram simples carroças de madeira boa e com uma lona bege para proteger da chuva, dentro dela a palavra conforto não caberia, era realmente muito apertada devido à quantidade de coisas levadas pelo comerciante.

Dos oito passageiros não mercenários, dois formavam um casal que ia para a capital, que na verdade nutriam laços sanguíneos e por isso não seriam aceitos como marido e mulher onde haviam nascido. A outra era uma mulher grávida, esposa de um homem que não podia ter filhos.  E outro era um nobre de uma família quase esquecida, a Família Fraga.

Raziel Fraga tinha vinte e cinco anos apesar de não aparentar tanto. Tinha um rosto maduro, oval e confiável. Pouca barba, cabelos negros longos e desarrumados, e dois olhos vermelhos definitivamente lindos, mas que se prestado bastante atenção o vazio deles se tornava latente. Não era alto medindo menos de um metro e oitenta, mas tinha um corpo bem definido, além de um belo sorriso despojado.

Para seu desprazer insetos estavam a picá-lo e importuná-lo com seu zumbido irritante.

Usava uma jaqueta vermelha por sobre um colete roxo e uma camisa de linho preta, calça de couro e sapatos resistentes. Mantinha seu chapéu em sua mochila, junto de sua ombreira e suas caneleiras de couro, aquele lugar já era incomodo o suficiente usando apenas roupas, quem dirá alguma peça de armadura.

Em seus braços repousavam seu arco e aljava, o arco era de bom material assim como suas flechas, apenas sua aljava não era nada de especial, apenas uma bolsa de couro com revestimento para que não dobrasse e uma espécie de cinto ajustável para ficar firme em seu usuário. Suas mãos estavam cobertas por suas luvas também de couro, que o auxiliavam com o arco.

Fazia carinho ao rubi que carregava no colar que usava. Estava perdido em pensamentos, lembranças e desejos.

Na outra carroça havia uma imigrante que tentaria suas chances na capital cozinhando as comidas de sua terra natal, dois amigos que estavam a explorar todo o reino com uma verba apertadíssima e uma capitã da guarda real de Ichenor, que em uma missão para a qual não se voluntariara só conseguia pensar na cabeça do bruxo, pretendia descer da caravana quando chegasse a Dorfanfang e por lá procurar por pistas e afins.

Ambar Arabella Lilith Haydn era seu nome completo. Uma estrangeira de cabelos ruivos que chegara a Izalith muito antes de confabular memórias, ela era apenas um feto na barriga de sua mãe que dera luz em seu segundo dia no novo país.

Seus pais haviam se conhecido em meio à última guerra que Izalith havia travado, contra os Valorianos, guerra que acabou como se do dia para noite e sem motivo aparente. Mas as tropas receberam ordem de recuo e obedeceram, tendo muitos deles vindo com mulheres que haviam conhecido no país inimigo.    

Tinha um rosto um tanto retangular para uma mulher, mas isso fez com que os capacetes das armaduras que usou ficassem mais confortáveis, seus olhos eram negros como uma noite sem luar, seus lábios carnudos e rosados. Tinha uma pele clara e suave e um corpo que parecia ter sido desenhado à mão, com seios médios e glúteos um tanto acima da média. Tudo isso em um corpo de cinquenta e oito quilos e um metro e sessenta e seis.

Crescer em Ichenor não foi fácil, sem ter uma mãe, seu pai a criou basicamente como a um menino, o que ela não pode negar ter gostado, preferia essa educação a que via as outras garotas receberem, essa era muito mais divertida. E meio que se achava uma louca às vezes, se perguntando se haveriam outras garotas como ela, visto que nunca havia conhecido nenhuma.

E competir com os garotos sempre parecera muito injusto. Para eles obviamente.

Seu pai começou a ensiná-la a usar facas e o arco e flecha ao completar cinco anos, o que resultou em muitos machucados que ela nem mais lembrava.  E claro que muitas pessoas não gostavam muito daquilo, ele era muito recriminado por ensinar uma garota a lutar, mas ele ainda era o mais alto guerreiro do reino, e o temor que criara em volta de seu nome não permitia que falassem isso frente a frente.

As mães das outras crianças viviam chamando-a para passar as tardes com elas, e assim poderem ensiná-la o que “uma mulher realmente deveria aprender” e assim passar menos tempo com seu pai, mas ela negou. Sim, ela negava os pedidos e não seu pai, ele quase sempre a deixava decidir a própria vida.

 Segundo ele: era dela e apenas dela.

 Então somente havia uma pessoa que poderia governá-la.

 E essa “liberdade” era desagradável às outras mães, que diziam que ela era só uma criança e não podia decidir o que era melhor para si mesma. De certa forma estavam certas, Ambar sabia disso, mas mesmo concordando que tanta liberdade para uma criança era definitivamente algo estranho, também não achava que elas estivessem ao querer transformá-la em uma leoa domada.

Lembrava de quando aprendera a andar de cavalo aos sete anos de idade, e não conseguiu não emocionar-se com as lembranças.

Realmente odiava o estado em que os cavalos que a levavam se encontravam, e quando ninguém estava vendo deu alguns torrões de açúcar que comprara para eles. Poderia roubar do dono das carroças e oferecer-lhes, mas um erro nunca justificaria o outro.

Diferente dos outros passageiros ela pouco se importava com a falta de espaço e usava sua armadura.  Era um acolchoado por baixo de seu peitoral de bronze, duas ombreiras com um símbolo religioso cravado nelas, braçadeiras e manoplas também de bronze. Uma calça de couro que não muito protegia por baixo de botas e placas que defendiam de seus pés até seus joelhos e mais da metade das coxas.

A espada montante que dormia cruzada em seus braços tinha um cabo de bronze com um cristal negro no pomo, um guarda mão tão singelo que podia ser dito que fora feito pensando na estética e uma lâmina toda de mercúrio fundido com aço, totalizando dois metros de pura mortalidade.

Havia também um arco de caça comum e uma aljava pequena, usava-o apenas quando bastante necessário, sua especialidade era realmente por as duas mãos no cabo da espada e balançá-la até que não houvesse mais inimigos.

Por mais que não pudesse vê-lo, podia sentir o anel de sua mãe em seu dedo, certamente estaria girando-o se conseguisse, era um tipo de tique quando estava nervosa.

Do lado de fora foi ouvido um agudo gritar, como o de uma águia. E em seguida o líder dos mercenários bradou:

—Harpias!—e as carroças pararam.

Os outros mercenários fizeram jus a seu ínfimo treinamento e desceram as pressas para ajudar seu líder, mas quando chegaram ao lado de fora ficaram atônitos.

Eram Harpias demais.

Uma harpia combinava o corpo, pernas e asas de um abutre com o dorso, braços e cabeça de uma humana. Suas garras assustadoras tornavam-na uma ameaça formidável em combate, e seus olhos refletiam a maldade absoluta de sua alma.

Harpias nunca tiveram qualquer interesse em uma luta justa, e nunca atacavam sem que tivessem uma vantagem clara. Se uma luta se voltasse contra elas, não tinham a capacidade de se adaptar e iriam fugir famintas ao invés de arriscar um combate direto.

Quando atacavam, as harpias brincavam com a comida, deliciando-se com a “música” que suas vítimas faziam ao gritar. Uma harpia levava tempo para desmembrar um adversário indefeso e poderia passar dias torturando uma vítima antes do fim misericordioso.

Em geral elas não arriscariam atacar uma caravana, afinal nunca se sabe quantas pessoas podem ter dentro de um lugar daqueles, costumam pegar viajantes solitários ou em no máximo grupos de três, mantendo pelo menos duas ou três delas para cada um de seus oponentes.

As harpias pegavam bugigangas brilhantes, objetos de valor e outros troféus de suas vítimas, às vezes, lutando umas com as outras pelo direito de pegar os prêmios escolhidos. Quando nenhum objeto de valor era encontrado, uma harpia pegaria cabelo, ossos ou partes do corpo para fazer seu ninho.

O covil delas geralmente fica escondido em ruínas remotas, onde os aventureiros poderiam descobrir tesouros valiosos e mágicos escondidos sob pilhas nojentas de vísceras. Nenhum dos presentes jamais tinha ido atrás de um ninho de harpia, apesar das grandes promessas, quanto mais próximo do covil mais harpias apareceriam, além de sempre haver uma rainha esperando bem em cima do ninho.

Tanto Raziel, agora já de "armadura" quanto Ambar saíram de suas respectivas carroças e ficaram abismados com o que os rodeava. O arqueiro contou trinta e duas harpias, a guerreira vinte e nove. Era difícil ter certeza quando elas se pareciam tanto e não paravam de voar de um lado para o outro. Brincando com o terror psicológico de suas vítimas.

Algumas estavam armadas com clavas e outras com porretes, algumas exibiam apenas suas garras e dentes afiados, doidas para usá-los. Raziel já segurava seu arco e lentamente tirava uma flecha da aljava. Ambar segurava à sua espada com ambas as mãos apenas esperando pelo pior. Muitas delas voavam extremamente rasas, estando a menos de um metro do chão.

E o líder dos mercenários gritou:

—Atacar!

E todos seus subordinados avançaram sem medo.

Em uma luta como essa não há muito que se ver, você olha pra frente e se for roxo você bate. E era isso que muitos deles estavam fazendo, balançavam seus machados e espadas de forma impetuosa. Mas os números fizeram muita diferença, pois ao cair de menos de um terço das harpias sobravam apenas Raziel, Ambar, o líder dos mercenários e um de seus subordinados que usava um machado de duas pontas muito grande.

Os outros, ou não eram mais vistos, tendo sido levado por uma ou duas harpias para longe, para sabe se lá Deus o que fazer com ele ou estavam ali, desarmados e ainda vivos, caídos no chão se debatendo e tentando proteger os rostos enquanto os monstros mordiam e rasgavam sua pele deixando-os em carne viva.

Um deles, ainda um garoto, não devia ter mais que dezoito anos chorava de dor enquanto tentava sem sucesso arrastar-se para longe, e enquanto fazia isso uma delas mordeu sua batata da perna que estava protegida por simples tiras de couro, rasgou-as e arrancou um belo pedaço de carne junto. Ele cometeu o erro de virar-se para cima e ao tentar tampar seu rosto uma garra entrou em sua bochecha e dilacerou-a.

—Julian! Filho!—gritou o que girava o machado. E correu para salvar sua cria.

—Erick, não me abandone homem. —o líder ordenou sem sucesso.

Uma harpia mergulhou nele, que estava entre Raziel e Ambar. Ele levantou sua espada e perfurou-a na barriga, mas tal criatura monstruosa usou suas últimas forças para morder-lhe a garganta e fincar as garras em sua coxa. Ele tentou gritar, mas sua voz não saiu, e foi atacado novamente agora pelas costas, sentiu garras atravessando seus pulmões e erguendo-o aos céus. Outra veio e pegou suas pernas, ambas as anteriores o largaram, deixando-o inconsciente e de cabeça para baixo, e ele foi levado como os outros, sendo mordiscado, lanhado, arranhado, arregaçado e torturado de maneiras diferentes e criativas.

Raziel sabia já ter derrubado cinco, Ambar oito, mas cada vez mais parecia que elas se multiplicavam. Ambar só tinha de preocupar-se com seu rosto, elas certamente demorariam mais um pouco até fazer um estrago de verdade em sua armadura, uma delas avançou em direção ao seu peito, ela abaixou e firmou sua espada para cima cortando-a no meio. A ruiva segurava o cabo firmemente e girava o corpo inteiro, ganhando velocidade e então golpeando com o peso.

Mas o meio defunto que voou em Raziel que estava de costas para Ambar fez com que ele caísse no chão, e quando ele se virou para cima, seu rubi estava à mostra.

Houve um segundo de pausa. Um segundo onde todas as harpias calaram-se e admiraram a enorme pedra no peito daquele jovem, um segundo em que Raziel sentira um gosto azedo e excruciante em sua garganta, um segundo onde Ambar decidiu-se entre a bravura e a covardia, um segundo que pareceu horas.

Todas elas avançaram no arqueiro que nem conseguira se levantar, Ambar correu até ele e pegou um dos escudos que estava no chão, colocou-o em sua frente, virando a parte exterior para si e protegeu Raziel, ficando de costas para a enxurrada monstruosa que avançava em direção à pedra preciosa.

Até aquele momento ela achava que sua armadura aguentaria. Mas foi obrigada a mudar de opinião quando sentiu várias garras perfurando sua armadura, e em seguida suas costas. Aquilo ardia de verdade, não era como fogo ou bebida alcoólica, ardia em suas veias, sentia formigamento nos órgãos internos, rigidez nas juntas, tremura em seu corpo e era como se estivesse batendo sua cabeça contra uma parede repetidas vezes. Arrecadou muita força pra gritar entre seus gemidos de dor:

—Corre!Corre porra!—surpreendentemente usando um raro palavrão.

E Raziel correu, os grunhidos das harpias transbordavam a necessidade que tinham por aquela pedra, era algo inacreditável, elas foram de monstros racionais para criaturas bestializadas ao brilhar do rubi. Ele entrou na carroça como se para abrigar-se, mas claramente não funcionou. Muitas harpias colocavam seus pés e mãos lá dentro para buscar o colar, rasgando a lona e com isso dilaceraram os outros viajantes presentes.

Uma das mãos achou o peito de Raziel, que sem qualquer proteção, teve três profundas linhas de sangue desenhadas. Outras acertaram e fincaram garras em sua batata da perna, cintura, barriga e uma passou muito perto de sua genital. Olhou para o fundo da carroça vendo muitas delas entrando voando. Agradeceu pelas caixas no meio que deixavam o local super estreito.  As Harpias que chegavam a uma distância em que fossem alcançá-lo eram acertadas pelo o arco. Cravou-o na cabeça de uma delas e o cadáver fora puxado pelas outras que queriam o espaço para obter o precioso objeto, partindo sua principal arma.

Sacou uma adaga de sua bota e começou a apunhalá-las, tanto as que se aproximavam por suas pernas quanto as que haviam segurado suas pernas e seu outro braço. Chegou a acertar uma das que vinha por baixo no que seria seu rosto, abriu suas bochechas, arrancou sua orelha e furou seus olhos, mesmo assim a criatura continuava parando apenas ao ter seu cérebro perfurado.

Sentiu a que o acertara no peito fincando as garras bem mais profundamente e logo em seguida puxá-las. Aquela garra estava rasgando seus ossos, tinha certeza. Largou sua adaga, começou a se debater, gritar e bateu sua cabeça contra a madeira da carroça e depois contra a caixa que o prendia naquele lugar, estava chorando e não sentia. Chegou a urinar-se, mas não de medo ou algo do tipo, seu corpo simplesmente perdera as forças e sua mente a concentração de manter a bexiga fechada, e por sorte seu ânus estava vazio naquele momento. Quando uma delas fincou em sua orelha que estava colada à lona esquerda, a garra rasgou muito da parte interna de seu ouvido e ele passou a ouvir um zumbido eterno ao ter seu tímpano perfurado pelo monstro.

Em meio a seu desespero viu seu cordão sendo arrebentado e levado por uma delas, várias o largaram e foram lutar com suas irmãs pelo objeto. Mas outras continuavam em sua perna, escalando até ti.

Sedentas por sua dor e sua carne.

Escutou um grito feminino seguido do grunhir de várias delas, e mais duas vezes isso, até que a ruiva que estava na outra carruagem estivesse por cima dele puxando-o para fora.

Apenas escutou as palavras: “Levando”, “Carroça” e “Pular”.

Ela pulou.

Ele caiu.

Mas a sorte escolheu o proteger, mas não a ela.

Enquanto Raziel caiu por cima de um carregamento de farinha que fora deixado cair quando as harpias levantaram a segunda carroça, Ambar caiu em cima de uma caixa de madeira quebrada que estava cheia de cocos.

Raziel usava apenas roupas que de tão rasgadas não podiam nem mais ser chamadas disso.

Ambar uma armadura de pouco menos de trinta quilos.

Ele ficou semi-acordado.

Ela desmaiou exaurida, fizera muito esforço e devia ter matado quase oito harpias nas três balançadas que dera para salvar aquele rapaz que até então não era nem um “conhecido”. Havia batido as costas com muita força, farpas entraram na carne viva em que boa parte de suas costas se encontravam e teve um breve impacto de cabeça contra o chão, mas que se não tratado certamente poderia ser fatal.

Levantar-se naquele momento foi, sem dúvidas, a coisa mais difícil que Raziel havia feito em toda sua vida. Tirou uma bússola de seu bolso e graças a Deus ela não estava quebrada, olhava para a bússola e depois para as harpias, forçando sua mente a gravar os números necessários. Repetiu o processo duas vezes evitando ao máximo mexer o próprio pescoço, tinha que ter absoluta certeza. Já havia se perdido muitas vezes, seu senso de direção era digno de piada, mas sua necessidade por vingança sobrepujaria tudo aquilo.

Desceu com muita dificuldade de cima dos três sacos de farinha e ficou em pé ao lado de sua salvadora. Ficou em silêncio completo durante alguns segundos, ouviu o canto dos pássaros, ouviu o correr de lobos, cervos e até coelhos, ouviu o grunhido das harpias que já estavam mais longe do que ele conseguiria alcançar naquele momento, ouviu o pacífico bater de asas de uma borboleta que estava a mais de um quilômetro de distância.  E o mais importante, ouviu o correr de um rio.

Respirou muito fundo e começou a arrastar Ambar para a floresta, a noite logo chegaria e ele achava as estradas perigosas demais.


Notas Finais


Sabem, quando a ideia desse capítulo me veio eu fiquei em dúvida de quem colocar aqui. O capítulo não apresenta tanto assim os personagens, é quase uma transição para uma situação em que ambos os personagens acabam dependendo um do outro. E como fazer essa dinâmica de forma não forçada? Como colocar dois personagens de essência diferente para trabalhar juntos e se salvarem? A Paladina lmaculável era uma líder de guarda, do tipo que cobrava responsabilidade e deveres de seus subordinados, sempre respeitando a lei a ela imposta. Já a Flecha perseguidora nascera um pássaro em uma gaiola, um espírito livre que não aguentava a vida aristocrática da família.
Mas então porque escolhe-los? Pela bondade. Ambos os personagens tem um senso inabalável de justiça, uma não conseguiria deixar alguém indefeso morrer, outro não conseguiria deixar qualquer criatura viva aprisionada.
A própria escolha do título me remete a isso, foi crua e rápida, expondo de forma óbvio que era uma introdução.
Enfim, como dito antes esse capítulo não está aí para desenvolver eles, está para apresentar o tipo de mundo, os personagens e criar uma situação tensa. Ele se distancia um tanto do anterior, não é leve, não contém piadas, chega a ser melancólico em certo ponto, fala sobre os custos de uma breve ganância, paira sobre a dor do arrependimento e põe a prova a honra dos personagens.
Amei escrevê-lo e espero que tenham amado o ler.
Se possível comentem o que acharam e tals, fico super feliz em ver como estão gostando.
Beijos da sua Aury :*


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