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História Os Cinco Arcanos - Capítulo 2


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Notas do Autor


Vamos de continuação.

Capítulo 2 - Primeiro dia


Era escuro ainda quando Laura ouviu o galo anunciar a chegada de um novo dia. O seu primeiro dia na universidade chegou e ela não poderia estar mais nervosa, mal conseguia segurar o celular na mão ao lembrar-se das orientações que a foi passado para seguir. Sua mãe a treinou a vida inteira para interpretar uma persona, que faria aumentar as chances de encontrar cada Arcano: uma garota tagarela, dedicada, otaku, com um ensino médio glorioso e por cima de tudo, bissexual. 

    Com a barriga cheia do café da manhã, embarcou no transporte que a levaria até Novo Hamburgo, em uma viagem que parecia durar horas a fio. Porém, pegou no sono no segundo em que colocou Fresno para tocar. Em seu sonho, viu a silhueta de uma garota, baixinha e de cabelos longos. De primeira vista, não entendeu. Mas logo que acordou entendeu o que aquilo quis dizer. Era o primeiro Arcano, era a garota que teria que procurar. 

    Não muito tempo depois o ônibus estacionou no campus da universidade e Laura pisou com o pé direito no chão. Deslumbrada com o excesso de grandeza da escola, sentiu-se como se tivesse saído do país e entrado em um local mágico, onde tudo era possível. A essa hora da manhã o lugar ainda estava vazio, apenas com os seus colegas do respectivo transporte explorando o local, então decidiu reconhecer terreno. 

    Pilares de mármore refletiam a iluminação encantadora da Rua Coberta, onde alguns alunos se reencontravam e colocavam o papo em dia. Laura, atenta, caminhou diante do grande tablado de mogno que decorava o local e deu de cara com um enorme restaurante de sanduíches em formato de um metrô, e de repente sentiu uma grande conexão, como se já estivesse estado ali. Era como se vento entrasse pelas suas narinas e circulassem pelo seu corpo, não tinha explicação, sabia que haveria algo de especial naquele local. Continuou a caminhar pela universidade até chegar no que assumiu ser a biblioteca. Era algo do futuro, tudo muito tecnológico e ao mesmo tempo rústico, sentia-se em casa. Havia um café ao fundo, com escadas e mais escadas como mesas, ao todo deviam ter uns dez andares de assentos. Com um desejo de se esquentar, pediu um café.

    Agora já haviam mais alunos passeando pelo campus, eram de diversas tribos: haviam os crentes, hipsters, atletas, gays, e patricinhas. Teria de ser versátil caso quisesse se aproximar de alguém. Quando percebeu, havia repousado seu olhar justo onde uma garota havia parado para tomar seu chá. Seus olhares cruzaram e ela sorriu, o que Laura não retribuiu. Se sentiu envergonhada e resolveu procurar o banheiro. Soube pelo folheto que os banheiros da biblioteca eram unissex, o que era bom, caso ela conseguisse o encontrar. Procurou corredor por corredor e nada. Quem sabe era lá fora? Saiu por uma porta de vidro e seguiu rumo, deu de cara com um pátio muito simpático porém nenhuma placa de sinalização.

    Já não sabia mais onde estava, cada esquina desse lugar levava a um novo pátio, e Laura não fazia a menor ideia pra que lado ficava a sua sala. Quando se deu conta, faltavam apenas um minuto para o início das aulas. Tentou pesquisar um mapa no celular, mas a rede móvel havia terminado na semana anterior. Virou à esquerda algumas vezes, mas nada pareceu funcionar, estava cada vez em um pátio novo. E a única coisa que habitava aquele lugar era ela e uma fonte de água escura, a qual dispunha de uma placa dourada que dizia: 

Fonte Baristo: desde 1820

    Lembrou que esqueceu o seu café na biblioteca, e ao chegar mais perto da fonte, tropeçou em uma pedra, levando seus óculos a voarem para dentro da fonte. Estava desesperada, atrasada e cega no seu primeiro dia. Tudo que enxergava eram borrões, bateu o joelho na fonte e caiu de bunda no chão. Foi aí que desabou no choro, teria como ter falhado tanto logo de início? Sorte que não havia ninguém para ver. 

No entanto, sentiu um arrepio na nuca e a mesma sensação que sentiu no restaurante Metrô. Era como se um espírito passasse por dentro de si. Virou de costas e enxergou uma silhueta, semelhante a de seu sonho, murmurar palavras inaudíveis.

    “O que?” respondeu Laura.

    “.... tá precisando ... ajuda?” disse a silhueta conforme foi se aproximando.

    A garota chegou perto e levantou Laura do chão, retirou os óculos de dentro da água e retirou da bolsa um kit de primeiros socorros, Laura ficou chocada com tamanha organização da menina. 

    “Meu nome é Manuela, mas pode me chamar de Manu!” disse.

    “Ah, muito prazer… Desculpa ter me encontrado desse jeito, geralmente as coisas não acontecem assim.” respondeu Laura.

    Ao aplicar um curativo adesivo no joelho de Laura, Manu contou também ter se perdido ao sair da biblioteca, procurando pela sua sala de aula. Já interpretando a persona, Laura não parou de falar um segundo sobre sua vida e como havia chegado até ali. “Espera. Tu também és da publicidade? Por acaso, tu tens Introdução hoje?” perguntou Manu.

    Animada por ter feito uma amiga de curso, Laura se levantou e lembrou que carregava consigo um mapa da universidade no caderno que havia ganho. Mostrou a Manuela e as duas seguiram caminho até a sala de aula. Laura soube naquele momento, que não era uma simples coincidência as duas terem se encontrado, havia sonhado com aquilo. Compreendeu naquele instante, que Manuela era um Arcano.

 


Notas Finais


Aguardem os próximos capítulos!


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