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História Os Contos de Nilihar - Capítulo 2


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Notas do Autor


Estou tendo problemas com edição e a formatação, então desde já, peço desculpa pelos possível erros.

Capítulo 2 - O garoto


Fanfic / Fanfiction Os Contos de Nilihar - Capítulo 2 - O garoto


  A luz invadia o quarto de taberna, onde o rapaz preparava poções curativas para Argus, havia encontrado o mago caído na clareira da floresta, após ter batalhado contra os espectros que ele mesmo perseguia, como pude perde-los, pensava. O jovem voltava de Bavia quando ouviu boatos nos vilarejos onde passava, sobre figuras estranhas que caminhavam durante a noite, deixando alguns mortos para trás. Após dois dias seguindo os rastros dos espectros, encontrou uma enorme labareda negra e Argus.

  - Gael, onde nós estamos ? --- perguntava Argus, ainda desorientado.

  - Na taberna do Leão Verde, eu o encontrei na clareira da floresta, e te trouxe aqui durante a noite.

  - Preciso beber alguma coisa.

  Quando Gael deu a poção para Argus, o mago sentiu sentiu o odor de ervas vindo do copo, arremessando-o na parede do quarto mofado.

  - Não quero chá de ervas --- gritou o mago--- preciso de pão e cerveja.


  Gael e Argus desceram as escadas em direção ao salão comum da taberna, o lugar era grande, com mesas de madeira bem distribuídas, ocupadas por elfos, anões, halflings e homens. Argus aproximou-se do balcão e pediu ao taberneiro peixe, queijo, pão e cerveja.

  - Me fale sobre Bavia --- disse Argus.

  - O rei Varnis aceitou um mago em sua corte, mas pouco sabe-se ao seu respeito.

  - Foi o que imaginei, por isso te enviei para lá, precisamos saber o motivo que fez Varnis acolher esse mago, os Bavios não toleram magia, é curioso que esse homem tenha algum espaço na corte.

  - Aquele reino já foi poderoso no passado, mas as guerras contra Nordavia destruíram a terra e acabaram com os recursos, Varnis pretende ver a antiga glória de Bavia restaurada.

  - Finalmente você usou essa coisa que tem acima do pescoço, Gael... se o rei em seu desespero aceitou um mago, a Bavia está pior do que imaginávamos e isso me preocupa, Varnis é um homem tolo.

  - Agora me fale sobre os espectros --- disse Gael --- o que eles eram?

  O mago mordeu um pedaço de peixe e bebeu um pouco de cerveja --- algo que não deveria estar nesse plano --- disse. O rosto do jovem homem era uma mistura de temor e confusão.

  - Nesse plano ?

- Poupe-me de sua tolice, Gael, quantas vezes vou ter que explicar, existem vários planos em Nilihar, o plano dos mortos, o salão do valor, para onde vão aqueles que morrem em combate,o plano dos deuses e o nosso.

  - Então, o que eles faziam nesse plano?

  - Uma vez no plano dos mortos, essas criaturas só podem ser conjuradas através do nosso plano, através do poder de um necromante poderoso --- apesar de não aceitar sua negligência quanto ao fato, Argus não imaginava que houvesse alguem com tal poder --- nós temos que encontrá-lo.

  - Como faremos isso ? Perguntou Gael

  - Você deve ir até Brighthold , contar ao rei o que viu naquela floresta, se ele tem um pingo de bom senso já reuniu um conselho e enviou os emissários, caso contrário, sua história deve persuadi-lo ... Isso não se trata apenas de um mágico barato brincando com necromancia, Gael, se eu estiver certo, a volta da Horda é iminente.

- E quanto a você, Argus ?

- Eu já estive na presença do rei, e já tive o bastante de sua teimosia, por hora, preciso encotrar algumas pessoas que nos ajudarão com o necromante.

  O mago e o garoto terminaram a refeição, arranjaram dois cavalos, em um estábulo próximo a taberna seguindo caminhos opostos, enquanto Argus rumou para o Oeste, Gael seguiu em direção à grande fortaleza, sede da realeza de Aernia.
  Enquanto seguia ruma ao seu destino, o jovem projetava o que poderia acontecer ao retornar para a velha fortaleza, não passava pelo arredores do lugar fazia sete anos, mas pensava que era bom estar em Aernia, seu lar.
  Seu destino não estava longe, apenas meio dia de viagem separava o castelo da taberna, atravessando a floresta onde encontrara Argus. Ao chegar na mesma clareira, Gael amarrou o cavalo em um tronco de árvore, passando a investigar o local, tarefa negligenciada no dia anterior, pelas circunstâncias do combate. A primeira evidência curiosa era o fato de as árvores em volta estarem intactas a despeito do incêndio causado por Argus. A segunda evidência era um frasco com um líquido rubro em seu interior, um tipo de poção que retardava danos causados pelo uso excessivo de magia, conhecido por Gael --- Isso não pertence aos espectros, pensou.
  Argus era um homem velho, muito velho, quando os anciãos ainda eram jovens, o mago já tinha uma idade avançada, ninguém sabia ao certo sua idade real --- ele já usa magia a muito tempo. Apesar da rispidez de seu mentor, Gael sempre enxergou Argus com uma figura paterna, desde quando deixou seu lar, sempre pensando que apesar de o mago ralhar com ele constantemente, era sua forma ranzinza de demonstrar apreço.
  Após examinar um local por mais um tempo, subiu no cavalo e seguiu viagem. Ao chegar aos portões da grande fortaleza, tirou o capuz do manto verde que cobria seu rosto, revelando os cabelos ruivos e um rosto jovem, sem rugas ou marcas do tempo.

  - Auto, quem vem lá? perguntava o guarda, que confrontara Argus anteriormente

  - Sou Gael, príncipe de Aernia, primogênito do Rei Eldon, venho ver meu pai.

  Os guardas, num piscar de olhos, ajoelharam e saudaram o príncipe, que a muito não viam. A imagem de um rapaz pacato, agora dava lugar ao esplendor inerente à realeza, apesar do tempo em que viveu como andarilho e aprendiz, Gael nunca se esquecera de quem realmente era, talvez por isso Argus o repreendesse constantemente, para quê o garoto, não desse lugar a persona de príncipe.
  Ao entrar nos portões de Brighthold, Gael, por um momento, voltou no tempo, lembrando do dia em que desceu a grande elevação que dava acesso ao salão real, pela última vez. Quando foi anunciado na presença do rei Eldon, o monarca mal conseguia esconder a emoção de rever seu filho depois de sete longos anos --- deixe-nos --- ordenou o rei aos membros da corte que estavam no local. O rei esperou pacientemente que todos os deixassem a sós, só então levantou- se do trono, desceu a pequena escadaria e correu em direção ao filho, com lágrimas no olhos, abraçando-o e agradecendo aos deuses por tê-lo de volta.

  - Não sabe por quanto tempo esperei o seu regresso, quando Argus veio até aqui, soube que você voltaria --- a voz do rei era pesada --- eu orei aos Deuses.

  - Meu pai --- o garoto também estava emocionado --- meu coração também se alegra em estar de volta, mas haverá a hora para a nossa reunião, em um momento mais apropriado, os tempos são escuros agora, preciso falar-lhe meu rei.

  - Depois de sete anos, o que poderia ser maior que este momento ? Que mal é esse capaz de ofuscar o reencontro de um pai com seu filho?

  Naquele momento, Eldon, o velho rei, estava despido de qualquer traço monarca que um dia carregou, naquele momento era só um pai, um homem grato aos deuses pelo retorno de seu primogênito.

  - Argus acredita que a Horda retornou, meu pai.

  - Meu filho, o tempo com Argus anuviou sua mente --- disse o rei de forma fraternal --- conheço seus truques a mais tempo que você.

  - Não, meu pai, eu vi, figuras negras na floresta, Argus as enfrentou, toda Nilihar corre perigo.

  - O rei soltou seu filho dos braços --- não acredite em tudo que um mago diz --- disse.

  - Pai, Argus me disse que veio aqui, me pediu para retornar à Brighthold, o senhor tem que agir depressa.

  - Meu filho, não vê que foi usado pelo mago, para me pedir que de aval à suas loucuras, Nilihar nunca esteve tão segura, já é tempo de voltar para casa meu filho.

  - Não me esqueci de quem sou, pai, mas Argus viu os presságios, ele não te disse ?

  - Sim, ele me disse, mas eis o segredo que ele esconde de você, os magos criam problemas, enxergam trevas onde não há, para quê possam serem úteis, caso contrário, que serventia teriam seus conselhos ?

  - Ele foi seu conselheiro por anos, pai.

  - No entanto, fui eu quem governou Aernia, fui e não Argus quem lutou nossas batalhas, fui eu quem escreveu a história de nosso povo, Argus era um pássaro que sussurrava os próprios desejos em meus ouvidos.

  - Por que o odeia tanto --- indagou Gael

  - Ainda ousa perguntar?! Argus tirou você de mim, deturpou a sua mente, distanciando-o do caminho que deveria trilhar, privando-te da sua real responsabilidade como futuro rei. Agora você persegue exércitos imaginários, caçando lendas.

  O garoto estava impaciente, seu caráter fora moldado pelo velho mago, apesar de amar Eldon, fora Argus quem o criou nos últimos anos, era desconfortável ver o pai maculando a imagem de seu mentor.

  - A Horda não é uma lenda, pai.

  - Apenas magos e elfos acreditam na existência da Horda, o consumo de cogumelos acabaram com sua razão, pessoas que vivem o mundo real, tem problemas reais com os quais se preocupar, será que não vê?

  - Vejo que Argus estava certo, vejo que o senhor, meu pai, esqueceu dos poderes que o fizeram rei, o poder o cegou, a coroa já não permite que pense diferente de outros reis... Quando a sabedoria de Eldon deu lugar a loucura inerente aos tiranos?

  As palavras do príncipe, enfureceram o velho rei --- quem esse garoto pensa que é, para julgar um rei? pensou.

  - JÁ BASTA !!! gritou o rei --- seu lugar é em Aernia, deve assumir seu lugar no trono quando eu me for, você já não é o menino que se encantava pelas mágicas de Argus, você agora é um homem.

  O jovem príncipe, manteve o olhar firme nas pupilas do rei, não queria magoá-lo, mas tampouco deixaria que o ceticismo do pai, destruisse suas convicções, tanto quanto à Horda, como a Argus.

  - Mas, foi ele que me transformou em um homem --- disse o príncipe --- foi Argus e não você meu pai, que me ensinou a ser o que sou.


  O rei, agora, estava imóvel, sem reação após ouvir o que o filho havia dito, não havia mais argumentos que pudesse utilizar, Gael havia tocado em uma ferida que nunca cicatrizara--- há feridas que não se fecham ---sabia que Argus era poderoso, sabia do medo que sentira quando o mago o confrontou na noite anterior, lamentava ter sido fraco, por não ter protegido seu primogênito das garras do mago.
  A tarde já deslumbrava o crepúsculo, dando lugar a noite de lua cheia, o brilho que entrava pela janela do salão real, refletia na coroa do rei, assim como as tochas no local.

  - A noite em que Argus o levou, era de lua cheia, como essa, só os deuses sabem o quanto sofri vendo você partir, o reino foi a força que me manteve de pé na hora mais escura, o povo de Aernia foram os meus filhos naquele momento, mas nunca preencheram o vazio que vc deixou... Quando sua mãe morreu, prometi a ela que cuidaria de você, me casei novamente pois um rei precisa de uma rainha, tive outros filhos, mas você Gael, sempre foi especial... E agora depois de tanto tempo você renuncia ao seu direito legítimo, para seguir Argus?!

  - Pai...

  - Cale-se --- O rei disse, calmamente , com lágrima nos olhos--- seu pai é um velho homem de manto e capuz... eu sou o pai de Aernia, devo cuidar dos meus filhos, sete anos atrás, fui negligente, e Argus o tirou de mim, não o defendi como deveria, Gael, não cometerei o mesmo erro com Aernia... reunirei o Conselho pela manhã, você deve reunir-se conosco, depois disso vá embora de Aernia... você não é mais meu filho, é apenas o aprendiz de um mago, que veio até mim como seu mensageiro.

  O rei retirou -se do salão real, deixando Gael sozinho, enquanto o garoto pesava sua decisão de apoiar Argus... poderia voltar para Aernia e assumir seu lugar como príncipe, fazer a vontade de seu pai e se tornar rei um dia, esse não sou eu, essa vida ficou para trás, essa era sua escolha, não havia dilema nesse caso, se a Horda retornasse, não haveria Aernia para governar e para derrotar o exército dos mortos, Argus contava com ele.







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