História Os contos do Príncipe Mestiço, o "covarde" - Capítulo 5


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Categorias Harry Potter
Personagens Severo Snape
Tags Drama, Harry Potter, Principe Mestiço, Severo Snape
Visualizações 98
Palavras 1.073
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - O feitiço impossível de realizar (a corça deformada)


— Queridos alunos, hoje tenho algo especial para vocês!

Ao escutar a voz do mesmo professor, Severo quis ter faltado a aula. Não gostava de ter de realizar feitiços na frente de todos, uma vez que se sentia inseguro e o medo de errar o dominava, dizendo que era melhor sequer tentar.

— Na nossa bela aula que vai se seguir, aprenderemos o feitiço do patrono — continuava o professor, analisando os rostos curiosos dos alunos. — Um patrono é capaz de protegê-lo, como um escudo, mas precisam de algo para que isso se torne realidade. Alguém sabe me dizer o por quê? — O silêncio se alastrou, pois ninguém estava achando graça alguma em aprender algo novo. — Uma lembrança feliz. Uma que te envolva e o faça se afundar nela. Somente isso.

Não vou conseguir fazer isso, foi o primeiro pensamento de Severo após a resposta do professor. Suspirou agoniado, gostaria de reunir coragem suficiente para sair sem dar explicações, mas não queria ser rude a esse ponto. E o que ele teria de bom para pensar? Os momentos de humilhação que vem passando em Hogwarts, o inferno infinito que vive dentro da própria casa, ver a amiga e eterno primeiro amor o abandonando e o deixando de lado como se ele não existisse, o fato de estar sozinho em todos os dias e horas que se passam, na enorme solidão e vazio que o envolve lhe dizendo que a solução seria parar de ter um coração batendo? Isso certamente não o ajudaria. Dessa forma, seu patrono acabaria sendo um dementador.

Vários alunos se dividiram em grupos e ele ficara sozinho no canto da sala, sentindo uma ligeira inveja daqueles que tinham companhia. Tentando não se importar, teve de começar a pensar em alguma lembrança feliz, algo que não o envolvesse chorando, qualquer aspecto de um mínimo de alegria que aqueceu seu coração.

Lílian...

O nome piscou em sua cabeça, o fazendo observá-la sorrindo com os cabelos em uma trança que descia por seu ombro direito. Lílian, a mesma que fazia seu coração acelerar quando o tocava. Lílian, aquela que era capaz de tirar a carranca de seu rosto e o fazer sorrir. Lílian, a única garota que ele adorava ver sorrir, que deixava que o abraçasse, que amava quando dizia seu nome completo como se o chamasse para que ficasse mais perto dela.

Repetindo as duas palavras, ele viu algo sair da ponta de sua varinha; uma pequena luz azul se aumentava, o fazendo se impressionar, se formando devagar em uma corça já adulta. Pôde ouvir os alunos exclamando e sentiu os olhares sobre si, alguns impressionados e outros com raiva por sempre acabar atraindo olhares para ele.

— Isso está incrível, Severo! — gritou o professor do outro canto da sala, lhe lançando uma risada longa. — Você é realmente o meu melhor aluno!

Em algum momento após essa resposta, algo deu errado. As memórias dos outros professores lhe dizendo que era o melhor aluno invadiu sua cabeça, com as pessoas que repetiam que todos eram puxa-saco de Severo; as doces e belas memórias com Lílian se transformaram nos momentos em que ela o empurrava para não ouví-lo, quando se recusou a ao menos encontrá-lo, no dia em que o abandonou.

A corça pareceu diminuir o seu tamanho, agora estava acuada e com medo. Seus olhos estavam tão tristes que as lágrimas pareciam querer escorrer. A boca se abrir lentamente e o som era ruim, fazendo eco por todos os lados. De imediato Severo soube de onde era e de quem pertencia, pois era ele, quando tinha oito anos, soluçando por seus pais não pararem de brigar, o que o chateava imaginando por quê não podia ter uma família feliz como as outras crianças.

Severo não pôde ouvir por muito tempo, jogando a varinha no chão para observar o animal desaparecer aos poucos junto com seu choro incessante. Espantado, olhou para frente percebendo nos olhares confusos.

— Tudo bem, Severo, não fique triste por isso ter acontecido — dizia o professor conforme se aproximava dele, segurando em seus ombros. — É um feitiço novo e a primeira vez que o executa, claramente que teria erros.

Não é normal que isso aconteça, professor, retrucou ele mentalmente, eu sei quando não consigo fazer algo com perfeição.

— Você está bem? Quer ficar um pouco lá fora? — perguntou o mais velho, o balançando de leve. Severo apenas confirmou com a cabeça.

Ao atravessar a porta velha e enferrujada, se apoiou na parede suspirando novamente. Por não se interessar por feitiços não tinha muito interesse sobre eles, mas já havia ouvido algumas coisas sobre o do patrono; se recordava de ler que alguns bruxos nunca conseguem fazer um perfeito, que os protejam por muito tempo sem que ele se desfaça poucos segundos depois. A razão por isso, porém, era um mistério.

Vendo o professor apreensivo ao seu lado, ele resolveu perguntar.

— Por que o meu patrono não aguentou por mais tempo, professor? — questionou ele um pouco receoso.

— Bem... — Suspirou, cruzando os braços. — Às vezes, Severo, as pessoas passam por muitas coisas que afetam a cabeça e o coração. Isso afeta no feitiço do patrono pois não consegue pensar em algum momento feliz, não é capaz de sentir dessa forma... então o patrono se desfaz, tomando a forma de algum momento do passado que o afetou o bastante para permanecer em sua memória para sempre.

Então, era isso. Severo era incapaz de fazer algo simples assim por conta de sua alma deprimida, que realmente já havia se esquecido do que era a felicidade ou ao menos uma sensação alegre.

— Tem algo que posso fazer para concertar isso? — retomou ele, agoniado com a ideia de acabar sendo um fracasso nessa parte.

— Talvez seja possível, sim. Você tem apenas quinze anos, com o tempo vai aprender a lidar com as emoções, vai saber o que é a felicidade — respondeu o professor, lhe lançando um sorriso de conforto com a mão apoiada em seu ombro. — Vai conseguir, Severo, tenho certeza. Não se preocupe com isso.

Ele nunca conseguiu realmente. Algumas vezes sim, porém nunca sempre. Seu patrono chorava e chorava, o fazendo desistir de realizá-lo pelo som ser tão torturante.

Uma das partes fracassadas de Severo que quase ninguém sabia que era possível existir, escondida pelo mesmo para que não soubessem e o relembrasse que todos sabem fazer algo tão simples.

Mas sua corça deformada continuava a derramar lágrimas, mesmo quando ele dizia para parar. Assim como o dono dela.



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