História Os Corvos do Oriente - Capítulo 7


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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Isabella Yang, Jean-Jacques Leroy, Lee Seung Gil, Leo de la Iglesia, Michele Crispino, Otabek Altin, Phichit Chulanont, Victor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Tags Boyxboy, Chris, Demonios, Otabek, Otayuri, Phichit, Romance, Victor, Victuri, Viktor, Viktuuri, Yaoi, Youkai, Yurio
Visualizações 68
Palavras 5.462
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu juro que eu até quero reler e tirar os erros mass.... Eu leio ai penso "uhmmmm... deveria postar logo pras people lerem"

Ai já viram né? sksks

Mas é sério, se virem os errinhos me avisem. Vocês vão estar me ajudando muito.

Boa leitura meus corvinhos! (eu não podia esquecer disso...kskssk)

Capítulo 7 - Dion - Youkais


- Bom dia, irmão querido do meu coração. Que tal uma foto eim?

- Você não vai me enganar com esse truque hoje, Phichit. - Yuuri sentou-se a mesa, esfregando os olhos e se apossando da tigela de cereal. - Mesmo que na verdade isso - Apontou para comida. - Esteja funcionando muito bem.

Yuuri estava com o cabelo bagunçado, e com roupas escuras e quentes. Usava suas pantufas prediletas -de "Kero" de Sakura Card Captor- e havia esperado pacientemente que Viktor e Yuri -apelidado de "Yurio" hoje cedo pelo que o Katsuki ouvira do quarto- saíssem para o trabalho -ou onde quer que fossem- para que assim saísse do quarto e viesse conversar com Phichit sobre o que havia acontecido ontem. Pra sua sorte, os dois russos saíram logo cedo, e ali estava ele. Comendo cereal enquanto Phichit bebia café e comia algumas bolachas a sua frente -fingindo o maior interesse possível em seu Instagram.

- Comece quando quiser. Eu tenho o dia todo. - Disse tirando os olhos da tigela para encarar o irmão por alguns segundo. - Na verdade eu estou bem curioso então se puder começar logo eu agradeceria.

Phichit ainda suspirava, e juntava toda coragem e sabedoria que poderia ter para começar aquilo. Não seria nada fácil.

- Sabe Yuu-kun... Nós não somos exatamente... Humanos. Estamos mais para youkais.

- Tipo aqueles dos animes e tal?

- É. Só que existimos, e temos nosso próprio "mundinho". E reis, e princesas, e magias, e histórias e tudo. - Ele começou, já um pouco entusiasmado. - Somos uma outra espécie quase, com outra história totalmente diferente Yuu-kun, enquanto vocês nem imaginavam, já existíamos.

- Tá bom... E... Você é o que? Um gato, um cachorro, um escorpião?

Phichit riu e respirou fundo antes de continuar. O medo inicial da rejeição já havia passado um pouco e ele se sentia cada vez mais entusiasmado até para trazer o irmãozinho para o seu mundo -seria divertido vendo o entusiasmo dele ao ver a vila que sua família ocupava na Tailândia, ou o local de treinamento em Kyushu. Quem sabe não fosse uma ideia tão horrenda ele estar descobrindo sobre a verdadeira situação dele -pelo menos um pedaço.

- Eu sou um Tanuki.

- Tanuki tipo... Tanuki? Com rabo e pegadinhas? Como nos contos? Tinha algum neko lá na sala? E vampiros? - Yuuri não pôde deixar de sorri, entusiasmado, mesmo que ainda não se achando realmente pronto para entender o que se passava ali. - E o mundo de vocês não está em guerra nem nada, ou crise, qualquer coisa? E por que eu tô descobrindo isso? Não era pra ser um segredo? Ou todos os humanos sabem, ou melhor, humanos especiais? Eu sou um deles? Eu não sei se eu quero...

- Calma. - O tailandês sorriu vendo o irmão começar a se interessar cada vez mais com a ideia. Era novo ver o Katuski tão entusiasmado com algo que não fosse seus estudos ou patinação artística. - Deixa eu explicar primeiro bem direitinho, okay?

- Tá bom, tá bom.

- Existem youkais ou como quiser nos chamar em qualquer lugar do mundo. Os mais fortes representam entidades das mitologias dos povos humanos, e não fazemos a mínima ideia de como viemos parar aqui. Acredita-se que os primeiros youkais apareceram da imaginação dos seres humanos, principalmente, crianças e velhos. Os mais fortes entre nós, ou de linhagem mais pura, acabaram virando Reis, e por ai vai, arquiduque, baronete e tudo mais. Como uma monarquia mesmo. Acompanhando?

- Sim, sim...

- Bem... Dizem que uma mentira repetida três vezes se torna uma verdade não? Um youkai imaginado três vezes, se torna real. É nisso que acreditamos pelo menos. - Phichit deu uma pausa para prosseguir de onde tinha parado, mas já estava se confundindo com as informações que apareciam em disparada em sua mente. - Houve uma grande guerra, e alguns youkais se envolveram com humanos, e então, resolvemos separar o mundo em quatro grandes territórios. Nós não, o mais poderoso dos youkais, Yohi, o corvo branco.

(...)

"Ao Leste, todos os campos férteis e terras preciosas, que para os homens ainda nem eram descobertas. Um pequeno paraíso na terra. Ao sul, as terras geladas, e os desertos quentes, onde há todo tipo de língua falada e iguaria preciosa. Para o Oeste, ficaram as grandiosas famílias, e os sangue puros que não se misturam. Os mais antigos, e de culturas primordiais. E para quem se encaixa no que é novo e não se adapta bem a precariedade, fica para vocês as terras ao Norte, onde os mais místicos povos se criaram, e imaginaram entre eles os mais loucos youkais.

Os youkais então se dividiram.

Ao Leste os que vem da natureza;

Ao Sul os grandes guerreiros;

Para o Oeste se propuseram os mais poderosos em magia;

E ao Norte os que acreditam no futuro.

Cada youkai, independente da raça, da idade, ou da posição, estariam fadados a obedecerem seus líderes, e viverem bem com todos os tipos de humanos.

Toda via, seus líderes deveriam ser os mais justos, e os mais valentes.

Escolhidos por sangue e força, inteligência e honra, coragem e bravura."

(...)

- Claro que os territórios mudaram um pouco hoje em dia. Tem territórios maiores e mal divididos também.

- Mas então sendo assim, - Perguntou ignorando os comentários sobre geografia. - Os seres humanos não sabem sobre os yokais, sabem?

- Então, isso é mais complicado. – Phichit então levantou-se e recolheu a louça suja, pondo-a na pia. – Eles podem nos ver, mas na maioria não sabem da nossa existência. Eles não querem nos ver, e não tem tempo para parar e se perguntar quem somos nós. É mais uma questão de não quererem nos ver. E é claro, existem os caçadores. Humanos com habilidades especiais de sentir youkais a distâncias incríveis, e com habilidades opostas as nossas.

- Mas, como assim? Como eles tem esses poderes?

- Youkais são feitos de imaginação, certo? - Yuuri acenou com a cabeça. - Eles são movidos pela crença na nossa não existência. Eles são movidos pela sua falta de credibilidade na gente. São céticos. Só que não do bom tipo.

- Você pra mim está criando um roteiro digno da minha próxima maratona de animes. Olha, seria espetacular ver uma loucura dessas, ou uma fanfic!

- Foco Yuuri!

- Calma, tô concentrado.

- Além deles existem humanos que sabem porque se apaixonaram por youkais. Casos bem raros.

- E mestiços então?

- Nenhum que tenha sobrevivido até aqui.

Ele fez uma cara de desanimação.

- E é terminantemente proibido de todos os humanos saberem. Caso algum descubra, você deve informar a um superior e esperar que ele tome as providencias certas. A casos e casos. Em alguns lugares você paga uma taxa, cadeia, trabalho comunitário, apagam a memória ou coisas piores.

- Hum... Mas... E eu? Por que eu sei? Eu sou um humano.

Phichit então o olhou com súplica nos olhos, pensando como enrolaria ainda mais o irmão e provavelmente os maiores líderes do reinado do sul por quanto tempo fosse preciso. Ainda não saberia como revelar o resto da verdade para ele -todos os detalhes que tinha conhecimento, e os que ele ameaçara pessoas e toda a sua família para descobrir. Afinal, além de ser O Corvo Branco, havia outra coisa que, para sorte geral da nação, o rei ainda não havia percebido. Ele era um Xiannot.

E mesmo que as pessoas fingissem se esquecer de quem era aquela incrível e grandiosa família, era mais do que claro que se descobrissem que havia um Xiannot vivo... Ah... Phichit nem queria imaginar...

- Olha Yuuri... Eu vou ser bem sincero. Isso aqui não é nenhum dos seus desenhos. É vida real. - Phichit segurou as mãos do irmão mais novo. - E pode ser muito perigoso entende?

(...)

Viktor saia da reunião um tanto distraído, a secretária falava algumas coisas das quais ele nem ao menos fazia questão de prestar atenção e imaginava que se arrependeria daqui a pouco -mas ela teria que lhe perdoar e repetir tudo do início. Ele estava muito ansioso. Queria saber como Yuuri estaria reagindo a tudo: as divisões de territórios, os títulos nobiliárquicos e as aparências de cada um dos youkais. 

Era um mundo novo dentro do antigo mundinho dele -tão pequeno que ele sentiria até falta. Era perigoso, diferente e cheio de tradições estúpidas -mas importantes. E por mais que se sentisse muito estranho pensando isso, o russo queria estar ali para ver como ele reagiria, e explicar-lhe tudo. Queria que pudesse ser ele a lhe dizer que tinha poderes incríveis, e que nunca mais veria as pessoas com os mesmos olhos. Queria que ele viesse lhe contar quando sentisse pela primeira vez realmente a aura dos outros, ou quando voasse com suas asas.

E era bizarro o desejo de protege-lo e cuidar dele, um sentimento estranho e involuntário que ele não saberia explicar com certeza -e que se desenvolveu desde que bateu os olhos na figura bestial.

"O que você está pensando retardado?".

- VELHO! - O menino loiro atravessou a sala com toda a pressa possível. Chegava com um papel em mãos e tinha no rosto avermelhado uma carranca de raiva. - Porque não me avisou que ele estava chegando?! Desde quando ele enviou o relatório?! VIKTOR NIKIFOROV!

- Oi! - Viktor levantou os olhos e sorriu de maneira abobalhada por demorados segundos.

- Que transe é esse seu velhote? Tá com dor de novo? - Perguntou quase preocupado, passando a mão na frente do rosto do outro enquanto parecia ter um olhar vazio. Entretanto, mesmo realmente curioso com a situação do mais velho, Yuri estava pensando em outra coisa. - Não importa. Você melhora. Presta atenção. Desde quando Otabek está voltando?

- Ah... Bekatchka volta hoje ainda.

- De onde surgiu esse apelido ridículo? - Viktor o ignorou.

- O relatório chegou semana passada. Mas ele disse que tinha assuntos a resolver e saiu novamente.

- Ele esteve aqui?! Como você pôde não me falar isso?!

- Eu estava ocupado Yurio! Não posso dar conta de todo um reinado e da sua vida também!

- Que da minha vida?! E dá pra parar com esse apelido idiota?! - Yuri então respirou profundamente e suspirou tentando voltar a ficar calmo e recuperar sua paciente. "Porque estava irritado mesmo?". - É só que eu não providenciei nenhum lugar para ele ficar dessa vez. Era para você ter me avisado antes! - Yuri mexeu em alguns papéis que tinha trazido e tentou exercer sua função de príncipe com toda autoridade que deveria ter, mas havia perdido completamente com aquela conversa.

- Ta bom, então aproveite o seu tempo livre e faça isso agora. - O loiro o olhou irritadíssimo, principalmente com o tom de voz que aquele homem descarado estava usando. "Desde quando ele era tão mandão?". Era quase seu horário de almoço, claramente não deveria ter que fazer nada. - Vai, vai. Por que ainda está aqui?

- Já estou indo, vossa majestade. - Debochou.

Vitya não se importou -nunca se importava para falar a verdade-, e apenas observou o outro sair bastante irritado da sala. Sabia que havia soado um pouco maldoso, e não era sua intenção, afinal Yuri não merecia isso. Mesmo que as vezes soasse como um adolescente humano apaixonado -coisa que ele com toda certeza estava por sinal- ele não merecia seu mau humor, ou palavras cruéis. Então se redimiria depois, falando algumas bobagens também e uns abraços que ele impediria de acontecer,

Lhe disseram uma vez que a honestidade valia apena em alguns casos específicos: amores e amigos, mas nunca negócios.

Viktor se levantou e buscou o paletó antes de decidir que almoçaria em casa, e então, poderia matar a sua curiosidade sobre o tanuki e o corvo que havia abrigado -ou raptado tendo em vista a situação atual.

- O meu corvinho. - Falou sorrindo. - Quero ver o que Alany vai falar agora.

(...)

- Phichit! Tem alguém que não para de te mandar mensagem!

- Cadê o telefone?

- Aqui na sala.

O Chulanont deixou o notebook de lado e assobiou uma música que não saia de sua cabeça fazia dias, enquanto seguia o cheiro bom dos omeletes que Yuuri fazia para o almoço até a sala. Yuuri reclamou do apito incessante do telefone novamente e Phichit sorriu brincalhão antes de arregalar os olhos e ignorar os comentários de Yuuri sobre a comida. 

Leu todas as mensagens com rapidez, os olhos de um lado para o outro, cada vez mais arregalados e arregalados enquanto a história terminava. No final, Phichit buscou o casaco e depois de digitar uma resposta rápida no telefone pegou as chaves. Não sorriu quando saiu. Muito pelo contrário, lançou um olhar severo para o nada enquanto fechava mais ainda a face.

- Estou saindo. Pode almoçar sem mim.

- Phichit-kun? Pra onde você vai?

- Já volto Yuu-kun!

Yuuri tentou ir atrás dele, mas acabou apenas por queimar uma das omeletes que fazia antes de voltar para cozinha. Então, depois de desligar uma das bocas, Yuuri ficou um pouco temeroso em relação ao que havia acontecido. Será que seria algum problema? Algo na faculdade? Ou então com o mundo dos yokais? Será que Phichit ficaria bem?

Agora que Yuuri sabia da existência de todos aqueles seres, ele estava cada vez mais preocupado com seu irmão, e com o que ele poderia fazer para impedi-lo de sofrer alguma coisa. Será que estaria tudo bem? Será que ele voltaria completo? Sem faltar nada? Ou será que já havia se machucado muitas vezes antes e essa seria apenas mais uma?

O menininho que sofreu bullying quando chegou na escola. Que nunca passou para o time de basquete por ser muito magricelo e cair sempre nas aulas de educação física como um "paspalho". O mesmo menino que ficou escutando piada consigo porque faziam patinação artística e se davam bem no balé. Quem daqueles brutamontes chatos do colégio poderiam dizer que seria ele um forte e corajoso yokai? 

- Só tomara que ele volte inteiro. Apesar de que... Eles se regeneram mesmo né?

Então virou-se para a cozinha e se concentrou em terminar o almoço, que agora era muito para só uma pessoa. Tinha arroz de mais, salada cozida e omelete a mais, especialmente do jeito que Phichit gosta. Com queijo, e bastante carne. Já o dele, parecia um matagal colorido cheio das mais diversas folhas e verduras, sem um pedaço de queijo, e com muito frango. Yuuri então já ia desligando o fogão quando sentiu duas mãos tamparem seus olhos.

- Quem é?

Ele deu um salto no lugar de surpresa, mas tentou se acalmar respirando fundo e sorrindo. Quem quer que fosse, não iria lhe fazer mal, afinal deveria ter entrado pela porta da frente -já que não ouvira nenhum barulho- e só conhecia três pessoas que tinham a chave do apartamento. A voz não lhe era desconhecida, então suspeitou que fosse Phichit e torcia que sua preocupação fosse apenas a toa -ele teria desistido, ou já teria resolvido o problema, então almoçariam juntos e tudo ficaria tranquilo. Afinal, se não fosse ele, teria que achar que o loirinho adolescente mau humorado - Yuri Plisetsky- havia se drogado ou bebido para estar brincando assim consigo.

- Phichit-kun?

- Errou. Mais uma chance.

- Yuri? - Estranhou, mas não deixou de tentar. Nisso, as mãos descobriram seus olhos e lhe viraram pela cintura, como se fossem um casal apaixonado.

- Que horror. Você me confundiu com eles? Poxa Yuuri-chan! Esperei mais de você.

- Ahm... Não foi por mal... Não te reconheci. - Falou se afastando e voltando a atenção ao almoço. Só a presença do Sr. Peculiar já lhe arrepiava a espinha e fazia suas pernas balançarem feito gravetos. O que quer que esse homem tivesse em sua vida, Yuuri conseguia sentir que era pesado.

Passava-lhe uma sensação ruim.

- Hum... Está com cheiro gostoso. O que tem para almoçarmos?

- Você vai querer? Phichit-kun não vai comer então, pode ficar com a parte dele. - O Katuski disse pegando os pratos e talheres, e entregando a Viktor os dele.

- Por que? Ele saiu?

- Sim. Saiu correndo para algum lugar sem dizer nada.

- Mas ele falou sobre...

- Youkais? No Sul é yokais não é? Ele comentou que tinha umas variações linguísticas e...

- Sim. E lhe falou sobre você...

- Ele parou ai, disse que eu não era um humano normal e que depois me explicaria melhor. Deu a desculpa que eu precisava fazer o almoço e fugiu pro quarto.

O platinado sorriu, terminando de por o prato e acompanhando o japonês até a mesa americana do lugar. Eles estavam sentados de frente um para o outro, e Vitya observava cada detalhe de Yuuri enquanto ele comentava algumas coisas, ainda meio envergonhado com a presença do outro, mas curioso e entusiasmado com tudo.

- Você sabe me dizer o que eu sou?

- Sei. -Sorriu. - Melhor... Eu posso lhe mostrar o que você é.

(...)

O menino de cabelos castanhos suspirou cansado de esperar. Fazia alguns minutos que esperava pacientemente uma terceira pessoa, e estava começando a se irritar com o atraso e a falta de resposta do homem ao seu lado. O coreano parecia intocado, enquanto o chinês queria começar a rir da sua cara, se isso não acabasse lhe rendendo alguns machucados ou respostas malvadas.

- Ele lhe deu um bolo. E olha que você veio até aqui só pra ver o moleque! - Falou o homem de cabelos castanhos sorrindo de orelha a orelha. Homem esse que parecia mais um adolescente, principalmente enquanto segurava seu rosto nas mãos e bufava feito criança. Tentando tirar a paciência do mais velho e assim conseguir chegar logo em casa. - Achei que ele valeria a pena. Acho que me enganei. Que bom que não foi só eu né?

- Ele vale a pena. Disse que já estava vindo...

- Já estava vindo? A quantas horas atrás? Não tem todo esse trânsito em Moscou não, sabia? - Comentou o chinês mirando novamente o prato como quem desiste da própria refeição, deixando-a de lado. - Deixe o Chris saber que estive zanzando por aqui. Sou deportado.

- Ele nunca faria isso com você. Talvez o Vi.

- Nunca duvide das pessoas, e...

- Nunca acredite nos reis. Fui eu que te ensinei isso sabia Ji?

- Shhhh! - Ele fez com o dedo. - O que falamos sobre meu nome ou apelidos?

- Nenhum que possa revelar sua identidade de verdade, já sei, já sei... - O mais velho falou enquanto mexia no telefone, sem parecer se importar nem um pouco com o que acontecia. - Menininho. Melhor?

- Eu me sinto uma criancinha. - Ele falou já se levantando. - Eu já vou indo. Já extrapolei o meu horário.

- Não vou pedir pra ficar. Você é uma péssima companhia. - Ele disse sem olha-lo e ignorando a cara de rabujo do outro.

- Primeiro: eu sou uma companhia maravilhosa! Segundo: diga ao seu ratinho de estimação que eu espero a volta dele.

- Não espere que eu lembre disso.

O chinês de cabelos castanhos então saiu. Ele estava de calça jeans e uma camiseta preta. Antes de passar pela porta da frente buscou seu casaco, que para o frio não deveria servir muito, e sorriu pequeno enquanto assobiava baixinho. Saindo sem observar as pessoas que passavam ou esbarrar-se nelas, ele se assemelhava a um fofinho e peludo coelhinho. Assim que o frio se chocou contra seu nariz, ele o remexeu feito o mamífero e saltitou esfregando as mãos umas nas outras. Assim, não percebeu o moreno que passou arfando por si, desesperado e apressado como quem havia atrasado horas.

Phichit não andava, ele corria, e conseguira a proeza de parecer cansado -e suado- em pleno frio, como se aquilo fosse o calor infernal do Rio de Janeiro, e não uma temperatura abaixo de zero. Ele não demorou para achar os cabelos negros na pele pálida do homem, que se levantou para dar-lhe um abraço demorado -incomum de seu comportamento introvertido-, roubando todo o calor do corpo dele.

- Que saudades. - O rostinho do pálido coreano surgiu, encostado no pescoço do tailandês, deixando passar apenas os olhos negros como pedras de ônix.

- Você nem imagina quanto Phichit. - Respondeu, levantando o rosto para dar-lhe um beijo suave, de cumprimento casual, mas seus olhos confirmavas as súplicas da saudade e desejo.

(...)

- Viktor se você aprontar alguma coisa comigo. Eu juro que eu lhe deixo estéril. - Yuuri murmurou. - Na verdade o Phichit vai fazer isso.

Ele arregalou a sobrancelha para a ameaça, mas logo sorriu ao ver o jeitinho tímido dele, e concordar internamente que aquilo provavelmente poderia acontecer sim.

- Confie. E feche os olhos.

O japonês, em pé no meio da sala recém mobilhada - com um belíssimo sofá, da casa antiga dos irmãos, e uma mesinha de centro dos russos, com uma televisão bastante espaçosa presa na parede- estava estático e apreensivo. Os olhos fechados aguçava os outros sentidos, e isso o deixava mais curioso ainda. Se ele era um youkai, será que era uma raposa também como Viktor? Ou um dragão? E por que tanto mistério?

Ele sentiu então o vento gelado que vinha da varanda entrar na casa, sacudindo o seu cabelo e arrepiando sua espinha de frio, mas em contra partida sentiu um ar quente se aproximando, e parecia mais próximo de Viktor, como se o Sr. Peculiar estivesse o protegendo do frio com seu próprio corpo. E então tudo ficou mais quente. Mais agradável, e como quem não quer nada -ou não espera por nada-, ele sente os lábios frios dele sobre os seus, e quase como em um filme, uma onda de calor - não uma corrente elétrica como era de se esperar - lhe percorreu o corpo, deixou suas pernas bambas, seu coração acelerado, seus braços trêmulos e suas mãos incapazes de reagir. Por um minuto o japonês endireitou os braços no pescoço do russo, e foi quando notou que ele estava muito inclinado para beijar a si e suas mãos lhe puxavam para cima -querendo tirar-lhe do chão.

E foi quando os lábios dele cederam o contato, que como numa onda de fulgor e alegria tudo voltou a ser cinza -e Yuuri ficou vermelho de vergonha assim que pôde observar os olhos azuis do homem, enquanto sua cabeça não conseguia raciocinar o que estava acontecendo.

- Antes de surtar, se olhe no espelho.

E como uma criança obediente Yuuri aproveitou a desculpa para não olhar mais o seu companheiro de apartamento, e seguiu até o primeiro quarto do corredor -o de Viktor, já que o seu era o último, e os de frente um para o outro eram de Yuri e Phichit-atrás de um espelho de corpo todo para seguir a orientação.

Ele arregalou um pouco os olhos antes de prestar atenção aos detalhes da sua nova forma. Lá estava Yuuri, ou alguém que deveria ser ele, já que não se reconhecia. Seus cabelos pretos estavam grandes, e passavam de sua cintura -o que lhe fazia lembrar dos youkais de seus animes. Suas unhas se assemelhavam a garras afiadas de animais selvagens porém suas presas não machucaram em nada e nem se sobressaíram na imagem. Sentiu seu rosto mais afilado e suas orelhas pareciam a de elfos, inclinadas para o lado e bastante pontudas. Seus olhos escuros pareceram vibrar como brasas em chamas e em cima de suas sobrancelhas linhas curvadas que se seguiam até um único ponto no meio -tudo em uma coloração alaranjada feito fogo.

- E isso é só o começo. Vira. - Yuuri não pestanejou em obedecer, e Viktor passou a mão pelas suas costas e uma dor lhe consumiu rapidamente.

Ele sentiu um grito entalar na garganta mas segurou, como se algo se desprendesse do seu corpo, e rasgasse a sua roupa. E lá estavam elas. Duas grandiosas asas brancas cheias de penas intocáveis de um branco tão claro quanto geada. Ao seu redor uma aura de pureza, que parecia recriminar o toque da raposa, e as asas -como de um belíssimo corvo- eram imensas e se arrastavam no chão pelo tamanho pequeno do japonês. Seu topo ultrapassava um pouco a cabeça do homem, e se arrastavam até o chão. Belíssimas como se Yuuri fosse um puríssimo anjo. Uma beldade.

Ele se admirava no espelho enquanto o russo se transformava atrás de si. Ele parecia tão mais natural daquela forma, e mesmo assim tão mais bestial quanto si mesmo. Seus cabelos compridos eram certamente macios e mais lindos do que curtos -brilhando no mais belo tom de prata-, davam-lhe um ar de sabedoria, poder e antiguidade -como se fosse de uma espécime rara. Seus olhos de um azul vívido brilhavam e deixavam Yuuri cada vez mais acolhido no olhar que recebia, diminuindo gradativamente a vontade que tinha de esconder-se de timidez por ser o alvo daqueles olhos. Já não tinha medo das presas, ou das garras, e nem se encantava como uma criança com as orelhas e os rabos. Tudo lhe parecia simples, acolhedor, e natural. Como se tivesse nascido para aquilo. Como se aquilo fosse o seu normal, como era o normal dele.

- O que acha? - Ele estava atrás de si no espelho, com a mão em seu ombro, e o queixo próximo a sua cabeça, suas orelhas no topo enquanto era rodeado aos lados pelas asas do homem.

- Lindo. - Foi só o que conseguiu dizer ao virar e olha-lo com seus próprios olhos. - Você está... Está muito bonito. - Abaixou o olhar, a face vermelha porém cada vez mais  confiante no que fazia.

Viktor abriu um sorriso que seria comumente descrito como sacana, mas naquele momento, as presas deixavam tudo com um ar meio selvagem e perigoso. Como se estivessem em uma selva, onde Yuuri seria um coelhinho nas mãos da raposa caçadora a sua frente.

- Você também está deslumbrante.

Ele voltou a encara-lo pelo elogio, reunindo coragem ao observar os detalhes do rosto do russo. Não deveriam estar tão próximos assim. Nem se conheciam direito para isso.

- Viktor...

E então o japonês sentiu de novo a respiração do russo perto de mais, os lábios dele seguros de mais, e dessa vez, Yuuri não conseguiu resistir nem um momento -acreditando que era isso mesmo que deveria estar fazendo. 

Naquela raposa, predominava um ar de ferocidade e selvageria que atrairia qualquer ser vivo para perto. Uma sensação gostosa de perigo e um fogo de paixão espontânea, um desejo ardente. Um beijo que mais tarde ele descreveria como o pior dos seus pecados, e o começo da sua glória. E envolvido no ritmo acelerado do russo, Yuuri não percebeu quando já estava nas pontas dos pés, agarrando os fios longos como se fossem os únicos existentes no mundo - tendo a comprovação de que eles eram tão sedosos como nenhum outros - enquanto todos os sentidos se sentiam capturados apenas para apreciar o momento de entrega dos dois.

Ele se sentiu como um cachorro de caça, o cheiro do sua presa mais recente era complexo, cheio de notas falsas, amargura e azedume, enquanto exalava um sentimento de aproximação e uma sensação de doçura. Viktor era uma confusão, disso Yuuri já estava certo.

Sentia junto a tudo aquilo uma estranha sensação de estar completo. No lugar certo, na hora certa, tudo perfeito, sem problema nem nada. Não havia como estar mais maravilhoso, e envolvente. Sentia algo liga-los como se estivesse presos, acorrentados juntos, mas logo o sentimento passou.

Foi quando o êxtase do beijo, do cheiro, da pegada, e das emoções confusas, passou, que o Katsuki entendeu que naquela brincadeirinha, Viktor era o predador, e ele a sua presa. Sentiu-se acuado como um coelho e uma raposa, e não como o corvo de asas brancas que ele lhe mostrou no espelho. Não como aquele ser grandioso e poderoso. Yuuri estava mais para um pequeno roedor.

- Uhumm! - E o pigarro ecoou pelo quarto.

Os dois se separaram como dois criminosos com medo, e encararam o moreno e o loiro ali, parados juntos a porta do quarto da raposa, esperando explicações.

O tailandês estava lá já de braços cruzados encarando o irmão como quem desacredita no que vê, mas ainda assim acusa, enquanto Yurio olhava o seu "responsável" como um bandido foragido da polícia federal, ou da CIA. Não importava o que os dois estavam fazendo, só importava que os homens parados ali na porta tinham certeza de que se continuassem, alguém iria sair machucado. E não seria o Sr. Peculiar.

Yuuri foi o primeiro a encarar os dois homens na porta, e voltava gradativamente a sua forma humana. Seus olhos castanhos -que já não pegavam mais fogo, e sim pareciam sair fumaça depois de apagados com um balde de água fria- encararam o irmão e o japonês não suportou segurar o olhar de acusação dele. Não perdeu tempo encarando o loiro, teria sido ainda pior, apenas saiu do quarto com rapidez e foi para o seu próprio.

Fechou a porta a chave, num clichê emocional próprio -pedindo por solidão-, ele se joga na cama confuso. Se sentido como quando era adolescente, não que já fosse lá um grande adulto. 

Era uma cama grande, de casal, toda cheia de molas, e sempre bem arrumada, com edredom, colcha, e travesseiros macios e perfumados. O guarda-roupa, era espelhado, como do quarto da raposa, e ainda não tinha nada que fosse realmente a cara do menino. A escrivaninha, ainda estava impecável, e o criado mudo, tinha apenas uma lamparina comum.

Yuuri encarava o teto do quarto como quem procura estrelas num céu nublado, e suspirava a cada falha de suas tentativas inúteis.

- O que foi que eu fiz?

(...)

- Que porra foi essa Viktor? - O loiro foi o primeiro a reclamar. - Você acha que pode se envolver com todo mundo, é seu merda? Quer ferrar com a gente?

O loiro estava meio amedrontado, mas não queria deixar o tailandês ver isso, então tentou controlar-se novamente. Apesar de falhar cada vez mais miseravelmente.

- Pra um príncipe você é bem boca suja, Yurio. Não é Phichit? O que você acha?

- Eu concordo com ele. Você está cutucando a onça com vara curta. E vai acabar machucado.

- Ele? Achei que estaria preocupado com seu porquinho não acabar machucado! - Virou o russo mais novo encarando incrédulo o moreno. - Isso ai é um irresponsável, que acha que pode sair ficando com qualquer pessoa. Não sabe diferenciar um brinquedo de um ser humano.

- Assim você me ofende Yurio. - Falou sonso, já meio cansado do assunto, sentando-se na cama do próprio quarto.

O tailandês observava a "discussão", ainda bastante tranquilo, a raiva e o espanto da surpresa, já haviam passado -de que adiantaria partir para cima daquele pescoço fino do russo e estrangula-lo se depois teria que fugir dali com Yuuri e não sabia se conseguiria?

E agora ele se preocupava com outras coisas, e sua mente vagava em diversos outros assuntos. Ele encarou a raposa observando a cara de sonsa que o russo mantinha -e que tornava-se cada vez mais irritante junto aquele sorriso convencido que ele queria "dar uma de Coringa" e manter eternizado naquele rostinho desgraçado, Phichit tinha alguns pensamentos que o assustavam as vezes-, e avaliando-o com os olhos procurou qualquer sinal preocupante. Foi quando os olhos claros caíram ao encontro de um leve traço que marcava o pescoço do homem.

Oh não.

Oh não!

- O que é isso Viktor?

- O que? - Disse interessado.

- Essa marquinha no seu pescoço. Deu tempo pra chupão é?

- Que? - Ele se assustou indo até o espelho observar com cuidado o que era.

- Isso não é um chupão. - Falou Yuri com os braços cruzados observando a estranha e definida marca. - Está mais para uma tatoo.

- Como assim uma tatoo? Eu não tenho nenhuma no pescoço. Minhas marcas são no rosto e...

Phichit encarava incrédulo o homem a sua frente. Ele não poderia ser tão azarado aquele ponto, poderia?

- Não me diga que isso é o que eu acho que é russo. - Falou encarando o menino mais novo.

- Como assim? - Viktor virou aperreado.

- Olha meu querido, eu queria poder dizer que não é. Mas eu acho que é isso mesmo, "tailandezinho".

- O que está acontecendo?! - Ele perguntou de novo, já mais exaltado.

- Você esta com a marca da paixão, sua *izvrashchennaya lisa.

(*Izvrashchennaya lisa - Raposa pervertida.)


Notas Finais


Mas e ai? Como vai a semana de vocês?

A minha está um caos... Gente lindx eu não podia imaginar que as coisas poderiam sempre ficar mais hards.... Alguém me livra dessa escola (não! Mas as vezes sim... Tô precisando dormir...skajskak)

Então gente, beijos e abraços. Digam ai se gostaram ou não, votem e façam o que quiserem. Critiquem também, gosto de críticas... É isso...

Beijos meus corvinhos.


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