História Os Corvos do Oriente - Capítulo 8


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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Isabella Yang, Jean-Jacques Leroy, Lee Seung Gil, Leo de la Iglesia, Michele Crispino, Otabek Altin, Phichit Chulanont, Victor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Tags Boyxboy, Chris, Demonios, Otabek, Otayuri, Phichit, Romance, Victor, Victuri, Viktor, Viktuuri, Yaoi, Youkai, Yurio
Visualizações 81
Palavras 3.361
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpem a demora, mesmo mesmo.
Não vou nem pegar o tempo de vocês.
Vão ler gente!

Capítulo 8 - Dion - Marca da Paixão


- Vocês devem estar loucos. Eu não tenho como estar com essa tal marca da paixão. Eu nunca... - Ele então observou-se no espelho e como um balde de água fria, entendeu o que realmente aquilo significava. - Puta merda.

- Supondo que isso seja o que eu acho que é. Meus parabéns, você ganhou na loteria.

- Não brinque com isso Phichit! Isso é sério. Se isso for mesmo a marca da paixão, significa que mesmo que vocês dois queiram, nem tão cedo vão sair do Reino do Sul, Tanuki.

O homem moreno arqueou a sobrancelha, e deu um sorriso sacana enquanto se aproximava dos dois russos.

- E quem disse que eu quero sair? Só acho que depois desses surtos de poder aqui na sua terra vocês deveriam ficar preocupados com as visitas que vão aparecer.

E com um olhar atento e brincalhão o tailandês saiu do quarto, pronto para aproveitar uma boa música e mais feliz do que nunca. Mesmo que aquilo fosse a marca da paixão, não adiantaria de nada se Yuuri não sentisse ela também. Certo que, existe sempre a probabilidade da marca não ser correspondida, Phichit se apegava a essa última esperança. Mas agora, isso era o que menos lhe preocupava.

A visita de Lee não havia sido meramente social, mas ele não imaginava que os reis estivessem tão alarmados com a chegada da pequena ave. Se Christopher que era Christopher -aquele principezinho descuidado apesar de muito inteligente- estava com tudo adiantado, quem dera então os outros reis? Já deveriam estar com a viagem pronta para daqui a duas semanas. E agora que Yuuri já sabia de tudo, Phichit tinha que ensinar a ele como se defender do que aparecesse a sua frente, pois sabe-se lá o que o destino armaria para aquele azarado -e coloque azarado nisso.

 

O cheiro de café e ovo frito eram um alívio para o moreno -quase aliviava a dorzinha imaginária que afetava sua cabeça. Ele já estava bem vestido e arrumado -as roupas de frio que compraram antes de sair do Japão pareciam ainda pouco quentes e o Chulanont pensou se não deveria comprar mais alguns casacos-, e esperava poder ajudar o irmão hoje, isso se ele não estivesse morrendo de vergonha da cena de ontem.

- Bom dia Phi-chan. Temos café, pão e ovos. - Yuuri estava sorridente.

Yurio já comia -com um bico no rosto e o cabelo meio bagunçado-, e Yuuri terminava de por o prato de Phichit na frente dele quando ele se sentava. Enquanto o moreno se servia, o russo aparecia na cozinha americana no apartamento.

- Bom dia.

- Bom dia Viktor. - E lá estava aquele sorriso fajuto que Yuuri sempre sabia por nas horas certas.

Ele não era bom em fingimento, mas Viktor e Yuri não o conheciam bem para dizer se aquilo no rosto dele era mentira ou um ataque de nervos. Então preferiram todos, como num acordo mudo, fingir que nada demais acontecera ontem. Se Viktor não desse uma de debochado ou quisesse aprontar com a cara do japonês, a cena de ontem continuaria sendo apagada da mente de todos.

- Yurio, conseguiu o lugar que eu pedi?

- Sim. As duas da tarde.

- Ótimo. - A raposa falou com um sorriso quando virou-se para olhar o japonês, que finalmente comia. - As duas está bom pra você Yuuri?

- Pra que? - Perguntou interessado, mas com os olhos baixos. Não se atrevia a levantar o olhar se não ficaria vermelho de vergonha.

- Treinar, não é porquinho? - Falou o loiro mais novo, terminando de comer.

- Como assim treinar?

- Você só descobriu agora que é um youkai precisa aprender tudo sobre o nosso mundo. E melhor, precisa aprender como se defender. O Japão é um dos reinados mais seguros do mundo. Você pode ter sobrevivido lá por muito tempo, mas agora você não vai mais ter essa sorte. - Disse o loiro sentando-se no sofá para esperar o mais velho.

- Então...

- Eu venho lhe pegar as duas. Com isso. - Falou a raposa se levantando e sorrindo mais galante do que nunca, e puxando o "filho" para fora. - Vamos, vamos, vamos. Antes que aquele velho venha reclamar.

Os dois russo então saíram deixando os irmãos sozinhos no apartamento.

- Por que você saiu tão desesperado ontem?

- Ahm? Ah, sim. Lee me ligou. Disse que estava de passagem com um amigo e que precisava falar comigo.

Yuuri abriu um sorriso malicioso para o irmão, e quase se deixou levar pelo seu lado sacana que só aparecia na presença dele.

- Mas Lee é, humano?

- Não mesmo. - Ele falou com uma das sobrancelhas arqueadas e um leve sorriso no rosto.

- Ele é o que?

- Ele é um jeoseung saja. Tipo um ceifador de almas coreano, bem resumidamente.

- Ahm?! - Indagou sorridente, como se não acreditasse na história. - Essa é boa. Cada vez mais eu acho que estou dentro do meu anime predileto.

- Não, infelizmente não. Nossa, condição de ser um youkai é hereditário. E Ji, se lembra dele né?

- Claro que sim. Uma coisinha muito fofa aquele menino, e o japonês dele melhorou bastante desde a ultima videochamada que tivemos.

- Pois é, ele é um dos caras do reinado do Leste. Ele é tipo um coelho. Daquela mitologia chinesa sobre a lua.

Os olhos castanhos se arregalaram demonstrando a surpresa que havia sido aquela informação. Aqueles menininhos que havia conhecido seriam tipo o Yurio? Será que o pequeno e doce Ji poderia machucar alguém? E o crush de anos de Phichit, aquele cara frio? Dele Yuuri não duvidava de nada! Meu Deus, tinha medo de onde aquele território iria parar. Até por que Ji sempre lhe pareceu - apesar de muito certinho e organizado - muito inexperiente. Será que ele também era um daqueles youkais que tinha bem mais anos nas costas do que aparentava?

- E então... Meu Deus...

- Vamos aproveitar sua surpresa e começar nossa aula. Você tem muito, muito mesmo, a entender Yuuri.

- Eu imagino. E você bem que poderia começar com por que eu sou tão poderoso e azarado desse jeito. Eu estou me sentindo um daqueles protagonistas dos desenhos e...

- Pois pode se sentir. Você é mais poderoso do que muito deles.

(...)

O homem bufou olhando para a janela. Se suas fontes estivessem certas, poderia ser a última vez que veria aquela paisagem. Ottawa era uma cidade maravilhosa, e quando o sol descia, as luzes artificiais faziam um serviço ótimo junto com a lua para deixar a vista da cidade ainda mais maravilhosa. A visão que tinha da janela já começava a lhe parecer muito distante, e ele suspirou mais uma vez. Não queria sair.

- Certeza dessa informação? - Perguntou preocupado.

- Sim... E é cada vez mais preocupante, afinal, um corvo já era de mais... Dois? Pode significar guerra.

O homem que encarava a paisagem se virou para o outro. Os olhos decididos, a postura altiva... Mesmo com tanta preocupação ele não se deixava abater em nenhum momento.

- Arrume os últimos detalhes para que possamos partir.

- Como quiser Rei.

O outro homem se virou para sair, mas antes de chegar a porta, suspirou profundamente e voltou a encarar o seu Rei.

- Sua namoradinha está esperando lá em baixo.

Ele sorriu minimamente, e passou as mãos pelo cabelo.

- Já lhe disse que você tem que acabar com ela. Antes que vire algo sério.

- Deixe de pressão Leo. Estou apenas me divertindo. - Ele disse passando pelo outro apertando-lhe o ombro. - Além do mais, não sabemos por quanto tempo isso vai durar.

- O seu namoro deslavado, ou a nossa vida? - Perguntou irônico e um tanto mal humorado.

O outro riu, prestes a sair da sala.

- Deixe de tanta seriedade. Aproveite mais a vida Leo.

E então saiu, fechando a porta atrás de si sem nem ao menos olhar pro outro. Leo bufava decepcionado. Sabia que o Rei estava tentando se distrair, mas namorar uma humana? Ainda mais por tanto tempo? Tantas vampiras, sereias, fadas, gatas! Qualquer espécie seria melhor do que aquilo.

Afinal, se ele se apaixonasse pela humana, o reinado todo teria um sério problema. Poderia significa o fim do Rei, e a subida de outro ao poder.

Mas como ele havia dito... Leo deu de ombros, e suspirou relaxando. O que quer que acontecesse, teria que esperar. Primeiro os corvos, e um possível desastre mundial.

Depois veríamos o que seria feito com a humana insistente.

(...)

- Você está muito baixo Yuuri! Suba mais o voo e confie no que você esta fazendo. - Orientou Viktor observando-a atentamente. Era a sexta sessão de treinamento físico que Yuuri tinha desde que chegara a Rússia.

Com toda a confusão que havia acontecido, as descobertas e as aulas na faculdade começando, Yuuri quase não notou o tempo passar. As manhãs eram ocupadas pelas explicações de Phichit e os treinos de magia, parecia que o mundo dos youkais era mil vezes mais difícil do que o humano. Era como reestudar a cultura humana por outro ponto de vista, com outros motivos para as guerras e divisões territoriais. As aulas da faculdade lhe entretinham a maior parte do tempo, mas com a agitação dos treinos a noite e nos fins de semana com as duas raposas, Yuuri poderia se sentir tudo, menos uma estudante normal.

- Yurio, pode começar.

O loiro sorriu com a aprovação e começou a acumular energia mágica na mão direita. Era como se o fogo aparecesse de sua mão, e ao contrário do tom alaranjado normal, essa chama era azulada, e logo ela foi mirada em Yuuri. Yurio fazia vários ataques alternados se utilizando da boca e das mãos a princípio. O corvo branco se surpreendeu de primeira -nunca estava preparado de verdade para as investidas de Yuratchka- mas se deixou levar pela emoção desviando de todas as rajadas. Algumas passaram muito perto de queima-lo, o que o assustou, e quase foi atingido em cheio umas quatro ou sete vezes, mas a adrenalina do treinamento tirava-lhe o medo da possível dor caso fosse acertado. Era sempre assim. Perigoso, mas ludibriante.

- Desça Yuuri!

Ele obedeceu depois de algum tempo. As sessões de treinamento sempre eram puxadas, e quando Yuri aparecia para "ajudar", o Katsuki já sabia que coisa boa não vinha. O gatinho -que antes ele achava ser uma raposa menor- não se continha, principalmente depois que o corvo aprendera a voar, e controlar a sua "transformação".

Yuri era uma raposa de duas caudas, o que fazia Yuuri acreditar que ele já havia vivido mais ou menos uns duzentos anos pelo menos -ou contar pelos rabos era coisa de raposa? E para sua surpresa, ele soltava a sua "mágica", um fogo espectral azulado de odor estranho e bastante perigoso, pelas mãos, caudas e boca. Algo que pelo que Phichit já havia lhe ensinado era específico da sua espécie.

- Que tal uma luta?

O loirinho sorriu de lado. Era o seu lado macabro falando mais alto. Lado esse que o corvo já estava se acostumando, e até mesmo apreciando se não acabasse machucado.

Yuri se transformou por completo para acompanhar a transformação do Katsuki, apesar de ikparecer bastante inclinado a nem o fazer, já que o japonês não deveria dar tanto trabalho.

Yuri parecia realmente um gatinho quando transformado. As orelhas levemente pontudas no topo da cabeça eram tão claras quanto seu cabelo, e tinha manchas amarelas-alaranjadas. Isso acontecia também nas duas caudas, e diferente das outras transformações, Yurio mantinha seu corte de cabelo natural, o que lhe dava um ar de criança sapeca, e se misturava ao olhar de caçador assassino. Outro detalhe peculiar na transformação do menino eram as estrelas, que ela já havia visto no Sr. Peculiar. Só que ao contrário de uma única estrelinha, o príncipe tinha duas estrelas levemente acinzentadas (como se estivesse desaparecendo) nas duas bochechas, logo em baixo dos olhos. As garras aumentavam e diminuíam ao seu bel prazer, e seus caninos pareciam ainda ais afiados, quase aparecendo no cantinho da boca.

Tudo em Yuri parecia encantador - da pontinha das orelhas até as garras dos pés-, isso se você visse de longe, e ele estivesse sorrindo, ou ao menos não lhe ameaçando com o olhar.

- Podem começar.

Sr. Peculiar se afastou um pouco e Yuuri se assustou com as primeiras investidas do Plisetsky. Ele tentava ferir o corvo com as garras, e partia pra cima sem deixar brechas para fugas. O gato sabia que mesmo que o corvo não possuísse ainda tanto treinamento mágico, ele era -ou ao menos deveria ser- bastante poderoso, e deixa-lo testar esse poder nele estava fora dos seus planos. Não queria que a batalha acontecesse a distância, não era o seu melhor meio de ataque em todo caso.

O Katsuki por outro lado, não conseguia pensar em muita coisa. Assim que sua mente deixava um pouco de lado a luta, sentia as garras lhe arranharem e o fogo de nekomata (Yuuri chutava que essa seria a espécie do loirinho) se encostar perto da sua pele. Mesmo que ele não tivesse um terço da habilidade de Yurio, ele notara desde o início que o loiro não facilitaria para o seu lado.

Não importava se Yuuri era tecnicamente superior a ele em questão de status -e isso era quase uma comédia levando em conta o jeito como o loiro lhe tratava-, e bem mais poderoso em habilidades. Yurio era corajoso o suficiente para machuca-lo e ainda sair como o inocente da história, ao mesmo tempo que lhe deixava temeroso, isso o deixava mais confiante e esforçado. Yurio parecia acreditar que o Katsuki era capaz de aprender a se defender, e o tratava como um igual quando lutavam. Isso o deixava bastante contente e motivado para continuar -apanhando- nas aulas.

Quase tornava tudo ainda mais divertido.

Para o Katsuki isso era uma diversão. Não conseguia acreditar ainda que fazia parte de um mundo tão mágico, e apenas lhe parecia que a qualquer momento poderia acordar e descobrir que era tudo divertido

- Se concentre vorona.

(*Vorona - Corvo.)

E novamente por pouco Plisetsky não lhe acertava o rosto. O Katsuki não demorou para se sentir encurralado. Assim que se viu sem escapatória alçou voo. Alto o bastante para que Yuratchka não lhe alcançasse.

- Deixe de covardia e venha lutar! - Ela sorriu de longe.

O russo não demorou muito para alcança-lo, mesmo no ar os saltos da raposa eram altos o bastantes. Além do mais, Yurio se movia como o verdadeiro felino que era. Uma pantera selvagem e certeira que não se desviava da sua presa. E para o azar de Yuuri, ele era a presa.

(...)

Ele piscou os olhos mais uma vez.

Novamente estava em um lugar estranho. Ao menos agora não era um campo de batalha, e não haviam no chão corpos desfalecidos. Olhava para os lados sem grande comoção, quase se acostumando aos sonhos bastante realistas que possuía, e ninguém sabia lhe explicar.

Dessa vez, diferente das últimas vezes ele estava em um lugar fechado. Era alto, enferrujado e espaçoso. Um galpão abandonado um tanto distante, poderia imaginar. Apesar da aparência de velho, o local possuía as partes superiores fechadas a vidro, estes bastante sujos e empoeirados, mas que deixavam-no ver a paisagem do lado de fora.

Havia um grande castelo, e o sol nascia atrás dele. As cores fortes em várias tonalidades de laranja, vermelho e amarelo quase o faziam ficar sem ar de tão belo que a paisagem se formava. O castelo então fazia com que parecesse um conto de fadas, como se ele estivesse em um reino muito, muito distante.

O êxtase da vista se acabou com o barulho que se seguiu.

Podia quase escutar os rangidos da porta quando essa foi escancarada, e lhe subiu um frio na espinha. Medo. Seu corpo todo quis fraquejar, e quase sentiu suas asas falharem. Mas algo o fez ficar ali.

Como uma estátua ele não se mexia, e de nervoso não respirava direito.

Olhou para baixo para dar de cara com muitas pessoas observando. A sua sensação de medo então apenas piorou. Sentia que conhecia algumas, mas quase não tinha certeza. As feições humanas se misturavam as animais, e os rostos e aspectos ficavam cada vez mais diferentes, e irreconhecíveis.

- Vamos! Ataque seu corvo falso!

Ele então se virou de supetão. E deu de cara com uma forte rajada de energia. Diferente das bolas de fogo de Yurio, ou qualquer outra magia de Phichit ou de Viktor, o que estava a lhe atingir era completamente novo.

Não parecia ter calor, nem gelo, não exercia nada. Mas como uma força da natureza apavorava de dentro pra fora. Parecia imutável, imortal... Medonha.

E não saia da sua direção.

- Yuuri! - O grito parecia tão distante. - Yuuri acorda! - Agora estava se aproximando.

Ele então sentiu o próprio cabelo estapear-lhe o rosto, e o corpo chacoalhar. Abriu os olhos para dar de cara com a feição preocupada de Viktor.

Ele mantinha os olhos bem abertos, a respiração ofegante e a face de preocupação, enquanto o sacudia de um lado para o outro.

- Aconteceu alguma coisa? - O Katsuki perguntou desvencilhando os braços das mãos possessivas do outro.

- Você... - Ele pausou antes de continuar. - Você estava gritando sem parar... Eu me assustei.

Ele suspirou, levando as mãos até o cabelo em uma falha tentativa de arruma-lo e prende-lo.

- Onde esta Yuri e Phichit?

- Bem, Yuratchka esta nas empresas, e Phi-kun na faculdade. - Comentou passando a mão pelos cabelos.

Yuuri poderia não ter notado, mas a face de preocupação não tinha deixado ainda o homem. Ele mexia os dedos ansiosos nos fios platinados, enquanto não prestava atenção em mais nada.

Não tinha ido ali simplesmente por causa do grito. Yuuri havia sim gritado, isso não era mentira, mas bem antes do grito ele já estava ali desesperado. Sentira a bendita marca da paixão queimar e arder, e logo seu coração doeu.

Por alguns segundos cogitou que a marca da paixão seria tão forte quanto A Marca, mas logo esqueceu-se dessa suposição. Afinal, nada se comparava A Marca, e mesmo que chegasse próximo... Bem, era uma situação desconfortável e bastante perigosa.

Antes mesmo dele gritar Viktor sentiu o desconforto, que só veio a se agravar. Sentiu medo, confusão e principalmente, necessidade. Necessidade de estar ali com ele, de poder ajuda-lo, de protege-lo. Mesmo que só o conhecesse a tão pouco tempo, sentia como se o japonês tivesse sido planejada para ele. Um sentimento de que ele dveria ser seu lhe consumia o ser, e começava a ficar difícil resistir a isso.

Não sabia se aquilo era bom... Não deveria ser, mas ao certo, queria que fosse tão normal quanto o possível. Se ele fosse realmente O Corvo Branco quem seria Viktor para se apaixonar por ele? Não importava mais classes, status, ordens, grandezas... O Corvo era tudo. Ordem, vida e morte.

E ele, Viktor Nikiforov, o Rei do Norte, a raposa mais antiga, o Senhor das Terras Geladas, o Dominador dos Quatro Ventos, e possuidor de Todas as chamas. Estava agora com tanto medo, e com tanta confusão em sua mente, que nem quando Katie lhe deixara pra trás com dois filhotes no meio de uma guerra se comparava ao furacão que ele estava nesse momento.

Agora ele era Rei, não mais qualquer cavalariço ou baronete, e ninguém poderia tirar da sua cabeça o peso da coroa. E como o tempo lhe havia ensinado, se havia peso maior do que a responsabilidade real, que esse fosse o do amor, que não vê limites e nem pensa antes de existir. 

Estaria perdido, se pelo menos metade do que tanto temia realmente acontecesse.

- Viktor?

Ele piscou os olhos negros e voltou a encara-lo.

- O que acha de irmos comer fora? Estou com fome.

Ele sorriu disfarçando a confusão de sua mente, e se levantou da cama do mais novo.

- Claro. Se arrume, conheço um ótimo restaurante aqui perto.


Notas Finais


Desculpem a demora, mesmo mesmo. Mas eu espero que vocês estejam gostando, então beijinhos e bye bye...


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