História Os Deuses Que Se Danem - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Drama, Lesbicas, Lgbt, Romance, Yuri
Visualizações 7
Palavras 1.177
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Chamado silencioso


Era um dia de feriado, então planejava dormir até mais tarde, mas acabou que acordei no horário normal de aula com o alarme do celular que despertou. Esqueci-me de desligá-lo na noite anterior. Agora que estava desperta não conseguiria voltar a dormir mesmo que tentasse. Levantei-me naquela manhã de sexta tratando logo de fazer minha higiene matinal, o dia só começaria mais cedo que o planejado.

Após o café da manhã, busquei o celular no quarto. Não surpresa, pude ver notificações de mensagens no Telegram. Eu e as meninas tínhamos um grupo. A ideia do nome veio de Sibele com aquele ar de poetisa que carregava junto aos livros envelhecidos que lia; um dia comentei que eles tinham cheiro de morte, ela não pareceu se incomodar, apenas esboçou um sorriso e voltou a ler. No grupo, compartilhávamos todo tipo de coisa entre nós, das mais banais, como memes e gifs, até as mais sérias, e gostaria de saber qual era a dessa vez. Desbloqueei a tela e abri o aplicativo da conversa.

Duda: Heyo!

Letícia: Hm... alguém aqui parece feliz

Sibele: Pode começar, Duda

Duda: O que, ué? Só acordei de bom humor

Letícia: Nem vem, melhor falar logo

Duda: Haha

Letícia: FALAA

Sibele: Risos

Duda: Não tem muito que falar. A gente se encontrou, conversamos um pouco...

Sibele: Foi legal?

Duda: Foi sim

Letícia: Então vocês ficaram mesmo?

Duda: É claro

Letícia: Claro, né!? Pergunta tola a minha

Duda: Relaxa, Lê

Letícia: Estou calma

Duda: Sei

Letícia: Fala sério

Duda: Oxe, que foi que eu fiz?

Sibele: Eita

Letícia: Tá se achando

Duda: Mas valha

Duda: Doida

Isabela: Começaram cedo hoje. Bom dia.

Letícia e Maria Eduarda, às vezes, entravam em atrito por coisas bobas, e Sibele ficava entre elas tentando apaziguar os ânimos. Por ora, ficaria na minha, não arriscaria estragar o meu humor. Estava prestes a largar o celular e partir para uma caminhada quando o celular começa a vibrar loucamente anunciando na tela uma chamada de Sibele. Franzi o cenho, era estranho me ligarem tão cedo pela manhã. Atendi.

Bom dia, flor. Sorri ao ouvir a voz de Sibele.

Bom dia, Sybil.

O que vai fazer hoje?

Ãnh... Estava prestes a fazer uma caminhada, fora isso, nada.

Caminhada?

É... sim?

Posso ir junto?

Claro que pode. Mas é sério? Você é a pessoa mais sedentária que conheço. Nunca te ouvi falar em caminhar ou qualquer outra coisa.

Ai, não me subestime. Além do mais, estou tentando mudar os meus hábitos.

Hm... Ok então, quando sair daqui passo na tua casa. Tá bom assim?

Ótimo.

Encerrada a ligação, coloquei uma camiseta velha por cima do shorts que já vestia e um tênis de corrida. A casa de Sibele ficava a caminho da praça do outro lado do quarteirão. Não era incômodo algum fazer um pequeno desvio, além do mais aprecio a companhia da minha amiga, não poderia ser diferente. Depois de uma corrida pelo trajeto alcancei a casa dela, toquei a campainha e esperei.

Sibele sorriu ao me ver. Seus cabelos curtos, que estavam um tanto bagunçados, davam a ela uma sensualidade aliada aos seus óculos que a deixavam ainda mais atraente com o aspecto intelectual que lhe conferia, porém ela não os estava usando naquela manhã.

― Cadê os seus óculos? ― Perguntei assim que ela se aproximou para dar-me um abraço.

― Estou usando lentes hoje. ― Aquilo não deixou de me surpreender.

― Desde quando você usa lentes?

Sibele riu da minha cara de espanto: ― Desde hoje. ― Sua resposta veio acompanhada de um sorriso traquino. ― Estou usando a primeira vez, e está incomodando, mas vou tentar me acostumar, até porque pretendo usar por um tempo.

― Por que? ― Não pude deixar de perguntar.

― Por que o quê? ― Sibele pareceu confusa com o meu questionamento.

― Por que vai usar lentes? ― Afastei-me um pouco para olhá-la diretamente.

― Hum... Deixe-me pensar... Por que eu quero? ― Sei que ela não tinha a intenção de ser rude, isso estava explícito na forma como se expressava, mas não pude esconder a pontinha de incômodo que me atingiu; sentimento que imagino ter sido estampado em meu rosto pelo cuidado que Sibele concentrou em contornar a situação ― Ora, vamos. ― Falou logo depois, puxando a minha mão em direção à praça.

Enquanto caminhávamos e, por vezes, corríamos em volta da praça, conversávamos amenidades. Após uma hora inteira de exercício, decidimos voltar para casa, mas antes passamos em uma sorveteria, e ambas pedimos um milk-shake: escolhi o de ovo maltine, e Sibele pediu um de baunilha. Fomos tomando o milk-shake no caminho para casa.

Deixei Sibele no portão de casa. Ao longe, virei para ver se ela havia entrado. A garota, contrário ao que eu pensava, continuava em pé, encarando a sua frente, olhando a mim. Havia algo de diferente no semblante da minha amiga, mas não pude discernir o que seria exatamente. Senti vontade de gritar e chamar por ela, senti novamente que algo não estava bem. Ao mesmo tempo em que desejava ir até ela, algo me impedia de voltar, uma sensação que ia além de mim, que me era inexplicável. Acenei para ela, um gesto que foi retribuído. Virei-me e continuei o meu percurso, com o plano de mandar uma mensagem assim que chegar a casa.

Já perto, avistei a minha mãe passar pela porta da residência. Assim que me viu tratou de andar na minha direção em passos largos

― Estou indo na feira. Venha comigo pra me ajudar com as sacolas.

― Sim, senhora. A senhora que manda. Posso ir assim mesmo, minha senhora? ― Falei, gesticulando de forma teatral. Aquilo a divertia, eu sabia bem disso. Minha mãe gostava quando me dirigia a ela dessa forma. A tapinha que recebi no braço e a risada solta provaram isso.

Demoramos muito nas compras. Minha mãe costuma ir de banca em banca conferindo os preços e a qualidade das verduras, frutas e legumes. Minhas pernas que já estavam doloridas do esforço físico na praça estavam ainda piores com aquela andança e o peso das sacolas que segurava em pé durante todo o tempo.

― Aguente um pouco mais, estamos quase acabando aqui. ― Se pronunciou ao perceber o meu cansaço, enquanto ponderava entre uma batata e outra.

Para meu alívio, logo após, minha mãe se deu por satisfeita. Dividimos o peso das sacolas entre nós e marchamos rumo a casa.

Larguei as sacolas na mesa da cozinha e já seguia pelo corredor em direção ao meu quarto quando ouço a minha mãe gritar, pedindo ajuda para fazer o almoço. Suspirei e gritei de volta:

― Já vou. Me deixa tomar banho primeiro. ― O dia prometia ser cheio.No final da tarde, comecei a fazer as atividades pendentes da escola. Aproveitei a oportunidade para cumprir com as minhas obrigações escolares e assim, teria o fim de semana livre. Tudo acabado joguei-me na cama. Quase cochilando, lembrei-me da visão que tive de Sibele naquela manhã. Levantei-me subitamente ao perceber que havia esquecido de enviar a mensagem que pretendia mais cedo, e agora já era noite. Corri para o celular, por estar no modo silencioso não me atentava as notificações que recebia. Havia duas ligações de Sibele.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...