História Os Deuses Que Se Danem - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Drama, Lesbicas, Lgbt, Romance, Yuri
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Palavras 1.226
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Te vejo depois


– Alô? – Chamei assim que retornei a ligação. Não obtive resposta. Fez-se silencio do outo lado da linha por alguns segundos que se fizeram longos minutos, a ausência de reciprocidade em estabelecer um dialogo fazia a ansiedade crescer em mim e junto minha percepção do tempo se distorcia. Tentei novamente:

– Sibele, está aí? – A garota ainda em silencio, mas dessa vez pude ouvir uma leve sonoridade da sua respiração colada ao telefone. – Eu sei que está me ouvindo. Por que não responde? – Continuei insistindo.

– Desculpe... Olá?

– Oi? – Correspondi. – Está tudo bem? Você está estranha.

– Estou. – A resposta curta devolvida a mim fazia crescer um sentimento que trazia dúvida àquela palavra.

– Tem certeza? Queria ter te ligado mais cedo, mas o dia foi bem agitado hoje. – Sibele, quando estava em problemas ou simplesmente em maus dias, raramente compartilhava esses momentos. E embora, por um lado admirasse sua capacidade de estar por si só, isso me preocupava também. Pessoas precisam de pessoas, por mais fortes que possam parecer, por isso, precisava fazê-la falar. – Quer conversar? Sou todinha sua.

Ouvi uma risadinha abafada do outro lado seguida de um suspiro, para então dar lugar a voz de Sibele.

– Tudo bem. A gente pode se encontrar? – Fui pega de surpresa, já que planejava ter aquela conversa por telefone mesmo, mas não negaria esse simples pedido para a minha amiga.

– Podemos sim. Onde você quer que eu te encontre?

– Na pracinha aqui perto. Pode ser? – Levaria algum tempo pra chegar, talvez uma caminhada de 15 minutos. Ainda que já fosse noite o percurso não oferecia riscos, então não hesitei em aceitar.

– Ok. Já estou indo – Com isso encerrei a ligação. Apressei-me em procurar a minha mãe para avisá-la da minha saída. Ela estava sentada numa cadeira da cozinha mexendo no celular.

– Mãe? – Chamei.

– Huh? – Entretida com o celular como estava não poderia esperar que fosse diferente.

– Vou dar uma saída, mas volto logo. – Prossegui. Só então ela levantou a cabeça para me olhar. Pareceu ponderar e pelo tempo que durou, temi que não me deixasse sair.

– Certo, mas chegue cedo mesmo. Não fique tanto tempo na rua. – Fui tomada por uma sensação de alívio instantaneamente. Beijei a bochecha dela e, então, saí pela porta.

Andei pelas ruas em passos largos, por mais que as vias fossem calmas e bem-iluminadas não deixo de estar em alerta. Cheguei à praça mais rápido do que calculei. Era um lugar realmente pequeno e, naquele horário, estava completamente vazio, exceto pela presença de uma garota que andava de um lado para o outro. Sibele subitamente parou de andar ao me ver chegar, ficou parada de braços cruzados enquanto me aproximava.

– Hey – Cumprimentei. Pude abraçá-la assim que estive ao seu alcance. Seu corpo estava um pouco frio.

– Oi – Ela me retribuiu fracamente.

– Então, por que pediu pra gente se encontrar assim do nada? – Perguntei logo após sentarmos em um dos bancos. Sibele não me respondeu. Seus olhos iam para qualquer parte, não eram capazes de repousar em mim por mais que meros segundos. Pressionava as mãos junto ao colo. O comportamento inusitado da garota começava a me deixar apreensiva. Meu imaginário começou a viajar e cogitar coisas das mais absurdas, graças ao silêncio prolongado de Sibele. Não poderia esperar mais para ouvir o que quer que fosse.

– Sério, qual o problema? – O meu tom de voz que se elevou de forma brusca pareceu assustá-la. O olhar que era desviado a todo instante, finalmente estava fixo em mim. – Sabe que pode me falar qualquer coisa – Retomei calmamente.

Fui obrigada a lidar com mais alguns segundos de hesitação da minha amiga até que ela conseguisse verbalizar o que se escondia em seu interior.

– Não sabe mesmo? Letícia não te contou? – Sua voz saiu quase que num sussurro. O nome de outra amiga que saía de seus lábios, me deixou ainda mais confusa. Estava longe de entender o que se passava.

– Letícia? Não, o que teria pra contar? – De fato, tudo naquele momento me era estranho.

Esperava que Sibele se dispusesse a se colocar em explicações, porém calou-se mais uma vez. Dessa vez, esperei pacientemente por ela.

– Naquele dia não notou nada de estranho? – Questionou-me. Teus olhos vasculhavam o meu rosto em busca de algo que comprovasse as suspeitas.

– Que dia? – Ela suspirou ao se dar conta de que realmente não fazia ideia do que falava.

– O dia em que você apareceu no final da aula e encontrou eu e Letícia na saída...

– Ah, certo – Interrompi. – O que tem?

– É sobre isso... As pausas continuadas de Sibele me fizeram perder a paciência que me restava: – Isso o quê?

– Letícia sabe e agora ela me fez prometer que te contaria, não que eu não fosse te contar antes, mas... – De repente, começou a falar rapidamente, atropelando-se nas próprias palavras.

– Sybil, calma. – Coloquei minhas mãos sobre seus ombros para fazer com que a garota se voltasse para mim – Contar o quê?

Seguiu-se um segundo suspiro.

– Isa, eu... gosto da Duda – Franzi o cenho tentando acompanhar o que acabara de ser dito. Em meu estado de confusão, demorei a raciocinar.

– Ela sabe? – Ela balançou a cabeça em negativa.

– Não, de jeito nenhum. – Retrucou

Encarei as feições de Sibele, seu olhar sustentava o meu.

– Desde quando?

– Eu não sei. Quando me dei conta já gostava dela. E vem sendo assim desde então.

– Por que não conta então?

Sibele deitou sua cabeça em meu ombro.

– Não adianta. O que poderia esperar disso? Sei que só me vê como uma amiga.

– Sibele... Perai, então o que foi tudo aquilo de aconselhá-la a ficar com outra garota? ― Afastei-me um pouco dela para olhá-la.

– E o que você esperava que eu fizesse? Eu estava lá como amiga dela, quer dizer, sempre estou, então disse o que achei que seria melhor. ― Falou num tom aborrecido

― Melhor pra quem garota? Céus. Veja só, você está mal há dias porque está apaixonada por uma amiga e ela sequer faz ideia disso.

A garota suspirou pesadamente.

― Sério, não faz sentido. Você contou pra Letícia e agora pra mim, mas ainda não contou pra quem realmente importa. Tá esperando o quê?

Balançou a cabeça em negativa me fazendo bufar de frustração.

― Sybil... ― Porém, antes que pudesse dizer algo mais ela me interrompeu.

― Não dá, não adianta.

― Por quê mesmo? ― Levantei uma das sobrancelhas em desafio ao que ela pudesse vir a dizer.

Calou-se. Isso me deu a deixa para continuar.

― Olha só, talvez ela só te veja como amiga mesmo ou talvez não ou quem sabe passe a te ver de outra forma depois que souber, seja como for, deveria contar pra ela. E... dependendo da resposta das duas uma: ou você vai finalmente seguir em frente depois de chorar um pouquinho ou vocês viverão um romance digno de cinema ― Ouvir isso a fez dar uma risadinha ― Então faça diferente, sabe? Não fique guardando seus sentimentos só pra si. Conte pra ela, e qualquer coisa, só é me chamar que eu venho correndo. Ok?

― Ok. ― Ela, então, se aproximou e depositou um beijo em minha bochecha. Em seguida, levantou-se e virou em direção a própria casa, em sinal de que pretendia já voltar. Fiquei em pé, observando-a se afastar. Sibele já estava prestes a dobrar a esquina quando gritei o seu nome. Ela virou-se, então acenei e gritei novamente, mais alto desta vez.

– Te vejo depois.


Notas Finais


Até a próxima semana!


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