História Os dias eram assim - Capítulo 34


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Categorias Naruto
Personagens Chouji Akimichi, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Inojin Yamanaka, Itachi Uchiha, Izumi Uchiha, Kakashi Hatake, Kankuro, Karin, Kushina Uzumaki, Maito Gai, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Personagens Originais, Rin Nohara, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shion, Shisui Uchiha, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Gaaino, Kakasaku, Naruhina, Naruto, Nejiten, Sasusaku, Shikatema
Visualizações 269
Palavras 6.680
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Luta, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá galera! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Estou passando para postar mais um capítulo! Ebaa!
Antes disso, gostaria de agradecer por todo o apoio, os comentários e favoritos. Isso ajuda bastante e me anima a continuar essa história incrível. Muito obrigado a todos!!!
Agora, com vocês, mais um capítulo!!

Capítulo 34 - Capítulo 31


• Saint-Quentin¹, novembro de 1940

Já era final de tarde e eles estavam em um bosque com suas árvores altas a formar um teto natural. Estava quase anoitecendo e a noite prometia ser bastante gelada. Devido a isso, decidiram procurar algum abrigo para passarem a noite. Como não faziam fogueiras para não chamar a atenção, procuravam algum lugar que pudesse protegê-los do vento cortante. É claro que ela sempre reclamava, falando que iriam morrer de frio se não fizessem alguma fogueira para esquentá-los, mas Itachi era irredutível em suas decisões, não mudando de ideia. Por mais que a desagradasse, fazia um pouco de sentido. Mesmo assim, isso não a impedia de reclamar já que não gostava de passar frio. Ao perceber isso, ele lhe entregou um sobretudo para poder se esquentar. E, acabou aceitando essa pequena generosidade, apesar de não o vestir durante o dia por não achar necessário, apenas o colocando durante a noite, quando o vento começava a soprar mais gelado. Sabia que ele deveria sentir um pouco de frio, mas seu uniforme de tecido grosseiro deveria aquecê-lo um pouco. E, assim eles seguiam seu caminho.

Agora conversavam um pouco, não ficando mais por tanto tempo sem pronunciar palavra alguma. Sempre trocavam palavras, na sua maioria referente às suas vidas antes de se encontrarem. Já tinha o revelado sobre sua família, sobre onde morava, trabalho, aniversário e coisas banais. Uma vez, até mesmo o descrevera com maiores detalhes sobre o evento traumático que aconteceu com sua mãe e ela, quando aquele maldito homem as atacou. Não se sentiu muito confortável no momento, quase não falando. Mas, após desabafar, se sentiu muito melhor, como se tivesse retirado um peso de suas costas ao compartilhar aquele acontecimento com outra pessoa que não fosse sua mãe. Também descobriu algumas coisas sobre o moreno, como o fato dele ser natural de Paris, ser oito anos mais velho, viver junto com o irmão e o primo e ter um tio no qual trabalhavam juntos, no que ele chamou de negócios de família. Quando tocava nesse assunto, sentia que ele não ficava muito a vontade em falar, mudando rapidamente de tema, como se estivesse com medo de revelar alguma coisa. Achou um pouco estranho essa omissão de fatos, mas não podia obrigá-lo a contar. Eram apenas companheiros, e se ele não se sentia a vontade para falar, seja lá o que fosse, ela não iria insistir. Quando era para falar de sua própria vida ele hesitava, mas para falar sobre o seu irmão não poupava palavras, falando bem ou mal, às vezes até de forma hilária. Era mais que visível que ele amava o irmão, que não via a hora de reencontrá-lo. E essa era uma característica que ambos tinham em comum. O fato de amarem seus irmãos, suas famílias e de fazerem de tudo para ficarem junto deles. Era isso que fazia com que Tomito se simpatizasse com ele. Saber que Itachi se importava com a família era um ponto muito importante para fazê-la confiar nele.

É claro que isso não queria dizer que confiava cegamente no moreno. Longe disso. Apesar de estar um tempo a andar juntos, não o conhecia bem, e mesmo já não tendo toda aquela desconfiança, hesitação e até mesmo medo, ainda se mantinha em alerta. Não achava que ele iria fazer alguma coisa de ruim, mas era melhor estar prevenida do que depois sofrer com as consequências. Por isso, sempre estava o observando, prestando atenção em seus movimentos, em suas atitudes e, até mesmo, em suas palavras. Mesmo assim, até aquele momento ele se provou uma pessoa digna e, apenas esperava que isso se mante-se até o final.

De qualquer forma, naquele dia Tomito não estava muito bem, estando desanimada, não querendo conversar muito. Na verdade, queria ficar um pouco sozinha a pensar na vida. Não era que ele a incomodasse, longe disso. Itachi era muito discreto, silencioso, falando na maioria das vezes apenas quando era solicitado. Mas, ela não estava se sentindo muito bem. Mesmo que ele tivesse dito que ela estava livre e que poderia ir embora quando quisesse, ainda se sentia um pouco presa, encurralada. Não por ele, mas sim pelas sombras que eram emanadas a sua volta. Era um pensamento estranho, até mesmo perturbador, mas era a realidade.

Conforme os dias passavam sua angústia crescia cada vez mais forte. Desde o dia que viu aquele rapaz morto a boiar no rio e, que pensou por alguns instantes que se tratava de Naruto, nunca mais se sentiu bem. Seus problemas com a insônia ficavam cada vez mais fortes e, quando o sono era muito forte e acabava por adormecer, os pesadelos a acordavam de imediato. Estava exausta, fatigada e sabia que o outro já tinha percebido, apesar de nada falar. A única coisa que desejava naquele momento era encontrar seu irmão. Somente assim seu coração se acalmaria. E, somente quando voltasse para casa se unindo a Kushina, que finalmente conseguiria voltar a dormir. Não antes disso.

Suspirou em descrença, abraçando o próprio corpo conforme olhava para o chão a sua frente, sem nada falar. Já passava mais de uma hora que ambos não trocavam palavra alguma. O silêncio pairava a sua volta, incólume, soberano, e Tomito não se importava. Parecia que até mesmo a natureza a sua volta se conectava com seu espírito melancólico, onde o dia estava mais cinzento, escuro, sem vento algum a balançar as árvores. Nem se quer era possível ouvir o barulho dos pássaros ou de qualquer outro animal. Era um silêncio sepulcral. O único barulho que ouvia era o de seus próprios passos a esmagar as folhas secas sob seus pés. E isso era perturbador, angustiante. Estava quase se perguntando se estava bem de suas faculdades mentais.

Viu o moreno parar de andar alguns passos a sua frente, fazendo com que conseguisse alcançá-lo, parando ao seu lado. O olhou, para saber o que estava acontecendo. Ele levantou um braço apontando para algo mais a frente, falando:

-Está vendo logo ali a frente? Parece ser um bom lugar para acamparmos. Vamos dar uma olhada.

Ao se aproximaram acabaram por constatar que se tratava de uma pequena caverna. Itachi ficou imediatamente animado, lhe lançando um sorriso de canto. Era uma boa notícia, mas não a animou como deveria.

-Me espere aqui. Vou entrar para ver se está tudo bem e já volto. - Ele disse por enquanto que atravessava a entrada rochosa.

Não demorou muito para vê-lo voltando e sorrindo falou:

-É um ótimo lugar. Não é muito grande, mas é o suficiente para nó dois.

Tomito apenas esboçou um leve sorriso forçado, balançando a cabeça em concordância, por enquanto que olhava a sua volta.

-Já que vamos ficar por aqui, vou dar uma volta para ver se encontro alguma coisa para comermos. - Disse desanimada.

Sabia que aquela era uma bela de uma desculpa, pois, naquele momento sua maior intenção era de se afastar para ficar um pouco sozinha e poder pensar.

Viu que ele a olhava em indagação, parecendo desconfiado. Tratou de tirar essa desconfiança lhe lançando um sorriso largo, falou:

-Não se preocupe. Vai ficar tudo bem. Vou procurar algumas frutas, cogumelos ou algo do gênero, para comermos. Até porque, já estou começando a ficar enjoada de comer somente enlatados, que convenhamos, não são muito atrativos. - Disse dando de ombros, deixando transparecer um semblante enojado. - De qualquer forma, já estão quase acabando e é melhor que os guardemos para outras ocasiões.

Ele ficou a analisando por alguns instantes, ponderando sobre o assunto. Logo em seguida deu de ombros, falando:

-Tudo bem, você tem razão. Vou ficar por aqui, dando uma ronda pelo perímetro para saber se tem alguma coisa por perto.

-Ok. E, vou procurar alguma coisa para comermos. - Falou por enquanto que lhe dava as costas para começar a andar, mas o escutou a chamando.

-Espere! Leve isso com você. - Disse por enquanto que pegava um objeto de seu bolso a entregando.

O pegou e o analisando em dúvida, indagou:

- O que é?

-Um canivete, caso seja necessário. E, quero que se lembre de uma coisa. Se acontecer qualquer coisa que seja, não hesite em gritar o mais alto possível, para que eu vá a seu encontro. - Falou sério, a olhando dentro dos olhos, enfatizando todas as palavras para que ela as guardasse.

-Ok. - Balançou a cabeça em afirmação, guardando o canivete no bolso de sua calça. - Não precisa se preocupar, não vai acontecer nada demais. De qualquer forma, faço de suas palavras as minhas. Caso aconteça alguma coisa, é só gritar que eu venho. - Falou em tom brincalhão, fazendo com que ele deixasse escapar uma rápida gargalhada.

-Como se eu fosse gritar. - Falou em deboche.

 Não pôde deixar de sorrir genuinamente diante de tais palavras, em seguida se virando, começando a se afastar.

Conforme os minutos passavam se afastava cada vez mais, não encontrando nada, até aquele momento, que fosse minimante tragável. É claro que não estava se esforçando o suficiente para encontrar alguma coisa, estando muito mais interessada em refletir sobre os últimos acontecimentos de sua vida. Distraída com seus pensamentos que divagavam hora ou outra para lugares totalmente diferentes e distantes daquele que se encontrava naquele momento. Praticamente todos seus pensamentos acabavam convergindo para uma única direção: em saber como estava Naruto.

Estava a vagar sem rumo, colocando um pé diante do outro sem prestar atenção por onde passava, se distanciando cada vez mais do seu ponto de partida. Estava tão distraída que nem se quer prestava atenção no que acontecia a sua volta. Com isso, acabou por escorregar em um amontoado de folhas secas dispostas sobre o chão. Por reflexo, acabou levando as mãos ao chão para impedir que caísse com tudo. Com algum custo conseguiu se manter em pé, por fim, conseguindo se equilibrar. Pela primeira vez olhou a sua volta, vendo um pequeno descampado, com árvores altas e nuas, devido à estação que fez com que suas folhas caíssem no chão, formando um manto natural no chão. Soltou o ar dos pulmões, vendo uma fumaça se formar instantaneamente devido ao frio. O vento a atingiu como se fosse farpas de gelo, fazendo com que percebesse o quão frio estava naquele momento. Abraçou o próprio corpo, esfregando os braços para tentar se esquentar, lembrando-se do casaco que, infelizmente, tinha deixado para trás. Pensou no mesmo instante em voltar, olhando a sua volta, percebeu pela primeira vez que tinha se afastado bastante.

Desespero começou a apoderar de si ao perceber que poderia ter se perdido por não se lembrar do caminho que tinha seguido. Amaldiçoou-se mentalmente por ter sido tão irresponsável em não ter prestado atenção no trajeto. Suspirou em desânimo, passando as mãos sobre os cabelos, na tentativa de se lembrar por onde viera.

Tentava lembrar a todo custo como era o percurso, até acabar se sobressaltando com um barulho provindo do meio da mata mais ao lado, com algumas folhas de alguns arbustos se remexendo, como se algo tivesse as mexendo. Seu coração se acelerou em um rompante e sua respiração se tornou descompassada. Apertou os olhos, olhando atentamente, na tentativa de ver o que tinha feito o barulho. Nada viu, e isso a desesperou ainda mais, dado ao fato que mais um barulho foi emitido, fazendo com que se afastasse. Quase tinha certeza de que se tratava de alguém que se aproximava e iria acabar a encontrando. Lembrou-se de imediato do canivete que Itachi tinha a emprestado, o pegando para usá-lo caso fosse preciso. Estava tremendo, mas naquele momento não era mais de frio e sim de medo. Sabia que tinha que correr e tentar se esconder, mas seu corpo não agia a seus comandos, como se estivesse paralisado. Sentia uma sensação aterrorizante de estar sendo observada e encurralada, sem ter para onde correr e se esconder. Mesmo assim, não podia deixar de sentir um pequeno fio de esperança, ao pensar que pudesse ser seu companheiro que tinha vindo procurá-la, ao perceber que ela tinha se afastado demais e demorava a voltar. Essa ideia era bem pouco provável, mas não era impossível.

O barulho soou novamente, bem mais alto e próximo. Sentindo um forte medo dentro de si, falou em um sussurro:

-Quem está aí?

Ao não receber nenhuma resposta, respirou fundo, na tentativa de se acalmar, logo depois falando mais alto:

-Quem está aí? Anda! Responda! Estou armada e não vou hesitar em usá-la caso seja preciso. Apareça para que possa vê-lo. - Falou em dúvida, pois, apesar de realmente possuir uma arma, era apenas um canivete. E não iria conseguir fazer muita coisa com ele se fosse uma pessoa com uma arma de fogo.

Recebeu como resposta uma pequena movimentação no seu lado direito, com um vulto surgindo a sua frente a assustando, fazendo com que se afastasse apressadamente para trás, em desespero.

Quando conseguiu focar a visão a sua frente, percebeu que se tratava de um pequeno coelho.

Soltou o ar que tinha prendido, sentindo-se aliviada e, ao mesmo tempo, envergonhada por ter se assustado daquela forma por causa de um animalzinho fofo como aquele. Suspirou aliviada, começando a rir de si mesma por ter se deixado passar pelo ridículo.

Ficou o observando por alguns instantes, vendo seus pelos cinzentos de aspecto macio cobrir todo seu corpo. Ponderou se deveria pegá-lo para comer. Mas, não demorou muito para refutar tal ideia, o vendo saltitar despreocupadamente, sem perceber sua presença. Sorriu ao perceber que por mais que aquela guerra horrível estivesse acontecendo, a maioria das coisas ainda seguia seu curso natural, imutáveis. A natureza não se importava com as ações humanas a sua volta, seguindo alheia aos acontecimentos.

Afastou um dos pés para trás, percebendo que o chão começou a ceder com o peso. Acho estranho, olhando a sua volta. Percebeu pela primeira vez que estava na beira de um barranco. Mas, antes que tivesse tempo de se afastar, todo o chão a sua volta começou a desmoronar, a levando consigo. Deixou escapar um forte grito de susto com a perda repentina de apoio, caindo rapidamente. Antes que pudesse fazer qualquer coisa para se segurar, sentiu algo duro e áspero chocar contra sua cabeça, fazendo com que uma dor a atingisse de imediato, irradiando por toda a extensão de seu crânio. No mesmo instante, sua visão ficou turva, escurecendo, até que perdesse a consciência.

[...]

Estava perdida em um sonho desconexo e tumultuoso, onde rápidas imagens passavam sucessivamente diante de seus olhos, sem que conseguisse focar em algo específico. Estava começando a se sentir enjoada e a cabeça doer, devido àquelas imagens surgindo a sua frente como em um flash. Não sabia o que estava acontecendo, já que não sentia nada a sua volta, além daquela sensação de estar caindo em uma queda livre que nunca tinha fim. Começou a se desesperar, tentando gritar, mas o som não saia. Tudo a sua volta era um silêncio mortal. Seu desespero só aumentava, juntamente com a dor na cabeça, que ficava cada vez mais forte.

Parecendo que o ar estava faltando, tentou inspirar o mais forte que conseguia, para fazer com que o ar entrasse em seus pulmões. Esse movimento permitiu com que o mundo a sua volta voltasse a emitir sons.

Percebeu água se chocando com alguma parede, produzindo um som agradável, além do som do vento uivante a sua volta. Estreitou os olhos, percebendo pela primeira vez que estavam abertos, apesar de não conseguir enxergar quase nada. Sua visão começou a clarear, tendo uma luz ficando cada vez mais forte, até que conseguisse focar no que havia a sua volta. Viu apenas as copas das árvores bem ao alto, com raios de luz as atravessando.

Movimentou minimamente a perna esquerda, percebendo algo ondular a sua volta. Abaixou a cabeça, notando que estava sentada, tendo água batendo a altura de sua cintura. Uma dor aguda irradiava do lado direito da cabeça. Ao levar a mão à mesma, percebeu que estava machucada, com sangue sujando seus dedos.

Acabou se lembrando do que tinha acontecido. Da queda. Percebendo que deveria ter batido a cabeça em algum lugar quando caiu e perdido a consciência. Não fazia ideia de quanto tempo tinha ficado desacordada naquele lugar, apesar de não notar diferença alguma a sua volta. A luz do dia ainda parecia a mesma. Talvez tivesse passado apenas alguns poucos minutos, nada mais do que isso.

Sentia seu corpo todo dolorido, mas tentou se mexer. Com isso, acabou percebendo que seu braço esquerdo estava dormente. Ao olhar em sua direção o viu preso por algumas pedras. Sentia uma leve ardência irradiar dele, mas nada comparado a da cabeça, por isso tinha demorado tanto para perceber que o mesmo estava preso. Tentou se soltar, mas não conseguiu. Estava firmemente preso. Tentou puxá-lo com um pouco mais de força por algum tempo. Por vezes tentou deslocar a pedra que o prendia, mas Tomito não tinha forças o suficiente para levantá-la. Acabou percebendo, para seu desespero, que estava presa.

Começou a olhar a sua volta a procura de algo que pudesse usar. Viu que estava na beira de uma pequena represa com pedras altas a rodeando em todas as direções, formando um dique. Olhou para cima, vendo que estava escorada no barranco, que tinha aproximadamente uns três metros de altura, constatando que sua queda não tinha sido tão grande.

Tentava pensar em alguma coisa para conseguir se soltar, mas nada vinha a sua cabeça. Acabou percebendo que a água a sua volta estava aumentando. Antes, quando tinha acabado de acorda, atingia sua cintura, agora já estava batendo em seu peito. Olhou para um canto, percebendo que tinha um pequeno extravasamento de água e que era daquela rachadura que surgia a água que estava enchendo aquela pequena represa. Não demorou muito para perceber que se ficasse por mais tempo por ali, ia acabar ficando submersa.

O desesperou começou a tomar conta novamente de si, deixando todos os seus sentidos em alerta. A adrenalina fluía livre por todos os poros de seu corpo, fazendo com que a dor que sentia há instantes atrás se dissipasse de imediato. Sabia que tinha que sair dali o mais rápido possível ou estaria perdida.

Tentava tirar a duras penas seu braço daquele aperto, de todas as formas possíveis. Mas nada que fazia surtia efeito. Conforme os minutos passavam e o nível da água subia cada vez mais a sua volta, o desespero a afligia.

Lembrou-se novamente do canivete, pensando que podia utilizá-lo para criar alguma maneira de se soltar. O procurou dentro dos bolsos e depois no chão a sua volta, não o encontrando. Percebendo que deveria ter o derrubado durante a queda e o perdido. Praguejou por isso e por tudo o mais. Se não estivesse tão distraída nada daquilo teria acontecido. Se tivesse ficado na caverna ou se não tivesse se distanciado tanto, naquele momento não estaria em apuros. Mas, deixou-se levar por sua mente sombria e pessimista e com isso iria pagar com a vida.

De qualquer forma, aquele não era o momento para se lamuriar e ficar pensando no que poderia ou não ter acontecido. Naquele momento era hora de agir e tentar sair daquela situação o mais rápido possível.

Tentava deslocar a pedra que estava sobre seu braço, depositando todas as suas forças, mas se quer a movia.

Quando percebeu, água já batia em seu queixo, subindo muito rápido. Sabia que naquele ritmo não demoraria mais do que cinco minutos para ficar debaixo d'água. A aflição a consumia por inteiro. Tentava a todo custo se soltar, sentindo seu braço imprensado. Se esforçasse muito, poderia até mesmo quebrá-lo. Mas, naquele momento preferia alguns ossos quebrados a morrer afogada.

Depositou todas as suas forças na mão livre, tentando deslocar a pedra. Mas, mesmo com todo seu esforço, não conseguiu movê-la um milímetro se quer. Estava presa e não tinha nada que pudesse fazer para se soltar. A água estava no nível de seus lábios, a obrigando a levantar o rosto para cima, para que o líquido não adentrasse em seu nariz.

Sua respiração começou a se acelerar. Não via muito mais opções e se agarrando as últimas esperanças, começou a gritar:

-Socorro! Alguém me ajude! Por favor! Socorro!

A água subia cada vez mais, implacável.

-Alguém me ajude! - Gritou mais uma vez com todas as suas forças. Ao perceber que a água iria ficar sobre sua cabeça, deu um último grito com toda a força que seus pulmões permitiam. - Itachi!

Sem demora, puxou a maior quantidade de ar que conseguia, prendendo a respiração, afundou por completo na água.

Aquela era a pior sensação do mundo. Saber que por mais que tentasse, não iria conseguir se salvar. Iria morrer naquele lugar, afogada e sozinha. Sem ter ninguém que viesse ao seu socorro. Percebeu que era possível que ninguém a encontrasse, e seu corpo iria ficar ali para sempre, morta, no fundo daquele pequeno lago, sem que nunca ninguém soubesse o que tinha acontecido.

Sentia seus pulmões começarem a arder e a vontade de soltar o ar era insuportável. Mesmo assim, tentou se manter forte, prendendo o máximo que conseguia aquele precioso ar dentro de seus pulmões. Ainda realizou algumas tentativas de se soltar, logo percebendo que não iria conseguir, desistindo.

Ficou olhando a sua volta, vendo a água turva com alguns raios de luz que ultrapassavam a linha d'água.

Não conseguindo mais segurar, acabou soltando o ar, formando bolhas que subiram a sua volta, desaparecendo na superfície. Agora não restava mais nada. Aquele seria seu fim. Logo não iria mais aguentar e acabaria involuntariamente inspirando e, com isso, levando para dentro de seu organismo toda a água, a afogando. Suas forças tinham chegado ao fim, seu peito ardia como nunca. Estava começando a perder gradativamente a consciência e seu fôlego.

Se dando por vencida, finalmente desistindo de lutar, abriu a boca, mandando a água para dentro de seu corpo e de seus pulmões. Nunca imaginou sentir tanta dor como naquele momento, mas, para seu alívio, foi rápido. Logo se sentiu anestesiada e quando deu por si, tudo era apenas escuridão. Então, aquilo era morrer? Parecia que sim. Tomito tinha chegado ao seu fim.

[...]

Já fazia algum tempo que Tomito tinha saído para procurar alimento e Itachi estava começando a estranhar sua demora em voltar. Por isso, resolveu ir procurá-la, indo na mesma direção que a viu seguindo, estando atento a tudo que acontecia a sua volta.

Andou por algum tempo, já estando afastado consideravelmente da caverna, começou a se sentir preocupado em não encontrá-la. Acelerou o passo, ficando cada vez mais ansioso. Olhava para todos os lados, mas não a viu em lugar algum. Estava começando a achar que algo de ruim teria acontecido.

Resmungava consigo mesmo por ter sido um irresponsável por tê-la deixado se afastar sozinha e desprotegida. Nunca iria se perdoar de algo tivesse acontecido.

-Tomito! - Gritou na esperança de atraí-la em sua direção, começando a se desesperar, ao não conseguir encontrá-la, conforme a luz do dia começava desaparecer diante de seus olhos e a escuridão surgir.

Acabou escutando um sussurro distante, parecendo o som de seu nome que era trazido pelo vento. Arrepiou-se dos pés a cabeça com aquela sensação. Virou-se bruscamente naquela direção, sem ter muita certeza se tinha ouvido direito, mas era a única pista que tinha. Sem hesitar por um segundo se quer começou a correr. Correu alguns metros por entre as árvores, encontrando um pequeno rio, que formava uma lagoa mais a frente, por estar sendo bloqueada por um dique rachado que permitia que um pouco de água o ultrapassasse. Aquilo com certeza era obra de mãos humanas, ao construir aquela barragem para represar a água. Não sabia o motivo daquela construção naquele lugar ermo, mas, pelo que percebia, tinha sido quebrado há pouco tempo.

Sem saber muito o porquê, se via atraído naquela direção. Aproximou-se lentamente, reparando, do outro lado, uma lagoa rasa que estava aumentando gradativamente de volume. Conseguiu pular aquela barreira sem muita dificuldade, pois, chegava apenas à altura de seu peito. Ao cair do outro lado, mergulhou a metade de seu corpo naquela água gelada. O vento gelado beijava sua face, jogando seus cabelos compridos para o lado. Olhava atentamente por todos os lados a procura de algo que ele nem se quer sabia muito bem do que se tratava. Acabou reparando em umas pequenas bolhas surgindo na superfície da água, em um canto mais afastado. Achou estranho, seguindo naquela direção.

Acabou percebendo que tinha uma pessoa submersa ali. Aproximou-se desesperado, colocando seu rifle nas costas para que não molhasse. Não conseguia ver direito de quem se tratava, devido à água turva, mas tinha quase certeza que se tratava de Tomito. Seu coração se acelerou em um rompante, pois, se não agisse de imediato ela iria se afogar. Abaixou-se tentando puxá-la, não conseguindo. Percebe que estava presa em um amontoado de pedras mais ao lado que impediam dela sair. Sem hesitar começou a empurrá-la, na tentativa de deslocá-la e soltar a morena. Mas, mesmo depositando toda sua força, não conseguiu movê-la. Começou a suar de nervoso e ficar com medo de não conseguir salvá-la. Cada segundo era precioso e se demorasse tanto, ela ria morrer e ele nunca se perdoaria por isso. Começou a olhar a sua volta, a procura de alguma coisa que pudesse usar como alavanca. Lembrou-se de seu rifle a suas costas, não pensando duas vezes antes de pegá-lo. Colocou o cabo em uma pequena rachadura entre duas pedras, logo em seguida fazendo força na extremidade oposta, o forçando para baixo, como se fosse uma alavanca, e assim conseguir levantar a pedra. Todos os músculos dos seus braços se retesaram, reclamando diante da força que exercia, mas não iria parar até conseguir soltá-la.

-Só mais um pouco. - Sussurrou para si mesmo, tentando se incentivar, depositando ainda mais força.

Após alguns segundos, finalmente conseguiu movê-la alguns centímetros. Colocou a mão na abertura, percebendo que aquele pequeno deslocamento era o suficiente para liberá-la. Tão rápido quanto possível, a pegou pela cintura a puxando para cima, a colocando sobre seu ombro, logo depois, pegando o rifle que tinha afundado ao seu lado. Saiu o mais rápido que conseguia daquela represa, a levando para a margem do rio, logo depois a deitando no chão. Tomito estava desmaiada, encharcada e com sua pele mais pálida do que o normal. Acabou percebendo que ela não respirava.

Desesperou-se de imediato diante daquela visão. Em um instante postou-se sobre ela, colocando uma perna a cada lado de seu corpo, ficando sobre a mesma, esticando os braços sobre seu peito, iniciou uma massagem cardíaca. Vendo que não surtia efeito, aproximou seus rostos, fechando seu nariz com uma das mãos e com a outra abrindo sua boca, ao mesmo tempo, em que levantava o queixo, iniciando uma respiração boca a boca, jogando ar para dentro de seus pulmões. Realizou tal procedimento algumas vezes, sempre alternando com a massagem cardíaca.

Conforme o tempo passava e ela não reagia, seu desesperou crescia cada vez mais. Seu medo era tanto como nunca antes sentira. Não sabia o porquê de estar se sentindo assim. Já tinha visto muitas pessoas morrerem, entre elas até mesmo seus pais. Mas, nunca sentira tal angústia como naquele instante. O sentimento de impotência, de não poder fazer nada para trazê-la de volta estava o destruindo, o deixando desnorteado. Tomito não podia simplesmente morrer. Não ali, não daquele jeito. E esse sentimento de negação era o que o mantinha firme na tentativa de ressuscitá-la. Não sabia quanto tempo estava a realizar aquele procedimento, mas lágrimas começaram a surgir em seus olhos, se misturando com a água que pingava de seu cabelo molhado. Em uma última tentativa desesperada, novamente pressionou seus lábios contra os dela, soprando todo o ar para dentro de seus pulmões, logo depois se afastando.

Como em um passe de mágica a viu começar se contorcer, abrindo a boca em desespero, cuspindo toda a água para fora, juntamente com uma tosse e arfar desesperados em busca de ar. Ela tinha voltado à consciência.

[...]

Puxava o ar para dentro dos pulmões com força, os sentindo doer ao se preencherem de ar. Sentia cada fibra de seu corpo dolorido, mal conseguindo se mover. Sua vista estava embaçada. A única coisa que conseguia fazer naquele momento era arfar em desespero em buscar de mais ar. Estava atordoada, se sentindo perdida, nem fazendo ideia de onde estava. Começou a tremer em fortes convulsões, devido ao frio e medo.

Começou a se debater a procura de algo que pudesse orientá-la.

Não conseguia ver nada além de borrões. Sentiu mãos segurando seus ombros e uma voz tranquila soar logo a sua frente:

-Acalme-se. Por favor, tente se acalmar. Você precisa respirar com calma.

Ainda atordoada, tentou se levantar minimamente, a procura do dono da voz. Sentiu todo seu corpo reclamar, ficando ofegante diante daquele mínimo esforço que naquele momento mais parecia que iria acabar a levando a exaustão. Após algum tempo de desorientação, finalmente conseguiu focar sua visão naquele rapaz parado a sua frente, a olhando preocupado. Ficou por alguns segundos o observando sem reconhecê-lo, mas quando percebeu de que se tratava de Itachi, não hesitou em se jogar para frente, o abraçando fortemente em desespero, sentindo toda a angústia começar a se esvair de imediato e um alívio a preencher. Sem conseguir aguentar, começou a chorar.

Sentiu quando ele retribuiu o abraço a envolvendo em seus braços, delicadamente, passando uma das mãos por suas costas e a outra sendo depositada em sua nuca com carinho, na tentativa de consolá-la.

Deixou grossas lágrimas verterem de seus olhos como se fossem cachoeiras, ao mesmo tempo em que descansava sua cabeça na linha de seu pescoço e inalava sua fragrância, tendo seus cabelos compridos a cobrir seu rosto. 

Não queria findar o abraço, queria continuar mantendo o máximo que conseguia aquele contato, sentir o calor emanado de seus braços até o último instante. Aquele contato era o que a fazia se sentir viva.

Não sabia por quanto tempo ficaram naquela posição, agarrada ao seu pescoço a chorar descontroladamente, e nem se quer importava com isso. Apenas o ouviu suspirando próximo a sua orelha, começando a acarinhar seus cabelos soltos, de forma carinhosa, na tentativa de acalmá-la.

Quando não tinha mais lágrimas para chorar, finalmente se sentia melhor. Apesar de seus pulmões ainda arderem e todo o seu corpo reclamar, percebeu, mesmo que a contra gosto, que deveria se afastar. Afastou-se por alguns centímetros, ainda ficando bem perto, tendo suas faces a milímetros de distância. Nunca tinha chegado tão perto dele como naquele momento, mas, apesar da proximidade, não sentia nenhum tipo de constrangimento. A única coisa que sentia era alívio por tê-lo ao seu lado. Contrariando o que tinha acabado de pensar, sentiu novas lágrimas escorrerem por sua face. Parecia que nunca teriam fim.

O olhando, viu a tristeza estampada em sua face.

Suspirou profundamente, na tentativa de conter as lágrimas que escapavam. Itachi levantou seus braços, depositando ambas as mãos em seu rosto. Ele pegou uma mexa que estava grudada em sua face, a colocando atrás de sua orelha, falando:

-Respire com calma. - Falava por enquanto que a incentivava a inspirar e expirar tranquilamente, fazendo movimentos para que o imitasse.

O imitou como se fosse uma aluna obediente, começando a se acalmar com aquele exercício.

-Por favor, não chore mais. - Ele falou novamente, movimentando seus dedos por sua face, secando as lágrimas que por ali caiam. - Já passou o perigo, agora estou aqui e nada de ruim vai acontecer. Prometo a você. - Sua voz era doce e carinhosa, tentando transmitir toda a calma e confiança que possuía.

Não pôde deixar de soltar um leve sorriso diante de tais palavras, fazendo com que ele retribuísse o sorriso, ao mesmo tempo em que se afastava para olhá-la melhor.

-Que bom que está sorrindo. Isso quer dizer que já está melhor.

Tomito balançou a cabeça em concordância, passando suas mãos por sua face para secar as últimas lágrimas.

Ainda se sentia exausta e mal conseguia se apoiar. Ao perceber isso, Itachi a segurou pelos braços, a levando com delicadeza para encostá-la a um troco. O vento gelado começou a açoitá-los, produzindo um arrepio por toda a sua espinha, mas não se importou. Estava mais interessada em observar e saber o que seu companheiro iria fazer.

Ele sentou a seu lado, a olhando com intensidade, logo em seguida pegou seu braço, que tinha ficado preso entre as pedras, o analisando. Tomito voltou seu olhar na mesma direção, vendo que seu braço tinha alguns arranhões e grandes hematomas, além de um corte que vertia sangue. Itachi suspirou, retirando a mochila das costas, a abrindo. Pegou uma pequena bolsa, que logo reconheceu se tratar do seu kit de primeiros socorros.

-Não está tão feio assim, podia estar pior. - Ele falou ao mesmo tempo em que abria a bolsa, retirando alguns produtos. - Não parece estar quebrado. Está sentindo alguma dor? - Questionou, voltando a pegar seu braço, o esticando em sua direção, avaliando sua motilidade.

-Não. - Falou em uma voz fraca, sentindo extremo cansaço, sem forças alguma para falar qualquer coisa que fosse.

-Isso é bom. - Falou bom fim, começando a limpar seu ferimento tranquilamente e de forma metódica.

Apenas o deixou fazer a limpeza, apesar de sentir algumas pontadas e ardência, mas nada falo, ficando apenas a observá-lo. Quando já tinha limpado suficientemente bem o local, começou a fazer os curativos, o enfaixando com uma atadura de forma precisa e bem feita. Parecia que ele já tinha costume em fazer aqueles tipos de procedimentos.

Cansada do silêncio, sentindo vontade de falar para poder escutar sua voz e lhe dar a certeza que estava viva, acabou perguntando:

-Como me encontrou? - Sua voz saiu arrastada, baixa e vacilante, fazendo com que sua garganta doesse, mas não se importou.

Falar, sentir dor, e ter qualquer tipo de contato a fazia se sentir viva.

-Confesso que foi sorte. Percebi que você estava demorando em voltar e comecei a procurá-la, mas não consegui encontrar. Então, acabei escutando um barulho, como se alguém estivesse me chamando. Achei estranho e resolvi seguir na direção do som, chegando aqui no rio. Vi o dique e segui naquela direção. Não consegui ver nada devido à cor escura da água, mas vi um movimento debaixo da água e percebi que tinha alguém ali. - Ele falava tranquilamente sem se quer desviar o olhar de sua tarefa.

-Como conseguiu me soltar? Meu braço estava preso naquela pedra. Era impossível de sair.

Itachi parou o que fazia, a olhando intensamente dentro dos olhos, parecendo estar a procura de alguma coisa. Não demorou muito e voltou a olhar para o braço, falando simplesmente:

-Usei o rifle para fazer uma alavanca e, assim consegui deslocá-la. - Disse olhando para o lado, para alguma coisa no chão.

Olhou na mesma direção, vendo a arma com o cabo quebrado.

-Está quebrada. Desculpe-me por isso.

-Isso não importa. No momento o importante era salvá-la e o seu bem-estar. De qualquer forma, acho que ainda posso usá-la. Mas, não é para você se desculpar. - Terminou de falar dando de ombros, ainda parecendo estar bastante entretido no curativo que fazia em seu braço.

-Muito obrigado. Você salvou minha vida. Nem sei como agradecer.

-Não precisa se importar com isso.

-Mas, você salvou minha vida. É claro que preciso fazer alguma coisa para retribuir.

-Não se preocupe com isso.

Mesmo assim, ela continuou insistindo, fazendo com que ele a olhasse sério, falando:

- Já disse que não precisa se preocupar. De qualquer forma, tenho certeza que você ainda vai ter a oportunidade de retribuir o favor. Por isso, não vamos pensar nisso por enquanto. - Terminou de falar dando uma piscadela, voltando a se distrair com o curativo. - Como você foi parar lá? - Por fim perguntou, curioso.

Tomito suspirou, não sabendo se deveria contar sobre seu conflito interno ou apenas dos fatos concretos. Olhou a sua volta, vendo grandes árvores, além do rio passando tranquilamente ao seu lado, emitindo um som aconchegante. Mesmo que hesitando, começou a falar:

-Não estava me sentindo muito bem. Estava pensando em algumas coisas que não eram muito boas e precisava ficar um pouco sozinha, tentar me distrair. Por isso, dei a ideia de sair à procura de comida. Na verdade, só queria ficar sozinha e refletir sobre tudo o que está acontecendo. Com isso, acabei me distraindo e, quando dei por mim, já tinha me afastado muito e nem me lembrava de qual rumo tinha seguido. Acabei encontrando uma clareira e comecei a escutar alguns barulhos. Fiquei com medo que pudesse ser alguém que iria me machucar, me ferir de alguma forma. Fiquei tão apavorada, com tanto medo que nem percebi o que tinha a minha volta. Quando vi, já era tarde. Acabei escorregando e caindo dentro daquela represa, ficando presa. A água começou a aumentar rapidamente e não conseguia sair porque estava presa. Fiquei com tanto medo, tão desesperada, porque sabia que ninguém iria me encontrar. Que eu iria morrer! - Sua voz começou a ficar embargada, já sentindo seus olhos arderem e as lágrimas começarem a brotar. Querendo evitar que escorressem novamente, começou a esfregar os olhos, respirando profundamente para voltar a se acalmar.

Itachi nada falou, ficando apenas a olhar, parecendo a analisar nos mínimos detalhes. O viu balançar a cabeça em compreensão, como se tivesse chegado a alguma conclusão. Afastou-se, levantando-se e falou:

-Já terminei o curativo. Ele não é tão bom, mas quando você ficar melhor vai poder arrumar.

-Obrigado. - Murmurou olhando para o braço todo enfaixado e imobilizado.

Ele tinha feito um bom trabalho, mas como enfermeira, sabia que podia fazer melhor. E quando estivesse se sentindo bem o arrumaria.

-Temos que voltar para a caverna. Já está começando a ficar escuro e se ficarmos por muito tempo por aqui podemos não encontrar o caminho de volta. -Falou lhe estendendo as mãos para ajudá-la a se levantar.

Levantou-se com bastante custo, se sentindo fraca, mal conseguindo se firmar em pé. Cambaleou para os lados, perdendo o equilíbrio, percebendo que iria cair. Mas, não demorou em ser amparada por Itachi, que a segurou firmemente pela cintura a colocando em pé, logo em seguida ficando ao seu lado para ajudá-la a andar.

-Me sinto tão inútil e patética. - Disse por enquanto que tentava colocar um pé a frente do outro, de forma lenta, com se estivesse aprendendo a andar novamente.

-É normal ficar desse jeito. E, tenho certeza que uma boa noite de sono será o suficiente para que se recupere. Seu organismo passou por uma forte pressão e com falta de oxigênio. É normal que se sinta assim.

-Bem, minha mente ainda está um pouco anuviada. Não estou conseguindo prestar muita atenção às coisas a minha volta. - Sua voz saiu um pouco rouca, grogue. Sentia-se cada vez mais cansada e seus olhos começavam a se fechar.

Sentiu uma forte vontade de dormir, mas não podia. Tinha que continuar a andar. Não queria dar mais trabalho para seu colega, por isso, tentou se manter o mais firme e acordada possível.

-Você está toda molhada. - Ele disse passando a mão por seus braços, na tentativa de esquentá-la. - Assim como eu. Bem, não vejo mal algum que, pelo menos por hoje, eu posso acender uma fogueira para nos esquentar.

Tomito sorriu diante do comentário, pois, desde o dia que o viu pela primeira vez, nem por um dia sequer ele tinha cogitado a ideia de fazer uma fogueira. Segundo ele, era uma ótima fonte de luz e um bom sinalizador para chamar a atenção de qualquer pessoa que estivesse por perto e, assim, acabar os encontrando. Sabia muito bem o que ele estava fazendo. Estava tentando fazer com que ela se sentisse o melhor possível. Sentiu-se grata por aquele gesto, apreciando profundamente sua companhia e, assim, acabando por dissipar os últimos resquícios de desconfiança que ainda sentia por ele. Aquela era a primeira vez que o via como um homem bom. Ele era seu herói, seu salvador. Decidiu naquele mesmo instante que nunca mais iria se afastar, e daquele momento em diante iria tratá-lo como o merecido.


Notas Finais


Espero que tenham gostado e que me deixem saber o que estão achando.
Só queria aproveitar para falar que esses últimos capítulos não tem tido muita coisa relacionada direitamente a guerra porque nesse período ela deu uma "esfriada", por assim dizer. Não acontecendo coisas importantes para serem citadas ou até mesmo vivenciadas na história. Mas, podem ter certeza que quando voltar a ter algo importante e mais interessante vou colocar 😁😁
Até a próxima!!

Notas:
1) Saint-Quentin é uma comuna francesa localizada na região dos Altos da França. Situa sob o rio Somme, tem aproximadamente 55.698 habitantes


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