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História Os dias eram assim - Capítulo 48


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Notas do Autor


Olá pessoal. Tudo bem com vocês? Espero que sim.
Depois de uma leve demora, cá estou novamente com mais um capítulo.
Espero que gostem.
Boa leitura!

Capítulo 48 - Capítulo 44


•Londres, fevereiro de 1941

Estavam voltando para casa.

A tarde a muito tinha chegado, trazendo consigo um vento frio e algumas nuvens cinzentas. Mesmo assim, era possível ver através da janela do automóvel os feixes de luz alaranjado que coloria os céus de Londres. Era uma bela visão, que enchia seu coração de melancolia.

Hinata sentia falta de observar o céu pela janela de seu apartamento, tão pequeno, mas tão aconchegante. Sentia falta de casa. Isso era um fato irrefutável, mas que não deveria deixar transparecer. Apesar de começar a temer a ideia de que nunca mais voltaria para sua terra natal. Sabia que era um pensamento bastante radical, mas muito plausível. Se continuasse daquele jeito, Shikamaru nunca mais permitiria que ela fosse embora.

Suspirou desanimada, voltando a olhar o interior do veículo.

Temari dirigia o carro, animada por voltar a realizar seu hobby predileto. Sakura estava sentada, pela primeira vez, no banco dianteiro, ao lado da motorista. Não se sentido mais uma destruidora dos bons costumes. Pela primeira vez se sentia no direito de estar onde estava. E Hinata achava que as coisas só tenderiam a mudar a partir dali.

Estavam voltando de Oxford Street. Uma rua comercial bastante popular.

A primeira vez que foram lá o motivo tinha sido realmente comprar alguma coisa, mas acabaram descobrindo um sindicato em prol dos direitos femininos, que ficava localizado naquela região. No começo apenas ficaram curiosas para descobrir sobre o que falavam, mas conforme as reuniões se sucederam, ficavam cada vez mais interessadas nos temas abordados. Aquelas mulheres eram conhecidas como sufragistas¹. Desde que tinham começado aquele sindicato já tinham conquistado muitas vitórias, como o direito ao voto feminino para mulheres acima de 30 anos em 1918. Tinha sido uma grande luta, que acabaram vencendo. Mas, ainda tinham muitas outras lutas no qual travar para aumentarem ainda mais seus direitos perante a sociedade.

Sakura e Temari ficaram animadas de imediato, dispostas a fazer o que fosse necessário para ajudar na causa. Hinata, por outro lado, nunca se importou com tais assuntos, já que tinha sido criada única e exclusivamente para servir a seu país, fazendo o que fosse necessário. Apenas participava para acompanhar as outras duas, e as vigiar de perto, como tinha sido ordenado por Nara. Mas, confessava que estava começando a se sentir interessada. E, o disfarce era perfeito. Ninguém desconfiaria de três mulheres que frequentavam estabelecimentos comerciais. Suspeitava que nem mesmo Shikamaru desconfiava. Sorriu minimamente com tal ideia. Gostava de se sentir um passo à frente do moreno. Isso a fazia se sentir mais livre e, quem sabe, mais próxima de casa.

Não demoraram para chegar na rua da mansão Hatake, e visualizar a bela árvore que ficava defronte a casa. Logo que o carro parou se adiantou a descer, atravessando o portão de ferro e a passarela de acesso à entrada principal. As meninas a seguiam de perto, acirradas em uma conversa animada, que Hinata não dava muita importância.

-Vamos para a sala de estar para tomarmos um pouco de chá. – Sakura anunciou ao mesmo tempo que retirava seu chapéu de aba larga em um tom róseo, que combinava com seu vestido de mesmo tom, que era de mangas curtas e decote oval, que deixava seu colo levemente exposto, com a saia que descia rente ao corpo, ficando apenas um palmo acima dos pés.

Temari a seguiu no processo, anuindo com a cabeça, por enquanto que se livrava das luvas de renda branca que contrastava com o vestido no tom azul-bebê, com as mangas de três quartos, um discreto decote em V e a saia, que era um palmo acima do joelho. Hinata não estava diferente, desfilando em um vestido verde-água encorpado, de mangas compridas e gola alta, com sua saia chegando até a altura do joelho.

Hinata nada disse, chamando a atenção para si, as fazendo a olhar em indagação. Não entendeu o porquê de ser alvo da atenção, pois, estava distraída e não tinha se atentado ao comentário, as olhando perdida.

-Hinata? – Temari inqueriu a observando com atenção.

-O que? – Perguntou perdida, arqueando a sobrancelha em indagação.

-Você está bem? – Sakura disse tão curiosa quanto a loira.

-Claro. Porquê da pergunta? – Franziu a testa com estranheza.

-Está tão distraída. Penso que deve estar acontecendo alguma coisa. – Temari se pronunciou novamente.

-Não é nada de mais. Apenas saudades de casa. – Falou dando de ombros, colocando o chapéu em um cabide do roupeiro.

-Entendo. Mas, logo vai poder visitar sua tia. Então, não precisa se preocupar. – A rosada disse serenamente.

-Sim, você tem razão. – Sua voz soou baixa e bastante tranquila.

-Então, chamei para irmos tomar chá. Gostaria de nos acompanhar?

-Claro. Mas, gostaria de ir ao toalete primeiro.

-Sim. Fique à vontade. A esperamos na sala de estar. – Sakura disse começando a se afastar, com Temari a seguindo de perto.

As observou se afastarem até sumirem de vista, logo rumando para o corredor lateral, onde sabia da existência de um banheiro. Quando estava para entrar no mesmo, algo lhe chamou a atenção. A porta mais a frente, que sabia dar acesso ao escritório do senhor Hatake, estava entreaberta. Achou estranho, pois sabia que ninguém entrava naquela sala além do seu dono. E, como ele estava viajando, tinha certeza que o cômodo estaria trancado.

Arqueou a sobrancelha desconfiada, se voltando naquela direção, dando um passo à frente do outro com bastante cautela, olhando a sua volta para ter certeza de que ninguém estaria a observando. Empurrou a porta com cuidado, fazendo com que a velha madeira rangesse ao seu toque. A abriu, revelando o ambiente ricamente mobiliado e intocável. Estava frio e escuro, com a lareira a muito tempo apagada e as grossas cortinas fechadas, indicando que o escritório não era habitado há tempos. Quase voltou para trás, mas seu instinto começou a falar mais alto, a instigando a continuar.

Olhou a extensão do corredor. Tendo certeza que não tinha alguém a observando, adentrou o recinto. Olhava com cuidado todos os detalhes a sua volta, vendo as velhas poltronas que um dia tinha se sentado e se servido de uma bebida, que ainda estava no aparador, há tantos meses. O lugar estava incólume, sem poeiras a se acumular. Duvidava que as empregadas não tinham acesso à sala para poder limpá-la. No final das contas, talvez tenha sido uma delas que tinha entrado para poder limpar e esqueceu de fechá-la. Essa era a resposta mais óbvia. Mas, tinha algo que a incomodava, algo que estava a cutucar seu cérebro, a incitando a continuar. Se havia algo que tinha aprendido com seus anos de treinamento era que nunca deveria ignorar seus sentidos, e não seria naquele momento que o faria.

Se aproximou da mesa, que estava vazia, com exceção de um tinteiro de mármore com sua pena depositada ao lado. Deu a volta no móvel, parando ao lado da poltrona, não vendo nada de diferente. Estava começando a achar que tinha se engando, que estava sobre muita pressão e começando a imaginar coisas. Ponderou em abrir as pesadas cortinas para permitir a baixa luz do dia adentrar no cômodo, mas acabou por mudar de ideia. Decidiu ir embora, pois sua demorar poderia chamar a atenção das meninas, e claramente não havia nada de suspeito.

Começou a andar, mas acabou pisando em algo que produziu um barulho de papel amassando. Olhou rapidamente para baixo, vendo uma folha por cima do carpete aveludado. Se empertigou de imediato, achando muito estranho. A pegou com avidez, olhando seu conteúdo. Apesar de ser difícil de ler naquele ambiente escuro, conseguiu vislumbrar algumas palavras.

Arregalou os olhos de imediato ao constatar do que se tratava. Era um documento confidencial sobre uma reunião realizada com o primeiro-ministro no ano passado, referente aos ataques realizados na costa francesa. Perdeu o ar por alguns instantes, sentindo um arrepio percorrer seu corpo. Olhou a sua volta com a impressão de que algo pudesse surgir das sombras e atacá-la. Aquela sensação se agarrou em seus ossos e não conseguia mais abandoná-la. Aquilo era muito estranho. Porque tal documento estaria jogado no chão, sendo que não havia mais nada fora do lugar? Nenhuma outra folha, pasta ou qualquer coisa que indicasse que pudesse pertencer tal documento.

Voltou para a frente da mesa, abrindo as gavetas para saber sobre o seu conteúdo, mas para sua surpresa, estavam vazias. Definitivamente, era muito estranho.

Alguém tinha entrado na sala. Mas quem? Tinha conseguido alguma coisa? Aquelas gavetas guardavam outros documentos, que tinham sido roubados, ou estavam vazias desde o começo? Não sabia. Talvez Sakura soubesse, mas seria estranho se perguntasse algo tão pessoal. E, não podia chamar tanta atenção. Mas, com toda a certeza, alguém tinha entrado ali. Não sabia com qual objetivo. Mas, algo lhe dizia que tinha conseguido o que queria.

Arregalou os olhos de imediato, se lembrando das garotas. E se fosse alguém que quisesse feri-las?

Arquejou, dobrando a folha e a colocando por dentro de seu vestido, o prendendo no sutiã. Depois o examinaria com mais cuidado, na tentativa de descobrir algo a mais. Levantou a saia, olhando para a cinta presa em sua coxa esquerda, onde alojava com segurança um pequeno revólver. Ao constatar que estava em perfeitas condições de uso, saiu rapidamente da sala, a fechando com cuidado.

Foi para o salão principal com o objetivo de chegar a sala de estar, mas ao ouvir as vozes animadas das meninas, se tranquilizou um pouco.

Resolveu dar a volta na cozinha para conversar com alguma empregada. Quando estava a passar pela sala de jantar, acabou por encontra Judith, que acabava de sair da sala contígua, que dava acesso à sala onde as meninas estavam. A moça se sobressaltou com sua presença, mas logo se acalmou, sorrindo minimamente.

-Senhorita Hinata, em que posso ajudá-la?

-Nada em específico. Só estava querendo um pouco de água. – Disse docemente na tentativa de tranquilizá-la.

-Só um instante. – Ela disse, indo até uma bandeja com um jarro, despejando o líquido em um copo de cristal, a entregando.

-Muito obrigado. – Agradeceu bebericando da bebida, logo voltando a falar. – Alguém apareceu por aqui hoje? – Inqueriu como se estivesse apenas a jogar conversa fora.

-Não senhora. Ninguém apareceu.

-Nem mesmo algum vendedor?

-Não.

-E alguma ligação?

-Não. Apenhas o senhor Nara, querendo saber onde as senhoritas estavam.

-Entendo. – Disse bebendo mais um pouco. – Tem certeza de que era o senhor Nara?

-Sim senhora. Por que da pergunta?

-Por nada. Sobre o que conversaram?

-O de sempre. Ele é bem direto. Perguntou onde estavam e se ninguém mais tinha ficado em casa. Quando disse que as três tinham saído as compras, ele concordou e desligou.

-O senhor Nara é bastante preocupado mesmo.

-Sim senhora. Fico até mesmo comovida. O rapaz parece que fica a trabalhar tanto, até quando está doente. Mas, ainda dispõe de tempo para saber se as senhoritas estão bem.

-Doente? Ele disse alguma coisa sobre isso? – Ficou curiosa sobre o assunto. Fazia dias que não via o moreno, e não sabia como estava. Não duvidava se o mesmo estivesse doente, já que parecia morar no escritório.

-Não me disse, mas sua voz estava rouca. Tenho certeza que estava resfriado.

Engoliu em seco com a informação. Não sabia se era algo, mas deveria averiguar. Tinha que conversar com Shikamaru quanto antes, para saber se aquilo era verdade. Suspeitava que se alguém tivesse invadido aquela casa, teria ligado para saber se não tinha alguém. E, quem melhor do que se passar por Shikamaru? Ninguém nunca desconfiaria dele.

-Entendo. Nesses dias de clima frio é bem mais fácil de contrair um resfriado. Espero que melhore logo.

-Que assim seja.

-Muito obrigado. Vou voltar para perto das meninas. – Anunciou sorridente, estendendo o copo para que fosse pego.

Logo saiu, indo para a sala de estar. Tinha que manter a calma, fingir que estava tudo bem. Ainda não sabia com todos os detalhes o que estava acontecendo, mas tinha certeza que deveria alertar o Nara, para que descobrissem quem era. Mas, no momento, a única coisa que podia fazer era fingir ignorância e ficar com os olhos e ouvidos bem atentos para qualquer movimento suspeito. Se uma pessoa desconhecida tinha conseguido adentrar aquela casa, isso significava que iria conseguir o fazer outras vezes. Parecei que suas noites de sonos estavam suspensas por hora. Não poderia fechar os olhos, teria que vigiá-las de perto, para que não corressem perigo.

Suspirou minimamente, estampando um sorriso singelo na face antes de abrir as portas de correr e se deparar com as duas a conversar animadamente, alheias ao que acontecia a sua volta. Que continuasse assim! A pior coisa que poderia acontecer é se descobrissem que estavam em perigo. Isso poderia causar um desastre.


•Reims, fevereiro de 1941

Uma fumaça escapava de seus lábios a cada expiração, tão branca e densa como a neve que a circundava. Estreitou os olhos, não entendendo o que acontecia.

Tinha quase certeza que onde estava não tinha neve. Mas era impossível de negar aqueles montes brancos de gelo, que afundavam sob seu corpo. Olhou atentamente a sua volta, percebendo que estava cercava por árvores frondosas, que se projetavam para cima como esqueletos brancos ou que acumulavam gelo em suas folhas, como se fossem pingentes. Era estranho, pois sentia uma sensação crescente de que conhecia o lugar.

Se sentia perdida, sem saber o que estava acontecendo. Tinha quase certeza que estava esquecendo de algo, que tinha alguma coisa muito importante que estava deixando de lado. Mas, o que poderia ser? Sabia que não estava no lugar que esperava de fato estar, mas nada mais surgia em sua mente que pudesse a lembrar de outros detalhes. Sua mente estava em um branco total.

Estava deitada, e sem saber o motivo, resolveu levantar. Ficou um pouco tonta com o movimento brusco, mas não demorou a fixar sua vista no caminho a sua frente. Resolveu dar alguns passos para explorar o ambiente a sua volta, disposta a se lembrar de onde estava.

A resposta estava quase na ponta da língua quando acabou por sentir uma leve pontada em sua cintura. A segurou de imediato, arregalando os olhos ao se lembrar do que se tratava. Olhou rapidamente para a região dolorida esperando por um rio de sangue a escorrer do ferimento que tinha sofrido. Mas, para seu completo espanto, não havia nada. Apalpou o lugar, não reparando em nenhum corte, nada. Havia apenas um formigamento onde tinha quase certeza que tinha sido apunhalada.

Aquilo a intrigou, mas algo a mais acabou lhe chamando a atenção. Sua roupa. Reparou que estava com um vestido de tecido grosso e aveludado em um tom vinho, e um casaco de pele por cima, para esquentá-la. Também estava usando saltos e meias e, ao passar as mãos pelos cabelos, notou que estavam amarrados em um coque despojado, como sempre costumava usar quando ainda estava em Berlim.

Berlim!

Era isso! Estava em casa!

 Agora entendia o porquê de conhecer aquele lugar. Era o Tiergarten. Tinha voltado para casa.

Sorriu largamente com tal pensamento, e seu coração começou a se encher de esperanças. Será que todos aqueles acontecimentos tinham sido um pesadelo e finalmente tinha acordado? Se permitiu sorrir minimante com tal perspectiva. Se fosse verdade, tinha que voltar para casa quanto antes para ver sua família. Seus pais. Tinha que os vês e abraçá-los com todas as forças e dizer que os amava.

Mas, logo seu lado racional começou a perturbá-la. Tudo o que aconteceu não podia ser somente um sonho. Tinha sido real demais. Se fosse realmente um sonho, isso significava que nunca tinha conhecido Itachi.

Será que ele era apenas um fruto de seu subconsciente? Não se admiraria se fosse. Ele era muito bom para ser verdade. E.... seu pai. Isso significava que ele ainda estava vivo!

 Sorriu com a ideia, começando a andar o mais rápido que podia para poder chegar em casa. Tinha que o ver.

Corria o quanto suas roupas pesadas e a sandália que escorregava no gelo a permitiam. Acabando por retardá-la um pouco. Isso a incomodou, mas se empenhou a prosseguir.

Tinha que chegar em casa quanto antes.

 Não demorou a visualizar o portão de ferro que sinalizava a entrada do parque, refletindo o brilho do sol, causando um leve reflexo que incomodava seus olhos. Mas, não se importou. Significa que estava quase lá.

Faltava apenas cinquenta metros para atravessá-lo, quando reparou que tinha uma pessoa parava bem embaixo do portão. Se aproximou um pouco mais, parando estaticamente ao notar quem era.

Esqueceu de como respirar e seu coração parou por um segundo. Suas pernas viraram chumbo, parecendo cravadas no chão.

-Pai. – Balbuciou chorosa, com lágrimas a imergirem nos cantos de seus olhos.

Ele sorriu de lado, parecendo satisfeito por ter sido reconhecido.

Não tinha como se enganar, era ele. Minato. Tão bonito quanto se lembrava, com seus cabelos dourados a brilhar com intensidade na luz do dia, seus olhos azuis profundos e gentis a olhando com veemência e seu uniforme militar impecável e alinhado à perfeição em seu corpo. Ele estava exatamente como se lembrava de tê-lo visto pela última vez, na estação de trem, há tanto tempo.

-Pai... – Disse novamente, agora um pouco mais firme, apesar das lágrimas caírem por seu rosto em cascatas.

Mal conseguia respirar, com a emoção que sentia. Ele estava lá. Vivo e bem. Não podia o deixar ir embora. Não podia permitir isso.

Tentou se aproximar, mas algo a impediu, como se estivesse presa no chão. Olhou para baixo, mas nada viu. Estava tudo normal. Tentou novamente, mas parecia que algo invisível a segurava no lugar. Começou a se desesperar, tentando se mexer na tentativa de avançar.

-Pai! – Gritou em sua direção, querendo chamar sua atenção, para que fosse em seu socorro, mas, parecia que não a ouvia.

Um desespero começou a tomar conta de si. O que estava acontecendo? Parecia estar presa em um pesadelo.

-Pai! – Chamou novamente, finalmente conseguindo dar um passo à frente, sofrido, como se estivesse depositando todas a suas forças naquele simples movimento.

-Se acalme. – O ouviu dizer pela primeira vez, com uma voz suave e límpida, exatamente como se lembrava.

Seu peito doeu com a nostalgia, e a vontade de abraçá-lo e sentir seu perfume amadeirado a inundou. Ouvi-lo surtiu um efeito apaziguador, permitindo que sua respiração se normalizasse. O olhou em expectativa, na esperança que continuasse. Mas, ele nada disse, se contentando em olhá-la com carinho.

-Sinto tanto a sua falta. – Disse por fim, percebendo que não iria conseguir se aproximar, pelo menos por enquanto. – Sinto tanta a sua falta. A sua e de mamãe. Por favor, me diga que tudo aquilo não passou de um sonho e que está tudo bem...- Desabou a chorar novamente, se abraçando na tentativa de se confortar.

-Se acalme. – Ele pronunciou as mesmas palavras em um mesmo tom, a irritando.

-Me diga outra cosia que não seja, se acalme. – Esbravejou nervosa. Não queria apenas ouvir tal sentença. Queria ouvir muito mais.

Ele sorriu ainda mais largo, semelhante ao sol a reluzir em sua face.

-Você tem o mesmo gênio de sua mãe. – Por fim ele disse, a tirando o fôlego. – Fico feliz em saber. Mas, é por esse motivo que peço que se acalme. Você não pode se exaltar. Não existe apenas você aqui, Tomito. Não é somente você que está passando por essa experiência. Por isso, se acalme.

- O que quer dizer com isso? – Perguntou exasperada.

-Você já sabe.

-Eu... – Começou a falar, mas as palavras prenderam em sua garganta. Respirando fundo, voltou a falar. – Estou morta, é isso? Tudo aquilo foi verdade. Aquela facada foi real e acabei morrendo. É isso? E você veio me acompanhar no além vida? Se eu passar por esse portal, vou parar aonde? No céu ou inferno? Ou nada disso existe?

-Você precisa se acalmar.

-Pare de me dizer isso e me responda! – Esbravejou, frustrada com tudo o que acontecia.

-Eu já disse. Você não está mais sozinha, Tomito. – Ele sorriu alegremente. – Não vim aqui para poder acompanhá-la. Pelo contrário. Estou aqui apenas para indicá-la o caminho de volta. Ainda não chegou o seu tempo. Por isso, preciso que se acalme. Respire. É apenas assim que vai conseguir acordar.

-Não quero acordar. Cansei de tudo aquilo. Por favor, me deixe seguir com você. Por favor, me deixe segurar em sua mão e continuar ao seu lado. Preciso tanto de você. – Voltou a chorar ainda mais forte, desesperada por ter seu pedido atendido.

Se estava sendo egoísta por se prontificar a abandonar a vida, não se importava. O que queria era descansar, deixar toda aquela desgraça para trás. E aquele era o momento perfeito.

-Um dia isso acontecerá, mas não agora. Há quem precise de você. Há quem você ainda não conhece, mas que necessita desesperadamente de sua existência.

-Não me interesso por ninguém. Apenas me permita abraçá-lo. – Disse tentando se aproximar.

Suas pernas se moviam com dificuldades, cada passo um esforço descomunal, como se algo a prendesse com afinco naquele lugar e ela tentava se arrastar para fora. Estava se aproximando cada vez mais, já podia sentir o seu calor. Faltavam poucos centímetros e finalmente o abraçaria.

Esticou sua mão para poder tocá-lo, mas ele acabou se adiantando:

-Ainda não é o momento. Há quem precise de você. – Sua voz era doce, como o cantar suave de pássaros, e seu sorriso o mais lindo que já vira. Seu semblante era feliz, como se sentisse em paz consigo mesmo. Ele esticou o rosto para frente, se projetando para baixo, como se fosse beijar sua fronte, mas ao invés disso, sentiu seu hálito fresco atingir sua face e um sopro quente a invadir.

Sentiu ser puxada para trás, como se mãos invisíveis a agarrassem pelas costas e a arrastassem com força para longe. Olhou desesperada a sua volta, mas nada via. Tentou gritar por ajuda, mas não conseguiu projetar som algum. Quando olhou para frente, nada mais viu. Era tudo escuridão.

Sentiu seu peito doendo, como se concreto o esmagasse. Sentia necessidade de respirar e, com muita dificuldade, solveu o ar para dentro de seus pulmões, sentindo uma dor a lacerando por dentro.

Por alguns instantes não escutou nada, mas logo um ritmo constante do pulsar de seu coração se fez presente, como se fosse um instrumento solitário a tocar em um palco vazio. Não demorou muito para o ruído do ar entrando e saindo de seus pulmões se unir ao concerto, produzindo um som harmonioso e encantador. Logo, outros sons se fizeram presentes, como um vento a balançar uma cortina e o gotejar de uma goteira.

Se sentia bem consigo mesma naquele instante, mas sua memória estava enuviada. Percebia que a cada segundo deixava de se lembrar de algo importante. Era algo relacionado a seu pai. Tinha certeza disso, mas não conseguia mais se lembrar do que se tratava o assunto. Suas memórias estavam se apagando.

Mas, tal preocupação foi esquecida quando sentiu uma leve ardência em seu corpo, que se intensificou com veemência, como uma dor aguda e desagradável. Gemeu de surpresa, começando a tremer, sentindo sua face se molhar. No mesmo instante escutou passos reverberando ao seu lado, urgentes, e uma voz conhecida exclamar.

-Ela está acordando!

Tinha certeza que se tratava de Naruto.

Tentou sorrir, mas a dor era intensa, não permitindo que se movimentasse. Até mesmo respirar era doloroso.

Tentou abrir os olhos, mas suas pálpebras estavam pesadas. Fez várias tentativas, até, finalmente, conseguir distinguir um pouco de luz. Depois de vários segundos de um borrão, suas vistas começaram a se normalizar, a permitindo ver logo acima de si três faces a encarando de volta com muita preocupação.

Sua boca estava seca e trincada, e sua garganta áspera. Tentou falar algo, mas nada saiu, e a dor se fez notar novamente. Cerrou os olhos com força, na tentativa de apaziguar todo o desconforto, emitindo uma careta de desagrado.

-Está sentindo alguma coisa? – Naruto inqueriu, abaixado a seu lado, aproximando sua face para poder observá-la melhor.

Se obrigou a abrir novamente os olhos, vendo aquela imensidão azul a encarando de volta. Tal visão a fez de lembrar de seu pai, e um aperto surgir em seu coração. Sentia muita falta dele e naquele momento a única coisa que queria era abraçá-lo. Mas, sabia que era impossível. Ele estava morto, ao passo que ela ainda estava viva.

Viva! Teria que agradecer por isso. Não sabia o que tinha acontecido, mas dada as expressões que eram dispostas sobre si, parecia que muitas coisas se sucederam desde então.

Tentou se levantar, apoiando as costas na parede. Seu irmão se adiantou para ajudá-la. Tal movimento foi bastante sofrido e doloroso. Suas mãos reclamaram com sofreguidão quando as apoiaram no chão para ter um pouco mais de apoio. Ao olhá-las, reparou que estavam enfaixadas com faixas sujas de sangue.

-Achei que os cortes eram muito profundos e me dei a liberdade de suturá-las para que o ferimento se cicatrizasse melhor. Espero que esteja tudo bem. – Itachi se pronunciou, chamando sua atenção.

O olhou com intensidade e um interesse renovado. Uma das poucas coisas que a fazia se sentir feliz por ainda estar viva era sua presença. Tentou sorrir minimante, balançando a cabeça em concordância.

-Tudo bem. – Tentou falar, mas sua voz saiu falha e uma forte ardência na garganta se fez presente, a incomodando.

Pressionou o pescoço, tentando engolir um pouco de saliva que tinha se acumulado. Acabou por se engasgar, tossindo asperamente.

-Quer um pouco de água? – Naruto ofereceu, pegando seu cantil e colocando sobre seus lábios. Agradeceu com o olhar, abrindo a boca para engolir aquele líquido, que a reanimou de imediato, o solvendo em grandes goladas. Até aquele momento não tinha percebido o quão sedenta estava.

-Obrigado. – Disse depois de beber todo o líquido com intensidade. Sua voz melhorou bastante, e a irritação da garganta não a incomodava mais.

-Ainda bem que acordou. Não sabíamos mais o que fazer. – O loiro disse novamente, sorrindo.

Tomito não pôde deixar de reparar que o sorriso se limitava apenas ao canto dos lábios. E, que contrastava de forma terrível com seus olhos, que eram opacos e distantes. Nunca antes tinha o visto com tal expressão. Era visível seu medo e preocupação estampados na face pálida e cansada, com diversas olheiras profundas e marcas de expressão.

Se sentiu péssima por constatar que tal estado de decadência de seu irmão era por sua causa. Desviou o olhar, se sentindo constrangida consigo mesma. Olhou novamente para Itachi, que para sua completa tristeza, não estava tão diferente do irmão, apesar de tentar se manter mais controlado. O único que parecia inabalado era Sasuke. Aos seus olhos ele parecia o mesmo, mas ainda assim, a preocupação era algo que percorria sua face.

Gemeu involuntariamente. Segurando a região do ferimento e percebendo que estava toda enfaixada.

-Estamos tentando manter o ferimento o mais limpo possível. O limpamos diariamente. - Itachi disse, parecendo não muito satisfeito por falar.

-Ok. – Disse simplesmente, apenas por sentir a necessidade de dizer algo.

Nada mais foi dito, o que a incomodou bastante. Não gostava de ser o centro das atenções. Mas, naquele momento, sabia que era inevitável.

-Onde estamos? – Inqueriu por fim olhando a sua volta, deixando a curiosidade falar mais alto, ao constatar que estava dentro de um galpão alto e largo, com vários móveis espalhados a sua volta.

-Estamos na parte de trás do forte. O lugar estava vazio quando viemos averiguar, e decidimos que seria melhor se ficássemos por aqui até que acordasse. – Sasuke finalmente falou, olhando para os lados e dando de ombros, como se fosse a resposta mais óbvia.

Balançou a cabeça em concordância, permitindo com que o silêncio se intensificasse novamente. Não queria aquilo. Queria que falassem e agissem como se tudo estivesse bem. Como se nada tivesse acontecido.

Uma lembrança se fez presente, e tomada por mais uma onda de curiosidade, voltou a perguntar:

-A quanto tempo estamos aqui?

-Só se passaram três dias. – Naruto disse, segurando em sua mão enfaixada com bastante cuidado e carinho.

-Três dias!? – Inqueriu assustada, olhando novamente para seus ferimentos.

-Sim. Ficamos muito preocupados, já que depois que desmaiou não acordou mais. Mas, agora está tudo bem.

-Acredito que sim. Isso significa que foi tudo bem. Você conseguiu. – Disse para o moreno que apenas desviou o olhar, desconfortável.

-Acho que sim. – Ele murmurou, olhando em qualquer direção que não fosse a dela.

-É claro que conseguiu. Se eu estivesse com qualquer tipo de hemorragia, já estaria morta há muito tempo. Isso também significa que nenhum órgão foi atingido.

-Você foi ferida no quadril, e os ossos da região acabaram protegendo seus órgãos. Foi apenas carne. Mas isso não quer dizer muita coisa. – Itachi disse voltando a olhá-la dentro dos olhos, com bastante intensidade. Seu olhar reluzia com memórias do passado.

Se remexeu desconfortável com tal visão.

-O que quer dizer? – Naruto inqueriu se levantando, para que pudessem conversar melhor.

-Já conversamos sobre esse assunto, Naruto. – Sasuke falou, cruzando os braços a frente do corpo.

-Sobre o que conversaram? – Inqueriu ansiosa por ser incluída no assunto.

-Você teve febre durante os três dias e seu ferimento, apesar de não estar com um cheiro ruim, tem um pouco de secreção. Estou preocupado com alguma....

-Infecção. – Concluiu por ele, engolindo em seco. Esse era um bom motivo para ficar preocupado. – Entendo.

-Mas, isso pode ser resolvido, certo? – O loiro inqueriu, a olhando com esperanças.

-Naruto, você sabe quais foram as maiores causas de morte durante a Grande Guerra? Não foram apenas balas, bombas ou gases, mas também a infecção. Quando ela se alastrava, não havia mais nada que pudesse ser feito.

-Precisamos de antibiótico. – Itachi falou por fim, firme, como se estivesse prestes a sair a procura do medicamento.

-Vamos tentar encontrar.

-Vocês pensam que é fácil encontrar antibiótico espalhado por aí? Não mesmo. Ainda mais nesse período de guerra. Só vamos conseguir com algum médico. – Falou séria, deixando bem claro que seria um desperdício de tempo se saíssem a procura.

-Nós sabemos. Ou pensa que ficamos parados aqui sem fazer nada durante todos esses dias? – Sasuke soltou nem um pouco feliz.

-Então, o que vamos fazer? – Perguntou desanimada, e ciente de que estava dando muito mais trabalho do que pretendia.

É claro que ela sabia que poderia estar tudo bem, mas não podia arriscar, pois, a infecção era algo que não se podia ver, mas que matava rapidamente.

-Estamos perto de Paris, certo? – Naruto inqueriu, fazendo com que os irmãos confirmassem.

-Sim, faltam poucos quilômetros. Se saíssemos agora, e durante todo o trajeto nada nos atrapalhasse, estaríamos lá até o final da semana. – Sasuke falou.

-Então, vamos fazer isso. Vamos para Paris. Lá deve ter médicos, certo? O que temos que fazer é levá-la até lá.

-E como vamos fazer isso? Sinto muitas dores. Não acredito que vou conseguir ir andando até lá.

-Não seja por isso. Agora que está acordada, ficou muito mais fácil. Acredito que conseguimos carregá-la. Quer dizer, Tomito não é nada pesada, e somos três. O que significa que podemos revezar e, assim, ninguém vai ficar muito cansado. – Naruto falou um pouco mais animado com o plano que elaborava.

-Ninguém vai me carregar. – Esbravejou desgostosa. Ainda tinha o seu orgulho.

-É claro que vamos. – Itachi falou por fim, sério o suficiente para dar o assunto como encerrado.

Teve vontade de rebater e deixar bem claro que ainda podia falar por si mesma. Mas, quando sentiu mais uma forte pontada e uma leve tosse se fez presente, resolveu ficar quieta.

-Já está escurecendo. É melhor partirmos pela manhã. – Sasuke disse fazendo com que todos concordassem. – Vamos, Naruto. Vamos buscar um pouco de lenha para a fogueira.

-Você pode ir sozinho. – Naruto reclamou, não gostando muito da ideia.

-Vamos logo, e pare de reclamar. –Sasuke rosnou, o segurando pelo braço, o arrastando na direção de uma porta lateral.

Naruto continuou a protestar, mas de nada adiantou.

Ficou a olhar intrigada para os dois, até que saíssem pela porta. Quase riu com tal visão, mas não o fez, pois, sabia que iria doer.

-Deveria dizer a ser irmão para ser um pouco mais discreto. Não acho... O que está fazendo? – Inqueriu surpresa ao ver Itachi se sentando ao seu lado e a abraçando.

Perdeu as palavras ao se deitada sobre seu peito, sentindo seus braços a apertando com força. Podia ouvir seu coração batendo desenfreado, como se ele estivesse a correr uma maratona.

-Pensei que você ia morrer. – Ele falou com uma voz embargada e chorosa.

Tentou olhá-lo no rosto, mas ele não permitiu, a abraçando ainda mais forte. Ficou quieta, apenas esperando por algo. Não demorou a sentir lágrimas escorrerem por sua face. Mas não eram suas. Ele estava chorando. Chorando por sua causa.

Sentiu seu peito se apertar, resolvendo por ficar quieta, deixando com que ele extravasasse toda a sua carga emocional. Sabia que não deveria ter sido fácil. Tinha o deixado com uma missão difícil. Mesmo ela, que era enfermeira e tinha sido treinada para lidar com situações extremas, não achava que conseguiria suportar tal situação. Não achava que iria conseguir agir de forma fria diante do sofrimento e dor da pessoa que mais amava. Por que ela o amava muito e nunca, em toda a sua vida, conseguiria o ver sofrendo. E, naquele instante, percebia que nunca tinha dito que o amava, sentindo uma grande necessidade de dizer tudo o que pensava e sentia.

Engoliu em seco, o apertando contra seu corpo, tentando transmitir todo o seu amor, todo seu afeto. A única coisa que queria era que Itachi parasse de chorar.

-Itachi, eu tenho algo para falar... – Ponderou se deveria ou não dizer. Mas, achou que não era uma boa hora, e também ainda não tinha muita certeza. Era melhor esperar um pouco mais.

Ele a olhou com olhos vermelhos e inchados, mas sem mais uma lágrima, esperando que continuasse.

-Obrigado. – Disse, sabendo que não era aquelas palavras que queria proferir, mas era o melhor a se fazer por hora.

-Eu teria feito a mesma coisa um milhão de vezes, se soubesse que em todas elas você voltaria para mim.

Seu coração deu um pulo em seu peito, e lágrimas surgiram em sua face. O abraçou com carinho, depositando sua face na borda de seu pescoço, inspirando seu aroma agradável. Se pudesse, ficaria para sempre ali, em seus braços.

-Me desculpe. Prometo que nunca mais a deixarei só. Nunca mais vou tirar um olho se quer de cima de você. Isso é uma promessa.

-Não precisa se preocupar. Não tinha como saber.

-Eu deveria saber. Fui um idiota.

-Já passou. Está tudo bem.

-Só vou ter certeza que está tudo bem, quando estivermos em Paris e você estiver recebendo todo o tratamento adequado.

Sorriu com suas palavras, agora, mais do que nunca, tendo certeza que a melhor coisa a se fazer era esperar para falar o que queria. Com toda a certeza, aquele não era um bom momento.

-Tudo bem.

-Não está tudo bem. Nada disso está bem.

Se voltou para ele, o olhando dentro de seus olhos escuros, segurou em sua face, a acariciando com amor e carinho.

-Não se preocupe. Ainda tenho muito a viver. Há quem precise de mim. – Não sabia muito bem o porquê de ter dito tal frase, mas sentia que devia.

Sorriu com amor, depositando um leve beijo em seus lábios, que acabou o acalmando. Sabia que ainda tinha muitas cosias para acontecer e que aquele era apenas o começo. Mas, se estivem um ao lado do outro, tudo ficaria bem.


Notas Finais


Espero que tenham gostado.

Notas:
1) o movimento sufragista foi um movimento ocorrido entre o fim do século XIX e o início do XX, para organizar a luta das mulheres pelo direito ao voto.

Espero que tenham gostado.
Até a próxima!!


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