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História Os diversos lados de Jeon Jungkook - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Olaaaa pessoas:)
Tudo bem? Espero que sim.
Bom, eu iria postar o capítulo Amanhã, mas não estava com tanta certeza que me lembraria de postar por eu ser lerda, e por amanhã ser meu aniversário :)
Belezinha né, aniversário enquanto todo mundo ta de quarentena, melhor impossível.

Masss antes de tudo preciso dar uns avisos sobre este capítulo e sobre os personagens.

Em primeiro, esse capítulo foi narrado por Jungkook, ao longo da estória haverá sim narrações com ele mas não serão muitas, pois o foco de narração e ponto de vista aqui e Park Jimin.

Em segundo, preciso avisar que os personagens de todas as minha fanfics são meio lerdinhos :')
Tenho como prova o Jungkook de "Older Boys" que era um lezado lerdo, então não fiquem com raivinha do Jimin por ele talvez ser lerdo ᕙ(⇀‸↼‶)ᕗ

Em terceiro, todo o bangtan vai sim aparecer, mas será aos poucos, como vocês podem perceber quatro deles já estão na fanfic e logo logo aparecerá os outros, paciência.

E isso ;*

Good Reading · Boa leitura

Capítulo 4 - Os diversos lados de Jeon Jungkook; Sobre ele narrar


Fanfic / Fanfiction Os diversos lados de Jeon Jungkook - Capítulo 4 - Os diversos lados de Jeon Jungkook; Sobre ele narrar

Quando eu era pequeno eu nunca fui bom em me enturmar, e quando eu finalmente consegui. Eles não eram a melhor influência para mim, nem de longe poderiam ser.

Meus pais ficaram tão nervosos. Realmente muito irritados, com as companhias que eu andava.

Eles sempre foram superprotetores comigo, e isso eu só percebi aos meus treze anos de idade, era algo muito estranho e anormal. Mas meu irmão disse que eles eram assim com ele também quando ele era menor, que era normal, e eu não precisava me preocupar. Não me preocupar e fácil o difícil e se sentir confortável.

Com o tempo eu fui percebendo como meu colegas eram livres para brincar e fazer varias coisas legais, mas eu depois da minha suposta fase “da pá virada”, eu fui privado de muitas coisas sem nem ao menos perceber.

Eu só poderia ter amigos quando meus pais conhecessem eles e os pais deles.

Eu fiquei muito tempo sem amigos, tenho certeza que todos deviam achar que eu era “O popular”, modéstia parte eu era sim, mas nenhum deles eram meus amigos de verdade. Nenhum deles se importavam o bastante, mas eu tentava me conformar com o que eu tinha.

Mas do que adianta ser popular mas nenhum deles forem seus amigos de fato?

Eu não sei se aqueles garotos de quando eu era menor poderiam se considerar meus amigos, mas eu prefiro dizer que sim, que eu tive ao menos uma vez amigos de verdade.

Eu vivia rodeado de pessoas, desde a maior das séries de escola as menores. Chegava ser até estranho.

As garotas me diziam que eu era fofo, os garotos me diziam que eu era “irado”, já os adultos diziam que eu era uma gracinha ou um ótimo garoto educado.

Quando eu comecei a andar com meus amigos que eu tinha dito — isso foi na infância — eles sempre manipulavam as pessoas, uma coisa estranha para crianças fazerem e saberem sobre isso, eles mentiam o tempo todo até na verdade que não daria em nada eles mentiam, até mesmo nas mais pequenas verdades eles mentiam, por “pura” diversão, eles eram insuportáveis para as pessoas, já para mim ótimos amigos. E os que eu peguei uma péssima má influência.

Eu nem sei se eles me consideravam amigos, porquê só depois de alguns anos eu fui cair na real sobre o que seria uma possibilidade que eu significava a eles.

Eu era tipo a alma “protetora” do grupinho, eles faziam as merdas se safavam por eu ser o queridinho dos professores e da diretora. Era sempre assim.

Meus pais ao perceberem minha mudança, começaram a ir na escola com mais frequência perguntando aos professores e responsáveis de lá quem eram meus respectivos amigos. E quando descobriram me mudaram de sala.

Eles resolveram que eu teria que enturmar com meu vizinho pois ele era um ótimo exemplo de garoto. E eu até tentei mas Jimin não e alguém fácil de lidar, ele já era complicado desde quando criança, ele sempre fora complicado.

Eu tentava de todos os jeitos chamar sua atenção, ele ficava quase toda a semana depois das aulas sentado na grama ou na porta de casa.

Lendo gibis e HQs — que eu me dei o trabalho de saber qual eram —, descobri que eram gibis de super heróis. Ele parecia fanático, ele ficava todo dia, sentado em frente a casa do mesmo jeito; pernas cruzadas e uma caneta no canto da orelha enquanto passava as páginas. E ao seu lado um som que tocava sempre Elvis Presley, A-ha, Beatles e Madonna. Sem esquecer que ele sempre estava com uma caixinha de suco em mãos e os seus óculos fundo de garrafa que a poucos dias ele me contou serem falsos.

— Jimin? Jimin? Jimin? — Chamei-o impaciente, o vendo ignorar completamente. — Jimin Hyung.

— O que foi Jungkook? — Perguntou com desinteresse enquanto ajeitava seus óculos fundo de garrafa no rosto sem ao menos olhar em meu rosto.

— Por que você gosta tanto de gibis?

— E por que você vive me enchendo o saco?

— Nossa, grosso. — Respondi com um bico nos lábios enquanto me debruçava com os braços no corrimão da escada. Logo depois bufei me sentando na grama de seu quintal o vendo me olhar de canto de olho e logo voltar a ler.

Ele sempre era frio comigo, e eu não tirava sua razão. Eu era um garoto chato, e meus familiares vivam me dizendo que eu parecia uma criança de dois anos com minha “infantilidade”. Bom na época eu tinha meus nove anos, e Jimin não me suportava.

Eu juro que não era por mal, eu queria mesmo era chamar atenção.

Mas mesmo ele sendo frio comigo teve algumas vezes que eu consegui chamar sua atenção, e isso me alegrou por ter conseguido ao menos um pouco e achar que finalmente faria uma amizade.

Um dos dias que eu o vi gargalhar vendo o que acontecia foi muito marcante.

— Menino maldito!

Esse dia fora quando eu resolvi que iria chutar o portão do meu vizinho pelo suposto roubo do meu gato.

Eu lembro que após chutar o portão o vizinho saiu andando até o lado de fora e ao me ver começou a correr atrás de mim com uma bengala em mãos.

Jimin gargalhava ao ver o quanto eu corria, depois do vizinho desistir de me pegar eu me joguei na grama do quintal da casa do Park e o vi olhar pra mim.

— Eu queria te ver levando uma bengalada. — Ele abriu um lindo sorriso, aquele que cobria seus olhos com suas bochechas fofinhas.

— Seu sorriso e fofo.

— O seu também e igual um coelhinho. Coelhos são fofos eles gostam de cenoura, você gosta de cenoura?

— Gosto.

— Eu não e muito ruim.

— Eu também não gosto. — Após minha fala ele gargalhou de novo e voltou a olhar para seu HQ dessa vez sorrindo.

Bom a partir desse momento eu poderia ter feito uma linda amizade surgir.

Se no outro dia eu não tivesse queimado o som de Jimin.

— JUNGKOOK!

— Desculpa...?

Após molhar o som dele com a mangueira apenas o vi levantar pegar um punhado de barro e mato no chão e jogar na minha cara. Eu lembro que chegou a entrar barro na minha boca e nariz, e eu o que fiz? Me desculpei pelo som de novo?... Não.

Eu joguei mais água nele molhando agora as HQs e mangás também. E então eu vi um Jimin nervoso entrando dentro de casa. Se eu achei que ele iria só sair eu estava muito enganado.

Porquê após me virar eu só senti barro no meu cabelo, ele havia pegado uma jarra e enchido de água com barro e jogado no meu cabelo.

— Park Jimin pode perder a luta mas vence a guerra! — E bom eu sai correndo quando ele pegou a mangueira também.

Eu admito que eu era uma criança endemoniada, mesmo que meus pais me achassem um anjinho.

A partir dos meus onze anos eu tive que começar a passar os fins de semana na casa dos meus avós, pois meus pais tinham que viajar todo final de semana a trabalho. E eu e meu irmão ficávamos na casa dos nossos avós.

Era muito bom passar os fins de semana lá, meus avós adoravam quando íamos para lá. Eu ficava com meu avô ouvindo música e meu irmão ficava aprendendo receitas com minha avó, que segundo ela o neto era a salvação das receitas da família já que minha mãe não queria aprender as receitas “que passaram por gerações na família Jeon”.

— Vovô o que e isso? — Perguntei apontando para um disco no canto da sala. — E algum cd estranho? — O ouvi rir baixinho antes de levantar-se de sua poltrona, indo em direção aos discos e de lá tirando um que estava dentro de uma espécie de papelão que o envolvia.

— Não, não. Isso e um disco de vinil.

— Disco de vinil...?

— Era como eu ouvia música quando era jovem, venha cá. — Chamou indo até o toca discos é lá colocando o disco e em pouco tempo já podia o ouvir tocar. — Pode parecer velho e empoeirado mas ainda funciona.

— Igual o carro do senhor? — Sorriu logo concordando.

— Mais velho que o carro do vovô aqui. — Ele disse e eu ri junto a si.

E assim foi os dias na casa dos meus avós, comendo bolinhos da minha vó e ouvindo música com meu avô. Eu sempre gostei de música, eu sempre ouvia com meu pai e nessa hora, nessas tardes, também com meu avô.

— Vocês são dois velhotes o vovô literalmente e o você Jungkook...

Ah meu irmão, sempre chato como sempre.

Atualmente ele viajou a trabalho para a china, ele foi para lá a uns dois anos e mora lá desde então e sempre vem em datas comemorativas, seja em meu aniversário, natal, aniversário dos nossos pais, ou até mesmo em seus aniversário. Dificilmente ele vem em outras datas.

— Você que e um chato. — Respondi com um enorme bico nos lábios.

— Vocês dois não comecem. — Minha avó falou já entrando na sala com uma bandeja com um bolo em cima logo o colocando na mesinha. — Eu e seu irmão fizemos bolo, agradeça ao seu irmão Jungkook pois ele e um ótimo cozinheiro.

— Nenhuma novidade. — Respondeu convencido se sentando no chão e assim eu me sentei ao seu lado e meus avós no sofá.

— Convencido.

— Só digo verdades. Mas então vai querer bolo ou não?

— Claro que quero, eu não sou burro.

— Então vai ter que dizer, meu irmão Seokjin e muito bom cozinheiro.

Eu não iria me opor a isso, ele era um convencido chato.

— Meu irmão... — Resmunguei.

— Diga, ande, ande.

— Meu irmão Seokjin e muito bom cozinheiro. — Resmunguei ouvindo o riso dos meus avós. — Já posso comer?

— Ainda não acabou. Tem que dizer também, Hyung Seokjin e muito lindo, maravilhoso e o melhor irmão do mundo.

— Ai você já está querendo demais Hyung!

— Ué, você só vai dizer, a verdade não dói.

— Claro que dói! Dói o meu orgulho e ego. Não vou dizer!

— Então não vai comer bolo.

— Nem queria mesmo.

— Então tá bom, vou dar tudo pro vizinho.

— Não, não pro Hoseok não!

Quem é Hoseok? Hoseok era um menino que eu morria de ódio quando era criança e meus familiares se aproveitavam disso pra falar que dariam minhas coisas quando eu fazia pirraça, para ele. Então era tipo uma estratégia.

O motivo de eu ter tido raiva nele na infância era só por isso mesmo por que meus avós falavam isso pra mim e eu ficava com raiva.

E eu acho relevante falar que Hoseok também morava perto da casa dos meus avós.

— Ué você disse que não quer.

— Não é essa a questão e que você não pode dar pro Hoseok.

— Por que não?

— Porquê ele e chato.

— Você nem nunca conversou com ele Jungkook. — Minha avó respondeu rindo enquanto era acompanhada por meu avô.

— Não preciso conversar para saber que ele vai me roubar tudo que eu tenho!

As vezes o Hoseok vinha nos finais de semana na casa dos meus avós, ele era dois anos mais velho que eu, e mesmo assim eu morria de raiva dele.

— Por que ele está aqui vovô?! — Perguntei raivoso enquanto via Hoseok ao lado da minha avó conversando sobre alguma coisa, coisa que eu estava raivoso demais para perceber.

— Os pais dele foram trabalhar e segundo a mãe dele, ele não pode ficar sozinho em casa.

Eu resmunguei baixo indo para perto da minha avó e do garoto que me cumprimentou sorrindo como sempre.

— Oi Jungkook!

— Oi Hoseok. — Disse seco logo saindo da sala e indo em direção ao quarto que eu dividia com meu irmão quando ia dormir na casa dos meus avós. — Jin? O que está fazendo ai? — Perguntei ao ver meu irmão sentado no chão do quarto olhando pro nada.

— O Hoseok ainda está ai?

— Sim. Mas por que você está ai?

— Isso não vem ao caso agora, mas eu preciso de te pedir um favor.

— Fala.

— Eu vou continuar sentado aqui, e quando o Hoseok for embora você me avisa.

— Mas por que?

— Só faz isso que depois eu te pago um sorvete.

Eu ainda protestante saí do quarto indo em direção a sala, ligando o toca discos e colocando algo pra tocar. Acho que pelo menos isso iria me deixar melhor a ficar com esses doidos, seja o Jung ou o meu irmão doido.

Eu lembro-me bem que naquele dia Jin não se arriscou a sair do quarto nem uma vez sequer, e quando minha avó percebeu ela foi ao quarto e eu só sei que eles ficaram lá por horas conversando. E eu não podia nem me arriscar a entrar no quarto, eu acho que essa conversa eu morrerei sem saber.

Eu e Hoseok estávamos sozinhos tecnicamente, meu avô havia ido passear com o cachorro e minha avó conversava com Jin. E então eu teria que aguentar... Ou não.

Aquele dia serviu para que minha raiva pelo Jung se diminuísse — Ou acabasse — quando eu acabei por descobrir que ele gostava das mesmas músicas e filmes que eu. Conversávamos sempre animadamente, e sem contar quando ele começava a dançar alguma música, e sua dança completamente desconexa a música.

Ele dançava take my breath away da Berlin como alguém dançaria Dancin do Aaron Smith em uma rave.

— Hoseok isso não tem nada haver! — Eu falei o vendo dançar e pular em cima do sofá com um pente em mãos.

Nota-se aqui que ele tinha quatorze anos.

— Deixa de ser chato, qualquer música pode ser dançada com animação.

— Não pode não.

— Olha só espera ai. — Ele reclamou indo ao toca discos e trocando a música para agora tocar Your song do Elton John.

— Eu não acredito que você vai pular igual um maluco enquanto toca Your song.

— Vou, sim. — E então ele começou a dançar e me puxou para dançar junto. Mesmo comigo negando ele não aceitava um não como resposta.

E foi ai que o problema começou.

Lembra sobre o fato de eu ser gay? — Ainda não gosto dessa palavra, mas vida que segue.

Então segundo minhas expectativas, foi ai que eu acredito ter começado o problema. Eu com apenas doze anos descobri o que e beijar um garoto, quando o Jung parou de dançar animadamente para querer dançar uma música lenta. Eu nessa idade não sabia muito bem o que era escolha de quem eu iria querer, tipo, garoto ou garota. Só sei que agora o garotinha gosta de garotos e nem ssbe.

Eu percebi que ele tinha parado de pular, e pegou minhas mãos e colocou em seu pescoço, levando suas mãos até minha cintura — Tudo isso de sapatos em cima do sofá da minha avó né —. Agora não tocava nem Your song mais, tocava agora Kiss me, Sixpence. Ele estava sorrindo de lado enquanto me fitava nos olhos.

— Jungkook? — Ele chamou descendo do sofá e ficando a minha frente comigo ainda em cima do sofá ficando muito mais alto que ele.

— Oi?

— Você prefere meninas ou meninos? — Ele perguntou com o olhar esperançoso.

— Como assim? — Indaguei confuso.

— Você gosta de qual?

— Eu não sei. Eu gosto dos dois eu acho, eu não odeio ninguém. — Ele sorriu e disse:

— Não e isso que eu quis dizer.

— Então o que quis dizer?

— Eu posso te dar um exemplo?

— Pode. — Confirmei. O Jung pegou minha mão me fazendo agachar ficando de joelhos e então se aproximou.

Ele juntou nosso lábios em apenas um selinho demorado, eu continuava de olhos abertos, meu coração batia rápido, e eu estava confuso e gostava da sensação, eu não fazia ideia que ele faria isso, nem ao menos passava pela minha cabeça. Depois de nos separarmos eu soltei o ar que nem ao menos fazia idéia que estava prendendo.

— Eu gosto de você. — E me deu outro selinho demorado, que agora eu tinha os olhos fechados. O primeiro beijo ds minha vida foi com um garoto.

Esse dia foi o primeiro e último dia que eu cheguei a passar de ódio para confuso.

Depois desse dia eu não cheguei a ver Hoseok, meu avô algumas semanas depois falou que ele tinha mudado de cidade, o que me deixou um pouco decepcionado.

Nessa época eu ainda não tinha consciência de como as pessoas achavam errado duas pessoas do mesmo sexo ficarem juntas. Eu achava normal, — O que é, mesmo eu não querendo aceitar — então pra mim aquilo foi normal. Aquele beijo foi normal.

Mas depois de um tempo, eu comecei a perceber que não era como eu imaginava, não era normal para as pessoas.

Não era nada normal, quando eu via alguns colegas meus sendo julgados na escola por outras pessoas. Eu percebi que o que era.

Quando no ensino médio — Sim demorou muito tempo —, quando tiraram uma foto de uma garota atrás da escola beijando outra garota de outra escola, e então todos começaram a julgar ela. E ela começou a sofrer bullyng, ela sofreu tanto que mudou-se de escola.

Eu já tinha consentimento que eu era Gay, só que quando isso aconteceu eu entrei em fase de negação mesmo depois de anos que eu já sabia. Eu negava, negava eu tinha em mente que morreria negando. E então um dia uma garota descobriu, eu não sei como mas descobriu, ela não contou a ninguém mas fez chantagens comigo e a quem eu recorri quando isso aconteceu?

Meu irmão, mesmo que ele não soubesse o motivo pelo qual eu chorava ele me acolhia e me fazia carinho, afagando meus cabelos.

— Vai ficar tudo bem kook. Vai ficar tudo bem.

Mesmo que eu chame meu irmão de chato, doido, e insuportável — Coisas de irmão —. Jin sempre foi o melhor irmão que eu poderia ter, mesmo que eu nunca fosse chegar a admitir para ele, e por ele ser o melhor irmão ele e a pessoa que eu na maioria das vezes recorro a ir conversar quando estou mal.

E quem eu recorri a conversar quando aconteceu aquilo;

— Oi, mãe.

— Oi filho, como vão as coisas?

— Bem, e o papai onde está?

— Oi filho. — Ouvi a voz do meu pai do outro lado da chamada é não pude deixar de sorrir.

— Oi pai.

— Seu pai pediu para que eu o esperasse chegar para ligar, por isso e tão tarde.

— Não tudo bem.

Ficamos longos minutos conversando. Até que meu pai perguntou:

— Então filho tem visto, garotas bonitas ai, hn? Já arrumou uma namorada?

Eu deveria pensar mais antes de falar.

— Garotos bonitos. E eu poderia arrumar um namorado.

A linha ficou um tempo calada, eu achei até que tivessem desligado, e eu ainda não havia percebido o que eu havia dito.

— Garotos... Bonitos...? — Ouvi minha mãe falar e ai finalmente eu percebi, eu gelei na hora, eu não conseguia falar nada.

E o silêncio tomou conta da chamada novamente, meu pai não arriscava nem uma palavra, até que minha mãe voltou a falar.

— Jungkook, seja sincero com sua mãe. — Suspirou. — Você gosta de rapazes?

— N-não! Não foi isso que eu quis dizer.

— Jungkook.

— S-sim...

Silêncio outra vez. Até que eu ouvi um soluço, minha mãe estava chorando...?

— Aonde foi que eu errei? Jungkook, o que eu deveria fazer com você? Eu fiz algo errado? Eu te criei errado? Eu deveria ter sido mais rígida?

Eu não conseguia falar nada, foi como se algo tampasse minha garganta, nada saía o desespero estava tomando conta de mim. Minha respiração estava agitada e meu corpo tremia.

— N-não volte pra casa, eu não vou conseguir.

Após ouvir isso eu desliguei sem dizer nada, eu estava em estado de choque.

Depois da chamada apenas caminhei até minha cama e encostei a cabeça na parede, apenas encarando o teto. Meus pensamentos estavam vazios e tudo que eu conseguia repetir a mim mesmo era como eu era um filho ruim.

E então eu comecei a chorar, até que resolvi que falaria com Jin.

[Eu]

| 15 chamadas perdidas |

00:30 || Por que não atende?

00:35 || Jin Hyung, eu preciso conversar com alguém.

Ele não chegou a me responder, isso foi no dia em que Jimin me encontrou na cozinha. Ele também não atendia, eu sabia que ele estava viajando e o lugar onde estava não tinha sinal, mas eu precisava de conversar com alguém. Eu queria tentar.

Depois de alguns minutos sentado na cama pensando eu finalmente me levantei e sai do quarto, ao sair vi a TV ligada, Jimin ainda estaria acordado? Torci para que não estivesse.

Caminhei até o sofá e o vi jogado sobre ele dormindo como uma pedra.

Talvez ele não se lembre disso, mas eu o acordei e ele ainda meio sonolento caminhou até sua cama com eu o seguindo. Após eu o colocar na cama eu fiquei sentado no sofá da sala encarando a TV que agora estava desligada.

A ficha ainda não havia caído, meus pais realmente não me aceitam.

Eu devo ter ficado lá por uma hora apenas calado, encarando um único ponto e pensando.

A ideia de nunca me assumir sempre martelou em minha cabeça, mas eu nunca pensei que isso aconteceria tão, tão de repente. Isso com certeza não estava nos planos.

Não e como se eu não soubesse que se algum dia eu fosse de fato me assumir meus pais não me aceitariam, mas olhar para a realidade dói. Mesmo que você já saiba o que pode acontecer, ainda dói. Você pode até ter uma bola de cristal para saber o que vai acontecer, mas quando acontecer ainda vai doer, pois são sentimentos e sentimentos são imprevisíveis.

Agora eu já me encontrava na cozinha, totalmente afundado em meus pensamentos. Até que vejo a luz se acender e Jimin a minha frente com um olhar preocupado. Limpei as lágrimas com a manga do meu pijama e virei meu olhar a si.

— Jimin Hyung.

— Hm?

— O que você faria se...

— Se...?

— Se você soubesse que seus pais não te aceitam pelo que é, e não querem te ver mais.

— O que, quer dizer com Isso?

Andei em direção a ele e em um movimento imprevisível o abracei e o senti retribuir.

Eu estava chateado, mesmo não sabendo o motivo eu estava. Mas Jimin não tinha feito nada de errado, ele apenas estava me ajudando certo?

Nesse momento eu estava em meu quarto quando ouvi meu celular tocar, era meu irmão.

— Oi Jin Hyung.

— Oi Jungkook, eu vi suas mensagens está tudo bem? O que aconteceu? Você não está no hospital está? Você não quebrou nenhum osso né? — Após atender pude ouvir suas perguntas uma após a outra, sem nem ao menos fazer pausas.

— Eu não me machuquei.

— Então o que houve?

— O papai e a mamãe sabem.

— Sobre o que?

— Jin Hyung. Você não vai... Brigar comigo vai?

— E por que eu brigaria?

— E que o papai e mamãe não lidaram muito bem com isso.

— Eu prometo que não vou brigar nem ficar decepcionado.

— Tudo bem. — Dei uma pausa suspirando. — E que-... — Antes que eu falasse algo ouvi algo cair na sala.

Andei em direção a porta do quarto logo a abrindo e vi Jimin, ele usava um jaqueta de couro e uma calça jeans preta rasgada no joelho.

— Jimin Hyung?

— Jungkook... Eu te acordei?

— Não eu não estava dormindo.

— Ah... certo.

— Aonde vai? — Depois de perguntar eu percebi o quão invasivo fui ao fazer tal pergunta, mas por incrível que pareça ele respondeu.

— Ah só vou sair um pouco logo eu chego.

— Ok... Tchau.

— Tchau.

Após o ver se despedir voltei para dentro do meu quarto e percebi que deixei a chamada ativa no meu celular que estava em cima da cama.

— Desculpa Jin Hyung.

— Ah, tudo bem. Agora pode me contar o que iria dizer?

— Hm... — Suspirei logo começando a falar. — Ontem o papai e mamãe me ligaram, é no meio da conversa eu acabei soltando algo.

— O que exatamente?

— Jin Hyung. Eu...

— Jungkook desembucha logo garoto.

— Eu gosto de garotos! — E novamente a linha ficou quieta, e novamente o desespero tomou conta de mim.

Só de pensar que meu irmão poderia nunca mais olhar na minha cara, nunca mais querer conversar comigo ou me queira longe como meus pais. Me fazem entrar em desespero.

— Jungkook, eu meio quê já... — Ele parou um momento antes de falar algo e suspirou. — Eu já sabia.

— O que?

Nesse momento milhões de possibilidades passaram em minha cabeça, teria ele visto o meu beijo com Hoseok?

Acredito que não, e torço que não tenha sido isso, e foi apenas instinto de irmão.

— Você acha que eu não ouvia quando você começava a falar sozinho no quarto ao lado? — Eu pude ouvir sua risada o que me tranquilizou um pouco. — E sem esquecer que você vivia fazendo desenhos daquele garoto que estudava comigo.

— E, é você não está decepcionado comigo?

— O que? Não! — Exclamou ele aumentando o tom de voz. — Por que acha isso?

— O papai e mamãe eles não gostaram...

— Entendo, — Suspirou mais uma vez — mas você já esta melhor?

— Sim eu acho.

— Mesmo?

— Sim. Jimin Hyung me ajudou.

— Oh, sério?

— Sim.

— Fico mais aliviado em saber que está melhor.

— Sim, sim.

— Mas bom, já de estar tarde ai e você deveria ir dormir.

— Mas hoje e sexta Hyung.

— Mesmo assim, vá dormir.

— Ok, ok.

— Tchau chato.

— Tchau chato. — Me despedi logo desligando o celular me levantando e saindo do quarto vendo a casa totalmente vazia. O que me fazia pensar, aonde Jimin ia com tanta pressa?

Andei até a cozinha pegando um pote de sorvete — cujo eu tinha enchido o saco de Jimin para pararmos no mercado para comprar — e me sentei no sofá logo ligando a TV e assistindo a alguma programação que nem prestei tanta atenção por estar ouvindo notificações em meu celular.

Quando finalmente peguei meu celular e o liguei vi ser mensagens de Yoongi.

[ Yoongi ]

23:43 || Hey

23:43 || Jungkook? Eu mandei mensagem para Jimin e ele não responde. Você está em casa?

23:45 || Eu agradeceria muito se alguém me tirasse de debaixo dessa chuva onde um certo porteiro não me deixa subir e fica me atazanando >:(

[ Eu ]

23:50 || Yoongi hyung do que está falando? :/

[ Yoongi ]

23:50 || Finalmente alguém me respondeu não e mesmo? Você está em casa?

[ Eu ]

23:50 || Estou sim, por que?

[ Yoongi ]

23:50 || Dá pra descer aqui na portaria?

[ Eu ]

23:51 || ?

[ Yoongi ]

23:51 || Na entrada do seu prédio o lerdo.

[ Eu ]

23:51 || Mas por que?

[ Yoongi ]

23:51 || Só desce logo.

[ Eu ]

23:52 || Ok, ok

Suspirei olhando para tela do celular logo me levantando do sofá e deixando meu pote de sorvete em cima do mesmo e andei a porta. Não estava me importando muito pelo fato de estar de pijama e então apenas calcei meus sapatos na porta do apartamento e saí assim mesmo.

De pijama, cabelos bagunçados e com sorvete nos lábios.

Para minha sorte os corredores e o elevador estava vazio então continuei meu trajeto, e me perguntando porquê estava descendo eu sabia que ele estava me trollando. Yoongi tem dessas as vezes.

Ao chegar no térreo encontrei Taehyung de costas e parecia retrucar com alguém que estava cheio de malas, caminhei em passos rápidos sem conseguir acreditar e ao encarar quem estava na frente de Taehyung eu não pude acreditar.

— Olha que você e bem mais bonito ao vivo.

— Yoongi? O-oque faz aqui?

— Eu ia fazer uma surpresa aparecendo no apartamento de vocês mas esse chato aqui não quis me deixar subir.

— Claro que eu não deixaria! E você ainda não me falou seu nome! Como eu deixaria um estranho subir?!

— Está tudo bem Tae, ele e meu amigo.

— Isso mesmo Tae, eu sou amigo dele. — Yoongi disse convencido vindo ao meu lado e passando o braço em meu ombro o que era engraçado por ele ser um pouco mais baixo que eu.

— É eu consigo ver. Ok, suba então Yoongi — Falou o nome do mesmo enfatizando e logo indo para trás do balcão e se sentando lá com cara de tédio.

— Tchau Taehyung. — Falei já me virando.

— Tchau.

— ‘Vumbora! — Yoongi exclamou pegando suas malas e puxando elas pelo saguão e eu logo o alcancei.

— Como você sabia que era aqui? — Perguntei já entrando dentro do elevador.

— Eu ajudei Jimin a procurar um lugar para alugar então... Eu já sabia o endereço.

— Ah, entendi.

Ao chegarmos no apartamento eu vi o mais velho se jogar no sofá e ficar lá deitado.

— Onde está Jimin?

— Ele saiu a um tempo. Logo deve estar ai.

— Bom, enquanto isso liga a TV ai e coloca um canal maladeza ai.

— Que?

— Coloca alguma coisa ai.

— Ah.


Notas Finais




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