História Os Duques e A Vababunda - Capítulo 1


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Categorias Fairy Tail
Personagens Erza Scarlet, Gildartz, Gray Fullbuster, Jellal Fernandes, Laxus Dreyar, Lucy Heartfilia, Makarov Dreyar, Mirajane Strauss, Mystogan, Natsu Dragneel
Visualizações 25
Palavras 4.630
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Primeiramente, bom dia :D
Recentemente voltei a escrever fics, e recentemente tive vontade de escrever um romance\drama com umas pitadas de pimenta, se é que me entendem.
Uma fic em específico me inspirou com a temática, sendo essa Garoto de Aluguel, da MillaRocha. Então agradeço imensamente à você, Milla :D Super recomendo a fic dela se vocês gostarem do shipp de Sasuke x Sakura, Milla é uma escritora talentosa

Mas a outra parte da minha fic foi inspirada pela minha recentemente reacendida paixão por filosofia e psicologia :D
Então aguardem plot twists :3
Agradeço a atenção, e espero que gostem da estória \o

Capítulo 1 - Entre Máscaras, Vinho e muito Sexo


__,-> Erza On <-,__

 

Mais um dia. E o pior, um feriado. O que sempre significava que a casa estaria cheia. São seis da manhã e eu não consigo ficar na cama mais. Infelizmente, as meninas da limpeza ainda não vieram trocar os lençóis, e a cama fedia. Eu fedia. Precisava de um banho. Cambaleei até o chuveiro, como sono demais para me importar em tirar os pés do chão pra andar.

Um banho frio pela manhã sempre me fazia bem. Esclarecia a mente, acordava os músculos. Facilitava os treinos. Isso quando eu ainda treinava, no caso. Não mais. Hoje em dia só me ajudava a me manter acordada mesmo. Fechei a porta ao sair do quarto e desci as escadas até a cozinha. Já estavam preparando café, e eu aguardei ansiosamente. Eu realmente gostava de comer.

-Bom dia.- disse Cana, seus cabelos castanhos caindo em ondas nos ombros. Vestia uma blusinha, para a minha surpresa.- Dormiu bem?

-Sim, bom dia. Ontem não foi tão cansativo, e consegui descansar. Vai sair?- perguntei.

Ela assentiu, um tanto quanto receosa. Tecnicamente, hoje era dia do Gildartz cuidar da Casa, mas nem sempre ele aparecia nos dias dele. Ela provavelmente iria pra outro encontro, considerando o jeito que estava arrumada. Não era da minha conta, então não dei corda pra conversa. Estava enjoada de encontros, e relacionamentos, e pessoas no geral. Sempre com suas segundas intenções e maquinações maquiavélicas.

Tomei meu café e resolvi passear pela cidade, afinal ainda tinha algumas horas antes de começar a trabalhar. Começaria cedo hoje, para aproveitar o feriado. Esse mês não havia sido especialmente lucrativo, e eu pretendia economizar pelo menos alguns milhares de Jewels. Precisava ainda fazer as compras do mês, e isso não seria nada leve na minha carteira, considerando que a inflação tinha subido de novo.

Mas eu não precisava me preocupar com isso, não ainda. Passeei pelos parques aproveitando o ar fresco que me faria tanta falta mais tarde no dia. Quando percebi estava na porta da universidade. Já havia virado um hábito me deslocar pra Fairy Tail, e pras pessoas que encontrava lá. Não teria ninguém no momento, entretanto. Talvez eu pudesse pedir ajuda para o Makarov. Ele não me engaria. Mas não. Se eu pedir ajuda uma vez, posso ficar dependente dessa ajuda e acabar causando problemas para outros. E todos já têm seus próprios problemas, não preciso adicinar nada à pilha de ninguém. Um cheiro maravilhoso me chamou a atenção, e vi Levi abrindo as janelas da confeitaria. Ela me viu e acenou, e resolvi cumprimentá-la.

-Bom dia, Levi.- eu disse, sorrindo.- O cheiro está ótimo, como sempre.

-Obrigada, Erza. Bom dia. Quer um pedaço?

Assenti, e ela me fez sinal para que entrasse. Conversamos sobre as coisas da vida enquanto comíamos bolo. Ela constantemente levava a mão para a barriga, pouco abaixo dos seios. Mas resolvi não comentar. Eu também não precisava de mais problemas na minha pilha. E por mais que eu me importasse muito com ela, não estava com humor para ouvir desabafos, não agora. Me despedi dela, deixei dinheiro em cima do caixa, apesar dela nunca aceitar meu dinheiro, e fui embora. Decidi passar em casa. Quase nunca dormia em casa mais, e mal tinha tempo para descansar lá.

Estava uma bagunça na sala, onde eu deixava minhas coisas da universidade. Mas o resto estava do jeito que eu deixei da última vez, arrumado e pegando poeira. No meu quarto, a armadura ainda estava lá. Precisava de polimento, e de atenção. Mas eu não tinha tempo pra isso, e isso me partia o coração. Antes que percebesse, já estava pegando a espada de treino, e me dirijindo para o quintal. Treinei as formas básicas por alguns minutos. Guardei tudo, organizei mais ou menos a sala, tranquei a porta ao sair. Agora começava a parte ruim do dia. E não eram nem onze da manhã.

Voltei para a Casa, bati ponto com uma Cana extremamente irritada, e tomei outro banho. Dei uma olhada na minha agenda, e tinha três atendimentos antes do almoço. Me peguei pensando em como chegara ali. Como caíra de herdeira de um dos melhores Dojôs da cidade, filha de um Professor muito respeitado, para uma puta de segunda que não conseguia pagar a faculdade se não vendesse o próprio corpo. Sinceramente, tinha medo de procurar emprego de novo. Depois do que fizeram, poderiam fazer pior. E eu estava em boas mãos. A Casa era legalizada. Gildartz era um bom homem, apesar de tudo, e cuidava de mim e das garotas. A vontade de chorar ainda era grande. Mas se eu me permitisse qualquer folga, desabaria certamente. As coisas são o que são, e eu não tinha outra escolha. Depois que terminasse a faculdade, as coisas mudariam.

Então bateram na porta. Eu senti meu estômago revirar e tive que segurar o vômito. Respirei fundo, limpei a mente e fui até a porta vestindo um sorriso doce e impuro. O homem já era cliente à bastante tempo, pelo menos 7 meses. Sempre vinha nos fins de semana quando "estava em reunião" ou nos feriados. Estava acima do peso, era calvo e suava bastante. Mas eu não podia dar a mínima atenção à esses detalhes. Ele pagava bem, afinal.

-Bom dia, Erza-chan!- disse ele, animado. Ansioso. Quase pulava.

-Bom dia, Eriiiic~- Disse eu, a voz carregada de mel e provocação.

Pelo menos ele se perdia depois que se jogava entre as minhas pernas e eu não precisava fingir muito. A idade já tinha o alcançado e ele também não durava muito. Tinha bastante stamina, mas era sábio o bastante para não gastar toda ela em mim. Eu até o veria como bom homem, não fosse o fato que traía sua esposa constantemente, mentia à respeito e agia como se nada estivesse errado. Mas nada da vida dele era da minha conta tirando o dinheiro, então nunca falei nada. Eu poderia extorqui-lo um pouco mais, entretanto. Provocá-lo e mimá-lo para que pagasse mais. Senti uma repulsa incontrolável dentro de mim mesma, por sequer pensar nisso; e pedi para que mudássemos de posição. Fiquei de bruços, para que não visse meu reflexo no espelho que ficava em cima da cama. Ele levou os 20 minutos costumeiros, e se sentou na cama. Estava um pouco cansado.

-Você está bem, Erza-chan?- indagou ele. Fingi uma cara de curiosidade inocente, como se não entedesse a pergunta.- Estava mais pensativa do que o costume.

-Sim, Eric. Estou só pensando no que fazer quanto a esse mês, não foi muito produtivo.- Eu não devia ter dito isso, claro. Mas já estava no fundo do poço, me sujar de lama faria pouca diferença.

-Eu posso te dar um dinheiro extra, sabe? É só pedir.

-Não precisa, Eric~- tentei soar doce e alegre. Não sei se funcionou.

-Erza, eu sou um homem casado que visita um bordel frequentemente. O mínimo que poderia fazer de bom era te ajudar. Você é uma boa garota, eu sei.

-Eu agradeço, Eric. Mas realmente não precisa. Não posso me acostumar com essas ajudas externas.- disse eu, sorrindo. Meu sorriso não era tão sincero, mas ele se convenceu.

-Tudo bem.- disse levantando, e vestindo sua roupa. Me olhou com um sorriso que misturava cansaço e culpa.- Como sempre, foi um prazer Erza-chan. Te vejo semana que vem?

Apenas assenti e esperei-o sair do quarto. Tomei uma ducha rápida e esperei o próximo agendamento chegar. Um garoto de menos de 20 anos, que trabalhava de meio período. Queria role-playing. Tive que fingir ser uma personagem de um de seus jogos, e por mais que eu gostasse de atuação quando pequena, nunca isso me viera em mente. Por mais estranho e fingido que fosse, ele se satisfez e saiu, feliz e sem dinheiro. O terceiro agendamento era outro costumeiro. Um homem comum, que não tinha dignidade de procurar alguém para viver. Suspeitava que ela era gay, e só vinha me ver para se reafirmar como homem. Pobre rapaz, não se engana o coração. Mas ele pagava, e não me dava problemas. Não seria eu que o aconselharia.

Então o almoço chegou. Tomei outra ducha e desci para a cozinha. As meninas já estavam conversando e fofocando, e Cana estava cozinhando. Parecia querer estrangular a batata ao invés de picá-la. Gildartz ainda não chegara, e ela provavelmente teve que cancelar o encontro. O almoço foi servido e entre fofocas, risadas e comentários maldosos nós comemos. A variedade de mulheres, e alguns homens, que trabalhavam ali era impressionante. Onde Gildartz encontrara a todos, era um mistério. E falando no diabo, o diabo lhe aparece.

-Bom dia, Erza! Bom dia, Tiffany, Lara, Orion, bom dia a todos!- disse ele, sorridente. Parecia feliz, quando ficava quando fechava um contrato especialmente bom.- Bom, dia Cana!

Ele demorou a língua no nome dela, tentando quebrar a raiva da garota. Sem sucesso, como sempre. Ela nem ao menos o respondeu. Serviu um prato para ele, e soltou o prato na mesa com tanto descaso que eu achei que o prato quebraria. Ele suspirou, e comeu em silêncio. Subi novamente, e esperei o próximo agendamento. Mas ele não chegava. Quando liguei para recepção para saber se ele havia desmarcado, Gildartz pediu para que eu descesse. Ele estava vestindo o colete social por cima da camisa rósea e a gravata borboleta. Cana não estava em lugar algum para ser vista. Provavelmente estava bebendo as mágoas em algum lugar. Ele ainda estava sorridente. Quase flutuava.

-Ei, Gils.- eu disse, com um sorriso.- O que aconteceu?

-Ah, eu cancelei aquele agendamento. Foi uma oportunidade súbita, não tive tempo de te avisar.- ele não cancelava agendamentos. Ele não sabia perder dinheiro. O olhei esperando uma resposta.- É uma situação complicada. Veja bem, um filho de um empresário rico entrou em contato comigo. Aparentemente ele está praticando pintura. E disse que precisa de inspiração. Te viu na rua uma vez, e quando procurou saber, conheceu a Casa.

-Tá, e onde eu entro na história?

-Ele marcou um agendamento. Pagou quatro vezes o valor de ficar a noite, para que o agendamento fosse hoje. Ele chega em 10 minutos.- me explicou o homem. Estava cauteloso, como se temesse que eu recusasse. Apenas assenti e subi.

Pouco depois, bateram na porta. Quase não ouvi, de tão delicado que foi. Um garoto mascarado entrou quando abri a porta. Usava um capuz apertado e uma máscara simples. Branca, como uma boquinha de gato e olhinhos de anime ":3". Um M acima dos olhos.
 Ele parecia mais um cliente comum, apesar da máscara. Era tímido, mantinha a cabeça abaixada e não falava muito. Algumas mechas de cabelo azulado escapavam, e o deixavam um tanto quanto estranho. Comecei a me despir, quando ele levantou a mão desesperado para me impedir.

-Não!- exclamou ele, a voz aguda. Pigarreou.- Isso não será necessário. Eu contratei seus serviços para outro propósito.

Eu encarei o rapaz, desconfiada e um tanto quanto irritada.

-Eu quero que você seja minha Musa. Você é, sem dúvidas, extraordinariamente linda e eu gostaria de pintá-la. Se não se importar.

-Tudo bem.- disse, um pouco sem graça e hesitante.- Mas eu não tenho muito tempo livre para posar.

-O que?- ele parecia extremamente confuso.- Ah, não. Isso também não será necessário. Pretendo pintá-la enquanto trabalha.

-Você tem noção do meu trabalho, não tem?- indaguei, com cautela. Não parecia óbvio para ele que eu tinha relações sexuais com meus clientes.

-Sim, mas te garanto que não será nenhum problema. Se concordar com os termos, prometo que a recompensa será adequada.
 Ao menos, já não tenho mais nada a perder. Já perdi seu Dojô, minha reputação e minha herança. Já me tornado garota de programa pra conseguir continuar a faculdade. Então por que não deixar um cara esquisito me pintar? Nada mudaria tanto, certo? Certo.

-Então quais são os seus termos?- perguntei, sentando na cama. Fiz sinal para ele se sentar também, mas ele sentou tão na ponta que parecia mais equilibrado entre os pés do que sentado.

-Bem. Eu sei que isso vai soar estranho... mas eu quero acesso livre ao seu quarto.- eu abri a boca para protestar mas ele levantou as mãos como se estivesse se rendendo e eu esperei.- Eu só tenho um horário instável. Por causa de algumas consultas médicas... Então eu quero ter acesso à você independente do horário. Eu não pretendo fazer nada suspeito, e posso instalar um sistema de câmeras para a recepção se você preferir.

Eu assenti. Aparentemente ele tinha muito dinheiro, apesar de não parecer ter uma saúde estável. Cruzei as pernas e vi seu olhar descer, pelos buracos da máscara. Ele olhou para o outro lado do quarto, como se estivesse envergonhado.

-O que mais?- perguntei.

-Bom, eu não pretendo ser visto por seus clientes. Até porque eles provavelmente não se sentiriam confortáveis sendo observados.

Não todos, ao menos.- disse ele, e se levantou.- Estava planejando usar essa parte do quarto, instalar uma cortina, que fosse escura desse lado, mas me permitisse observar, e me daria espaço o suficiente para trabalhar também. Claro, se o seu chefe e você preferirem manter o tamanho do quarto, podemos fazer uma reforma para expandir essa parte em específica e manter o planejamento. Tudo na minha conta, claro.

Ele continou explicando seus projetos para se instalar no quarto, como um fantasma. Parecia outra pessoa quando estava entretido em explicar. Soava inteligente, sagaz. Entendia de mais coisas do que aparentava. Pra mim não fazia a menor diferença modificar o quarto ou não. Percebi que ele estava me encarando, esperando uma resposta.

-Perdão?

-Você se importa de eu te ver nua?- ele perguntou. Depois desviou o olhar rapidamente para o chão, obviamente embaraçado.- Não agora! Claro que não! Considerando o seu trabalho, eu diria que é inevitável, e... E não é como se eu quisesse me aproveitar disso ou.. Ou de você! É só que...

E continuou falando, como se cada desculpa não o deixasse ainda mais embaraçado e nervoso. Eu ri. Ri alto, e com vontade, como não ria há muito tempo. Ele era fofo, desajeitado e inquieto. Parecia uma criança que estava planejando pegar chocolate escondida, ou aprontar qualquer outra. Ele me olhou, e dava pra ver que estava completamente vermelho mesmo com a máscara.

-Relaxe.- eu disse, quando me acalmei.- Eu não ligo. Parece um pouco pervertido, mas não tem problemas.

De fato, ele caíra na minha provocação. Estava um pouco irritado pelo que eu disse. Me aproximei dele, e com um olhar sedutor e um sorriso doce, levei as mãos ao seu rosto devagar.

-Sabe, não tem problema se for pervertido. Eu disse que não tem problema.- eu disse, baixinho.- Eu posso fazer o que você quiser.

Para a minha surpresa, ele segurou os meus pulsos. Suas mãos eram fortes, mas ele estava sendo delicado.

-Por favor, não. A máscara não. Eu me torno... é complicado. E eu prefiro adicionar essa condição de não precisar tirar minha máscara.
 Recuei. Talvez ele não fosse pervertido, só um tanto quanto complicado e tímido. Assenti, e pedi desculpas. Ele parecia mais tranquilo e continuou dizendo os termos. Eram todos racionais, e não me prejudicavam em nada. Ele parecia ter pensado muito à respeito disso. Eu deveria dar meu telefone para ele, ele teria acesso ao quarto depois que instalasse as câmeras, ficaria recluso atrás da cortina e eu deveria ignorá-lo completamente enquanto estivesse lá. Não poderia deixar nenhum cliente, em hipótese alguma, atravessar a cortina, não deveria mencioná-lo para nenhum outro cliente. Ele cuidaria da comida enquanto estivesse ali, assim como a limpeza da área atrás da cortina, e tentaria ser o menor incômodo para mim que pudesse. Mas o mais importante para ele, é que eu não entrasse no quarto dele, como chamava.

-Enfim, quanto à recompensa.- disse el.

-Não, espere. Qual o seu nome?

-Meu?- ele parecia surpreso pela pergunta, como se não tivesse imaginado que eu o perguntaria qualquer coisa.- Ah, tudo bem se eu te falar só meu apelido?

-Sim, tudo bem.- novamente, ele não me olhava. Parecia ter medo de ser descoberto, como um animalzinho encurralado. Estava corado, e seus olhos dançavam entre as camisinhas no chão, a cômoda, o telefone, o banheiro e a porta. Parecia decidir se deveria sair correndo ou não.- Mas eventualmente, quero que me conte o seu nome real.

-Okay.- disse ele me encarando confuso.- Meu nome é Mystogan. Por hora, ao menos.

-Meu nome é Erza, Myst. Por hora, ao menos.- disse eu, sorrindo. E ele soltou uma risadinha baixa.- Mas então, a recompensa mencionada.

-Quanto você quer?- ele perguntou, sério. A voz tomada por um tom mais grave, como se fosse de outra pessoa.

-Perdão?- indaguei, surpresa.

-Quanto você quer?- ele perguntou, agora envergonhado por perceber que ele estava perguntado isso à uma garota de programa.- Quero dizer, eu estou aqui invadindo sua privacidade. Atrapalhando seu trabalho e tenho certeza que pareço um tarado esquisito pra você. Dinheiro não é problema, então você pedir o que quiser. Sério, eu não me importo com dinheiro e acho que você está me fazendo um favor imensurável e eu gostaria de recompensá-la por isso, e não dá pra colocar um valor na inspiração e você ainda tem que aturar as minhas exigências apesar de eu ser só um filho riquinho qualquer e...

-Calma!- eu exclamei, e ele parou de tagarelar. Entrava em desespero quando achava que tinha dito algo que não deveria.- Calma, eu só fiquei surpresa. Só isso. Okay, eu quero cinco vezes o valor da Noitada para cada semana que vier.

Ele pensou um pouco, me olhou incerto, como se achasse pouco para o que eu estava fazendo. Então assentiu, e pegou a mochila que estava no chão. Remexeu algumas coisas que estavam dentro, com extrema cautela, como se tivesse medo de eu ver. Então puxouum conjunto de folhas impressas presas por um clip.

-Eu pedi um advogado do meu pai para redigir um contrato oficial. Muito mais para a sua segurança, do que para o meu conforto. Eu quero que você confie em mim, Erza. O espaço onde dita o valor combinado está em branco e pode ser escrito e assinado.
 Eu dei uma lida superficial no contrato. Estava tudo bem oficial e eu não acreditei que ele colocaria alguma brecha pra me explorar pelo contrato. Assinei, e ele também. Parecia feliz. Satisfeito e ansioso. Realmente parecia uma criança empolgada, como se tivesse conseguido pegar o chocolate e agora se deleitava na adrenalina e no cacau.

-Então, quando começamos?- perguntei. Ele me olhou surpreso, como se saísse de um transe.

-Ah, hoje! Eu já conversei com seu chefe. Se você aceitasse, ele me deu permissão para fazer as minhas modificações. Depois resolvemos a questão de reformar o quarto ou não. Mas vou fazer uma ligação para o meu pessoal fazer a instalação, não deve demorar muito.- disse ele, distraído procurando um contato no celular. De repente, parou e seu corpo enrigeceu.- Mas... vou precisar que cancele seu próximo agendamento. Só um.

-Tudo bem.- eu disse, ele continuou me olhando como se esperasse eu dizer mais alguma coisa.- Não precisa se preocupar em pagar a consulta, eu não quero secar seu dinheiro.

Ele riu, de verdade. Foi um som estranho de se ouvir, contagiante. Sorri. Ele me olhou, sério. Seus olhos penetravam os meus e pela primeira vez, eu me senti constrangida.

-Essa foi a primeira vez que você sorriu de verdade para mim.- ele disse, a voz rouca, admirada. Eu desviei os olhos e ele pareceu perceber que estava encarando. Estava inquieto agora, nervoso.- Desculpe, eu... as vezes eu me perco e não tenho muita noção do que estou fazendo.

-Não tem problema.- eu disse. Ele me olhou, parecia mais tranquilizado.- Por que me escolheu, se importa em responder?
 Ele me encarou por um momento, parecia pensar na resposta. Seus olhos sorriram, brilharam divertidamente.

-Não quero responder essa pergunta verbalmente, se não tiver problema.- ele disse, e de algum modo sabia que estava sorrindo, sua voz soava divertida.- Quero responder com as pinturas.

Depois disso conversamos mais um pouco e ele parecia bem mais relaxado e à vontade. Pouco tempo depois, seu pessoal chegou e começou a instalação. Quando terminaram, ele estava com um suporte de canvas, um canvas em branco e um banquinho. Um estojo médio na mão e uma luva preta na outra. Ele então se despediu com um aceno e entrou no seu "quarto", fechando a cortina. Escutei ele abrir o estojo, colocar o canvas no suporte e escutei ele ajeitando o banco. E então silêncio. Passados alguns minutos, realmente não dava pra saber que havia alguém ali. Eu observava a cortina, tentando supor onde estaria seu rosto. Ele estaria sem a máscara? Estaria nervoso por eu o encarar? Estaria pintando?

De repente, percebi que estava pensando muito nele. Era um sujeito curioso, com certeza. Mas ninguém me interessara tanto assim antes. Tive que deixar de lado minhas suposições e devaneios, quando o agendamento chegou. Um homem qualquer. Mas exigia que eu "me divertisse também" e não se dava por satisfeito até eu gemer o nome dele e gritar quando "chegava ao clímax". Ossos do ofício. Nem todo homem sabe como o corpo de uma mulher funciona. Mas alguns acham que sim, e não seria eu que contaria a verdade só pra perder um cliente. E tirando o fato de que agora tinha um garoto assistindo enquanto eu fazia sexo atrás de sexo, o dia correu como eu tinha imaginado. Muitos clientes, alguns novos inclusive. Eram quase cinco horas da tarde quando Mystogan saiu da cortina. Nem mexeu as cortinas, só passou por ela. Não consegui ver nada além delas.

-Ei.- ele disse, meio nervoso.

-Ei.- disse eu. Estava deitada na cama, nua. Estava um pouco nervosa de estar nua perto dele, apesar de não entender o motivo. Fiz esforço para disfarçar e me levantei, esticando os braços e passando as mãos por trás do cabelo, pra fazê-lo cair nas costas. Por algum motivo, sentia vontade de provocá-lo pra ver se ele perderia o controle.

-Você gosta de vinho?- ele indagou, me pegando de surpresa. Sorri, assentindo.- E queijo?

-Sim!- exclamei, mais animada do que pretendia.- Gosto muito.

-Pedi um pouco para gente. O Henry já deve estar subindo.- ele disse. Evitava olhar meu corpo, mas não parecia ter tanto sucesso. Até que se virou de costas pra mim, e fingiu observar a janela.- Não que seja nada de qualidade, é só que me ajudam a distrair quando meus pulsos estão cansados ou eu preciso de uma pausa.

Me aproximei dele e segurei a mão que estava enluvada, fazendo-o pular de susto. Estava manchada de tinta à óleo. Não tinha dedos indicaror ou médio, e os dedos de Mystogan estavam também manchados. Suas unhas eram bem cuidadas, e não estavam muito sujas de tinta. Ele me observava, nervoso. Sua outra mão se fechava e abria repetidamente. O soltei, e bateram na porta. Me enrolei num lençol e atendi a porta. Um homem de meia idade pareceu surpreso em me ver, mas logo recuperou a compostura, e fez uma saudação.
 -Me perdoe, Madame.- ele disse, a voz grave, educada, cortês. Se eu fosse mais velha provavelmente me interessaria por ele.- Mas acredito que meus serviços foram solicitados. O senhor... está?

Ele pareceu que ia dizer o nome de Mystogan, mas se conteve. Ouvi Mystogano chamar, e dei espaço para ele passar. O mordomo segurava uma garrava de vinho com o braço em V, segurando a garrafa abaixo do pescoço, pouco acima do rótulo. Não era um vinho nobre, mas não era meia boca. Notei uma sacola na mão de Henry e senti água na boca. Que tipo de queijo um garoto rico comia? Seria engraçado se fosse muçarela. Eu não sei de onde, mas Henry tirou duas taças de cristal e as colocou na cômoda ao lado do telefone, serviu a ambas, entregando uma a mim primeiro, e depois a outra para Mystogan. O garoto assentiu, agradecido, e henry se retirou.

-Ele é um cavalheiro antes de ser um mordomo, vive dizendo isso.- explicou Mystogan. Tirando uma vasilha da sacola. Dentro haviam várias fatias iguais de queijo canastra. E queijo canastra caí muito bem com vinho tinto. Estava gostando dessas regalias.- Meu pai gosta muito dele.

-Como é seu pai?- perguntei.

-Ele é um bom homem. Não tem muito tempo para a família, a empresa toma a maior parte de seu tempo. Mas eu não o culpo. Ele cuida de nós , de mim e do meu irmão.

-E sua mãe?- perguntei cautelosa. Ele balançou a taça de vinho antes de responder.

-Faleceu, já tem muitos anos. Éramos crianças, eu e meu irmão.

-Perdão.- eu disse. Tive vontade de por a mão no seu pulso, para lhe assegurar. Mas me segurei.

-Tudo bem. Já tem muito tempo, afinal. Obrigado.

Conversamos mais, ele evitou perguntar sobre minha família. Talvez soubesse. Depois de perguntar se eu queria mais vinho, o que recusei, ele pegou as duas taças, a garrafa, e o queijo e voltou para seu quarto. Escutei ele se servindo mais vinhos, e pensei ter escutado um murmúrio cantarolado. Então o dia correu, e antes que eu pudesse reclamar comigo mesma, já eram 19 horas. Ele saiu das cortinas, e estava ansioso.

-Eu... tenho que sair agora. Vou deixar minhas coisas aqui, tenho outros em casa. Vou levar só a pintura.- ele disse, e percebi a pintura coberta debaixo dos braços dele.

-Tudo bem. Posso ver?

-Não... eu não gosto de que sejam vistas antes de estarem prontas. E tenho um compromisso, não posso terminar aqui...

-Okay.- eu disse, e ele se tranquilizou. Joguei meus braços em volta de seu pescoço e ele parecia que iria derreter de tão vermelho.- Quer um beijo de despedida?

Ele não soube responder. Parecia com medo de falar não. Eu ri, e o soltei. Percebi que ainda estava nua, e me senti corar. Talvez eu o estivesse provocando demais. Ele parou na porta e se virou para dar um aceno, a luva ainda na mão. Acenei de volta sorrindo, e quando ele fechou a porta, fui tomar banho. O resto da noite passou rápido, e felizmente, ninguém agendou uma Noitada.

Fiquei tentada a entrar pelas cortinas e ver como ele trabalhava. Mas seria uma violação das condições, e senti que não queria invadir sua privacidade. Ele já era tão tímido, e mesmo assim confiara em mim. Me perguntei o que ele vira em mim para que se interessase. Não acreditava muito na história de que me vira na rua. Fehcei a porta do quarto ao sair, me despedi de Gildartz que estava fechando caixa e fui para casa.

Quando estava comendo, recebi uma mensagem.

"Terminei a pintura, e como você pediu pra ver... Desculpa por não deixar mais cedo. Espero que goste.   -MG"

E abaixo, um link. Abri o Web Whatsapp e cliquei no link, que me levou a um fórum. O site tinha o fundo azul, e tinha uma pintura no fundo de um homem alto, cabelo curto e barba bem feita, os olhos âmbar e os cabelos negros. Ao lado uma mulher, de cabelos azulados e claros, os olhos castanhos e o sorriso gentil. E dois meninos, irmãos, um deles sorrindo, e o outro não tinha rosto. Então vi a foto da pintura. Era eu, um sorriso no rosto. Estava tão perfeito que eu senti que olhava uma foto minha, até o jeito que eu inclinava a cabeça estava certo. A moldura da pintura em madeira, simples. Mas vi uma plaquinha de ouro e dei zoom. "Mentiras", estava entalhado.

Sorri. Será que ele estava falando de quando tive que fingir prazer, ou de quando ele disse que tinha sorrido verdadeiramente? Deitei na cama, e peguei o celular pra mandar uma mensagem pra ele. Peguei no sono antes de pensar no que dizer.

 

__,-> Erza Off <-,__


Notas Finais


Olá! Gostaram??
Empolguei BASTANTE escrevendo esse capítulo kkkkkkkkkkk
Os próximos não devem ser tão longos~~
Até o próximo :D


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