História Os Escolhidos - Capítulo 3


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Categorias Originais
Tags Aventura, Deuses, Dois Mundos, Magia, Sobrenatural
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Palavras 4.738
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Voltando com o terceiro capitulo, e a apresentação do Terceiro Escolhido!

Vamos lá, boa leitura!

Capítulo 3 - Marcus Rodrigues - O Poder Para se Acreditar


POV NARRADOR

 

 

— Você realmente quer que acreditemos nessa história? — o presidente dos Estados Unidos da América pergunta.

 

   O salão de reuniões da casa branca está quase lotado com diversos representantes de diversos países. E quem comanda essa reunião é um homem velho, de cabelos grisalhos, um pouco baixo. Seu nome Jack... Jack Walker.

 

— Podemos começar senhor. — sua assistente o avisa.

 

   As luzes do salão se apagam, e uma imagem começa a se formar na parede.

 

— Eu fiz parte de uma expedição há onze anos. — Jack começa sua apresentação. — Na floresta Amazônia, no Brasil.

 

   O presidente do Brasil pigarreia.

 

— Durante essa expedição acabamos encontrando um palácio subterrâneo muito antigo.

 

   As imagens agora mudam, mostram as ruinas de um palácio antigo. Um lugar é simplesmente imenso e brilhante.

 

— Ficamos presos naquele lugar por horas, até que encontramos um enorme salão, nesse salão, algo nos chamou atenção.

 

   Agora a imagem monstra o exato momento em que uma fissura se abre no ar, no salão do palácio. E uma caixa sai dela.

 

— O que foi isso? — o presidente dos Estados Unidos pergunta intrigado.

— Como saberemos se não é um truque de edição? — o representando do Japão pergunta.

— Não é. — a assistente do Jack agora fala. — Temos provas da legitimidade do vídeo e testemunhas visuais do ocorrido.

 

   Um tumulto se inicia.

 

— O que tinha naquela caixa? — o presidente americano insiste.

— Uma carta escrita em varias línguas diferente. — Jack diz.

— Como assim?

— Por exemplo. — ele diz. — Se você for brasileiro, sua cabeça automaticamente traduzirá a carta para o Português, se for Americano para o Inglês.

— Impossível. — o presidente Brasileiro se pronuncia. — Isso é uma perda de tempo, um conto de fadas.

— O que tinha naquela carta? — o presidente Americano se altera.

— Um aviso, um alerta, um pedido de socorro. — Jack revela.

 

   A imagem no telão muda, mostrando a carta.

 

— “Ative a chave.”. — o presidente Americano lê. — O que isso quer dizer?

 

   A assistente de Jack pega uma caixa e coloca em cima da mesa de reuniões. Abre-a com cuidado e retira de dentro um discuto prateado, com um pentagrama desenhado.

 

— O que é isso?

— A chave. — Jack fala. — A chave que nos liga a um outro mundo.

 

   Um novo tumulto se inicia. — Jack coloca sua mão no disco que começa a brilhar, repentinamente um brilho de luz laranja força todos a cobrirem os olhos, assim que voltam a ver, veem alguém... Um holograma de alguém parado em cima da mesa. — Usa um manto, seu rosto está coberto, mas parece real... Porém às vezes sua imagem é distorcida.

 

— O que significa isso? — o presidente Japonês pergunta intrigado.

— Homens, mulheres... Humanos comuns. — o holograma começa a falar.

 

   É a voz de uma mulher, o que faz todos ali permanecerem em silêncio.

 

— O que estou prestes a contar é uma história verdadeira, e ao fim dela cabe a vocês acreditar ou não.

 

   Tudo é revelado a eles. Canyba, os Guerreiros Místicos, os Deuses... Tudo.

 

— Isso é impossível. — o presidente Americano fala.

— Com a separação dos mundos. — o holograma continua a falar. — O manto magico foi separado do mundo de vocês, sobrevivendo apenas no nosso, entretanto uma nova ameaça surgiu. Canyba e a Terra se tornaram grandes demais para coexistirem mesmo que seja como sombras um do outro. Canyba e a Terra estão prestes a colidirem e se destruírem.

— O que podemos fazer? — o presidente Japonês pergunta.

— Sério que estão levando isso a sério? — o presidente Brasileiro questiona.

— Os Guerreiros Místicos se foram, porém seus espíritos ainda vivem. Em uma antiga profecia foi revelada que seus espíritos despertariam novamente, porém dessa vez... Na Terra. — o holograma continua a falar. — Para impedir a colisão de ambos os mundos, os Escolhidos do Fogo, Água, Terra, Ar, Luz e Trevas, devem vir a Canyba, restaurando assim o equilíbrio dos dois mundos. O Palácio Real de Canyba é a chave, a ponte que liga o seu mundo ao meu.

 

   O holograma de repente desaparece.

 

— Isso é impossível. — o presidente Brasileiro diz alterado. — É óbvio que isso é um tipo de brincadeira.

— Jack? — o presidente Americano fala.

— Tinha algo a mais na caixa. — Jack diz. — Parece uma pedra comum, mas tem essas bolinhas, e olha... Duas delas estão brilhando, antes apenas uma, a azul estava brilhando, agora a vermelha também está.

— O que isso significa? — o presidente Americano pergunta.

— Que já começou. — Jack afirma. — Os Escolhidos do Fogo e da Água já estão entre nós, devemos encontra-los, e encontrar os outros quatro, e envia-los ao outro mundo, antes de tudo que conhecemos seja destruído... Para sempre!

 

 

---//---

 

 

3. MARCUS RODRIGUEZ:

O PODER PARA SE ACREDITAR

 

   Os jogadores correm eufóricos pelo campo. — O sol está muito forte essa manhã, mas não abala a animação do jogo. — Corro em direção a Bill, que está com a bola, consigo roubá-la, conduzo-a pelo campo e...

 

— GOOL!!! — a torcida grita empolgada.

 

   O juiz apita finalizando o jogo. — Vencemos.

 

— Demais! Demais! — um dos meus colegas vem até mim. — Você é fera.

— Sem essa. — digo sem graça.

— Para o vestiário. — o técnico grita.

 

   Vejo meus pais na arquibancada. — Vê-los sorrir pra mim faz essa vitória ser ainda mais importante.

 

   Meu nome é Marcus, Marcus Rodriguez, e tenho quinze anos. — Sabe aquele grande momento da vida quando você finalmente entra no ensino médio achando que sua vida dará um grande salto a ponto de transformar em uma pessoa melhor? Pois é... Isso aconteceu comigo. — Não estou querendo me engrandecer, mas é que eu sempre achei que por ser negro as pessoas sempre iriam me tentar colocar para baixo, eu sou filho de pai branco e mãe negra, o que faz meu tom de pele ser mais clara... Para os negros, eu não sou preto o suficiente, para os brancos eu não sou o claro o bastante. Então eu simplesmente resolvi parar de me importar com essas coisas, e resolvi ser eu mesmo, o que deu resultado. — Eu entrei nessa nova escola quando mudei de cidade. Atualmente vivo em Albuquerque, Novo México. Aqui eu sou reconhecido por meus talentos atléticos e sou de longe o melhor jogador do time. — Novamente, sem querer me gabar por isso. — Meu pai é médico, e minha mãe promotora, eu vivo uma vida muito tranquila... Tranquila até demais às vezes.

 

   O vestiário já não está mais cheio. — Estou em um dos boxes tomando uma ducha, quando vejo Carter entrar e ir para o box ao lado.

 

— Bom jogo hoje. — ele me cumprimenta.

— Graças ao time. — digo sem jeito.

 

   Eu não sou perfeito. Eu posso ter uma vida perfeita, mas por dentro... Eu me sinto quebrado. — Eu não sei ao certo quando isso começou, mas desde que entrei para o time tem ficado cada vez mais forte. — Eu, Marcus, não tenho certeza, mas acho que tenho preferencias para meninos, ao invés de para meninas, e isso me deixa confuso, assustado. — Eu tenho pais conservadores, amigos conservadores. — Eu já ouvi de um amigo uma frase: “Já não basta ser negro? Agora gay também?”. Claro que a frase não foi para mim, mas como eu estou em um momento de descoberta, é obvio que eu senti como se fosse um ataque. — Por isso eu nunca... Saí do armário, eu estou aqui, quieto, vivendo na minha, sem fazer mal a ninguém, e nem mesmo bem a mim mesmo. — Quanto a isso, eu sou um covarde.

 

— A água ficou gelada. — Cartar reclama. — Ai também?

 

   Ele tem razão, por algum motivo a água ficou gelada de repente.

 

— Sim. — respondo. — Deve ter queimado a fiação novamente. — digo. — Acho que eu posso dar um jeito.

— Isso não é trabalho seu. — Carter fala. — Tem gente aqui que é pago pra isso, sabia?

 

   Sorrimos um para o outro. — É difícil ter esses sentimentos e não ter alguém para falar abertamente sobre eles, isso me deixa... Triste.

 

— Já vou indo. — falo desligando o chuveiro.

 

   Visto o uniforme e saio do vestiário.

 

...........

 

   Eu não sou do tipo nerd, mas consigo manter minhas notas altas, ter uma vida social ativa, e ter uma vida geek ativa.

 

— Rodriguez. — o professor me chama assim que entra na sala.

— Sim. — respondo.

— Tem alguém te esperando na sala do diretor, se apresse, por favor. — ele pede.

 

   Estranho. — Meus pais estavam aqui para o jogo, mas eles não gostam de interromper minhas aulas apenas para falar comigo, mesmo se for algo muito importante. — Sério mesmo, uma vez minha mãe sofreu um acidente, e eu só fiquei sabendo quando cheguei em casa e a vi toda enfaixada.

 

   Chego à sala do diretor e vejo uma mulher sentada na mesa do mesmo. Ela é bem branca, cabelos pretos com mexas verdes. Está usando um terno preto, e saia branca.

 

— Desculpa. — peço sem jeito. — Eu te conheço?

— Ainda não meu caro. — ela diz me causando arrepios. — Meu nome é Katrina.

— Nome legal. — digo sorrindo. — Como o furacão.

— É a segunda pessoa a fazer essa brincadeira.  — ela fala.

— Então. — insisto confuso. — Qual o motivo de me chamar no meio da aula?

 

   A mulher se levanta. — Ela é alta. — Passa a mão em meu rosto, o que me deixa constrangido. E fixa seus olhos aos meus.

 

— Seus olhos sãos iguais aos dela. — Katrina fala.

— Conheça minha mãe? — pergunto intrigado. — Aconteceu alguma coisa com ela?

— Conheço sua Guerreira Mística, Jyssi. — ela fala.

— Como é? — pergunto confuso. — Do que está falando?

— Humanos. — ela sorri. — Vocês fazem umas caras engraçadas quando expostos a verdade.

— Não estou entendendo? É algum tipo de teste?

 

   Repentinamente um tiro ecoa pela escola. — Tiro? O que está acontecendo. — Abro a porta assustado, e vejo vários alunos correndo. Vejo Carter que simplesmente me puxa pelo braço e me força a correr com ele.

 

— O que está acontecendo? — pergunto assustado.

— Algum maluco invadiu a escola. — ele conta. — Temos que sair daqui rápido.

 

   Olho para a sala do diretor e vejo que a mulher já não está mais lá. — O que está acontecendo aqui?

 

— Por aqui!

 

   Estamos longe da saída da escola, e não temos para onde correr. Um professor nos esconde na sala de aula junto a outros quinze alunos, e nos tranca aqui.

 

— Fiquem quietos. — o professor pede em sussurros. — Sem pânico, quem estiver com celular, pede socorro, redes sociais, mensagens... Apenas, permaneçam calmos, vai dar tudo certo.

 

   De repente um grito, e então um outro tiro.

 

— O que está acontecendo lá fora? — uma menina pergunta em pânico.

— Temos que sair daqui. — digo em sussurros.

— Ficou maluco? — Carter pergunta. — Tem alguém com uma arma na escola.

— Eu não disse para a gente enfrentar ele, eu disse sair daqui.

 

   Ando curvado e chego até a janela. — Estamos no terceiro andar, pular não é uma opção. — Vejo carros de polícia e vários curiosos. — Por que chegaram tão rápido? Será que essa pessoa é algum fugitivo.

 

— Ninguém vai sair daqui! — ouço um grito, que me assusta e me faz cair.

 

   Os demais alunos vêm até onde estou. — Ele está nesse andar?

 

— O que é você? — a mesma voz questiona assustado.

 

   O que está acontecendo lá fora? — Repentinamente a porta é derrubada e um homem armado cai completamente encharcado.

 

— Desculpem por isso. — uma menina pede.

 

   Vejo então uma garota, ela é loira, seus olhos são verdes. Seus cabelos estão soltos. Está usando uma bermuda jeans curta, e uma camisa branca de manga comprida.

 

— Cuidado! — o professor grita.

 

   O homem se levanta, engatilha a arma e atira na direção da jovem. — Não consigo acreditar no que estou vendo. — Seus cabelos tornaram-se água, e a bala do tiro está imersa na água de seus cabelos.

 

— Que tipo de monstro é você? — o homem pergunta apavorado.

 

   O que ela é? — O homem levanta rapidamente, empurra a jovem que bate a cabeça na parede, fazendo seus cabelos voltarem ao normal. — Isso é insano, insano...

 

— Maldito. — ela reclama aparentemente tonta. — Desculpe, mas alguém por aqui conhece Jyssi?

— De novo esse nome. — digo intrigado.

— O que está acontecendo aqui? — uma das meninas grita.

 

   Vejo a jovem me encarar, porém antes de dizer qualquer coisa ela corre para fora da sala.

 

— Espera! — grito levantando.

— Marcus. — Carter segura minha mão. — O que está fazendo?

— Não sei. — digo confuso. — Mas... Eu sinto que eu não posso deixar ela sozinha.

— Isso é loucura.

 

   Me solto e corro para fora da sala.

 

— Onde ela está?

 

   Começo a correr pelo corredor e noto o chão molhado. — Só pode ser por aqui. — Continuo a correr até que finalmente a encontro. Ela está com os cabelos em forma de água novamente, e o homem está apontando duas pistolas em sua direção.

 

— Espera! — grito.

— O que faz aqui? — a jovem pergunta confusa.

— Por favor, parem. — peço.

— Garoto, você quer morrer?

 

   Eu não sei o que estou fazendo, mas é como se meu corpo estivesse sendo atraído pela simples presença dela. — Estou confuso. Primeiro aquela mulher aparece falando esse nome estranho, Jyssi, agora essa garota monstro com cabelos de água fala o mesmo nome. — Eu deveria estar assustado como os outros, mas eu não consigo. Eu a vejo, e fico fascinado com isso. — Estou ficando maluco?

 

— Eu não sei o que você é, coisa do demônio, mas você vai morrer. — o homem grita.

— Garoto se afasta. — ela pede.

 

   Sua mão de repente me toca. Sinto um formigamento, como um choque.

 

— O que foi isso? — pergunto assustado.

— É você. — ela diz espantada.

— Marcus!

 

   Vejo Carter correndo em nossa direção. — Idiota o que está fazendo?

 

— Morra! — o homem grita.

 

   Repentinamente o homem começa a atirar freneticamente, a jovem para as balas com os cabelos d’água, mas tem dificuldades.

 

— O que acha que está fazendo? — pergunto assustado empurrando Carter.

— O que você acha que está fazendo? — ele diz. — A garota é algum tipo de alguma coisa, e ele um bandido e o que você pretende fazer.

— Ela salvou nossas vidas.

— Ela é um monstro.

— Eu não quero discutir e...

— Marcus? — ele me chama.

 

   Os tiros param de ecoar, olho para trás e vejo a jovem me encarar. — Seus cabelos já estão normais novamente. — Sinto uma pontada nas costas, e então uma dor agonizante.

 

— Marcus?

 

   Caio em seus braços com sangue saindo de minha boca. — Eu fui atingido?

 

— Não, não. — a jovem grita correndo até mim. — Você não pode morrer.

— Se afasta dele. — Carter grita. — Você é a culpada por isso.

— Não, eu...

 

   Levanto a mão e toco no rosto da menina, que para como se estivesse congelada.  — Um enorme clarão toma conta do lugar.

 

   Abro meus olhos. Estou andando em um local escuro, completamente escuro.

 

— Eu morri? — pergunto confuso.

— Se esta morto, então também estou.

 

   Olho para o lado e vejo a garota.

 

— Quem é você? O que está acontecendo aqui?

— Meu nome é Tina. — ela conta. — E eu vou te explicar tudo, eu só preciso que se acalme.

 

   Encaramo-nos um ao outro. — A cada palavra que sai de sua boca, imagens formam no chão escuro, como se estivéssemos em um enorme salão feito de grandes telões. — E percebo que até mesmo ela se surpreende vendo certas coisas. — Ela me conta sobre tudo, sobre o outro mundo, sobre Canyba, os Guerreiros Místicos, e sobre nós.

 

— Então... Onde está o tal Líder, o Jason? — pergunto confuso.

— Isso é um assunto para outra hora. — Tina fala. — Já me surpreendeu o bastante você não ter surtado.

— Se eu não surtei vendo seus cabelos virarem água, acho que não surto com nada mais. — digo a fazendo rir.

 

   As imagens de repente desaparecem. Uma ponte laranja surge sem mais nem menos.

 

— Então, eu estou morto, mas para despertar como um Guerreiro Místico eu tenho que aceitar o espirito do meu antecessor. — digo confuso. — Isso é confuso... Minutos atrás tudo de mais bizarro que tinha acontecido na vida era uma mulher com nome de furacão me acariciar sem mais nem menos.

— Katrina? — Tina pergunta confusa.

— Isso. — confirmo.

— Katrina é a Guerreira do Ar. — ela conta. — Ela é má, ela quer nos matar, não deve confiar nela.

 

   Sinto meu ar desaparecer.

 

— Está acontecendo. — Tina diz. — Vamos depressa.

 

   Ela segura em minhas mãos e juntos atravessamos a ponte de luz laranja. — Eu simplesmente perdi o juízo, não é? Talvez eu esteja sonhando, mas se tiver eu não quero acordar. Eu sempre me imaginei salvando vidas como meu pai, e proteger as pessoas, como minha mãe. Se eu me tornar algo... Algo maior do que qualquer um pode ser me tornar algo que só eu possa ser... Talvez eu consiga me ver, me enxergar como uma pessoa melhor. — Vejo uma enorme árvore, com folhas laranja, seu tronco é esverdeado, e tem frutos dourados.

 

— É magnifico. — Tina diz.

— O que eu faço? — pergunto confuso.

— Eu não sei.

 

   Me solto de seus braços. — Sinto como se a árvore estivesse me chamando. — Aproximo-me dela e a toco, e nesse mesmo instante um contorno laranja toma conta do meu corpo, e toda árvore começa a brilhar, e repentinamente torna-se... Alguém.

 

— Ashanti? — Tina chama assustada.

— O que...

— Não é Ashanti. — ela diz confusa.

 

   Está usando um manto sujo, com detalhes em laranja. Não consigo ver seu rosto, mas consigo sentir que estou tocando em algo.

 

— Eu sou Jyssi. — sua voz é firme e poderosa. — Filha de Gaia.

— Você não tem rosto. — digo assustado.

— Marcus Rodriguez. — ela continua. — Eu o estive vigiando durante todos esses anos, acompanhei sua vida, seu crescimento, seu sofrimento.

— Está me assustando mais do que me deixando animado. — insisto.

 

   Olho para trás e vejo Tina sorrir para mim.

 

— Obrigada, Herdeira de Ashanti, por trazê-lo até mim. — Jyssi fala.

— Eu pude encontra-lo porque nossos elementos têm afinidades. — Tina conta. — Gostaria que pudesse ensinar a ele como...

 

   Repentinamente um cipó sai chão e me prende.

 

— O que está acontecendo? — Tina pergunta.

— Desculpa. — Jyssi pede. — Mas eu não sou como os outros Guerreiros Místicos, eu tive de me conter a vida inteira, mesmo sendo a mais poderosa entre todos.  Eu não vou deixar de existir só para um garoto qualquer poder viver.

— O que? — pergunto assustado.

— Marcus! — Tina grita. — Foge.

— Fugir pra onde?

— Foge!

 

   Me solto de Jyssi e começo a correr. — Vim parar nesse plano estranho para não morrer, e agora um fantasma quer me matar. Ótimo Marcus, hoje é o seu dia de sorte. — Atravesso novamente a ponte de luz, e assim que chego ao outro lado a vejo, Jyssi.

 

— Eu sou o seu passado, e você o meu presente. — Jyssi fala. — Mas eu não vou abrir mão do meu futuro, por sua causa.

— Olha! — grito. — Eu não pedi nada disso, eu sou só um garoto normal, okay? Não precisa me matar, apesar de eu já estar morrendo lá fora, mas... Por favor, não precisa terminar assim.

— Sinto muito que tenha que acabar assim. — ela diz.

 

   Repentinamente um brilho no céu. Um pilar de luz se levanta e de dentro da luz um homem sai. Está usando o mesmo tipo de manto, com as mesmas listras em laranja, porém esse tira o capuz, revelando-se. Ele é velho, tem barba longa e cabelos grisalhos amarrados em rabo de cavalo. — O que está acontecendo aqui?

 

— Quem é você? — Jyssi questiona.

— Sua era acabou Jyssi. — a voz do velho me faz arrepiar. — Rapaz, acredite.

— Acredite em que?

— No seu poder. — ele insiste.

— Que poder? Eu sou só um garoto que não quer morrer. — afirmo.

— Então não morra.

 

   Acreditar? Como se acredita em algo que até então parecia impossível. — Mas eu vi, fui capaz de ver os cabelos de Tina virar água, tomei um tiro e ao invés de morrer estou aqui, vi uma árvore estranha virar uma pessoa... — Eu sou capaz de acreditar?

 

— Você é Marcus Rodriguez, o Terceiro Rei de Canyba Central. — o velho grita. — Seu poder nasceu da amizade e compaixão. Você tem alguém lá fora que quer proteger, não tem?

 

   O assassino ainda está lá fora... Carter está lá fora.

 

— Você tem o poder para se acreditar. — o velho insiste. — Pois a essência do seu poder é a fé nas pessoas e em si mesmo.

 

   Fé? — Eu sou a pessoa mais sem fé que conheço. Mas isso não importa agora, o Carter, meu amigo... A pessoa que eu gosto está em perigo, eu preciso... Acreditar.

 

— Eu não vou desaparecer! — Jyssi grita enfurecida.

— Acabou Jyssi. — o velho afirma. — Uma nova Era está prestes a se iniciar, Canyba irá ser salva, a Terra irá ser salva. E um novo começo se abrirá para essas crianças.

 

   Meu corpo de repente é contornado por uma luz laranja. — É inacreditável, essa sensação de poder, de energia... — Uma luz sai de minha barriga e voa contra Jyssi, e começa a puxá-la.

 

— O que está acontecendo? — pergunto confuso.

— Você meu jovem, é o Rei das Terras dos Gigantes de Mandybus. — o velho então se curva. — O Herdeiro da Terra.

 

   Repentinamente o corpo de Jyssi se funde ao meu. E novamente... Um grande clarão.

 

   Abro meus olhos. — O que foi que aconteceu? — Levanto e vejo Tina caída no chão.

 

— O tiro!

 

   Coloco a mão em minhas costas. — Estou sujo de sangue, mas o ferimento simplesmente desapareceu.

 

— Não! — Tina grita despertando.

— Você está bem? — pergunto.

— Você conseguiu?

 

   Fecho os olhos e sou contornado por uma luz laranja.

 

— Acho que sim. — digo em um sorriso bobo.

 

   Ouço então um tiro. — Carter. — Ajudo Tina a levantar e juntos, corremos pelo corredor.

 

— Por favor, não! — ouço a voz do Carter.

 

   Finalmente chegamos ao corredor onde está, o homem o segurando pela camisa, e está com a arma na cabeça dele.

 

— Para! — grito.

 

   Minha boca se abre mais que o normal, e repentinamente um som agudo e uma onda de energia saem de minha boca. — O que foi isso? — O homem deixa a arma cair e cambaleia com as mãos no ouvido. Carter me olha assustado.

 

— Esse é meu poder? — pergunto a Tina. — Eu grito?

— Marcus? — Carter me chama. — Está vivo? Como?

— Crianças malditas! — o homem berra enfurecido.

 

   Tudo de repente parece se passar em câmera lenta. Vejo o homem se abaixar e pegar a arma. Ele atira, e a bala voa contra meu peito.

   Escutamos então o som de um aço sendo atingido.

   Olho para meu peito, tiro minha camisa e vejo que a parte atingida pela bala, tornou-se aço. — Eu tenho um corpo de aço? — A bala cai ao chão, e a parte de aço em meu peito some, entrando em minha pele.

 

— Acho que também é a prova de balas. — Tina diz perplexa.

— O que está acontecendo aqui? — o homem pergunta em pânico.

— Leve o garoto para fora daqui. — Tina pede. — Eu cuido dele.

— Tem certeza? — pergunto.

— Vai logo, nos encontramos lá fora.

 

   Corro apressado, puxo Carter pelos braços e ele apenas me segue ainda confuso e completamente perplexo com tudo que viu. Consigo ouvir os “SLAP” causados pelos estalos dos cabelos em forma d’água da Tina.

 

   Chegamos enfim fora da escola. Carter segura minha mão e tenta me afastar da escola. — Um tiro ecoa de repente, o que faz o alvoroço de todos ficarem pior.

 

— Eu preciso voltar. — digo deixando-o assustado.

— Enlouqueceu? O que acha que vai fazer? Você viu aquela menina, viu o que ela é.

— Você viu também o que eu fiz.

— Você não fez nada.

— Ele atirou em mim e eu não morri.

— Sorte.

— Então que a sorte me acompanhe novamente. — grito me soltando.

— Marcus!

 

   O grito do Carter faz meus pelos arrepiarem. — Corro para dentro da escola, e sou seguido por dois policiais. Avanço escola dentro e chego ao corredor onde deixei Tina com o maluco que invadiu a invadira, porém já não estão mais aqui.

 

— Garoto! — um dos policiais tenta me fazer parar.

 

   Acelero o passo, e logo outro tiro chama nossa atenção, nos obrigando a parar de correr. — O que está havendo? Onde está a Tina?

 

— Vocês...

 

   Olho para trás e me assusto ao vê-los completamente parados, como se estivessem petrificados. — O que está acontecendo aqui? — Repentinamente ouço um baque, e então vejo o homem que invadiu a escola ser jogado contra a parede, e vejo agora Tina se aproximando. Seus olhos parecem brilhar sua pele ganha escamas em algumas partes, mas parecem sumir rapidamente. Seus cabelos agora são águas que chacoalham no ar como se fossem grandes cipós de água.

 

— Tina? — a chamo.

— Me deixa em paz! Demônio! — o homem grita em pânico.

 

   As escamas voltam a surgir em sua pele. Repentinamente seus cabelos avançam contra o homem e como se fosse algo muito afiado atravessa seu peito... Matando-o.

 

— O que fez? — questiono assustado.

 

   Seus cabelos voltam ao normal, às escamas em sua pele desaparecem, e ela simplesmente cai desmaiada no chão.

 

— Hey! Tina... Tina. — grito correndo até ela. — Tina.

— Ela está bem.

 

   Salto em susto. Viro-me para trás e o vejo novamente.

 

— Você! — grito em espanto. — É o velho que estava... Que estava na minha cabeça quando tudo aconteceu. Você é real, aquilo... Aquilo foi real.

— Ainda duvidava? — ele questiona.

 

   Vejo os policiais ainda parados como se fossem estatuas.

 

— Não se preocupe, eles ficaram bem. — o velho garante. — Agora vamos, temos que encontrar os outros quatro e ir embora daqui.

— Os outros quatro, do que está falando?

— Foi difícil, mas eu consegui encontrar a localização dos outros, temos que...

— Temos? Não... Eu não concordei com nada disso... Eu, eu não pedi isso, tá legal? Eu agradeço por salvarem minha vida, por tudo isso, mas não sou eu, eu não sou seu cara.

 

   Viro-me novamente e vejo Tina agora com sangue saindo do nariz.

 

— O que está acontecendo com ela? Ela precisa de um médico.

— Os humanos dessa Terra não serão capazes de salva-la. — o velho diz.

— O que está falando? — questiono intrigado.

— Assim como você, Tina é uma Escolhida, uma herdeira direta dos Guerreiros Místicos, sangue real corre em suas veias, o corpo de vocês podem pertencer a essa Terra, mas seus espíritos pertencem a Canyba.

— Eu não entendo. — digo confuso. — Isso só fica mais confuso. Eu só quero saber como salvar a Tina e acabar com isso.

— Só há um jeito de salvar a Rainha de Hristun nessa Terra. — ele afirma um pouco apreensivo.

— Que jeito?

— Você precisa encontrar a luz.

 

   Paro em silencio por alguns segundos na esperança dessa resposta ser algo metafórico, mas ele continua a me encarar como se tivesse dito algo muito sábio.

 

— Como assim encontrar a luz? Que luz? — questiono.

— Todos vocês, os quatro originais os Elementais, possuem habilidades nesse mundo, nessa Terra, mesmo aqui não existindo magia, pois a fonte de seus poderes existe em todo o lugar, por isso são extremamente poderosos.

— Foca na luz, beleza?

— Os outros dois espíritos Luz e Trevas são conhecidos como Espíritos Celestiais, esses existem por causa dos quatro Elementais.

— Chegue ao ponto, pare de rodeios. — grito irritado.

— Se você encontrar quem está para despertar o espírito de Niuffi, da Guerreira Mística da Luz, você pode salvar a Tina.

— Não vejo como encontrar essa pessoa a salvaria.

— Niuffi é uma sacerdotisa. — o velho, conta. — Sua essência é a vida, a luz divina.

— Então essa pessoa que herdar o espírito da luz vai virar uma lanterna?

— Você definitivamente não herdou o senso de humor da sua mãe. — ele bufa.

— Minha mãe?

— Não essa mulher que acha que é sua mãe, sua verdadeira...

 

   Ele de repente tapa a boca, parecendo perceber que falou de mais. — O que ele quis dizer com isso?

 

— Eu não sou adotado, eu sou filho dos meus pais. — grito empurrando-o.

— Eu sei, eu me expressei mal.

 

   Minha fúria é interrompida com as tosses seguida de sangue de Tina. — Eu não posso fugir disso, não agora, ela salvou a minha vida, eu devo isso a ela.

 

— Eu faço, eu encontro a sua luz. — afirmo. — Como eu faço isso?

— Você não pode.

— Como?

— Não sozinho. — ele continua. — Tina foi capaz de te encontrar, pois o elemento da água tem afinidade com o elemento da terra.

— Tá e quem tem afinidade com a luz?

— As trevas.

— Não entendi. — digo confuso. — Tina disse que para ter a luz e as trevas os quatro Elementais precisariam se reunir, como eu vou me juntar ao herdeiro das Trevas para achar o herdeiro da luz se eles ainda nem existem?

— Você irá com outra pessoa.

 

   O velho faz um movimento com a mão e repentinamente um arco laranja se abre no ar.

 

— O que é isso?

— Um portal. — ele diz. — Você encontrara a pessoa que irá te ajudar, mas precisará de paciência.

— Como eu vou saber quem é?

— Acredite você saberá.

 

   Caminho até Tina abaixo-me e seguro em suas mãos.

 

— Fique com o carinha estranho metido a Gandalf, eu prometo que vou encontrar a luz e vou te salvar, só aguente mais um pouco.

 

   Ando temeroso em direção ao arco. Paro e encaro o velho.

 

— Quem eu estou procurando? — pergunto confuso.

— Seu nome é Jason, Jason Walker, ele o ajudará a encontrar o herdeiro de Niuffi.


Notas Finais


Por enquanto é isso... Logo estarei de volta!


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