História Os Escolhidos (EM CORREÇÃO) - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink, EXO, Got7
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Kai, Lay, Rap Monster, Sehun, Suga, Suho, V, Xiumin
Tags 2jae, Baekyeol, Chanbaek, Golpe, Guerra, Jikook, Jikook!flex, Kaisoo, Kookmin, Luta, Markson, Minkook, Monstros, Namjin, Revolução, Suspense, Taeseok, Vhope
Visualizações 215
Palavras 4.641
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Ficção Científica, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Agora foi! Eu já tinha esse capítulo pronto, mas não estava conseguindo postá-lo.
Nesse já aparece um dos meninos e de qual província ele é .
Espero que gostem ^^

Capítulo 2 - Palacious


Capítulo 2

Palacious

Mais um dia como todos os outros se iniciava para os habitantes de Palacious. Diariamente, exatamente às cinco horas da manhã, quando o sol já está nascendo, o rapaz acordava ao mesmo tempo em que o som do sino da Torre soava. Segundo os governantes este era programado para funcionar religiosamente sem interferências internas ou externas, há mais de mil anos. Não se sabia a quem se devia tal feito, ou como funcionava. Não era necessário saber, afinal, era apenas mais uma das Regras Supremas que os habitantes deveriam obedecer sem questionar.

‌É terminantemente obrigado a todos os palacianos, acordar junto ao soar do sino, assim como, estarem devidamente prontos para seus serviços diários as seis em ponto.

Com 'devidamente prontos', quer se dizer, com a higiene realizada, com o uniforme correspondente a sua atividade naquele dia, está munido do walkdaily, aparelho entregue a todos os habitantes com idade para exercer suas funções, o qual se atualizava diariamente com sua respectiva tarefa, repasse das regras e é claro, a Contagem. Esta última, se tratando da regulagem dos Medicamentos Divinos, que garantiam a soberania a Palacious. Isso tudo, segundo os governantes.

E com os Medicamentos Divinos, vinham mais uma Regra:

‌Todos os habitantes dessa capital devem fazer a ingestão correta dos Medicamentos Divinos. A Contagem deverá ser realizada semanalmente pelo walkdaily e verificado pelos próprios governantes no sistema, com o auxílio dos exames sanguíneos.

O garoto tomava as pílulas ainda no banheiro, depois de ter feito toda a higienização, já que deixava a caixa de medicamentos lá e tinha se acostumado a engolir seco mesmo. Colocava o uniforme cinza, assim como seus cabelos, se dirigia a cozinha para tomar a refeição. No caso os suplementos alimentares, que eram fornecidos. Em pouco tempo já caminhava para a porta verificando no seu aparelho o que teria que fazer hoje.

Todos os palacianos eram extremamente capazes em várias áreas, como trabalho em fábricas de suplementos para a alimentação, coleta das caixas entregue nos correios, cuidar do transporte das crianças de cinco anos para o Instituto dos Tutores, conserto de walkdaily, construção das casas e muitas outras funções.

Saiu de sua casa n°2013 e foi em direção a sua tarefa de hoje:

Passar de casa em casa para recolher as caixas dos medicamentos, do número 2.013 aos 3.500 e levá-las ao posto mais próximo.

Talvez demorasse um pouco, mas tinham vários postos pelo caminho e as pessoas colocavam suas caixas do lado de fora. Então, ele provavelmente voltaria pelas dez horas, já que teria uma pausa às 12h00min, outra às 16h00min e outra às 18h00min. Apenas o suficiente para a alimentação e ir ao banheiro.

A primeira casa seria a da sua vizinha n° 2.014, cujo não sabia o nome. Apesar dela ter ficado bastante famosa depois do crime cometido. Ela simplesmente esqueceu-se de tomar as suas doses diárias. No primeiro dia ela surtou, o rapaz tinha escutado muitos barulhos e gritos na casa ao lado, porém não tinha o menor interesse em saber do que se tratava, então ignorou, pois não havia nenhuma regra que impedisse as pessoas de fazerem barulhos. No final da semana, quando os walkdailys eram verificados para a contabilidade dos medicamentos, e o exame de sangue mostrou que ela não ingeriu nenhuma pílula sequer naquela semana, ela foi descoberta.

Quando os policiais vieram a casa dela, houve tentativa de fuga. O que para o jovem não fazia nenhum sentido. Na verdade nada com aquela mulher fazia sentido, afinal, mesmo que ela tenha se esquecido de tomar no primeiro dia, só precisaria ter tomado nos restantes e explicado o ocorrido em algum posto. Segundo o que passou no jornal de Palacious, a falta dos Medicamentos Divinos, a enlouqueceu, e esse era mais um dos grandes motivos para que o povo não deixasse de tomá-los. Mencionando isso tem- se outra regra:

‌Qualquer morador dessa província que não nascer apto ou se tornar inapto de exercer suas funções, se torna um empecilho para o desenvolvimento do reino. E, portanto, deve ser morto imediatamente. Desconsiderando-se a idade.

Foi por esse mesmo motivo que ao sair de casa naquele fatídico dia o rapaz testemunhou sua morte. Os policiais invadiram a casa e a arrastavam para o lado de fora da casa, ela tentava se soltar a todo custo, se desprender deles ficava cada vez mais distante de sua realidade, afinal, eles eram mais fortes e em maior quantidade. Seu rosto estava inteiramente molhado, os olhos inchados, ela gritava alto e seus cabelos grudavam na face.

 Esse era o tal choro.

O policial mais forte, assim que a imobilizou, segurou com força seu pescoço e o torceu. Automaticamente o silêncio voltou, seu corpo foi colocado dentro de um saco, para não sair respingando sangue pelas ruas e foi posta nos ombros no seu assassino. E eo garoto pôde seguir seu caminho, pois antes os integrantes do ocorrido ocupavam totalmente a passagem.

Eram raros casos como esse, já que mesmo sem os tais sentimentos que se viam nos livros, não possuíam a vontade de morrer, no caso, não tinham vontade alguma. Apenas, seguiam regras.

Continuando seu caminho, pegando caixas e entregando nos postos sem interrupções, além das pausas para descanso, a alimentação e as idas ao banheiro. Já davam quase oito e meia quando ele parou em frente à casa n°3.354 e não encontrou a caixa, ela simplesmente não estava lá. Apertou o botão ao lado da porta, esperando pacientemente que o morador dessa residência apenas fizesse o básico como seu dever de cidadão.

O que não aconteceu.

Percebeu que não iria voltar tão cedo para a casa hoje, pois um homem simplesmente pulou pela janela lateral da casa e correu beco adentro. Mais uma vez ele se via como testemunha de algo sem sentido, porque se ele queria fugir não deveria ter entrado em um beco sem saída. Agora o que lhe restava era seguí-lo até o beco escuro e dependente apenas dos postes de iluminação para que não ficasse um verdadeiro breu.

­─ Senhor. ─ o chamou apenas uma vez, depois de alcançá-lo facilmente.

E prosseguiu com os bons modos, os quais, pelo que aprendeu com os tutores, eram necessários ao se iniciar uma conversa com outros.

─ Está atrasando minha tarefa em não fazer suas obrigações, pois não é possível que já tenha feito a sua já que nem a caixa está em frente a sua porta. Vamos. A entregue para que eu possa prosseguir.

Mesmo depois das palavras, o homem continuava parado, virado para a parede ao fundo, sem olhar para o rapaz de punhos fechados. Tornou a chamar por ele, que dessa vez virou o rosto lentamente em sua direção, sem mover o corpo. À medida que ele se virava, mesmo com a pouca iluminação, o mais novo pôde notar o quanto ele tremia, o seu olhar para o rapaz era o mais apavorado possível. E então ele percebi o que tinha acontecido.

Aquele homem estava com os tais sentimentos.

Como aquela mulher, ele não tomou as pílulas e por isso está com todas essas expressões em seu rosto. Teria continuado com suas conclusões a respeito do que aconteceu, já que precisava de todas as caixas para finalizar o trabalho e resolver isso era necessário, quando o homem começou a gritar.

─ M-m-mostro!! Todos vocês são monstros!!! ─ ele gritava exasperado e assustado ─ Como eu pude viver assim! Não! Não! Não! Não. Não...

Sua voz foi diminuindo aos poucos e logo foi sendo substituída por um choro sofrido, ele chorava alto enquanto se ajoelhava, já completamente virado em direção do rapaz. Suas mãos percorriam seus cabelos e seu rosto velho e enrugado, devido à idade avançada. Vendo que ele pretendia continuar lhe atrasando, o garoto limitou-se a continuar a conversa com o que realmente era essencial naquele momento:

─ O senhor parece não ter tomados seus medicamentos, devo chamar a polícia para resolver esta situação. ─ disse já com o walkdaily em mãos.

O homem logo pulou de susto e partiu na direção do outro, segurando seus braços com força, depois de ter tomado o aparelho de e jogado ao chão, olhando em meus olhos, desesperado.

─ Não faça isso! Você não entende! Você não pode entender! É impossível! Impossível! Eu era como você, não estava vivendo, mas agora... Eu posso finalmente ver. ─ o homem de repente começou a sorrir e lhe abraçou.

─ Agora eu não estou mais cego! Você não vê? Não precisamos de medicamento algum! É mentira! Uma grande mentira! Preciso contar a todos! ─ ele gritava coisas sem nexo, enquanto gesticulava as mãos, agora já um pouco afastado do corpo por iniciativa do rapaz evidentemente.

E recomeçou sem expressão alguma no rosto:

─ Eu não faço ideia do que está falando. Eu já lhe disse que preciso terminar meu trabalho. Não percebe mesmo as loucuras que diz? Não ouviu os avisos do governo de Palacious? Não vê o que acontece com quem não toma as doses diárias? — deu uma mínima pausa para que aquele homem maluco talvez entendesse o que lhe dizia.

─ O governo de Palacious... Ahh não menino! Não se deixe enganar! Não precisamos de nada disso para viver! Você precisa me ajudar a sair daqui! Isso sim! Você também pode recomeçar assim como eu! Se um velho consegue, porque você não haveria de conseguir?! ─ disse o homem interrompendo a explanação, já puxando seu braço para sair de lá juntos.

Imediatamente ele se soltou daquele lunático, com mais força do que estava esperando usar e prosseguiu novamente, inalterado de expressões:

─ Isso não tem importância, já que logo a polícia estará aqui. Mesmo que tenha tomado meu walkdaily, suas doses são verificadas uma vez por semana, e esse dia é hoje, domingo. Seu exame de sangue irá identificar algo anormal, já que não tomou os medicamentos. E caso não tenha o feito, seu aparelho também constará a falta do exame. ─ ditou o mais claro possível para o senhor que lhe olhou de olhos ainda mais arregalados que antes.

─ O que? Não! Esp-...

Ele parecia querer ainda argumentar com o mais novo, quando foi interrompido por um estrondo, seguido de um buraco um pouco ao lado do centro de sua testa. Gotas de sangue molharam o rosto jovial e o homem caiu no chão com um baque alto, enquanto sua face permanecia distorcida em puro pavor, até mesmo seus olhos permaneceram abertos.

─ Você. O que está fazendo aqui?

Virou-se para olhar o policial que já vinha em sua direção ainda com a sua mira pronta para agir caso algo incomum acontecesse.

 ─ Tenho ordens para matar apenas o morador n°3.354 — lhe mostrou a foto do senhor que acabara de ver sendo morto, outro policial ao seu lado. Erguendo-a, para logo em seguida por no bolso ─ Quem é você?

─ Meu nome é Park Jimin, moro na casa n°2013 e estou trabalhando com a coleta das caixas hoje. Este homem ─ apontou discretamente para o corpo inerte atrás de si ─ Estava atrasando minha tarefa. Já deveria estar terminando. ─ concluiu sua breve explicação, sem expressão alguma no rosto.

O policial logo abaixou a arma e lhe pediu para esperar, enquanto ele contatava os superiores, um pouco mais afastado. Um terceiro policial apareceu com a caixa em mãos, informando que ela estava cheia com as 21 doses. Portanto, o homem realmente não tomou nenhuma essa semana.

─ Você não coletará esta que ele está segurando — disse o que estava conversando ao aparelho uns segundos antes, se aproximando novamente dos outros dois ─ As ordens são para seguir a coleta nas demais residências. O próximo posto em que você passará já foi notificado do acontecido, apenas faça seu trabalho.

Assentiu e prosseguiu o seu caminho recolhendo e entregando. Chegou em casa bem depois do previsto, quase onze e meia. Seu corpo doía mais que o comum, ele estava acostumado com caminhadas longas, porém por um motivo que ainda desconhecia, estava exausto. Apenas uma hora e meia a mais e deu nisso, tudo graças àquele homem. Sem dar a mínima importância ao assunto terminou sua higienização e foi se deitar, dormindo logo, afinal acordava cedo amanhã.

 

 

•|•|•|•|•|•|•|•|•

 

 

Acordou ainda com um pouco de sono, no entanto, isso não era o mais anormal naquele momento. O walkdaily mostrava ser quase seis horas. Ele tinha se atrasado novamente. Primeiro ontem na tarefa e agora hoje no horário para acordar. E foi aí que ele notou algo ainda mais incomum.

 Eu dependo do sino para levantar, ele o tocou hoje?

Impossível. Ele badala todos os dias, isso se deve somente ao meu cansaço, sendo assim não escutei o som característico e acordei um tanto mais tarde. Não devo me preocupar com isso. Aliás, eu sequer deveria estar me preocupando com algo. Preocupação é algo que aquele homem de ontem sentiria, não eu.

Ignorou novamente as coisas que andam acontecendo em sua vida e olhou novamente para o aparelho, viu que sua tarefa de hoje seria:

Levar as crianças de cinco anos para o Instituto dos Tutores.

Não era uma coisa difícil. Cada uma era acompanhada por uma enfermeira, o que facilitava a locomoção do ônibus de um local para outro, já que elas se mantinham entretidas com suas acompanhantes e nada além de suas vozes eram ouvidas, deixando um meio silêncio. Ao contrário do transporte dos recém nascidos, que era barulhento por conta do choro em conjunto.

O Instituto dos tutores era o local onde elas ficariam até seus quinze anos e em seguida mudariam para a sua residência numerada. 

Assim como eu me mudei quatro anos atrás.

Se levantou rapidamente, fez sua higiene, vestiu o uniforme e jogou o walkdaily no bolso. Enquanto pensava que não poderia se atrasar novamente, devia chegar antes das seis e meia, que é o horário que o transporte deveria se iniciar. Saiu de casa rapidamente, caminhando apressado em direção ao local, esbarrando uma vez ou outra em alguém e passando reto. Chegou ainda faltando dez minutos, bebeu um pouco de água que eles disponibilizavam lá enquanto descansava um pouco.

Entrou no primeiro ônibus que avistou e logo partiu em direção ao Instituto, levando as crianças sem mais demora.

Ao dar a primeira viagem e chegar novamente no local e entrar em outro ônibus, foi lembrado por seu estômago roncando que não tinha tomado nenhum suplemento antes de sair de casa. O que não era um problema, pois tinha alguns ao lado de onde eles serviam água, e ele poderia toma-los na pausa às 12h.

Só preciso continuar com meu trabalho sem maiores complicações.

Na primeira pausa, ingeriu mais suplementos que o de costume, para compensar a falta mais cedo. 

É a primeira vez que isso acontece. Eu nunca tinha deixado passar algo assim. Estou começando a achar que o incidente de ontem me afetou de alguma forma. Talvez... Talvez nada. Aquele homem não tomou suas doses e por isso ficou daquele jeito. Uma coisa não tem haver com a outra, já que eu sigo as regras, nada fora dos eixos vai acont-... Espera.

Eu não me lembro de tomar minhas pílulas hoje. 

Logo, meio apressado, o rapaz pegou o walkdaily e viu que não tinha marcado a ingestão de nenhum medicamento hoje. O que era óbvio.

 Eu tomo logo após tomar banho, ainda dentro do banheiro, minha caixa fica lá. Lá em casa.

Apertou um pouco mais forte o volante ao chegar a essa conclusão.

 Eu não tomei minha dosagem hoje.

 Assim como a mulher do 2.014 e o homem do 3.354. Não. Não era igual a eles que ficaram sem tomar a semana toda, eu só perdi um dia e ainda podia resolver isso quando chegasse em casa. Só preciso terminar meu trabalho e ao voltar pra casa tomarei minhas três pílulas. Não há o que se pensar, muito menos se preocupar.

Respirou fundo e se concentrouiapenas na sua função. As horas se passavam e logo, não tão logo assim, a segunda pausa chegou. Nesse momento, ele retirei as mãos visivelmente suadas do volante e desceu de mais um ônibus. Já não lembrava mais quantos faltavam ou quantos já tinha levado. Tudo que se passava na sua cabeça era que ele tinha, ele devia voltar logo para casa e tomar as pílulas.

O que estava acontecendo comigo afinal? Em menos de um dia sem tomar nada e eu já estava enlouquecendo? De maneira alguma. Isso tudo que estou sentindo são sintomas e causas da minha falta de responsabilidade, e logo, no fim do meu expediente, eu irei de encontro à solução.

Após o intervalo, ele entrava em mais um ônibus, e antes que fosse ao seu assento de motorista pôde ouvir um choro baixo, virou apenas seu rosto e viu uma menina com olhos marejados choramingando.

─ M-mas eu não quero ir ─ dizia ela para a enfermeira ao lado, enquanto apertava levemente a manga das vestes da mulher.

─ Você não precisa se preocupar com nada. ─ sua acompanhante falou calmamente ─ Logo isso pelo que você está passando irá embora, assim como as demais crianças da sua idade que também receberão o tratamento necessário e ficaram curadas. ─ a mulher disse.

Então era isso.

Ela não queria sair de onde estava acostumada. Não queria ir para o Instituto, o qual eu a estava levando, pois eu era o motorista. Quando a mulher disse que "isso que ela estava passando iria embora", não estava muito correto, o certo seria "isso que está sentindo irá embora". Porque era exatamente isso, aquela menina estava com medo. Ela estava sentindo.

Mas medo por quê? Não havia nada para se ter medo. Afinal, ela irá passar pelas mesmas coisas que eu e eu não me lembro de acontecer nada de errado lá. Na verdade, o certo e o errado sequer importam, o que realmente importa é seguir as regras, e ela logo aprenderia sobre estas no seu próximo destino. Eu não me lembro de ter sentido medo. Eu provavelmente lembraria, não é? Ou não, só tinha cinco anos afinal. Mas isso mais uma vez é irrelevante, já que o problema da menina iria logo ser resolvido com as doses diárias que ela também vai passar a tomar depois que for para lá. É disso que ela tem medo? Das dosagens? Não. Ela ainda não sabe das regras, saberá quando for ensinada sobre tudo que o reino quer que, nós palacianos saibamos, com os tutores. Espera.

Nós palacianos... Somos só nós que seguimos as ordens superiores que nos submetem? As demais províncias não têm os deveres que nós palacianos temos que acatar, caso contrário, somos mortos? Isso não deveriam ser questionamentos que eu deveria estar fazendo a mim mesmo. Eu sequer deveria questionar algo sobre Palacious, isso era uma regra.

‌Não se deve questionar, indagar ou duvidar de qualquer assunto ou ato que diga respeito à província de Palacious. Os moradores devem seguir todas às ordens sem complicações.

Então, por que eu estava desacatando uma ordem? Eu, Park Jimin, pela primeira vez em meus 19 anos, estou quebrando uma regra. Se a polícia descobrir eu estarei morto. Mas não é como se eles lessem mentes, eles não têm como descobrir se isso permanecer na minha cabeça.

Sentiu uma gota de suor frio escorrer da sua nuca até o fim de suas costas. 

Ah não. Medo. Medo de novo não. Aparentemente esse é um sentimento inerente ao ser humano que não toma seus medicamentos. Ah não.

Meus medicamentos. É por não ter tomado eles hoje que estou nesse estado de questionamentos internos, observações demais e medo novamente. Tenho que manter a calma, terminar meu trabalho e ir para casa. Manter a calma... Eu não deveria estar precisando manter a calma a cada vez que eu lembrasse isso. Será que foi assim que aquelas duas pessoas que morreram se sentiram no primeiro dia? Ou isso varia de pessoa para pessoa, dependendo do organismo? Ou ser-

─ Motorista? ─ disse a enfermeira a minha frente

Só então, Jimin percebeu que estava com o olhar perdido por tempo demais e direcionado para a menina que já havia parado de chorar e agora lhe encarava confusa, ele tinha inclusive virado todo seu corpo em direção a elas, sem ao menos se dar conta do quanto estava agindo estranho esse tempo todo.

─ O que? ─ perguntou levemente desnorteado e ignorando o fato de que talvez ela já tivesse lhe chamando há muito tempo.

─ Precisamos chegar ao Instituto, você não é o motorista que nos levará? ─ perguntou a ele sem expressão alguma ─ Tem outros ônibus para levar ainda. Não percebe que está parado aí faz alguns minutos e consequentemente atrasando a todos nós? ─ disse por fim, lhe acordando inteiramente do transe.

─ Sim, vou partir agora mesmo. ─ respondeu mais rápido do que gostaria.

Não posso dizer mais que isso. Não consigo pensar em mais nada para dizer.  A situação já está complicada o bastante para mim, se continuar agindo diferente dos demais palacianos, logo vão notar o que eu fiz.

Sentou  sem demoras seguiu viagem mais uma vez naquele dia. E de novo, indo e voltando, descendo e subindo de ônibus. Outra pausa foi feita, porém não conseguiu fazer sua refeição, nem ir ao banheiro. Sua cabeça começou a doer e ele só conseguia pensar se isso tinha algo haver com a falta dos medicamentos. Sua vista já ficando turva, denunciava que estava precisando descansar. Nunca havia demorado tanto um expediente, como hoje. Não pôde evitar o pensamento de que isso era terrivelmente exaustivo e não queria fazer nunca mais.

Mas o que é isso? De onde eu estou tirando essas ideias? Eu nunca reclamei de nada antes. Voltar pra casa. Voltar pra casa. Preciso voltar para minha casa. E tomar os remédios.

Manteve-se pensando assim quando tudo terminou e já se dirigia a passos lentos ao seu destino. Não conseguia andar mais rápido que isso, estava muito tonto. Com dificuldade pegou o walkdaily e verificou as horas.

 Ah não. Já passavam das doze, como me atrasei tanto? Tenho que acordar cedo amanhã novamente. Não vou ter minhas oito horas de sono de novo. Isso é muito desgastante para qualquer um! Ah não! 

 Pôs os dedos entre seus fios e os passou pelo cabelo 

Tenho que parar de reclamar.

Casa. Casa. Cheguei. Finalmente.

Com as mãos tremendo pegou a chave e abriu a porta, entrou cambaleando, a fechou a porta sem trancar e desabou no sofá. 

Descanso. É disso que eu preciso, tanto físico como mental, e amanhã tudo voltará ao normal. Ah não!!

Os medicamentos! Preciso tomá-los agora!

Se levantou rápido demais pra quem estava com a cabeça latejando de dor. Caiu no chão, com uma tontura que eu jamais tinha sentindo antes. Tentou levantar, mas não conseguiu. Uma. Duas. Três vezes. Isso não tá funcionando. Foi se arrastando mesmo. Pronto! Agora é só se apoiar na pia e pegar a caixa que deixei aqui. Com muita força se manteve em pé apoiado na pia. Puxou a caixa e a abriu, jogando a tampa no chão. Novamente a tontura voltou ainda mais forte.

Os medicamentos são coloridos demais. Um contraste perfeito com minha vida cinza. O quê!? Não é hora pra está pensando nisso se concentre nos remédios.

 Tentou pegar, mas sua mão não se moveu. Tentou de novo, e agora ela se mexeu, estava prestes a pegá-los quando empacou no caminho.

Eu não sei se quero... Eu sei que devo, mas não quero! Então, foi assim que eles se sentiram. Ah eles sentiram! Por ter sentimentos, eles teimaram em não tomar e por isso enlouqueceram? Os sentimentos fazem isso conosco? Nos deixam malucos? E aquela garotinha no ônibus? Ela estava maluca também? Ela não me parecia está, então por que ela tem que tomar isso? 

Pensou agora com a pílula entre o indicador e o polegar.

 Por que eu tenho que tomar isso? Por que todos têm? E as pessoas das outras províncias? Elas também tomam? Eu definitivamente não quero tomar. Se a menina estava bem sem, então eu também vou está. Por que então? Aquele homem estava certo em dizer que é tudo uma grande mentira? Nós realmente não precisamos de nada disso? E o que ele quis dizer com "estava cego e agora podia ver"? Eu não consigo. Não consigo mais pensar. Minha visão está tão embaçada que nem ao menos enxergo a pílula em minhas mãos.

Não!

Foi a última coisa que pensou antes de desmaiar, com as pílulas espalhadas no chão e a certeza de que nada nunca mais seria igual.

 

 

•|•|•|•|•|•|•|•|•

 

 

O vento quente balançava-lhe os cabelos enquanto ele olhava a cidade mergulhada em caos, por cima. Estava onde gostava de estar naquele momento, sentado na ponta de um desgastado edifício, observando a miséria dos seus semelhantes. Odiava estar junto deles e testemunhar as mazelas de tão perto, por isso ficava o mais distante possível. Lá no alto, com a sua própria gente. Sem ouvir as lamentações da população lá embaixo, permitiu-se relaxar.

Olhou de soslaio a garota, ainda jovem beber mais um gole daquela bebida alcoólica que segurava entre os dedos. Estava um calor infernal e água não era um recurso muito abundante agora para eles. Natural, embora não recomendável que substituíssem por cerveja. 

— Você devia manerar nessa bebida. — comentou como quem não queria nada. Não é como se a garota fosse lhe dar ouvidos, mas também sentia-se a vontade para aconselha-la. Eram amigos no fim das contas.

— Não enche, Hoseok. — falou depois de mais um gole — Eu não costumo ficar bêbada e se tivesse água o bastante, você não acha que eu estaria aqui molhando a boca com essa merda, acha?

Hoseok suspirou baixo. Não era pai dela nem nada. E a própria boca seca era prova de que também queria um pouco daquele líquido, apenas para se manter funcionando. 

— Você é muito grossa. É apenas um conselho de irmão mais velho. — resolveu implicar um pouco mais.

— Você não é meu irmão. — o cortou.

— E vocês não são crianças. — uma voz gélida e tranquila se fez presente.

Hoseok e a garota olharam para a figura sentada um pouco ao longe, mais ainda sim nas bordas do prédio. Ele parecia concentrado, quase invisível. A cabeça levemente inclinada para baixo e o olhar focado em algo que os outros dois não saberiam dizer o que era. As sombrancelhas grossas e negras como seu cabelo, lhe davam um ar sério. A boca grossa, raramente se curvava em um sorriso. 

Ele era uma das poucas pessoas que Hoseok agradecia por fazerem parte de sua vida. Não saberia dizer onde estaria agora se não fosse ele. Ele foi sua salvação. Alguém que ele devia lealdade. Não importava o que dissessem do mais baixo, ele o admirava por parecer tão forte.

— Já está na hora, chefia? — a voz feminina se pronunciou quando o rapaz se levantou pegando uma mochila jogada e olhava o walkdaily apitando

— Talvez... Eu que decido, não eles. Na verdade, agora não me parece um bom momento, quem sabe mais tarde ou amanhã? — direcionou o olhar para o outro rapaz — O que acha, Hoseok?

— Eu concordarei com o que você decidir. — não relutou em responder.

O mais velho deixou que um daqueles raros sorrisos sem dentes aparecessem. Satisfeito com a resposta.

— Que bom... — olhou ainda sorrindo para a garota, em uma pergunta muda.

— Eu sigo suas ordens, não importa quais sejam. Devo minha vida a você. — ditou calma, vendo o outro parecer mais uma vez satisfeito com os dois. 

— Fico feliz em saber disso. — se virou caminhando para a saída — Vamos, temos um probleminha para resolver.

Ditou sem esperar confirmação, com a mochila nas costas e descendo as escadas, pulando veloz os degraus. Não precisava sequer olhar para trás para ter certeza que seus amigos estariam correndo atrás de si. Podiam ouvir seus sapatos pesados no chão. Podia ouvir o som da dor de todos.


Notas Finais


Bom, aos poucos os garotos vão aparecendo.
DUVIDO VOCÊS DESCOBRIREM QUEM SÃO OS OUTROS DOIS NO FINAL E DE ONDE ELES SÃO.

Eu não posso é jogar tudo de uma vez.

E quanto ao Jimin, tenham paciência com ele. Deu pra perceber que ele já tá começando a sentir as coisas...


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