História Os filhos de Arethusa - Capítulo 1


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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Tags Eric
Visualizações 18
Palavras 2.614
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa sorte lendo isso.
Eu não aguento mais escrever.
Sugiro que não roube minhas ideias e não deem crédito pra quem o faz, eu pesquiso constantemente cantos obscuros das mitologias e garanto que nenhum retardado vai fazer isso melhor do que eu.
E humildade é pra quem não tem capacidade.

Capítulo 1 - Um novo começo


☠ Mordred ☠ cuspiu no chão. Saiu mais sangue que saliva, afinal ele vinha mordendo os lábios enquanto o limpavam.

-- Dois murros foi o suficiente para levar Shakuras ao chão. Não que ele não fosse capaz de revidar, mas que não desejasse fazê-lo. Numa briga, isso é tudo que interessa, o sangue que você quer ver nos outros. -- Se vangloriou, rindo enquanto olhava para as próprias feridas num espelho, eventualmente deslizando seus olhos para Shaka.

♆ Shakuras ♆ não se importava com as provocações de Mordred sempre, mas quando elas eram feitas na frente da garota que ele mais se importava e que mais se importava com ele, as coisas mudavam um pouco. Pulou da janela de onde estava sentado e para Mordred aquela foi provavelmente a coisa mais corajosa que tinha feito naquele dia, apesar de ser quase noite e a janela não ter nem um metro e trinta do chão. Claro que era mentira, mas Mordred gostava de pensar assim. Encostou com ambos os cotovelos na janela e ficou calado por um tempo, ainda olhando para fora ainda que com o corpo virado para dentro de forma desleixada. Se sentia desconfortável naquela casa, por mais que também fosse dele. Estava mais acostumado a ficar no dormitório, mas depois que torrou seu cérebro e corpo recriando a irrigação de Nova Roma ganhou muitas mordomias que nem sabia administrar. Tudo parou na mão de Nova. Ou ele gastaria tudo em revistinhas em quadrinhos e um saxofone de ouro.

-- Longum iter emensus, mendacia longa reportat. 

-- Ok, desculpa Shaka. Três socos. -- Ironizou com um sorriso sarcástico, que fez Shakuras girar seus olhos por debaixo do chapéu.

-- Nova quer ouvir como você se feriu, não como salvou o dia, Batman. 

Mordred fechou a cara ali. Dizer que ele era qualquer coisa boa fazia com que ele instantaneamente mudasse o semblante e desse um olhar sombrio, que naqueles dois não tinha efeito nenhum. Ele tornou a olhar para o espelho, vendo o reflexo da sala da tão bonitinha e organizada casa de Nova. De onde ele tinha saído há muito tempo.

-- Então eu tive de intervir. A mula do Taras estava com aquela cara de equino dele bem na minha frente, com o queixo todo aberto, relinchando aquela risada retardada. -- E Mordred conseguia expressar toda a sua vontade de socar um queixo que ficasse à mostra como quando falava de uma lasanha deliciosa. E era o prato preferido dele. -- Então soquei com tudo, sem fazer nenhuma pergunta. 

Mordred se olhava no espelho com orgulho de seu supercílio partido em cima da cicatriz vertical que já existia, e do traço vermelho em baixo da seu olho esquerdo. Era certeza que ele era masoquista. Principalmente quando estava irritado consigo mesmo. Provavelmente tinha se punido por não ter protegido Shakuras ou tê-lo ensinado a se proteger sozinho numa briga. A pior parte disso era ele se orgulhar de sua quase constante auto-mutilação.

-- Ele caiu como se fosse um saco de batatas. Sam tomou a frente dele e começou a fazer perguntas, então soquei ele também. Orinno, aquele balde retorcido de mer-- ARGH! -- Silenciado pela dor de ter Nova apertando uma de suas feridas por ele quase xingar na casa dela, Mordred continuou com uma expressão aterradora, ainda inefetiva em seus amigos. -- Ai, entendi. Como ia dizendo, aquele "fofo" do Orinno, era quem tinha socado o Shaka. Eu demorei pra alcançar ele, e os outros dois que ainda estavam de pé se juntaram ao Sam pra me enfrentar. Quando finalmente dei uma surra no Orinno estava assim. -- Apontou para seu rosto, com alguns arranhões e hematomas -- Admita que fico lindo de vermelho-sang-- AI, PORRA! Eu não tinha xingado ainda!

*Apertou a bandagem um pouco mais.*

- Acabou de xingar!

*Exclamou erguendo uma sobrancelha e se afastando enquanto escondia um sorriso*

Havia momentos em que se sentia como a mãe daqueles dois. Shaka não sabia se cuidar sozinho e NEM MORDRED. Ele era forte sim, mas não tinha nada na cabeça. Era inteligente, o mais inteligente dentre os três sem dúvida, mas desperdiçava a mente em brigas e bobagens. Ser filho de Plutão também não o ajudava muito. As pessoas temiam aquilo que não compreendiam e Mordred não fazia questão alguma de ser compreendido. Assim era temido por indivíduos e visado por grupos. Enquanto que Shaka era apenas um alvo fácil, por ser genuinamente bom e ingênuo. Completava o grupo de 'filhos únicos' dos "Três Grandes" como a única menina. Apesar de manter boas relações com o restante do Acampamento também acabara um tanto marginalizada, era... Complicado.

Conhecera Mordred primeiro quando tinham por volta de sete anos e, como todo semideus, passaram boa parte da infância fugindo de lares adotivos e lutando contra monstros. Alguns anos depois, salvaram Shaka de um ataque de harpias e estavam juntos desde então e este era o problema.

Filhos de Plutão, Netuno e Júpiter eram mais perseguidos pelos monstros do que os filhos dos demais deuses. Juntos eram um prato cheio capaz de atrair as mais poderosas criaturas e atraíram. Quase morreram algumas dezenas de vezes, mas estavam vivos e se destacavam no Acampamento, meio que sem querer às vezes...

- Novo em folha... Ou quase. 

*Suspira*

- Precisa ser mais diplomático, Mordred. Dessa vez foram quatro, amanhã cinco e depois seis e vai saber aonde isso vai parar. Eles o temem.

-- Usei diplomacia. É o nome do meu cruzado de direita. Vou tentar a paciência amanhã, bem no nariz. 

Mordred era, acima de tudo, cabeça dura. Ele era o mais velho e mais sombrio do grupo. Passou bastante tempo sozinho nas ruas, e cuidar de uma garota também não exatamente o ajudou a ficar mais sensível. O fez mais bruto, para superar os que queriam se aproveitar deles. Monstros míticos ou humanos, ele se sentia no dever de protegê-la. Agora que a mocinha do grupo era Shakuras, ele se mostrou igualmente eficiente e sombrio, solitário. Até uma camisa do Justiceiro ele tinha, só para honrar a perspectiva que a maioria tinha dele.

Shakuras olhava para Mordred com pena. Shaka era capaz sim de lidar com aquelas situações. Normalmente diplomaticamente, mas estar no centro das atenções desde sua última invenção dificultava qualquer empreitada diplomática. Ele sempre ficava em público ou em lugares seguros para sua reputação, mas qualquer vacilo e seus amados seguidores estavam lá de novo. Se sentia culpado por Mordred virar sua sombra, mas sentia pena de Mordred por querer resolver as coisas daquele jeito. Para Shakuras era melhor ficar calado hoje para não ter que brigar todos os dias.

-- Qualquer dia isso vai acabar em óbito. 

Mordred tirou os olhos fulminantes de Nova para colocá-los alegres e sarcásticos por sobre Shaka.

-- Quanto mais perdas eles sofrem, mais o Flagelo avança. -- Mordred citou, numa cínica voz sinistra.

-- Brutum Fulmen. Tremo de medo. Ave, Lich Rei. -- Disse Shakuras, mas imediatamente se arrependeu. Olhou para Nova esperando que ela girasse os olhos com aquele olhar de "rapazes..." e o visse como um nerd de novo. Como Mordred conseguia parecer tão legal citando Warcraft? E ele nem parecia se importar, tinha até gostado da referência bem colocada.

Nesse tempo, Mordred já se dirigia para a porta.

-- Bom, se as madames não se importam, já vou.

Girar os olhos e rir foi justamente o que Nova fez, embora, no fundo, concordasse com Shaka: aquilo acabaria em óbito e Mordred poderia ser expulso do Acampamento, haviam passado tempo demais vivendo sobre leis simples: matar ou morrer. Agora aquilo parecia ser tudo o que o rapaz entendia. Sentia-se um tanto culpada por isso, ele costumava proteger e depois passara a proteger Shaka. Agora, do seu jeito, protegia-o também. Protegia-o de si mesmo.

- Fiquem hoje, sim? Aliás, não sei porque não volta pra casa. Me sinto estranha com você nos dormitórios e nós dois aqui. 

Não estava mentindo. Quantas noites haviam dormidos encolhidos um no outro para se protegerem do frio? Mas este não era o ponto, temia que os muitos haters de Mordred o pegassem sozinho no único momento em que o rapaz estava vulnerável. Temia a retaliação.

Mordred parou na porta. Quando olhou por cima do ombro para ela, as olheiras ficaram mais visíveis. O que ele vinha aprontando para se aguentar acordado quando era noite ou manter-se vigilante enquanto dormia, era um mistério. Retaliação certamente já tinham tentado. Tinham tentado fora do acampamento, quem dirá dentro. Parecia óbvio que ele estava se desgastando muito, mas qualquer relacionamento muito próximo virava alvo do ácido dele. Tentar abraçá-lo é pedir por um empurrão. Tentar beijá-lo é pedir por cuspe. Ainda com o olhar cansado, sorriu, como sempre, sarcasticamente.

-- Alea jacta est. -- E se retirou, fechando a porta.

Shakuras continuou olhando para a porta, de braços cruzados e encostado na janela, pensativamente.

- Estou preocupada... -- Murmurou fitando a porta pela qual Mordred acabara de passar. Levou a mão ao pescoço e começou a mexer em Lightbringer, seu colar-arma.

Descobrira no Acampamento que a arma pertencera a uma grande semideusa também filha de Jupiter. Uma tal Alexandra Spazzio. Nunca a vira, apenas ganhara a arma quando fora reclamada e bem.. Gostava dela. Lightbringer eram seus braços e pernas. Virara um hábito brincar com o cordão sempre que ficava ansiosa.

-- Ele não deveria ficar sozinho... O idiota! -- Bufou

Shakuras ficou quieto por algum tempo ainda, como se não tivesse ouvido aquilo que ela tinha dito. Coçou seu queixo como se estivesse procurando por alguma barba que estivesse nascendo. Ter ganhado seu direito de viver em Nova Roma, longe dos treinos e das missões, com a chance de fazer uma faculdade e ter uma vida normal foi uma das melhores coisas que aconteceram com ele, mas não faziam dele um homem barbado. Só um homem livre, como era Nova.

O rapaz parecia tomar uma decisão difícil. E era exatamente o que estava fazendo. Ela já estava ali, toda preocupada com ele. Sempre o Mordred. Mordred aprontava todas e tudo que ganhava era curativos, reclamações e a preocupação de Nova... enquanto ele era o coitadinho. Por isso, não sabia se daria aquela informação ou não. Decidiu por fim, dar.

-- Ele não está indo para os dormitórios. -- Disse. -- Ele não vai desde que parou de dormir aqui. -- terminou. Um olhar para ela e ele mudou o tom de voz para algo mais curioso de uma forma ácida. -- Ele te contou para onde vai toda noite?

Nova arregalou os olhos surpresa e virou-se para o rapaz

-- Não... -- Respondeu um tanto magoada. Agora tinham segredos também? Ao menos aquilo explicava as olheiras -- O que Mordred está aprontando agora?

Shakuras negou lentamente com a cabeça, demonstrando não saber. Olhou para a porta de novo e, silenciosamente, saiu de perto da janela. Jogou-se no sofá.

-- Seguir Mordred é burrice, ele vai pelas sombras de noite, se tentarmos seguir ele. Já tentei. Ele simplesmente desaparece. Se deixá-lo é ruim, seguir-lo é pior. 

Até porque viajar nas sombras era algo extremamente exaustivo. Conversar com Mordred era extremamente inútil. Alguém nesse nível de cabeça-durice era simplesmente... intragável, as vezes. Dava em Shakuras vontade de simplesmente abandonar Mordred para apodrecer, já que não queria ajuda, mas se policiava para não fazer bobagem. Só de lembrar em se policiar, sentiu-se culpado pelo desejo de abandoná-lo.

-- Mas sempre existem outros caminhos. Queria saber se tem uma ideia.

Nova mordeu o lábio inferior e estreitou os olhos considerando

-- Não podemos segui-lo a pé, mas pelo ar... -- Sugeriu com um sorrisinho.

Shakuras sorriu de volta com meio, sorriso, aceitando a sugestão.

Armar-se era rápido. Shakuras tinha uma rede de bolso numa bolsa de cinto, como onde se coloca algemas de policiais e a boa e velha Contra-corrente no bolso da camisa. Lightbringer era a melhor amiga da semi-deusa moderna.

Uma vez que no ar, foi fácil seguir Mordred. Ele seguia por um caminho fácil de ver, não parecia estar exatamente se escondendo. Por vezes aparecia outra pessoa na rua e ele simplesmente sumia nas sombras, mas logo que a pessoa sumia ele voltava a usar caminhos mais abertos. Ser visto era uma probabilidade mas ver quem está por perto é ainda melhor quando se está em superioridade numérica. E Mordred sempre estava em superioridade numérica.

Nova seguiu Mordred até um beco que tinha um beco dentro. Era um beco que tinha uma entrada a direita que também era um beco. A rua era mal iluminada, com uns gatos se lambendo nela e um fauno jogado, certamente chapado. No fim dela, havia uma porta misteriosamente simples e quieta, de madeira, numa parede lisa. Mordred passou por ela sem olhar para trás. A porta nem chave pediu, era só uma porta na qual ninguém prestaria atenção. Talvez evitasse, por soar marginalizada.

-- ... um bar?

Um bar? Parecia muito sociável para alguém como Mordred,  só se fosse um bar em que ninguém o incomodasse, mesmo assim,  o rapaz não era fã  de confusão. Ao menos não daquele tipo de confusão. 

E por que Mordred esconderia sua ida a um bar? 

Pensou de tudo e se culpou por tudo. Viram um fauno  chapado no caminho e se Mordred estivesse se deixando ou algo assim?  Não era raro para um semideus,  antes de descobrirem o que eram muito eram  tidos como loucos por ver o que não existia para as pessoas normais. Mordred tinha em si uma responsabilidade grande.  Uma que ele dera a si mesmo: proteger a integridade física do grupo e se aquilo estivesse se tornando demais pra ele? 

Balançou a cabeça irritando-se com seus pensamentos. Mordred era idiota, mas não tão idiota assim. Ele nunca faria algo naquele nível de estupidez.

O que não significava que não faria nada estúpido.

Shaka viu Nova juntar o cabelo em um rabo de cavalo alto e prendê-lo com fino elástico preto com uma caveirinha. 

Não era nada demais, mas fora um "presente" de Mordred. Na verdade o rapaz surrupiara o prendedor de uma lojinha. Apesar de todo o "glamour" que a vida de semideus podia ter para alguns, o glamour não existia para os semideuses. Seus pais divinos não mandavam notas de cem do céu, do mar ou da terra. Ter "semideus" como meio de vida também não dava lucros. Tinham de se virar para ganhar moedas e comer, às vezes não tinham escolha que não fosse roubar.

Não gostavam de fazê-lo, era humilhante e errado, mas necessário. 

Ganhara o prendedor em uma noite em que haviam se escondido até uma loja de departamentos fechar. Além de passar a noite no lugar (camas!), conseguiriam mochilas, roupas novas e muitas outras coisas. Ilegalmente, é claro, mas eram bons nisso. Seus poderes causavam interferência no sinal das câmeras e Mordred podia entrar em qualquer lugar caminhando pelas sombras. Realizavam o crime perfeito.

Seja como for, era manhã e logo a loja abriria, já tinham as mochilas satisfatoriamente cheias - não muito ou não poderiam correr - e precisavam sair antes que fossem vistos, mas Mordred havia sumido apenas para aparecer correndo pouco depois e lhe entregar o prendedor, dizendo-lhe - com uma carranca - que acabaria morta lutando com o cabelo no rosto. Seco e óbvio como o rapaz tentara fazer o gesto parecer, achara adorável que ele houvesse reparado nela aquele ponto e rira da escolha para prendedor. Usava-a desde então como pulseira e sempre prendia o cabelo antes de entrar em problemas. A xuxa já estava um tanto desgastada, mas usava até hoje por ter um certo carinho por ela. 

Segurou a mão de Shaka buscando apoio

-- Vamos. 

Murmurou  e atravessou a porta


Notas Finais


Bjos. Espero que gostem.


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