História Os filhos de Arethusa - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Tags Eric
Visualizações 4
Palavras 4.516
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essa é minha cena favorita. Bjos.

Capítulo 4 - Do amor humano


Annie girou os olhos, mexeu no bolso, retirou as palavras e começou a declamá-las. Estava entediada ao fim do que imaginava ser a primeira frase. Começava a se perguntar se Mordred realmente valia todas as horas que estava perdendo de seu sono de beleza.

Nova esperou. O braço escorregou dos ombros de Shaka e terminou segurando a mão do rapaz. Parecia uma mãe mantendo o filho pequeno por perto. Seu olhar dardejava de Annie para Mordred enquanto tentava entender o motivo para o rapaz precisar da insuportável para ler palavras estranhas.

E então algo aconteceu. Aparentemente foram teleportados para algum... Lugar? Parecia uma espécie de Paraíso era incrível. Nova girou no mesmo lugar tentando abarcar todo o local com o olhar. Annie ficou boquiaberta também, mas logo preocupou-se com seu "outfit". Agora o preto não combinava mais. 

O grito de Mordred tirou a todos da breve distração a qual haviam se permitido com o lugar, mas logo voltaram a ficar embasbacados com o lugar. Especialmente com o surgimento da deusa, Annie achou que eram quase gêmeas e foi a segunda a aceitar o convite.

Nova estava morrendo de vontade de fazer o mesmo, mas agora que sabia o que Mordred estava bebendo permanecia alerta. Duvidava muito que o rapaz estivesse lá só para visitar a deusa do amor.

-- Por que estamos aqui? -- Disse Nova.

-- Aqui? Nada, querida. 

E ela deu as costas, entrando na floresta. Ela andou o suficiente para estar na distância de um grito, e então Mordred se virou para trás, para o resto do grupo, e sussurrou:

-- Me sigam e não aceitem nada que lhe for oferecido. Façam o que eu disser e vai ficar tudo bem. Desobedeçam e vão virar flores. 

E seguiu a moça para dentro da trilha que ficava no meio da mata tropical.

-- Pfff... -- Annie jogou o cabelo para trás -- Eu já sou uma flor, a mais bela de todas as flores. -- E deu um sorrisinho para o "paspalho filho de Netuno" como se pudesse tê-lo quando bem quisesse e seguiu o grupo.

Shaka sorriu até ela olhar para frente de novo, então olhou feio para ela, até com certo nojo. Shakuras não era de cair na ladainha de qualquer mulher. Se ela estivesse vestida de Zatanna ou Ravena, talvez fosse mais fácil. Mavis também servia.

Nova soltou o ar pesadamente. Girou os olhos e seguiu Mordred.

-- Você está bem? -- Apontou os curativos -- Seus ferimentos...

Estavam no meio de um paraíso seguindo uma deusa menor e lá estava Nova, preocupada com ele.

-- Eles doem, mas fez um bom trabalho. 

E ela, por mais que quisesse fazer mais perguntas, fora arrebatada de sua mente.

A trilha era a melhor de todas que Nova já tinha se embrenhado.

Aquele era um paraíso romântico, tropical e ensolarado. A trilha era estreita e de difícil acesso, mas não o suficiente para fazer um deixar de observar as belezas locais. As flores eram belas, abertas, convidativas aos narizes. O ar era como o hálito de um amante. Tinha o sal da areia da praia e o doce aroma das flores, frutas e dos lagos mais próximos a se misturar num agridoce e úmido beijo eólico.

Ao sabor do vento, a paisagem parecia interagir com quem estava na trilha. As árvores dançavam conforme a força transparente as tocava. Até aquela dança que parecia tão simples em outros lugares, ali parecia mais iluminada e dourada. O que não se dobravam eram as paredes, pilares e estátuas que foram tomadas pela fauna e flora local, tornando-se parte de uma paisagem entre o arcano e o naturalista. Ouviam ainda o som das ondas que quebrantavam-se em alguma praia, indisponível aos olhos atiçados a procurar por parecer tão próxima, cantando hipnoticamente. Era impossível não ser sugado pelo paraíso.

Exceto, é claro, caso fosse o Mordred. Ele parecia monocromatizar o ambiente com sua presença. A melhor forma de focar parecia olhar para ele. A aura dele negava toda aquela beleza e toda aquela sedução.

As folhas longas e triangulares que invadiam a trilha eram afastadas pelas mãos dele e, quando tocavam os que estavam atrás de Mordred pareciam entorpecentes. Traziam os olhos dos três visitantes de volta para a paisagem.

Depois de muita labuta contra a vontade de se despir e jogar-se em onde quer que fosse o lago ou o mar, cheirar aquelas flores e comer daqueles frutos, perceberam que as ruínas iam lentamente se tornando mais constantes. Lentamente, quando se deram conta, a mata fechada deu lugar para o que parecia um vilarejo tomado por uma mata densa. Conforme a mata se abria, se situaram diante de um riacho. Na direção oposta que o riacho corria, uma ruína que estava entre o castelo e um templo, também tomada e adornada pela natureza. A deusa esperava em baixo de um cristal flutuante e cintilante num tom de verde-oceano. Seguiram a dama três degraus acima, com os pés sendo varridos teimosamente pelo riacho como uma criança tenta impedir um adulto de andar enquanto brinca.

Dentro do edifício, atravessando corredores cheio de musgos e cogumelos cintilantes e com os pés sempre molhados e os corpos a sentirem um gentil frio de brisa primaveral, alcançaram um salão retangular. O salão mantinha o teto, apesar das raízes terem tomado uma parte. Parecia um salão de festa há muito destruído, com um círculo elevado no chão, perto do centro. Subiram no círculo que cabia eles e mais umas dez pessoas confortavelmente. O teto estava sortido de cristais como os da entrada, iluminando tudo com uma pálida luz esverdeada.

Mordred parecia habituado a tudo. Jogou a faca no centro do círculo e sacou uma arma. Dessa vez, a mão esquelética que saía de sua manga colocou na mão dele uma SPAS-12. Ele ergueu a arma na direção da faca.

A deusa jogou o que parecia ser poeira na faca. A faca começou a brilhar e soltar aquela purpurina dourada que os monstros tinham, formando lentamente a lâmia que derrotaram mais cedo. A mira de Mordred foi da faca até a cabeça que lentamente parava de brilhar.

Ele colocou o frasco na mão de Annie.

-- Dê à lâmia de beber.

Nova tentava não se deixar levar pelo lugar, mas era difícil resistir e acabava sorrindo bobamente para tudo. Mordred avisara para que não aceitassem nada ou se tornariam flores, o que a fazia pensar que todas aquelas flores incríveis que viam eram, na verdade, pessoas que haviam falhado em resistir a tentação. O cenário tão belo, era, na verdade, pavoroso e ainda sim não conseguia parar de admirá-lo. Temeu a própria capacidade de resistir a ele e aproximou-se um pouco mais de Mordred desejando que o lado sombrio do rapaz a mantivesse sã.

Annie, que andava igualmente arrebatada pelo cenário, imaginava-se tendo encontros românticos com Mordred por ali, estreitou os olhos ao ver Nova se aproximar do rapaz e meteu-se entre os dois. Nova deixou-se ficar para trás e tornou a buscar a mão de Shaka. Poderiam puxar um ao outro caso pirassem pelo feitiço do local. 

A trilha estreitou, as ruínas tornaram-se mais comuns e Annie resmungou algo sobre sua bota de salto agulha prendendo-se nas pedras. Nova teria adorado perguntar a Mordred que ruínas eram aquelas, mas a rival parecia o muro de Berlim impedindo-a de se aproximar do rapaz, então sossegou ao lado de Shaka. A irritação pela presença de Annie era amenizada pelo frescor da brisa em sua pele...

E ao menos tinha Shaka!

Finalmente chegaram ao que parecia ser o local de encontro. Annie viu Nova confusa e ficou satisfeita, fez cara de entendida para fingir que Mordred havia compartilhado com ela o que era tudo aquilo, mas a verdade é que não sabia ou entendia bulhufas, porém, ele a estava incluindo e excluindo a outra garota do grupo. 

Aquilo era um sinal, certo?

-- E irá me levar ao cinema depois?

Perguntou com um sorrisinho após aceitar o frasco.

-- Já está em um. -- E a arma pulou, deixando a mão de Mordred para ser agarrada pelo carregador. Aquele estalo familiar dos filmes ecoou no lugar. -- Contracenando comigo "Água para lâmias". 

Nem a deusa resistiu e deu uma risadinha contida atrás da própria mão. Shakuras riu mesmo, abertamente. Em toda a viagem observou o ambiente maravilhado, mas não entorpecido. Ele parecia um tanto imune ao veneno daquele ambiente, como era imune ao de Annie.

Nova, sempre educada, virou o rosto para soltar aquela risadinha musical.

Annie, por outro lado, não pareceu abalada, ela também riu.

- É bom que tenha senso de humor, gosto disso em um homem.

Piscou para o rapaz e se aproximou para dar a água para a lâmia.

A lâmia bebeu tudo avidamente. A deusa e Mordred trocaram olhares. A deusa ergueu as mãos e as feridas da lâmia começaram a se fechar. A aparência dela começou a melhorar. Bem, o melhor que uma lâmia poderia ter. Sua pele tornou-se mais lisa e até a sua parte reptiliana estava bela, lisa, brilhante. Mordred avançou em Annie e puxou ela pela gola um segundo antes da lâmia dar o bote e morder o vazio. Ele mirou para o chão próximo da lâmia e atirou.

Shakuras pulou na frente de Nova e sacou sua espada. A caneta virou lâmina instantaneamente.

-- Qual é seu nome, querida?

Perguntou Mordred ainda com a mão a segurar o ventre de Nova, dando lentos passos para trás e empurrando a filha de Vênus com ele.

-- Ascyah... -- Sibilou, soltando veneno enquanto sua língua tremia. Nenhum deles tinham visto uma lâmia tão grande e romana falar. Agora que ela se erguia, tinha dois metros e meio de altura, esforçando-se para crescer. Parecia se preparar para dar o bote.

A deusa assistia com seus olhos verdes atentamente as verdades de Mordred.

-- Respire fundo esse novo ar, Ascyah. Você está livre. 

A lamia respirou bem fundo, sorrindo maliciosamente. O sorriso, no entanto, só durou o suficiente para ela sentir o cheiro ao seu redor. Arqueou as sobrancelhas.

-- ... ssssinto ssssseu cheiro... massss não sssssinto fome... 

Os músculos de Mordred relaxaram. A arma se abaixou, apontando para o chão.

-- Bem vinda ao time Mordred. Abaixem as armas. Ela não é mais um monstro. 

Shakuras olhou incrédulo para ele, arma erguida.

Annie soltou um gritinho, mas logo se recuperou. Os brincos que usava caíram em sua mão transformando-se em dardos, eles se multiplicavam, mas apareciam de dois em dois. Nova ficou surpresa pela rápida reação de Shaka e achou adorável que a primeira reação de seus amigos fosse protegê-la, mas cuidaria deles também, então sacou LB em forma de machadinhas. Nunca tinha visto uma lâmia falar e ter nome, mas não importava. Monstros só queriam uma coisa com semideuses: matá-los.

Annie olhou para Mordred como se ele estivesse louco. 

-- Ela parece bem monstruosa pra mim! 

Exclamou ainda em guarda. Por algum motivo, a lâmia pareceu ofendida. Olhava para si, seus dedos e cauda, assustada. Nova pendurou Lightbringer no ombro, se Mordred dizia que estava tudo bem, então estava tudo bem.

-- Pretende explicar o que está acontecendo?

-- ... Anthea. -- Pediu Mordred.

A deusa sorriu, erguendo as sobrancelhas e se aproximando da serpente. Ela tocou o corpo da serpente acalmando-a. Ascylah desceu de sua base de ataque. até estar com dois metros, não mais numa posição ofensiva. Parecia tranquila e confusa.

-- Ascylah sofria de uma doença, bem como todos os filhos de Edquina. Uma cólera incessante e desejo de assassinar semideuses e humanos. A fonte da individualidade, a libertou da raiva de sua mãe. Ela pode conviver com quem quiser, agora. 

-- Em outras palavras, ela não é mais um monstro. É uma lâmia. Ascylah. 

A serpente sibilou o ar com inteligência nos olhos. Nunca tinham visto um monstro não agir como uma criatura sedenta por sangue antes. Ao sentir os cheiros, pareciam sempre monstruosos. Agora... se excluíssem aquela cinturinha, ela era até bonitinha. Tinha os cabelos castanhos selvagens, meio ondulados, jogados por sobre o corpo.

Shakuras... guardou a arma. O seio da lâmia estava nu, e aquilo o incomodava. Mordred estava começando a tirar a jaqueta, mas Shaka desabotoou a camisa social rapidinho e caminhou até Ascylah. Ela estranhou, mas aceitou a camisa. Ele gesticulou e ela percebeu que todos estavam vestidos. Decidiu cobrir seu torso também. Ele tirou o elástico de sua cabeça e deu para ela. Ela falhou em usar direitinho, ficou estranha, selvagem, mas melhor. Shakuras voltou de peito nu e cabelos soltos para perto de Nova.

-- Certo... -- Annie comenta erguendo uma sobrancelha e acompanhando Shaka com o olhar. Ele sempre acabava se perdendo nas sombras dos amigos, mas agora que o via sem camisa e com os cabelos soltos... Nada mal.

Nova recebeu Shaka com um beijinho no bochecha.

-- Isso foi muito gentil. Eu te ofereceria minha blusa se pudesse, mas acho que não é uma boa ideia.

Brincou rindo.

Annie voltou a falar

-- Mas por que ter todo este trabalho para "salvar" uma lâmia? Não era melhor simplesmente matá-la? 

-- Você não entende, não é? Mordred encontrou a cura para que os monstros não seja monstros. Imagine um mundo em que não seremos caçados, mortes e comidos? 

-- Não sabemos se isso funcionará com todos os monstros só porque funcionou com a Camila. 

-- Ascylah! 

- Que seja, Pikachu! -- Gira os olhos.

-- Mesmo que funcione com todos os monstros, como daremos a água a todos eles? Eu não acho que sair por aí caçando um por um vá funcionar.

-- Obrigado, Shakuras, mas ela já vai te devolver a roupa. Anthea, poderia por favor explicar para eles? Vou levar Ascylah para seus aposentos. 

Ele passou pelo lado da lâmia, convidando-a a seguir-lo. Ela se virou lentamente, seguindo Mordred. Quando passaram por uma das portas a direita, a deusa se aproximou mais deles.

-- Crianças, temos muito o que conversar. Perdoem não terem sido recebidos decentemente. Sejam bem vindos. Tentei não dizer que Mord trouxe visitas para que se sentissem mais em casa. Querem algo? Comida, banho, estadia? Perdoem não ter acompanhado a trajetória de vocês... não sei pelo que passaram para chegar aqui. 

-- Estamos mais interessados nessa confusão. Lâmia deixar de ser monstro? Vou abrir uma exceção no meu dicionário. -- Limitou Shakuras. Ele costumava ser a distração, mas estava focado. Aquela coisa de salvar monstros tinha mexido com a cabeça dele. Era uma perspectiva agradável e nobre.

-- ... claro. Sigam-me! 

E se dirigiu para outra porta. Atravessaram corredores o suficiente para enjoarem da visão das costas de Anthea, já que ela tinha uma visão traseira invejável para ambas. Shakuras, no entanto, parecia saltitante e mais interessado em olhar ao redor.

-- O amigo de vocês, Mordred, se encontrou numa situação muito complicada. Como Annie já sabe, ele descobriu um coliseu que se formava no Labirinto. Esse coliseu foi crescendo gradualmente, tendo acesso e uso em vários outros lugares. Sempre houveram coliseus, mas nenhum é como esse. Nesse coliseu, semideuses e monstros lutam em grupos sortidos, dominados ou sujeitados a senhores. São ludus míticos espalhados por todo o continente, escondido dos olhos dos deuses. Mordred acidentalmente parou dentro de um. 

Certo corredor teve janelas tão grandes a esquerda que perceberam ser, na verdade, a sacada de um pátio. Uma surpresa encheu os olhos deles.

Abaixo, no pátio, um cão infernal lutava contra um cíclope de mãos nuas. Eles lutavam brutalmente em termos de força, mas sem letalidade. Na verdade, pareciam treinar. Duas empousas treinavam rapidamente com duas espadas cada. Trocavam espadadas com uma velocidade nipônica, digna de um anime. Uma mulher olhava para elas. Seus longos cabelos ruivos e vestido verde não escondiam o tamanho de seu corpo musculoso, com algumas cicatrizes. Ela tinha uma falha na cabeça que parecia uma cicatriz. Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo.

-- Por isso Mordred começou seu próprio Ludus. Ele me procurou muito, me fazendo uma proposta irrecusável. Eu libertaria os monstros de sua cólera odiável e poderia ensinar a amar a humanidade, se deixasse os que se alistassem lutar com ele no seu time. Já salvamos cinco monstros. Dos cinco, quatro se alistaram. 

A luta do cíclope e do cachorrão parou. O cíclope vestia ombreiras, um peitoral em forma de X e um saiote romano feito de couro. Tudo era preto tacheado de metal prateado. O cachorro tinha uma armadura canina preta e vermelha de madeira e aço. As empousas eram uma ruiva e a outra morena. Suas armaduras eram de couro exceto pelo peitoral cinzento, reluzente. Todos eles, em algum lugar, sustentavam uma insígnia. Um crânio de corvo. Coleira, no caso do lobo. Pulseira para a dama ruiva. Nos braceletes esquerdos das empousas. No brinco direito do cíclope.

Todos eles fizeram uma linha e ergueram seus punhos na direção de uma porta.

"IN GLORIA MORI!", gritaram todos.

Pela porta, passou Mordred. Ele estava de camiseta, calça jeans preta e seu coturno. Ou seja, tudo menos a jaqueta de couro. A moça ruiva entregou a ele uma jaqueta college que tinha um pássaro esquelético nas costas. Em cima estava escrito "Team Mordred". Em baixo, "In Gloria, Mori". A jaqueta era preta e bege. E começou a conversar com a ruiva. Os outros voltaram para seus treinamentos.

Annie se empertigou toda. Afinal, ela sabia de algo que os supostos "melhores amigos de Mordred" não sabiam. 

Nova, por outro lado, ouviu atentamente. O cenho se franzindo a cada palavra. Fez menção de dizer algo, mas quando viu Mordred aparecer e vestir a jaqueta "Team Mordred", ela riu abertamente pela primeira vez. A gargalhada de Nova era sempre familiar "além da conta" para os rapazes, eles não se lembravam, mas a risada soava muito familiar. Era aquele tipo de gargalhada gostosa que fazia qualquer um rir junto.

Mordred de lá de baixo olhou para ela. Ergueu uma sobrancelha e coçou a nuca, erguendo o cotovelo, com um sorriso desajeitado.

Toda a construção era rústica, pedregosa e com plantas a preencher o lugar. Estava meio arruinada, mas ainda sólida, como se não fosse mais ser afetada pelo tempo. E era limpa o suficiente para circular sem dificuldades. De onde ela estava só era possível ver Nova e Shakuras, que estavam encostados na sacada. Nova abriu um sorriso para Mordred agora sim ele parecia o Mordred que conhecia. Sabia que um dia Shakuras e Mordie começariam a namorar e ficaria feliz pelos dois, mas odiaria internamente. Gostava de ser a única menina de verdade na vida de ambos. Curiosamente, não se via com ninguém, afinal, pelo o que sabia, suas opções se limitavam ao ex de Annie, Adam. Era melhor ficar solteira.

Ela deu um pulo que só precisou deste e de meio segundo para colocar uma das lâminas no pescoço de Nova. Os reflexos de Nova fizeram ela se defender. O instinto reagiu antes de sua mente. Sacou Lightbringer e se defendeu do ataque que nem vira chegando. O sorriso desapareceu de sua face. Ao rolar para fora da sacada parou com um joelho no chão, outro erguido e Lightbringer na forma de arma pronta para disparar. A morena avançou com uma estocada, mas Nova se defendeu de novo. Rolando para fora da cerca da sacada, ela brandiu a espada. Então viu Anthea.

-- ... Madame?

-- Lyah, abaixe as armas. 

E a empousa colocou no chão ambas as espadas. Elas eram onduladas, como espinhos retorcidos, prateadas.

-- O que foi isso? Acho que eram conscientes agora. -- Ainda desconfiada abaixou o arco

Annie apenas lamentou a empousa não ter conseguido arrancar a cabeça de Nova.

Shakuras foi lento demais e só conseguiu se distanciar. Mordred arregalou os olhos e correu para as escadas. O cíclope pegou ele pela camisa e o ajudou a subir, colocando ambos os pés de Mordred na outra mão. Ele pulou a cerca da sacada e ficou olhando para as duas.

-- ... Também pensei. 

E ficou olhando feio para a Lyah. Ela arqueou as sobrancelhas, pegou as espadas e as embainhou.

-- Ih, nem adianta me olhar assim. Eu pulei no reflexo. E ela foi melhor que minha investida.

E apontou para Nova com o queixo.

-- Quem são?

-- Meus amigos. 

-- E amigas. -- Ela disse, como se pedisse alguma explicação. As feições asiáticas da Empousa eram perfeitas naquela pele tão pálida e brevemente carregada de veias na bochecha, e ameaçadoras com as presas de fora enquanto falava.

Mordred negou com a cabeça, como se decepcionado. Ela, que tinha uma coxa a mostra com a perna de bronze até os joelhos parecendo uma bota e a outra perna quase toda a mostra, parecia saída de algum jogo com fanservice demais. Suas coxas eram o tamanho da cabeça de alguém, e seus outros traços ninguém queria prestar atenção. Eram todos bonitos demais.

-- Tudo bem. Parei. Lyah Kurohime. -- Se apresentou.

A deusa olhava para o grupo com uma sobrancelha erguida.

-- Nova. 

Lyah pareceu entender algo implicito. Replicou procurando o olhar de Mordred e erguendo uma sobrancelha.

-- Precisamos conversar. Agora. E a sós. Se é que ainda posso falar com você a sós. 

Girou os olhos

Annie olhou com cara de nojo para a empousa.

-- Lady Chapley para você. 

Não era possível que aquela periquita de olho puxado achasse que tinha qualquer chance - ou direitos - sobre seu Mordie.

Mordred se limitou a olhar para Nova, procurando explicações para o porque de ela jogar esse veneninho desnecessário.

-- Shakuras. 

-- Que raios de nome é esse? 

-- O tipo grande. Shaka, se quiser. 

Ela deu um sorriso.

-- Shaka e Nova. Mordred não para de falar de vocês. Quer ver minha coleção de livros, Shaka? Tenho uma coleção de Gothan. Nada antigo, não gosto dos quadrinhos para crianças. E estou jogando o Arkham City. 

Shakuras não precisou de mais. Saltitou e sorriu para fora da visão deles, seguindo a empousa de rabo de cavalo. O restante do grupo parou seu treino e se dispersou sem mais palavras. A mulher musculosa deu ordens para irem para o refeitório.

-- Chaplay, me deixe mostrar-lhe seus aposentos! Vejo que vão ficar pelo menos para dormir, é complicado passar por tanto, certo? 

Ofereceu a deusa já puxando e deixando Nova e Mordred a sós. A deusa piscou para Nova sem motivos aparentes, mas ela já estava se misturando com o cenário, sumindo numa esquina.

-- ... Sua chance de me xingar a vontade.

Nova acompanhou Shaka desaparecer com um olhar quase maternal. Ele era simplesmente fofo. Lembrou-se do momento estranho que tiveram no titubeous de Mordred e balançou levemente a cabeça sem entender o motivo para se lembrar daquilo.

Em seguida a semideusa fitou Mordred. Um caleidoscópio de emoções passou por seus olhos. Raiva, alívio, orgulho, mais alívio, brava de novo. Por fim a semideusa suspirou, se aproximou e abraçou o rapaz em silêncio. Era difícil dizer se havia ou não desistido de brigar com ele.

Ele ficou dentro do abraço de Nova sem saber exatamente como reagir por um bom tempo. Ficou agarrado a ela quando percebeu que era um abraço de amizade, e não mortal. Depois de mais algum tempo ele deixou o queixo pousar no ombro dela. Mais um pouco e se sentiu obrigado a soltá-la.

-- Ok, chega. Precisa me dar uma bronca, mesmo eu não estando a fazer nada de errado. 

Pediu.

-- Eu só quero entender porque nos fez bancar os stalkers para descobrir tudo isso. 

Devolveu com um meio sorriso ainda que um pouco chateada.

-- Por que Annie Chapley sabia sobre o Coliseu e eu não? Estou orgulhosa do que está fazendo aqui ainda que não entenda exatamente o que pretende com isso, mas não importa. Shaka e eu enfrentaríamos o Olimpo por você, então não entendo porque nos deixar de fora. Achei que fossemos amigos, mas agora tenho que brigar com Annie Chapley e uma empousa apenas para falar com você e ambas sabem mais da sua vida do que eu.

Ele girou os olhos, sorriu mais um pouco e abraçou a cabeça dela contra o próprio peito, enchendo-a com um cascudo. Quando a soltou tinha no olhar o mesmo brilho, mas com um cansaço que era totalmente novo para ela. A vida dupla certamente o consumia.

-- Chaplay me seguiu. Me achou no caminho para o coliseu e se eu não levasse ela comigo, morreria. Lyah... é complicada. Ela nem tem ciumes de fato, se pudesse morderia vocês duas. Talvez não perdoe nem o Shaka. Seria um favor para ele. E nenhuma das duas sabem mais que você. Elas sabem ALGO a mais.

Nova resmungou com os cascudos, mas não se importou de verdade. Era bom um pouco de normalidade depois daquele poço de segredos que descobrira a respeito de seu melhor amigo. 

Suspirou e, como Mordred havia bagunçado seu cabelo, soltou-o e devolveu a velha xuxinha no pulso como pulseira.

-- Seja sincero comigo: pretendia me contar a respeito disso tudo? -- Perguntou séria

Mordred sabia que não podia mentir para ela. Ela já sabia a resposta.

-- Não, Nova. Quando tudo acabasse, talvez. A prática do gladiar de monstros eu contasse a vocês. Teria de explicar meu namoro com uma sanguessuga nissei e o fato de caçarmos monstros para dar-lhes liberdade, mas não contaria sobre o coliseu ou sobre tudo que fiz. Sabe que fico melhor nas sombras.

Mordred conhecia Nova muito bem, mas mesmo um estranho seria capaz de ver em seu olhar o quanto fora magoada. Porém, ela não partiu para ofensas, não gritou com o rapaz, não o atacou, nada. Apenas manteve a ferida para si mesma. Sorriu e acariciou a bochecha de Mordred.

-- Deveria descansar e focar-se no trabalho que está fazendo aqui. Isso é muito mais importante do que o Acampamento e imagino que renderá melhor com uma boa noite de sono.

Recolheu a mão e se afastou, mas não o encarou mais

Enganava-se quem pensava que a doce Nova, não tinha gênio. Ah ela brigava com Mordred, brigava com Shaka quando ele deixava a toalha molhada em cima da cama ou usava a mesma blusa do homem aranha umas três vezes. Humilhara alguns engraçadinhos no acampamento e eliminara mais monstros do que ambos se lembravam.

Aquela era a Nova brava e Nova não estava brava, estava, genuinamente, machucada e por isso nada diria. Engoliria-a como a pessoa altruísta que era e se preocuparia, de maneira igualmente genuína, com o bem estar do rapaz.

Mordred olhou Nova ir embora. Ela queria tanto assim que ele confiasse nela, em seu poder? Ele não podia. Ele não podia arriscar seus amigos. Sendo um filho de Plutão e fazendo um serviço tão grande para o Olimpo, iria para os campos elísios caso morresse. Isso irritaria a vizinhança. O devolveriam para a vida. Teria outras chances, ou pelo menos tinha mais chances de ter outras chances. E eles? Plutão odiava ambos e os prenderia em algum lugar. E ainda tentaria jogar eles nos campos de punição. Ele suspirou e deixou Nova ir, apesar de ter certeza que ela não sabia para onde estava indo.


Notas Finais


Bjos de novo.


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