História Os filhos de Arethusa - Capítulo 5


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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Tags Eric
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Palavras 2.454
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Não exijo que comentem favoritem ou deem notas para atualizar minha história!

Capítulo 5 - Team Mordred!


Nova terminou sua caminhada no refeitório. Foi surpreendida por um lugar onde os monstros comiam no chão. O cíclope gigante estava comendo um javali assado inteiro que, alias, convidava os olhos pela cor dourada. A empousa de cabelos vermelhos estava agarrada num coração que estava sangrando. Pelo tamanho, poderia ser de um elefante. O cachorro infernal comia algo que parecia ser igualmente repulsivo. Ascylah estava do lado do cíclope, comendo um pedaço do javali com garfo e faca.

Todos olharam para ela. Era algo estranho de ser ver, mas não estavam querendo matá-la. Comiam carne, verdade, mas não eram ameaça. O que era estranho.

Nova apenas... Entrou no refeitório. Os monstros eram diferentes entre si, mas de alguma forma pareciam fazer parte de uma mesmo grupo dentro do qual não era bem vinda. Ainda sim, permitiu que seus passos ecoassem e acomodou-se ao lado de Ascylah. Não conhecia o lugar e não sabia para onde ir. Não tinha fome (especialmente depois de ver a empusa com o coração cru), mas o lugar pareceu-lhe tão bom quanto qualquer outro.

-- Se importa se eu ficar aqui um pouco?

A lamia estava usando a jaqueta college do team Mordred, e estava cingida. Parecia querer esconder sua cauda, também, por um motivo misterioso. O ciclope não se mexeu, simplesmente deixou ela se aproximar e continuou comendo, lentamente.

Ascylah sorriu lentamente. Usava um batom verde e os cabelos estavam penteados para trás.

-- Jamaissssss... masss por que não esssta com sseus amigossss...?

-- Um eu não sei aonde está e o outro não confia mais em mim. Ou achou amigas melhores, eu não sei.

Deu de ombros e encara a mesa.

-- Essa jaqueta fica bem em você.

-- Obrigada... -- Disse ela com certa vergonha no olhar. Provavelmente na vida de monstra nunca tinha sido elogiada. Provavelmente, aquele era o primeiro elogio que tinha recebido.

-- Vosscê acha messsmo...? Amigosss não podem ssser um melhor do que o outro... sssão pedaçssos de nós messsmosssss...

- É o que penso, mas aparentemente Mordred não vê assim. -- Suspira.

-- O que acha de sermos amigas? Não tenho amigAs, sabe? Garotas não gostam de mim.

-- Não ssssssou uma garota... -- Respondeu a Lamia, oferecendo para Nova um prato com as carnes desfiadas, bem assadas e bem menos feias do que aparentavam na mão do ciclope. -- Mas ele gossssta de você...

- É, eu pensava que sim. Mas pelo jeito Mordred gosta de todo mundo que ele salva. 

Torna a suspirar e sorri em agradecimento pelo prato. Não estava com fome, mas belisca por educação.

-- E bem... Você é bonita como uma garota, tem seios como uma garota e tem a voz de uma garota. Você é apenas diferente e, honestamente, eu também. Garotas normais não criam estática quando ficam nervosas e nem soltam raios.

-- Ou veneno... -- Lamentou ela.

-- Algumas soltam. -- Discordou a empousa, rindo e limpando o sangue da boca. Depois que processou o que disse, começou a rir ainda mais alto. A lâmia não entendeu a princípio, mas logo começou a rir também, entendendo a piada.

Chateada como estava, Nova acabou rindo com as duas e se sentiu um pouco melhor. Nem se importou com o sangue da empousa.

-- Acho que o que a maioria das garotas solta é veneno.

Devolveu em meio a uma risadinha.

A empousa riu mais um pouco antes de adicionar o seu próprio veneno à conversa.

-- Esqueçam esse lance de garotas. Foca no garoto. -- Riu e piscou para Ascylah.

Ascylah olhou para a empousa de volta com certa obstinação, como se mandasse ela calar a boca com o olhar. O ciclope, debilmente, riu, tremendo seus ombros numa risada grave e retardada.

-- Boa sorte com isso, vocês duas.  -- Replicou Nova, voltando a murchar. Seu histórico com garotos só piorava.

Ascylah piorou a careta tanto que acabou sibilando para a empousa sem querer. Segurou o sibilar, e aquilo ficou com o som de quem fica tentando segurar a água de uma mangueira com uma agulha. Depois de conseguir se conter, falou com Nova:

-- Elesssss gosstam de vocsssê... Sssssssinto o cheiro nelesss...

Lyah ficou subitamente séria. Não olhava para nada, mas prestava atenção em Ascylah. A lâmia sentiu-se imediatamente repreendida.

-- E dá pra sentir o cheiro nessas coisas?

Devolveu um tanto incrédula. Tinha certeza de que Ascylah só estava sendo gentil. Exceto por Shaka, mas Shaka era um ursinho fofo, gostava de todos. Provavelmente já morria de amores pela empousa fã de quadrinhos.

-- Inumanos tem outros... sentidos. Somos feitos pra descobrir se vocês, semi-mortais e mortais, estão sentindo algo. É mais fácil de... "caçar" assim.

Ela sorriu como se estivesse fazendo uma boa ação ao contar um segredo. Daqueles bem bobos, de fofoca.

-- Ambosss ssssoltam o cheiro da adimiraçsssão e do desssejo por vocsssssê... 

Confidenciou. Lyah dessa vez não repreendeu, só colocou outro pedaço de carne na boca, irritadiça.

Riu novamente

-- Eu não acho que eles tenham notado que sou uma garota. Principalmente Shaka.

Ascylah riu misteriosamente.

-- Talvezsss vocssê não tenha notado que é... 

Nova franziu o cenho. As palavras da lâmia mexeram com ela de certa forma. Talvez Ascylah tivesse certa razão. 

E com aquela frase, foram interrompidas. As portas foram abertas depois de uma salva de palmas de uma única mão. Shakuras entrou depois de Lyah, batendo palmas com um gibi debaixo do braço. Depois de terminar sua salva de palmas, abriu o gibi do Batman de novo e enfiou a cara. Lyah olhava para ele com o que era uma falsa pena, um misto de carinho e zombaria, quando carinho era bem mais. Provavelmente o rapaz tinha conquistado a moça também. Era uma habilidade natural dele. Ele se sentou em um lugar que ela indicou e nem notou Nova que estava escondida atras de um ciclope.

-- Vai querer comer? 

Shakuras levou alguns balões antes de responder.

-- Fritas! 

Ela olhou para a cara dele por cima de uns óculos vermelhos que lembravam vagamente os de pin-up. Seu olhar perguntava se ele estava falando sério mesmo, perguntava se ela tinha cara de cozinheira. Queria dar uma resposta atravessada a ele, mas não conseguiu. Ele estava tão bonitinho lendo aquela revista, mordendo os próprios lábios ao se concentrar.

Seu tom foi quase maternal ao responder:

-- Vou ver. Só não vai comer e tocar no gibi. 

E passou por outra porta, que parecia levar até a cozinha.

A confusão causada pela chegada de Shaka e da outra empousa, porém, a fizeram suspirar. Como imaginara, Shaka já estava sendo super bem com outra garota. Era apenas natural dele. Não tinha nada de especial.

-- Acho que preciso ir resolver aquilo ali.

Apontou o rapaz com o gibi.

-- Ele só come porcaria se deixar.

Explicou girando os olhos.

- Obrigada pela companhia meninas.

Mesmo um pouco distante por estarem numa ponta e ele na outra, Shaka ergueu o olhar e arqueou as sobrancelhas, procurando a dona da voz. Ai notou que tinha alguém atrás do ciclope. A empousa e a lâmia deu tchauzinho para Nova enquanto ela se distanciava.

Um sorriso cresceu na boca de Shakuras.

-- Oi! Estava conversando lá? 

Perguntou inocentemente, tão alheio dos dilemas que Nova ou qualquer outra pessoa passava.

- Sim. 

Devolveu o sorriso, ainda que meio triste pela conversa com Mordred.

-- Até ouvir que pretende comer nada além de fritas. Não preciso dizer que não vai acontecer, certo?

Ele finalmente deu total atenção para ela. Tinha aquela cara de súplica que fazia sempre que Nova bancava a durona ou a responsável. A cara de "você não está fazendo isso comigo... está?"

-- Eu... vou... ficar feliz? -- E torceu pra colar.

-- Talvez. 

Respondeu misteriosamente e beijou a testa do rapaz, porque ele era simplesmente muito fofo

-- Já volto.

Piscou e seguiu atrás da empousa em direção à cozinha.

Ele ficou emburrado e voltou a ler. O caminho para a cozinha era fácil. Era só seguir o cheiro de comida crua. Quando chegou lá, a empousa estava lutando contra as panelas que estavam na frente dela. Já estava querendo jogar tudo no chão, aparentemente. Quando finalmente achou a panela que procurava, tirou a cabeça de dentro do armário e deu de cara com Nova. Parou de dizer "te achei".

-- Oh. Oi faísca. 

E se virou para o fogão a lenha, como se a presença de Nova fosse natural.

-- Lyah, certo? 

Sorriu, embora já odiasse a empousa e nem conseguisse entender o real motivo.

-- Eu cuido da comida de Shaka, não me importo. Ele só come besteira se deixar.

Ela soprou fogo puro e acendeu o forno. Não se incomodou em ser ética ao fazê-lo, cuspiu como se estivesse cuspindo na cara de alguém. Depois virou-se para Nova. Nem conhecia Nova e já não ia com a cara dela. Se sentia um pouco culpada por isso.

-- Sinta-se em casa, não precisa economizar nos ingredientes. Só achei que não soubesse cozinhar. 

E fez pouco caso da presença de Nova. Melhor do que dar trela para a raiva.

-- Obrigada...

Replicou educadamente, apesar dos modos bestiais da empousa. Lentamente, começou a verificar o que havia disponível na cozinha. Precisava de ideias para Shaka.

-- Não crescemos no Acampamento. Mordred era o mais velho, então cozinhava quando cresci um pouco mais tomei parte da responsabilidade para mim. Afinal, depois que encontramos Shaka eu era a única mulher entre dois homens. Me senti responsável por ambos. Ainda me sinto, como pode ver.

Finalizou decidindo-se por bife com fritas e... Salada!

Lyah ouviu atentamente aquilo que Nova disse, mas ainda fazia pouco caso. Tinha uma expressão que dava a ela um breve biquinho de lolita emburrada. Não era algo exatamente fofo, era só aparentemente ranzinza, mas seus traços jovens e asiáticos eram uma máscara perfeita para seus sentimentos. Tudo parecia fofo, exceto seu olhar de desejo. Mas isso Nova não tinha presenciado ainda.

-- Ele já me contou. Nada tipo isso, quem cozinhava nem nada, mas me conto que vocês sobreviviam juntos. Sim. Umas duas vezes por dia ele fala de vocês. -- Riu internamente, com uma pausa silenciosa -- Só cozinhava? Vi o que fez com o machado.

Nova sentia o descaso na voz de Lyah, mas não se importava. Estava acostumada a não ser querida por seres do sexo feminino. Foi bom, porém, ouvir que Mordred falava sobre eles. 

-- Sou filha de Júpiter, Mordred é filho de Plutão e Shaka de Netuno. Juntos somos como a Torre Eiffel no natal. Atraíamos as mais famintas e perigosas criaturas. Tive de aprender a me defender, todos tivemos. Fui atacada enquanto dormia tantas vezes, que acho que meu corpo se acostumou a se mexer antes da minha mente.

Dá de ombros enquanto andava para lá e para cá organizando ingredientes.

Ela pareceu se ofender um pouco com o "criaturas famintas e perigosas". Não deu continuidade graças àquele comentário que ela achou infame. Para eles todos os monstros eram doentes que precisavam de cura. "Criaturas" era um termo um tanto pejorativo. Não exatamente ofendia, mas ao ouvir aquilo de Nova deixou mais marcado em sua mente que estava do lado de uma semideusa. Que para a raça dela, ainda era podre, a degeneração do mundo.

O silêncio fez com que se voltasse para a empousa e piscasse algumas vezes. Demorou alguns segundos para que entendesse o problema.

-- Perdoe-me, eu não quis ofender. Sei que não é assim nem os que estão aqui. Quero pensar que existem outros como você, mas se você estivesse lá fora como uma semideusa, entenderia que não conhecemos os monstros legais, só os ruins.

Lyah sorriu, olhando para Nova com o canto dos olhos e depois voltando a fazer o que fazia. Ela tinha um sorrisinho naturalmente ao menos minimamente lascivo, como toda empousa. Mesmo que acidentalmente.

-- Que nada. Somos todos uns amores. Só temos gostos peculiares. 

Disse num tom um pouco mais agudo, cínico, como quem realmente não se importa. Arrumou o que queria e se retirou sem pedir licença ou se despedir. Claro que se veriam logo, mas pareceu um pouco distante do jeito que ela fez, não tão casual.

-- Espera!

Gritou correndo atrás da empousa

-- Preciso da sua ajuda, não vai demorar.

Chamou alcançando a porta.

A empousa olhou por cima do ombro para ela. Tinha um cesto de frutas na mão, o que parecia meio estranho. Lyah olhou para Nova contendo o desejo de olhar ela de cima para baixo. Brevemente impaciente, respondeu:

-- Hmm, com o que?

Nova abaixou a voz.

-- Você gosta do Mordie, certo? Então me ajude, porque estará ajudando a si mesma com isso.

Foi tudo o que disse antes de voltar para a cozinha.

Lyah olhou para o caminho que trilhava antes de dar meia volta e atender ao chamado de Nova. Colocou a cesta de frutos em cima da mesa do lado de Nova e se escorou na mesa. Agora olhou ela de cima a baixo, assentindo, esperando pelo que Nova tinha a dizer silenciosamente.

Diziam que passar tempo demais com uma pessoa fazia com que adquirisse alguns hábitos da pessoa. Nova provou a teoria como verdadeira. Como Mordred faria, ela não ofereceu explicações, apenas deixou a empousa lá sentada pelos quarenta minutos seguintes enquanto cozinhava. Eventualmente arrumou uma bandeja com suco, guardanapos. Um pedaço de pudim e o prato principal era o mesmo que preparara para Shaka. Apesar de não comer nada assado, até mesmo Lyah tinha de reconhecer o quão bonita e cheirosa estava a comida quando Nova aproximou-se com uma bandeja.

-- Se bem conheço Mordred, ele ainda não comeu e não comerá. Leve isso para ele. Diga que fez se desejar, apenas o faça comer. Ele ficará grato, mesmo que não demonstre diretamente.

Lyah cogitou se retirar pelo menos uma dúzia de vezes ou mais. Aquela semideusa tinha decidido tirar sarro de sua cara, só pode. A fez esperar ali inutilmente por uma eternidade para que? Aula de culinária? Mesmo assim pacientemente olhou para qualquer lugar. Eventualmente para a semideusa, satisfazendo a curiosidade. Vide o cheiro e aparência, até ela ficou com fome.

Recebeu o prato nos braços sem discutir, mas tinha aquele sorrisinho lupino cínico olhando por cima dos óculos, com os caninos projetados para fora

-- ... por que não faz isso? Ele ia adorar seus cuidados.

-- Claro... -- Disse a empousa. Agradeceu com um sorriso não muito verdadeiro mas não venenoso ou ardiloso. Só estranhando o tipo e a quantidade de cortesia. Antes de sair, suspirou. -- Mordred é meu amigo. Assim como todos os outros. -- Então se retirou silenciosamente sem abaixar a guarda, como se estivesse esperando um bote ou algo do tipo.


Notas Finais


Devia constar pra não exigir uma certa quantidade de leitores também. Atualiza isso ai, Spirit.


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