História Os filhos de Arethusa - Capítulo 6


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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Tags Eric
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Palavras 4.255
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


EXIJO QUE OS LEITORES ATUALIZEM OU CONTINUEM A HISTÓRIA PARA QUE EU COMENTE, FAVORITE E DÊ NOTAS.

Capítulo 6 - Team Mordred!


Nova levou o prato com o que tinha decidido para Shakuras e deixou em seu colo. O rapaz percebeu que não havia talheres, e antes de agradecer, olhou dolorosamente para a revista. Teria de parar de comer, afinal. 

Nova viu também que a sala estava vazia. Não tinha sujeira ou qualquer resquícios de que os outros estiveram ali.

-- Desculpe te demorado. Achei que Mordred pudesse estar com fome também. Aonde foram todos?

Shakuras abriu a boca e fechou-a de novo. Cobriu os olhos com o chapéu sem tocar nele, apenas com um movimento de rosto. Seu semblante tinha se fechado um pouco, e gradualmente parecia piorar.

-- Reunião de time. Vão jogar hoje de novo.

______________________________

Lyah levou a comida direto para a sala de reuniões. Sempre se perguntou por que de tantas salas para tantas coisas se as salas costumavam ser todas vazias. A de reuniões era a mesma que o armorial, e o armorial era uma sala com uma longa mesa de pedra, sem cadeiras. As paredes cheias de armas e troféus. As vezes, a arma era um troféu decorativo. Uma das armas era um machado de duas mãos de ouro e cristal. Estava partido no meio e pendurado na parede deitado. Tinha sido a vez em que Lyah achou que ia morrer numa luta, mas mereceu seu lugar em seu time. Acabou sendo grandemente admirada entre os seus por isso.

Mordred estava de sentado, com o Brutus deitado atrás dele, servindo de cadeira de pelos gigante para Mordred. A direita, um pouco distante, Luthor. Do lado do machado antes citado, estava Carpe. Os olhos multicoloridos da mulher ainda deixavam Lyah tensa. Parecia que Campe queria matar todo mundo. O tempo inteiro.

-- Decidiu se juntar a nós, finalmente.

-- Só falo com você depois que comer. -- E colocou o prato na frente de Mordred. Brutus levantou a cabeça para cheirar, mas parecia muito indolente para reagir.

Ele não agradeceu. Silenciosamente deu uma garfada no prato. Também não esboçou qualquer alegria, exceto um mínimo gemido ao ter comido. Aquilo deu a resposta que ela precisava, no final das contas. Ele deu mais duas garfadas antes de começar seu sermão.

-- Já sabem sobre nosso próximo oponente. Estiveram treinando nos últimos dias, e o aquecimento de hoje foi justamente para isso. Enfrentaremos o time de Geríon no próximo jogo. 

Alguns giraram os olhos. Ou o olho.

-- Todos sabemos da fama de Gérion. Ele não joga limpo e usa mais criaturas do que guerreiros. Sabemos que provavelmente vamos encontrar um desafio de exércitos, é o favorito dele. Vai cuspir lobos e águias em nossas faces. -- E garfou novamente o conteúdo do prato.

-- Detesto águias... 

-- Ninguém gosta, Luth. -- Consolou Lyah. -- Agora, pro que importa: O que vamos fazer? 

Lyah se acomodou do lado de Mordred bem naquele instante, mais em cima do cão, deixando a cintura dela na altura do torso de Mordred. O torso da Campe se eriçou em todas as escamas com um suspiro, se erguendo para falar.

-- Não é assim, Lyah. Nem sabemos o que será levado para as arenas. Gérion tem uma gama variada de criaturas para escolher. E vamos ter de responder à altura. Até quantos guerreiros ele pode pedir?

Mordred parecia possesso pela própria Momo, deusa do escárnio.

-- Numa Batalha de Exércitos? Dez. 

O silêncio tomou conta do lugar. Não precisavam fazer as contas para entender que só haviam cinco pessoas naquela sala. Até o cão infernal ergueu as sobrancelhas com o assunto

-- Se a Campe pudesse lutar... -- Comentou Lyah.

-- Fora de cogitação. -- Limitou Mordred. -- Campe deve se ausentar das lutas. Se souberem que a Campe está do nosso lado, vão tentar nos matar covardemente. Vão escolher seus melhores assassinos e nos envenenar antes que as lutas comecem. 

Campe nem tinha voz. E nem queria ter. Concordava com cada palavra de Mordred, mas queria poder discordar. Assim como todo mundo, quando era nesse assunto. Tentava manter seu queixo erguido e seu orgulho inabalado para que não se sentisse totalmente inútil. E treinava seus aliados fervorosamente.

Lyah olhava preocupada para seus amigos. Eram um grupo pequeno de integrantes diferentes, e só um era realmente poderoso, a ponto de ser temido entre todos os semideuses. Justamente a que tinha de ficar fora das arenas.

-- ... temos os seus amigos, Mordred. Formamos oito com eles. -- Sugeriu, mesmo sabendo que doesse para Mordred ouvir aquilo.

Campe respirou fundo antes de falar. Ela sempre parecia estar dando ordens para uma legião ao falar.

-- E Ascylah. Ela pode não ter sido treinada, mas praticou naturalmente. Contra criaturas burras, a serpente teria grande vantagem. 

Mordred gemeu de boca cheia negativamente, para não ter que abrir a boca para chamar atenção. Enquanto se esforçava para engolir, negava com a cabeça e pedia com a mão ocupada pelo garfo para esperarem. O rapaz comia avidamente. Aquilo deixo Lyah sorrindo para ele levemente, mesmo que não visse. Desejou bagunçar os cabelos dele, mas ele ficaria todo irritadinho por fazer aquilo no meio de uma reunião.

-- Ela não se pronunciou quanto ao chamado. 

A porta se abriu naquele exato instante. Anthea e Ascylah entraram juntas pelo portal. Anthea tinha seu rosto sereno com um breve e eterno sorriso. Mordred se virou para ela, convenientemente sentindo a sorte do momento.

-- Boa tarde, Campeões da Liberdade. Ascylah tem algo a dizer. -- Mordred queria dizer "Time Mordred", mas teve de se aquietar.

-- Obrigada... por me trasszer aqui, Mordred... -- E olhou para Anthea. Com um aceno de cabeça, ela encorajou Ascylah a falar. --Eu dessssssejo ajudar vocssêssss... masss dessejo também ficar longe dasss arenasss... 

O olhar triunfante em Mordred morreu. Ascylah, percebendo a moral do grupo cair, ficou cabisbaixa.

-- Me desssculpe... 

Lyah, dali de cima, não suspirou nem demonstrou tristeza. O som metálico de sua perna de bronze tocando o chão rompeu o silêncio tangível daquela sala. Ela sorria levemente, ao colocar a mão no ombro de Ascylah

-- Não precisa pedir desculpas. Estamos precisando de um favor, na verdade. Estamos sem água da Fonte da Individualidade. Não tem perigo para você ir lá. 

Mordred percebeu o trabalho de Lyah ao fazer ninguém se sentir mal dentro daquele grupo e sorriu internamente, permanecendo uma mármore negro por fora.

-- Alguém da sua espécie completaria a missão com mais facilidade do que nós. Infelizmente não podemos arriscar sua pele nas arenas. -- Ele continuou. -- Seria estrategicamente tolo.

Até mesmo Luthor, que costumava ser um poço de pessimismo, teve de aceitar a animação que preencheu o lugar. Ascylah ganhou o sorriso no rosto que tinha quando entrou na sala antes.

-- Sssssssssssim ssenhor! Quando possssso comessçar?! 

-- O quanto antes, por favor. Precisamos recrutar mais guerreiros. 

Brutus bufou.

-- E cães. 

De novo.

-- E cadelas. 

Uma risadinha rouca, sacana e rosnada saiu do cão gigante.

Com uma porção de reverências e sorrisos, saíram Anthea e Ascylah. A tristeza não voltou como antes, até porque Lyah tinha o mostrado como fazer. E Mordred aprendia rápido.

-- Temos a resposta dela. Vamos ter oito de nós. 

-- Ou cinco, não temos as respostas de seus amigos. -- Retificou Lyah.

-- Se formos em cinco, recorreremos à tática. Na paz, vigilância. Na guerra, vitória. Na morte...

"À GLÓRIA", respondeu em unissono o time. Mordred finalmente sorriu por fora.

______________________________

-- É mesmo?

Perguntou com certa indiferença no tom.

Imaginava que o semblante fechado de Shaka tivesse algo a ver com o motivo por estar chateada com Mordred: mesmo após chegarem até ali ainda estavam sendo excluídos, mas era o que o imbecil fazia, era assim que ele os "protegia" agora. Então Mordred podia não ter dado uma daquelas ridículas jaquetas de Team Mordred...

Mas eles não precisam.

-- Venha!

E Shaka sequer teve tempo de terminar sua deliciosa janta já que Nova o arrastou da mesa.

Não conheciam o lugar, mas não precisavam conhecer. Apenas seguiram Anthea quando ela passou com Ascylah. Ouviram um pouco do lado de fora, meio escondidos, e se empertigaram quando deusa e lâmia saíram, afinal seria meio patético admitir que estavam escutando a conversa pelos cantos. Sorriu para Ascylah, satisfeita por ela ter uma missão. Conseguiu até sentir menos antipatia por Lyah.

Lyah ergueu ambas as sobrancelhas com interesse redobrado nas atitudes de Nova. Ele não falou sobre a comida, se tinha percebido de quem era a autoria daquele prato. O surgimento conveniente de Nova quando Mordred precisa a deixou com uma pulga atrás da orelha. Poderia ser tudo uma armadilha, afinal.

Nova tomou coragem arrastou Shaka e surgiu no portal com os braços cruzados. Olhou sutilmente para a mesa e ficou satisfeita em ver o prato de Mordred vazio, mas aprendera com ele a não demonstrar absolutamente nada além um malicioso sorrisinho sapeca. Fitou diretamente o líder da gangue e disse simplesmente:

-- Peça.

Mordred provavelmente estava cheio de pensamentos negativos, do tipo "que diabos está fazendo ai" ou "desde quando estava ouvindo essa conversa", mas a frase dela o fez sorrir com o canto de rosto, se escorando mais no cão.

Shaka tinha aquela cara de palerma que estava ali contra a própria vontade e nem sabia o que estava fazendo. Ele até parecia pensar que era ele quem tinha de pedir alguma coisa, e antes que Shakura passasse vergonha dizendo aquilo quando não lhe era a deixa, Mordred se adiantou.

-- ... poderiam lutar ao nosso lado no coliseu? 

Shakuras arregalou bem os olhos e sorriu.

-- Fácil assim? 

-- Bem vindos ao time. -- Expressou Lyah, inexpressivamente. Daquele ângulo, Nova percebia que Lyah parecia querer dar uma chave de perna em Mordred, e prendê-lo ali.

Nova apenas riu. Em parte também ria pela cara de limão azedo da empousa.

-- É claro. -- E virou-se para Lyah -- Obrigada. -- Girou os olhos internamente. Outro episódio de "Mordred e Namoradas".

-- O que precisamos saber?

Mordred repetiu o que era importante na reunião que se passou. O que não era muito, mas suficiente. Todos os semideuses cultivavam juntos uma aversão ao Geríon e seu rancho de horrores.

-- Vamos jogar contra eles mesmo sem saber contra quem lutaremos. Recebi a mensagem hoje. Achei que não lutaríamos com ele tão cedo. Parece que ele comprou a luta. E é esse o problema de Geríon, nunca sabemos exatamente o que vem sem espioná-lo.

-- Hmmm...

Nova recostou-se na cadeira na qual sentara durante a explicação de Mordred e cruzou os braços.

-- Bem, ele também não sabe o que enfrentará. Pensa que terá de lidar com você e outros monstros, ele não espera mais dois, possivelmente, três semideuses. Além disso, goste disso ou não, comigo e com Shaka a bordo, você tem acesso a outras estratégias de dano em área.

E não, Nova não estava sendo convencida. Shaka podia criar maremotos e encontrar água e ela podia eletrocutar todo o time adversário uma vez que estivessem encharcados e este era apenas um exemplo do que podiam fazer. Mordred era mais criativo do que aquilo. Era útil ter uma filha de Júpiter e um filho de Netuno ao lado. 

E ninguém sabia o quão mortal Shaka poderia ser.

-- Você é mais eficiente a longa distância, Nova. Sua defesa é impecável, mas seu ataque físico deixa a desejar. Vai ficar com Shakuras na retarguarda. Estávamos mesmo precisando de gente assim. Lyah deve tentar os flancos por sua velocidade. Eu, Brutus e Luthor vamos ficar na dianteira. 

Mordred não tinha falado de Campe ainda, e Nova não tinha sido apresentada a ninguém. Guerreiros eram assim. Se uniam em uma causa, não precisavam de explicações sobre onde estavam ou o que faziam. Só precisavam de uma única direção e uma única ordem. A direção era o coliseu, a ordem era vencer.

-- Eu posso entrar na luta, Mordred. 

-- Já decidimos isso, Campe. 

-- Campe? Tipo, A Campe? Aquela gigante, meio dragão, asas... 

E gesticulava uma Campe ao redor de seu corpo. Campe riu.

Nova girou os olhos. Verdade que corpo a corpo direto não era lá sua especialidade e tendo outros guerreiros com maior habilidade nisso, era melhor tê-la no que era melhor, porém, a decisão de Mordred em manter SHAKA na retaguarda meio que deixava óbvio que o rapaz ainda estava tentando protegê-los tirando-os do conflito direto, afinal, Shakuras lutava com uma enorme espada de Bronze Celestial. A famosa Contracorrente. O nome da porcaria da espada por si só já assustaria alguns.

-- Ela pode entrar na luta, Mordred. 

Repetiu erguendo uma sobrancelha e tornando a abrir o sorrisinho sapeca de antes.

-- Ela não precisa ser vista, ela pode atacar... das sombras.

Mordred levou um tempo para olhar feio para sua amiga. Então olhou mais feio. E BEM feio. Então seus olhos ficaram negros e ele parecia querer explodir ela onde estava.

-- Chaplay não deve se envolver com as lutas. 

Infelizmente para ele, Chaplay apareceu naquele momento na porta.

Chaplay esteve perdida por um bom tempo depois de tomar banho e se livrar da fome e do estresse. Achou Ascylah no caminho e conseguiu se achar para a sala de reuniões.

Nova ergueu ambas as sobrancelhas para ele tentando encontrar o problema em sua sugestão. Ter um monstro cuspindo veneno das sombras não igualava a ter uma Campe na visão do adversário. Havia tanta coisa que poderia derreter monstros e semideuses. Até mesmo alguma bugiganga criada por um filho de Vulcano.

Antes que pudesse dizer algo porém um "AWWWWWWWW" irritante surgiu na porta.

-- Sabia que estava se fazendo de durão todo este tempo! Está preocupado comigo!

Annie desfilou pelo portal e sentou em cima da mesa com as pernas cruzadas.

-- Adoro um cavaleiro que sabe o valor de uma dama, mas posso ser útil. 

Mordred se limitou a seguir ela com o olhar. Lyah girou os olhos.

-- Anthea não vai concordar, exceto caso aceite a máscara. 

Mordred assentiu.

-- Esqueci. São todos conhecidos em Nova Roma. Terão de usar máscaras e esconder suas armas principais. 

Lyah, lentamente, deslizou o olhar até Mordred. Sério que ele tinha esquecido de algo tão crucial quando sempre pensava na proteção dos seus?

-- Posso escolher minha máscara? 

Annie perguntou animada, afinal, aquilo era mais um atestado de sua incrível popularidade.

Nova pareceu preocupada e com razão, não é que não fosse saber como usar outro arco, mas Lightbringer tinha o peso, tamanho, envergadura... Tudo ideal. Também estava habituada a não precisar se preocupar com munição. Coisa que a nova arma provavelmente exigiria. 

-- Quando será o próximo jogo?

Devolveu com o cenho franzido. Parte da mente focada nos jogos e a outra parte curiosíssima em saber como as namoradas de Mordred se dariam. Talvez chegassem à conclusão de que não era uma ameaça e bicariam uma a outra. Teria amigas, então.

Lyah passou a língua nos dentes. Estava verificando se seus dentes ainda estavam afiados o suficiente para arrancar aquele pescocinho estúpido daquele corpo retardado. Estava sem armas na cintura, mas não levaria muito tempo para pegar qualquer coisa e jogar na cara da vagabunda.

Como uma pessoa pode ser tão excluída e continuar sendo tão fútil?

Mordred sentia a mesma coisa, e apenas negou com a cabeça quando a garota pediu qual o tipo de máscara.

-- Hoje. Sugiro que escolha um arco. Suas máscaras estão com Anthea. 

O ciclope riu profundamente.

-- Estranho gosto... fazer máscaras! 

Mordred assentiu.

-- Anthea faz máscaras para todos que visitam este templo. 

De dentro de sua jaqueta, Mordred tirou uma máscara. Era toda de aço com arranhões profundos, sulcos de quem já esteve em batalhas feias.

Lyah sorriu e magicamente colocou no rosto sem tirar de nenhum bolso uma máscara vermelha vitoriana toda adornada. Tudo bem que ela era japonesa, e que há uma inconsistência histórica, mas ninguém disse que ela precisava ser consistente. Ficava linda nela.

O ciclope colocou uma venda na frente do olho, grande o suficiente para cobrir até metade da testa. Shakuras suspeitara que o gigantão era cego, só não tinha certeza. Agora foram confirmadas suas expectativas.

-- Quero uma baseada no aquaman. -- Declarou Shakuras, deixando bem claro seus interesses. Mordred riu.

O ar grave de Nova se desfez um pouco com o comentário de Shaka e riu. Bagunçou os cabelos do rapaz como se ele tivesse cinco anos e voltou-se para Mordred.

-- Preciso treinar por cinco minutos que seja, estou acostumada com Lightbringer.

Mordred se levantou, tirando a máscara.

-- Vocês tem três horas até entrarmos no navio. Shakuras e Chaplay serão guiados por Brutus para a câmara de Anthea. Dispensados. 

Brutus se ergueu, quase derrubando Lyah. Com um gritinho agudo ela foi, como uma felina, aparada pelo chão. O som de sua perna metálica no entanto não foi nada felino. Foi até estrondoso. O cão gigante ria enquanto se dirigia para a porta. Shaka não perdeu tempo, se encostando no lobo, deixando antes na mão de Lyah sua revistinha.

Campe passou do lado de Nova.

-- Te levo na sala de treino, tem um arco bom lá.

- Obrigada.

Respondeu com um sorriso educado, mas quando na porta virou para Mordred e em seus profundos olhos azuis surgiu uma tempestade de raios que durou meros segundos antes da garota voltar a seguir a Campe docemente.

A resposta para o "quase" surto de Mordred mais cedo.

A mulher era tão alta que estava duas cabeças acima de Nova. Tinha de se abaixar para passar pela porta. O ciclope todos se perguntavam como que chegara ali, e como ia sair.

Campe ficou calada todo o caminho. Não se pronunciou nenhuma vez sequer. Fazia as curvas pelo lugar como se fosse algum tipo de missão e estivesse exercendo o papel de uma general. Terminada a caminhada, estavam no pátio de novo. Aquele onde ela foi atacada por Lyah.

-- Esse colar é Lightbringer, certo?

-- Como sabe?

-- A última portadora, que me salvou da cólera, usava Lightbringer. Alexandra Spazzio. -- E estendeu a mão. Seu corpo dracônico ocupava boa parte da arena. Nova segurou o colar mais forte contra o peito, como se estivesse sendo ameaçada. Campe ergueu uma sobrancelha e olhou a menina de cima a baixo, ainda esperando receber Lightbringer em mãos. Uma vez que na mão dela, enfiou uma unha no colar, colo se estivesse procurando um botão escondido.

-- Lightbringer foi feita para se adaptar ao usuário. Trazendo de volta ao dia em ela que foi criada...

E um lampejo saiu de Lightbringer. Satisfeita com o resultado, Campe o devolveu para Nova.

Sentia-se nua quando tirava o cordão para algo que não fosse se defender. Além disso, apenas outras duas pessoas haviam tocado na arma além dela, Vulcano e a antiga dona: Mordred e Shaka

-- O que fez?

Perguntou franzindo o cenho e devolvendo o cordão ao pescoço.

Campe se distanciou um pouco, deixando Nova no centro do pátio. Dali, espera Nova testar seu brinquedo novo. Nova instintivamente ativa, vendo a modalidade de Lightbringer que mais lhe convém. Soqueiras leves e carregadas de energia.

Os braços tremeram surpresos com a quantidade de energia. Faíscas brilharam em seus olhos e a energia concentrou-se em forma de uma esfera em cada mão. Aprendia rápido.

-- Isso é incrível!

-- Divirta-se. 

E se retirou com um sorriso.

Com uma hora, Nova tinha descoberto que a arma moldava energia elétrica. Podia lançar raios ou feixes elétricos. Eventualmente, com alguma concentração, conseguia fazer Lightbringer virar armas mais complexas como lanças, espadas e machados.

E se divertiu mesmo. Estava feliz porque não teria de deixar Lightbringer de lado, afinal, ninguém conhecia aquela Lightbringer, além disso, a arma agora lhe dava toda a variedade que precisava. Testou meia dúzia de armas diferentes no pouco tempo que teve e, para sua surpresa, possuía uma boa proficiência em todas elas. Culpou, é claro, Lightbringer, acreditava ser uma das habilidades da arma, mas na verdade era sua memória muscular. Era como andar de bicicleta ainda que não se lembrasse de ter algum dia subido nela. 

Deixou a sala suada e levemente ofegante. Ficaria toda suja novamente, mas queria tomar um banho.

___________________________________________

Shakuras e Chaplay seguiram o silencioso cão. Sabiam que ele meio que falava e que entendia o que diziam, então era estranho conversar entre si com um cachorro infernal gigante a ouvir-los. Ele parecia, no entanto, mais inclinado a quebrar o silêncio.

-- Então... você seguiu Mordred? Por que? Não sabia que se importava com ele.

-- Depende do que você chama de se "importar", eu o quero como meu namorado. Segui-lo faz parte, Mordred é do tipo que gosta de se fazer de difícil. Além do mais, pelo o que me consta, vocês dois querem a mesma garota. 

Gira os olhos.

Shakuras ficou confuso com aquela frase. Riu depois de um tempo.

-- ... mas ele namora a Lyah, certo? 

E foi essa a imagem que o manteve de tão bom humor o dia inteiro. Lyah era uma empousa linda, sensual e de bom gosto. TUDO que ele queria para tirar Mordred de seu caminho. Agora vinha Annie e...

-- Importa? Mordred é funcional, ele tem um objetivo, se namorar Lyah for cômodo para alcançar esse objetivo, ele "namorará". Não muda a maneira como ele olha para a sua garota.Talvez ele acredite não ter chance.

Shakuras ficou ruminando em cima daquilo. Era verdade. Viu que Lyah era quem mantinha o grupo unido e era uma líder nata, que era o caminho mais fácil de se conquistar a confiança do grupo. Claro que parecia muito uma estratégia de Mordred.

Chegaram num salão aberto, com um buraco no teto gigante. Melhor colocando, não havia teto. As plantas invadiam o lugar. No centro daquele salão a deusa estava a pintar uma máscara. Era uma máscara samurai ou shinobi. Pintava em tinta azul metálica. Ao ouvir eles chegarem, olhou para os dois. Sorriu para Shakuras e ficou séria para Annie.

Annie lamentou terem chegado tão rápido ao destino. Não houve tempo para terminar o que começara no doce Shaka.

Via a situação da seguinte forma:

Nova gostava de ambos, mas era estúpida demais para entender as diferenças entre um "gostar" e um "gostaaaaaaaaaaaar", logo, se conseguisse que Shaka se declarasse logo e tomasse a dianteira. Nova concordaria. Afinal, ela gostava de Shakuras e jamais consideraria Mordred uma opção com ele "namorando". O resultado seria um Mordred aberto a ter seu coração remendado ( e aí teria que disputar esparadrapos com a empousa) ou um Mordred fechado. O que, sinceramente, preferia. Afinal, encontrara seu caminho através dos segredos do rapaz uma vez. Se conseguisse perfurar a carapaça que ele julgava impenetrável, ele jamais a quereria fora.

Só precisava tirar Nova do caminho.

-- Olá!

Cumprimentou alegremente apesar da seriedade da deusa.

-- Olá, crianças.

Fez uma reverência bonitinha. A deusa, apesar das formas de uma mulher, tinha a aura de uma criança iluminada. Além dos dedos melados da deusa por argila e tinta, dela conseguiam ver duas máscaras no chão e uma no painel, quase pronta.

-- Vieram... pelas máscaras? 

Shakuras acenou com a cabeça, curioso para saber qual que era a dele. A deusa se abaixou e pegou duas máscaras no chão. Uma azul, de Oni, entregou para Shakuras. Uma de coelho para Annie. 

Shakuras arqueou as sobrancelhas. Então aquilo era como a deusa o via?

Annie soltou um gritinho infantil ao receber a própria máscara!

-- Amei! É perfeita! Obrigada.

Agradeceu animadamente colocando a máscara. Teria mais do que a arena como uso com certeza. Olhou para a de Shaka e arqueou as sobrancelhas.

-- Tem certeza de que a dele não é um ursinho ou algo assim?

Ele rapidamente colocou a máscara, arregalou os olhos e gritou para ela. Não que fosse de fato assustador, principalmente com ele rindo logo depois do grito. A deusa riu com o canto do rosto enquanto olhava para o rapaz.

-- Como máscara... vai servir, Annie. Que bom que gostou da sua também. Podem levar a de Nova, a propósito? 

E entregou a máscara para Annie.

Uma máscara de lobo. A cara cínica da deusa olhando nos olhos da semideusa como se não fosse nada. Uma máscara japonesa de lobo. Japonesa como a de Shakuras. De um lobo, que predava lebres.

-- O ditado favorito de Nova é "quisquis ovem simulat, hunc lupus ore vorat". Vai combinar com ela. 

E sorriu mais um pouco, empurrando a máscara mais para Annie.

Não era uma deusa provocando uma garota. Deuses não provocam. Deuses agem, mandam presságios, recados. Era o presságio que Anthea tinha para Annie.

-- Que lindo! Combina com a minha!

Annie não perdeu o sorriso, mas ele se tornou frio. Anthea podia enfiar o presságio em seu belo jardim, a porcaria da máscara na verdade a ajudara.

-- É claro que combina. Não percebe o que isso é tolinho?

Piscou para o rapaz.

-- Um sinal!

O sorriso da loira tornou-se cínico ao responder à deusa.

-- Obrigada, novamente. Vou adorar entregar essa máscara para Nova.

-- Vai sim. 

As palavras da deusa pareceram mais profundas do que de costume. Assim como mais ameaçadoras.

Nem precisou de muito mais tempo. Annie e Shakuras conseguiram um tempo sozinho. Já que ele não tinha um quarto, ele foi direto para o quarto de Lyah. Disse que mostraria onde era o quarto dela, caso ela mostrasse o próprio quarto. Ele disse que era para achá-la depois. Na real, ele parecia não querer se perder.

Shakuras estava todo risos e alegrias para a sua máscara. Combinaram de entregar as máscaras quando se encontrassem no navio.


Notas Finais


Risos.


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